Amável

5 Capítulo 05 - Boçal


Notas iniciais
Mil anos depois, eis aí mais um capitulo.

O meu fim de semana estava passando tão rápido que quando me dei conta que já era domingo, o tédio já havia me dominado pois não havia absolutamente nada para fazer. As meninas me esqueceram completamente. Acho que porque eu disse que não iria a festinha de meninas na sexta, mas realmente eu não estava mesmo afim de ir e agora eu quero sair, conversar e fazer qualquer outra coisa, mas parece que elas estão ocupadas demais. Humf.

Troquei pela vigésima vez o canal da tevê com o controle remoto mais não havia nenhum canal bom, nenhum filmezinho se quer. Caramba! Eu estava extremamente frustada, agoniada e não tinha nada pra fazer! Nem meu pai estava em casa, porque como sempre, ele estava trabalhando e a internet fez o favor de não dar sinal de vida hoje.

Fechei os olhos e suspirei pesadamente. Talvez eu leia algum livro... hum.

Já sei! Vou no parque que tem aqui perto. Ainda está claro e o dia está agradável.

É isso que eu vou fazer!

Levantei do sofá rapidamente. Minha vontade de sair e fazer alguma coisa era gritante e ir da uma voltinha no parque já era alguma coisa, afinal.

Fui até ao meu quarto e coloquei uma roupa mais bonitinha e leve, que constituía em um short jeans e camiseta, e um casaquinho também. Vai que depois faz frio, sei lá.

Peguei dinheiro para comprar alguma coisa na rua, um livro qualquer pra passar o tempo, e uma toalha pequena daquelas parecidas com de piquenique e enfiei tudo dentro da bolsa.

Desci e peguei meu celular que estava sobre a mesinha da sala e deixei também um bilhete para o meu pai na porta da geladeira avisando onde eu iria.

Realmente estava um dia agradável. Era um daqueles dias onde fazia sol, mas havia também aquele ventinho que batia geladinho e refrescava o corpo todo.

Sorri enquanto caminhava pela rua e até acenava para alguns conhecidos que me cumprimentavam.

Ficar em casa sozinha era tão chato as vezes, que uma simples voltinha mudava tudo.

Quando cheguei no parque, procurei algum lugar no gramado para me sentar. Havia muitos pessoas ali. Crianças brincando, alguns casais conversando e não imaginava que haveria tantas, sinceramente.

Depois de passar meus olhos rapidamente pelo local, achei um lugar que seria muito bom. Forrei a toalha que eu trouxera num lugar onde havia sombra, embaixo de uma árvore, perto do lago e sentei-me ali. Me encostei na árvore e fiquei olhando as pessoas ao meu redor.

Parei o meu olhar numa criança loirinha brincando com uma mulher igualmente loira que certamente deveria ser sua mãe. A mulher fazia cócegas na criança, que ria gostosamente e então não pude deixar de pensar na minha própria mãe.

As vezes é impossível não sentir falta dela, mesmo que eu fosse muito pequena quando ela faleceu, eu ainda me lembrava dela e do seu sorriso e como ela me colocava pra dormir. Ela era tão linda e posso dizer que sou o oposto dela.

Meu pai diz que sou muito parecida com a minha mãe, ainda que não fisicamente, mas nas mínimas coisas. Ele sempre diz que a minha risada é igual a dela e que quando estou brava, a expressão que eu faço é idêntica a dela. Essas pequenas coisa me confortam um pouco, pois sei que há um pouco dela em mim.

Soltei um suspiro ao recordar-me dessas coisas e desviei o olhar daquela cena, porque de qualquer forma, é dolorido saber que eu não tenho uma mãe para passar seu tempo comigo. Tratei de focar minha atenção em outra coisa e então peguei meu livro que continuei a ler de onde eu havia parado a meses.

Estava tão interdita, que só desviei a atenção do meu livro, quando uma bola de vôlei já tinha me acertado em cheio. Resmunguei um 'ai' e quando estava preste a reclamar com o ser que havia me acertado, acabei deixando as palavras morrerem em minha boca, pois o 'cara' era muito bonito. Olhos e cabelos negros, corpo atlético e ele era muito branco. Seu rosto estava levemente corado do sol.

"Você se machucou? " Ele perguntou ao parar na minha frente,com um ar preocupado. Eu fiquei totalmente sem jeito quando ele se abaixou e ficou bem próximo de mim. Ele era muito mais bonito de perto. Nossa.

"E-eu estou bem." Levei alguns segundos para responder e me repreendi mentalmente quando eu gaguejei. Ele suspirou aliviado e sorriu para mim de um jeito engraçado e eu não pude deixar de sorrir também.

" Me chamo Sai. Desculpe pela bolada." Ele disse meio envergonhado, mas logo estendeu uma mão para mim, num sinal de cumprimento.

"Ah, não. Eu estou bem. Sou Sakura." Respondi ainda sem jeito, mas dessa vez não gaguejei e logo apertei sua mão.

"Eu sei. Somos do mesmo colégio." Ele me conhece? Como eu nunca o vi antes?

"Bom, nos vemos por aí Sakura. E que bom que não se machucou."

Seu olhar demorou um pouquinho no meu antes dele se levantar e pegar a bola que estava ao meu lado. Fiquei um tanto envergonhada por não reconhecê-lo. Nunca o vi antes no colégio. Mas ele é tão bonito... Como eu nunca o vi antes? Ele foi andando, se distanciando, mas antes pronunciou um 'até logo' e eu fiz o mesmo.

'

'

Como eu previra, estava fazendo frio. Um vento gelado vinha, assim como o final da tarde e minha barriga já roncava de fome.

Perdi totalmente a noção do tempo ali. Tanto que em algumas horas, já havia terminado de ler o livro que estava custando alguns meses para acabar.

Depois da bolada que eu levei, não vira mais o garoto. O Sai.

Vou olhar para todos os lados no colégio a parti de agora e espero encontrá-lo outra vez.

Levantei-me do meu lugar e dei uma boa espreguiçada, para logo depois pegar a minha toalha e guardar na bolsa. Olhei no celular já passava da hora de ir pra casa. Pensei que talvez meu pai deveria estar preocupado... Talvez não estivesse, porque se não ele teria me ligado e além do mais, minha casa não fica tão longe assim.

Minha barriga roncou outra vez e decidi não esperar chegar em casa, ia comer algo por ali mesmo.

Andei alguns minutos pela calçada até encontrar uma lanchonete ou algo do tipo que fosse decente. Parei em uma cafeteria chamada 'Coffee". Apesar de seu nome não muito original, parecia ser boa e até me recordei de uma vez um pessoal da minha sala comentar sobre uma cafeteria de nome parecido e dizer que era muito boa. Enfim, deve ser a mesma.

Entrei no local e logo fui fazer meu pedido. Estava com fome demais para continuar escolhendo um lugar para comer qualquer coisa. Pedi um Chocolate quente e um bolinho de baunilha e fiquei sentada ali mesmo, numa das cadeiras eu tinham no balcão.

Quando meu pedido chegou, tomei o chocolate com tanto gosto que não resisti fazer um som de contentamento. Estava realmente muito bom e o bolinho então, nem se fala. Tanto que pedi outro quando já havia comido ele todo.

" Vai ficar gorda assim." Engasguei com a minha bebida quando ouvi aquela voz. O que ele estava fazendo aqui?

"Professor." Falei sem muita emoção depois que me recompus do meu engasgo.

Ele fez um sinal para a garçonete que perguntou se seria o de sempre e ele apenas assentiu com a cabeça. Pelo visto ele vem aqui com frequência. Mas por que será que não estou feliz com isso?

"O que faz aqui sozinha?" Ele perguntou sem muito interesse.

"Comendo." Apontei para o chocolate e o bolinho com uma cara de 'não é obvio?'. Ele riu sarcástico e eu agradeci internamente por aquele ser meu ultimo pedacinho de bolo e ter uma desculpa para sair dali o mais rápido possível.

Não imaginava vê-lo aqui, mesmo que por acaso. Na verdade ele era a ultima pessoa que que realmente queria ver. É claro que eu não esqueci o que aconteceu na sexta, mas também não esperava vê-lo tão cedo. Até agradeço por ele ter me ajudado, mas aquilo foi tão diferente de tudo o que ele tinha sido desde o dia em que nos conhecemos que fiquei totalmente confusa. Desde o primeiro dia, ele tem sido um chato e depois ele acabou sendo legal comigo. Na verdade estou morrendo de vergonha e eu nem sei bem o porquê, mas não iria demonstrar, de fato.

Queria agradecê-lo também, mas estava meio receosa quanto a isso. Queria dizer 'obrigada', de verdade, mas talvez ele não se importasse.

Estávamos em total silêncio. Ele não disse mais nada a mim e logo o pedido dele veio numa sacolinha e ele pagou. Talvez ele não fosse demorar ali também e iria logo ir embora.

Fingi beber o meu chocolate que já nem existia mais e depois de poucos segundos Sasuke levantou-se para sair dali e nem disse um 'tchau'.

Agradeça a ele logo!

Minha mente mandou.

Fiz uma careta pois não sabia se devia agradecer, na verdade sabia sim. Só não sabia como fazer.

Vamos lá! Você consegue.

Me encorajei mentalmente e levantei-me da cadeira um pouco relutante e deixei o dinheiro sobre a mesa rapidamente.

Olhei para a saída ele já tinha ido. Saí dali também e quando vi, Sasuke já estava a alguns bons metros de distância. Minha pernas vacilaram um pouco antes de eu correr sutilmente atrás dele, mas estava determinada a agradecê-lo agora.

"Hey! Sasuke. " O chamei quando consegui alcançá-lo e ele parou assim que me ouviu. "Espere..."

Minha voz saiu um pouco ofegante. Ele anda muito rápido!

Sasuke arqueou uma sobrancelha quando eu parei para respirar.

" O que você quer? " Sempre gentil, mas não dei muita importância para isso.

Respirei fundo antes de dizer e não consegui olhá-lo nos olhos.

"É que... bom.. Como posso dizer?" Ele cruzou os braços sobre o peito, soltando um suspiro impaciente.

"Dizendo." Reprimi uma vontade de revirar os olhos. Ele realmente conseguia ser chato quando queria.

"Calma! Eu vou falar, ok?" Olhei para ele e seu rosto estava sério como sempre, mas sabia que ele queria saber o que eu tinha para falar. Respirei fundo mais uma vez e tomei a coragem necessária. "Obrigada!"

Sasuke fez uma cara surpresa e confusa ao mesmo tempo diante do que eu disse. Ele não tinha intendido o porquê do meu 'obrigada'. Como eu posso acabar logo com isso?

Suspirei e enrolei a bainha da minha blusa com o dedo, nervosa

"Por sexta. Por ter me ajudado." Disse por fim, soltando todo o ar dos meu pulmões. Sua expressão suavizou e então ele deu um mísero sorriso quase impossível de se ver a olho nu.

Fiquei ali alguns segundos esperando a resposta dele, mais tudo o que ele murmurou foi um 'hum' e eu já estava começando a me arrepender de tudo aquilo.

Esperei mas algum tempo e então percebi que ele realmente não iria dizer mais nada. "Ok, então. Até amanhã, professor."

Comecei a andar em direção a onde eu morava, pisando duro, decepcionada e começando a ficar irritada. Será que é tão difícil ser gentil? Nem um 'de nada' ele falou. Mas eu já esperava por isso. Não esperava? As vezes da vontade de socar aquela carinha dele!

Eu sou mesmo uma idiota. Devia ter ficado na minha e bancado a mal educada. Humf.

Não vi para que direção ele foi. Só olhei para trás quando cheguei em casa e para minha surpresa, meu pai não tinha chegado ainda. Fui direto para o meu quarto determinada a nunca mais agradecer aquele boçal. Hunf!

Notas finais
Sei que o Cap. não está uma maravilha, mas... Bom, quem gostou deixe um comentário. Isso ajuda na inspiração e continuação da Fanfic. ;)