Amália Swan
6 VI
Notas iniciais
Eu, finalmente, estou em casa
Samuel pareceu estranhar a reação de Amália. Ou talvez, então, ele percebera a estranha semelhança entre ela e os moradores da reserva.
— Você está bem? – Ele perguntou, fazendo-a sair de seus pensamentos.
— Estou, sim... Você apenas me lembrou uma pessoa. – Ela falou timidamente.
— Amália, não é? Billy falou de você. – Samuel respondeu.
— Não existem muitos segredos por essa região, não é? – Amália falou com uma leve risada. Gostava disso em Forks.
— Menos ainda se você se torna filha do melhor amigo do chefe da tribo. – O local respondeu. – Mas, Amália...
— Pode me chamar só de Amy. – Falou rapidamente.
— Então, Amy, você me disse que eu lembrava alguém. Quem?
O estômago de Amália se apertou, junto de seu coração.
— Pode parecer estranho. – Amy falou um pouco envergonhada. – Mas você me lembra muito meu pai.
Samuel ergueu uma sobrancelha.
— Onde você nasceu, Amy? – Ele perguntou parecendo raciocinar.
— Em Seattle. Por quê?
— Pensei que talvez seu pai fosse de uma tribo vizinha... Mas não há nenhuma em Seattle.
— Bem, meu pai não era de Seattle... – Amália falou. – Minha mãe sim, nascida e criada lá, mas meu pai não.
— E de onde ele era?
Então, pela primeira vez, Amália percebeu que não sabia onde seu pai havia nascido. Ele não costumava contar de seu passado. Sempre desviava do assunto caso entrasse minimante nele.
— Eu não sei. – Falou num fio de voz.
— Nós poderíamos falar com o chefe da tribo, ver se talvez ele conhecia seu pai. – Samuel palpitou.
— Quem é o chefe da tribo? – Amy perguntou curiosa.
— Billy Black.
— Ele é amigo de Charlie! – Amália se recordou do homem na cadeira de rodas que havia levado a picape alguns dias antes da chegada de Bella. – Eu já o conheço, mas não conversei muito com o homem.
O mais velho apenas assentiu.
— O Chefe Swan vem algumas vezes à reserva. Mas então, você quer ir?
Amália respirou fundo, pensando que não teria nada a perder. Procurou por Bella, mas essa não se encontrava na roda, assim como o menino Jacob.
— Certo, vamos sim.
Andaram em direção à vila, saindo da praia.
Logo cruzaram com dois garotos mais novos que Samuel, da idade de Amy, e uma garota da idade do mais velho.
— Hey, Sam! – O garoto mais baixo e corpulento disse.
— Amy, esses são Quil e Embry e essa é Leah, minha namorada. – Ele apontou. Quil era o baixo musculoso, Embry era mais alto e um pouco mais magro, mas forte ainda assim. A garota era esguia e muito bonita e, como se para confirmar o que disse, Sam abraçou sua cintura. – Pessoal, essa é a Amy, nós estamos indo falar com o Billy.
— Alguma razão especial? – O que se chamava Quil perguntou.
— Bem, olhem pra ela...
A garota Leah tinha os olhos afiados e avaliou o rosto da mais nova rapidamente.
— Se você não fosse loira eu diria calmamente que é uma Quileute. – A garota falou.
— Um o quê?
— Quileute. – O mais alto e magro, Embry, disse. – É o nome da tribo.
— Por essa razão que estamos indo ver Billy. – Sam continuou. – Amália disse que nós lembramos o seu pai.
— Isso é novo! Qual era o nome dele? – Quil falou animado.
— Guilan. Guilan Wesper. – Amália falou.
— Eu não conheço nenhum Wesper. – Quil disse agora não tão animado. – Mas talvez seu pai fosse de uma tribo vizinha, faria sentido.
— É isso que estamos querendo descobrir. – Sam disse enquanto voltava a andar.
Chegaram numa casinha pequena e vermelha de madeira. Os cinco jovens se posicionaram na frente da porta e Embry bateu-a.
O homem bochechudo na cadeira de rodas abriu-a.
— Ah! Garotos... Amy! Que surpresa! Entrem, entrem! – O homem falou animado.
Todos se ajeitaram na pequena sala da casa, Amália espremida entre o braço do sofá e Quil.
— Então, querida, o que a traz aqui junto dos jovens de minha tribo? – O homem perguntou atenciosamente.
— Bem, eu... – Amy respirou fundo antes de começar. – Eu pude observar uma semelhança entre os Quileutes e eu, na verdade. Tom de pele, olhos, as bochechas... – Amy começou a falar e Billy apenas assentiu.
— Realmente, observando você, seu cabelo é a única coisa que a diferencia de nós.
Amália assentiu.
— Amy me falou que nós lembramos seu pai, Billy. – Sam se adiantou, tomando a frente da história, já que a garota parecia nervosa. – Mas ela não sabe onde ele nasceu. Pensei, por um momento, se ele talvez não fosse de uma tribo vizinha. Por isso viemos falar com o senhor, talvez o conheceu.
Billy avaliou a história, o cenho franzido.
— Qual era o nome de seu pai, Amy?
— Guilan. Guilan Wesper.
Billy travou por um segundo. Suas mãos tremeram.
— Guilan?
— Você o conheceu? – Amália perguntou eufórica.
Billy girou sua cadeira de rodas com habilidade. Foi até uma estante na sala e puxou um porta-retrato. Voltou até o círculo da sala e entregou a foto para Amália. Haviam quatro garotos na foto. Um deles, Amy rapidamente reconheceu como Billy mais jovem. Ele não usava cadeira de rodas e estava na extrema esquerda do quatro. Abraçava um garoto mais novo e mais baixo pelos ombros. Os quatro riam e pareciam muito amigos. Outro tinha a idade de Billy, mas era mais corpulento, e o da direita era o mais velho. Olhava os garotos de forma paternal.
— Esse é meu avô! – Quil apontou o homem mais velho. – Quil Ateara. Bem, atualmente chamamos de Velho Quil.
— E esse é o meu pai. – Leah apontou para o homem mais corpulento. – Harry Clearwater.
Amália puxou sua bolsa e abriu-a. Tirou sua carteira de dentro e pegou a foto que carregava dês do dia do acidente. Era uma foto do casamento de seus pais. O casal parecia radiante e se olhavam extremamente apaixonados. Olhou a foto que Billy lhe entregou mais uma vez, reparando nos traços do garoto mais novo.
Ele e o homem vestido de noivo eram a mesma pessoa. Separados por alguns anos, talvez cinco ou seis, mas com certeza a mesma pessoa. Entregou as duas fotos a Billy, que avaliou a mais recente com muito cuidado.
Amália viu a mão do homem tremer, mas olhou para baixo e percebeu que suas pernas estavam no mesmo estado. A sala estava silenciosa.
— Wesper, hm? – Ele falou sério. – Acredito que isso seja um sobrenome inventado, para te ser sincero.
— Como? – Amália perguntou levemente descrente.
— Guilan era meu primo por parte de pai. Assim como eu, era um Black. Guilan Black é seu nome de nascimento. O que a faz...
— Amália Black. – Amy respirou fundo. – É a segunda vez que eu troco de sobrenome em quatro meses. – Ela falou incomodada.
— Por que nunca soubemos dele? – Embry falou pela primeira vez desde que chegaram na casa.
— Nessa foto – Billy apontou para a foto com os quatro homens. – Guilan tinha dezesseis anos, eu tinha dezenove. Dois anos depois, Guilan com dezoito, resolveu que não queria mais ser atrelado à tribo. Resolveu que queria seguir uma vida diferente, sair de La Push. – Billy explicou com um pesar na voz. – Perdemos o contato depois disso. E agora eu descubro que a garota órfã que meu melhor amigo adotou é, na verdade, filha do meu priminho.
Amália sentiu o mundo desmoronar. Billy não sabia até aquele momento que Guilan havia falecido. Se pai havia se afastado da tribo, por isso Amy nunca soube de onde ele era.
Sam colocou sua mão no ombro do homem, que permitiu que algumas lágrimas saíssem de seus olhos antes de respirar fundo.
— Sabe o que isso significa, não é? – Leah olhou à garota. – Você é uma Quileute. Você é da tribo.
Quil, ao seu lado, apenas assentiu.
— Você é da família agora, Amy. – Sam lhe disse, com um pequeno sorriso.
—Aparentemente os deuses Quileutes lhe quiseram perto de casa, minha querida. – Billy falou, agora com um sorriso doce. – Pergunto-me o que eles reservaram para você. – Falou pensativo. – Mas está tudo bem, como Sam falou, você é da família agora. Está em casa.
E uma alegria preencheu o coração de Amy no mesmo momento. Ela havia achado o lugar que manteria a memória de seu pai sempre viva. Agora entendia o porquê de ter se sentido bem no momento que pisou na reserva. O porquê de ficar tão ansiosa para conhecê-la. Seu subconsciente já sabia. Seu coração já sabia. Aquele era o seu lugar.
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