Amaldiçoado
4 Capítulo IV - Sombras do Passado
Notas iniciais
Já haviam se passado três semanas desde que Neji dera o trabalho para Tenten como forma de recuperar a nota perdida e as faltas. A jovem Mitsashi não saía mais de casa, dedicando-se totalmente à suas responsabilidades. Tinha plena consciência de que se reprovasse naquele semestre, estaria em sérios problemas. E na faculdade tudo continuava muito igual, exceto talvez, pela entrada de alguns alunos novos no Bloco em que eles estudavam.
Pelos corredores do prédio uma jovem de longos cabelos azulados e expressões delicadas, andava lentamente com um papel em mãos. Havia acabado de sair da sala do coordenador e este lhe dera o horário e as informações que ela precisaria para chegar à sua sala. Caso não encontrasse mesmo assim, pedisse informação à algum estudante.
Entretanto a timidez da jovem era notória, ela tentava se aproximar de algumas pessoas, mas seus pés sempre travavam e ela terminava optando por continuar sozinha. Andou pelos corredores da enorme Universidade por vários minutos afinco. Mas nada. Suspirou dando-se por vencida e em seguida se dirigiu até o pátio onde os alunos do Bloco se reuniam. Quem sabe não desse a sorte de encontrar seu anjo de guarda para salva-la. Um sorriso tímido brincou nos lábios da pequena mulher, afinal, sua função ali era ser o Anjo de Guarda de um outro alguém. Todavia a questão era, será que estava realmente preparada para isso ?
Durante todos os anos de sua vida ela foi criada em um duro treinamento, era esse o grande diferencial dos Hyuuga, todos os seus possuíam uma habilidade única de percepção e claro, muita resistência. Era por isso que até mesmo as mulheres eram treinadas para as missões e batalhas que o Céu determinava. Os olhos incolores se dirigiram quase que automaticamente até o azul do céu, nunca havia ido realmente lá. Tinha uma enorme curiosidade de saber como era. Sonhava com o dia que seria útil em alguma para eles assim como seu pai, seu tio, ou até mesmo seu primo... Aquele que deserdou à vários séculos. Na vida que compartilhou ao lado de Neji, ela percebeu que o Hyuuga era muito bem disciplinado, treinado, frio e calculista. Parecia sempre ter a solução para os problemas que enfrentavam em meio às batalhas. Só havia ido à uma missão oficial com ele, mas se não fosse pelo mesmo, ela teria sido um fracasso.
Lembrava-se como se ainda vivesse nos dias em que o rapaz de longos cabelos castanhos e escuros se levantava antes do nascer do sol para treinar, seu maior objetivo era ser mais forte que seu pai. Ele sempre o desafiava, mas Hizashi era muito forte, talvez mais forte talvez até que Hiashi, seu pai. Depois de tantos anos de persistência ele o ganhou em uma luta justa. Neste dia Neji foi tido como o guerreiro mais forte de seu clã, pois, logo após vencer seu pai, ele desafio o tio. Vencendo-o com tal habilidade invejável.
Todavia numa missão que o jovem prodígio fora enviado, ocorreu a desgraça. O sumiço apavorou a todos do clã, alguns temiam que quem quer que o tenha levado, poderia facilmente acabar com todos eles. Neji sumira misteriosamente e meses depois reapareceu no deserto do Saara, o corpo já parcialmente coberto pela areia foi encontrado por um dos Hyuuga que ainda estava fazendo rondas para encontrá-lo, mesmo que suas esperanças se esvaíssem a cada dia que se passava. E foi nesse dia que o filho de Hizashi teve sua alma marcada para sempre com um selo que aprisionava sua mente e sentidos. Sua testa estava enfaixada com um pano de seda. Em seu peito um pingente oval pendurado por uma corrente de ouro, a pedra de rubi. Era uma peça perfeita, polida e assimétrica. Os olhos do Hyuuga mais novo brilharam ante a luz vermelha que o mesmo emitia. Assustado com aquilo, o rapaz levou Neji de volta para o Clã o mais rápido possível, o mesmo passou mais dois meses em coma. E antes mesmo de acordar, o colar misterioso sumira. Dor e sangue marcaram aquele dia...
O dia em que Neji perdera o controle dos cinco sentidos, tudo culpa do maldito selo. Selo este que trouxe tamanha desgraça para o Clã Hyuuga e a perda de dois dos seus maiores guerreiros. Hizashi e o próprio Neji. Agora só restara seu pai, um dos três renomados e de alta confiança do Céu.
Furioso ele foi embora do Clã, praguejando e ameaçando a todos os sobreviventes que um dia voltaria. Voltaria para terminar o que começou. Após isso não se soube mais do seu paradeiro, alguns diziam que ele havia morrido, outros alegavam que se juntara as forças do mal. Mas a verdadeira história era um mistério.
A jovem de cabelos azulados suspirou e voltou a fitar o chão. Não tinha proximidade com o primo, ele era fechado demais para as pessoas. Mas ainda assim era seu primo, se importava com ele e gostaria de saber se ele estava bem.
– Procurando alguma coisa, mocinha ? — a voz arranhada e baixa, assim como o hálito quente próximo ao seu ouvido fez a jovem virar-se bruscamente na direção da mesma. Os olhos arregalados e a respiração descompassada para o rapaz loiro que a encarava com cara de poucos amigos
– Vo-Você é um demônio– disse ela recuando dois passos quando ele avançou um
– E você é uma Hyuuga, não é ? — a expressão dele não era nada satisfeita
" Hinata, lembre-se: Nesta missão você estará sujeira à qualquer coisa, não sabemos o que estar atrás dessa jovem, mas é sua missão protege-la e traze-la em segurança para nós. Não se acanhe, você é uma Guerreira Hyuuga, está preparada para enfrentar qualquer coisa. E o mais importante, não demonstre sua fraqueza " as palavras de seu pai vieram a sua mente como um sopro, quase pode ouvi-lo sussurrar em seu ouvido. Instintivamente ela deixou a postura firme e ereta, ergueu o queixo e pigarreou para começar a falar. O loiro observou atentamente a mudança na moça, e embora fosse uma inimiga, não podia negar que aquele jeitinho lhe atraiu.
– A forma como fala, parece saber muito sobre nós... — parou de gaguejar, bom começo!
– Tenho minhas fontes — falou e ela mirou os olhos azuis do rapaz impertinente à sua frente, semicerrando os seus. Parecia tentar ver além do que as orbes claras do loiro lhe mostravam, mas foi em vão — Agora vamos, diga, o que uma Hyuuga faz aqui ? — indagou mirando-a com cuidado e ela franziu o cenho azulado
– Isso não é de sua conta! — a forma rude como respondeu irritou o loiro que rapidamente segurou os ombros delicados e a prensou contra uma parede, forçando seu corpo sob o menor e mirando com fúria os olhos levemente arregalados da moça
– Você tá achando que é quem, mocinha ? Aqui ninguém vai salvar você, estamos em um local isolado, perdidos do resto do mundo... — forçou seus braços, segurando o rosto da Hyuuga que tentava a todo custo se libertar. Com certa indelicadeza ele ergueu o rosto diminuto da jovem, o olhar perolado possuía um brilho assassino. Mas ele sabia que ela não tentaria fazer nada ali, no meio de tanta gente. Já ele...
– Ei — sentiu um empurrão que o pegou desprevenido, jogando quase que do outro lado do corredor — Solta ela imbecil! — os olhos do loiro se voltaram para o intrometido que havia interrompido o momento. As orbes azuis analisaram com cuidado a fisionomia do moreno à sua frente, parecia estudá-lo
– Quem você pensa que é ? — a voz saiu tão grave que por um momento ele jurou que a besta que vivia em si que falava em seu lugar. Como odiava ser interrompido!
– Eu sou alguém que você não vai querer se meter — falou se aproximando e encostando a ponta do dedo indicador no ombro do loiro que apenas desviou o olhar para o local e rapidamente voltou a fitar o intrometido. Cerrou seu punho direito, pronto para mandar aquele maldito para o quinto dos infernos pela ousadia quando...
– KIBA! — duas vozes femininas disseram em coro, chamando a atenção dos três que estavam presentes
– Oi Tenten, Tema... — falou ao ver as amigas chegarem correndo, estavam ofegantes e aparentemente preocupadas. Kiba já havia se metido em confusão demais, o coordenador avisara que mais uma vez e ele seria suspenso. Só voltando as aulas acompanhado do pai ou da mãe, mas ambos estavam viajando a negócios.
– O que houve ? — indagou a loira passando as orbes azuladas pelos três presentes, franziu o cenho ao ver a menina de cabelos azuis e lisos cabisbaixa encostada na parede. Não se recordava dela. Muito provavelmente seria uma novata
– Esse imbecil está abusando a garota — falou apontando para a mesma que apenas deu as mãos num gesto tímido em frente ao corpo, não tinha coragem de fitar os presentes. Ainda não sabia como se portar perante os humanos. Seu pai lhe informara que era bem mais difícil de lidar com eles do que com os Anjos. Mas um sentimento de admiração cresceu dentro de si para com o jovem que a salvara das mãos do demônio, era algo como gratidão. Embora o mesmo não soubesse onde estava se metendo. Ele quis ajuda-la.
– Como é que é ? — o loiro cerrou os punhos e deu um passo na direção do moreno que não se intimidou com a proximidade e o encarou de volta
– Ei você... É Naruto Uzumaki, não é ? — Temari se impôs, o dedo indicador apontado na direção do loiro que a olhou curioso
– Sim, eu mesmo! — respondeu sem se importar em saber quem era ela
– Conhece esse babaca ? — quis saber Kiba
– É, ele está na mesma sala que eu. É novato, chegou semana passada — ela falou simplesmente. Os olhos selvagens do Inuzuka se voltaram na direção do Uzumaki
– É novato ? — um sorriso esnobe brotou nos lábios do rapaz — E já acha que pode fazer o que quiser ? Olha... você deveria respeitar os veteranos — deu ênfase nas palavras ao mesmo tempo em que o olhar do loiro faiscou. Por um momento Kiba pôde jurar que viu um brilho avermelhado e feroz sair do mesmo, mas manteve a postura
– Ora seu...
– PAREM! — a voz chamou a atenção dos machos que tentavam se impor perante o outro. Os olhos negros e azuis se voltaram para a jovem de cabelos castanhos. Naruto franziu o cenho, já havia visto aquela garota em algum lugar — Que coisa feia... Kiba, não deveria tratar assim os outros alunos, sabe que não pode levar outra advertência — ralhou com o amigo — E você... Na..Na..
– Naruto — falou Temari
– Isso! Naruto! — exclamou — Não fique paquerando a pobre moça, está claro que ela não quer nada com você. Aprenda a ser um bom perdedor — as palavras fizeram a boca do loiro se abrir minimamente, ele ia responder à altura. Mas ela se virou de costas e seguiu para perto da Hyuuga que se mantinha cada vez mais acuada ante a situação — Olá... — falou de forma amigável, parecia tentar domar um animal assustado — Não se incomode, ele não vai mais perturba-la, está bem? — Hinata franziu o cenho diante das palavras da jovem, ainda não havia erguido a cabeça. Mas assentiu com um menear. Sentia o rosto queimar e sabia que corava, mas não sabia porque — Qual o seu nome ? — indagou
– Hi-Hinata — a fala foi um sussurro quase inaudível, se Tenten não estivesse próxima o suficiente dela, certamente não teria escutado
– Hinata! — exclamou e sorriu — Que nome lindo! — Kiba e Temari se entreolharam, daquele jeito a garota acharia que eles eram esquisitos. — Prazer Hinata — a jovem de cabelos azulados viu a mão estendida para si, sabia que aquilo era um sinal de cumprimento entre os humanos, mas ainda se sentia insegura — Eu sou Mitsashi Tenten — ao ouvir aquele nome a moça arregalou os olhos e instintivamente ergueu a cabeça. Seus olhos perolados foram de encontro aos castanhos, a Mitsashi sentiu uma sensação estranha ao ver as orbes diferenciadas que a novata possuía. Ela já havia visto aqueles olhos, uma única vez. Era os mesmos olhos dele...
– Prazer Tenten — sentiu sua mão ser apertada pela da moça, aquilo pareceu desperta-la do transe momentâneo que os olhos enluarados causaram nela. E ela sorriu para a nova amiga.
– Oh! — exclamou — Isso são seus horários ? — indagou apontando para o papel que estava nas mãos de Hinata. A jovem olhou as próprias mãos e assentiu — E pelo jeito ainda não encontrou sua sala, certo ? — falou num tom sapeca, foi inevitável para a Hyuuga não rir perante a expressão da outra. As mãos dadas na cintura, lembrava muito uma mãe repreendendo um filho. Ela assentiu mais uma vez inclinando levemente a cabeça para o lado e deixando aquele meio sorriso no rosto. Kiba respirou fundo com a visão, a jovem parecia um anjo. — Não se preocupe, deixe-me ver isso... — pediu tocando no papel que a outra prontamente entregou — Olha que coisa! — exclamou — Você está na mesma sala que eu — sorriu, contagiando mais uma vez a novata
– Que bom, não é ? — falou do seu jeito tímido e a Mitsashi assentiu ainda com o sorriso estampado no rosto
– Olha, deixa eu te apresentar meus amigos — virou-se na direção da dupla atrás de si — Essa loira é a Sabaku no Temari, no começo ela é bem chata e irritante, mas com o tempo você se acostuma — brincou
– Ei, eu estou aqui! — ralhou a loira pondo as mãos na cintura e com cara de poucos amigos
– Falei... — comentou Tenten e Hinata sorriu abertamente, os ombros delicados subiam e desciam com o ritmo da risada
– Não liga pra ela — Temari se aproximou e estendeu a mão para a novata — Prazer em conhece-la Hinata — sorriu e a outra assentiu
– O prazer é meu Sabaku no Temari — disse no seu tom mais doce e cativante. Naruto revirou os olhos sentindo a barriga embrulhar numa ânsia de vômito causada pela forma que a garota falou. Anjos...
– Temari. Por favor... — pediu e ela assentiu novamente
– Temari — falou no mesmo tom e a loira abriu um largo sorriso. Tenten revirou os olhos e a amiga lhe estirou a língua
– E esse — puxou a Hyuuga para o outro lado — É nosso amigo e fiel escudeiro, Kiba Inuzuka — apresentou e o rapaz sorriu passando as mãos no cabelo em um gesto nervoso. Em seguida estendeu a mão para a moça
– Prazer em conhece-la Hinata — a moça meneou e segurou a mão firme do rapaz, sentiu a mesma gelada e um pouco suada. Franziu o cenho com aquilo, mas preferiu não comentar. Nunca fora de se intrometer na vida das pessoas.
– Não vai me apresentar também não ? — a voz irritante do loiro chamou a atenção dos quatro. Temari e Tenten se viraram para o Uzumaki com uma expressão nada amigável
– Ponha-se no seu lugar, seu...
– Algum problema aqui ? — a fala da Sabaku foi cortada bruscamente por uma voz grave e firme. Tenten sentiu todos os pelos do corpo eriçarem e mais uma vez aquele frio percorrer sua espinha. Já havia se acostumado com aquela voz grave e sensual, não precisaria olha-lo para saber. Ainda assim todos se viraram na direção do Professor de Histologia
Assim que os olhos perolados da pequena Hyuuga pousaram no primo que parecia não se importar com sua presença ali, ela arregalou suas orbes diferenciadas e sentiu a garganta secar. O que ele estaria fazendo ali ? Será que ele era inimigo ou aliado ? Aliado ? Depois de tudo ? Duvidava muito. Instintivamente ela baixou a cabeça. O que não passou despercebido pela Mitsashi. Aquilo pareceu fazer uma luz se iluminar na cabeça da moça. Claro, certamente eles se conheciam. E embora sua vontade fosse encher a jovem de cabelos azulados de perguntas sobre o homem misterioso que tanto mexia com sua sanidade, era notório o quão a mesma também o temia. Então... Qual era seu segredo afinal ? O que o fazia ser tão distante das pessoas ? E pior, o que era tão terrível que afastava aqueles que tinham esse conhecimento ?
Antes de qualquer um falar algo, o sinal tocou. Instintivamente os olhos perolados do Hyuuga se elevaram um pouco e em seguida se fixaram mais uma vez no grupo de alunos à sua frente. Forçando todo seu autocontrole para não mirar unicamente a jovem Mitsashi. A presença de sua adorável prima não lhe afetava, muito pelo contrário, só mostrava como as forças do Céu estavam tão desesperadas a ponto de enviar qualquer um.
– Vão para suas salas — ordenou indiferente e eles assentiram
– Vem Hina... — falou Tenten segurando o braço da Hyuuga. "Já estão nessa intimidade ?" pensou Neji — Já está na hora de entrar — completou e seguiu junto da novata e dos dois amigos. O Uzumaki ficou olhando na direção dos quatro com cara de quem comeu e não gostou, quando ia se virar para seguir seu caminho ouviu o moreno lhe chamar
– Você não Uzumaki, tenho que falar com você. Pessoalmente! — completou semicerrando o olhar. Uma expressão já muito conhecida pelo demônio da besta e que não lhe incomodava mais. Os dois seguiram escadas acima para uma outra parte do Bloco.
Enquanto isso os quatro amigos seguiam conversando sobre coisas banais em direção à suas respectivas salas. Pareciam alheios à tudo que acontecia. Hinata ainda tentava aos poucos se enturmar com os novos amigos. Deu muita sorte em encontrar sua protegida tão rápido e já conquistar sua confiança.
" O senhor se orgulharia de mim, papai! " pensou a Hyuuga. Mas com isso seus pensamentos se voltaram para o primo. " Neji está com eles...! " baixou a cabeça, certamente aquilo seria mais difícil do que parecia. Se o temido prodígio dos Hyuuga estava naquela missão, certamente era coisa grande na qual estava se metendo.
***
– Vamos, feche a porta — o tom de sua voz não era nada amigável aos ouvidos do Uzumaki. O loiro fez o que lhe fora pedido e seguiu para a janela, abrindo a cortina vermelha com certa força.
– O que foi Neji ? — indagou
– O que foi ? — sua voz friamente calculada — O que foi pergunto eu! — exclamou irritado. Naruto se virou para fitar os olhos perolados que lhe encaravam de uma forma intimidadora, assustadora se ele não conhecesse o Hyuuga
– Há algo que queira saber ? — arqueou uma sobrancelha loira
– O que pensa que está fazendo aqui ? — apoiou suas mãos na mesa e inclinou seu corpo para a frente, o outro suspirou
– Jiraya me mandou, ele quer que eu vigie aquela amiga da garota. A loira — pareceu pensativo — Temari, eu acho... Não lembro bem — respondeu sem rodeios, agora o moreno que arqueava sua sobrancelha perfeita
– E porque exatamente, posso saber ? — Naruto deu de ombros diante da pergunta. Nem ele mesmo sabia quais eram as intenções do Rei do Inferno.
– Só sei que a família dela está envolvida com aquele garoto paranormal — falou simplesmente coçando a barba inexistente — Você conhece o Jiraya. Cheio de mistérios — pôs as mãos nos bolsos dianteiros da calça que usava — E aliás, ele anda se divertindo com as suas meninas se quer saber — um sorriso de quem não se importava brincou em seus lábios e o Hyuuga simplesmente sentou-se
– Não falta mulher no mundo — respondeu indiferente. Neji pareceu pensativo durante alguns segundos. Sua mente se voltou para a prima que agora estudava na mesma sala que a Mitsashi, ela realmente seria um problema na sua aproximação da garota. Mas não pôde evitar sorrir de canto, daquele jeito imperceptível. Poderia ser pior, certamente poderia...
– O que foi ? — a pergunta o fez erguer as orbes peroladas e fitar o loiro que ainda mantinha as mãos no bolso e o olhava curioso.
– Sabia que teriam uma resposta, mais cedo ou mais tarde. Mas Hinata ? — a pronuncia do nome da jovem deixava claro que aquilo o intrigava. " O que eles querem com isso afinal ? " perguntou-se
– Parece não ter muita fé nas habilidades da sua prima, Neji — comentou Naruto observando as feições indiferentes do moreno
– Pareço é... ? — indagou deixando a frase no ar e mirando o dia pela janela de vidro, não admirava em geral a paisagem, só estava pensativo. O Uzumaki entendia perfeitamente o que ele queria dizer com aquilo, não precisaria de complemento. Na verdade, julgava ser a pessoa com quem o Hyuuga mais conversava na mansão onde moravam. Já que este era um homem de poucas palavras. Poucas e precisas.
– Certamente! — exclamou — Eles perderam dois de seus três melhores guerreiros. Hiashi não dá conta de treinar todos os demais sozinhos — as palavras do rapaz fizeram o amaldiçoado fita-lo. Sua vida era tão aberta assim para o público ? Com certeza não! Mas Naruto era impertinente. Claro que já havia ido atrás de todas as informações sobre o seu antigo Clã.
– Hm... — resmungou de forma pensativa — Então isso vai ser mais fácil do que eu pensava... — sorriu perverso. Sorriso este que o Uzumaki só via em ocasiões especiais. Sabia que ali, Neji havia bolado mentalmente o plano perfeito. Os olhos de pupilas distintas e veias elevadas ao lado dos mesmos evidenciavam o primeiro estágio de sua maldição.
– Parece ter muita certeza do que diz — disse simplesmente
– E tenho! — respondeu certo de suas palavras — Hinata é ingenua, sonsa e facilmente manipulável. Será como tirar doces de uma criança — " E ainda vou ganhar meu prêmio com isso. Estou certo, Mitsashi ? " completou em pensamentos
– Você parece ter muita raiva dela — Naruto disse como quem não quer nada
– Raiva não. Nojo! Tenho nojo de gente fraca. E ela é um exemplo vivo de fraqueza. Sempre foi... Uma verdadeira vergonha para Hiashi que era tido como um dos três grandes e ter um filha tão desprezivelmente inútil — falou sem emoção
– Mas é gata. Transaria com ela fácil — jogou o loiro e o cenho do moreno se franziu ante as palavras. Neji olhou para Naruto que o olhava cautelosamente, parecia esperar sua permissão
– Faça o que quiser — respondeu por fim e ouviu o rapaz bater as mãos vitorioso — Mas agora volte para a sua sala, está em uma missão lembra ? — ralhou e o outro revirou os olhos. Mas saiu de lá sem dizer nada, apenas cogitando mentalmente todas as possibilidades de brincar com aquele lindo Anjo.
***
Na hora do intervalo os amigos e a novata seguiram diretamente para o refeitório. Hinata havia admitido que nunca havia provado um Hambúrguer de Bacon, o que Tenten achou um verdadeiro pecado.
– Isso é um disparate — declarou a morena sentando-se ao lado da jovem cabelos azulados e deixando a bandeja com o lanche que a mesma não pedira. Ali só havia coisas que faziam mal à saúde
– Tenten... — chamou Temari no momento em que a morena se sentou ao lado da Hyuuga — Não acha que está exagerando ? — indagou pondo duas batatinhas fritas na boca de uma única vez e olhando para a outra com uma expressão curiosa
– Não, não acho! — respondeu rapidamente — Hina, a não ser que você seja alérgica a algum tipo de comida. É realmente um pecado — a forma séria com que a Mitsashi falou assustou um pouco o pobre Anjo. Pecado para ela era algo realmente sério. E Hinata ainda era inocente demais pra diferenciar aquelas coisas. — Você é alérgica ? — perguntou sem rodeios e ela franziu o cenho, em seguida balançou a cabeça de um lado para o outro — Ótimo, então vamos. Coma! — insistiu praticamente colocando a comida na boca da outra. Temari revirou os olhos e Kiba estava distraído demais comendo o seu lanche.
Ainda receosa a pequena Hyuuga abriu a boca e mordeu uma parte pequena, mas sugestiva do hambúrguer. Depois de mastigar e engolir ela deduziu:
– É realmente muito bom — sorriu e Tenten fez festa. Temari revirou os olhos mais uma vez e suspirou, aquela ali não tinha jeito.
Depois de terminar de comer, Hinata sentiu um mal estar. Em seguida levantou-se rapidamente e saiu correndo do refeitório sem dar muitas satisfações aos amigos. A loira olhou irritada para a morena que deu de ombros. Não imaginou que ela tinha um estômago tão fraco.
A Hyuuga correu pelos corredores até encontrar o primeiro banheiro feminino. Adentrou de forma brusca e em uma das cabines colocou tudo para fora. O gosto amargo em sua boca lhe dava ânsia de vomitar outra vez. Mas apenas se sentou sob a privada e deu descarga, logo após fechar a tampa e pôs uma mão na barriga, a dor se espalhava por todo seu corpo. Tinha certeza que aquilo não fora causado pelo que digerira. Sentiu suas pernas fraquejarem e se caso não já estivesse sentada, certamente perderia a força e cairia. Ouviu a porta do banheiro se abrir, outras alunas entravam no local e conversavam animadas. Hinata não se importaria em prestar atenção nas falas, mas a menção de seu primo a fez ficar em alerta.
– Ainda não me acostumei — disse uma garota de cabelos loiros trançados — Aquele professor, Hyuuga Neji, ele é muito sério. Soube que ele colocou um aluno para fora de sala semana passada — mexia em sua bolsa procurando um batom. Ao acha-lo o abriu e aproximou-se do grande espelho para retocar sua maquiagem
– É, ele é bem rude mesmo — uma aluna de pele bronzeada falou — Ele não veio para minha sala... Infelizmente — fez biquinho — Mas é um gato! Não me importaria nada com aquela arrogância, passaria mais tempo admirando ele do que assistindo mesmo a aula — todas riram
– O Deidara me contou que ele está perseguindo uma aluna de medicina — a terceira do grupo se anunciou
– Sério? Quem ? — a primeira quis saber, a curiosidade notória em suas palavras
– A ex dele, Mitsashi Tenten... — respondeu pegando o batom da outra e passando também
– A ex do Deidara... ? Ah Lucy, sei não. Sabe como é esse loiro. Acha que todo mundo corre atrás daquele projeto de patricinha– a segunda ralhou num tom esnobe
– Eu também achei isso no inicio Bella, mas depois que passei a observar os movimentos dele, percebi que realmente é muito estranho... E ele dá aula pra ela — a tal Lucy se defendeu
– Se é assim, eu sei bem que tipo de aula que ele dá pra ela — o tom malicioso da primeira garota era nítido, e as três caíram na risada mais uma vez.
– Ah, vocês já perceberam também que ele não tira aquela faixa da testa ? — a voz da tal Bella fez as outras se silenciarem
– É... Mas amiga, um homem daqueles fica lindo vestido até de mendigo — riram mais uma vez e em seguida saíram do banheiro.
Sequer perceberam a presença da Hyuuga em uma das cabines. Hinata fechou os olhos e baixou a cabeça. Sabia qual o motivo de Neji usar aquela faixa, lembrava-se praticamente todas as noites daquele dia terrível. O dia em que seu Clã foi atingindo e derrubado por dentro. Dentro dos muros que deveriam protege-los, quando na verdade o perigo se encontrava ao lado deles. Era um verdadeiro fantasma na vida dos Hyuuga's que presenciaram aquelas cenas. E infelizmente ela não estava fora dessa lista.
– Neji... Tenten — sussurrou o nome da protegida, aquela que agora havia se tornado sua amiga. Uma garota tão singular, mas que possuía uma personalidade forte e invejável. Sentiu uma pontada dentro de si. Sabia que as intenções do primo para com a Mitsashi não eram boas.
Respirou fundo e decidiu que já era hora de voltar para os novos amigos, tinha certeza que havia deixado-os preocupados. Levantou-se assim que se sentiu melhor e abriu a porta da cabine. Seguindo cautelosamente até uma das pias. Abriu uma torneira e com as mãos pegou um pouco de água e levou a boca na intenção de acabar um pouco com o gosto ruim. Ao se levantar viu um par de olhos perolados através do espelho que a fez cuspir todo o líquido que havia em sua boca no susto, molhando todo o espelho e borrando seus reflexos. Virou-se rapidamente na direção oposta e sentiu as mãos firmes do Hyuuga segurar-lhe os ombros e empurrar-lhe contra a parede.
– O que pensa que está fazendo aqui ? — a voz calculada e arrogante assustou a pequena Hyuuga
– Ne-Neji... — falou mirando os olhos furiosos do primo — E-Eu... — queria ter controle, mas sabia que era inútil. Neji sabia de suas fraquezas, afinal, quando ela nascera ele já era homem feito. A diferença de idade chegava à pelo menos duzentos anos
– Não teste minha paciência Hinata. Confesso que estou surpreso em vê-la aqui, afinal, nunca imaginei que Hiashi algum dia fosse permitir a saída de sua preciosa filha dos muros do Clã — praticamente cuspiu as palavras na cara dela, a presença da prima lhe irritava profundamente
– Não! — forçou seu corpo e mover-se e com mãos firmes retirou aquelas que lhe apertavam os ombros, em seguida empurrando-o para trás — Eu não lhe devo satisfações Neji. E se você acha que eu ainda sou a mesma garotinha assustada de antes, você está muito enganado! — sibilou entre dentes com o dedo enriste. O Hyuuga arqueou levemente a sobrancelha perfeita, seus lábios brincaram com um sorriso quase que imperceptível ao ver o quão rebelde a filha perfeita de Hiashi havia se tornado. Em outros tempos ela jamais o desafiaria daquele jeito.
– É.. tenho que confessar. Você me parece diferente — falou andando de um lado para o outro — Mas isso não muda o fato de que você jamais poderá me vencer — seu tom esnobe deixava claro seu convencimento
– Isso é o que vamos ver... — aproveitou a deixa em que o moreno se virou e tentou pega-lo de guarda baixa. Através do espelho borrado ele viu a aproximação da Hyuuga e com total habilidade desviou do soco que lhe acertaria a nuca e abaixou-se, girando o corpo e dando uma rasteira que automaticamente levou a garota ao chão. O som foi estridente de sua cabeça batendo contra a cerâmica, os olhos perolados da moça estavam fixos e arregalados no teto devido a dor. Se mantinha imóvel. Neji teve certeza que se não fosse a resistência que ela possuía por ser filha direta de um Anjo, ela teria partido a cabeça na queda.
O moreno se aproximou com um olhar enojado para a pequena mulher que tentava se levantar com muito custo. Colocou o pé ao lado da cabeça da moça, pisando em alguns fios azulados e a impedindo de levantar-se. Mesmo praticamente derrotada ele ainda podia ver o brilho de determinação que havia nos olhos dela.
– Não se meta no meu caminho... — e se abaixou segurando os cabelos lisos com certa força, machucando ainda mais a garota — Caso contrário não verei problema algum em arrancar seu coração e entregar para os cachorros comerem — ralhou com um olhar ameaçador. Em seguida usou o dedo indicador e médio para tocar a testa da Hyuuga. E embora o toque houvesse sido simples, o impacto que o mesmo causou foi tão grande que quando a cabeça dela caiu, — mais uma vez — sentiu como se houvesse caído de um prédio de dez andares. O que fez o Anjo apagar automaticamente.
Neji se levantou e olhou para o corpo inerte da prima com nojo. Apenas seus olhos transmitiam aquele sentimento, pois sua face estava disfarçada com sua máscara de indiferença. Seguiu até a pia e abriu uma torneira, com as mãos molhou toda a extensão de mármore branco e em seguida derramou água no chão. Sua intenção era fazer parecer que Hinata havia sofrido um acidente. Onde ela estava desatenta e não havia visto o chão molhado, escorregando e caindo, batendo a cabeça no processo e apagando no mesmo instante. Após terminar o trabalho, olhou mais uma vez para o corpo da jovem, agora parcialmente molhado pela água do chão e sorriu de canto. Hinata era tão fraca que não dava nem gosto tirar sua desprezível vida. Logo em seguida ergueu o queixo e saiu do banheiro feminino, verificando se não era visto no processo.
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