Amélia & Bernardo.

1 Amélia (Começo).


Ser adolescente não é nada fácil, talvez venha a ser a pior fase, essa é parte onde você descobre qual caminho seguir, a sua vontade na vida, e outras coisas mais importantes. Eu estava em meus plenos 16 anos, no terceiro ano do ensino médio e totalmente perdida e confusa.

Estava exausta daquela semana escolar, era apenas a primeira semana, mas estava tão empenhada para passar no vestibular que já havia começado a estudar muito cedo. Minhas costas doíam, meu corpo pedia repouso constante. Tinha que arrumar uma forma de fazer com que isso melhorasse, comentei comigo mesma a ironia de que não tinha o poder de fazer aquilo. As coisas naquele sábado estavam meio paradas, não fazia nada além de olhar para o teto, a melhor coisa naquele momento era apenas aquilo mesmo, meu telefone vibrou e eu não estava muito na vontade ver, mas continuou vibrando até que resolvi pegar e ver o que ou quem era. A vibração que tanto me importunava eram mensagens da minha melhor amiga, tinha esquecido completamente que tínhamos marcado de sair com ela, preguiça era como um grande peso em mim e grande parte do meu ser, olhei novamente para o teto e criei coragem pra responder. Consegui remarcar para sair de noite, queria aproveitar o resto do meu dia do mesmo jeito que aproveitava no momento. O resto da tarde se passou sem problemas ou interrupções, o que era raro. Quando estava próximo de dar sete horas, levantei e dirigi-me até o banheiro, a imagem no espelho não era uma das melhores, meus cabelos estavam presos em um coque, meu rosto estava amassado e tinha marcas do lençol no corpo.

Mandei mensagem avisando que já estava pronta e que estaria esperando ela na frente da minha casa. Ela estaria chegando em poucos minutos, porque morava um pouco próximo. Sentei em frente da minha casa na calçada, eu não era muito fã de esperar, mas tinha que dar um credito pra ela, sempre me esperava quando eu acabava me atrasando para algo. Muitas coisas estavam passando na mente, ultimamente a carga estava sendo bem pesada em mim, a pressão estava fazendo com que eu sempre me sentisse cansada ou até mesmo estressada, mesmo não sendo uma pessoa geralmente assim, não conseguia controlar isso e vinha sentindo uma enorme vontade de chorar toda vez. Continuei sentada na calçada esperando-a, depois de pouco tempo ela chegou, entrei no carro dela e seguimos caminho, ela estava com um vestido salmão e usava os seus famosos all stars, que ela pensava combinar com tudo, os cabelos cor de mel estavam presos em uma trança lateral.

—O que você acha?- ela perguntou ainda olhando para frente.

—Acho bem sua cara- respondi olhando para fora do carro.

Ela riu depois que falei aquilo, ela era meio maluca, mas era bem normal depois que se acostumava com aquele jeito de ser. Eu a conhecia há quatro anos, tínhamos trabalhado bem nossa amizade no tempo que havia passado. Ao chegar no nosso destino, deixamos o carro no estacionamento e fomos até a entrada do shopping, nos direcionamos até os elevadores, até porque eu não aguentaria subir as escadas. A fila do cinema e da lanchonete estavam cheias, Milena ficou na fila do cinema e eu fui para a da lanchonete, ficou logo atrás de um casal e na frente de um garoto que parecia não estar curtindo muito a demonstração de afeto do casal.

—Não precisam fazer isso em publico- falou com certo sarcasmo.

Eu não podia negar que de certo modo, eu estava incomodada com aquilo, não precisava ver duas pessoas se beijando, mas não ia atrapalhar aquele momento deles.

—Não precisa ser inconveniente- falei olhando para ele.

Ele apenas revirou os olhos e ficou batendo o pé repetidamente, parecendo uma criança que não tinha ganhado o presente que pediu para o papai Noel ou pro seu pai. Apenas dei um sorrisinho de lado do meu próprio comentário, ele parou de fazer aquilo e ficou me encarando com um olhar de curiosidade. Não olhei para ele e continuei seguindo a fila. Pedi dois cachorros quentes, uma pipoca média pra Milena e dois copos grandes de guaraná, o garoto da fila ficou encarando-me enquanto eu seguia andando para a fila, ela estava me esperando na entrada do cinema com dois ingressos na mão. Dividi o peso com ela, e fiquei com os cachorros quentes na mão e o guaraná em outra.

A sala estava enchendo aos poucos, subimos até a ultima fileira e sentamos nas cadeiras do meio, logo após a sala encher, o mesmo casal que estava na fila, sentou-se na minha frente e ri um pouco da minha ironia. A sala estava quase cheia, olhei pra baixo e vi que uma pessoa ainda estava subindo as escadas para arrumar um lugar, não deu pra ver quem era realmente por causa da escuridão da sala, sentou-se ao meu lado e confesso que não gostei muito. Assim que o filme começou, prestei total atenção nas cenas, comecei a fungar na parte mais triste do filme e ouvi risadas do garoto ao lado. Olhei para ele e a surpresa foi que era o mesmo garoto da fila.

—Sério?- perguntou olhando-me.

—Algum problema com isso?- perguntei de volta.

—Não acredito que você esteja chorando por uma coisa não tem nada de triste.

—O amor da vida dela morreu nos braços dela, você não vê algo triste nisso?

—Não, ela o maltratou o filme todo e no fim, achou que amava ele.

—O filme ainda não acabou, apenas está na metade.

Voltei a olhar para o filme e ouvi mais uma risada da parte dele. Ele ficou batendo o pé de novo e depois olhou para mim que agora estava rindo.

—O que foi?

—Você parece uma criança mimada quando faz isso.

—Talvez- ele respondeu dando um sorriso e olhou para o casal na nossa frente-Novamente, ninguém merece.

—Você é um chato.

Voltei minha atenção para o filme e terminei de comer meus lanches, deixei o meu copo na porta-copos que ficava na frente da cadeira, quando fui pegar para beber, não estava mais lá, olhei para o lado e vi que ele estava bebendo o meu guaraná, apenas queria reclamar com ele, mas como devia permanecer educada, apenas fiquei olhando para ele.

—Quem deu esse direito a você?

—Eu mesmo- bebeu mais um gole e apontou para mim.

—Não precisa mais, pode ficar.

Aquele menino que eu nem conhecia, mas já não conseguia suportar, era irritantemente chato. Apenas queria que o filme acabassem logo para poder sair de perto dele. Assim que acabou, fomos pra algumas lojas de roupas, onde ela comprou sete roupas e alguns sapatos, ela não era rica, mas tinha boas condições, apenas comprei um vestido pra usar na festa do Thomás. O shopping estava quase fechando quando fomos embora, descemos de elevador e chegamos rapidamente na entrada novamente, seguimos nosso caminho de volta para casa.

—Não esqueça da festa amanhã- ela falou- Até amanhã, vá produzida.

Sorri pra ela e fui caminhando pra dentro de casa, minha mãe sorriu para ela e depois saiu da porta, não demorei muito na sala conversando, depois fui em direção ao meu quarto, coloquei a sacola encima da cama, tomei um banho e fiquei encarando-me no espelho, a imagem estava bem melhor do que naquela tarde. Comecei a me arrumar para dormir e apressar aquele dia logo. A festa de Thomás era a mais esperada no começo das aulas, todo ano tinha e sempre acabava surpreendendo, esse ano eu tinha sido convidada por algum milagre, ou seja, eu estava animada demais.

A luz do sol que passava pelas frestas da janela, queimava o meu rosto fazendo com que eu me acordasse, após fazer minha higiene, mandei uma mensagem para Milena perguntando que horas ela viria me buscar. Não demorou muito para que ela respondesse.

“Devo estar chegando de 20h.”

Passei o dia novamente no meu quarto, mas dessa vez estava estudando, estudei mais do que podia e minha mente estava a mil quando percebi que estava morrendo de fome, peguei uma lasanha congelada e coloquei no forno, quando vim almoçar já eram quase seis e meia da noite, terminei e voltei a estudar. O barulho do meu telefone foi a única coisa que me tirou daquele transe, era ela avisando que estava chegando. Corri para me arrumar, deixei meus cabelos soltos, coloquei o meu vestido preto que tinha comprado, coloquei sapatos também pretos, perfumei-me e desci para esperar ela chegar. Meu vizinho estava na porta de casa, esperando algo também, eu não sabia o que era e não tinha o mínimo interesse em descobrir, eu nunca tinha falado com ele e não pretendia, não era por que eu era esnobe ou algo do tipo, o motivo era que ele não era muito de conversar, era mais calado na dele. Ele ficou me olhando por algum tempo e depois se virou para frente. Como eu tinha dito, estranho.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.