Amada pela escuridão
9 Esquecendo a realidade - parte II
Notas iniciais
Ao me levantar, vi o céu sem cor, cheio de nuvens pela janela. Erick me emprestara um blusão que batia até meus joelhos.
– Bom dia, Baby. – ele estava parado na porta, mordendo o lábio. – Dormiu bem?
– Sim, tudo fica ótimo com você por perto. – sorri, me aproximando, colocando os braços envolta de seu pescoço.
– Você fica tão linda vestida assim. – Erick me deu um selinho. – Vamos comer alguma coisa.
Erick me guiou a cozinha, era espaçosa com a mobilha toda branca. Fui até o balcão e encarei o jornal.
“Aluna do ensino médio, Clara Clark é homenageada por doar 50 mil dólares para instituição” , dizia a manchete acompanhada de um texto e uma foto de Clara segurando a camiseta da instituição.
– Como pode ser tão dissimulada?! – pensei em voz alta, quase num rosnado, pensando em tudo o que ela me fez e bastava ela ter dinheiro e tirar foto com uma camiseta para ser a pessoa mais amável do universo.
De repente, Erick tirou uma faca do lado de sua calça e num movimento rápido, cravou-a na pagina do jornal. A faca era enorme, a lâmina era afiada e cintilava.
– Você não deveria ter visto isso. – Erick suspirou.
Houve um longo momento de silêncio.
– Como deve ser a sensação de matar alguém? – perguntei num impulso, segurando a faca enquanto detonava a pagina, odiosa.
Erick foi para trás de mim, segurou minha mão qual segurava a faca.
– Relaxe e abra sua mente.- pediu. Fechei os olhos, respirei fundo. – Você está vendo sua vitima indefesa, como um nada a sua frente. Você não sente nada. Olha nos olhos dela e crava a faca lentamente, assim como você vê a vida a deixando. – num movimento brusco, segurando minha mão, cravou a faca no jornal novamente.
– Parece que conhece a sensação. Já matou alguém? – perguntei, sem me preocupar com a resposta.
Ele sorriu de maneira sombria.
– E você, minha Isabella, tem vontade de matar alguém? – me encarou.
Apenas sorri.
– Chega de falar de coisa séria. – Erick disse. – Quero te mostrar meu canto especial da casa.
Segui Erick pelo corredor, entrando num quarto cheio de colchões pelo chão, espalhados e uma escrivaninha com um laptop.
– Muito aconchegante. – elogiei, sentando-me num colchão.
– Venho aqui quando quero relaxar e compor. – ele colocou a cabeça em meu colo. – Mas quero que aqui seja também o nosso “ninho do sexo.” – completou de modo sedutor.
– É claro. – mordi o lábio. – Eu fico pasma como as coisas fluem entre nós.
– Nós temos energias muitos semelhantes, Isabella. – Erick pegou minha mão, me olhando nos olhos.
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