Amaldiçoado

3 Capítulo III - Primeiro Contato


Notas iniciais
Oi pessoal, bem-vindos mais uma vez. Eu sinceramente achei interessante esse capitulo, não que aconteça algo realmente relevante. Mas sei lá, gostei de escreve-lo. Talvez por estar inspirada :p Espero que gostem, nas notas finais eu explicarei algumas coisas. Obrigada. Boa Leitura!

Era uma sexta feita e a aula já havia acabado. E como já era de costume alguns alunos da Universidade de Konoha se reuniam na Ala 01 que era direcionada ao lazer. Temari e Tenten seguiram para à quadra, Kiba decidiu que iria para a piscina apreciar as meninas de biquíni.

– Eu estou... acabada — Temari falou assim que seus pés tocaram nas arquibancadas e sentou-se de forma desajeitada. Sua respiração estava descompassada e a pele branca havia ganhando uma tonalidade avermelhada devido aos exercícios recém feitos.

– Nem me fale — Tenten também estava cansada, mas não tanto como a amiga. Desde a morte de sua mãe, aquela era a primeira vez que ficara depois da aula para passar um tempo treinando. O diretor da faculdade havia liberado esse tempo extra para aqueles que tivessem vontade de se exercitar um pouco. Todavia sempre ficavam alguns professores para tomar conta dos estudantes. Naquele dia quem estava responsável por cuidar da quadra era Ibiki Morino, o mesmo não parecia nenhum pouco animado por estar ali. Mas não iria contra às ordens de Hashirama Senju, o Diretor — Tenho a sensação que vou passar dias dormindo — falou a morena enquanto massageava o pescoço com movimentos rápidos dos dedos finos. Tenten estava com uma calça legging preta que evidenciava suas pernas grossas e o bumbum empinado, e apenas uma regata simples azul marinho. Temari por outro lado estava com um top que costumava usar para ir à academia e que deixava em evidência a barriga lisa, e um short saia que era parte do conjunto.

– Soube que o novo professor de vocês é assustador — ela comentou bebendo um gole de água gelada de sua garrafa térmica. Tenten estancou ao lembrar-se do homem misterioso que havia se identificado como Hyuuga Neji

– É... Um pouco — disse sem jeito e desviando o olhar

– Mas também soube que ele era um gato — brincou olhando os meninos correrem pela quadra e secando à água que escorrera pelo canto da boca com as costas da mão. Tenten arregalou os olhos na direção da loira que ao notar a expressão assustada – e irritada ? - da morena, franziu o cenho — O que foi ? — arqueou a sobrancelha loira e a outra piscou algumas vezes voltando pra realidade

– O que ? Nada... — disfarçou cruzando os braços e a amiga sorriu de canto mordendo o lábio inferior, Tenten estava visivelmente nervosa

– Hmm... Então quer dizer que o substituto do Guy acertou a flecha do cupido em você ? — insinuou como quem não quer nada

– O-O q-que ? — ao ouvir a outra gaguejar ela entrou em uma crise de risos, jamais havia visto Tenten tão nervosa com a menção de um homem antes — Te-Temari! — ela bateu o pé enquanto a loira já sentia os olhos lacrimejarem de tanto rir e batia palminhas animadas

– Oh meu Deus! Eu não acredito que estou viva pra presenciar esse momento — ela brincou pondo a mão no peito enquanto olhava a morena que a assassinava com olhar, tinha certeza que Tenten imaginava mil e uma maneiras de como torturá-la naquele momento

– Temari — sua voz era quase um sussurro e a entonação da mesma demonstrava que a morena usava todas as suas forças pra não estrangular a amiga ali mesmo — Pare já com isso! — bateu o pé nervosa, o que só resultou em uma nova crise de risos da amiga — O que eu fiz para merecer isso ? — cruzou os braços nervosas e em seguida suspirou se dando por vencida — Tudo bem! — levantou às mãos, Temari parou para observa-la — Eu confesso tá, ele é um gato... Mas... — baixou o olhar e dessa vez a loira notou que a inquietação por parte da amiga não era só por causa da beleza do homem

– Mas... ? — falou incentivando-a à continuar

– Eu não sei... Ele meio que me dá medo, sei lá — concluiu sentando-se ao lado dela e baixando a cabeça, só de lembrar dele e de seus olhos misteriosos sentia coisas inexplicáveis, e não sabia distinguir se era bom ou ruim. Na verdade, sequer sabia se ele era bom ou ruim.

– O Kiba me contou um pouco dele... E também ouvi boatos de alguns alunos que por azar pegaram ele também. As primeiras impressões não foram as melhores — comentou a loira pensativa — Mas acho que com o tempo melhora — ela pôs a mão no ombro da morena e sorriu incentivando-a. Tenten olhou de canto para amiga e assentiu com um sorriso fraco. A verdade não era aquela, mas também não sabia como explicar à Temari. Optou por deixar as coisas fluírem e entender melhor o que era isso que sentia ao estar perto do Hyuuga.

– Você não tinha um compromisso hoje ? — indagou curiosa, tentando mudar de assunto. Instantaneamente os olhos azuis se arregalaram

– Ah não! — exclamou se levantando rapidamente — Ten, você vai ficar bem ? — indagou preocupada — Eu preciso mesmo ir, é sobre o Gaara sabe... — tentou se explicar e a outra estendeu a mão como um pedido para que a loira relaxasse

– Calma Tema! Vou ficar bem sim, pode ir — falou e sorriu, sentiu o beijo estalado da amiga na bochecha e em seguida viu a mesma correr em direção ao vestuário feminino. Tenten continuou ali sentada e observando o treino dos rapazes até o fim do mesmo. Vários homens bonitos e exalando testosterona ? Ela que não perderia a oportunidade. Todavia era curioso como muitas vezes se pegou pensando no Hyuuga enquanto olhava os corpos suados e másculos dos estudantes. Todas as vezes travando uma batalha com sua mente para ter controle das reações do próprio corpo.

***

A ilha dos Hyuuga era isolada do resto do mundo, assim como tal não constava nos mapas e não podia ser vista à olho nu pelos humanos. Alguns Anjos costumavam ir até lá quando vinham à terra. Afinal, era a morada dos gêmeos lendários, cujo o mais novo fora brutalmente assassinado e o verdadeiro culpado jamais fora pego. Todavia, independente daquilo, o legado de Hizashi Hyuuga jamais fora esquecido.

Aquele era um dia um tanto quanto comum para os moradores do Clã que com o passar dos anos havia crescido bastante. Os herdeiros dos gêmeos, por possuírem os genes puro dos mesmo, acabaram por possuir a imortalidade. Sua aparência estagnava quando os mesmos completavam vinte e um anos. Na verdade, essa era a idade que eles consideravam a mais propícia para a vida humana. Por esta razão adotaram medidas para que seus exércitos sempre se fortalecessem. Os pequenos guerreiros do Céu começavam um treinamento intenso desde seus sete anos de idade, logo após passariam por uma série de avaliações. Só poderiam participar de alguma batalha ou missão quando chegassem aos vinte e um. Os Anjos que não seguiam estes caminhos, eram encaminhados para outro tipo de afazeres.

Um porta-voz de Hiashi caminhava pela mansão à procura do mesmo. Acabou o encontrando na biblioteca onde o anfitrião costumava passar a maior parte do tempo e fazia suas anotações:

– Senhor Hyuuga — chamou o rapaz ajoelhando-se em sinal de reverencia

– Hm... Oh! Algum problema Kō ? — indagou ao jovem de olhos tão perolados quanto os seus. Na verdade, todos os descentes dos Hyuuga possuíam essa marca única, os olhos. Seu DNA era predominante e ocasionalmente nenhum deles não teriam este diferencial.

– O mensageiro do Senhor Orochimaru está aí, senhor. Disse que tem um assunto importante para tratar e pede sua presença — informou voltando a se levantar

– Um mensageiro do Céu... Bem, então algo de sério realmente está acontecendo — comentou ele levantando-se da poltrona que estava e fechando um de seus livros de anotações — Por favor Kō, informe que eu já estou indo — pediu e o outro assentiu, fazendo uma segunda reverencia e se retirando.

Após terminar de arrumar alguns papéis, Hiashi seguiu pelos largos corredores da mansão em direção a sala de estar. Era lá que o mensageiro aguardava de acordo com Kō. Assim que adentrou o local, viu um rapaz de cabelos acinzentados e presos num rabo de cavalo. Usava um óculos que lhe dava uma aparência nerd.

– Senhor Hyuuga — falou ele com sua voz juvenil enquanto fazia uma breve reverencia ao anfitrião

– Kabuto — estendeu à mão direita ao rapaz que prontamente apertou-a — O que o trás até aqui ? — indagou curioso indicando um lugar para o mensageiro sentar-se

– O senhor Orochimaru me enviou. Está uma verdadeira algazarra no Céu, Hiashi — disse ele pondo a mão no queixo pensativo — Eles perderam a localização da filha de Dan — comentou. Os olhos perolados se arregalaram minimamente

– Mas como isso foi acontecer ? — perguntou ainda com a expressão surpresa e ele balançou negativamente a cabeça

– Sabe que ela sempre foi protegida pela mãe, não é ? — o Hyuuga assentiu — Pois bem, a mãe dela morreu Hiashi. O que a mantinha à salvo de ser detectada pelos demônios ou até o Jiraya era um colar de rubi que a sua mãe possuía. Sabe, essa pedra é muito utilizada em rituais... O próprio Dan que deu a ela.

– Eu sei bem disso Kabuto — cortou rapidamente lembrando-se que foi devido à um amuleto que continha essa pedra, que seu irmão morreu. Mas quem tinha seu domínio era um verdadeiro mistério. Seu sobrinho deserdou do Clã após o ocorrido. O melhor guerreiro que os Hyuuga já tiveram, melhor até mesmo que ele e o próprio Hizashi. O rubi também era usado como jóias. Na antiguidade, a população acreditava que ele trazia boa sorte e espantava os males terrenos.

– Aparentemente a Senhora Mitsashi não conseguiu suceder o colar para a filha antes de morrer. O que nos leva a crer que ela foi brutalmente assassinada... — ajeitou o óculos com o dedo indicador, parecia pensativo

– Acha que os demônios mataram a mãe dela ? — indagou Hiashi surpreso pelas revelações e o mensageiro negou com a cabeça

– Acho difícil. Algo me diz que foi alguém que sabia de sua localização... Não só eu penso assim, a Senhora Tsunade e Dan também. Ele ainda está impossibilitado de descer à terra novamente. Não pode procurar a filha

– Deixe-me adivinhar, vocês querem que façamos isso... — sugeriu o Hyuuga e Kabuto suspirou

– Não me leve à mal Hiashi, mas eu preferia que alguém do alto escalão o fizesse. O Senhor Orochimaru se ofereceu, mas Tsunade acredita que há um traidor no Céu e por isso pediu ao meu senhor que me enviasse aqui — explicou

– Entre vocês... Um traidor ? — não pode conter sua surpresa com a revelação e o rapaz assentiu

– Eles não querem chamar atenção — sussurrou aproximando-se do anfitrião como se não quisesse que ninguém mais os ouvissem — Será que é pedir muito que o senhor mande alguém em busca dessa garota ? Será que um grande desastre se ela cair em mãos erradas — concluiu no mesmo tom

Hiashi apenas se levantou e caminhou de um lado para o outro pensativo. O que o jovem falava era bem verdade. Afinal, Dan não havia tido uma filha à toa. Ele não faria isso apenas por diversão. Ainda mais por ter um sentimento recíproco por Tsunade desde que se conheceram. Massageou as têmporas enquanto fechava os olhos de forma pensativa. Queria ele mesmo poder ir em busca dessa jovem, mas sabia que chamaria muita atenção daqueles que seguiam seus passos. Tinha plena consciência que Jiraya havia posto algum demônio para saber de tudo que ele fazia, era vigiado constantemente. Todavia havia sim alguém que poderia fazer aquilo sem levantar muitas suspeitas. Afinal, ela jamais havia saído dos muros que cercavam o Clã Hyuuga antes. A probabilidade dele saber de sua existência era quase nula.

– Kō! — chamou o rapaz que aguardava do outro lado da porta. Em menos de cinco segundos a mesma se abriu e o rapaz de olhos perolados adentrou olhando Kabuto de canto, algo no mensageiro não o agradava

– Sim senhor Hyuuga ? — indagou ajoelhando-se em sinal de reverencia

– Chame Hinata aqui, agora! — ordenou e o rapaz franziu o cenho com o pedido, mas fez o que lhe era mandado.

***

Na segunda-feira houve uma pequena reunião dentre os professores do Bloco C. Apenas para reorganizar os horários e algumas funções dos alunos que estavam quase reprovando. Já estava na metade do segundo semestre anual e muitos estudantes ainda tinham notas em branco nos boletins.

Após o término das aulas, Temari pediu para Tenten esperá-la na faculdade. A loira havia saído uma aula antes para ir até o prédio do irmão. Os problemas que ele estava enfrentando estavam cada vez piores e a namorada também não ajudava. Ficou de buscar a amiga assim que fosse possível, e que caso não conseguisse chegar antes dos portões fecharem, a morena pegasse um táxi até o seu apartamento. Entretanto Kiba se ofereceu prontamente para dar uma carona à amiga.

E era para o estacionamento do prédio que Tenten se dirigia naquele momento. Nem prestava muita atenção no seu caminho, procurava seu celular na bolsa para ligar para Temari. Queria saber como a amiga estava e se estava tudo bem. Estava próxima da saída quando sentiu um repentino puxão em seu braço e em seguida seu corpo ser empurrado bruscamente contra a parede e presado contra a mesma.

– Princesa... — disse-lhe em seu ouvido, não precisava olhar para sabem quem era

– Afaste-se de mim Deidara — sibilou tentando empurrá-lo inutilmente. Seu corpo diminuto não tinha forças contra o loiro à sua frente

– Qual é Tenten... Não me diga que ainda guarda rancor por causa do que houve entre mim e Karin ? — indagou curioso e com uma sobrancelha loira arqueada. Deidara era um antigo ficante de Tenten, não houve nada sério entre os dois e a única vez em que ele teve coragem de pedi-la em namoro ela negou alegando que ainda não era hora. Mas na verdade a morena não era apaixonada pelo loiro, apenas o achava interessante. Isso claro antes de descobrir que ele começou a se envolver com Karin, uma ruiva que estudava no Bloco B, após o pedido negado. Apenas para fazê-la ciumes. O que foi perda de tempo.

– Pelo amor de Deus, Deidara! — exclamou tentando empurra-lo mais uma vez — Já falei que não guardo rancor de nada. Lembra que fui eu que não quis namorar ? — sorriu cínica ao ver a expressão enfurecida do loiro, ele não havia esquecido ela e deixava isso bem claro sempre que se encontravam

– É princesa, mas isso é tudo orgulho seu... — disse num tom baixo e segurando o queixo da morena, forçando-a a olha-lo — Porque eu sei que no fundo você ainda é louca por mim — sussurrou olhando fixamente para os lábios carnudos e entreabertos da jovem, estavam rosados e convidativos. Deidara não perdeu tempo e de forma lenta e sensual foi se aproximando dela. Ele conhecia melhor que ninguém aquela morena, cada manha, cada desejo e cada mania. Sabia onde tocar e o que fazer para deixa-la louca. Afinal, ele fora seu primeiro. E mesmo negando para todos, queria ser o único. A essa altura Tenten já não tinha mais forças pra tentar afasta-lo, ele segurava sua nuca e tocava com a ponta dos dedos sua cintura, causando-lhe cócegas. Ela amava isso.

E então, um pigarreio impediu as bocas de se encostarem no último segundo.

Os olhos azuis e castanhos viraram na direção do homem que os olhavam com uma expressão indiferente. O par de olhos enluarados alternaram o foco entre a moça visivelmente constrangida, e o loiro de braços cruzados e cara emburrada. Deidara xingava mentalmente o Hyuuga por ele atrapalhar o momento. Quem ele pensava que era ?

– O que foi ? — perguntou nervoso ao sentir o peso do olhar do moreno sob si. Neji arqueou uma sobrancelha perfeita e deu uma breve olhadela na direção de Tenten que tinha uma expressão surpresa pela forma como o loiro falara com o professor — Vai ficar aí o resto do dia encarando nós dois ? — era claro que ele queria uma resposta. Todavia Hyuuga continuou calado, apenas fitando os olhos azuis. Tentava ao máximo manter sua pose indiferente, mas por dentro sua real vontade era arrancar o coração do desgraçado pela garganta e vê-lo implorar pela vida. Ninguém falava com ele daquela maneira. Jamais!

No entanto o que mais o intrigou foi o fato de que não fora a forma com a qual ele havia falado consigo que o irritara. Na verdade, ao vê-lo prestes a tocar os lábios da Mitsashi, teve vontade de empurrá-lo para longe dela bruscamente. Naquele momento Neji imaginava o que faria com ele em sua sala particular de tortura. Parte de sua diversão diária.

– Senhorita Mitsashi — ele apenas desviou o olhar na direção da jovem que pareceu estancar ao ouvi-lo pronunciar seu nome — Poderia me acompanhar por gentileza ? — Tenten trocou um último olhar com o loiro, Neji se perguntou o que havia entre os dois. Será que eram namorados? Não, não poderia ser. Ou poderia ?

– S-Sim senhor — afirmou balançando a cabeça. "Droga, começou Mitsashi ?" pensou a morena ao perceber como falara. Neji apenas se virou e caminhou dentre os corredores em direção à sala dos professores. Tenten o acompanhava um pouco mais atrás. Ainda tentava processar o que havia acabado de acontecer. Na verdade uma parte de si queria sim ter beijado Deidara. Ele fora sua única experiência sexual na vida, mas jamais se arrependeu. E preferia ter ficado ali, com ele, ao invés de ter que seguir para um lugar que nem sabia onde, com o Senhor Neji Assustador Frio Perigoso Sedutor Hyuuga. Será ? Sequer sabia mais o que realmente queria.

Os dois se aproximaram do destino e atravessaram a porta, a qual o Hyuuga havia deixado aberta para ela. Ele primeiro e ela depois, como uma mensagem silenciosa para que ela o fizesse. Em seguida o mesmo fechou a porta e caminhou na direção de uma mesa que ali havia, cheia de papéis.

"Qual a necessidade de fechar a porta ?" indagou-se mentalmente olhando para todos os lados e procurando uma rota de fuga caso fosse necessário.

A Mitsashi optou por ficar à poucos centímetros da saída.

"Pelo menos ele não trancou, caso contrário eu estaria surtando" pensou baixando a cabeça. Não queria ficar à sós e num local tão escuro e silencioso com aquele homem misterioso. Ou será que queria?

As janelas da sala estavam fechadas e as cortinas vermelhas faziam seu trabalho de esconder o belo dia que estava fazendo.

"Porque vermelho ?" na concepção da morena, aquilo dava um ar assustador – e quente - para as paredes brancas que se tingiam de vermelho devido à sombra do sol que pousava no interior da janela cortinada. Toda a sala mais parecia um lugar onde os amantes secretos se encontravam e passavam por longas horas à trocar suor, lágrimas e gozos. Um motel. E lá estava ela, ao lado de um homem que mal conhecia, mas que incrivelmente lhe atraia de uma forma perigosa. Era como se algo dentro dele sugasse toda sua sanidade e a tragasse para seu mundo repleto de dor, desejo e amor... Amor?

Balançou a cabeça de um lado para o outro algumas vezes no momento em que se deu conta do rumo que seus pensamentos estavam tomando. Como podia pensar isso de alguém que nem conhecia? Era injusto e sujo. Não era de seu feitio.

"Acorda Mitsashi, ele é seu professor. Lembra? E mesmo que não fosse, ele jamais olharia pra você com tantas mulheres melhores e mais experientes. Aquelas que podem conceder à ele em uma noite, o que você não concederia em uma vida" seu lado racional mais uma vez a alertou. Era sempre assim, sempre que se via vacilante próxima a um homem, ela se auto repugnava, se diminuía e se humilhava. Apenas para que se convencesse que não era suficiente para ninguém. Não queria se envolver, e a melhor forma de não se apegar era essa. Assim pensava ela. Dentre todos os homens que tentaram algo com ela, o único que realmente conseguiu convence-la foi Deidara. Mas não ao ponto de fazê-la namorar com ele. Sentia-se satisfeita consigo mesma, com seu "autocontrole". Sentia desejo, era humana afinal. Todavia se entregar era outra coisa.

– Mitsashi Tenten, é isso ? — perguntou indiferente chamando a atenção da jovem. Como se não soubesse de toda sua vida, os papéis e documentos que Jiraya lhe entregara eram chaves preciosas. Perigosas se caíssem em mãos erradas... Mas ele tinha mãos certas ? Entretanto ainda assim, ele sentia que não a conhecia completamente. Algo naqueles olhos castanhos lhe tragava, lhe fazia recuar. Eram como um entorpecente para seu sistema nervoso. E lá estava ele, se perdendo nas orbes brilhantes de sua jovem presa. E que bela presa!

Neji sentiu sua sanidade vacilar no momento em que observou ela entreabrir um pouco os lábios rosados e carnudos, ela sibilou alguma coisa que ele não prestou atenção, perdido na maravilhosa sensação que estava sentindo ao vê-la ali tão assustada. Assustada, porque ?

Ele até pensaria em uma resposta para a pergunta que veio em sua mente, mas novamente sentiu-se vacilante diante dos dentes brancos e perfeitos que aprisionaram o lábio inferior de uma forma até rude. Demônios! Ele quis que aqueles dentes fossem os seus.

– Professor ? — a voz pareceu despertá-lo, os olhos piscaram enluarados rapidamente e ele desviou o olhar da visão que lhe sugava a consciência. Que visão. Pigarreou e automaticamente recobrou sua pose altiva e indiferente. Não sabia como estava olhando para a jovem, mas tinha uma leve impressão que quase revelara seu lado amaldiçoado devido à tensão sexual que seu corpo liberava. Não gostava de ser provocado daquela maneira, ainda mais por uma garota que parecia ser tão ingenua. Ela não o satisfaria... Será?

– Seu histórico consta muitas faltas, não só na aula de Histologia. Além é claro, das notas em branco. Algum motivo específico para isso ? — indagou dando as mãos em frente ao corpo e sentando na beira da mesa dos professores que havia atrás de si.

Os olhos castanhos ficaram opacos. Sim, ele sabia que havia um motivo. Mas não podia simplesmente entregar o jogo. Ali ela era a presa, ele o predador. Tinha a missão de leva-la até Jiraya. Só não sabia o que exatamente o Rei dos Demônios queria com a garota de expressão distante à sua frente.

Tenten desviou a atenção do moreno. Era um pecado pensar nele quando tinha que formular uma resposta coerente. A virilidade do homem não permitia que sua mente racionasse. Mesmo que o assunto fosse sua amada e falecida mãe. Mordeu ainda mais o lábio inferior ao fixar sua visão em um ponto qualquer da sala, pôde ouvir o Hyuuga respirar fundo, parecia tentar se controlar. Se controlar, de que?

Do outro lado da moeda, Neji apertava suas mãos na quina da mesa. Tentava manter sua sanidade intacta, mas ficava difícil em ver tamanha inocência e sofrimento contidos naquele simples morder de lábios. Via os olhos tristes da morena, sabia que ela estava mergulhada em um mar de lembranças dolorosas. E como queria ver aquela expressão tristona se transformar em puro deleite. Queria vê-la implorar. De preferia de quatro em sua cama. E gritando que ele fosse mais fundo. Violando-a, abrindo-a, desejando-a, implorando rouca pra ele não parasse. Gozando-a.

É, talvez antes de entrega-la à Jiraya para sabe-se Deus lá o que, ele poderia se divertir um pouco também. Neji não era tolo, não havia nascido ontem. Sabia reconhecer de longe quando despertava o interesse de uma mulher. E poucas despertavam o seu. Ele era conhecido por ser muito seletivo com suas amantes. As mulheres que estavam com ele, que transavam com ele, sabiam bem disso. Por isso sentiam-se dispostas a fazer o que ele quisesse. Para elas era uma verdadeira honra afinal.

– M-Minha m-mãe... — viu os lábios trêmulos. Sua visão ainda perdida naquele ponto fixo, o chão — Ela morreu — fechou os olhos e mordeu mais uma vez os lábios. Reprimia um choro, lágrimas que queriam corrompe-la mais uma vez.

"Droga Mitsashi!" ele tentava se controlar, mas ela não colaborava. Inspirou e expirou lentamente o ar, que no momento se encontrava pesado naquela sala minuscula. Ela por sofrer com tristes lembranças, o corpo pequeno estava tremulo. Ele por sentir o corpo aquecer, vendo-a daquela maneira, tão frágil e tão inocente. "O que eu quero fazer com você... — fechou os olhos — Você não suportaria"

– Entendo — disse simplesmente e voltando a abrir o par de olhos enluarados. A voz rouca, grave e baixa — Vou propor um acordo à você — a frase fez os olhos castanhos se fixarem nos seus rapidamente. Os ouvidos atentos as próximas palavras do Hyuuga — Quero que estude, faça como quiser, leia livros ou procure na internet. Dentro de um mês você dará uma aula para mim. Sua nota total dependerá de como irá se sair nesta aula — ela suspirou, soltando o ar dos pulmões que nem sabia que segurava — Acha que consegue ? — ela não hesitou em assentir balançando a cabeça para cima e para baixo algumas vezes. Ele ergueu o queixo e a olhou tão indiferente quanto antes. Pelo menos sabia disfarçar na frente dos outros. Isso sempre fora uma qualidade sua — Pois bem, até a próxima aula Senhorita Mitsashi — falou simplesmente

– O-Obrigada professor — ela agradeceu sem olha-lo. Sem esperar mais um segundo ela se virou e abriu a porta, saindo dali com certa pressa.

Neji ficou alguns segundos parado olhando o caminho que a jovem havia percorrido. A inquietação da garota era tão... Demônios! "Controle-se Hyuuga!" fechou os olhos. Em seguida um sorriso de canto, daqueles quase que imperceptíveis aos olhos humanos, brotou nos lábios perfeitos do Anjo Exilado.

– Ah Tenten... — fechou os olhos em puro deleite enquanto se recordava daqueles lábios presos em seus dentes brancos e perfeitos. Sua mão instintivamente passou da coxa direita até o abdômen definido, descendo pelo umbigo e o caminho da felicidade até a virilha por cima da calça que agora prensava seu membro duro e pulsante devido aos pensamentos. Repentinamente os olhos perolados se abriram novamente, seu olhar era frio e calculista, estava pronto para pegar sua presa. Era demoníaco. Era perigoso. Era sedutor. O seu lado amaldiçoado falava mais alto, como de costume quando ele se excitava. As pupilas se tornando distintas e as veias se elevaram perto das têmporas — Você não sabe o que te espera!

Notas finais
Explicações : O Campus é a Universidade em si que é divida em Alas, essas Alas são direcionadas às funções da faculdade. Exe: Ala 1 é direcionada ao lazer como esportes, natação, refeitório e etc. Ala 2 é reservada para os Blocos de ensino. Com o decorrer da fic posso vir à adicionar outras Alas, certo ? Depende muito de como vai se desenrolar e o que for necessário para completar a história. ~ Pelo que vocês podem imaginar esse Campus é enorme, sim, ele é. MUITO grande. É por isso que existe tempo de uma aula para outra, na troca de professores. E também o intervalo deles é maior. Alguns se locomovem de carro lá dentro. Isso vocês poderão ver no decorrer da fic. Perceberam que em alguns momentos o Neji interrompeu seus pensamentos com a palavra " Demônios ". Isso seria a sua gíria para " Por Deus " ou então " Caralho ". Bem, a maldição do Neji seria o Byakugan do anime clássico. Mas aqui apenas ele possui isso, ou seja, nenhum deles tem a marca da maldição ou o Byakugan em si. E também não existe isso de família principal e secundária. Existe dois estágios da maldição do Neji. ~Calma, não é como a marca do Orochimaru não ;-; ~. O primeiro estágio ele pode atingir facilmente, é como ativar o Byakugan. Já o segundo... Bem, mais detalhes disso eu trarei com os próximos capítulos. Os capítulos estão saindo rápido porque eu estou inspirada. Isso pode acabar mudando no decorrer da fic. Então não deixem minha inspiração morrer gente, tenho tantas ideias ;-; Comentem tá ? Deem suas opiniões, críticas construtivas ajudam a melhorar. Obrigada, até mais!