Amaldiçoado

7 Capítulo VII - Crianças Prodígios


Notas iniciais
Olá, desculpem a demora. Então, eu gostei de escrever esse capítulo minha gente. E peço calma, tudo acontecerá no seu devido momento. Mas vejam, alguns passos já estão sendo dados haha Boa Leitura!

Tenten seguia pelos corredores apressada. Hinata vinha logo atrás da jovem, sempre olhando para trás e se certificando de que não estavam sendo seguidas. A Mitsashi parecia um pouco transtornada, o que só preocupava ainda mais a outra.

– O que seu primo tem ? Qual o problema dele Hina ? — indagou Tenten virando-se bruscamente, o que fez com que a Hyuuga acabasse por esbarrar com ela por ter sua atenção voltada para trás

– O-O que ? O que quer dizer com isso ? — a jovem de cabelos negros-azulados indagou um pouco receosa

– Ele é o que ? Se acha bom demais ? Sabe, as vezes parece que ele anda me perseguindo... — ao falar a última frase, olhou para a amiga que franziu o cenho — Tá! Eu sei que ele é casado, você deixou isso bem claro — sua voz continha um certo desgosto — Mas a verdade é que... Hina, eu juro que estou tentando, estou me afastando. Só que acontece alguma coisa que acaba me colocando frente à frente com ele — desesperou-se

– Você tem que evitar ele Ten...

– Eu já me afastei, juro que o evito! — disse firme, mas com um semblante tristonho e confuso. Hinata sentiu uma pontada no coração pela amiga, justo ele ? — Acredita que ele estava com um botão da camisa aberto ? Até parecia que tinha suado muito recentemente... — revirou os olhos ao se recordar da cena e sentir as pernas fraquejarem, viu uma pequena parte do tórax definido do moreno através da abertura — Olha, não me leve a mal, mas parece que o seu primo não honra a família que tem! — rapidamente sua expressão passou de confusa à furiosa. Cruzou os braços e virou o rosto em sinal de birra, Hinata apenas esboçou um sorriso. A situação era delicada. Um simples deslize seu e ela colocaria tudo a perder — Por favor, me ajude — pediu em súplica segurando as mãos pequenas da Hyuuga que franziu ainda mais o cenho

– O que quer que faça ? — questionou sem pestanejar

– Me dê motivos para acreditar que está com ele é errado... Bem, além dele ser casado — baixou a cabeça envergonhada. Este deveria, ser o maior motivo pelo qual ela se afastaria dele. Mas ainda assim, algo dentro de si clamava por um toque do Hyuuga. E Hinata se viu em um dilema, um grande beco sem saída. Como explicaria a situação, sem despertar ainda mais a curiosidade de Tenten e não relevar muito ?

– Bem, eu não gosto de falar sobre isso sabe... — foi sincera, realmente não gostava de tocar naquele assunto, sempre lhe trazia lembranças dolorosas — Mas é que Neji e eu viemos de uma família muito tradicional sabe — pensou um pouco — Sempre fomos muito fiéis aos nosso patrões... Por assim dizer — ela se referia ao Céu, mas não podia deixar isso claro. Suspirou e Tenten franziu o cenho — Mas em determinada noite... — ela parou, seus olhos se tornaram uma breve fenda e no segundo seguinte se arregalaram enquanto ela olhava fixamente para um ponto qualquer do chão. Era como se Hinata estivesse revivendo todos aqueles momentos de horror novamente. Tenten quase podia ver a chama que incendiou o Clã queimando através dos olhos da garota. Como estivesse de frente à uma chaminé acessa — Ele simplesmente foi embora... — fechou os olhos, não tinha forças para explicar ou inventar alguma desculpa qualquer. Aquele dia foi de dor e sofrimento, perdera seu amado tio sem motivos claros, ainda se lembrava dos olhos do assassino e sua expressão tão indiferente ao fazê-lo. Como se tudo que tivessem vivido tivesse sido em vão. Sua voz embargada, ela pôs a mão na boca e soluçou tentando conter o choro. Instintivamente a outra lhe abraçou forte.

– Me desculpe... — pediu ela sentindo-se culpada

– Você não tem culpa... — ela falou, até parecia que ouvia seus pensamentos. Todavia, suas expressões falavam por si só — Depois daquela noite nós não tivemos mais noticias dele. Até agora... — olhou para baixo e limpou uma última lágrima que caia

– Então... Ele abandonou a própria família ? — Hinata assentiu com um menear pesaroso — A própria esposa ? E os filhos ? — as perguntas fizeram os olhos enluarados fitarem arregalados a Mitsashi

– Filhos ? — repetiu a pergunta como se não houvesse entendido

– Bem... É... Eu achei que ele tivesse... — deu de ombros e a jovem de cabelos negros-azulados esboçou um sorriso contido — Então ele só tinha esposa, mas mesmo assim a abandonou — pôs a mão na boca em sinal de horror — Ah meu Deus, isso é terrível! É por isso então que aquele desgraçado não usa aliança e faz o que faz — automaticamente a fala expressou toda a fúria da morena que olhou para trás quase como se pudesse vê-lo. Num íntimo Tenten desejou que ele se materializasse na sua frente para poder dar-lhe uns belos tapas — Que nojo! — quase gritou enfurecida. Nesse momento, o Céu quase sem estrelas deu lugar à um negro absoluto, repleto de nuvens carregadas e uma chuva intensa caiu.

– Mas o que... — Hinata olhou assustada para o estacionamento. Encolhendo-se o quão conseguiu. Aquilo não era normal, definitivamente não.

– Vai ter que se acostumar com isso — voltou sua atenção para a garota que estava olhando para seu celular enquanto digitava algo no mesmo. Parecia trocar mensagens. Tenten sorriu de canto e olhou para a Hyuuga que continuava abraçando o próprio corpo. A Hyuuga sabia que ela ainda estava com raiva, seus olhos expressavam isso — Isso aqui é bem normal. Do nada cai essa chuva torrencial — completou balançando negativamente a cabeça como se desaprovasse a decisão da natureza em fazer chover no local, justo na hora em que precisavam ir para um ponto de ônibus ou táxi. Agora, sua única chance de não chegar em casa encharcada era ligar para Kiba, ao que ela tinha certeza de que não iriam abandona-las.

– E isso por acaso acontece sempre que você está com raiva ? — a pergunta saiu tão natural que até parecia que Hinata não havia pensado antes de falar. E realmente não havia. Ao se dar conta do que falara, a Hyuuga arregalou os olhos e voltou sua atenção para a Mitsashi que segurava o celular entre as duas mãos e a olhava com uma expressão que mesclava curiosidade e questionamento. Mas apesar de tudo, seus olhos eram intimidadores. Tenten parecia tentar entrar na mente da Hyuuga apenas com o olhar.

– O que você...

– Nada, é brincadeira! — ela disfarçou rindo e a outra arqueou uma sobrancelha, mas ignorou — AHH! — gritou assustada assim que começou a relampejar, seu grito fino forçou a amiga a por uma mão no ouvido. Ouviu a morena ao seu lado rir e olhou para ela com uma expressão confusa

– Desculpe, foi engraçado você pulando assustada feito uma patricinha — tentou imitar a forma como a amiga o fez, mas em troca recebeu uma Hinata de braços cruzados e um biquinho fofo de descontentamento

– E como eu ia saber que também cai raios aqui ? — indagou tentando disfarçar seu medo

– Em alguns casos pode chover, relampejar e trovejar... — mal terminou a frase e o barulho ensurdecedor fez a Hyuuga dar alguns passos para trás e se aproximar de uma parede, seus olhos enluarados e assustados deixavam claro sua fobia àquilo. Os braços abertos e a respiração descompassada, tal como o pequeno corpo tremulo davam uma visão de seu lado frágil à Tenten que teve compaixão pela amiga.

– Vejo que não é muito fã desse tipo de clima — brincou — Está tudo bem Hina, eu estou aqui... — a frase saiu natural, como de uma mãe que tentava acalentar a filha. A Hyuuga olhou confusa para a Mitsashi e baixou o olhar para a mão que a mesma lhe estendia, dando um passo à frente para pega-la.

" Interessante..! Chuva, raios e trovões são consequência da raiva, desentendimento e curiosidade respectivamente. Ótimo trabalho vocês fizeram Anjos do Céu. Colocar um poder tão grandioso nas mãos de uma humana que sequer tem conhecimento sobre eles " pensou a Hyuuga olhando para o céu. Onde mais uma vez um raio cortava as nuvens carregadas e clareava tudo. Ela sabia que a atenção da Mitsashi estava voltada pra si, mas não poderia encara-la por muito tempo. Caso contrário colocaria tudo à perder.

E mais um raio. Porém, desta vez Hinata não se assustou. Talvez por estar de mãos dadas com a Mitsashi e sentir a confiança que ela lhe passava. Mas no rosto da outra morena, estava estampada a expressão de surpresa. Não pelo raio, mas sim pelo que jurava ter visto na sombra que se formou da Hyuuga na parede. Como um lindo Anjo, um belo par de asas repousava em suas costas. Nem tão abertas, nem tão fechadas. Apenas sua sombra. Quando se distraia, a jovem de cabelos negros-azulados se esquecia de esconder suas asas.

– Ten ? — chamou Hinata preocupada ao perceber o estado de transe em que a outra se encontrava. Esta por sua vez, tomou um breve susto e em seguida balançou a cabeça de um lado para o outro repetidas vezes, como se quisesse clarear as ideias e ter certeza de que não estava ficando louca — Está tudo bem ? — perguntou e a morena lhe olhou, bem dentro dos olhos. Hinata tinha um sorriso infantil e delicado. E a sensação de estar tendo seu interior revirado pelos olhos castanhos estava lá, mas naquele momento a Hyuuga pareceu não se importar. Apenas continuou a sorrir enquanto a outra parecia tentar voltar para o mundo real. E nos olhos de Hinata ela viu amor, carinho e paz. Como um lindo Anjo.

– S-Sim... — respondeu com um sorriso de canto e desviando o olhar da Hyuuga. Maldita hora em que fizera isso!

Lá estava ele, num corredor mais escuro na verdade. Mas tinha certeza que era ele. E para piorar, não estava só. De longe, só conseguia ver a garota um pouco mais baixa que o mesmo, de braços entrelaçados ao seu pescoço. Pareciam conversar sob algo. Mais um relâmpago e Tenten a reconheceu. Era Shion, uma loira patricinha de sua sala que sempre se achava superior a tudo e a todos. Ela sorria pra ele, com uma das mãos tocava o braço e peitoral com a ponta dos dedos enquanto falava algo. Ela não precisava ouvir para saber que a loira estava se insinuando pra ele. E o pior! Ele estava gostando. Não sorria, como sempre. Mas seus olhos diziam por si só, tudo que pretendia fazer com a garota azeda. E em seguida um beijo, ao qual mais parecia que iam se devorar. Shion levantou uma perna e passou ao redor do corpo do Hyuuga de forma provocante, enquanto ele aproveitava para passar as mãos em lugares que ela preferia nem comentar. Algo dentro da Mitsashi se rompeu, as batidas de seu coração falharam algumas vezes e um indescritível sensação que ter o mundo a engolindo lhe assolava. Sentiu náuseas e vontade de vomitar, ainda mais quando o viu virar um pouco, apenas o suficiente para abrir aqueles olhos enigmáticos e fita-la durante o beijo. Num olhar que dizia por si só a frase: " A próxima será você ". E ela cerrou os punhos, saiu puxando Hinata dali sem nem avisar nada.

– Vamos Hina, Kiba já deve está chegando — foi tudo que disse enquanto sentia o coração acelerar e apertar, como se a caixa torácica de seu peito não fosse suficiente para as batidas descompassadas do mesmo. Os olhos lacrimejaram, mas ela mordeu o lábio inferior e por várias vezes passou a mão sob as lágrimas que ainda insistiam em cair. Seu estômago estava embrulhando, não sabia distinguir o que estava sentindo. Mas se desse um palpite, certamente seria decepção.

Chegaram à entrada da faculdade e Tenten não havia dito mais nenhuma palavra. Ainda sentia os nervos à flor da pele. A chuva havia piorado consideravelmente e ela não se importava de ficar em frente as grandes portas de entrada ao prédio, praticamente sendo castigada pela chuva de vento e seus fortes pingos. Mas aparentemente, nada doía mais do que lembrar daquilo. Era como reviver os piores momentos de sua vida. Era uma dor que ela não queira e não podia sentir.

Mas ainda estava em tempo de remediar. E ela faria o que fosse possível. Nem que para isso fosse necessário transformar seu coração cheio de vida e amor para dar, em uma pedra de gelo incurável. Mas para aquele sentimento, ela não se entregaria. Jamais.

Assim que viu o veículo do amigo se aproximar, não esperou mais e correu na direção do mesmo. Fazendo um sinal para que a Hyuuga a acompanhasse. Entrou no carro e correu para o assento atrás do motorista e lá se encolheu, não queria falar nada. Kiba conhecia a Mitsashi o suficiente para saber que não era o melhor momento. Então apenas ligou o carro e deu partida, mantendo uma conversa amigável com Hinata no caminho.

***

Neji encerrava o beijo com a patricinha irritante. Na sua concepção mulheres que falavam demais eram insuportáveis. Mas, havia um lado bom em usar esta garota. Através de suas fontes ele descobrira que Tenten não tinha simpatia pela jovem. E claro, nada melhor do que provocar uma mulher do que ficar com a pessoa que ela mais odeia na sua frente. Ele viu nos olhos dela a fúria crescer. Viu o clima mudar repentinamente e sabia que era o motivo de toda a birra. Assim como sabia que ela se irritaria e o evitaria ainda mais, mas no fim voltaria correndo para os seus pés. Para o seu prazer.

– Neji! — irritou-se a loira de olhos violetas. Estava falando há um bom tempo e o Hyuuga não desviava o olhar do pátio — local em que vira a Mitsashi com sua prima -.

– Senhor Hyuuga — ele respondeu voltando sua atenção para a mesma. Neste momento mais um raio iluminou o corredor parcialmente escuro, eles estavam próximos do grande pátio do Bloco e escorados em uma pilastra. A mistura do olhar imponente e a expressão indecifrável de Neji fez Shion teme-lo por breves segundos. Mas isso mudou assim que se recordou de que era ele , seu lindo e sexy professor , como ela achava. Na verdade, a loira acreditava que o rapaz havia se rendido aos seu encantos, assim como tantos outros. Mal imaginava a mesma que só fazia parte de um jogo, ao qual muito em breve seria uma peça descartada.

– Por que está agindo assim comigo ? — fez bico, mas isso não atingia a pose inalcançável do moreno — Nós acabamos de transar... — a expressão manhosa deu lugar à uma muito safada. A garota olhou para os lados, tal qual estivesse se certificando de que não eram vistos ou ouvidos — E você é tão quente... — ficou na ponta dos pés e aproximou os lábios, Neji não se movia, apenas observava a aluna atrevida cada vez mais perto de si e passando as mãos pelo seu tórax. Certamente tentando excitá-lo — Quero de novo — quase não emitiu som ao proferir tais palavras. Não era necessário, a proximidade entre os dois era quase nula.

– Elas sempre querem! — foi tudo o que disse antes segurar os pulsos da garota e empurra-la de uma forma um tanto quanto grosseira. Virou-se e começou a andar de volta para sua sala. Tenten não estava mais ali, Shion não era mais necessária. Todavia, ledo engano seu achar que a mesma desistiria tão facilmente.

– Mas aí você saiu do nada... Apressado — ela o seguiu, um pouco mais atrás de si, enquanto falava de forma manhosa e sem se importa com a forma que ele a tratou. Daquele jeito que fazia o Hyuuga revirar os olhos — E do nada apareceu de novo... — mais uma vez seu tom mudou para safado — Me trouxe pra cá sem nenhum motivo, me beijou e me deixou quente... E agora simplesmente quer ir embora ? — pôs as mãos na cintura e apressou o passo parando em frente ao moreno que também parou, fitando de forma inexpressiva a carranca da loira patricinha

– Shion... É isso ? — questionou, não se importando com a expressão insatisfeita da loira enquanto assentia de braços cruzados — Escute... — ele se aproximou e apenas com a ponta dos dedos, tocou os braços e foi subindo lentamente até o pescoço, fazendo uma linha imaginária até o busto e subindo mais uma vez até erguer o queixo da loira e fazê-la fitá-lo. Aquele simples toque foi suficiente para fazer a moça arfar mais uma vez e sentir-se molhada — Nós ficamos, transamos, te fiz gozar e também gozei. Foi até bom, mas acabou. Não é você quem eu quero — disse sem mudar sua expressão. Ao ouvir tais palavras a loira arregalou os olhos e deu um passo para trás, bateu na mão do moreno que segurava seu maxilar e cerrou os punhos irritada.

– É ISSO ? — gritou e esperneou, mas Neji já havia desviado da mesma e seguia calmamente na direção de sua sala. A sala de cortinas vermelhas– VOCÊ ACHA QUE PODE SIMPLESMENTE VIRAR AS COSTAS PRA MIM NEJI? — gritava em plenos pulmões, sequer se importava se ia ou não chamar a atenção de alguém.

– É, eu acho- falou friamente. Shion não se conteve, seu ódio falava mais alto e o desgraçado não sairia impune. Ele literalmente havia usado-a

– VOCÊ É UM IDIOTA, É ISSO QUE VOCÊ É... — ele não parava e ela tinha que se concentrar. Pensar em algo que pudesse atingi-lo. Então respirou fundo, gritar aos ventos não iria ajudar e ela já percebera isso. E uma ideia se iluminou em sua mente — Você é desprezível! — voltou ao seu tom baixo, contudo ainda com nojo e raiva — Não é atoa que a Mitsashi prefere sua prima à você — deu certo! Neji parou bruscamente o caminhar e ficou estático. Naquela altura o corredor em que se encontravam já estava iluminado, e ela pudia ver claramente as mãos dele tremerem e os punhos cerrarem lentamente. Mas não teve medo, ele não era louco de fazer algo contra ela. Seu pai era um dos maiores empresários e que financiava a faculdade. Tocar em um fio de cabelo seu era pedir para ir pro olho da rua — se desse a sorte de não ir preso -.

O Hyuuga movia o pescoço de um lado para o outro lentamente, parecia tentar conter algo. Se havia algo que Neji não suportava, era ser comparado à sua prima. A qual considerava fraca e inútil. Jamais confiaria alguma coisa à ela. Mas tinha que confessar, sua presença estava cada vez mais complicando seus planos. Todavia, no momento sua preocupação era apenas em aniquilar aquela que lhe provocara.

Bem, pensando como o gênio que era, ele sabia que Shion poderia ser uma grande aliada para conseguir ter Tenten. O instinto de mulher que a Mitsashi possuía lhe dizia isso. Só seria necessário a dose certa de medo. Não iria matá-la, não por enquanto pelo menos. A sombra de um sorriso brincou em seu olhar, não em seus lábios. Jamais! Neji jamais sorria, na verdade, sequer sabia o que era isso. Ao qual aquela morena impertinente fazia com tanta facilidade. Para ele parecia um desafio. Nem mesmo quando ainda morava com seu antigo Clã, com o convívio daqueles que um dia julgou amar. Seu falecido pai. Falecido por culpa deles... E ainda assim, ele jamais sorrira. Ele jamais sorriu. Todavia, em alguns momentos era possível saber o que ele sentia se a pessoa compreendesse o fundo de seus olhos misteriosos. O que ninguém compreendia.

Virou-se lentamente para a loira impertinente, seu primeiro estágio da maldição ativado. As veias pulsantes pareciam ter vida própria ao redor dos olhos. Shion arregalou as orbes violetas e sentiu todo seu corpo tremer a medida que ele girava o corpo. Percebeu que nada mais mudara, apenas os olhos. Assustadores. O que ele era ? Não tinha forças para correr, seus pés não lhe obedeciam. Estava entorpecida pelo medo e o coração parecia querer sair pela boca a cada batida acelerada, tal como os olhos que quase saíam da órbita. Suas mãos visivelmente tremulas, a respiração presa na garganta. Engoliu seco algumas vezes. Assim que Neji se virou por completo, seu corpo cedeu e quase foi ao chão. Mas vê-lo se aproximar fez com que algo dentro de se despertasse e ela finalmente se pôs a correr. O Hyuuga sorriu através dos olhos, adorava ver o medo estampado no olhar de suas vítimas. Usou de sua velocidade sobre-humana e segurou a loira, prensando-a firmemente contra uma parede e segurando seu pescoço, forçando-a a olha-lo.

– O-O-O que-que vo-você é? — mal sabia o que falar, suas pernas tremiam e ela tentava segurar a mão que lhe asfixiava para soltar-lhe. Todo seu esforço era inútil, tendo em vista que o moreno sequer movia um músculo de seu corpo perante toda a força que ela impusera. Sua única saída foi fitar aqueles olhos enluarados e clamar para que ele não a machucasse. Num misto de medo e desespero os olhos violetas se encontraram com os incolores. E assim ficaram durante alguns segundos. Cada vez mais ficava difícil respirar e seu rosto já começava a ficar vermelho pela falta de ar. Neji piscou e no segundo seguinte a cabeça de Shion já estava forçada para o lado, onde ela tinha certeza de que estava no limite devido a dor que sentia.

– Um único movimento... Simples, e você morre — ele disse baixo e num tom aveludado. O que só fez a disritmia cardíaca da loira piorar — Mas não vou matar você, Shion — ele se aproximou calmamente e passou a ponta do nariz pelo pescoço e subiu até inalar o cheiro doce e enjoativo de seus cabelos. Abriu lentamente a boca e mordeu o lóbulo da orelha da loira que sentiu uma onda elétrica atravessar seu corpo a medida que sentia brincar com a língua no local. E gemeu. Um gemido baixo e rouco vindo de sua garganta. Mas o que era aquilo afinal ?

No segundo seguinte, viu-se no chão. Ele havia soltado-a e suas pernas fraquejaram. Todo seu corpo tremia de pura adrenalina e excitação, não conseguia entender quem era aquele homem. Forçou a cabeça para cima para conseguir vê-lo. Seus olhos enluarados fixos em si. Neji se abaixou calmamente e num ímpeto de sobrevivência a loira abraçou o próprio corpo e se encolheu o máximo que pôde.

– Não, fique tranquila — a essa altura seus olhos já haviam voltado ao normal. Neji tinha um excelente alto controle, na verdade, poucas coisas o tiravam do sério. E uma delas era a dona de certos olhos castanhos — Não vou mata-la — ele semicerrou o olhar — Isso claro, se você me ajudar — os olhos sorriram, os lábios não.

– O-O que quer de mim ? — sua voz saiu falha e baixa, sentiu uma imensa vontade de chorar e não sabia porque — O que você é ? — perguntou desesperada se encolhendo e se abraçando ainda mais. Escondendo o rosto entre as pernas e braços.

– Eu.. ? — ele pensou um pouco — Na verdade não sei... Alguns me chamam de Anjo... Outros de demônio — ela o fitou assustada — E você ? Do que irá me chamar ? — a pergunta era um teste, Neji não suportava ser comparado aos demônios. Ainda era um Anjo afinal, renegado, mas era.

– Uma vez Anjo... Sempre Anjo — foi a resposta dela e os olhos incolores sorriram

– Muito bem! — exclamou calmamente — Agora venha — estendeu-lhe a mão e se levantou, em pleno sinal para que ela aceitasse sua ajuda.

– Você vai me matar ? — indagou observando-o

– Não! Não se você for uma boa garota — o par de luas ainda sorria — Afinal, como você mesma disse: "Uma vez Anjo... Sempre Anjo"– sibilou e viu os olhos violetas brilharem, quase como um alívio instantâneo. O medo de morrer sumir e ela aceitou sua ajuda.

***

Já no apartamento de Temari, os quatro amigos discutiam sobre assuntos banais. Ou melhor, três deles, enquanto uma morena — que se encontrava sentada próxima à janela — observava os raios cortarem o céu de forma furiosa e em seguida o som dos trovões. Sua mente estava em branco, no momento não conseguia — e não queria — pensar em nada.

– Ten, você pode interagir quando estiver com vontade — Temari cruzou os braços e a morena olhou-a por sob o ombro com um meio sorriso

– Certo — respondeu e voltou sua atenção para o exterior do apartamento. A amiga loira revirou os olhos e a Hyuuga riu de forma contida pela expressão da mesma.

– Hinata — chamou o Inuzuka que estava deitado de forma despojada e com a cabeça no colo da Sabaku

– Sim? — perguntou olhando para o moreno que corou e ela franziu o cenho diante da reação inesperada do rapaz. Agora foi a vez de Temari rir alto, Tenten que observou a cena de longe revirou os olhos em sinal de descontentamento.

– Porque você saiu correndo atrás da Tenten quando soube que ela estava na biblioteca ? — indagou ele curioso, desta vez a atenção da Mitsashi foi chamada e ela se virou olhando para a Hyuuga e aguardando a resposta. Esta por sua vez se viu num beco sem saída.

– Ora... — deu as mãos em sinal de nervosismo e olhou para Tenten, sabia que um deslize seu poderia ser perigoso. A jovem de olhos castanhos realmente era muito atenta aos detalhes

– Porque ela queria garantir que eu não ia fazer nada que me arrependesse depois — a própria Tenten respondeu e baixou o olhar de forma triste. Bem, aquilo era verdade. Só que os motivos que ela acreditava, não.

– E o que seria ? — indagou o amigo, agora colocando a outra numa bela saia justa.

– Não é da sua conta — interviu Temari. Kiba era protetor demais, se soubesse do Hyuuga e da suposta aproximação dele para com Tenten, certamente ficaria de olho em ambos e a Mitsashi não teria mais descanso. Claro, não fazia de propósito, mas seu lado de amigo e macho alfa falava mais alto em algumas questões.

– Ai! — reclamou ao receber o tapa na cabeça que a loira lhe deu, esta por sua vez o ignorou

– Ten, você tem certeza de que vai vender sua casa ? Digo... Ela é a única lembrança fixa da sua mãe — falou Temari receosa e viu a outra suspirar

– Eu sei Tema, e é exatamente por isso que não posso mais morar lá. Irei colocar uma placa de "Vende-se" e com o dinheiro comprarei meu próprio apartamento — falou olhando as mãos dadas no colo — Depois levarei alguns móveis de lá e daí me viro...

– Sabe que não precisa comprar um apartamento, não é ? — questionou a loira e a morena franziu o cenho — Digo, você pode morar aqui o resto da vida se quiser — um sorriso sincero brotou nos lábios da amiga

– Também sei disso amiga, e te agradeço de verdade... Mas hora ou outra o Gaara irá sair do hospital e irá precisar de você, bem mais do que eu... Você já fez o bastante por mim. Agora eu preciso reerguer minha vida e seguir em frente — sua voz era pura tristeza. Sentiu uma mão segurar-lhe o ombro e se virou na direção da mesma. Hinata.

– Você não está sozinha. Pode ir morar no meu apartamento quando o irmão da Temari receber alta. Se te incomoda achar que estar se acomodando, não me importo de dividirmos as coisas. Mesmo não precisando — falou a Hyuuga com um sorriso acalentador e ela abraçou a garota sem pensar duas vezes

– Obrigada... A todos vocês — falou ao se afastar e sorriu. Sentia vontade de chorar, mas prometera que não mais cederia a dor — Amanhã mesmo irei resolver isso — e se levantou — Mas agora, se me dão licença, eu vou estudar... Infelizmente não sei de tudo que irei apresentar e necessito dessa nota — ela falou e deu de ombros ao ver a expressão nada satisfeita que a Hyuuga tinha no rosto. Tenten se despediu dos três e seguiu para seu quarto. Também não lhe agradava a ideia de que teria que fazer aquela apresentação, mas era necessário. Todavia, o pior de tudo era lembrar que no dia seguinte teria aulas dele mais uma vez. E o pior, com que cara o encararia ? E será que Shion se exibiria para ele na frente de toda a turma ? Não, certamente ele não iria gostar... Droga! Justo Shion!? A garota mais metida e patricinha daquela faculdade. E como a odiava... Até parecia proposital. Balançou a cabeça com o rumo dos pensamentos.

" Foco Tenten, foco " mentalizou e deitou na cama, enterrando-se em um mar de livros.

***

Dan andava impaciente de um lado para o outro na sala de Tsunade. Ele não era um dos três Grandes Arcanjos, mas isto fora por opção sua. Já que, no passado, quando a decisão foi tomada por Deus, a loira se encontrava muito doente. Havia voltado de uma batalha e fora acertada em cheio por um golpe que aos poucos lhe tiraria toda a benção — aquilo que diferenciava os anjos dos demais seres, algo que os tornavam Anjos. Tal que, para deixar de ser um, era necessário perder-la por completo. O que resultaria em sua morte imediata. Era por este motivo, que um Anjo jamais deixava de ser um Anjo — e estava definhando. Os Arcanjos foram escolhidos à dedo pelo Criador, mas na última hora, o rapaz de cabelos azulados decidiu transferir sua glória para amada e salva-la. Tornando-a assim, a terceira Grande Arcanjo. Abdicando dos seus sonhos, por ela. E mesmo assim, Tsunade jamais tomava uma decisão sem a consulta de seu amado.

Como fora difícil fazê-la entender que era necessário um fruto seu para os ideais do Céu, ainda mais porque ela mesma não poderia ser a geradora daquele bebê. Já que seu cargo não permitia que ela se ausentasse por muito tempo e uma criança não pode ser gerada no paraíso.

– Dan... Eu compreendo perfeitamente o que sente, mas preciso que entenda que andar de um lado para o outro e ficar pensando em coisas diversas não irá ajudar sua filha — Tsunade era conhecida por ter um pavio curto e ser muito grossa quando era contrariada, mas jamais agiria de tal maneira com aquele que amava, aquele que deixou seu maior sonho de lado para salvá-la. Afinal, quem não queria ser reconhecido por Deus ? Mesmo que, um deste três Grandes posteriormente houvesse traído-o. Jiraya. Ela ainda podia contar com o apoio de Orochimaru, que mesmo sendo onipresente, estava sempre lá para ajuda-la com suas decisões. E ela não compreendia a antipatia que Dan tinha para com o mesmo, julgava ser ciúmes porque o moreno no passado tentara se relacionar com ela.

– Como quer que eu me acalme, Tsunade ? Minha filha está lá fora, a mercê daqueles demônios malditos e a mando de Jiraya... O que ele quer com ela afinal ? — a pronuncia sobre sua criação citada de forma tão carinhosa fez uma pontada de ciúmes brotar no interior da mulher, afinal, ela não era sua filha e ainda assim Dan parecia ter muito apreço por ela, mesmo sem nunca tê-la visto.

– Bem, você sabe que isto foi planejado há séculos. Quando Jiraya ainda não havia traído o Céu. Então ele sabe que ela é importante para nós — tentou ser racional, aquilo era um assunto de suma importância — Mas não se preocupe, tenho certeza de que Orochimaru já mandou o Kabuto até o Clã Hyuuga, podemos confiar neles — ela segurou os ombros do amado. Dan não gostou muito da pronuncia do nome daquele ser. Não confiava nele, não sabia porque. Mas tinha certeza que era coisa de sua habilidade única, a qual a única pessoa além de si que a possuía era sua filha. A de ver a essência das pessoas. Mas não faria nada contra o mesmo até que ele fizesse por merecer — Ah.. Aí está você — Tsunade falava olhando para a porta, e ao virar na mesma direção uma visão nada agradável para seus olhos. O próprio Orochimaru segurava a porta e fazia menção de entrar, mas observava curioso a cena do casal.

– Desculpe — deu aquele sorriso cínico e aberto — até demais — ao qual o rapaz de cabelos azulados odiava — Estou atrapalhando ? — ele quis dar-lhe uma boa resposta pela pergunta ridícula, mas se limitou a inclinar a cabeça e mostrar através de suas feições o quão achava a encenação do moreno ridícula. Mas este por sua vez não se importava com o que o outro achava, ele tinha um propósito ali, e passaria por cima de qualquer um que tentasse impedi-lo. Até mesmo seu antigo amor, Tsunade.

– Ah! Claro que não Orochimaru, sabe que é sempre bem-vindo aqui — o olhar insatisfeito de Dan passou do Arcanjo para a mulher, num típico sinal de desentendimento e de quem achava aquela cena ridícula. Mas fazer o que ? Tsunade confiava fielmente em Orochimaru e ele não tinha como provar o contrário. Afinal, ele sempre fora prestativo para o Céu.

– Então, não pretendo demorar — falou adentrando o local com passos curtos e lentos — Só vim informar que Kabuto já foi até os Hyuuga's e eles concordaram em ajudar a trazer de voltar a garota prodígio.

– Mas isso é uma ótima notícia! — exclamou dando as mãos em frente ao corpo e com uma expressão eufórica, Dan não mudou a sua — Viu Dan ? — ela questionou com um sorriso vencedor — Em missões que o Clã Hyuuga está envolvido, já é 50% de chance de sucesso — seu sorriso fechado ameaçava se abrir sempre que pensava nas possibilidades. Mas ver o amado encarar o Arcanjo daquela maneira não lhe agradava — Pode falar alguma coisa? — sua expressão passou para furiosa

– Quem foi para a missão ? — questionou olhando nos olhos singulares de Orochimaru

– A filha do gêmeo mais velho — respondeu

– A menina Hinata ? — Tsunade se impôs no meio dos dois com os olhos arregalados — Mas aquela garota...

–... Nunca saiu em uma missão oficial! — Dan cortou a loira — O que significa que as chances de dar certo caem pelo menos para 25% — olhou nos olhos da mulher com uma expressão nada satisfeita. Em seguida saiu pisando duro, mas foi seguido por ela.

– Dan... — ela tinha que correr para acompanha-lo — Onde pensa que vai ? — questionou segurando o braço do rapaz e fazendo-o virar-se para encara-la

– Onde pensa que eu vou ? — perguntou de volta

– Não irá para terra Dan, você ainda não está recuperado... Sabe que aquele lugar é pesado demais para Anjos sem treinamento — ela afirmou

– Não posso arriscar a vida dela Tsunade — baixou o olhar

– E isso é porque ela faz parte dos planos do Céu ou seu lado paterno está falando mais alto ? — questionou cruzando os braços e ele franziu o cenho

– Não posso deixar nada acontecer a ela, eu nem sei quem Jiraya mandou para busca-la, mas sinto que a Hyuuga não dará conta sozinha — não esperou mais e se virou

– Dan, pare! — Tsunade berrou, mas ele não parou — Escute Dan! Se você sair de Céu sem permissão, irá ser considerado um Anjo renegado — ele estancou o passo, ela só podia estar de brincadeira. Virou-se olhando-a nos olhos, mas a mesma parecia firme em sua decisão. Sem opção, o Anjo seguiu para o jardim que se localizava pelos arredores do castelo. – Me desculpe se tem que ser assim — sussurrou a mulher olhando para baixo e sentindo uma dor no peito, sabia que havia brigado com o homem que amava. Mas não podia arriscar a segurança do mesmo e permitir que ele fosse a terra, quando estava tão fraco.

***

Neji caminhava calmamente e com as mãos no bolso da calça jeans, Naruto vinha logo atrás reclamando do quão chata estava a sua missão e relatando como estava difícil se aproximar de Hinata, já que a mesma parecia sempre rodeada de amigos e principalmente, do Inuzuka.

A verdade é que o Hyuuga não dava a mínima atenção para o demônio da besta, sua mente e atenção estava voltada para um outro ponto. Tenten. Não conseguia entender como a garota conseguia ser tão arredia e ao mesmo tempo tão entregue. Já estava claro que não seria fácil se aproximar da mesma, ainda mais quando constantemente ela parecia correr e evitá-lo ao máximo possível. E precisava resolver isso.

Foi quando uma brilhante ideia veio a sua mente. Já havia notado que a Mitsashi era uma mulher extremamente curiosa e que gostava de conhecer o terreno onde estava pisando. E para sua sorte — ou azar — ele tinha exatamente a peça necessária para fazê-la se aproximar por vontade própria. Ele. Afinal, ele era um Anjo. E qual humano não teria curiosidade em conhecer um? Ainda mais pessoalmente, saber mais sobre os guerreiros do Céu. Sabia que ela não era religiosa, mas sua mãe sim, um dia fora. Já havia movido a primeira peça do tabuleiro. Shion havia concordado — feliz — em seguir com seus planos. Claro que, o Hyuuga não revelou todas as suas intenções e para com quem seriam elas. Mas com seu jeito único, não foi difícil convencer a loira. Tenten já havia visto os dois juntos naquele dia, ver mais uma vez certamente faria a raiva se ascender dentro da morena. Pelo menos era o que apostava. E isso ficaria claro com o clima.

Com o pensamento os olhos perolados se voltaram para uma janela ao qual eles passavam no momento. Já havia parado de chover e agora a terra molhada recuperava-se da fúria repentina da natureza. Ou melhor, dela.

Voltou a observar o chão — como estava fazendo anteriormente enquanto caminhava — e ficou pensamento qual seria a melhor pessoa para ascender um pouco sobre a curiosidade da garota. Sabia que quando isso acontecesse, seria como derrubar a primeira peça de uma fileira com uma sequencia de dominós. Não havia volta — e ele não queria que tivesse -. E mais uma vez aquela luz se iluminou em sua mente. O que o fez se virar bruscamente na direção do loiro falante que o seguia.

– Naruto! — disse firme, viu os olhos azuis se arregalarem num misto de surpresa e temor. Claro, o Uzumaki era um demônio e era forte. Mas Neji era um Anjo, e se caso se irritasse com ele, poderia matá-lo facilmente — Escute, qual a sua obrigação ? — ele indagou cerrando os olhos perolados e o loiro engoliu em seco diante da expressão fria. O Hyuuga segurava os ombros do outro de forma severa, impedindo qualquer tipo de fuga.

– É... — ele pigarreou, não poderia parecer fraco. Ou melhor, não poderia mostrar à Neji que tinha medo dele. Lembrava-se claramente da vez que um certo amigo seu o fizera, e ao qual até hoje pagava pelas consequências — Tenho que vigiar a garota Sabaku e o irmão paranormal dela... — ele fitou o rosto do moreno, este mantinha sua expressão dura. Mas com um leve ar de pensativo

– Isso...Isso mesmo! — Neji falou soltou os braços do loiro — Ah, Naruto! — um sorriso brincava em seus olhos — Você me será de grande serventia — deu um leve tapa no ombro do demônio que franziu o cenho

– Em... ? — deixou a pergunta no ar

– Quero que faça uma visitinha ao rapaz paranormal — ele falou dando de ombros — Quero que faça ele colocar na cabeça da Mitsashi que Anjos existem — sua expressão era indecifrável. Apenas seus olhos demonstravam mil cenas das quais o moreno planejava com aquilo. Sua real intenção era fazer com que Tenten acreditasse que Anjos existiam, o que faria com que ela procurasse algo para se empertigar e descobrir a verdade. E nessa hora, ele estaria lá para ajuda-la.

***

Não houve recusas, não houve desavenças e muito menos ameaças. Naruto concordou facilmente em ajudar Neji. Mas não por temor, por mais que julgasse que o moreno pudesse ser temperamental e perigoso quando contrariado, julgava que o mesmo também era seu amigo. Sendo assim, não havia necessidade para tanto.

E o loiro seguiu para o hospital onde Gaara estava internado, enquanto o moreno seguiu para sua sala. Todavia, pelos corredores desviou de seu destino final e seguiu para um outro local. Uma coisa ainda estava lhe importunando. Aquele garoto não devia estar ali. Ele era mesmo muito cara de pau de se mostrar entre os humanos depois de tantas atrocidades que fizera. Só para que, no fim, alegasse que havia mudado por amor.

Amor este que terminou em uma grande tragédia. Bem, talvez Neji tenha dado uma pequena ajudinha para este fim, mas ninguém precisava saber desse detalhe.

Entrou na sala escura sem cerimônias, sua visão não era afetada por aquilo. Ao contrário disso, podia ver claramente qualquer coisa à sua frente, tal qual como na luz do dia. O outro moreno se encontrava deitado de forma desleixada sob uma poltrona de frente à uma janela, seus pés relaxados sob o parapeito da mesma e as mãos sob a cabeça.

– Olha! O grande queridinho do Orochimaru perdeu o jeito com as mulheres de verdade. Agora tenta seduzir as patricinhas da faculdade ? — era pra ser uma pergunta esnobe e debochada, mas dita pelo Hyuuga e seu tom frio e calculado, era quase imperceptível. Se o outro já não estivesse acostumado com aquilo.

– Você tem muita moral para falar de mim, não é Hyuuga ? — se Neji sorrisse, aquele seria um sorriso cínico. Mas esta expressão se limitou aos olhos perolados que se direcionaram para o exterior da sala, onde o céu — agora estrelado — dava indícios de uma noite quente

– Mas onde nós chegamos ? Uma cria de um falso Arcanjo querendo se impor à mim ? — indagou cerrando os olhos, mas sem desviar sua atenção do céu escuro

– O que veio fazer aqui ? — ele perguntou irritado, não suportava a presença do Hyuuga. Ainda mais quando sabia o ele fizera no passado.

– Calma Sasuke, eu apenas estava de passagem e resolvi vim falar com você. Já que quando fui a biblioteca, curiosamente você não estava lá... Parecia até que estava fugindo de mim — cerrou o olhar — Ao contrário disso, encontrei uma outra pessoa. Custa-me acreditar, mas estava à sós com ela naquela sessão? — se o Uchiha não conhece o moreno, até julgaria que aquilo era ciúmes. Mas jamais poderia ser, não vindo dele. Ou poderia? Abriu lentamente os olhos ônix e através do brilho da lua, viu os olhos perolados cerrados em sua direção. Sim, Neji estava com raiva. Mas porque? Teria ele um interesse pessoal na Mitsashi? — Pelo visto você tem apreço pelas alunas de medicina... Bem, espero ter mais cuidado dessa vez. Pelo que me lembro, a última não teve um final feliz. — tentou disfarçar, voltou sua atenção para o vidro transparente como quem não quer nada. Entretanto, ao ouvir a insinuação o moreno de cabelos curtos sentiu o sangue ferver. Maldito Anjo!

– Claro, não depois do que você fez com ela — ralhou Sasuke com os punhos cerrados. Neji franziu o cenho, mas não o olhou. Então ele sabia afinal?

– Hm! Só estava fazendo meu trabalho. Era a minha missão, afinal... Jiraya recebeu ordens e não pode fazê-lo, então passou o trabalho sujo pra mim — falou sem muito ânimo e dando de ombros. Sentia a fúria do Demônio prodígio crescer dentro do mesmo. Aquele que fora criado para ir contra os planos do Céu, aquele que fora criado para bater frente à frente com o Anjo prodígio... De frente com Tenten.

– Trabalho ? Você fez aquilo por puro prazer. Se divertiu vendo ela sangrar até a morte... Seu desgraçado! — gritou a plenos pulmões. Entretanto Neji não mudou sua expressão.

– É.. Tem razão — riu com os olhos — Mas a verdade é que a culpa no fim, é toda sua. Afinal, foi você quem desacatou a ordem de seu tutor e se envolveu com aquela humana podre — falava com nítido nojo ao se lembrar da garota, a qual era pegajosa até demais.

– Não fale assim dela! — gritou novamente, o Hyuuga manteve sua expressão indiferente. O ódio do Uchiha não lhe atingia. Na verdade, gostava de ver a preciosa criação do Orochimaru perder a cabeça.

– Ponha-se no seu lugar pirralho, não me custa em nada matar você — falou com a mesma expressão. Apenas arqueando minimamente a sobrancelha enquanto falava — Mas deixe-me falar algo para você... — aproximou-se e puxou o Uchiha pela gola da camisa, quase o pendurando pelo pescoço — A Tenten é minha... — e o soltou bruscamente, um som abafado ecoou pelo local quando o Demônio caiu e derrubou a cadeira mais próxima junto, ocasionalmente quebrando-a e cortando-lhe o pulso direito. Quando o rapaz recuperou os sentidos e voltou à realidade, o Hyuuga não estava mais presente.

Notas finais
E entãaao? Entenderam mais ou menos como é? O passado dos Hyuuga's será algo que nó mais pra frente será revelado. Decidi falar um pouco sobre os outros pontos no começo. Algumas partes - a maioria - desse capítulo foi implantada a medida em que eu escrevia. Me vi num grande dilema, afinal, já começo a revelar algumas coisas. E fiquei pensando se colocava isso e iluminava a cabecinha de vocês logo, ou deixava sofrendo por um tempo :c Enfim, meu lado bonzinho demais venceu :3 Comentem ok ? Me inspirem, os próximos capítulos já estão sendo maquinados na cabecinha da tia Janna. Escrever é só questão de inspiração :p