Notas iniciais
Oi gente! Espero que gostem! Lembrem de comentar, isso me deixa bem feliz!

Os nerds de exatas e humanas

Amália se divertiu durante o mês que se passou, Bella, por sua vez, nem tanto. Depois do acidente, a filha do policial virou o centro das atenções da escola, tudo o que ela menos queria ser. Tyler, o dono da van, fazia de tudo para se redimir, mesmo que Bella já tivesse dito mais de dez vezes que estava tudo bem e que não era culpa dele.

A rotina de Amália estava equilibrada, ela ia para escola no horário de sempre, trabalhava a tarde na loja da família Lopez e no vespertino às terças-feiras ajudava Kyle com química, aproveitando para fazer algumas tarefas de casa com ele também.

Aquele dia estavam juntos na mesa de jantar do garoto, com alguns sanduíches que a mãe dele havia feito para a dupla, enquanto Kyle fazia os exercícios, sendo observado por Amy.

Depois de quatro semanas se vendo algumas horas a mais, Amália se sentia extremamente próxima a ele. Durante alguns exercícios eles conversavam sobre suas vidas pessoais, por exemplo como Kyle havia se sentido com a separação dos pais, quatro anos antes, ou como Amália se sentia só muitas vezes depois daquele acidente que levou as duas pessoas mais importantes da vida dela.

Kyle era uma companhia agradável e muito tranquila, a conversa fluía naturalmente entre eles, mas o silêncio que se instalava de vez em quando era confortável.

De repente, Amália percebeu que faltavam duas semanas para o baile de primavera, onde as garotas deveriam convidar seus pares, e antes que pudesse perceber, sua voz saiu de sua boca.

— Kyle. – Chamou.

— Sim? – Ele se virou para ela, com o cenho franzido.

Ele se perguntava se havia feito algo de errado no exercício.

Ela reparava no quanto suas feições suaves e moldadas eram bonitas.

Amália respirou fundo, reunindo coragem.

— O que você acha de ir no baile de primavera comigo? – O garoto travou, o lápis escorregou de sua mão, caindo no chão com um baque surdo e Amália se amaldiçoou por ter sido tão impulsiva. Provavelmente acabara de romper a melhor amizade que havia feito em Forks.

Rapidamente voltou a falar.

— Olha, Kyle, se você não quiser está tudo bem! Eu só achei que seria legal irmos juntos porque eu sinto que nós estamos próximos nesses últimos dias e eu não sei... Me pareceu uma boa ideia.

Kyle piscou, virando a cabeça levemente e sorrindo de uma forma doce logo depois.

— Amy, eu adoraria. – Ele disse, enquanto colocava uma de suas mãos em cima de uma das mãos dela, que repousavam no colo.

Amália respirou aliviada, sorrindo para ele de volta. Não soube dizer por quanto tempo se perdeu nos olhos dele, mas só romperam o olhar porque uma porta bateu no andar de cima da casa, provavelmente a mãe de Kyle.

— Eu acho melhor continuarmos os exercícios, senão sua mãe não vai mais gostar que eu venha aqui. – Amália disse com uma risada baixa e Kyle concordou, mas não conseguiu voltar a se concentrar como antes nos exercícios.

Quando Charlie buzinou na frente da casa, Amália percebeu que o horário de estudos já havia acabado.

Recolheu o material e foi em direção a porta, acompanhada por Kyle. Antes que o garoto a abrisse, ele a abraçou demoradamente e beijou sua bochecha.

— Até amanhã. – Ela falou com um leve sorriso.

— Até amanhã. – Ele respondeu.

Então a porta foi aberta, revelando a viatura, onde Amália entrou.

— Tudo bem? – Charlie perguntou enquanto arrancava.

— Tudo sim. – Amália respondeu simples, mas virou o rosto para a janela, na tentativa de esconder de Charlie o sorriso bobo que se formava em seus lábios.

Na manhã seguinte, Amy estava um pouco mais agitada que o de costume. Completamente ansiosa para ir à escola.

Quando Bella estacionou, Amália quase pulou para fora da picape. Avistou Kyle sentado no cordão, lendo algo que Amy não reconheceu. Obrigou seu coração a reduzir a velocidade das batidas, respirou fundo algumas vezes e andou até ele, fazendo um leve desvio no meio do caminho, para surpreendê-lo chegando por trás.

Sem fazer barulho, se aproximou sorrateiramente dele, colocando suas mãos em seus olhos. Kyle levou um susto.

— Adivinha quem é? – Ela disse rindo baixo em seu ouvido.

— Ahn... Deixe-me pensar... Madonna? – Ele falou, com os olhos ainda tapados, fingindo pensar. – Não, não! Lady Gaga! Mentira, quero dizer, Beyoncé!

Amália tirou as mãos dos olhos dele, deu um leve tapa em sua nuca e sentou-se no cordão da calçada enquanto dizia:

— Palhaço.

Kyle riu, aproximando-se da bochecha da garota e deixando um leve beijo ali.

— Bom dia, senhorita.

— O que está lendo? – Amy perguntou.

Kyle virou o livro para que Amália visse o título.

— Dom Casmurro? – Amália falou com um pouco de dificuldade. – Nunca ouvi falar.

— É um clássico da literatura brasileira, talvez o livro mais icônico deles. Com certeza o mais importante da Era Realística.

— Você é muito nerd quando se trata de literatura. – Amy falou rindo, ao mesmo tempo que revirava os olhos.

— A garota que sabe os números atômicos de cor me chamando de nerd? Ah tá!

— Eu não sei de cor! – Amália falou rindo.

Kyle encarou ela com descrença, então puxou algo na sua mochila, a tabela periódica.

— Chumbo? – Kyle disse

— Quê?

— Chumbo!?

Amy riu.

— 82.

— Magnésio?

— 12.

— Lítio?

— 3.

— Xenônio?

— 54.

— Tungstênio?

— 74.

— Céus! Você sabe o número da porra do Tungstênio e diz que não é nerd!

Amália riu.

— Se torna normal depois de tantos exercícios!

— Exercícios chatos! – Kyle disse desdenhando.

— Não ouse falar mal da química! – Amália disse fingindo irritação.

— Se não o que você vai fazer?

— Te desconvidar pro baile de primavera. – Ela falou empinando o nariz, por dentro ria.

— Não, não, não, senhorita! – Kyle falou fingindo indignação. – Quando eu aceitei estava no contrato que não haveria devolução.

Amália o olhou desacreditada.

— A tua petulância é muito alta, senhor Jones.

— Oi gente! – Sarah e Jasmin falaram ao mesmo tempo (elas faziam muito isso) ao chegar, atrapalhando todo clima que cobria Kyle e Amália.

— Oi!

Logo os quatro estavam conversando alegremente. Alexa e Adrian chegaram juntos, algumas vezes o pai de Alexa dava carona para Adrian, quase na hora que o sinal batia.

Amália cursava matemática com Kyle e naquele dia iriam ter um trabalho em duplas. Doze questões divididas entre plana e espacial, valendo 1/5 da nota trimestral.

A aula passou tranquila, com o trabalho se mostrando fácil. Durante o almoço, viu que Bella sentou-se com Edward, que sentava longe dos irmãos, mas decidiu não se estressar com isso, mesmo que algo dentro de si ainda apitasse para que ficasse longe deles.

Depois do almoço teve a aula de história que fazia sem nenhum de seus amigos e logo depois tinha de ir à loja, isso não lhe permitiu muito tempo para conversar com Kyle.

Saiu do prédio da aula de história e avistou o carro de Ananda, que ia buscá-la.

Conversaram sobre o movimento da loja durante a manhã, o qual estava diminuindo com a chegada da primavera. Entretanto, Ananda assegurou que não havia nenhum problema em relação às finanças.

Logo que chegaram na loja, Maurice a abraçou e a levou para dentro da confecção.

— Amy, querida! – Dona Lopez disse ao vê-la. – Conte-me uma coisa, meu amor, a escola ainda faz o baile de primavera, não é?

Com a simples menção ao baile, o coração de Amália já ameaçou sair pela boca.

— Sim, Dona Lopez. Ainda é feito.

— E você já tem um par? – Dona Lopez perguntou sugestiva.

As bochechas de Amy coraram e foi o suficiente para que a matriarca da família entendesse. Ela bateu palmas animada.

— Ótimo, minha querida! Suba agora no banquinho, nós mesmos vamos fazer seu vestido!