Amaldiçoado
16 Capítulo XVI - De Agora em Diante
Notas iniciais
Shikamaru e Temari saíram cedo do apartamento dos Sabaku's, mas só depois de ambos saírem, que a loira lembrou que havia esquecido a chave no interior do mesmo. Ou seja, estavam presos do lado de fora até que Gaara ou Ino tivessem a boa vontade de abrir a porta.
Para saírem, a Yamanaka que havia se levantado para tomar seu anticoncepcional fizera o favor de trancar a porta assim que passaram por ela. E agora o Nara fazia questão de sugar a paciência que a Sabaku não tinha, apenas para vê-la ranzinza. Porque de todas as faces que vira na garota até agora, a irritada era a que mais amava.
" Espera um momento... Amava? Que conversa é essa? " indagou surpreso com os próprios pensamentos. Mas balançando a cabeça para clarear as ideias.
— Vocês homens são uns imbecis — bufou apertando o volante. Ele riu com escárnio enquanto observava as ruas de Tókio através da janela.
— Você que esquece a chave e nós homens somos imbecis? — ironizou Shikamaru surpreso pela revelação da loira que grunhiu. — Ainda não acredito que você conseguiu essa proeza — brincou, fazendo-a gritar de raiva.
— Olha Nara, hoje eu não tô pra brincadeira, hein? — ralhou entre dentes olhando-o num breve intervalo de tempo, enquanto dirigia para o shopping. — Eu queria conseguir falar com a Ten... — fez um biquinho manhoso. O rapaz a olhou descrente, impressionado com a repentina mudança de humor da loira, os olhos azuis-esverdeados estavam baixos e transpareciam sua tristeza e apreensão. Tal como uma perna.
— Mulheres... — sibilou quase sem emitir som.
— O que!? — ralhou novamente e os olhos negros do Nara se arregalaram outra vez — Repete! — exclamou, desafiando-o e ele ergueu as mãos rendido.
— Calma, Temari — pediu como quem falava com um animal assustado e ela cerrou os dentes enquanto o olhava de forma ameaçadora. Outra mudança de humor que assustava o rapaz. — " Problemáticas, isso que as mulheres são..."— ele preferiu não proferir aquelas palavras em voz alta, caso contrário temia que sua vida corresse risco.
***
O quarto estava parcialmente escuro, apenas a luz de um abajur acima do criado mudo que completava a penumbra do local. As cortinas estavam fechadas, impedindo a entrada dos raios solares no cômodo que cheirava à sexo, suor e cigarro.
Os corpos suados encontravam-se deitados sob a cama de casal, os lençóis bagunçados e as respirações descompassadas dos dois, denunciavam o estado em que se encontravam após o coito.
Gaara estava deitado de barriga pra cima, enquanto os olhos esmeralda observavam o teto sem nenhum foco fixo. Levara os dedos — indicador e médio — com o cigarro entre eles até sua boca. O corpo estava parcialmente coberto por um de seus lençóis brancos, tendo o tórax parcialmente desnudo e uma das pernas que balançavam sutilmente fora da cama. Após uma forte tragada, o ruivo retirou o cigarro da boca e aguardou alguns segundos para exalar a nicotina que se perdeu no ar gélido do quarto — devido o ar condicionado -.
E a Yamanaka permanecia com a cabeça deitada por sob o peitoral do ruivo, enquanto que com as pontas dos dedos ela acaricia levemente a região. Em resposta do carinho, ele alisava suas costas suadas e nuas. Os olhos azuis estavam baixos e fixos em um ponto qualquer, o que indicava que a loira estava mergulhada em profundos pensamentos. Os movimentos dos dedos eram feitos automaticamente.
Ela sabia que ele possuía o vício de fumar após uma transa. Mas no âmago aquilo a incomodava, talvez o sentimento de culpa ainda não houvesse abandonado-a por completo, mesmo sabendo que isso para o ruivo era passado. Ela finalmente o havia feito entender seus motivos, mas então... Porque ela mesma não os entendiam?
Ela sabia a resposta.
E a principal delas era, que se a situação fosse inversa, Gaara teria ido contra seus próprios princípios, colocando ela em primeiro lugar e a teria ajudado. Ela sabia que ainda se sentia culpada por tê-lo abandonado numa das fases mais difíceis de sua vida.
" — Mas você não tem que se preocupar com isso, Ino. Você não esteve aqui uma vez, mas eu confio que estará nas próximas... Porque algo me diz, que a fase difícil de nossas vidas está só começando. "
Lembrou-se das palavras do namorado na conversa que tiveram pouco antes da transa. Sim, ele a havia perdoado e ela via isso nos olhos dele, tal como na forma com que fizeram amor. Sexy e selvagem, na medida que ambos gostavam. Ino sabia que Gaara não transaria de forma tão entregue com ela, por simplesmente transar.
Mas então, por que caralho ela não conseguia se perdoar?
— Pare de se martirizar pelo passado, Ino — a voz grave e levemente despreocupada do ruivo causou um frio na espinha da loira que estremeceu.
— Não estou me martirizando por nada...- a Yamanaka choramingou e baixou os olhos. Gaara a olhou com uma sobrancelha arqueada, e a mesma pareceu sentir o peso das orbes esmeraldas sob si. E voltou a fitá-lo. — Mais ou menos... — subitamente ela sentou-se na cama, o que fez com que o lençol que cobria seu busto, escorregasse pelo corpo. Os braços se cruzaram, empinando ainda mais o busto da loira emburrada. — Sabe que não gosto quando fuma! — exclamou sem olhá-lo.
Os olhos do Sabaku brilharam de excitação ao vislumbrarem os mamilos duros e empinados, Ino era uma mulher de muitos dotes, tinha que confessar. Não podia se culpar por ser extremamente ciumento com a loira, até porquê, em alguns casos ela era bastante ingênua.
— Mais ou menos, não é? — ironizou Gaara com um sorriso safado de canto e engatinhando até a loira que sentiu o rosto queimar.
— Gaara... — sua voz mesclava alerta e um nítido "Comporte-se". Mas ele não deu atenção. — N-Não tente me distrair, Sabaku — alertou inclinando o corpo para trás, ao mesmo tempo em que ele deitava-se sobre ela — Estou falando sério — ergueu o dedo indicador, deixando-o muito próximo do rosto do rapaz que revirou os olhos e agarrou o mesmo, forçando-a a baixar o braço — Ainda estou com raiva de você — choramingou e fechou os olhos virando a cabeça no momento em que o viu se aproximar cada vez mais, perigosamente.
Naquela altura Ino já estava deitada na cama, enquanto Gaara tinha o corpo muito próximo do desnudo dela, forçando cada vez mais seu peitoral definido contra com mamilos que já começavam a enrijecer devido aos espasmos que a loira sentia.
Ele passou suas mãos grandes pelo corpo dela, tocando partes que ele sabia que a provocaria. Afinal, ninguém conhecia Ino intimamente, melhor que ele.
Mas batidas incessantes e repetidas na porta do apartamento atrapalhou o casal que trocaram olhares de quem dizia "Jura, justo agora?". Gaara fez menção de sair de cima da loira e ela soltou um muxoxo tristonho. O que o fez rir de canto.
— Será que já é a Tema e o Shika? — indagou ela amaldiçoando a cunhada e o irmão no momento, pra que tanta algazarra? E ela não tinha a chave não?
— Pode ser, ela tem mania de esquecer as coisas quando está de TPM — Gaara falou enquanto colocava a cueca e uma calça jeans.
— Como sabe que ela está de TPM? — a pergunta saiu mais perigosa do que deveria, Ino cruzou os braços num nítido ciúmes. Afinal, só porque ela era irmã dele, ele tinha que saber o período menstrual da mesma?
— Ah...! Humor, eu também namoro uma loira nervosinha... — não conseguiu completar a frase.
— O QUE!? — gritou sobressaltando-se da cama e o ruivo riu divertido e correu para fora do quarto antes que ela o xingasse ou coisa pior pela brincadeira.
O Sabaku caminhou pelos corredores calmamente, mas as novas batidas apressadas na porta o fizera apressar o passo.
— Já tô indo! — ralhou levemente irritado. Não deixou de notar ao passar pela mesa que as chaves da irmã realmente estavam lá. - "Ah Temari, você precisa de uma boa noite de sexo pra acalmar esses nervos " — pensou enquanto girava a chave que estava na porta sem cerimônias, logo reclamando — Olha Tema, eu não sei quantas vezes ainda eu... — assim que abriu a porta, os olhos esverdeados foram de encontro aos perolados e ele assustou-se — Hinata? — indagou surpreso pela presença da Hyuuga no local. Sem aviso prévio ela adentrou o apartamento como um furacão, a menina parecia bastante perturbada.
— P-P-Por favor Gaara — segurou os braços do Sabaku, seus olhos sem cor estavam nitidamente aflitos, o que instintivamente fez um frio percorrer a espinha do ruivo — D-Diga que a Tenten está a-aqui... — sua boca estava tremendo, o que explicava a gaguez.
— A Tenten? — indagou arqueando uma sobrancelha, simplesmente sem entender a situação. Ela assentiu repetidas vezes — Desculpe Hinata, mas a última vez que a vi foi no Hospital, quando ela ainda estava dormindo — deu de ombros, sentindo um certo incômodo pela proximidade exagerada da garota. Se Ino chegasse naquele momento...
— MAS QUE PUTARIA É ESSA? — ele não precisou nem encerrar os pensamentos.
Todavia, Hinata parecia alheia aos problemas que ali se passavam. Sua única preocupação era a amiga, onde ela havia se metido? Simplesmente sumira. Outra vez...
— Não Ten... — choramingou — Você não fez isso! — estava difícil conter as lágrimas teimosas, o desespero, a falta de solução. Ela odiava ficar daquele jeito. A reação estranha da Hyuuga deixou Ino curiosa, a loira olhou com uma sobrancelha arqueada para a morena e em seguida para Gaara, com uma nítida expressão de quem queria respostas.
— Pelo que eu entendi a Tenten sumiu... — deu de ombros e os olhos azuis se arregalaram exageradamente.
— Outra vez? — ele assentiu.
— Você me prometeu que não faria... — chorou escondendo o rosto entre as mãos. A Yamanaka rapidamente esqueceu o que havia acontecido há pouco, ver a menina Hyuuga ali tão triste lhe partia o coração. Afinal, ela era uma boa pessoa. Olhou diversas vezes de Gaara para Hinata e vice-versa, mas o ruivo não esboçou reação. O que a fez tomar a iniciativa.
— Hina... — aproximou-se da garota e pôs a mão em seu ombro, o que fez a mesma sobressaltasse e a olhar com os olhos cheios d'água, a boca pequena e rosada ameaçando a todo momento o inicio do choro compulsivo. — Vem... Senta aqui — a guiou até o sofá da sala e sentou-se ao seu lado. Com um gesto ela pediu ao namorado que trouxesse água com açúcar para ela se acalmar, mesmo desconfiado da cena, o ruivo fez o que lhe era pedido. Segundos depois apareceu com o copo de líquido transparente e de pequeno cristais que se dissolviam gradativamente em seu interior, misturando-se à água.
— O-Obrigada... — agradeceu timidamente. Ino sorriu, Hinata parecia uma boneca de porcelana.
— Agora conta — pediu após ver a morena dar alguns goles lentamente — O que houve? — pôs a sua mão acima da dela em um gesto amigo.
Hinata franziu o cenho com o pedido, mas não viu maldade no mesmo. Hora ou outra certamente saberiam, então melhor que fosse por ela do que por terceiros...
***
Ela estava lá, os olhos — bem treinados pelos anos em que se dedicou a aquilo — sempre atentos à qualquer movimento. Hinata estava parada no interior do farol, de frente para a porta. Mas havia algo errado, ela sentia que algo estava errado. Era como se Tenten estivesse aos poucos desaparecendo.
Olhou mais uma vez pelo local que a amiga adentrara, mesmo lá, ela não sentia a presença do Hyuuga. Elas não levantariam suspeitas, mas e depois que Neji fosse solto? No âmago, Hinata ainda têmia que num acesso de fúria ele novamente se revoltasse contra seu Clã, por este motivo a pequena Hyuuga enviara a amiga. Ela sabia que mesmo com todas as dificuldades, Tenten era a única que conseguiria barra-lo.
Aos poucos sua mente trabalhava em hipótese. Que sentimento ruim era aquele? Um frio que percorria sua espinha toda vez que pensava na possibilidade de que se realmente estaria fazendo a coisa certa.
" Ten... Onde você está, amiga? " indagou mentalmente enquanto fechava os olhos e dava as mãos em sinal de reza, levando as mesmas até a boca. Seu nervosismo não permitiu que ela ficasse parada, os pés incessantemente se moviam de um lado para o outro. Ela sabia que tinha um motivo para que aos poucos ela deixasse de sentir a presença da Mitsashi. E de olhos fechados ela tentava a todo custo memorizar todos os feitiços do Clã.
— Senhorita Hinata... — até que uma mão grande tocou seu ombro, por estar em um momento de grande concentração, ela assustou-se com o ato repentino. Gritando e arregalando os olhos para a pessoa que a segurava, tal como a respiração que se descompassou e o coração que acelerou — Perdão... — era um dos rapazes ao qual fazia a guarda do local.
— H-Hoheto... — ela pôs a mão no peito enquanto acalmava os próprios nervos.
— Sim senhorita, sou eu — ele deu as mãos atrás do corpo desconfiado — A senhorita estava acompanhada do Anjo prodígio, estou certo? — indagou curioso olhando para os lados a procura da Mitsashi. Hinata arregalou seus olhos com a pergunta e virou-se para que ele não visse a vermelhidão de seu rosto. Tentou mentalmente procurar uma reposta para a pergunta, mas nada plausível o suficiente.
— S-Sim... — ela arregalou os olhos.
— E onde ela está? — ele continuava a procura da garota — Sabe senhorita, esse local é muito antigo...E perigoso para andarem desacompanhadas.
— P-Perigoso? — indagou sem jeito e tentando desconversar, até que a sua mente se acendeu — É, ela foi passear pelo farol. A Tenten ama coisas históricas... — olhou para os lados e com a sua preocupação, só fora capaz de entender o quão perigoso aquele local era naquele momento — Esse local assustador — choramingou — Molhado... Fúnebre — abraçou o próprio corpo ao ouvir um barulho de morcego vindo de algum lugar da penumbra — Ela adora! — seu tom era tão descrente quanto o medo evidente em seus olhos.
— M-M-Mas senhorita... — o Hyuuga olhava para os lados em pleno sinal de desespero — É muito perigoso vir para cá... D-Digo, nós aprisionamos o traidor aqui! — ele exclamou horrorizado e deu as mãos atrás do corpo e olhou para cima como se estivesse surpresa pela informação.
— Jura? — indagou sem jeito e encolhendo os ombros — Opa...! — mordeu o lábio inferior. O Hyuuga se desesperou, correu para a parte externa do farol e Hinata pôs a mão no peito, exalando todo o ar que sequer sabia que prendia.
— Essa foi por pouco... — sussurrou olhando para o chão e em seguida para o local que vira a amiga pela última vez. Todavia, sua alegria durou pouco, uma vez quê o Hyuuga novamente adentrou — arrombado a porta — o interior do farol com mais um pequeno grupo.
— Temos que achá-la! — ele ordenou e os outros assentiram, entrando correndo no farol — O Anjo prodígio corre perigo — ele alertou correndo junto dos outros.
— E-Esperem... -tentou chamar, mas fora ignorada. Em meio a isso, Hinata apenas pôs novamente a mão no coração, sentiu a cabeça girar e e os olhos revirarem, aos poucos tudo ia escurecendo. Desmaiou pelo excesso de informação que seu corpo não conseguia processar. Mil problemas, nenhuma solução.
***
Sentiu aos poucos seus ombros chacoalharem, aquela sensação estranha e incômoda que fazia seu mundo interno girar também estava lá. Ao mesmo tempo em que uma voz distante chamava por seu nome, uma voz estranhamente familiar...
— " Tenten..." — sussurrou em pensamento forçando as pálpebras a se abrirem lentamente — " Não! " — exclamou assim que sua visão focalizou na imagem feminina que encontrava-se abaixada e olhando-a fixamente, com os olhos tão perolados quanto os seus — H-Hanabi? — indagou curiosa e olhando para os lados. A figura altiva da irmã, com a sobrancelha arqueada e a boca fechada e curvada num sorriso divertido deixaram Hinata curiosa — O que houve ? — quis saber forçando o tronco a erguer-se e sentando-se no chão.
— Não sei... Só vi quando você caiu e desmaiou — tocou a testa da Hyuuga — E pelo que estou vendo as suas taxas estão muito baixas... Qual a última vez que você comeu, Hinata ? — cruzou os braços de forma autoritária e séria. Hanabi era o pai escrito, mas com a irmã ela sempre adoçava um pouco sua maneira de ser. Assim como os demais, julgava que Hinata era boba demais. Pelo menos antes de sair naquela missão a qual a mais nova julgava que ela não era capaz de realizar.
— Eu... — deu de ombros, realmente, qual a última vez que comera? No café da manhã, metade do que a serva trouxe — já que ela pediu para ser servida no quarto — foi perdido, quanto a outra metade Tenten comeu despreocupada. Aparentemente só Hinata parecia perceber o perigo que corriam com aquele plano maluco. Mas não poderia abandonar a amiga, não agora.
— Sabia! — falou com o dedo enriste e uma cara de desaprovação — E o que está fazendo aqui ? — sua pergunta soou como um descaso, mas Hinata pôde jurar que havia um sinal de alerta na fala da mais nova, e a olhou de forma curiosa. Mas Hanabi percebeu o próprio erro e manteve sua expressão divertida, era assim que ela queria que a outra entendesse a pergunta, divertida. Um ingênua pergunta, divertida...
— Eu é que pergunto! — exclamou levantando-se e limpando a poeira de sua roupa, sendo seguida pela outra.
— Eu trabalho aqui, Hina — esnobou com uma cara de debochada e os olhos da outra se arregalaram. Hanabi tentou desconversar, aquilo certamente aguçaria a curiosidade da irmã, ninguém poderia descobrir que ali era um local de prisão máxima. Só que ela não contava que...
— Então já sabia que Neji está preso aqui? — agora foi a vez dos olhos da outra Hyuuga se arregalar em descrença.
— C-C-Como você sabe disso? — estava totalmente perplexa. Hinata olhou para um canto qualquer com uma expressão de surpresa, sua cabeça simplesmente não conseguia juntar coisa com coisa. Abriu a boca para falar algo, mas antes de proferir algum som...
— SENHORITA HANABI! — os guardas voltaram correndo e chamando pela Hyuuga mais nova que sobressaltou-se com o susto e chegada inesperada.
— O que significa isso? — ralhou com as mãos na cintura e olhando-os enfurecida.
— P-Perdão senhorita — um deles abaixou-se em sinal de reverência. — É um assunto de suma importância, senhorita — ele estava visivelmente nervoso. Por instinto Hinata levou as mãos ao próprio peito e o olhou apreensiva. Hanabi olhou as reações da irmã de canto, achando estranha aquela preocupação repentina.
— O-Onde está a Tenten? — Hinata indagou ao guarda, sua voz era quase um sussurro.
— É exatamente sobre isso que vim informar, senhorita Hinata — ele ergueu-se, ficando novamente de pé e fitando as duas garotas. Hanabi estava cada vez mais desconfiada.
— Ei! — exclamou — O que o Anjo prodígio tem a ver com tudo isso? — questionou entre dentes e numa visível irritação.
— Ela sumiu, senhorita... Assim como o prisioneiro — falou já esperando o pior. Hanabi estancou, paralisou no momento pelos segundos que levou para absorver a informação. Logo em seguida olhando furiosa para a mais velha que aos poucos sentia que iria desmaiar novamente. Sua cabeça girava bastante, ela se apoiou em uma das paredes enquanto respirava fundo e com a boca aberta.
" Ten..." sentiu vontade de chorar, mas não o fez. Como ela pôde fazer aquilo? Ela prometeu a si mesma que não desapareceria outra vez, Hinata conhecia Neji o suficiente para saber que ele iria tentar persuadi-la. Será que a amizade delas não significava nada para a Mitsashi?
— Suspeitamos que enquanto o Anjo prodígio estava visitando o local, o Amaldiçoado deve ter se liberto de alguma forma e com isso a feito de refém. Precisamos encontrá-la, ela pode correr risco de vida perto dele! — exclamou um outro Hyuuga. Hanabi ainda não havia engolido totalmente aquela conversa, ainda mais vendo Hinata tão aérea, mas realmente, algo precisava ser feito o quanto antes.
— Informem ao papai, ele estava muito debilitado, não deve ter ido muito longe — ordenou e todos assentiram, desaparecendo do local no segundo seguinte.
Logo após a saída dos guerreiros Hyuuga, Hanabi virou-se para Hinata e cruzou os braços, erguendo de forma autoritária o queixo. A mais velha olhou com certa desconfiança para a irmã, mas esperou ela se pronunciar.
***
Estavam correndo há algum tempo. Tenten não fazia ideia de para onde estavam indo ou pelo menos onde estavam. Tudo que sabia, era o que via. As árvores de copas altas, o chão repleto de folhas como se a estação fosse Outono. A maioria delas secas e quebradiças. Tudo que ela sentia era seu pulso ser segurado com firmeza pelo Hyuuga que corria na frente, deixando-a mais atrás e praticamente a arrastando — por insistência sua que afirmara estar bem -.
Na verdade, depois de libertar Neji ela simplesmente não entendia mais nada do que acontecia. Tudo que sentiu no momento fora seu corpo ser acolhido pelo dele e o mesmo lhe abraçar com as asas machucadas, ela fechou os olhos para sentir o momento, mas ao abri-los estava num local totalmente diferente.
O que se passava em sua cabeça eram as seguintes perguntas, " Onde estou? Será que a Hinata está bem? Para onde estamos indo? E principalmente, por que Neji estava com o primeiro estágio de sua maldição ativada? ".
— N-Neji — com o braço livre ela segurou o pulso do homem que lhe segurava com uma força exagerada — algo típico seu -. Ele parou virando-se para ela, viu a mesma inclinar o corpo para a frente e puxar o braço com certa brusquidão, massageando o local dolorido. Arqueou uma sobrancelha sem entender a cena. — O que significa tudo isso? — indagou ofegante.
— Isso tudo o quê? — arqueou uma sobrancelha, visivelmente irritado. Ela girou as mãos apontando para tudo ao redor. — Estamos fugindo, não era isso que você queria... ? — a pergunta soou levemente amarga, como se ele temesse a resposta. Ela suspirou e balançou negativamente a cabeça, os olhos perolados se arregalaram de forma imperceptível e ele sentiu um frio percorrer sua espinha.
— Não é isso que estou falando, Hyuuga — ralhou sentando-se sem cerimônias no chão, estava exausta, não tinha tanta resistência como ele. Todavia, mesmo que não demonstrasse, Neji também estava esgotado por dentro. O tempo que passara preso resultou em um desgaste porcentual de todo poder que ele tinha. E tudo isso o levava a crer, que se outra pessoa menos preparada estivesse em seu lugar, certamente não teria resistido.
— Então do que está falando? — indagou cruzando os braços e erguendo o queixo para olhá-la de cima, o que não era muito necessário, uma vez que ela estava sentada e, mesmo que não estivesse, Neji era bem maior que ela. A expressão fechada e os olhos profundos que fitavam com intensidade a Mitsashi fizeram um arrepio gostoso percorrer todo corpo feminino, e ele pareceu perceber, uma vez que esboçou a sombra de um sorriso.
— Estou falando que... — olhou para os lados de forma pensativa, enquanto mordia o lábio inferior. O que fez com que os instintos mais profanos do Anjo amaldiçoado fossem despertos. Num movimento rápido ele abaixou-se e pôs uma de suas mãos no chão, seus ouvidos experientes captaram o barulho as folhas secas se quebrando com o movimento. Enquanto que com a outra ele segurou com força o queixo da Mitsashi e virou o rosto dela para fitá-lo. Tenten sentiu uma dor incômoda em seu pescoço pela forma violenta que foi puxada, mas apenas gemeu baixo e deixou claro em sua expressão que estava irritada com ele.
— Não. Morda. Essa. Boca! — ralhou ele entredentes e com os olhos cada vez mais penetrantes. Ela não havia percebido o que fazia, mas com o aviso ela instintivamente soltou a carne da prisão dos dentes e o olhou com as orbes levemente arregaladas, temendo a reação dele.
Neji permanecia olhado fixamente para a boca entreaberta da Mitsashi, os lábios — agora vermelhos pelo acumulo do sangue — pareciam chamá-los para prová-los de uma forma fugaz e perigosa, do jeito que ele gostava. Enquanto que Tenten sentia a respiração cada vez mais pesada do Hyuuga bater em seu rosto, ele sequer controlava os próprios instintos.
— Me obrigue! — desafiou novamente entredentes e com olhos desafiadores que fez o rapaz grunhir pela ousadia e sentir seu membro pulsar dentro da calça.
Segurou a nuca da morena, trazendo-a para muito perto de si, enquanto o outro braço passou pela cintura e foi até o bumbum empinado da mesma. Sem precisar fazer muita força, ele a levantou e a imprensou contra uma das árvores que ali havia. Colando sua boca sedenta na dela. Sentir a morena passar seus braços e tocar seu rosto arrancou ainda mais a sanidade do Hyuuga que queria domá-la, não ser domado. Usou os braços para segurar os dela e a fez abraçar a árvore atrás de si, usando suas mãos para prende-la.
Naquela altura Tenten já havia entrelaçado suas pernas ao redor da cintura do Hyuuga. Neji aproveitava que tinha total controle do corpo diminuto para explorar com vontade a boca da garota com a sua, movia a cabeça de acordo com a necessidade de mostra-la quem realmente estava no comando — e quem sempre estaria-. Enquanto Tenten abafava os gemidos que vinham do fundo de sua garganta ao senti-lo roçar o membro duro em sua feminilidade que aos poucos se contraía de antecipação.
Aquele beijo de Neji era urgente, quente e cheio de segundas intenções. Ela entendia perfeitamente o que ele queria dizer quando ele forçava sua língua para o interior da boca dela, fazendo as duas dançarem de forma lenta e provocante. Ela entendia perfeitamente o que ele queria dizer quando ele mordia com força seu lábio inferior, em seguida o superior. Ela entendia perfeitamente o que ele queria dizer quando passava os beijos, e mordidas — para deixar marcas — para o queixo, seguindo o maxilar na linha para a orelha. Soprando de leve o lóbulo e a fazendo arrepiar-se da cabeça aos pés ao sentir o hálito quente naquela região sensível. Ela entendia perfeitamente a sensação que sentia abaixo de seu vente, estava completamente excitada e molhada, os músculos no interior de sua vagina se contrariam a cada movimento que o Hyuuga fazia. Ela entendia perfeitamente... Que era dele antes mesmo de consumarem algo. Ou foderem, como ele diria.
— Não me provoque, Mitsashi. Ou como você aqui mesmo — ele ralhou afastando-se apenas um centímetro.
— V-Você não tem coragem... — ela ralhou baixinho enquanto inclinava o corpo para frente no intuito de excitá-lo, movia os quadris encima do pau duro dele, sentindo a firmeza e o tamanho.
Neji bufou enquanto olhava para baixo, momento nenhum se importou por estar com sua maldição ativada, pelo menos assim ficaria atento à qualquer movimento próximo. Já que aquele local da floresta era remoto e de difícil acesso para humanos comuns, o que indicava que apenas outro Anjo ou Demônio chegaria até ali.
Estava irritado, pois coragem ele tinha, de sobra. Mas parar para finalmente fode-la ali poderia ser fatal. Ele não agia por impulso, mas aquela garota... Ele nunca chegava a uma conclusão quando estava próxima a ela. Então... Seguir caminho ou sanar seus desejos ali de uma vez por todas? A segunda opção... Era tão tentadora.
"Juízo Neji!" alertou-se mentalmente " Nada de pensar com a cabeça debaixo num momento tão crucial" estava decidido, chegaria primeiro ao seu esconderijo e então transaria com ela até vê-la implorar para parar. Afinal, ninguém os encontrariam lá...
***
Naquela altura Hinata já estava visivelmente mais calma, as mãos não tremiam enquanto segurava o copo de vidro, os olhos não ameaçavam lacrimejar à qualquer momento e a fala dela não era mais entrecortada. Já havia contado a maior parte dos acontecimentos e a sua versão da história para Ino e Gaara que no momento eram bons ouvintes. Disponibilizando seus tempos para compreende-la e apoia-la.
— Então...? — a Yamanaka indagou apreensiva após um breve silêncio da Hyuuga que mirou o chão.
— Após isso os Hyuuga's sumiram e informaram ao grande Hyuuga Hiashi que o prisioneiro havia escapado, curiosamente a Hanabi também me deixou lá sozinha... — Ino olhou apreensiva para o ruivo que também percebera nas expressões de Hinata a ameaça de um choro a qualquer momento. Mas ela manteve-se firme e respirou fundo — Minha própria irmã me acusou para meu pai... E a questão não é o que eu fiz, ela fez isso sem provas e no âmago eu sei que ela não acha mesmo isso... — parou um pouco — Mesmo que tenha sido verdade. — deu de ombros com desgosto. Os olhos azuis da loira se arregalaram do jeito que só Ino conseguiria fazê-lo, enquanto Gaara tentou ao máximo não transparecer tanta surpresa.
— EU NÃO ACREDITO! — a Yamanaka ficou de pé e bateu o calcanhar no chão sentindo uma fúria incomum percorrer seu corpo. Pela primeira vez ela sentiu vontade de pôr em prática tudo que havia aprendido com sua família e finalmente matar alguns Anjos malditos. — Como ela pôde? — abriu os braços, sua voz fina soava alto pelo apartamento. Fazendo Hinata se sentir ainda mais diminuta diante da autoridade.
— Ela só fez o que achava que era certo... — sua voz foi quase um sussurro, mas no âmago era pela falta de fé que sentia nas próprias palavras. Viu os pés da outra pararem em frente a si, ergueu os olhos para fitá-la e deu de cara com uma loira com uma expressão perigosa e braços cruzados fitando-a intensamente.
— Hinata... Não tente acobertar sua irmã! — ela alertou — Pelo que entendi, ela sequer se importou em fazer algo parecido por você... — pôs uma das mãos na cintura e a Hyuuga suspirou exausta, sabendo que no âmago, tudo que a Yamanaka falava era verdade.
— Há algum tempo eu vinha percebendo que... a Hanabi tinha sentimentos negativos em relação à mim. E eu sempre ignorei por achar que isso se dava pelo fato dela achar que eu era fraca e inútil... Como todos achavam — suspirou, os olhos perolados mais uma vez fixos ao chão, admirando o tapete felpudo — Mas agora eu descobri que era... — não conseguiu completar a frase, não tinha tanta coragem para acusar a irmã de algo assim. Diferente de Ino e Gaara.
— Inveja! — eles responderam em uníssono e a Hyuuga baixou ainda mais a cabeça, cobrindo totalmente seu rosto com as madeixas azuladas e lisas.
— Não é pra tanto... — tentou desconversar, mas mais uma vez Ino se prontificou em dar-lhe um belo sermão:
— Como não!? — indagou andando de um lado para o outro e com as duas mãos na cintura — Ela sente inveja por você ser a mais velha. Ela sente inveja por você ser mais bonita. Ela sente inveja porque mesmo que não queira, você é a herdeira direta do Clã — a medida que falava ela fazia a contagem nos dedos dos mil motivos para a Hyuuga denunciar a irmã para o pai — E além do mais... — parou de frente ao Anjo e abaixou-se lentamente enquanto repousava sua mão sob a perna dela em sinal de um gesto amigo — Ela sente inveja por saber que independente de qualquer coisa... Os cuidados e a maior parte do amor de seu pai é para com você! — deu de ombros ao vê-la olhá-la como se ela fosse louca — E não diga que não é... Hina. O pensamento de que você é fraca ou algo do tipo, faz com que ele tenha esse cuidado maior contigo, e ocasionalmente te ame mais — lembrou-se do seu próprio caso de vida, não era atoa que ela sempre ia com os pais nas missões, viver disfarçada. Enquanto Shikamaru era sempre quem ficava para "estudar" os inimigos. Kurenai e Asuma diziam que era porquê ele precisava estudar o nosso inimigo, mas Ino sabia que não. — Hanabi sabe se virar sozinha, o que a faz ter mais liberdade. Ocasionalmente ele tem mais contato com você que está sempre em casa, do que com ela... — deu de ombros ao ver a dona dos olhos perolados parada e aparentemente pensativa.
— Não sei se é bem assim... — deduziu — Papai me expulsou do Clã, agora eu também sou uma inimiga deles... — sentiu seu corpo pequeno tremer por finalmente revelar o motivo que estava lhe tirando a sanidade — Se nos encontrarmos por aí... Ele não pensará duas vezes antes de me matar — escondeu o rosto entre as mãos e iniciou o choro baixo e doloroso de antes. Ino e Gaara se olharam surpresos pela revelação. Então ela havia sido exilada assim como Neji?
***
Enquanto isso no Shopping...
Em algum local reservado para jogos — o que Shikamaru insistira em levar a loira, alegando que seria bom para ela tirar aquela carranca que parecia ser parte dela — o Nara e a Sabaku se encontravam numa competição de dança.
Não era difícil para ela se soltar e acompanhar o ritmo da dança de acordo com o que era mostrado na enorme tela à sua frente, enquanto o moreno se encontrava encostado em uma parede da pequena saleta — local reservado para o aparelho de dança e que possuía proteção que impedia que o som saísse e incomodasse quem estava fora -.
Claro quê, a loira não havia aceitado de primeira a proposta do Nara. Só após o rapaz levá-la para um boteco chique no interior do shopping e ver a Sabaku tomar algumas doses de tequila, que a mesma aceitou a brincadeira.
E devido ao álcool, os movimentos que ela realizava era um tanto quanto mais ousados que o que ela faria de costume. A blusa não tão grande fazia sua barriga aparecer quando levantava os braços e balançava os quadris de um lado para o outro. Hora ou outra olhando para Shikamaru através dos espelhos que continham no local para ter certeza de que ele estava olhando, e sua resposta era satisfatória. O moreno não só olhava, como também parecia que babaria a qualquer momento. Os olhos negros sequer piscavam. Apenas o vislumbre do jogo de quadril que ele sequer sabia que ela possuía, fazia ele ter que respirar fundo e engolir em seco diversas vezes para controlar o membro que dava sinais de que acordaria a qualquer momento.
Aquilo sim, seria deveras vergonhoso.
Mas ele não se culpava, ou deveria? Era homem e estava de frente à uma bela mulher. Ou melhor, corrigindo-se, a bela mulher que diariamente lhe tirava o foco dos pensamentos. A qual tem se tornado parte de suas vontades desde que a conhecera.
E vê-la então, ali, tão solta e indecente, era demais para sua sanidade.
Os olhos verdes-azulados se voltaram para si através do ombro, o sorriso de canto e que deixava claro que os pensamentos que a mesma estava tendo não eram corretos para o horário e local. Temari virou-se lentamente, naquela altura os cabelos loiros estavam bagunçados de forma sexy devido ao gingado, a blusa um pouco justa no corpo — que deixava em evidência a cintura delgada e os seios fartos que ela possuía — mostrava aquela pequena parte branca e delicada da pele abaixo do umbigo da mesma, seus pelos dourados da região próxima ao ventre. Uma pena que a calça cobrisse o que ele mais queria ver. Porém a mesma calça também lhe mostrara o quão empinada e dura era a bunda da Sabaku, a qual só balançava o necessário durante a dança que ele pôde jurar que era para lhe enlouquecer. Tal como as pernas torneadas.
Ela veio caminhando com os olhos desafiadores e uma expressão que certamente não faria se estivesse sóbria, aproximou-se dele o suficiente e tocou o peitoral definido do moreno que sentiu um frio percorrer sua espinha e estremeceu de leve. Esperando uma reação dela, a qual veio segundos depois. Temari deslizou as mãos do tórax do rapaz até os ombros, onde apertou com cautela e ficou na ponta dos pés, aproximando os rostos lentamente. Sua boca ia e vinha de forma insinuante, enquanto os olhos examinavam as reações dele. Aos poucos Shikamaru fechava suas orbes negras e se entregava ao momento, ele também havia bebido alguns drinques, não poderia se culpar pelos atos. Ou melhor, não queria.
Ela inclinou levemente a cabeça para um lado, como resposta imediata ele inclinou a dele para o outro. As bocas se encontrando em toques suaves, leves selinhos disfarçados. Temari aproveitou para morder com sutileza o lábio superior do Nara que levou as mãos até a cintura da Sabaku e a fez trocar de lugar consigo. Agora era ela que estava entre ele e a parede, mas aquilo parecia não intimida-la.
Apenas continuou seu percurso de sua boca ousada, desviando da dele e descendo em direção ao queixo, onde usou seus dentes perfeitos para mordiscar a região e sentir os pelos da barba por fazer do moreno roçarem em sua língua. Enquanto os olhos azuis-esverdeados estavam fixos nos dele, vendo-a olhar com certa admiração. Sentindo-se uma presa capturada, incapaz de fugir dos encantos e do jogo de sedução dela.
Shikamaru inclinou levemente a cabeça para trás, afastando seu queixo da boca da loira, a qual continuaram ligados por uma linha fina de saliva que logo se rompeu. Ela abaixou lentamente a cabeça, mas os olhos ainda permaneceram nele, o sorriso indecente de canto fizeram-no abandonar toda sua vontade de controlar seus instintos e não fazer nenhuma loucura que os levassem à prisão por transarem em um local público.
As mãos másculas foram de encontro ao rosto feminino, travando-a à sua mercê. Shikamaru aproveitou que ela não conseguia mover o rosto — além dos olhos, o qual ela fez questão de olhar-lhe de forma desafiadora — e uniu de uma vez por todas as bocas sedentas.
A Sabaku por outro lado não protestou, afinal, não estava em seu juízo normal e no âmago queria aquilo desde o início. Ela sabia. Apenas se deixou levar pelo momento, estava gostoso sentir a boca quente e precisa do Nara na sua. Após notar que ela não teria resistência, começou a passear as mãos pelo corpo que há pouco lhe provocava cruelmente. Estava sentindo aos poucos seu membro apertar na calça, e fez questão de fazê-la sentir também quando prensou seu corpo contra o dela, fazendo-a gemer por instinto e a excitação repentina que atravessou seu corpo. Ele era tão... Sedutor.
A loira sentiu ele abandonar seus lábios, enquanto os olhos negros fixavam-se em seu rosto feminino. E ela instintivamente sentiu a pele queimar devido a vergonha e excitação. Eles se encararam por alguns intermináveis segundos, até o celular do moreno tocar e despertar ambos do transe repentino.
Com o susto, Temari pareceu recobrar a sanidade perdida com o álcool e afastou o Nara de si, virando o rosto para não precisar olhá-lo.
— Não vai atender? — indagou com os braços cruzados e observando as crianças que passavam para brincar, pelo vidro fumê. Shikamaru que até o momento a olhava com uma expressão de indignação, pareceu acordar com a pergunta e bufou retirando o aparelho do bolso da jaqueta.
— " Que broxante..." — pensou irritado e olhando a tela do celular, onde o nome e a foto gritante de Ino estavam presentes — Alô!? — atendeu com sua voz de poucos amigos, deixando claro na sua irritação que a mais nova havia atrapalhado algum momento.
— Shika!— gritou do outro lado do telefone, fazendo o Nara afastar o aparelho do ouvido rapidamente, e voltando a colocá-lo lá ao notar que ela havia se calado.
— O que foi Ino? — bufou — É bom que seja algo muito sério pra você atrapalhar um momento tão importante assim — antes do moreno terminar a frase, Temari o olhou com os olhos arregalados, ela havia pensado em brigar com ele por insinuar algo para a irmã. Mas ouvir a palavra "importante" sair de sua boca, ela simplesmente não teve reação. Como assim? O que havia acontecido era importante pra ele? Não podia negar que no âmago havia gostado da revelação. E sorriu de canto, satisfeita consigo mesma.
— É uma coisa séria, seu Nara insensível — ela parecia irritada. Shikamaru suspirou profundamente, provavelmente a coisa séria que a irmã falava era um pedido para que ele comprasse algum esmalte ou produto de cabelo que era novidade no mercado. Mas preferiu não mostrar seus problemas familiares na frente da loira ao seu lado. Com um aceno ele pediu licença para a Sabaku e seguiu para fora da saleta.
— Fala... — disse com uma voz visivelmente irritada.
— A Hinata está aqui no apartamento do Gaara, ela disse que a Tenten conseguiu libertar o Neji, mas que ambos sumiram sem deixar rastros— a informação fez o moreno arregalar os olhos e grunhir.
— Como assim? — indagou entredentes — Aqueles Anjos irresponsáveis não tem ideia de para onde podem ter ido? — cerrou os punhos ao ouvir a outra suspirar.
— Claro que não Shikamaru!— parecia a coisa mais obvia do mundo - Foi você que arquitetou o plano, lembra? Não tinha como dar errado.
— Opa! — ergueu o dedo indicador como se ela estivesse na sua frente, fazendo gestos com as mãos — Eu planejei a fuga dele, e não o sumiço — massageou a têmpora, sentindo a irritação bater forte. Deveria ter pensado naquilo, não foi gênio suficiente quando baixou sua guarda e acreditou que o Hyuuga fosse voltar para Tókio. — Droga... — sussurrou baixo, sem intenções de fazer Ino escutar.
— E isso não é tudo...— a voz levemente apreensiva fez com que o moreno imaginasse o pior. Alguma tragédia, certamente.
— Não!? — perguntou de imediato.
— Não...— ela respondeu simplesmente, fazendo mistério e os nervos de mais velho irem pro espaço.
— Então fala, Ino! — ralhou entredentes, aguardando o pior.
— O líder dos Hyuuga's, Hiashi, expulsou a Hinata do Clã. Pelo que parece agora ela é uma foragida deles, assim como Neji. Mas ele não teve coragem de matar a própria filha de uma vez, por isso a mandou embora...— deu de ombros — Mas eu acho que ele só fez isso por achar que ela não representaria problemas no futuro— a ouviu sussurrar e imaginou que a Hyuuga estivesse perto de si.
— E nós dois sabemos que isso é bobagem... — Ino não respondeu, na verdade, as palavras do Nara não precisavam de uma resposta. — Olha... Eu vou desligar agora, vou chamar a Temari pra ir embora e aí a gente conversa melhor, tá? — questionou e ouviu a outra resmungar alguma resposta positiva. Em seguida desligar a chamada.
Após guardar o celular no bolso da jaqueta, ele se virou para retornar para onde a Sabaku estava, mas deu de cara com a mesma parada atrás de si e com os braços cruzados. A expressão irritada e a cabeça levemente inclinada para o lado deixavam em evidência que seu humor estava péssimo, assim como sua expressão.
" Mulher de fases..." pensou com tédio e fazendo um bico despreocupado.
— O que é Shikamaru? — indagou num tom ameaçador — O que é todo essa conversa de Anjo, plano de fuga e "Nós dois sabemos que isso é bobagem" — fez aspas — Que você falava com a Ino. O que você e TODOS estão escondendo de mim? — sequer se importou com o grito que chamou atenção das pessoas que passavam pelo local no momento. Acabaria de uma vez por todas com aquela palhaçada. Não suportava mais ser a ingênua na conversa, e não era por que era loira, que era burra — como dizia aquele ditado maldoso -. Temari arrancaria a verdade pela raiz se necessário fosse.
***
Neji os levara para uma estranha casa no alto de uma colina, de lá a visão para o pôr-do-sol certamente era privilegiada. Sem contar que o chão no exterior da mesma eram as pedras brancas da montanha. Uma casa que muito lembrava alguns filmes que assistira. Toda feita de madeira e vidro.
— É uma casa bem legal... — ela falou observando a decoração modesta do quarto, andava curiosa pelo local que possuía uma enorme cama de casal forrada com lençóis de seda vermelho sangue, os travesseiros também possuíam forros de seda, mas preto. Assim como o resto da casa, não havia gesso no teto como uma casa moderna teria, mas ainda assim o telhado parecia ser novo, quase intocado. As telhas e a madeira do local, assim como a aparência rustica, dava a morena uma pequena nostalgia de uma época que não viveu. — Mas... Por que você possui roupas femininas no guarda-roupa? — indagou assim que terminou de averiguar o grande móvel de madeira talhada. No âmago Tenten não sabia se realmente queria aquela reposta, mas a pergunta saiu quase que inconscientemente de sua boca. Imaginar seu homem dividindo a casa com outra mulher... Dividindo a mesma cama como se fosse uma rotina normal de uma vida de casados, certamente não lhe trazia boas sensações. E aquele estranho medo pelo qual sempre ouvira as amigas mencionar em sua adolescência estava ali, o medo de ser uma qualquer.
Neji até o momento permanecia imóvel com as costas encostada na parede ao lado da porta — tal com um dos pés que parecia servir de apoio para o moreno -, enquanto os braços estavam cruzados e a baixa estava baixa, fitando o chão.
As coxas bem definidas na roupa desgastada pelo tempo que ficou aprisionado, não tiravam o charme e a masculinidade etérea que ele possuía. Os braços fortes cruzados, deixando os músculos em evidência... Certamente era uma perdição para qualquer mulher desavisada. Ou melhor, para qualquer mulher, uma vez que Tenten sabia muito bem onde estava se metendo e sequer hesitou. Ele continuava a ser seu perigo e sua salvação.
A cabeça foi erguida lentamente, enquanto os olhos permaneceram fixos em algum ponto do quarto — mais precisamente na enorme cama, a qual o Hyuuga desejava com toda vontade jogar a Mitsashi lá e não deixá-la sair nunca -, inclinou levemente a cabeça com a ideia. Em seguida olhando-a de soslaio com uma expressão misteriosa. A qual fez Tenten tremer da cabeça aos pés e perguntar-se internamente por que tinha que ser tão curiosa. Lentamente Neji pôs o pé que antes estava escorado na parede, no chão. Girou os calcanhares na direção dela e ainda de braços cruzados começou uma caminhada lenta e perigosa, seus olhos lhe diziam isso.
Tenten não escaparia, nem que tivesse que pegá-la a força e fazê-la ceder as suas vontades pouco a pouco. Imaginar tudo o que poderia acontecer de agora em diante fazia com o que o moreno ficasse excitado sem precisar pensar muito. E ela percebeu o volume nas calças dele, uma vez que sua respiração se descompassou e ela instintivamente recuou o passo, esbarrando seu corpo no móvel de madeira que estava atrás de si. Aquilo só o provocava mais.
A Mitsashi o viu se aproximar lentamente... Lentamente o suficiente para fazê-la empurrar seu próprio corpo contra o guarda-roupa, como se fosse um animal indefeso e assustado, vendo seu predador aproximando-se naquela velocidade torturante.
Ao chegar próximo o suficiente para sentir a respiração dela bater contra sua pele com os sua pele agora sensível ao toque, seus pelos eriçaram, Neji descruzou os braços. Pondo-os um deles do lado da cabeça da morena, enquanto a via olhá-lo com os olhos arregalados e aquela deliciosa boca entreaberta. De onde seu hálito quente saía com fervor. Abaixou-se um pouco apenas para olhá-la mais próxima de si, com os movimentos da cabeça que iam e viam lentamente, enquanto os próprios lábios entreabertos ameaçavam tocar os da morena à qualquer segundo. E ela parecia ansiar por aquilo, uma vez que sempre que o via se aproximar, também inclinava sua cabeça e ameaçava fechar os olhos. Voltando a abri-los ao perceber que não houvera contato. Em certo momento Tenten soltou um muxoxo desgosto que fez o Hyuuga sorrir de canto, satisfeito consigo mesmo por tê-la deixado daquele jeito. Molhada, como ele sabia que ela estava apenas por ver a forma como ela o fitava.
— Quer mesmo saber? — falou e ela franziu o cenho sem entender as palavras, mas logo depois recordando-se da pergunta que fizera sobre as peças de roupa — Antes de conhecer você, eu planejei te sequestrar e te manter em cárcere privado até que você cedesse e aceitasse vir comigo pro lado do Inferno. Seria mais prático — sibilou olhando rapidamente a boca que a Mitsashi fez questão de morder, mastigando a sanidade do moreno que grunhiu.
Mulherzinha do Demônio! Impossível de um jeito que só ela conseguia ser.
— E o que você pretendia fazer aqui comigo? — a pergunta mesclou um pouco de medo e receio, mas também uma leve pitada de desejo. Detectada pelos ouvidos experientes do dono dos olhos perolados.
— Não..! — ele a corrigiu deixando em evidência seu dedo enriste que levara aos lábios dela, como sinal que ela se calasse — O que eu ainda vou fazer com você aqui, você quis dizer... — e afastou-se. Tenten sentiu como se ele que a mantivesse em pé com a proximidade, segurando-a com braços invisíveis. E rapidamente seu corpo escorregou até o chão quando ele saiu de perto de si. Como se ele a houvesse soltado bruscamente. — Mas infelizmente agora precisamos de um banho — resmungou retirando a blusa que estava colada ao seu corpo devido a umidade da mesma, assim como a calça e cueca.
A moça de orbes castanhas — que no momento cintilavam desejo — observou debaixo a visão do homem que se espreguiçava, puxando um braço para um lado, um para o outro. Estralando o pescoço e as costas. Esticando os músculos com movimentos sutis e precisos. Esfregando na cara dela toda sua sensualidade masculina, como se dissesse em gestos que ela nunca encontraria homem igual.
Certamente, não encontraria.
Após a pequena cena e ao sentir seu corpo mais disposto, o Hyuuga parou fitando a morena e sua beleza singular. Realmente, apenas sendo louca para libertá-lo daquela prisão e ainda aceitar fugir com ele. Imaginava a cara de Hiashi quando descobrisse que não teria mais sua cabeça numa bandeja.
Por mais orgulhoso que fosse, tinha que admitir ao menos pra si mesmo que se não fosse com ela, ele não teria sequer ir embora daquela ilha. Afinal, por qual outro motivo Neji aceitaria viver a vida tão atormentada e medíocre que vivia desde sempre?
Ele tinha que agradece-la por lhe dar um motivo pra mostrar que com o passar dos anos, ele jamais deixou de ser quem ele realmente foi. O melhor guerreiro do Clã Hyuuga.
E não seria com palavras que ele faria isso, seria de uma forma mais... Gostosa.
Sorriu de canto, o que fez a morena engolir em seco imaginando o que se passava naquela cabeça audaciosa.
— Banho Tenten! — ordenou num tom baixo, gélido e extremamente sensual. Aquelas palavras pareceram fogo para o corpo da Mitsashi que estava cheio de gasolina, e se acendeu por completo ao ouvi-las — Depois, eu vou fazer você sangrar... — agachou-se, apoiando os braços nas próprias pernas — Ajoelhou, tem que rezar.
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