Notas iniciais
Espero que gostem! ♥

A segunda-feira chegou e, logo de manhã, Amália já queria que o final de semana chegasse. Desde que entendera que pertencia à La Push, parecia errado morar em Forks, mas, obviamente, ainda tinha Charlie como seu guardião legal.

A manhã passou rápida, ao contrário do que Amy pensou que seria quando acordou. Ver Kyle alegrou sua manhã, mas sentiu uma pontada de culpa ao perceber que não sentira falta dele o final de semana inteiro. Aparentemente, estar na Reserva a tirava da mesma sincronia do mundo.

Era assim que Amália se sentia naquele momento. Numa sincronia diferente de todos os outros ao seu redor. Estava perdida na própria melancolia até que sentiu Kyle apertar sua mão por baixo da mesa. Olhou-o e sorriu docemente. Seus amigos sabiam que eles iriam juntos ao baile, então, não estranhavam essa intimidade.

O resto da aula passou mais tranquilo e, mais uma vez, Amy foi direto à loja. Seu vestido já estava quase pronto. Era de um verde musgo, justo no buço e um pouco mais solto a partir da cintura. Sentia-se bonita usando-o, e parecia confortável para dançar, considerando que ele era soltinho. Dona Lopez havia o projetado afim de não arrastar no chão quando Amália estivesse com os pés descalços, assim ela não se preocuparia em usar um salto muito alto, e desconfortável, na festa.

Quando chegou em casa, foi direto ao quarto para fazer algumas tarefas da escola e separar os exercícios que faria no dia seguinte com Kyle, já que ele teria sua prova de química naquela quarta-feira. Sentia-se cansada e resolveu logo tomar seu banho, para já poder dormir.

Ao terminar o banho e de se arrumar, resolveu descer para comer alguma coisa no jantar, nem que apenas um sanduíche. Perto da escada, trombou com Bella. Percebeu que as duas mal haviam se falado depois da volta de La Push.

— Bella? – A morena levou um susto, acordando de seus devaneios. – Você está bem?

— Oi? Ah, sim, estou bem. – Falou apenas. – Estou cansada, vou ir dormir. Boa noite, Amy. – Falou rapidamente e entrou em seu quarto, não dando tempo para a mais nova responder.

Amália sentiu-se mal. Será que ela fez alguma coisa que deixara Bella magoada?

Porém algo na garota dizia que não era por causa dela que a irmã estava daquela forma. E Amália se preocupava com o que poderia ser.

Jantou um pedaço de lasanha sobrada e subiu em silêncio até o banheiro e escovou os dentes. Quando deitou na cama, dormiu quase que imediatamente, numa noite sem sonhos.

/*

— Hey, hoje a tarde eu vou com Jessica e Ângela a Port Angeles, ok? – Bella lhe falou durante o trajeto à escola. – Elas querem comprar vestidos para o baile e eu quero comprar alguns livros novos.

— Ah, ok. Eu faço o jantar ao Charlie, não se preocupe em voltar cedo. – Amy respondeu.

— Amy, não conversamos muito depois de La Push. – Bella falou a olhando de canto de olho. – O que aconteceu lá?

Amália respirou fundo.

— Eu tenho sangue Quileute. – Amy disse. – Meu pai é primo de Billy Black, esse é o sobrenome verdadeiro dele, inclusive, e não Wesper. – Ela falou ainda um pouco em choque. Seu pai armara tudo para que a ligação com os Quileutes fosse cortada e, mesmo assim, Amália havia parado numa cidade pacata ao lado deles.

— Caramba. – Bella disse surpresa, diminuindo um pouco a velocidade para entrar no estacionamento da escola. – E o que você vai fazer quanto a isso?

— Bem, eu me sinto feliz lá, por ora vou fazer visitas regulares, eles são extremamente acolhedores. – Amy sorriu lembrando do calor que ficara na pequena sala de Billy quando se reuniram em grupo naquele local.

— Fico feliz por você. – Bella disse parecendo sincera. – Deve ser bom achar o lugar o qual você pertence.

Amy apenas assentiu, mas percebeu a melancolia nas palavras de Bella. A mais velha parou o carro. Despediram-se e cada uma foi para junto de seus respectivos grupos. Alexa e Adrian conversavam, enquanto Kyle mantinha o rosto enterrado no livro de química. Amália sorriu, ele realmente estava se esforçando.

— Desse jeito, vou achar que não vai precisar da minha ajuda essa tarde. – Amália falou enquanto sentava ao lado dele num banco. Kyle deu um leve pulo.

— Você me assustou, Amy. – Ele disse, com os olhos arregalados. Amy riu e beijou sua bochecha. – Como você está?

— Estou bem. – Ela disse simples. – Planejando as diferentes formas que eu vou te torturar hoje de tarde... – Falou, fazendo graça.

— Ah, é? – Ele falou, entrando na brincadeira. – Então, talvez, eu deva recusar sua tortura, quero dizer, ajuda.

— Está maluco? – Amy perguntou fingindo surpresa. – Você não pode quebrar o contrato, é quase um pacto de sangue.

Kyle riu, descansando o livro ao seu lado.

— Como foi seu final de semana? – Perguntou, enquanto tocava em uma mexa do cabelo loiro da garota.

As imagens de La Push passaram como um raio pelos olhos de Amália.

— Foi um tanto quanto movimentado. – Disse apenas. Por algum motivo, ela não conseguia abrir muito sobre a tribo quando falava com alguém de fora dela. – E o seu? – Perguntou rápido, desviando a atenção de si.

— Nada demais, fiquei estudando bastante, como te disse sexta.

— Ah sim, claro. – Amália respondeu imediatamente. Era engraçado, as lembranças antes de sábado pareciam ter ocupado um plano secundário de sua mente. Como se não merecessem tanta atenção.

O sinal bateu e Amália se sentiu aliviada.

— Vejo você no almoço? -Perguntou e Kyle assentiu, sorrindo.

Então, correu para a aula que fazia sozinha.

/*

— Amy? – Ouviu Ananda chamá-la.

— Sim? – Respondeu, enquanto mexia no sistema, registrando os valores recebidos até aquele momento.

— Quer alguma coisa da padaria, querida? Vou ir agora. – A mulher perguntou, amável.

— Se tiver um donut, eu aceito. – Amália falou sorridente.

— Com doce de leite? – A moça perguntou. Amália apenas assentiu confirmando.

Era meio da tarde e Amália já estava ansiosa pelo fim do dia. Ainda teria que ajudar Kyle com química no turno vespertino, mas ansiava por um banho quente e sua cama.

Lembrou que Bella, naquele momento, já deveria estar a caminho de Port Angeles. O Baile de Primavera seria naquele final de semana e a mais velha acompanhava as amigas para a escolha do vestido. Bella, no entanto, não iria ao baile.

Ananda logo voltou da padaria, entregou o donut para Amália, e voltou para dentro da confecção. A loja estava calma. Com o início do calor, o movimento tendia a diminuir.

Comeu devagar o lanche, perdida em seus próprios pensamentos, e resolveu focar no resto do trabalho que tinha, afim de tentar fazer o dia passar mais rápido. Funcionou. Quando percebeu, era 4hrs40min p.m., hora que ela saía do trabalho nas terças-feiras.

— Quer uma carona? – Maurice perguntou no mesmo momento, saindo de dentro da confecção.

— Seria ótimo. – Amália disse-lhe sorrindo.

/*

Maurice a deixou na frente da casa de Kyle, que abriu a porta logo depois de Amy tocar a campainha. Ele sorriu para sua chegada e Amy sorriu de volta.

— Pronto para nossa última aula? – Amália perguntou divertida. A realidade é que ela estava aliviada de, depois daquele dia, libertar-se de mais um compromisso.

— Prontíssimo. – Kyle disse animado. E era verdade. Todos seus exercícios estavam feitos, a maioria corretamente. Os capítulos do seu livro estavam basicamente todos destacados nas partes mais importantes. As anotações eram impecáveis.

— Alguém realmente andou estudando. – Amy disse sorrindo, enquanto olhava as anotações do garoto.

— Está bom? – Ele perguntou ansioso.

— Muito! – Amália disse feliz, satisfeita. – Vamos fazer um teste agora. – Ela falou enquanto retirava algumas folhas de sua bolsa. Eram os exercícios que ela havia conseguido a mais.

Entregou a mini prova para Ky, que se sentou na mesa. Amália tirou todo material de estudo de perto dele, querendo simular uma prova realmente.

— Você tem uma hora e meia para fazê-la. – Ela disse, sorrindo um pouco malvada, olhando para o relógio em seu pulso. Sentou na cadeira do outro lado da mesa e passou a lhe observar.

Ele franzia a testa sempre que lia algo um pouco confuso, então respirava fundo e lia mais uma vez. Quando entendia, seus ombros relaxavam e ele sorria de canto. Batia a parte traseira da caneta algumas vezes na folha, enquanto pensava.

Amália sorria mentalmente ao reconhecer cada pequeno gesto, cada pequena mania que Kyle tinha. Uma sensação de calma se apoderou de seu corpo enquanto o olhava e, pela primeira vez desde domingo, sentiu-se completamente relaxada.

Passou aquela uma hora e meia olhando-o com carinho enquanto se perdia em pensamentos banais. O relógio em seu pulso marcou 6hrs30min p.m. e ela se levantou. Kyle, na mesma hora, entregou a folha, já completamente respondida. A revisão do último exercício ficara para trás, mas, numa olhada geral, ele havia se saído muito bem. Amy sentou-se ao seu lado e começou a comparar as respostas com as que tinha em seu gabarito. Ficara satisfeita ao perceber que o garoto acertara 90% do teste, nota que seria suficiente para garantir a aprovação dele na matéria.

— Que mudança. – Ela disse ao largar a caneta na mesa e olhou seu rosto. Os olhos castanhos escuros de Amália brilhavam em divertimento.

Kyle devolveu seu olhar, sustentando-o firmemente, mas estes brilhavam de um jeito mais... admirador.

— Não conseguiria se não fosse você. – Kyle respondeu apenas um tom mais alto que um sussurro.

— Não é verdade. – Amália respondeu no mesmo tom. – Você é extremamente inteligente.

Então, sem pensar muito, Amália aproximou seu rosto do rosto do garoto. Kyle se curvou em sua direção no mesmo momento. Estavam próximos de uma maneira que nunca ficaram antes. Num impulso, Amália juntou seus lábios com os dele, sendo prontamente atendida.

Kyle colocou sua mão esquerda na nuca da garota, puxando-a mais para perto de si. As mãos de Amália, antes repousando em seu colo, agora iam para os ombros do rapaz, onde ela segurava firme. Suas bocas se encontravam com delicadeza. Kyle a tocava como se ela fosse de porcelana, prestes a quebrar a qualquer momento.

Com um suspiro de Amy, eles se separaram. Os olhos se encontraram novamente e eles sorriram um ao outro.

Amália tocou o rosto de Kyle, absorvendo o calor que emanava de sua pele pelo contato deles. O garoto fechou os olhos com o toque, sentindo-se relaxar instantaneamente.

— Amy... – Kyle começara a falar, mas Amália o impediu.

— Shh... – Ela fez baixinho, logo o puxando para mais um beijo, prontamente correspondido.

Ficaram ali, naquela troca de carícias e beijos até que ouviram uma buzina do lado de fora da casa. Charlie chegara.

Os dois se levantaram com relutância da mesa, Amália reuniu seus pertences e Kyle a acompanhou até a porta.

Antes de abri-la, deram-se um selinho demorado, como despedida.

— Até amanhã. – Amy falou, enquanto saía da casa.

Entrou na viatura e, junto a Charlie, rumaram para casa.

— Está tudo bem? – Charlie perguntou, estranhando o silêncio de Amália. – Está quieta hoje.

— Estou cansada, na verdade. – Amália falou. Aquilo era verdade.

— Billy me ligou. – Charlie disse simplesmente. Amy sentiu o coração disparar com a simples menção ao primo de seu pai. Charlie respirou fundo. – Eu não fazia ideia, Amália, senão teria a levado para La Push no primeiro final de semana que você ficou aqui.

— Não se culpe por isso, Charlie. – Ela falou sorrindo. – Foi uma grande surpresa para mim também.

— Billy queria vê-la esse final de semana, mas eu tomei a liberdade de dizer que você não poderá ir, já que tem o baile. – Amália assentiu, frustrada. – Então ele decidiu que como amanhã tem jogo, ele e Jacob virão assistir conosco.

Amália se animou no mesmo momento.

— Isso vai ser ótimo! – Ela disse, já sentindo-se menos cansada.

Charlie riu pelo nariz.

— Eu sabia que você ia gostar.

Ele imbicou o carro na vaga de garagem da casa, ao lado da picape de Bella, e os dois saíram do carro.

Amália correu para preparar algo rápido para os dois comerem. Resolveu fazer uma massa ao molho branco. Enquanto isso, Charlie tomava banho e se preparava para o dia seguinte.

A cabeça de Amália funcionava veloz, já imaginando o que poderia fazer de comida para a noite seguinte. Os dois comeram conversando sobre as expectativas para o jogo e Charlie se prontificou a limpar a cozinha.

Amália aproveitou aquele momento para ir tomar banho e escovar seus dentes. Ao sair do banheiro, sentiu o cansaço a dominar novamente. Ouvira Bella chegar e conversar com Charlie. Ouviu ela falar com alguém pelo telefone e, então, subir direto ao seu quarto.

Amy não se preocupou de ir falar com a irmã. Ela estava aparentemente bem e Amália estava cansada.

Deitou-se na cama e apagou quase imediatamente.

/*

Bateu com força na porta do quarto de Isabella.

— Vamos! Você vai nos atrasar!

Desceu as escadas com pressa, já levando sua mochila para baixo. Ouviu Bella atrás de si e ela passou como um furacão, indo até a mesa com o café e comendo extremamente rápido. Então subiu as escadas de dois em dois degraus para escovar os dentes.

Quando voltou, carregava seu material. Amália abriu a porta enquanto Isabella colocava o calçado. Estranhou ao ver um veículo preto, e aparentemente caro, na frente da casa. Bella saiu logo depois que ela e pareceu tão surpresa quanto, porém feliz.

As janelas do carro baixaram e Amália viu quem era o dono.

— Você só pode estar brincando. – Falou à irmã.

Cullen. Frio.

Viu quando o garoto arregalou levemente os olhos, mas disfarçou e sorriu para Isabella.

— Querem uma carona? – Ele perguntou. A face perfeita sorria de uma forma que qualquer um poderia classificar como encantadora. Mas não Amália.

— Eu vou a pé. – Ela disse irritada, já seguindo em direção à estrada. Bella a segurou.

— Não seja ridícula.

— Então me dê a chave da Picape. – Ela falou, estendendo a mão.

— Vocês não vão chegar a tempo. – Edward disse.

Amália se irritou no mesmo momento com a sua pose perfeitinha e arrogante.

— Entre no carro, Amy. – Isabella a empurrou para o banco de trás, onde Amália se obrigou a sentar. Encolheu-se no lado direito do banco traseiro, procurando ficar o mais longe possível da pele de gelo e pedra do garoto ao volante.

Bella, por sua vez, parecia confortável e os dois conversavam coisas que Amália não se dera ao trabalho de prestar atenção. Quando chegaram no estacionamento do colégio, algo que pareceu uma eternidade, Amália pulou do carro o mais rápido que pôde. Não queria ser vista junto do Cullen.

Como Amy esperava, todos já haviam chegado.

— Hey! Você veio com Edward Cullen hoje? – Sarah perguntou surpresa.

— Quero dizer, uau! – Jasmin complementou.

— Não é como se fosse agradável. – Amália falou revirando os olhos. – Aparentemente, está rolando alguma coisa entre ele e minha irmã.

— Garota de sorte. – Alexa disse rindo.

— Não concordo muito com isso, na verdade. – Amália falou, pensando nas prováveis presas que o garoto escondia atrás daquela face de bom moço. Um frio correu pela sua espinha ao pensar o perigo que sua irmã corria.

Amália sabia que Jacob, Embry e Quil consideravam aquele mito uma antiga lenda da tribo, mas Amália, que ficava muito mais perto dos Cullen do que ele, sentia que havia muito mais neles do que apenas superstições da tribo. Eles eram realmente frios.

O sinal tocou. Seguiu junto de Adrian e Alexa até o ginásio, onde eles teriam educação física.

O professor resolvera dar aula de basquete, assim eles se dividiram em quatro times de cinco jogadores, revezando-se para que todos jogassem contra todos.

Amália jogava bem. Ao assistir muito esporte pela televisão, ela aprendia algumas técnicas boas para usar em quadra. Sem falar, é claro, que Guilan Weber, ou Black, sempre a incentivara a praticar esportes.

O professor apitou, indicando o final da aula, e ela correu, junto de Alexa, para trocar de roupa. Seguiu, sozinha, para os dois períodos de história que teria.

A aula passou muito tranquila, tendo em vista que Amália tinha tanta facilidade em história quanto em química. Seu estômago começou a reclamar de fome e logo o sinal bateu, indicando que era hora do almoço. Lembrou-se, então, que Kyle estava fazendo a prova de química enquanto ela estava nas aulas de história. Andou rápido até o refeitório, afim de falar com ele assim que possível. Entrou no salão, rodou os olhos pelo local e não o encontrou. Suspirou forte enquanto se dirigia à bancada, para comprar sua comida.

Sentou-se na mesa de sempre, já ocupada por Sarah e Jasmin, e começou a comer de sua comida, enquanto ouvia uma história da infância das gêmeas.

Alexa e Adrian logo se juntaram a elas. De repente sentiu seu rosto ser segurado e sua bochecha recebeu um beijo forte. Amy se assustou, mas então a pessoa sussurrou no seu ouvido.

— A prova estava mais fácil que seu teste ontem.

Era Kyle, extremamente animado por ter ido bem na prova. Ele sentou ao seu lado, roubando um tomate cereja do prato de Amy. Parecia, de certa forma, aliviado.

— Quando sai o resultado? – Sarah quem perguntou.

— Em uma semana, no máximo. – Ele falou respirando fundo. Ainda se sentia eufórico. – Acho que no mínimo 85% eu consigo. – Ele sorriu.

— E quanto você precisa para conseguir aprovar direto? – Adrian indagou.

— 83%. – Kyle respondeu com um sorriso nervoso.

— Céus, eu preciso de 69% em biologia e já estou me preocupando. – Disse Jasmin. – Arrasou, Kyle, nunca duvidamos de ti. – Ela disse sorrindo.

— Bem, não conseguiria se não fosse pela ajuda da Amy. – Ele disse sorrindo para a loira.

Amália corou um pouco.

— Ele foi um ótimo aluno. – Ela disse, rápido. O mérito era muito mais do garoto do que dela e ela tinha esse conhecimento.

Almoçaram tranquilamente, conversando baboseiras durante o intervalo. Vez ou outra Amália buscava o olhar de Kyle, que normalmente estava centrado em si mesma. Os dois coravam um pouco, mas não desviavam o olhar.

O último período se arrastou para Amália, Física. Ela não gostava da matéria, salvo alguns conteúdos.

Com um pouco de paciência, ela terminou a aula. Saiu do prédio e encontrou Ananda a esperando no estacionamento. Correu até ela e entrou rápido no carro.

E as duas foram em direção à loja.

/*

— Quer levar seu vestido hoje, Amy? – Dona Lopez perguntou, já estava quase na hora de fechar a loja e Charlie a buscaria. Amy ansiava pela noite, onde veria Jacob e Billy.

— Claro, pode ser! – Ela falou animada. Gostava muito de seu vestido verde. Dona Lopez lhe entregou a caixa com o vestido, Amy recolheu suas outras coisas e Charlie passou pela porta da loja na mesma hora.

— Vamos? – Perguntou animado para Amália. Ele também estava animado para receber os amigos em casa e para o jogo.

O caminho até em casa foi tranquilo e rápido, eles conversavam sobre as expectativas para o jogo da noite e para o campeonato.

Quando chegaram em casa, Bella já havia aberto a porta para Billy e Jacob, que, Amy percebera, estava mais animado por estar com Bella que pelo jogo. Billy, que a deu um caloroso abraço, sussurrou preocupado em seu ouvido.

— Bella estava no carro de Cullen quando nós chegamos.

Amy sentiu seu corpo arrepiar por inteiro. Olhou para Bella, que parecia tranquila e perfeitamente saudável, então olhou para Billy, também preocupada, mas torceu que ele entendesse o significado de seu olhar.

Ficarei de olho nisso.

Amália viu quando Bella desviou o olhar de Billy de si, indo à cozinha preparar algo para que eles pudessem comer.

Jacob logo foi atrás dela na cozinha, perguntando se ela precisava de ajuda. Até ali, Amália continuava trocando alguns olhares preocupados com Billy. Billy sabia que, diferente de Jacob, Amy levava a antiga lenda de sua tribo muito a sério.

— Eu não sei como eu nunca havia notado que vocês têm o mesmo tom de pele. – Charlie disse após um tempo.

Amália sorriu.

— E pensar que foi isso que me fez perceber a semelhança entre o pessoal da tribo e eu. – Ela disse. Billy sorriu.

— Foi uma grande surpresa, eu não nego, mas Amália com certeza tem o gene Quileute. – Billy falou sorrindo. Amy também sorriu. – Falando nisso, estamos sentindo sua falta por lá.

— Eu fui nesse final de semana, Billy. – Amália riu. No entanto, também sentia falta da reserva.

— E vai no próximo também, eu espero. – Billy disse sério, porém carinhosamente. Amália negou.

— Terei o baile de primavera sábado. – Ela falou com uma pontada de tristeza.

— Então que vá domingo! – Billy disse prático. – Ou você pretende ficar dormindo até muito tarde?

Amália riu ao negar. Ficara feliz com a notícia de que sentiam sua falta.

— Domingo estarei lá. – Prometeu. Nessa hora, Bella e Jacob saíram da cozinha com alguns pratos com torradas e distribuíram pela mesinha da sala.

O jogo começou e Bella ficou o tempo todo com eles. Jake, vez ou outra, tentava puxar assunto, mas ele sempre acabava. Enquanto isso, Charlie, Billy e Amy conversavam durante o jogo. Os dois Quileutes, porém, não desviavam os olhos de Bella nem por um minuto. Quando o jogo acabou todos começaram a recolher as coisas. Amália se despediu de Billy e Jake.

— Eu te espero no domingo, Amália! Não vou esquecer! – Billy falou, enquanto seu filho empurrava sua cadeira de rodas pela porta.

— Estarei lá, Billy. – Amália confirmou mais uma vez e entrou na casa, recolhendo a louça e indo lavá-la. Enquanto isso, na sala, Bella e Charlie conversavam um pouco.

A noite passou rápido para Amália, que se sentia cansada após uma tarde inteira de trabalho. Imaginou que Edward viria buscar Bella novamente pela manhã e resolveu se livrar disso.

— Charlie, você se importa de me levar à escola hoje? – Perguntou quando ele estava quase saindo. Já estava completamente pronta e com a desculpa feita. – Tenho um trabalho para entregar hoje no primeiro período, vamos ser o primeiro grupo a apresentá-lo. Queria deixar a sala pronta antes da aula começar, mas não quero apressar a Bella.

— Claro, vamos agora. – Ele disse e ela assentiu, aliviada.

Foi uma das primeiras pessoas a chegar na escola, a viatura chamou um pouco de atenção, mas nada mais do que o normal. Amália sabia o que as pessoas comentavam por suas costas.

Sua irmã estava namorando o Cullen, ele a trazia todos os dias para a escola, então Amália sobrava.

Céus, não poderia ficar dependendo de e dando desculpas a Charlie pelo resto do Ensino Médio. Estava decidida. Com o dinheiro que estava em sua poupança, compraria um carro.

Passou sua aula tranquilamente. A escola estava em expectativa com o baile e Amália se animou ao ver Kyle indo em sua direção no pátio.

Ele a abraçou forte, ela correspondeu rapidamente.

— Certo, que cor de gravata eu devo usar amanhã? – Ele perguntou. Amália não havia contado como seria seu vestido, mesmo que Ky tivesse perguntado algumas vezes.

— Que cores você tem? – Amália perguntou.

— Bem, tem uma cor vinho, uma preta, uma verde escura, uma cinza com roxo e uma azul claro.

— A verde. – Amália disse apenas.

— Você realmente não vai me contar como é seu vestido? – Ele perguntou choramingando.

Amália olhou o beicinho que ele fizera inconscientemente. Aproximou-se dele e deixou um beijo singelo ali.

— Não. Você vai descobrir na hora. – Ela riu. Kyle perdeu toda sua pose chateada.

Ele sorriu malicioso para ela, puxando-a para mais perto e beijando-a novamente.

— Estamos na escola, Ky. – Ela resmungou após separarem-se.

Ele suspirou fundo.

— Infelizmente estamos. – Ele falou, sentando-se no banco escorado na parede. Ela sentou ao seu lado, apoiando sua cabeça em seu pescoço.

Logo seus amigos chegaram e os seis já estavam reunidos.

/*

— Você vai a Seattle amanhã? – Amália perguntou para Bella durante o jantar.

Ela hesitou, mas assentiu.

— Tome cuidado na estrada, Bella. – Charlie falou preocupado.

— Sim, pai, pode deixar.

Logo os três já terminaram de jantar, Charlie foi assistir televisão, Bella foi para seu quarto e Amy resolveu tomar um banho. Estava esquentando em Forks e ela começava a sentir calor.

Saiu do banho e resolveu mandar uma mensagem para Kyle.

Não vá dormir tarde, quero meu acompanhante bastante disposto para dançar comigo amanhã.

Não se preocupe. Seu acompanhante estará pronto para fazer todas suas vontades.

Isso é uma promessa perigosa. Cobrarei.

Pode cobrar, mas acho que nem vai precisar.

Você vem me buscar amanhã?

As 5hrs30min p.m. estarei na frente de sua casa. Com minha gravata verde.

E cheiroso.

Sim, sim. Cheiroso, claro.

Estarei aguardando por isso S2.

E não perde por esperar .

Amália sorriu olhando para seu celular. Jogou-se na cama e aproveitou das sensações que passavam pelo seu corpo. Com um sorriso na face, pegou no sono.

Acordou pela manhã, sentindo-se super descansada. Saiu do quarto e não encontrou nenhum dos outros dois moradores na casa. Nem a viatura nem a picape estavam estacionados. Amália estava sozinha. Olhou o relógio e conferiu que já passavam das dez horas da manhã. Concluiu que colocou o sono da semana em dia, finalmente. Jogou-se no sofá e ligou a televisão em um canal de reformas de casa. Assistia um pouco e mexia em seu celular ao mesmo tempo. Como não estava com muita fome, resolvera não tomar café da manhã e esperar até a hora do almoço. Ela poderia esquentar as sobras do jantar.

Ficou mexendo no celular até que resolvera subir para pentear o cabelo e tirar o pijama. Lavou o rosto, escovou os dentes e o cabelo. Colocou uma calça preta larguinha e uma camiseta um pouco maior que seu tamanho. Não se sentia maravilhosa com aquela roupa, mas com certeza estava confortável.

Assistiu mais um pouco de televisão até que seu estômago roncou, viu que já passava das 11hrs30min e achou um horário aceitável para a refeição. Enquanto comia pensou o que poderia fazer de maquiagem ou de penteado. Gostaria que Kyle opinasse, afinal queria que ele a achasse a garota mais bonita do colégio naquela noite.

Sentiu-se ainda mais ansiosa para vê-lo e quis que o final da tarde chegasse logo. Então uma ideia um pouco maluca passou pela sua cabeça, todo seu corpo respondeu positivamente àquele pensamento. Seu coração acelerou e suas mãos suaram frio. Pegou o celular depressa, teve um pouco de dificuldade de abri-lo graças à mão úmida, e abriu o contato de Kyle rapidamente, antes que perdesse a coragem.

— Alô! – A voz do outro lado da linha falou animada. Amália perdeu sua respiração e seu medo ao mesmo tempo.

— Oi, Ky! – Ela disse no mesmo tom. – Eu estava pensando uma coisa, não sei o que você acha...

— Diga! – Ele falou, a curiosidade manifestada em sua voz.

— Você quer vir se arrumar aqui em casa? – Amy falou e depois mordeu seu lábio inferior, nervosa.

Kyle demorou um pouco para responder, mas quando o fez sua voz estava ainda mais animada.

— Claro! Que horas eu posso ir? – Ele perguntou e Amália sentiu seu rosto esquentar, agradeceu internamente por ninguém a estar vendo naquele estado.

— A hora que você quiser. – Ela falou, respirando fundo. – Eu estou sozinha em casa. – Soltou a frase num fôlego só. – Charlie foi trabalhar e Bella foi a Seattle.

— Vou pegar minhas roupas e chego aí em cinco minutos. – Foi a resposta de Kyle, que pareceu tão eufórico quanto ela.

Amália correu para arrumar a louça do almoço, lavando seu prato e seus talheres o mais rápido e bem feito que podia. Correu para escovar os dentes e ponderou se trocava de roupa para recebe-lo, talvez algo que a valorizasse mais, mas não deu tempo. A campainha tocou e ela sentiu seu coração ir de seu pé até sua boca em questão de um milésimo de segundo. Desceu correndo as escadas, parando um passo da porta para respirar fundo e se acalmar, então abriu a porta com um sorriso.

Kyle, parado do outro lado, parecia tão eufórico quanto ela.

— Hey! – Ele disse sorrindo. Amália o puxou para dentro da casa, fechou a porta o mais rápido que pôde e se jogou em seus braços.

Kyle envolveu sua cintura com seus braços em um aperto forte. Amy envolvera os seus no pescoço do garoto. Ficaram ali abraçados por alguns segundos, aproveitando o calor de seus corpos.

O garoto começou a soltá-la do abraço, o que fez seus corpos se afastarem um pouco. Amy o olhou confusa, então Kyle segurou sua face entre suas mãos e a beijou.

Diferentemente dos outros beijos que haviam trocado, calmos, delicados e de certa forma tímidos, esse era quente e íntimo. Amy sentiu todo seu corpo arrepiar quando Kyle pediu passagem com a língua em sua boca, que foi concedida. As mãos do garoto, antes em seu rosto, desceram até suas costas e começaram a passear naquele local. Ainda com suas mãos na nuca do garoto, Amy o puxava para o mais perto que conseguia.

Separaram-se quando o ar se fez necessário. Os dois tinham bochechas rosadas e respiravam ofegantes. Kyle subiu uma de suas mãos até a nuca de Amália, enroscando sua mão em algumas mechas de seu cabelo, fazendo a garota olhar diretamente para seus olhos. Ele se aproximou de sua boca, beijando-a singelamente e sugando seu lábio inferior.

Amy sentiu-se incendiar com aquele toque. Andou três passou para frente, forçando Kyle a andar três passos para trás. Ele trombou com o sofá. Desequilibrou-se e caiu sentado no móvel acolchoado. Da forma que Amália queria.

Sentou-se em seu colo, suas duas pernas juntas a esquerda do corpo do rapaz, que pareceu surpreso com o que acontecera. Então Amália, tomando as rédeas, beijou-o novamente.

O beijo, mais uma vez, foi quente e íntimo. Kyle levou suas mãos até a cintura da garota, apertando a região com força. Ela suspirou no meio do beijo, levando Kyle a querer mais contato. Ele puxou a perna direita de Amy, fazendo com que ficasse do lado direito do corpo do rapaz. Agora, Amy tinha suas pernas separadas pelo corpo de Kyle, abaixo do seu. Beijou o garoto de novo, aproveitando todo contato que os dois corpos tinham. Kyle levou suas mãos, que estavam na cintura de Amy, até suas nádegas, puxando-a para ainda mais perto. Os dois grunhiram com aquele movimento. Amália segurou os ombros do rapaz com suas mãos, olhou-o no olho e mexeu sua cintura levemente. Abaixo de si, Kyle já estava completamente excitado e aquilo o fez fechar os olhos. Ele segurava as nádegas de Amy, ajudando-a com os movimentos e ditando o ritmo. Quando Amália percebeu, ela tirava a camiseta que Kyle usava e ele tinha suas mãos na barra da sua. Amália erguera os braços quando ele levantara o tecido de seu corpo. Agora Amy estava apenas de calça e sutiã na frente do garoto, que a olhava hipnotizado. Ele beijou seu rosto, sua boca, seu pescoço e foi descendo até seu colo.

— Eu posso? – Kyle perguntou, enquanto passava a mão na fivela da sua peça íntima.

Amália não pensou muito antes de responder.

— Pode.

Com um pouco de dificuldade, Kyle conseguiu tirar o sutiã da garota. Amy corou quando o garoto prendeu seu olhar naquela parte de seu corpo. Ele levou sua mão até a pele lisa e sensível da garota. Numa decisão rápida, colocou suas mãos nas costas dela, afim de segurá-la, e mudou-os de posição. Agora, Amália estava deitada no sofá, com Kyle por cima de seu corpo. A garota logo abraçou o quadril de Kyle com suas pernas, fazendo suas intimidades se chocarem, separadas apenas pelas roupas que ambos usavam.

Ele beijava aquela região recém descoberta enquanto Amy aproveitava todas as sensações que aquilo a causava. Pousou suas mãos nas costas dele, arranhando-as de leve. Kyle começou a descer os beijos pela extensão de sua barriga, fazendo-a arfar. Ele sorriu com isso. Quando o garoto se aproximava do cós da calça de Amy, o celular dela tocou.

Os dois tomaram um susto e ficaram um pouco sem reação, então Amália recobrou a consciência e correu para atender seu telefone. Era Alexa.

— Oi, amiga! – Ela disse quase sem fôlego. Felizmente Alexa estava tão perdida em seus próprios pensamentos que nem percebera o estado de Amália.

— Amy, ajude-me! – Ela falou desesperada. – Eu não sei se faço uma trança embutida ou uma trança espinho de peixe no meu cabelo.

Amy raciocinou um pouco.

— Espera, você vai alisar seu cabelo? – Perguntou.

— Acho que sim, por quê? – Alexa perguntou do outro lado da linha.

— Lex! Seu cabelo é tão lindo cacheado, por que alisá-lo? – Indagou imaginando como a amiga ficaria bonita com o cabelo escuro e cacheado solto.

— Você acha que eu vou com ele natural? – Ela perguntou, parecendo insegura.

— Com certeza! Se você passar aquele creme que define seus cachos e deixar secar naturalmente, vai ficar lindo!

— Você tem razão! – A amiga disse por fim. – Bem, se vou deixá-lo secar naturalmente acho melhor eu já ir para o banho, senão não vai dar tempo! Obrigada, Amy! Você é a melhor! – Ela falou, Amália se despediu e então desligou.

Olhou para Kyle, sem camisa, levemente suado e vermelho em seu sofá.

A consciência do que poderiam ter feito caso Lex não tivesse ligado a assustou um pouco. Quer dizer, já havia imaginado algumas vezes como seria sua primeira vez, mas nunca havia, de fato, ficado tão próxima de tê-la até aquele momento. Kyle a olhava como se soubesse o que ela pensava, e na maioria das vezes ele sabia.

Ele se levantou e a olhou nos olhos. Aproximou-se devagar dela, como se tivesse medo que ela quisesse fugir, olhando-a nos olhos.

— Você está bem? – Falou baixinho, perto dela.

— Por que não estaria? – Ela respondeu no mesmo tom, com um sorriso amável.

Kyle apenas a abraçou, mas dessa vez sem malícia nenhuma.

— Amy... Posso te perguntar uma coisa?

— Até duas se precisar. – A garota falou com um sorriso. Kyle corou.

Ele respirou fundo, segurou nas mãos da garota e sorriu o mais calmo que pôde.

— Você quer namorar comigo?

Amália se surpreendeu com a pergunta, mas a resposta saiu tão fácil de seus lábios que ela nem precisou pensar.

— Quero. – Sorriu e, então, os dois se beijaram.

Notas finais
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