Amaldiçoado

14 Capítulo XIV - Contagem Regressiva Para o Fim


Notas iniciais
Olá, enfim cheguei com este bendito capítulo haha. Informando que, no inicio do capítulo eu tentei mostrar um pouco como está a cabeça do Neji, alguns pensamentos seus, uma verdadeira confusão. Espero que vejam com os mesmos olhos que eu .-. Não tenho mais nada pra declarar, até as notas finais. Boa Leitura!

— Ne-Neji — gaguejou Hinata assustada — Mais devagar! — implorou ao ver a velocidade em que o primo dirigia o carro. Tudo bem que uma batida não os matariam, era necessário bem mais que isso para matar um Anjo — ou dois -. Mas também não queriam se atrasar ainda mais — que é o que aconteceria se eles se acidentassem no momento — e a Hyuuga também não queria ferir ninguém com uma possível colisão de veículos.

— Não dá! — rosnou entre entes afundando ainda mais o pé no acelerador. Hora ou outra o par de olhos enluarados e nervosos repousavam sob o retrovisor, tal como se quisesse ter certeza de que não estavam sendo seguidos por seja lá quem fosse.

Em sua mente sempre um único pensamento. Tenten. A bela morena com olhos castanhos que lhe fascinou. A beleza mais singela, o sorriso mais sincero e o corpo de menina mulher capaz de seduzir até os homens mais improváveis. Ele era o exemplo disso.

— Estamos chegando — a garota falou observando o celular, mais precisando o local do qual haviam enviado a mensagem e informado que encontraram o esconderijo. Não podia negar que também estava apreensiva, mas não ousava comparar seu nervosismo ao estado evidente do homem ao seu lado. Os olhos e as expressões faciais que hora ou outra ele emitia, falavam por si só.

— Quanto tempo ? — ele questionou tamborilando os dedos no volante.

— Dez minutos mais ou menos — respondeu. Os olhos da garota se arregalaram no instante em que ouviu o motor rasgar e o carro acelerar ainda mais. Instintivamente olhou para que Neji que apenas havia fechado o semblante e acelerado novamente.

— Não temos um segundo à perder — ele resmungou com angustia e ela baixou a cabeça, sentia-se tão perdida quanto ele.

Com a velocidade dobrada, os primos chegaram no local indicado na metade do tempo. Claro que, não exatamente onde a Mitsashi estava. Chegaram até o ponto da estrada em que podiam seguir de carro, o resto do percusso teria que ser feito a pé, já que seria floresta à dentro.

— Ali Neji — a dona dos cabelos negros-azulados apontou em uma direção à sua frente. Mais precisamente onde um carro branco estava estacionado e aparentemente abandonado, já que três de suas portas estavam abertas e alguns objetos que estavam no interior do veículo estavam no chão.

Mas algo ali não se encaixava.

— De quem é esse carro? — foi direto ao ponto, batendo a porta do motorista com força. Seus olhos analisavam a cena minuciosamente, seu coração apertou ao avisar a bolsa que estava pendurada na porta de trás do lado esquerdo. Era dela, a bolsa de Tenten. Correu até a mesma numa vã tentativa de encontra alguma pista do que realmente houve.

— É o carro roubado do Shikamaru... — Hinata completou chegando logo depois — Neji não temos tempo pra ficar aqui — ela olhou pros lados — A vida dela está... — ele a cortou bruscamente

— EU SEI! — ralhou enfurecido e ela recuou o passo no susto, mas manteve sua expressão de quem não baixaria a guarda — Mas alguma coisa está errada... — ele se perdeu nas palavras e voltou a analisar a situação. Balançando a cabeça negativamente e dando-se por vencido — Vamos logo com isso — virou-se passando por ela, mas teve seu braço impedido pela mesma — O que foi? — questionou com cara de poucos amigos.

— Tem certeza que quer aparecer assim, Neji? Acha que é prudente? — ela falou franzindo o cenho e ele olhou pros lados enquanto colocava uma mão na têmpora.

— Não Hinata! — exclamou exaltando-se outra vez — Mas não vou deixar a segurança dela nas mãos daqueles incompetentes — ele sabia que muito provavelmente ela não ia gostar de ouvi-lo falar mal do próprio Clã, mas ele realmente não se importava.

Curiosamente ela não respondeu, apenas acenou positivamente e ambos começaram a correr floresta à dentro. No âmago, Hinata nada falou porque sabia perfeitamente que por mais que os Hyuuga's fossem guerreiros do Céu, eles não se sacrificariam para salvar outra pessoa. Eram egoístas demais para morrerem pelo bem-estar da humanidade. E não que eles fossem Anjos ruins ou coisa do tipo, mas eles tinham orgulho demais para que admitissem ter uma morte tão vergonhosa à ponto de não ser lembrada por ninguém.

Assim eram eles, se algum membro do Clã morresse por motivos relativamente fúteis, eles eram esquecidos. Era quase como proibido falar daquele individuo novamente. Preferiam milhões de vezes morrerem em uma guerra onde provavelmente custaria muito mais do que algumas vidas, do que morrerem em prol de algo que não lhes trariam lucro.

Este era o famoso Clã Hyuuga. Egoístas, frios, individualistas e sempre visando serem os melhores. Não era atoa que fossem os melhores guerreiros do Céu. Mas isto também lhes custavam a própria felicidade. Poucos foram aqueles que se tiveram o dom de se apaixonar, mais dificil ainda aqueles que viverão o amor.

Hyuuga's viviam apenas para a guerra. Para serem melhores que eles mesmos. Dia após dia. Até o dia em que encontrassem algo pelo qual realmente valesse a pena morrer. E na concepção de um Hyuuga, morrer pela filha de um Anjo não era simbolo de honra. Mesmo que esta fosse Tenten, o Anjo prodígio.

Enquanto seguiam — apressados — para o ponto oscilante de poder, ao qual poderia ser sentido à quilômetros de distancia por qualquer outro Hyuuga, Neji estava pensativo em relação aos recentes acontecimentos.

Claro que, sua principal preocupação no momento tinha nome e endereço. Todavia, não podia negar que mesmo com toda sua preocupação voltada unicamente para um único ponto, o seu sexto sentido aguçado para algum outro ponto desconexo também lhe intrigava.

" Estranho... Muito estranho. Toda essa situação é resumida nessa simples palavra,estranho. Que sensação é essa de que eu estou perdendo algo ? A sensação de que algo claro está passando dianto dos meus olhos e eu sou incapaz de enxergar? Bem, tudo bem que, desde que Tenten entrou na minha vida, ela tem se tornado cada vez mais o meu maior ponto de ligação para o mundo. Querendo ou não, ela mexe com a minha sanidade e a minha cabeça nas horas mais improváveis e perigosas... Como agora. " pensou Neji semicerrando os olhos. " Aquele carro... Aquele carro.. " ele franziu o cenho balançando negativamente a cabeça, ao mesmo tempo em que ativou lentamente o primeiro estágio de sua maldição " Branco. Branco. Branco. " repetia mentalmente a cor do veículo " Mais uma vez, estranho, estranho. Essa sensação, maldita sensação... Que sentimento ruim " engoliu em seco. " Ele a encontrou no momento menos propício, ela estava fugindo, ela estava com medo. Ele a convenceu de voltar com ele...? " a explicação do Sabaku lhe viera a memória. Recordando-se do momento em que o ruivo explicava que Tenten havia sido capturada no estacionamento quando estava indo para o apartamento de Temari com Shikamaru. E era exatamente aquela conversa que não se encaixava, era exatamente naquele ponto em que ele sentia que havia algo errado. Recordou-se do rapaz passando toda a informação que o Nara tinha à respeito dos sequestradores, e apenas isso. Mas fora suficiente. Suficiente para fazer o Hyuuga estancar o passo e instintivamente olhar pra trás, como se pudesse ainda vislumbrar o veículo abandonado. " Aquele carro é o mesmo que estava seguindo... " não concluiu seus pensamentos, apenas deixou que sua mente mergulhasse mais uma vez naquele emaranhado de sentimentos e confusões.

— Neji? — a voz de Hinata soou levemente preocupada, o que o fez despertar do transe

— Sim? — perguntou friamente, virando-se para ela que estava mais à frente por ele ter parado de forma inesperada. — Não.. Não temos tempo à perder — ele baixou os olhos, regredindo sua maldição. Hinata franziu o cenho diante da confusão visível a qual o rapaz passava, por mais que ele lhe tivesse feito mal no passado, ela queria poder ajudá-lo. Mas sabia que não podia. Sendo assim, apenas fez o que lhe era mais propício para o momento, assentiu e ambos continuaram a correr.

Tinha que confessar pra si mesma, admirava Neji por essa força de vontade e coragem de ser capaz de enfrentar todo seu antigo Clã para salvar a vida de alguém. Não um alguém qualquer, mas sim aquela que fora capaz de provar para ele que não existe certo ou errado quando se trata de um sentimento mais forte que destrói barreiras e move montanhas.

No âmago, ela também queria ter um amor assim. Impossível e indestrutível.

***

— V-Você quer que eu atraia o Neji até aqui? — ela indagou um pouco confusa com o que acabara de ouvir de Tobi, ao qual agora estava sentado sob uma mesa — coberta por um tecido preto — que ela não havia visto antes.

— É! Bem prático — Hidan se pronunciou pondo a mão no bolso e retirando um celular do mesmo. Balançando-o de forma despreocupada em frente ao rosto da Mitsashi. — Você vai ligar pra ele, é bem fácil. Diz que conseguiu o celular de alguma maneira e... — ele pensou um pouco — Dá seu jeito — sorriu de canto. Ele não parecia tão psicopata quanto o outro — Nós estaremos aqui, atentos à todas as suas palavras — ele alertou sério olhando nos olhos da garota. Impondo medo.

— E se eu não fizer ? — a sobrancelha do dono dos cabelos grisalhos se arqueou, ao mesmo tempo em que ele virou-se para encarar Tobi que tinha a mesma expressão surpresa no rosto. Os dois se entreolharam por alguns segundos e rapidamente o moreno entendeu o recado.

— Nesse caso... — ele saltou da mesa, demonstrando estar despreocupado com a situação. Diferente de Tenten que a cada segundo temia mais o pior — Eu vou convencer você à fazer — ele puxou a coberta da mesa e os olhos castanhos se arregalaram. Foram reveladas vários instrumentos de tortura, coisas assustadores. Em sua maioria eram objetos de ferro, enferrujados e alguns com...sangue? Sim, havia sangue seco em partes específicas. A jovem sentiu náuseas ao olhar para todas aquelas peças e sua visão embaçou por alguns instantes. — Bem... Essa é a forma de te fazer aceitar mais fácil não é? — ela franziu o ceno e olhando como se ele fosse louco.

— O que Tobi quer dizer, é que ele é muito bom em tortura física e psicológica — Hidan explicou caminhando lentamente ao redor da cadeira a qual a morena estava presa, ela observava cautelosa os passos do mesmo. — Esses brinquedinhos são os que ele usa para a tortura física — ele falou parando atrás dela e abaixando-se até ficar próximo de seu ouvido. O que aumentou o enjoou da moça e fez um frio lhe percorrer a espinha dela. Tenten sentia muito medo de dor.

— E o meu brinquedo de tortura psicológica é esse — Tobi falou rapidamente atraindo a atenção dos outros dois. Assim que parou de falar ele abriu aquele sorriso assustador e abaixou as calças, mostrando o membro que definitivamente a Mitsashi e sequer o companheiro não queriam ver.

— CARALHO OBITO! — Hidan gritou virando-se rapidamente com raiva — Esconde isso aí! — ralhou furioso.

Enquanto isso a morena abaixou os olhos e sentiu um aperto no peito. Definitivamente, devia ter tentado suicídio no momento em que teve oportunidade. Só a hipótese de ser tocada por algum daqueles seres abomináveis lhe deixava em pânico. Seus olhos estavam baixos, ela sentia seu rosto aos poucos molhar-se mais uma vez com as lágrimas que não sabia que ainda tinha. Os ombros delicados aos poucos chacoalhavam com a intensidade do choro e do medo.

Naquela altura Hidan ainda resmungava palavrões e ameaças ao outro, enquanto a morena continuava a chorar em silêncio. Apenas as reações de seu corpo demonstravam como ela estava. Até que algo chamou a atenção dos dois homens que olharam para cima ao mesmo tempo, enquanto ficavam estáticos e pareciam atentos à qualquer movimento.

— Eu vou lá... — Hidan falou abrindo a porta que fez seu barulho característico. O que fez Tenten parar subitamente e olhar para ele com os olhos arregalados, o medo cada vez mais a deixando paranoica. Seu olhar foi retribuído, o dono dos cabelos medianos a observou com uma expressão indecifrável, ao mesmo tempo em que inclinava levemente a cabeça e sorria de canto — Cuide dela... E se preciso for, amordace a vadia — o xingamento a fez emitir uma expressão de puro ódio. O que não agradou muito o homem que estapeou fortemente a face da garota, forçando-a a virar o rosto para o lado contrário e bagunçar os cabelos. — Me respeit... — ele ia concluir, mas sentiu seu pulso ser segurado e observou Obito que o olhava seriamente. Como amigos de anos, ele sabia o que ele queria dizer com aquela expressão séria. Ele nunca era sério, apenas quando estava prestes a se transformar na sua pior face.

— Eu cuido dela, Hidan — falou normalmente e o outro puxou o braço com força, ajeitando a camisa e assentindo. Logo em seguida, saindo. Após isso um silêncio sepulcral se instalou no local. Tobi caminhou lentamente ao redor da morena. Aos poucos ouvindo a respiração da mesma acelerar, tal como os sentidos alarmantes. Por fim o rapaz parou na frente da garota, apoiou as mãos no joelho e se inclinou para ficar frente à frente com a mesma — Agora somos só nó dois — ele não abriu aquele largo sorriso, ao contrário disso, ele apenas esboçou um. O que curiosamente assustou ainda mais a menina.

***

Enquanto isso na faculdade, Ino e Gaara tentavam enrolar a Sabaku e convence-la de que estava tudo bem, que tudo ficaria bem.

— Mas o que está acontecendo? De quem a Hinata falou quando disse que estavam vindo? O que vocês estão me escondendo ? — o efeito do chá já não cessava mais o nervosismo da loira que aos poucos sentia os olhos lacrimejarem — Quero a minha amiga! — escondeu o rosto entre as mãos e se pôs a chorar.

— Temari — Gaara sentou-se ao lado da irmã e tocou seu ombro — Eles vão encontrá-la, não se preocupe — tentava ser positivo.

— Não, não, não — pôs os pés na cadeira e abraçou o corpo em posição fetal — Quero minha amiga comigo, Gaara — soluçou balançando a cabeça negativamente.

Enquanto os irmãos Sabaku's conversavam, a Yamanaka preparava uma dosagem de remédio para fazer a loira dormir. Contavam com Neji e Hinata para que encontrassem Tenten antes da mesma acordar, seria um problema sério se ela surtasse e acabasse indo à delegacia.

— Ino — sussurrou o ruivo assim que chegou próximo da namorada — Não ache que nossa conversa terminou aqui. Eu ainda não engoli o fato de que você me enganou todo esse tempo — ele tinha um semblante levemente abalado e chateado — Mas a situação agora é delicada, tenho que cuidar da Temari, assim como ela cuidou de mim enquanto eu estive internado por ter alucinações ao me drogar — ironizou e a loira engoliu em seco.

— Gaara! — ela segurou seu pulso, impedindo-o de ignora-la. — Não faz assim — choramingou — Acredite, eu nunca quis fingir ser uma pessoa superficial pra você. Eu nunca quis que você acreditasse que o corte do meu cabelo era mais importante do que a sua saúde mental, mas eu não tive escolha... — ela o olhou nos olhos, mas a expressão do ruivo era dura. Ele ainda se sentia traído — Eu não queria te colocar em perigo, não queria que sofresse — ela segurou a mão direita dele entre as suas e levou ao peito.

— É... E o que acha que eu passei tendo que engolir isso tudo sozinho ? — respondeu no mesmo tom, puxando sua mão com certa brusquidão e pegando o copo com o remédio líquido.

***

Um grupo de pelo menos vinte pessoas de um mesmo Clã se organizavam ao redor de uma casa antiga, localizada exatamente no meio do nada. Aos poucos cada um deles realizavam sua função, eles queriam quebrar a maldita barreira — com selos enoquianos que os impediam de adentrar o local sem perderem sua benção, o que os tornariam humanos momentaneamente — imposta pelos Demônios que estavam no interior da mesma.

O líder dava as instruções do que deveria ser feito, dois membros do velho conselho também estavam ali. Afinal, era para aquilo que serviam. Para que nos momentos mais críticos, eles escolhessem a solução mais viável.

— Senhor Hiashi — um dos subordinados que averiguava o local chegou ajoelhando-se em reverencia enquanto o mais velho instruía um outro pequeno grupo.

— Sim? — virou-se dispensando os demais, o rapaz demonstrava um leve nervosismo. Ele nunca o havia visto antes, ele fora embora do Clã antes de seu nascimento, mas os boatos — que eram proibidos, mas ainda comentados — sobre ele, procedia sua fama negativa.

— A senhorita Hinata acaba de chegar, senhor — ele falou ainda ajoelhado e fitando os pés do outro. — E ela não está só... — ele engoliu em seco.

Hiashi fechou seu semblante, a culpa era toda dela — assim julgava -. Se ela não houvesse sido tão irresponsável com suas missões, aquilo não estaria acontecendo. Todavia, no âmago ele sabia que havia uma porcentagem de culpa em suas costas por ter permitido que a mesma saísse numa missão de nível tão alto, sozinha.

— E onde ela está? — indagou entre dentes e cerrado os punhos. Com quem ela estaria ? Era louca ? Uma irresponsável por trazer outra pessoa para uma missão tão importante.

— Eu estou aqui! — a Hyuuga chegou com o queixo erguido, pouco atrás do Anjo amaldiçoado chamava atenção por onde passava. Não só por sua beleza exótica, como também pelo temor dos mais antigos que sabiam sua história. Eles tinham medo. E ele gostava disso, gostava daquele poder.

— Mas o que significa isso ? — Hiashi andou até os dois que acabara de chegar, sem saber ao certo quem mirava — O que significa isso Hinata? Por acaso é algum tipo de brincadeira ?

— Olá Hiashi — Neji falou com pura ironia, pondo-se ao lado da jovem de cabelos negros-azulados. Por mais que estivesse ansioso para ter novamente a Mitsashi salva em seus braços, ele não poderia demonstrar sua fraqueza na frente daqueles que queriam sua cabeça numa bandeja — Quanto tempo. — abriu os braços e inclinou levemente a cabeça. Sua expressão nada demonstrava além do homem frio e distante que o Hyuuga mais velho muito bem se lembrava.

— Ora... Seu... Seu — ralhou entre dentes, os punhos trêmulos pela vontade de finalmente vingar a morte do seu irmão. — Assassino! — cuspiu as palavras.

— É, sou. Aliás, não fui criado pra isso? — indagou cruzando os braços e deixando os fortes músculos em evidência, sem se importar com o insulto. Hinata olhava a cena atônita, como Neji conseguia ser tão orgulhoso quando a vida de Tenten estava em risco?

— Você o matou a sangue frio. Você matou seu próprio pai, meu irmão! — engoliu em seco, não deixaria que aquele monstro visse o quanto aquele assunto ainda era doloroso pra o gêmeo. A reação dos outros membros do Clã foi de pura surpresa, claro que jamais imaginarão algum dia voltar a ver novamente o Hyuuga amaldiçoado. Até porque de acordo com as informações, ele havia passado para o lado dos inimigos.

— Ah! Que triste, se quiser mato você também pra fazer uma visitinha à ele no mundo dos mortos — deu de ombros e Hiashi avançou com força contra si.

— MATE-O! — gritou um dos conselheiros. Um homem de aparência de pelo menos quarenta anos, enquanto o outro era de oitenta.

Neji não se moveu do local, na verdade, o golpe que o Hyuuga mais velho desferira sequer chegou a raspar nele. Havia sido impedido ainda antes.

— H-Hinata ? — o homem questionou surpreso ao ver a garota bloquear seu ataque. E além disso, ela estava protegendo ele? — Como ousa? É uma traidora também? — afastou-se enfurecido.

— NÃO! — ela tentava controlar os ânimos, mas aquele encontro familiar estava lhe deixando com os nervos a flor da pele. Sentia uma imensa vontade de chorar, estava sentindo-se desesperada. "Força Hinata!" pensou consigo. — Eu não sou uma traidora! — exclamou afastando-se e observando os olhares enojados que recebiam — E NÃO ME OLHEM ASSIM! — gritou para todos que recuaram — Vocês... Se esqueceram do porque que estamos aqui? Se esqueceram que estamos em meio à uma missão ? — ela indagou olhando para os membros do Clã que aos poucos começavam a se aglomerar ao seu redor.

— Não menina Hinata — o conselheiro mais velho falou chegando perto da mesma, ele aparentemente era mais compreensível que o resto — Mas você sabe o que este rapaz fez no passado, não sabe? — questionou dando as mãos marcadas pelo tempo em frente ao corpo.

— Eu sei, acreditem. Eu sofri demais com isso, ainda sofro...

— Então porque Hinata? — seu pai lhe indagou com angustia — És uma traidora também? Se perdeu do caminho que deves seguir ? — quis saber e ela balançou a cabeça negativamente.

— Não! — ela respondeu sofrida — Neji está aqui com a mesma intenção que nós, ele veio salvar a Tenten — viu os olhos do pai se arregalarem.

O amaldiçoado não gostou muito da garota ter revelado suas intenções daquela maneira, mas no âmago sabia que não poderia esconder por muito tempo. " Já que eu estou na lama, que me sujem " pensou ele observando a expressão de espanto de cada um deles.

— Ah! Certamente ele quer — acusou Hiashi e Neji semicerrou os olhos — Que levá-la para os Demônios, não é? — cerrou os punhos.

— Hiashi! — Hinata exclamou fazendo o pai arquear uma sobrancelha. Depois de crescida havia perdido a educação? O que ela queria final? Lhe desmoralizar na frente de todo o Clã? — Se Neji quisesse isso, ele não estaria aqui. Afinal, ela já está com os Demônios... — respondeu cruzando os braços lentamente, demonstrando autoridade em seu olhar.

— Contra a vontade dela! — ele ralhou.

— Hiashi... — conselheiro mais velho falou, fazendo um sinal para que o líder o seguisse. O mesmo olhou de sua filha à seu sobrinho, lançando-lhe um olhar perigoso, para só então seguir o outro.

***

O toque da lâmina afiada em sua pele delicada e já bastante machucada ainda era enlouquecedor. A dor causada era indescritível. Os lábios carnudos também já se encontravam inchados pelas vezes as quais engoliu os gritos, mordendo-os.

— Ahh! — gemeu dolorosamente tentando inutilmente engolir o choro.

— O que foi? — indagou Tobi — Estamos apenas começando... — ela o olhou com certo desprezo. — Não me olhe assim! — alertou erguendo novamente a pequena faca. Pequena, mas deveras afiada.

O sequestrador observou por um momento seu feitio. O corpo da Mitsashi aos poucos se tingia de vermelho pelo sangue que escorria pelas feridas abertas por ele, tal como a corda suja e o chão — que em determinado local já se começava a formar pequenas poças -. Não que Obito houvesse aberto feridas exageradas, não era a intenção dele matá-la, apenas tortura-la — realmente — para que ela cedesse e ligasse para o Hyuuga.

Mas ela era persistente, preferia sofrer do que atrair o moreno para a armadilha. E se ela fazia isso, só poderia indicar uma coisa.

— Não se iluda, ele não tem sentimentos por você garota — ela desviou os olhos com certa expressão de desgosto. Bingo! Havia tocado em seu ponto fraco — Para você estar assim, tão disposta a trocar a sua vida pela dele... — fez uma breve pausa — ...A qual devo ressaltar ser bem mais importante — deu de ombros enquanto caminhava lentamente ao redor da mesma. Usando a ponta fina da faca para perfurar a ponta de seu dedo indicador e demonstrando não ligar para a pequena dor — É porque certamente não sabe sobre o passado dele e insiste em ter sentimentos por ele, não é? — os olhos dela se arregalaram e ele a observou cautelosamente enquanto sentava-se sob a mesa.

— Que ele matou o próprio pai, é eu sei! — respondeu entre dentes e ele arqueou a sobrancelha.

— Também. Mas isso foi só uma das milhares de atrocidades que ele já fez contra o próprio Clã e até contra a humanidade... Famílias, vilas, cidades e populações dizimadas em um único surto de ódio dele. Crianças ? Idosos ? Ninguém era poupado. — comentou — E você tem medo de mim, mas não tem dele? — coçou o queixo.

— Não tenho medo de você! — afirmou sem olha-lo e ele se divertiu com a situação, voltando a levantar-se e tocando a lâmina gélida sob o colo da garota que choramingou fechando os olhos firmemente.

— Não é? — perguntou próximo ao ouvido dela. — Você é curiosa garota, me olhou com nojo quando te mostrei meu brinquedinho... — apontou para o próprio pênis — Por que? Porque eu ia te estuprar ? — indagou com um sorriso divertido, mas nenhum deles aberto. — E o que você acha o seu amado Neji fazia quando ia atrás dessas pobres vitimas ? — fez biquinho, animando-se com o olhar horrorizado da morena que arregalou os olhos e sentiu seu coração se apertar. Por instinto balançando negativamente a cabeça. — Você se nega a transar com um estuprador, pra abrir as pernas pra outro — estapeou-lhe a face com força — Você é uma típica vadia mimada! — sibilou.

— Está blefando! — ela exclamou com os olhos fechados e mais uma vez mordendo o lábio inferior para conter o choro.

— Estou? Não sei se você sabe, mas o Neji faz parte do nosso mundo. Nossas fichas não são nada limpinhas... Ele era um Anjo? Alguns duvidam — abaixou-se e falou próximo ao ouvido dela, o que a fez apertar ainda mais os olhos e senti-lo doer — Ele arrancou com as próprias mãos o coração do pai — ela abriu os orbes castanhas e no segundo seguinte sentiu um outro forte tapa que a fez virar o rosto novamente.

Naquele momento Tenten sentiu o gosto metálico em sua boca, havia cortado-se no processo. Alguma parte de seus lábios havia sido machucada com severidade pelo tapa, o que mais lhe atormentava era o gosto do sangue misturado à sua saliva. Cuspiu uma boa quantidade. Virou novamente a cabeça, lentamente na direção do seu agressor. Olhando-o com certo desprezo. Em seguida cuspindo novamente, só que dessa vez na cara dele.

— Vai pro inferno! — falou sôfrega, mas com nítida raiva nas palavras. Raiva não, ódio!

— Sua vagabunda — ele sibilou passando a mão no rosto num ato nervoso — Que se dane o que o chefe mandou, você vai ter o que merece — ralhou seguindo para trás da morena, pegando algo em algum lugar que os olhos da mesma não enxergaram. Tenten se desesperou.

***

Todos estavam surpresos, depois de todos aqueles séculos, finalmente a nova geração dos Hyuuga's conheciam o tão famoso Hyuuga Neji. O maior e melhor guerreiro que o Clã um dia já teve, tal como o mais perigoso e traidor. Sim, ele era um traidor, não importasse as circunstancias.

Mas agora, Hiashi se encontrava em um verdadeiro dilema. O líder tinha plena consciência de que não seria capaz de salvar o Anjo prodígio sem a ajuda de alguém que tivesse exímio poder ou um contato direto com o céu. Dali, o único que um dia já pertencera ao local era ele, mas há quanto tempo não praticava aquele tipo de magia? Estava velho, estava cansado. Sua imortalidade também tinha o preço. E o fato de ter se afastado do céu também era um ponto negativo.

Sair da barreira que abrangia e fortalecia os Anjos era um ponto negativo. Mas afinal, não fora essa sua intenção quando veio para a terra com seu gêmeo mais novo, Hizashi? Eles não queriam ter que provar que os Anjos eram capazes de sobreviverem na terra?

Sim, eles sobreviveram. Mas isso também lhes trouxeram os malditos pontos negativos. Eles vieram originalmente do Céu, desde o inicio sempre foram guiados pela força que a proteção divina lhes davam. Isso era ser um Anjo. E foi aí que Hizashi teve sua brilhante ideia.

"— Poderíamos nós, procriarmos na terra? Nossos filhos não seriam dependentes da barreira celeste! "

E foi aí que surgiu o tão glorioso Clã Hyuuga. Glorioso aos olhos de quem não conhecia a verdadeira tragédia que marcou a todos, mesmo que indiretamente.

— Quer que deixemos nas mãos dele a nossa missão? — perguntou respirando com certa dificuldade, a raiva lhe impossibilitava até mesmo de pensar. Mas como um guerreiro experiente, sabia que não deveria ser levado pelas emoções. Difícil era controla-las.

— Hiashi, entendo que seja nosso líder. Mas peço que não esqueça o porquê de eu ser parte do conselho do Clã — tentou amenizar a situação.

— Ele é um traidor! — ralhou tremendo de raiva e olhando o velho com seriedade. O tempo e a imortalidade não haviam sido tão generosos com ele. Na verdade, quanto mais distante o parentesco dos irmãos gêmeos dentro do Clã, menor era sua longevidade. Pois, aquilo os tornavam mais humanos. — E eu sei muito bem porque fazes parte do nosso conselho — ele recuou o passo bufando irritadiço.

— Então por favor, dei-me uma única chance — ele pediu olhando nos olhos do líder que suspirou, balançando negativamente a cabeça e imaginando que se arrependeria depois. — Saberás que no fim, minha intenção é outra...

— Uma chance! — falou com o dedo enriste. E o outro assentiu calmamente.

***

Desesperada era a melhor palavra para lhe descrever naquele momento. Tentava de todas maneiras manter a calma, mas seu corpo tremulo e parcialmente dormente pelos cortes não ajudavam. Por que tudo aquilo tinha que acontecer justamente com ela? Ela não pedira por nada daquilo.

Estava muito assustada, mas além disso, ela estava com raiva. Então era isso? Aquele era o fim? E onde estavam aqueles malditos que se julgavam seus amigos? Hinata? Neji? Não poderia cobrar nada de Temari e os outros, mas eles? Os primos Hyuuga's? Por um breve momento amaldiçoou-se a si mesma por tê-los conhecido. Toda sua vida desandou após isso.

Não.

A sua vida já havia desandado antes mesmo do seu nascimento. No âmago ela sabia que eles não tinham culpa de nada. Eles não tinha culpa dela ser o tal Anjo prodígio, eles não tinham culpa da morte de sua mãe. Eles não tinham culpa por ela estar presa naquele lugar assustador, entre a vida e a morte.

" Mas eles poderiam tentar pelo menos ajudar, não é? " questionou-se.

Em todas as vezes que fechava seus olhos, o vislumbre de um único par de orbes peroladas era que invadia sua mente, e não era de sua amiga. Nem havia se recuperado direito da bomba que era a verdade sobre si mesma, e Neji lhe revela que matara seu próprio pai.

Afinal, perigo dele ela estava em perigo? Ou o perigo eram seus sequestradores? Realmente havia algum lugar a qual ela poderia dizer que estava à salvo?

Sua cabeça pendeu para a frente e ela observou seus braços amarrados no apoio da cadeira, suas mãos — assim como boa parte de todo o seu corpo — escorriam o sangue que fugiam dos cortes abertos.

Não sabia o quanto do líquido já havia perdido, mas tinha uma breve noção de que não conseguiria ficar acordada por muito mais tempo. Como se não bastasse a dor por todo seu pequeno corpo, sua cabeça aos poucos começava a latejar. Literalmente, já havia perdido sangue demais.

Naquele momento Obito havia saído, para onde ela não sabia, mas temia pela sua volta. Precisava fugir dali o mais rápido possível.

Fez sua cabeça trabalhar, não podia esperar um milagre acontecer para sempre. Precisava encontrar uma solução o mais rápido possível. Lembrou-se então do diário de sua mãe, nele havia algumas anotações sobre os poderes que ela teria, não é? Então... Onde estava aquele maldito poder? Se havia alguma hora para usar, esta hora seria agora.

"Não está despertado, só virá com força total quando ela completar 21 anos..." lembrou-se de um pequeno trecho do diário. Ótimo, triste é o fato de que ela estava prestes a fazer 20. Mas que droga!

Olhou para os lados, para a mesa. Lá haviam vário objetos cortantes, se ela ao menos conseguisse alcança-la, talvez conseguisse se soltar antes que o maldito Tobi voltasse. Estalou a língua quando uma ideia absurda lhe veio à mente.

***

Após dar um calmante para Temari dormir, Ino e Gaara seguiram com a loira desacordada nos braços do irmão na direção do carro do mesmo, o qual estava estacionado do lado de fora da faculdade, já que na hora em que chegaram, já era proibida a entrada de automóvel.

— Gaara... — a Yamanaka falou com uma voz chorosa e o Sabaku fechou o semblante, já imaginando o que estava por vir.

— Já disse que agora não, Ino! — ele exclamou colocando a loira desacordada no banco de trás do carro.

— Eu sei que você deve estar irritado, ou até mesmo magoado comigo — ela ignorou o alerta dele — Mas pelo amor de Deus tente me entender. Eu errei com você, mas já lhe disse que não tive opções. Acredite meu amor, doeu mais em mim do que em você — ela o puxou pelo braço, forçando-o a olha-la — De todas as vezes em que você estava assustado e não sabia realmente o que estava acontecendo, acreditando nas mentiras dos outros quando diziam que você estava ficando louco. Fui eu que senti meu coração sangrar — falou com uma voz amena e tocando-lhe o rosto do ruivo que sentiu sua entranhas se contraírem, aquela mulher como ninguém, possuía o poder de mexer com sua alma — Como eu quis te abraçar, dizer que você não estava louco e que eu estava aqui pro que der e vier... — ela mordeu o inferior e ele a olhou nos olhos.

Gaara viu naqueles intensos olhos azuis, toda a sinceridade e a dor que a amada sentia por tais palavras, ele queria se render e dar o braço à torcer. Mas sabia que no âmago ainda estava muito magoado.

— Agora não, Ino... — ele falou com a voz rouca de tristeza e desviando seus olhos dela, os quais repousaram sob um figura peculiar que se aproximava aos poucos — Shikamaru? — indagou para si mesmo olhando por sob o ombro da loira que olhou na mesma direção.

***

— E então? Conseguiram algo? — indagou o líder dos Hyuuga's a jovem feiticeira de seu Clã que se aproximava, os olhos perolados da mulher tão apreensivos quanto os seus.

— Infelizmente não senhor. Seja lá o que for, está bloqueando a entrada por dentro, só alguém lá pode desativar — instintivamente Hiashi passou os olhos desesperadamente pelos demais feiticeiros e alguns mestiços que também pertenciam ao seu Clã, e aos quais eram responsáveis pela parte de mágica e poderes destrutivos.

— Vocês tentaram quebrar a barreira por baixo? — indagou e ela olhou para trás, mais precisamente para a enorme barreira roxa que rodeava a casa velha. A mesma era no formato de um meio círculo — a partir do chão — e cobrindo toda sua extensão por pelo menos cem metros de distancia. O que era longe suficiente para permiti-los de tentarem algum ataque de curta distancia.

— Sim senhor, a parte não visível do círculo também age por baixo. Ou seja, é uma proteção completa contra Anjos — ela explicou passando as mãos pelo vestido enquanto observava a única coisa que os impediam de salvar o Anjo prodígio.

— E tentaram... — ele não completou sua fala, ela o cortou antes.

— Todos os métodos possíveis já tentamos... — ela respirou fundo — A única forma de adentrar lá é abdicando da nossa benção, ou seja, assim que ultrapassássemos a barreira, nos tornaríamos momentaneamente humanos. Isso quer dizer que...- agora ele a cortou.

— Estaríamos a mercê de qualquer armadilha — falou calmamente, ou pelo menos tentando manter a calma.

— Precisamos que alguém entre lá, é necessário — um dos conselheiros falou.

— Ótima ideia, quer ser a isca? — Hiashi indagou ironicamente, o que fez o outro bufar.

Instintivamente os olhos do Hyuuga mais velho se voltaram para seu sobrinho que permanecia à uma distancia levemente segura de si e ainda ao lado de Hinata. O plano do conselheiro de persuadi-lo havia dado certo, eles conseguiram prende-lo fora do alcance da barreira contra Anjos, uma outra barreira impedia sua passagem, mas também a de sua filha. " Hinata... O que você está fazendo ? " questionou-se tristonho " Deveríamos prender Neji de uma vez por todas, a chance é essa! " todavia ele sabia que estava enganando a si mesmo. Ali não haviam tantos Hyuuga's, no máximo um pequeno grupo composto por vinte pessoas.

Como então, tão pouca gente segurariam o tornado que era Hyuuga Neji. O homem que fora capaz e forte o suficiente para quase dizimar seu Clã em um surto de ódio ? Inclusive seu próprio pai, e o seu amado irmão.

A verdade é que a presença tão próxima de seu sobrinho, lhe trazia um ódio interno inimaginável, ele queria muito aprisiona-lo e sentencia-lo. Queria que a morte de Hizashi fosse vingada.

— Senhor, estamos perdendo homens demais com esse feitiço que levantamos para impedir que o seu sobrinho adentre a nossa barreira — falou ela se referindo à mesma barreira que os próprios Hyuuga's criaram, seu alcance era um pouco maior que a da casa, ela chegava a pelo menos duzentos metros. E a fora dela estava o moreno que os olhos faiscando de raiva por não ter percebido o truque antes que o fizessem. Com uma expressão que dizia por si só que na primeira chance, mataria à todos ali — Sem contar que a senhorita Hinata também está lá fora — falou ela observando a morena também apreensiva por não poder fazer nada para ajudar. E, consequentemente também não poder adentrar a barreira.

— Vamos tentar por outro ângulo, mas continuem com o feitiço para impedir que eles adentrem a barreira — ele falou virando-se e seguindo para onde o sobrinho e a filha não pudessem vê-los.

— Senhor Hyuuga — uma voz mais jovem lhe chamou, virou-se e suas orbes repousaram sob a imagem do Anjo que um dia abdicou de seu maior sonho pela vida de seu grande amor.

— Dan! — ele falou surpreso e o homem de madeixas azuladas e olhos tão intensos quanto os cabelos, sorriu.

***

— O que está fazendo aqui nesse estado? Deveria ter ido imediatamente para um hospital! — exclamou Gaara assim que viu o cunhado aparecer com o rosto parcialmente manchado de sangue e terra.

— O que!? Tá falando disso aqui ? — ele indagou ele apontando para o machucado — Acredite, isso é bobagem. Já passei por coisa pior — deu de ombros, mas o olho direito estava parcialmente fechado para impedir que o sangue entrasse no mesmo.

— Shikamaru, como chegou aqui ? — a loira indagou apreensiva, mas ainda controlando os próprios nervos. Já estava acostumada a imagem de ver o irmão e os pais machucados, na verdade, dentre eles a única que não se metia naquele tipo de encrenca era ela. Só que isso não queria dizer que nunca havia se fraturado algum osso. Era parte do ofício.

— Carona com um caminhoneiro — falou simplesmente. — E vocês? Notícias da Mitsashi ? — indagou assim que se aproximou dos dois.

— Não sei, me diga você o porquê de ter ido você atrás de Tenten... — Gaara não esperou e falou, semicerrando o olhar na direção do Nara.

— Bem, se quer a verdade minha intenção era matar todos esses Anjos que estão aqui. Mas a Ino conseguiu me convencer de que eu deveria conhece-los antes de julga-los — e o ruivo olhou a loira — que estava encolhida — por sob ombro.

— E se são Caçadores, porque não estão indo atrás dos Demônios, que são os reais vilões? — a pergunta fez o moreno rir com escárnio e revirar os olhos.

— Olha Sabaku, não me leve à mal. Sei muito bem seu papel nessa conversa toda, mas quem você acha que é pra querer dizer quem é vilão e quem é mocinho nisso tudo? — Gaara o olhou com a sobrancelha arqueada — Você é novo nesse mundo, e eu já estou criando cabelos brancos. O maior erro de vocês é acharem que Anjos são melhores que Demônios por serem seres alados e fofinhos — falou com deboche.

— Não? Eu não tinha isso em mente, mas o que poderia me dizer sobre eles, senhor sabichão ? — respondeu no mesmo tom.

— Que eles são egoístas e uns imbecis, não pensariam duas vezes antes de dizimarem sua amada população pelo bem deles mesmos — sua voz continha uma angustia que fez o ruivo alternar os olhares entre a namorada e o rapaz.

— Do que vocês...

— Deixa pra lá! — Ino falou — Não vamos chegar à lugar nenhum aqui, porque então não vamos logo embora? — indagou com certo ressentimento.

— Tudo bem — Shikamaru disse simplesmente cruzando os braços — Aceito uma carona — deu uma piscadela para o ruivo que revirou os olhos.

— Pode ir no banco de trás, mas cuidado com a Temari. Não acorde-a — ele falou virando-se para seguir até o lado do motorista.

— Porque a Temari está... — ele não terminou de falar ao perceber que era o único ainda fora do veículo e com o olhar nada amigável do casal para si — Tá, tá... Não falo nada se eu terminar pegando no sono também — resmungou adentrando mesmo.

A Sabaku que estava dormindo sentada e com a cabeça encostada no encosto do banco. Pareceu sentir a presença do moreno, pois virou-se na direção do mesmo e apoiou sua cabeça no ombro dele, ronronando de leve e aparentemente gostando da posição. Shikamaru pegou-se observando-a numa expressão que mesclava desconfiança e susto, mas poucos segundos depois sorriu. Sorriso este que se desfez no momento em que olhou pra frente e seus olhos se encontraram aos da irmã que lhe observava de forma acusadora. Ele cruzou os braços irritado e voltou sua atenção para a janela. Mas ainda assim, não afastou a loira.

***

— Eu... Consigo — falou com sofreguidão. Estava quase caindo e com a respiração falha, tal como com a mão que cobriu rapidamente a boca assim que terminou a fala, cuspindo uma quantidade generosa de sangue.

— Ele não vai conseguir senhor — a mesma mulher que liderava os feiticeiros falou ao ver o estado do Anjo — Não está totalmente recuperado desde a sua última vinda a terra, não é? — indagou abaixando-se e depositando uma mão amiga no ombro do azulado que franziu o cenho, reprovando a si mesmo.

Estavam tentando quebrar a barreira pelo lado de trás da casa, Dan usava de todo seu poder para conseguir ao menos neutralizar o escudo que impedia que eles completassem a missão.

— Dan. — Hiashi se aproximou levemente irritadiço — Tsunade sabe que está aqui ? — a indagação fez o Anjo celeste olhar o líder com dos Hyuuga's com certa apreensão.

— Certamente — respondeu incerto e o moreno arqueou uma sobrancelha. Mas não acreditava que ele pudesse estar mentindo, não era de seu feitio.

— Então por que ainda está tão fraco? Ela não o deixaria vir em tais condições — perguntou curioso e ele simplesmente deu de ombros.

— Na minha última vinda à terra, para gerar Tenten, houveram muitas complicações. Algumas consequências eu temo que sejam incuráveis — falou simplesmente.

— Então posso deduzir que não está apto para essa missão, não é mesmo? — cruzou os braços e o homem de cabelos azulados se virou numa expressão insatisfeita.

— Vim até aqui com um único propósito, e não voltarei enquanto não cumpri-lo, nem que isso custe a minha vida. — ele ralhou — Vou salvar minha filha — completou seguindo para a parte frontal da casa, onde alguns dos feiticeiros estavam sentados e fechando a segunda barreira para impedir o avanço do Anjo amaldiçoado.

Neji estava possesso, estava furioso enquanto andava de um lado para o outro. Mas seu mundo pareceu parar quando seus olhos repousaram sob a visão do Anjo culpado pelo assassinato de seu pai se aproximar.

Todo o corpo do Hyuuga exilado ficou em choque e imóvel, apenas os olhos minimamente surpresos mas devidamente arregalados que fitavam o homem com intensidade. Por outro lado, Dan pareceu sentir o peso esmagador que eram os olhares que o rapaz lhe enviava e olhou na mesma direção, no mesmo segundo em que os olhos azuis se voltaram sob a visão do rapaz, ele pareceu perceber e recordar-se de tudo ao qual o mesmo havia passado. E pensar que ele achava que era culpa sua, quem ou quando ele não soube, mas lhe instigava e muito imaginar que alguém poderia ter feito tudo aquilo com a simples intenção de incrimina-lo. Mas era ainda pior imaginar que haviam propósitos perigosos por trás de tais ações.

Neji sentiu o corpo tremer a cada segundo que se passava, lentamente ele abaixou a cabeça. Seus olhos faiscavam de puro ódio, tal como a sua maldição era ativada pelo desejo de sangue que correu em suas veias. Aquele não era mais ele, havia simplesmente se esquecido do que fora fazer ali. Dane-se o mundo, dane-se os sentimentos e as consequências, ele passou toda a sua maldita vida esperando por aquele momento, não precisava pensar duas vezes para agir.

O Hyuuga estava com os olhos baixos, o primeiro estágio de sua maldição ativada e os dentes cerrados, tal como os punhos. A respiração cada vez mais pesada lhe fizeram urrar as palavras num grito de assustador:

— Seu... MISERÁVEL! — tentou dar um passo pra frente, mas fora impedido de avançar ao esbarrar na maldita barreira criada pelos feiticeiros Hyuuga's.

Olhou para os lados, na direção daqueles que estavam sentados em posição de lótus enquanto seguravam o feitiço. Não pensou duas vezes antes de usar sua velocidade inumana para correr em círculos ao redor da casa e no extremo ponto de onde poderia ultrapassar. Tentava à todo custo encontrar alguma falha no feitiço, mas estava fazendo papel de bobo — ele sabia -. E em mais uma volta que levantou poeira pelo local onde passou, ele parou novamente mirando o par de olhos azuis que pareciam confusos ao lhe ver naquele acesso de fúria. Rapidamente Neji correu até uma árvore próxima e a arrancou pela raiz — uma enorme árvore para falar a verdade — e a jogou com toda sua força contra um dos feiticeiros.

O Hyuuga fora literalmente esmagado e todos que estavam perto foram banhados em sangue, tal como partes do corpo do mesmo esvoaçaram para todos os lados. Mas os olhos do amaldiçoado permaneciam sob o Anjo celeste que apenas deu as mãos em frente ao corpo, olhando-o profundamente.

Sorria de canto — mas seus olhos não transpareciam sentimentos bons -, muito lembrava um psicopata. Outra pessoa jamais o chamaria de Anjo se o visse naquele estado, tão possesso e assustador. Todos os demais presentes ficaram imóveis, quem então se atreveria a tentar algo e ter o mesmo fim que o rapaz ?

Um passo de cada vez, ele chegou próximo ao local onde antes se encontrava a barreira e abriu os braços dando de ombros, quase como quem dizia, " Era sua melhor defesa? ". O Hyuuga abriu ainda mais os olhos e ultrapassou o local atingindo então sua velocidade máxima e golpeando o Anjo celeste em cheio que voou à metros de distancia, mas o moreno continuou próximo do mesmo. Segurando a gola de sua camisa e o acertando com um golpe certeiro no rosto.

— Você é um grande filho da puta. Eu vou fazer com você, a mesma coisa que me obrigou a fazer com meu pai! — ele rosnou olhando nos olhos do azulado que apenas franziu o cenho e balançou negativamente a cabeça.

— Garoto... — disse com sofreguidão, seu corpo já estava bastante debilitado, e agora então... — Está totalmente enganado à respeito do seu passado...

— CALADO! — gritou largando o homem com desprezo, fazendo o chão tremer com o impacto. Dan pôs a mão na boca e cuspiu mais uma quantidade de sangue, observando em suas mãos o liquido escarlate.

— Você precisa me escutar... — não conseguia dialogar, ele estava possesso. Apenas sentiu mais uma vez o moreno puxa-lo para cima, só que dessa vez pelos cabelos.

— Eu. Vou. Matar. Você! — ele sibilou entre dentes, pendurando o outro pelas madeixas azuladas. Claro que Dan poderia revidar todo aquele acesso de fúria. Mas o estado de seu corpo era precário, sem contar que ele tinha plena consciência de que no momento precisava da ajuda do rapaz para salvar sua filha. Já não conseguiria sozinho.

Lentamente o Hyuuga tocou e afundou o dedo indicador e médio na divisa da caixa torácica do Anjo — como se fosse uma navalha afiadíssima — que arregalou minimamente os olhos, sentindo aos poucos seus órgãos internos serem tocados pelo outro que parecia deleitar-se ao ver a dor em seus olhos.

— Es-Escute! — ele tocou arregalando mais os olhos o ombro largo do moreno que fez cara de nojo pelo toque, mas continuou a estripa-lo lentamente — V-Você é o único que pode salvar a minha filha, a Tenten! — exclamou e o Hyuuga arqueou levemente a sobrancelha, aquilo não lhe importava no momento — mesmo sabendo que no âmago sim — Sabe, eles vão matá-la — ele mal conseguia falar, mas tentava ao máximo não gaguejar. Todavia, nada do que falava — nem mesmo com sua melhor expressão pedinte — parecia diminuir o ódio que o rapaz tinha de si. — Hyuuga... — ele falou com sofreguidão gemendo de dor ao senti-lo quase tocar seu pulmão, empurrando-o, como quem queria tocar seu coração — Eu posso... Posso neutralizar a barreira por alguns segundos, é o tempo que você terá para salva-la — sentiu seu corpo cair bruscamente, por instinto levou uma de suas mãos na direção do peito ferido e fechou os olhos sentindo um dor insuportável.

— Quanto tempo? — ouviu a voz neutra do rapaz, mas ao erguer a cabeça notou que ele continuava com o primeiro estágio de sua maldição ativada. — Perfurei seu abdômen só pra garantir que você não vai longe — cerrou os olhos e o outro baixou a cabeça, balançando-a negativamente.

— Vá logo, dez segundos, é o que eu posso te dar... É o máximo... — sofregou

— É o suficiente — o moreno virou-se na direção da casa velha.

— Dan! O que pensa que está fazendo...? — indagou Hiashi ao ver o azulado concentrar o próprio poder e sua benção na mão direita e em seguida socá-lo no chão com força, com sua visão aguçada, Neji viu a barreira quase transparente aos poucos ceder, e soube que deveria agir.

— Vocês tentaram de tudo e nada, agora é a vez dele tentar... — apoiou os braços no chão e tossiu várias vezes sua saliva misturada ao sangue.

— É uma missão nossa, e ele é um traidor. Não tem esse direito. Nos dê mais algum tempo, nós poderemos... — foi interrompido pelo Anjo possesso.

— NÃO VEEM? — o azulado indagou com os olhos furiosos — A cada segundo que se passa minha filha corre perigo, eu não vou arriscar mais nenhum segundo... Hyuuga, vá! — ele falou socando o chão mais uma vez ao sentir a barreira se restabelecer aos poucos.

— Ouviram Hyuuga's ? Mais uma vez vocês foram uns imprestáveis, e como sempre, eu tive que acabar o trabalhinho de vocês — falou sem olhá-los — Estão dispensados — cerrou os olhos e correu na direção da casa.

***

Tentava manter o corpo imóvel, mas o nervosismo e consequentemente a tremedeira em todos seus membros não ajudava. Respirou fundo diversas vezes. Aquela era sua única chance, caso contrário, não sabia o que poderia acontecer.

Depois de incontáveis vezes ela tentar mentalizar imagens tranquilas e bons momentos, finalmente seu corpo deu uma trégua, e foi exatamente quando ouviu os passos vindo parte externa do quarto assustador. Fingindo-se de morta, ela deixou a cabeça pender para a frente e fechou os olhos, sempre tentando não descontrolar sua respiração.

Ouviu o ranger barulhento da porta e a mesma ser arrastada no chão de concreto — já muito castigado pela vezes anteriores -. Os passos cessaram no segundo em que ela sentiu o peso do olhar de seu sequestrador sob si, e após alguns minutos a voz do mesmo:

— Ótimo, a vagabunda desmaiou — resmungou consigo mesmo e sequer se deu o trabalho de fechar a porta — pelo menos foi o que a morena deduzira ao não ouvir o barulho da mesma novamente -. Tobi andou ao redor de Tenten, mas os barulho de seus passos hora ou outra foram diferenciados devido à pequena poça do sangue da Mitsashi que se acumulava no chão. — Na melhor hora? — ele indagou, mesmo sabendo que ela não iria responder.

E odiando as condições, revirou os olhos e buscou uma faca qualquer para cortar as cordas que amarravam a morena fielmente à cadeira. Durante algumas vezes no processo, ele pode jurar ter ouvido a mesma resmungar de dor pela forma brusca à qual ele realizava o processo. O corpo dela estava totalmente machucado pela tortura física, e ele parecia não se importar em ser tão indelicado e causa-la ainda mais sofrimento.

Assim que ela sentiu o corpo liberto, não fez esforço em deixá-lo pender e ameaçar cair, mesmo imaginando que doeria muito o impacto. Afinal, ela não podia de jeito alguma deixar que ele imaginasse que ela estava acordada, caso contrário temia o que poderia acontecer à si mesma. Mas antes que se encontrasse com o chão, sentiu os braços fortes — e que lhe causavam nojo — segura-la com força e joga-la por sob o ombro dele.

Tenten aproveitou que o moreno estava distraído o suficiente com alguma coisa para abrir cautelosamente o olho direito e observar o que estava acontecendo. Vibrou internamente ao ver-se diante da mesa com os objetos de tortura. Ali estava a grande chance que esperou desde que chegara ali, e ela não a perderia.

Sem pensar duas vezes a morena agarrou a navalha que estava no local e a lançou contra a coluna de Obito que ao sentir suas costas ser atacada, urrou de dor e consequentemente o fez cair de joelhos. Só então a morena pode sentir novamente seus pés tocarem o chão, e buscando forças de algum lugar, ela o empurrou com uma joelhada certeira em seu maxilar e recuou o passo até sentir o objeto de ferro e gélido.

Os olhos avermelhados — agora — do Demônio se voltaram para ela enquanto ela o observava amedrontada. Ele ainda estava agonizando, mas tentou agarra-la outra vez. Todavia ela fora mais rápida e se desvencilhou novamente dos braços dele, correndo pela sala em forma de círculos até o momento em que viu sua chance e correu porta à fora dela.

Dez.

Ela não soube para onde estava correndo, apenas o fez, pode ouvir os gritos de ódio e as palavras chulas do Demônio. Continuou correndo, quantas vezes não sentiu suas forças se esvaírem e caiu? Como consequência castigando seus joelhos e mãos.

Ainda estava fraca, nada poderia fazer. Para onde correria ? Tinha uma leve impressão de que estava andando em círculos, mas apenas continuou. Que tipo de local era aquela? Não se parecia com nada do que estava acostumada. O mais perto da realidade ali era o fato de ser quase um labirinto, pois, sempre que achava encontrar uma saída, tinha que optar por múltiplos caminho para seguir.

Nove.

A morena olhou para as próprias mãos, nem havia percebido que trouxera consigo a navalha suja pelo sangue do seu algoz. Talvez o medo tenha falado mais alto.

Aos poucos sentiu as forças que lhe restavam lhe abandonar e o medo consumi-la novamente, e lentamente. Encostou em uma das paredes e escorreu até o chão, olhando para os lados e implorando internamente por ajuda. Nunca estivera tão assustada em toda sua vida, nunca imaginou que teria que enfrentar coisas assustadoras.

E se ela não tivesse fugido? O que teria acontecido? Ela temia pelo pior. Sua mente só lhe levava a pensar no pior, estava só e abandonada. Mais uma vez seu pensamento se voltou para o belo homem de olhos enluarados e ela quis gritar, mas não podia.

E passos ouvidos ao longe, fizeram a morena levantar-se novamente e arregalar os olhos, forçando sua visão ao máximo para tentar enxergar alguma coisa que fosse no meio de toda àquela penumbra.

Oito.

Instintivamente ela procurou algum local para se esconder, mas tudo que encontrava era apenas mais e mais daquele enorme labirinto, e ela temia muito que correr não fosse suficiente. Até porque seu corpo estava exausto. Sentia que agora sim, desmaiaria à qualquer segundo.

Seus olhos se voltaram para o chão e ela só então percebeu que haviam deixado um caminho com gotas de sangue por onde passou. Mas que droga! Não tinha jeito, ela tinha que correr. E foi o que fez. Correu para o mais longe possível daquele ser que corria pisando duro.

Sete.

Caiu mais uma vez, balançou a cabeça de um lado para o outro lentamente. Era o fim, ela sabia que era. Os olhos castanhos lacrimejaram e ela só queria estar nos braços de sua mãe, tinha certeza de que com ela nada de mal lhe aconteceria. Ela sim, daria a vida para protege-la. Da mesma forma que Tenten faria por ela.

Seus olhos se arregalaram tanto quanto ela conseguiu fazê-lo, mais uma vez ouvira passos, mas dessas vez a pessoa parecia não estar só. Encostou-se numa das paredes novamente e levantou-se lentamente, sentindo todo seu corpo doer. Estava em um dos vários corredores, mas se não estivesse enganada, os passos vinham de um corredor vizinho. Então, se ela não fizesse barulho, provavelmente passaria despercebida. Já que não se recordava de ter passado pelo local — e isso queria dizer que o mesmo não estava com o caminho trilhado de sangue -.

Assim esperava ela.

Seis.

Ouviu vozes, eram eles. Hidan e Obito. O segundo aparentemente com a voz mais falha que o outro, e a Mitsashi logo imaginou que isso se dava devido ao golpe que ele recebera. Até podia imaginar o homem de cabelos grisalhos ajudando o outro a andar.

— Não estou acreditando que você foi enganado por uma pirralha — Hidan falou num certo tom esnobe e ouviu o outro rosnar enfurecido.

— A vagabunda disfarça bem, o que queria que eu fizesse? — falou entre dentes — Mas poxa, justo na hora que eu me divertir — choramingou, logo em seguida gemendo de dor — Mais cuidado! — alertou para o outro que revirou os olhos.

— Eu deveria te deixar aí pra morrer, isso sim. Seu idiota! — respondeu-lhe — Nossa missão era apenas atrair o Hyuuga para cá, e não fizemos só isso como também atraímos o pai da pirralha — falou calmamente. Tenten rapidamente levou a mão à boca para abafar um grito, estava assustada pela revelação. Seu pai? Não, ele não era seu pai. Ele apenas se deu o trabalho de seguir ordens e transar com sua mãe — ainda virgem — para depois abandona-la. Ela o odiou com todo seu coração — Estão todos lá fora, tentando quebrar a barreira que criamos. Tolos, nosso chefe é o melhor, tudo está planejado. Eles estão agindo como idiotas. A nossa armadilha já está em ação, em pouco tempo tudo isso aqui vai pros ares — ele gargalhou de tal maneira que assustou a morena e a fez sentir um arrepio na espina.

— Quanto tempo? — indagou com uma voz sôfrega e após verificar em algum dispositivo, o outro respondeu.

Cinco.

— Vamos logo, tem uma saída próximo daqui. E não ouse ficar resmungando de dor, caso contrário te abandono aí pra morrer — ele ralhou.

Tenten sentiu suas entranhas se contraírem. Então eles não estavam atrás dela? Eles não... Armadilha !? Sequer sabia exatamente o que pensar.

Lembrou-se das palavras do Demônio ao dizer que Neji estava do lado de fora da casa, então ele fora resgata-la? Ele realmente se importava? Ela sentiu os olhos lacrimejarem de emoção e o seu coração enfim esquentar numa sensação gostosa. Sim, ele se importava.

E travou.

Cinco segundos e a casa inteira explodiria?

Assustou-se e levantou-se, pondo-se a correr desesperada em busca da maldita saída à qual o rapaz mencionara. Sequer se importou em imaginar que muito provavelmente os encontrariam novamente, só queria uma maneira de sair viva.

Seus instinto humano lhe implorava por um último vislumbre daqueles belos olhos enluarados que lhe tiravam o fôlego.

Quatro.

Parou no final do corredor ao qual se encontrava, à sua frente mais quatro corredores para seguir. E agora, qual escolher?

Os olhos castanhos miravam cada um deles com certa amargura, ansiando por ver no fim dos mesmos uma luz que lhe indicasse o caminho. Mas tudo que via era um grande nada, a escuridão apagava qualquer rastro de saída que ali houvesse.

Novamente os passos ficaram próximos, tão próximos que ela tinha a leve impressão de que estavam vindo do corredor atrás de si. Por instinto virou-se a tempo de ver a figura enorme de um homem — que mais parecia uma muralha — correr em sua direção. Seus longos cabelos esvoaçando de acordo com a vontade do vento. No instante seguinte seu corpo diminuto foi prensando contra uma parede e a boca coberta por uma mão grande.

Reconhecer aquele belo par de olhos enluarados à sua frente causou uma certa felicidade no interior da Mitsashi que sorriu com os olhos, mas ver neles a falta de sentimento e um homem extremamente assustador, tal como aquelas veias pulsantes ao redor das mesmas orbes peroladas, lhe deixaram assustada.

O moreno arregalou minimamente os olhos ao ver o desespero da mesma ao se espernear tentando desvencilhar de seus braços. Levou uma mão à boca e com o dedo indicador ele a mandou ficar em silencio, mas ela continuou arisca.

— Que droga! Quer que eles venham atrás de você? Não me faça atingir minha cota de assassinatos por hoje — ele ralhou próximo ao ouvido da garota que gemeu fechando os olhos. Ele sorriu de canto, satisfeito pelo efeito que causava na sua morena.

Três.

Vê-la daquele jeito, tão machucada e assustada fazia com que o Hyuuga sentisse como se várias laminas perfurassem seu coração, uma dor aguda e incômoda, tal como sentimento de culpa lhe assolaram. Ele queria muito ir atrás dos desgraçados, mas a julgar pelo estado da garota, imaginava que ela não aguentaria perder mais sangue. E nada o faria cometer o erro de novamente deixa-la sozinha. Se queria protegê-la, faria com ela ao seu lado. Onde pudesse cuidar e vigiar de sua menina.

Sentiu as mãos pequena tremulas tocarem seu pulso, afastou-se um pouco, apenas para olha-la nos olhos e viu os mesmos brilharem de forma estranha. Ela estava emocionada, mas algo a atormentava — como se também estivesse com medo- .

— Não vou machucar você... Eu prometo. Só se você pedir — ele sussurrou dando de ombros com um sorriso safado e ela assentiu com a cabeça engolindo em seco. Ainda assustada, mas depositando sua confiança e vida nas mãos dele que lentamente retirou a mão da boca da mesma que arfou recuperando o ar para os pulmões. Em seguida ela o abraçou firmemente, como se quisesse ter certeza de que ele estava ali.

Dois.

— É você! — ela falou descrente tateando todo o corpo do moreno — Você está aqui — completou abrindo um sorriso tremulo e segurando o rosto do mesmo entre as duas mãos.

— Não há outra lugar no mundo que eu queira estar — e estaria -, se não perto de você — ela sentiu seu corpo tremer ainda mais e os olhos marejarem.

Sem pensar duas vezes o beijou, seus braços cortados rodeando o pescoço de Neji que pareceu não se importar com o sangue e o estado da menina. Apenas retribuiu. Sentiu naquele beijo todo o medo e a gratidão que ela sentiu por tê-lo ali, e tudo que foi capaz de fazer fora retribuir.

— Não! — ela afastou-se bruscamente, vendo então a expressão de surpresa nos olhos do moreno — N-Não deveria estar aqui... — ela tocou o peitoral de aço do rapaz ao mesmo tempo em que olhava para os lados — É uma armadilha Neji, uma armadilha pra atrair você! — ela choramingou e só então ele pareceu entender. Grato internamente por não ter sido rejeitado. — Eles vão explodir tudo... — sussurrou.

No instante seguinte o moreno entendeu o recado e olhou para o lado direito, na direção da sala à qual Tenten fora torturada e aguçou seus sentidos de visão de audição. Vendo abaixo da mesa, uma pequena caixa de madeira talhada, fechada com vários selos enoquianos. O que lhe impedia de ver o que havia dentro da mesma, mas não de ouvir...

Um.

***

Em questão de segundos, toda a casa começou a tremer, parecia que iria desmoronar à qualquer segundo. Um barulho estranho e agudo como de um rádio sem estação ecoou pelos ouvidos de todos os membros do Clã Hyuuga e também do Anjo celeste ali presente.

Com a ajuda de Hinata que havia aparentemente despertado do transe que entrara poucos segundos antes, Dan foi retirado de perto da velha casa, sussurrando coisas desconexas de como, " Não posso abandona-la..." e " Ela está em perigo ".

Aos poucos, rachaduras por partes diversas começaram a aparecer pelas paredes do local. Nessa altura os membros do Clã já haviam se distanciado o suficiente para garantir que nada de mal lhes pudessem acontecer. Não podiam mais fazer nada, apenas contar com a sorte — mesmo sem acreditarem nela -.

A menina Hyuuga mirava — com um desespero eminente em seus olhos — a entrada à qual Neji adentrara poucos segundos antes. Seu coração estava extremamente acelerado e ela só queria correr para lá e ir em busca de sua amiga, que por acaso também era sua protegida. Ou seria o contrário ? Sua protegida que também se tornara sua amiga?

Num ato desesperado ela saiu de trás da árvore à qual estava ao ver o moreno de olhos perolados aparecer numa velocidade inumana. Atrás de si tudo era consumido em chamas. Ele estava literalmente fugindo daquela explosão com Tenten quase desacordada em seus braços.

Teve que parar bruscamente sua corrida no momento em que parte do teto desmoronou, procurando com cuidado não serem atingidos pelos escombros. Uma fumaça de poeira subiu e impediu a visão daqueles que observavam atentos e desesperados a situação.

E no instante seguinte a cortina de poeira marrom foi desfeita pela explosão que obrigou os Hyuuga's a se afastarem ainda mais para não serem atingidos.

Num vislumbre desesperado, Hinata ainda foi capaz de enxergar com os olhos lacrimejantes, novamente a imagem de seu primo conseguindo sair milésimos de segundos antes de toda a casa se reduzir a pó. Tenten continuava em seus braços, abraçada de forma protetora. E num último ato de desespero e amor, o belo Hyuuga amaldiçoado se afastou poucos metros da casa e caiu exausto de joelhos. Unindo a pouca forças que lhe restava e abrindo suas belas e enormes asas brancas, cobrindo a ele e a Mitsashi.

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Sentindo então, as chamas e a explosão atingirem suas costas em cheio.

***

Curiosamente ela estava em paz. Toda a dor que sentia pelo corpo, agora dava lugar à uma estranha sensação em entorpecimento.

Mais uma vez não se lembrava de onde estava, ou do que havia acontecido. Pelo menos não assim que recobrou sua consciência. Os olhos castanhos permaneceram fechados, não teve forças de imediato para abri-los. Tal como se suas pálpebras pesassem toneladas.

Sentia seu corpo repousar sob um tecido macio, imaginava ser um colchão. Uma brisa leve lhe tocava a face, e o barulho insistente do bip ao lado da cama indicava os batimentos de seu coração — os quais estavam igualmente calmos -.

Ronronou um pouco, sentindo aquela estranha calmaria tomar conta de seu corpo. Onde estava afinal?

Demorou mais alguns segundos para criar forças o suficiente e lentamente abrir os olhos castanhos. Sua visão demorou um pouco para focalizar, e a primeira coisa que viu foi um belo par de olhos perolados, por instinto sorriu ainda dopada.

— Neji... — sussurrou como se estivesse bêbada. E os mesmos olhos ganharam um brilho de preocupação — Hinata? — abriu as orbes castanhas de forma exagerada, tal como tentou se levantar, sendo impedida pela azulada.

— Não pode fazer esforço, seu corpo ainda está fraco pela quantidade de sangue perdida. Os cortes nós mesmos cuidamos antes de virmos pra cá. Deve estar zonza devido ao remédio, não é? — indagou ela forçando a Mitsashi a voltar a se deitar.

— É... Eu acho que sim — falou meio zonza e sentindo a cabeça girar pela forma brusca à qual se levantou, cedendo ao enjoou e por fim voltando a deitar-se — Onde estou? Cadê todo mundo ? — indagou olhando pra porta que ali havia.

— Eles estão vindo visitá-la todos os dias, mas não é permitido ficar muito tempo — a Hyuuga deu de ombros e baixou os olhos — Eu estou aqui desde que trouxemos você, posso entrar sem ser vista — ela sorriu amarelo e pela primeira vez viu o vislumbre do sorriso da amiga, sorrindo verdadeiramente. No âmago, a menina de olhos enluarados ainda temia que a mesma estivesse com raiva de si, ela tinha medo disso.

— Que !? — o sorriso deu lugar a uma expressão preocupada quando ela processou a informação — Há quanto tempo estou aqui? — indagou sentindo o coração acelerar, tal como a frequência da máquina irritante de bip.

— Uma semana, mas eu já esperava que você fosse demorar um pouco pra acordar. Você perdeu muito sangue, Ten — ela choramingou baixando os olhos e a outra parou por alguns segundos, parecia tentar processar toda a informação.

— M-Mas... E aonde está o Neji? — indagou olhando para os lados na inútil tentativa de ver seu herói, Hinata engoliu em seco e fechou os olhos.

" — A-A sua vida corre perigo, N-Neji... — sussurrou tremula e assustada, a qualquer momento tudo aquilo explodiria.

— É Tenten... Ela corre. Corre porque você corre! — exclamou ele tocando o rosto marcado pelas lágrimas e o sangue parcialmente seco da menina que o olhou com os olhos lacrimejantes — Durante todo esse tempo eu estive morto, você foi o mais perto que eu cheguei de me sentir realmente vivo. Você se tornou meu sinônimo de felicidade e eu não deixaria nada e ninguém atrapalhar isso... — ele falou baixo e ela sentiu as pernas tremerem pela revelação, as testas agora coladas, os lábios próximos e um quase beijo marcavam o momento. — Vou salvá-la, mesmo que isso custe a minha vida! — ele exclamou convicto. "

Lembrar-se das palavras do moreno, da explosão e de tudo que aconteceu, mais a expressão de Hinata, fez um desespero tomar conta do coração do Anjo prodígio que sentou-se bruscamente na cama, recebendo um olhar reprovador da amiga.

— Hinata! — ela exclamou exasperada e nervosa, o que deixou a outra apreensiva — Onde está o Neji ? — ela indagou sentindo sua voz se perder aos poucos, tal como uma dor aguda se apossar de seu peito e os olhos começarem a marejar. Não queria acreditar que ele fora capaz de fazer uma loucura tão grande para que ela ficasse bem — ou quase isso -.

Como ela ficaria bem se ele não estivesse com ela? Não negava mais estar completamente há tempos que apaixonada pelo Hyuuga. Tal como, todas as ações do mesmo lhe diziam que ele também queria compartilhar daquele sentimento, mas estava com medo. Seria injusto consigo mesma se ela estivesse viva e ele não.

— E-E-Ele... — ela começou a falar, seus olhos perolados estavam baixos e nervosos. Tenten sentiu seu desespero aumentar e as orbes castanhas se arregalaram de forma exagerada.

— Fale logo! — exclamou praticamente pulando da cama e pondo as mãos no coração — Mas que droga! Qual o problema que vocês Hyuuga's tem em guardar segredos? — levou as mãos a cabeça em sinal de desespero.

— Tenten, acalme-se! — a Hyuuga pediu segurando as mãos da amiga, mas suas orbes peroladas e assustadas demonstravam que nem ela mesmo sabia o significado de calmaria naquele momento. Neji era um assassino à sangue frio, provara isso na noite do incidente com Tenten quando matou um Hyuuga e quase matou Dan, mas no âmago Hinata sentia pelo primo naquelas condições. Tinha o coração puro demais — Neji ficou muito debilitado depois de salvar você, mas está vivo — a respiração da Mitsashi foi solta de uma única vez, nem ela percebera que a prendia. A incrível sensação de alívio tomou conta de seu corpo e o bip irritante aos poucos fora cessando, mas ela sentia que aquilo não era tudo.

— Mas então... ? — indagou inclinando a cabeça.

— Ele não tinha forças pra nada — ela engoliu em seco e seus olhos lacrimejaram, em segundos lágrimas insistentes percorreram a face do pequeno Anjo — Os Hyuuga's se aproveitaram da situação e o aprisionou Tenten — ela choramingou — Neji foi condenado à morte...

Notas finais
Gente, não sei se vocês perceberam, mas esses capítulos tenho dado um certo tempo para as cenas quentes. E não que eu queira, amo uma putaria - digo mesmo - ;-;, mas o momento é delicado e pede isso. Para as safadas de plantão - não vou citar nome u.u - só peço paciência, obrigada :p E então? Deixem um comentário e façam um autora feliz, beijos e bom Carnaval :*