Além dos campos —
1 Capítulo 1 — O que vocês não sabem sobre nós.
Notas iniciais
Você imagina o que um campeão sente ou já sentiu? Não? Bom, ninguém imagina que um ex-guardião de um templo Ioniano já teve lá seus sentimentos mais... Afetuosos. Mas para a maioria dos invocadores não importa, querem apenas que eu use minha raiva e meu ódio por Noxus, e assim carregar mais uma vitória nas costas... Porém, mesmo com a determinação de alcançar meus objetivos, não consigo esquecer aquela mulher que me visitara enquanto atuava a minha antiga profissão...
Era uma tarde agradável, os raios solares eram atrativos e deliciosamente quentes, onde todas as pessoas saiam para aproveitar e trabalhar como todos os dias. Varus já estava no templo, havia muito que fazer, ele sempre chegava mais cedo para organizar o local e patrulhar os portões sagrados. De repente ele escutou um estardalhaço muito alto e, sem perder tempo correu pelos portões até chegar à frente da pequena estrada de terra que dava caminho a aldeia. Ele parou e avistou alguns homens que depois de um tempo, percebeu que era um punhado de soldados Demacianos, não podia perder tempo porque aquele território era de Iônia e não poderiam tirar a tranquilidade daquele solo. O rapaz empurrou gentilmente alguns dos homens até chegar ao centro do amaranhado de homens, olhou para sua frente e viu aquela linda mulher alta, de cabelos longos negros como a noite, esta vestia uma roupa estranha, parecia uma espécie de armamento leve. O Guardião arrumou sua postura pois não podia demonstrar fraqueza para uma pessoa que atormentava o território perigoso e delicado de se lidar.
— Quem é você? O que quer aqui nestes campos senhorita? Saiba que é um solo sagrado e muito perigoso... Disse com uma voz forte, porém contínua.
— Vou poupá-lo de detalhes. Falou tirando uma de suas luvas para pousar sua mão em seu rosto, porque de alguma maneira o sol parecia incomodá-la. — Sou de Demacia e venho em paz. Quero apenas um local para abrigo. — A Jovem mulher disse com uma voz mais firme ainda que Varus. Quando mencionou o pedido de um lugar para ficar, abaixou o tom, parecia que tinha se envergonhado.
— Me diga quem você é, e te ajudarei senhorita. — Varus trovejou, achou que a moça seria mais educada, ele não podia e nem queria perder a postura diante aquela moça Demaciana.
Ele a sentiu bufar, mas fingiu que não percebera. — Sou Vayne. Apenas uma caçadora de Demacia... E você, hum... Cabelos brancos como a neve, vestimentas de um guardião real de Iônia, receio que seja Varus. Um grande Arqueiro pelo que ouvi falar... Estou certa? — Terminou com um sorriso de canto. Para ela, o rapaz parecia um pouco... Intrigante porque, diferente de seus parceiros de viagem, ele não cedia à postura de superior da mesma.
— Em cheio. Já ouvi falar da senhorita, e tenho certeza que suas habilidades serão úteis caso alguma coisa, ou... — Olhou para um dos homens de Vayne flertando com uma cidadã "Ioniana" — Alguém atrapalhar a paz do templo e seus arredores.
— Que assim seja. Onde iremos ficar? Alguma taberna por perto?— Disse levantando os óculos escuros, se abanando e demonstrando um pouco de cansaço.
— Eles irão ficar no centro de Iônia, onde tenho certeza que serão bem tratados, a senhorita ficará em uma de nossas estalagens, não é todo dia que recebemos uma integrante tão importante da milícia de Demacia. — O rapaz sorriu e fez uma pequena reverência, apenas para provocá-la.
— Me recuso. Nada de mordomos e essas coisas. Me leve para algum vilarejo, e para uma casa comum. — A Garota repudiou a ideia e ignorou a provocação com sucesso, mas se bem que um banho quente e um pouco de paz daqueles homens sujos e tolos seria uma boa ideia.
Quando Varus respirou para reforçar a ideia, sentiu a presença de alguém empurrando os soldados e se aproximando. — Aria, o que te disse para não vir aqui enquanto estou ocupado? — A menina deu um grande sorriso ao ver Varus, imediatamente balançou pedindo desculpas com seus cabelos longos e pretos que acompanharam um olhar inocente e amável, esta logo correu até a perna do Guardião, que a abraçou discretamente. Nada naquela cena podia negar, até um grande guerreiro de Iônia podia amar algo tão inocente.
Vayne se sentiu corada, e virou seu rosto, trazendo aquela postura imponente á tona, porém como estava com pressa ela tossiu para Varus continuar a decidir algum lugar para ela ficar. — Bom, então... Sabe de algum lugar mais tranquilo para passar uns dias? — Disse olhando para suas unhas.
— A senhorita precisa de algum lugar pra ficar? O que acha de deixá-la ficar em casa Varus? Eu fiz algo muito bom para comer. — Aria deixou sua inocência falar por ela, e fez uma cara de piedade para o rapaz que não conseguia recusar qualquer pedido da pequena. Antes de ele responder, Vayne foi direta. — Feito. Obrigado pelo convite menina, Demacia estará em débito com você. — Aria sorriu e brincou com Varus, que bufou e resolveu não questionar.
Ao chegar ao pequeno vilarejo, Vayne notou que lá lembrava muito o lugar em que nascera. Sem querer deixou um sorriso escapar, e o rapaz logo notou. Bem no começo das casas pequeninas um riacho passara por trás das singelas casas, que deixava uma vista perfeita para o grande templo, a jovem mulher percebeu que Varus tinha escolhido aquele local muito bem. Ao entrar na cabana a visitante deixou suas coisas e percebeu um toque feminino que deixou claro que Aria sabia como cuidar de uma casa. A caçadora se questionou sobre Aria, aquela jovem anjo era tão madura, mas não deixava a inocência ir embora. Deu um leve pulo quando percebeu que Aria a chamava — Ei?! Moça? Você quer tomar um banho antes de comer? Deve estar cansada... Vayne balançou positivamente a cabeça e entrou em um cômodo onde teria a banheira aquecida pela gentil menina.
Na sala, Varus sentou-se em uma das cadeiras — Aria, você sabe que pode dar problema me pegarem conversando com você no templo... — hihi! Sabe que eu presto atenção se tem algum comandante por perto né, boooooobo! A menina riu e continuou a servir a mesa como se fosse apenas uma bronca de um irmão mais velho. De repente ele segurou firme o braço da menina e disse de uma maneira que só a jovem poderia escutar.
— Quero que você tome cuidado, esta mulher pode deixar as coisas agitadas por aqui. Não quero que aquilo aconteça novamente. Estamos claros? — A menina consentiu de cabeça abaixada. Não esperava que aquele assunto viesse á tona assim, Varus evitava qualquer tipo de ligação com o acidente de seus pais. Mas logo voltou a sorrir, porque Vayne tinha saído do banho e colocado algumas roupas mais leves. —Ahhhhhh! Que bonita! Onde arranjou essas roupas tão lindas? Disse a menina chegando mais perto para ver os detalhes. O Rapaz corou e abaixou sua cabeça para o prato. Aquela seria uma longa noite.
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