Amaldiçoado
8 Capítulo VIII - Cúmplices de um Ato Proibido
Notas iniciais
Seus pés frágeis e desesperados não suportavam mais pisar naquela terra castigada pelo tempo seco. Todo seu corpo estava ferido e um corte se estendia do abdômen até o início da virilha. Uma mão repousava sob a barriga como se pudesse segurar com as próprias mãos todos os órgãos que tentavam pular pela ferida. Mas não desistia de correr, uma ínfima esperança ainda gritava em seu interior. Como se corresse para uma luz no fim do túnel.
Cambaleou e foi ao chão diversas vezes, acumulando cada vez mais cortes e partes arroxeadas em seu corpo pequeno e frágil. Não entendia como aquilo fora acontecer a ela. Nunca fizera mal a ninguém, nunca fora contra as regras que seus pais lhe impuseram. A não ser talvez, quando se envolveu com aquele rapaz misterioso. Mas em seu íntimo, não se arrependia. Ainda. Ele fora a única escolha a qual ela pode fazer na vida. E se perguntava porque justo ele era o motivo de tanta desgraça em sua vida.
Nas suas orbes esmeraldas um brilho de dor se alastrava por todo seu ser. E ainda corria. Ao lado da boca um filete de sangue escorria — tal como um próximo a testa — enquanto tentava ao máximo conter a vontade de vomitar. Ora ou outra se engasgava e cuspia o próprio sangue. Aquele gosto de ferrugem fazendo seu sentido do paladar ficar irreconhecível.
– É o fim? — perguntou-se cuspindo mais uma quantidade generosa do líquido escarlate e marcando a terra castigava pelos dias de sóis escaldantes.
Iria parar se não visse à sua frente uma floresta de árvores secas e esbranquiçadas. Se aproximava de uma Caatinga. Olhou para trás, como se quisesse se certificar de que não estava sendo seguida e sentiu os olhos marejarem.
– Porque ? — perguntou ao ver seu algoz que sorriu de canto a medida que se aproximava da garota. Suas mãos com garras enormes e na boca dentes afiados, os olhos semelhantes ao de uma raposa feroz.
– Eu te pediria desculpa, mas na verdade não me arrependo — foi o que respondeu ao ver a garota de longas madeixas róseas — as quais agora se tingiam de vermelho — caiam exausta no chão. Mas esta não sentia verdade nas palavras. Parecia se render à morte, não suportaria mais. Seu corpo não aguentava — Não me leve à mal, mas temos planos para o Uchiha e você é um grande empecilho... — comentou
– Por favor... — pediu chorosa, as lágrimas que saiam de seus olhos verdes se misturavam à terra e o sangue que sujavam seu rosto alvo — Se o problema é esse, eu vou embora — soluçou — Eu juro que nunca mais irão me encontrar — ela se humilhou. De joelhos forçou o corpo castigado e fez uma reverencia, tal qual de um servo arrependido — Não me mate! — pediu com a voz abafada pela boca que estava próxima do chão
– Isso não depende de mim... — ele pensou e algo se rompeu dentro de si ao vê-la daquela maneira. Perguntou-se porque justo ele teria que dar fim a vida de uma garota tão linda e aparentemente cheia de vida. E concluiu que... — Mas eu poderia te livrar desse fardo — ele se ajoelhou e afagou-lhe as costas da garota, a sentiu tremer com seu toque. Não de prazer, e sim de medo. Mãos que antes lhe torturavam, agora lhes davam carinho. A mão tremula se apoiou ao chão de terra procurando apoio para o corpo exausto. A garota ergueu a cabeça até conseguir olhá-lo, seus olhos brilhavam de esperança — Mas você teria que ir embora, nunca mais voltar. Você teria que deixar de a Sakura Haruno e se tornar outra pessoa — cerrou os olhos — Estaria pronta pra isso ? — indagou e ela acenou com a cabeça. Qualquer solução lhe parecia aceitável, como faria não importava. Apenas queria se livrar da dor — Ótimo então, vamos, mostre a barriga! — ele falou e ela franziu o cenho amedrontada — Não se preocupe, irei curar a ferida. Caso contrário você irá morrer por perda de sangue — ele falou com um sorriso de canto e ela não soube se aquilo era uma coisa boa ou ruim.
Sakura decidiu não contrariar, apenas forçou o corpo o suficiente para virar-se e com a ajuda dele, se deitou no chão. Em poucos minutos o sol nasceria, mas isso não era detalhe. Não importava quanto tempo vivesse, aquela noite de horror jamais sairia de sua cabeça. E se antes pensava em não se arrepender por escolher Sasuke, agora sequer queria aproximação do mesmo. Afinal, se ele a amava, onde estaria ? Ela sentiu uma ardência esquisita na região do corte a medida que o mesmo se fechava. Um brilho negro emanava das mãos do demônio que outrora lhe fizera mal. Alguns segundos depois a dor havia sumido. Apenas os cortes superficiais e a dor muscular predominava, mas na sua concepção era apenas detalhe.
– Pronto! — disse ele após terminar o serviço e levantar-se. O rapaz de cabelos loiros invejáveis e belos olhos azuis virou-se para admirar a chegada do sol. Os olhos da Haruno por instinto se voltaram na mesma direção e ela sentiu o interior se aquecer num sentimento calmo. Não o compreendia e nem sabia de suas origens, mas se tinha algo que a rosada tinha certeza, era que ele possuía um lado humano. Caso contrário não a estaria ajudando, mesmo sabendo que sua cabeça seria colocada à prêmio se caso fosse descoberto — Pode se levantar! Cada segundo que passa pensando na vida é um segundo a menos que você tem pra ir embora — a fala um pouco grossa dele lhe despertou e ela se levantou, quase que de um único pulo. Virou na direção dele e olhou para o próprio corpo. Estava quase irreconhecível, sua pele alva marcada com arranhões e marcas roxas. A roupa rasgada, estava toda suja de terra e sangue. Mas ainda assim, viva.
Ergueu o olhar para fitá-lo, neste instante ele virou-se e a observou de perto. Ela era muito bonita, não era atoa que havia conquistado seu melhor amigo, Sasuke. Mas ainda assim, era humana. E de acordo com Jiraya, seria um grande problema para os planos dos demônios. E claro, principalmente de Orochimaru, o falso Arcanjo que era tutor do Uchiha e responsável por sua criação. Quase podia chamá-lo de filho, se realmente se importasse com sentimentalismo.
O demônio foi surpreendido quando a dona dos cabelos pulou em cima de si e o abraçou forte. Os braços magros e doloridos circundavam o pescoço do loiro que tinha o cenho franzido diante da reação da mulher.
– O que está fazendo ? — indagou curioso e tocando de leve a cintura da garota, sem abraça-la
– Obrigada... Eu não irei culpá-lo por nada. Você está me ajudando — ele sentiu a lágrima quente na curva de seu pescoço e a voz abafada da garota indicava um inicio de choro.
– Não, eu sou um demônio, não deveria depositar tanta confiança em mim! — ele alertou
– Não! Não importa, eu posso sentir que no fundo você é uma boa pessoa — no âmago do loiro ele se sentiu ofendido. Suas origens não eram honrosas e muito menos a vida que levava — Você tem um coração bom. Apenas as circunstâncias te levaram à este fim — ela completou enfim largando-o. Os olhos azuis fitaram os verdes num misto de incredulidade e desconfiança. Mas ele estava satisfeito consigo mesmo. Só não iria demonstrar.
– Vamos! Não há tempo a perder — ele falou e ela assentiu
Naruto sentiu uma presença familiar e num ímpeto virou o rosto a procura do mesmo. Os olhos azuis semicerrados passaram por cada canto daquela vegetação castigada pelo calor e a seca, mas nada, nada encontrou. Um grito agudo o fez voltar sua atenção para a garota que agora estava de costas para ele e com o corpo inclinado para a frente. As pernas entreabertas da mesma possibilitaram a visão dos órgãos vitais que foram ao chão no momento em que uma nova ferida foi aberta em seu abdômen. Incrédulo ele voltou a erguer o olhar e a frente da mulher de cabelos rosas estava ele, o Anjo renegado.
Neji estava com seu primeiro estágio da maldição ativado e olhava indiferente para ele. Sequer parecia se importar com a jovem que aos poucos perdia os sentidos e a vida.
– Ne-Neji... — ele gaguejou perante a crueldade do Anjo. Afinal, não era ele que deveria agir de forma impiedosa e dolorosa ? Não era o moreno que deveria ter compaixão e ajudar a quem precisa? Os papéis ali se inverteram. Naruto ficou estático, não sabia o que fazer.
– Jiraya estava certo por não confiar em você — disse com nítido nojo em sua voz enquanto empurrava o corpo da Haruno de encontro ao chão. Ao qual o loiro se antecipou e a segurou — Não tente salvá-la, ou não medirei esforços em matar você também — alertou se virando — E Naruto! — olhou sob o ombro o demônio sem reação que o fitava incrédulo, alheio a realidade — Da próxima vez que receber uma missão, cumpre-a com êxito. Não sou sua babá para corrigir seus erros — e caminhou para longe dali. Desaparecendo um pouco mais distante dos olhos do loiro que tinha o corpo inerte — e agora sem vida — de Sakura em suas mãos.
***
Tenten estava nervosa, finalmente chegara o dia em que apresentaria o trabalho para o Hyuuga. Andava pelos corredores acompanha de Hinata e Temari, ambas alheias em uma conversa aleatória enquanto a Mitsashi estava perdida em pensamentos e folhas. Tentava organizar os papéis que utilizaria durante a apresentação. Havia feito slides e tudo que julgou ser necessário para que o seu trabalho ficasse excelente.
Todavia, o receio de estar cara a cara com aquele homem ainda lhe invadia. Seus pés caminhavam sem vontade em direção à sala de seu algoz.
– Depois da faculdade irei até o hospital visitar o Gaara – falou Temari com um sorriso meigo
– Você me parece feliz – comentou Hinata ao perceber a expressão sonhadora da Sabaku
– É que os médicos me disseram que ele está se recuperando rápido, falaram que se continuar assim em breve receberá alta – ela sorriu largamente, até parecia Tenten numa versão loira. A Hyuuga esboçou um sorriso amigável para compartilhar da felicidade da amiga.
– Fico feliz com isso Tema... – falou calmamente e voltou sua atenção para a outra morena que parecia alheia aos problemas do mundo.
– Tenten! – chamou a Sabaku despertando a amiga do transe
– Ah! Oi loira – sorriu de canto sem olhar a garota
– Tá tudo bem com você ? Parece tão perdida! Sonhadora...
– Sonhadora ? – arregalou os olhos castanhos e as duas riram
– Não, mas sei lá... Ah! O Gaara me pediu pra convidar vocês para visita-lo hoje – sorriu. Realmente, a loira estava muito feliz com a recuperação do irmão.
– Por mim tudo bem – Hinata se pronunciou colocando uma mecha dos cabelos azulados atrás da orelha e olhando as pessoas ao redor. Seus olhos enluarados se encontraram aos azuis de Naruto, ao qual mudou rapidamente sua expressão para uma que mesclava perigo e más intenções. A Hyuuga desviou o olhar com uma expressão insatisfeita.
– Eu não posso garantir, infelizmente o trabalho que irei apresentar hoje irá sugar muito de mim. Sem contar que precisarei ir até a casa da mamãe. Consegui alguém para compra-la então irei lá pessoalmente uma última vez antes de... – seu olhar foi distante – Antes de me mudar – completou com o cenho franzido
– Se quiser nós iremos com você – foi Hinata quem falou, mas Temari não faria questão. Tenten sorriu e olhou para a Hyuuga
– Eu sei Hina, mas preciso ir só... Todavia, posso fazer isso depois de irmos ao hospital – alargou ao máximo seu sorriso – O que acha ?
– Acho uma ideia ótima – Temari falou
– Perfeito, nos veremos na aula. Agora preciso ir – deu um passo à frente e sentiu seu pulso ser preso. Olhou na mesma direção e viu que era a Hyuuga que o fazia – O que foi ? – quis saber
– Você vai agora ? Digo... Apresentar o trabalho – em seus olhos estava claro que aquela ideia não lhe agradava, mas Tenten não podia fazer nada. A não ser é claro, ser perseverante e não fraquejar diante do Hyuuga. Era o que pretendia.
– Sim, Hina – segurou a mão da outra com carinho – Mas não se preocupe, vai ficar tudo bem – sorriu e saiu da presença das duas
***
A sala estava escura, apenas iluminada por uma sombra vermelha — da cortina — e pela luz que saía do aparelho até a tela branca. Tenten já estava ali faziam pelo menos quarenta minutos. Tinha que confessar para si, foram os quarenta minutos mais conturbados de sua vida. Desde que pisou na sala, já sentiu-se em um ambiente hostil. Assim que a porta foi aberta, dela saiu Shion com um sorriso para Neji que mesclava segundas intenções e satisfação. O Hyuuga mantinha-se impassível e indiferente como sempre. Mas um brilho estranho se apossou dos olhos enluarados no momento em que ele viu a Mitsashi olhar para a loira de forma nada contente. A morena não percebeu esse detalhe. E então entrou na sala vermelha.
A partir de então tem sentido sensações das quais nunca se fizeram presentes em sua vida antes. Sentia que a todo momento as pernas fraquejavam, tais como as mãos tremulas e ela não sabia se era por ansiedade ou simplesmente por estar na presença daquele homem proibido. O estômago embrulhava de uma maneira que a deixava com ânsia, tinha certeza de que não conseguiria comer nada mesmo se quisesse. As falas que por vezes fugiam de sua memória, forçando-a a averiguar o conteúdo em um dos muitos papéis que levara. Perdeu a conta de quantas vezes se desculpou pelas falhas que cometeu. Mas no íntimo a morena sabia que ele estava anotando tudo e isso seria descontado em sua nota.
– Interessante, senhorita Mitsashi! — foi a primeira vez que ele falou desde que ela começara a apresentar o trabalho. Havia se mantido em silêncio e quieto durante todo o tempo. Por vezes Tenten teve a impressão de que o trabalho era ela, pois, foi capaz de captar alguns olhares indiscretos do Hyuuga em direção a si. Mas ainda assim, a expressão do mesmo continuava igual — Contudo, percebo que você não me ofereceu uma Ideia de Intervenção! — ele falou segurando um lápis grafite e brincando com o mesmo entre os dedos, logo em seguida fechando a mão e servindo-a de apoio para o queixo
– A-A Ideia de Intervenção ? — ela questionou dando as mãos em frente ao corpo e percebeu através das mesmas que estava suando frio. Ele percebeu a inquietação da jovem e arqueou uma sobrancelha perfeita. Olhando-a diretamente. Tenten quase deixou seu lado emocional falar mais alto, mas aí ela se recordou de que não devia, de que ele não prestava. Levou uma mão discretamente até a boca e pigarreou, como se aquilo fosse trazê-la ao mundo real — " Não olhe nos olhos dele"– pensou inquieta e voltando sua atenção para os slides que fizera. As imagens e o texto estavam perfeitos, mas claro, faltara a maldita Ideia de Intervenção! — Desculpe professor Hyuuga... — ela baixou o olhar e ele se levantou da cadeira que estava imediatamente. Sua paciência para aquilo estava se esvaindo a cada segundo mais que ficava próximo àquela garota impertinente e sagaz. Tenten o olhou assustada pela ação repentina e franziu o cenho, ele a olhava profundamente — "Droga, os olhos não!"– pensou desviando o olhar mais uma vez
– Não fez? — ele questionou e ela franziu o cenho
– Não senhor. O senhor não havia informado que desejava uma... — foi sua resposta, talvez aquilo amenizasse sua situação. Entretanto, só irritou profundamente o dono dos olhos perolados que andou calmamente — e perigosamente — de um lado para o outro na sala. Tenten apenas observava seus pés enquanto mantinha a cabeça baixa
– Você está cursando uma faculdade de medicina... Quantos anos tem? Dez? Nessa altura do campeonato ainda precisa que o seu professor lhe dê as instruções ? — a palavra foi dita num nítido sentido duplo. Ela até retrucaria, se estivesse com moral — Não me diga que esperou que eu pegasse na sua mão e te ensinasse a escrever também? — ele parou fitando-a, daquele jeito que a deixava totalmente desconcertada. A respiração de Tenten se acelerou e ele percebeu isso, gostando do resultado. Sua expressão mesclava medo e claro... desejo. Embora soubesse seu lugar no mundo, soubesse que jamais se submeteria a um homem. Ver aquele ser tão imponente — e perfeito — e imaginar que algo entre os dois pudesse ser recíproco lhe aquecia a alma. No âmago, a Mitsashi sentia desejo pela forma como ele agia. E aquilo só deixava o Hyuuga ainda mais excitado.
– Eu... Realmente errei, desculpe — falou cabisbaixa — E não tenho o mínimo direito de pedir-lhe uma segunda chance — voltou a erguer a cabeça, mas sem fitá-lo. Neji se viu arqueando a sobrancelha mais uma vez — Visto que esta já seria a minha segunda chance — ela completou numa expressão que demonstrava nitidamente sua rendição. Com se já aguardasse o pior.
– Estou tentando ajuda-la, mas você não está colaborando... Diga-me Tenten, não quer ser aprovada neste semestre? — ele indagou
Todavia, todo organismo dela havia parado de funcionar. Seu corpo estava estático, sua mente havia congelado e apenas seu coração batia num ritmo descompassado. Ele falou seu nome... Pela primeira vez ela o ouviu chama-la pelo primeiro nome. E a verdade era que ele sequer parecia ter notado o que fizera.
E realmente não notou. Neji foi levado pelo impulso durante um milésimo de segundos. As palavras simplesmente saíram de sua boca. Naquela altura ele já havia notado a burrice que fizera, sabia muito bem o motivo da morena estar imóvel à sua frente e com o peitoral subindo e descendo num ritmo instável. Mas a única solução plausível que encontrou foi manter-se impassível, como se aquilo não o afetasse. E ledo engano seu tentar acreditar nesta ilusão. Só de ver a forma como ela ficara apenas com aquela pequena e singela demonstração de uma das muitas formas de sedução do moreno, ele sentia o corpo em ebulição. Não precisava de nada além da visão que tinha para saber que ela estava molhada. O corpo pequeno e contido naquela calça jeans apertada e aquela blusa de mangas compridas — e justa — lhes davam um tom a mais de sedução. Permitia que o moreno imaginasse como era o corpo dela, de proporções perfeitas. Seios medianos e que caberiam facilmente na palma de sua mão, bumbum grande e empinado. Quadris não muito largos, mas o suficiente para dar todo um charme especial ao corpo. Barriga lisa e cintura fina. Pernas torneadas e aquela boca... Neji literalmente devorava Tenten apenas com o olhar e ela sentia isso.
Sentia o corpo cada vez mais febril. Nunca se sentira assim antes e com homem nenhum. Uma incrível sensação de autoconfiança se instalava em seu ser ao ver o moreno analisá-la daquela maneira. E ela gostava disso. Na verdade, Tenten estava amando a atenção dele voltada totalmente pra si. Mesmo que jamais admitisse. Seu desejo mais profundo era ver aquela expressão fria e indiferente se permitir relaxar um pouco. Talvez após um gozo... Ver o maxilar perfeito — e levemente quadricular — tencionar a medida que sentia o líquido quente e agridoce chegando. Tal como as orbes brancas revirando-se de prazer.
Não havia escapatória, ambos se encontravam perdidos e analíticos nas reações do outro. Era como se estivessem numa bolha, alheios a qualquer coisa que não fossem um ao outro. Tenten não tirava os olhos de Neji. Neji não tirava os olhos de Tenten. Uma tensão sexual se instaurou na sala vermelha e repentinamente o ar ficou mais denso, mais pesado. Era como se eles houvessem saído daquele local público, daquela faculdade, era como se estivessem ido parar em um mundo paralelo.
– E o que deseja fazer, Neji? — ela questionou enfim. Ainda enfeitiçada pelas orbes singulares que o Hyuuga possuía.
E ele finalmente tinha o que queria. Ouviu seu nome ser proferido por aqueles lábios tentadores. A voz levemente arranhada e desejosa, o olhar dela fixo ao seu enquanto falava, quase como se a pergunta não houvesse sido relacionada ao seu trabalho. Sentiu os músculos tencionarem e uma incrível vontade de avançar na morena.
Não conteve o ímpeto.
Não conseguiu se controlar ao vê-la ali, quase implorando através de um pedido silencioso que ele fizesse aquilo. Quando se deu conta já havia se movido numa velocidade a qual ela não foi capaz de acompanhar por estar numa espécie de transe — e que não seria mesmo se não estivesse -. Ao se dar conta da proximidade ela arregalou os olhos castanhos e ergueu levemente a cabeça para olha-lo nos olhos mais uma vez. Neji viu as pupilas da garota se dilatarem automaticamente. Desejo. Era isso que ela sentia naquele momento. Mas o corpo permanecia imóvel.
Ergueu a mão direita de encontro ao maxilar da mesma, que só percebeu quando esta já quase tocava sua pele. Tenten deu um mínimo pulo com o susto, mas não se afastou. Neji deixou a ponta de seus longos dedos tocarem aquele pele macia, levemente bronzeada e quase imaculada que a morena possuía. A Mitsashi sentiu um frio percorrer sua espinha e todo seu sistema nervoso entrar em alerta no momento em que sentiu a ponta da unha do Hyuuga acariciar-lhe a pele de leve. Eriçando seus pelos. Não conteve o ímpeto de fechar os olhos. E gemeu.
Um gemido baixo e rouco, vindo de sua garganta. Quase como de uma insatisfação por fazê-la desejar ainda mais aquele toque sutil e descaradamente perigoso. Cada vez mais os músculos abaixo do ventre da jovem se contraíam. Sentir a proximidade e o cheiro do perfume amadeirado e másculo que exalava dele não lhe ajudava. Ouvir aquele som baixo e repleto de desejo fez o pouco de sanidade que o moreno possuía ir pros ares.
Neji finalmente deu um passo à frente e aniquilou a distancia existente entre os dois. Os corpos se colaram e instintivamente ela arqueou as costas e os seios femininos foram esmagados pelo peitoral masculino. Ela sentiu o quão sensual era o corpo do moreno, cada divisão de sua barriga e os músculos tencionados, tal como o braço forte. Tudo parecia em perfeita harmonia aos seus olhos. As intimidades quase se tocando, se não fosse uma pequena distância que — mesmo sem perceber — Tenten mantinha ao empinar o bumbum para trás. O Hyuuga segurou o queixo da morena e ergueu sua cabeça, segurando-a por trás como se estivesse impedindo alguma forma de fuga da garota sagaz. Antes de selar os lábios um no outro, Neji fez questão de passar a ponta de seu nariz pelas regiões que ele sabia que a deixaria ainda mais instigada e desejosa. Mesmo completamente excitado e cheio de desejo. Ele se recordava bem que ali seria ela quem imploraria.
De forma hábil e sensual ele passou a ponta do nariz pelo dela, fazendo um caminho em direção à boca e atravessando-a sem selar os lábios. O que o permitiu ouvir um muxoxo de descontentamento da garota, e ele sorriu com os olhos. Seguiu seu caminho de forma lenta e tortuosa até o queixo e fez uma trilha perigosa, agora mordendo, beijando e soprando com seu hálito quente — deixando a pele dela arrepiada — e lenta do maxilar até o pescoço. Lá mais uma vez ele resolveu brincar com ela. Com uma mão segurou-a forçadamente e a obrigando a permanecer imóvel enquanto ele continuava com aquele jogo de tortura e sedução. Ergueu ainda mais o queixo dela e a visão da garota foi tomada pelo teto de gesso da sala. Enquanto ele continuava a mordiscar e soprar a região do pescoço e próxima a orelha dela. Sentia cada vez mais o corpo dela quente e entregue ao seu. E num movimento impensado ele mordeu a extremidade do maxilar — do lado esquerdo, um pouco abaixo da orelha e acima do lóbulo — dela que estremeceu e gemeu um pouco mais alto.
Neji instintivamente sentiu seu membro pulsar ao ter seus tímpanos invadidos por aquele som que mais parecia uma canção de sereia, capaz de fazer qualquer homem cair de desejo ao seus pés, e teve que fechar os olhos para controlar um pouco o próprio desejo. Olhar para Tenten daquela forma não lhe ajudava. A boca de lábios generosos entreabertos, ele quase podia ouvi-la implorar para que não parasse. Sabia que isso era fruto de seu próprio desejo. Ela fazia isso através de gemidos enquanto deixava seu corpo tão entregue ao dele. O Hyuuga segurava com cuidado a cabeça dela para que não acabasse se machucando pela forma que ela respondia as suas investidas jogando a cabeça para trás. Deixando cada vez mais aquele lindo par de seios à mercê dele. E como ele queria tocá-los...
Mas se conteve, um passo de cada vez se quisesse deixá-la presa em sua teia. O primeiro foi dado, ela havia dito seu nome.
Agora não tinha mais escapatória. E no âmago de Tenten, ela não sabia se queria fugir dali. Queria mesmo era rasgar toda sua roupa e abrir as pernas ao máximo para ele. Num desejo louco e descuidado, queria pular e quicar em cima do pênis — que ela sentia pulsar através da calça — dele por várias e várias vezes até que seu corpo chegasse ao limite. Queria vê-lo atingir seu limite. Era isso que desejava.
– Ahh Neji! — ela falou. Ela falou! Mais uma vez ela falou... Não! Ela gemeu, ela gemeu seu nome e levou uma mão até a nuca do moreno, empurrando-o ainda mais de encontro ao seu corpo. Quase como se pudessem acoplar um no outro.
O Hyuuga abriu os olhos, sua cabeça estava perdida na curva do pescoço de Tenten e no cheiro que ela exalava. Não só do perfume, como também de desejo. Seu corpo febril e tremulo deixava isso nítido. Ele mal podia se conter apenas por imaginar o quão molhada, quente e apertada ela estaria naquele momento. Nem queria imaginar o quão escorregadia seria nos movimentos e ritmo que ele implantaria. Não, ele não queria imaginar.
Queria sentir!
Seu membro já estava doendo demais para ele se perder na ilusão e não dar o próximo passo. Estava claro que Tenten estava tão excitada que mal conseguiria fazer algo até se sentir invadida. Seu corpo estava mole e ela se sentia sem forças. Era como ter um orgasmo antes mesmo da penetração. Mas ele sabia que ela não havia gozado. Ele reconhecia esse sintoma em uma mulher. E queria ver como era que ela se saía nesse quesito. Tinha plena certeza de que Tenten era um bálsamo para qualquer homem. Tinha certeza de que fora ele, nenhum outro já havia conseguido a proeza de deixá-la daquele jeito antes mesmo de retirar a primeira peça de roupa. Mas afinal, ele era Hyuuga Neji. Conseguiria isso de qualquer mulher, era só querer.
Mas Tenten ele não queria. Ele necessitava.
Sentiu as veias pulsarem ao redor dos olhos e por instinto os arregalou. Não! Ali não! Não naquele momento. Ele sabia que se ela o visse daquele jeito, todo seu plano iria por água abaixo. Tenten se assustaria. Ele tinha que se controlar. Percebeu quando a garota começou a forçar a cabeça para deixá-la ereta novamente, mas segurou os cabelos castanhos impedindo-a. A morena sentia dor no pescoço pelo tempo em que olhara para o teto.
– Feche os olhos — ele se aproximou do ouvido dela de forma perigosa e sussurrou. Não demonstraria seu pequeno desespero. Algo dentro de Neji não queria que aquele momento acabasse agora. Na verdade, não queria que aquele momento acabasse nunca!
– Hmm...! — ela não questionou, apenas o fez. E ele respirou internamente aliviado
– Boa garota! — sussurrou. O hálito quente a fez gemer novamente e se arrepiar — se era possível — por completo.
Ela mantinha os olhos fechados, mas um sorriso brincava em seus lábios perfeitos. Estava ansiosa para o que viria, já não se importava mais com nada. O moreno se afastou um pouco para observar aquela expressão serena e sapeca que ela tinha. Hora ou outra comprimia os lábios num — quase — bico. Sentia uma verdadeira expectativa gritar dentro de si para o que ele estava aprontando. Delicioso jogo de sedução onde ele deixava claro quem estava no comando. E naquela altura do campeonato, Tenten já nem ligava. Queria ele dentro de si o mais rápido possível. Transaria ali mesmo se fosse preciso. As consequências que viessem depois, ela só se importava com o agora.
Vê-la daquele jeito fez algo dentro do Hyuuga se romper, uma sensação estranha tomou conta de seu corpo. Quis prendê-la em seus braços e não soltar mais. Sentiu uma estranha sensação de embrulho no estômago e o coração — que nem sabia que tinha — se acelerar de forma que tinha a impressão de ter mais dois corações, um no ouvido e outro na garganta. Sentia as regiões pulsarem como de ondas de energias lhe eletrocutassem. Neji sentiu uma paz e uma calmaria estranha, que há muito não sentia — se é que um dia sentiu -.
Já não sabia mais o que sentir.
Era como se naquele sorriso singelo ele pudesse encontrar algo que nunca teve... Mas o que? Sentia-se perdido. Não conseguia racionar direito perto dela. Ainda sentia seu desejo pulsar, assim como o dela. Todavia, curiosamente não queria fode-la e desgasta-la até o limite do prazer como sempre costumou fazer.
Tenten era diferente de qualquer outra no mulher que ele já conheceu. Ela tinha dons únicos — e isso não se dava ao fato de ser quem era, a filha de Dan. O Anjo prodígio — e sim a pessoa que ela se tornara. Era parte de seu caráter, coisa que ninguém podia moldar.
Por breves segundos ele se sentiu...Feliz. Um estranho sentimento de proteção tomou conta de si. Ele não queria deixá-la sair dali. No meio dos pensamentos a viu abrir os olhos como quem questionava o motivo do repentino sumiço do moreno e de seus toques. Os olhos castanhos tinham sentimentos que mesclavam desejo, questionamento e — por fim — algo que Neji não foi capaz de detectar. Mas sentiu que era algo...bom. Bom? Nunca se sentiu merecedor de nada bom.
Viu quando ela levantou a mão para tocar-lhe o rosto. Tenten não estava assustada, ele sabia que o primeiro estágio sua maldição não estava mais ali. Não visualmente pelo menos. O sentimento de calmaria que ela lhe trouxe foi capaz de relaxa-lo por completo. Sentiu o toque carinhoso dela em seu rosto e no ímpeto quase fechou os olhos, se não houvesse sido impedido por ela. Que pôs a mão em seu peitoral e aproximou mais uma vez os corpos.
– Não feche... Por favor — pediu num tom baixo e com a testa colada à dele. E como ele negaria um pedido assim? Feito com tanto carinho e aquele sentimento que ele não sabia o que era, mas também o sentia pulsar dentro de si — Gosto dos seus olhos — relevou corando, só que dessa vez de vergonha — Eles são lindos e únicos– falou e ele sentiu uma imensa vontade de fazer algo que jamais fizera antes.
Sorrir.
Todavia, isto fugiu de sua mente no momento em que fixou suas orbes peroladas na boca da jovem no momento em que a mesma mordeu o lábio inferior devido a vergonha. Mais uma vez um fogo ardeu dentro de si e ele segurou o rosto dela com as duas mãos e o aproximou do seu. Tenten parecia esperar por aquilo, pois não opôs e muito menos teve receio. Ao contrário disso ela também guiou a sua boca de encontro à dele. Os lábios à centímetros um do outro e...
Três batidas na porta fez o casal acordar. Foram tragados da forma mais cruel para a realidade. A morena baixou a cabeça num misto de insatisfação e receio ao vê-lo se afastar. O Hyuuga cerrou os punhos e olhou com toda a fúria para porta, como se pudesse matar o objeto inanimado com apenas um olhar. Ele sabia quem estava do outro lado.
– Tenten... — a voz baixa e preocupada de Hinata pareceu despertar a morena por completo — Você está aí? — questionou receosa
Naquele momento tudo passou pela cabeça da Mitsashi e ela percebera o que fizera. Deveria se arrepender, certo? Mas não conseguia, não conseguia mentir pra si mesma e dizer que não queria aquilo. Que não queria que acontecesse outra vez... Um misto de vergonha e dor tomou conta dela enquanto rapidamente arrumava suas coisas. O Hyuuga mantinha-se imóvel, se controlava para não cometer uma loucura. Tenten se segurava para não chorar, precisava disparecer. Sabia que no fim das contas era apenas mais uma. E ela havia caído na teia dele... Como se odiava por ser fraca.
Mas quem pudera culpa-la ? Era inexperiente com homens e ao contrário disso, Neji parecia conhecer bem cada mulher que escolhia. Céus! Porque algo dentro dela gritava que havia algo nele que deixava claro que ela não era mais uma, mesmo sabendo que era? A forma como ele agia para com ela... Não era normal.
– Desculpe... Preciso ir — ela não esperou resposta e se encaminhou até a porta. Surpreendeu-se ao notar que a mesma estava trancada, mas com a chave no seu devido lugar. Após destranca-la e girar a maçaneta ela completou — Tenha uma boa tarde, professor Hyuuga!
Ótimo! Haviam voltado ao " professor Hyuuga " e tudo graças à sua maldita prima e a amiga loira das duas. A qual não estava com uma cara muito boa, o que pode ser vista pelo casal cúmplice no momento em que a morena abriu a porta.
– Vamos logo! Antes que o horário de visitas acabe — Temari não esperou mais, apenas segurou o pulso da Mitsashi e saiu puxando-a dali.
Os dois pares de olhos perolados se encontraram. Hinata pôde ver que algo havia acontecido, sentia a tensão que ainda havia naquela sala e o olhar do primo deixava isso claro.
– Eu. Vou. Matar. Você! — ele sibilou entre dentes para ela que apenas franziu o cenho e virou de costas, segundo as amigas.
Neji sabia que havia sido interrompido num momento crucial. Sabia que aquela era a chance de prende-la totalmente em sua teia. Mas foi burro, deveria sim ter previsto a intromissão de Hinata. Perguntava-se como não a havia matado antes, quando ainda morava em seu Clã e treinava a mesma para que ela se tornasse uma grande guerreira. Ironia. Quantas vezes não viu o quão fraca era a prima? Não a matou porque? Pena de seu tio! Tinha dó de como ele ficaria, embora os treinos dos Hyuuga's deixassem claro que os fracos deveriam morrer. Além disso, Hizashi também tinha grande apreço pela garota.
Mas agora as coisas eram diferentes. Seu pai estava morto e seu tio não lhe importava mais. Acabaria sim, com a vida Hinata. Ou a faria implorar pela vida e voltar correndo para os Hyuuga's para informar que, Neji nunca perde uma disputa! E ele não perderia Tenten. Afinal, mesmo com tudo aquilo, ele sabia que a partir de agora seria diferente. Sentia o quão a garota queria aquilo e não desistiria.
Fale com o autor