Notas iniciais
Olar pessoas!
Vim aqui trazer uma one muito pessoal ...
Bom, não se assustem ao longo do capitulo, leiam até o fim ,please!!!

Não vou falar mais nada, nos vemos nas notas finais...

Desculpe qualquer erro no texto e Boa leitura!

Os pinheiros altos erguiam-se majestosamente ao redor da extensa rodovia que levava ao norte de konoha.

As luzes solares adentravam levemente, através dos galhos repletos de folhas das árvores. O caminho a sua frente era repleto de um verde vivo e forte. Sentiu o ar limpo, muito diferente do de Tóquio, o qual estava acostumado, adentrar em seus pulmões. Desceu um pouco mais a janela do carro, deixando entrar mais daquele vento com um leve cheiro de grama molhada.

O vento suave bagunçava um pouco os cabelos negros, um tanto compridos.

Ouviu um miado e olhou para o lado, encontrando Saladah, sua gata siamesa de oito anos, que estava sentada no colo de sua companheira e paixão, Sakura.

Observou o rosto da mulher ao seu lado, um pouco mais iluminado do que de costume. Os olhos fechados escondiam as tonalidades de esmeraldas que eram suas íris. O cabelo rosa- claro, e um pouco abaixo do ombro, balançava levemente.

O som baixo do carro entoava o Jazz calmo de Chet Baker, com Almost blue.

A música o acalmava, e se ajustava com o clima tranquilo que as tonalidades da pequena cidade, de pouco mais de 20 mil habitantes , transpassava.

Estava indo passar dois meses em uma casa de temporada que alugara pela internet.

Era um escritor que estava passando por um bloqueio criativo, que já durava quase um ano. E atribuía isso à depressão, que o desgastou por muitos meses ,depois da morte do irmão, quase dois anos atrás.

Ele sofreu muito na época, mas colocou tudo aquilo em um livro de romance trágico, que fez sua carreira como escritor dar um salto, ficando por mais de seis meses no primeiro lugar de livros mais vendidos do Japão. Assim como em quarto lugar, mundialmente , por mais de dois meses ,pela revista do The New York Times.

Aquilo o revigorou em partes, porque em seu coração, sentia-se amargamente destronado.

Olhou novamente para Sakura. Ela fora alguém que o ajudara a passar por esse período, apesar dos pesares. Foi como um pilar para não enlouquecer completamente. Estavam juntos desde a época em que decidiu querer ser um escritor, isso há mais de cinco anos.

Compartilharam muitos momentos juntos, desde bons a ruins.

Atualmente, eles dois encontravam-se tentando fortalecer um ao outro. Ela via nele uma pessoa a quem admirar, a quem instruir a sempre ser melhor e capaz…

E ele sempre a tinha como o melhor que poderia haver nele. Principalmente depois de tudo que passou nos últimos dois anos.

Eles estavam ali ,não só para que ele pudesse se libertar novamente, mas, mais ainda, para reconectar o eixo que ele e Sakura deixou afrouxar durante o relacionamento, e que, por diversas vezes, causava tempestades sobre o convívio dos dois.

Saiu da pista asfaltada e adentrou numa estrada de terra, apontada pelo GPS. O carro balançava levemente , pelo chão irregular.

E mais a frente, viu a casa mediana de dois andares. E ao fundo, havia uma parte do rio Sasami, que cruzava toda a cidade de konoha.

Estacionou o carro em frente a casa de madeiras escuras e telhado negro.

Tocou na perna de Sakura . Ela abriu os olhos ,encarando tudo à frente e depois olhou para si.

—É uma graça…- Disse ela, com um meio sorriso .

—Sim...

Saíram do carro, e viu Saladah correr e parar perto das escadas ,cheirando algumas folhas de outono.

Sakura espreguiçou-se, e subiu os três degraus, parando em frente a grande porta de madeira negra.

Ele abriu o porta-malas e retirou duas malas grandes e uma mochila, que jogou nas costas. Cruzou o gramado aparado e subiu com as bagagens.

—Como está se sentindo?- Perguntou a ela, enquanto abria a porta.

—Animada, e você?

— Esperançoso…

Adentraram no local, assim como Saladah, que correu e pulou no sofá, deitando-se manhosa.

A sala era grande e aconchegante, havia uma lareira com uma TV grande em cima, um sofá de quatro lugares verde-musgo logo a frente, um tapete felpudo marrom no meio, assim como uma pequena mesa de vidro.

Havia um aparador de ferro, com uma vitrola antiga, num canto da sala.

Via a cozinha estilo americana, através da bancada. Tinham armários de madeira num tom claro. E eletrodomésticos novos. Assim como uma grande mesa de vidro de seis lugares, com cadeiras negras.

Uma porta de vidro dava vista para o rio, no quintal da casa.

Nas paredes, haviam algumas pinturas abstratas. E num canto, uma escada levava ao segundo andar da casa.

Sakura caminhou mais adentro, e deslizou a mão sobre as paredes de madeira rústica. Viu como ela apreciava o toque, e desbravava o ambiente calmo e de tons neutros.

Colocou as malas em um canto e seguiu para a cozinha. Depois de abrir uns armários, achou um copo, encheu de água e bebeu com vigor.

Respirou fundo, esperando que a tranquilidade dali o fizesse sentir-se como antes. Que sentasse numa cadeira e tudo fluísse bem, como há alguns anos.

Olhou para Sakura, desejando que tudo aquilo fizesse com que se reconectassem novamente, que a sintonia os unisse como antes. A amava, necessitava dela como o ar que respirava. Apesar da maré ruim que eles se encontravam, sentia que, agora, nesse lugar, eles voltariam a ter o mesmo relacionamento de antes.

—----x-----

Descobrira que a casa tinha dois quartos , três banheiros e um grande sótão, onde havia algumas caixas e um sofá bege empoeirado. E foi no cômodo subterrâneo que colocou algumas caixas com livros que costumava ler, para que lhe trouxessem ideias.

Organizou as coisas no guarda-roupa grande que havia no quarto de casal. Onde havia uma cama king size , uma cômoda de madeira escura e uma porta de vidro que dava para uma pequena sacada, com vista para o grande matagal e o rio escuro.

Escolhera aquela casa pois cada residência , naquele local, mantinha-se ao menos a trezentos metros de distância uma da outra. Dando uma tranquilidade e privacidade que ele nunca teria vivendo no seu grande apartamento, em Tóquio.

Se quisesse andar pelado pelo quintal, andaria, sem risco de ser visto por vizinho algum.

Já era noite quando organizara tudo o que tinha trazido.

Sakura passara o dia desbravando a casa, e falando em possíveis coisas que eles fariam para se entreterem ali, em uma localidade um pouco distante do centro movimentado da cidade.

Ele não estava a fim de conhecer konoha e sua gente.

Sabia que, muitas vezes, Sakura precisava desbravar lugares e comunicar-se com outras pessoas, para que se sentisse por dentro de uma nova cultura local. E ele se sentia mal , muitas vezes, por não estar acompanhando-a nesses pensamentos.

No fim das contas, ela acabava não se predispondo a sair.

Ele sentou na cama com o notebook no colo, recostando-se na cabeceira. Abriu um documento em branco no word. Pegou os óculos de leitura ,de armação preta, colocando-o sobre os olhos.

Ouvia o barulho leve no andar de baixo, deveria ser Sakura e Saladah entretendo-se.

Estava com uma ideia para um livro em mente, mas não sabia nem como começar, e quando digitava algumas poucas palavras, apagava rapidamente, pensando não ser o suficiente para um começo de uma boa história.

Suspirou pesadamente, enquanto os dedos repousavam no teclado.

Ouviu o rangido da porta semiaberta, e olhou, esperando ver alguém entrar. Depois de alguns segundos sem nada acontecer , voltou os olhos para a tela de notebook.

Sentiu um ar leve, perto do pescoço, causando um arrepio na espinha. E ao virar-se, assustou-se, com Sakura do seu lado observando-o de perto.

—Que susto!- Disse olhando-a.

— O que você tanto faz, que nem viu minha aproximação ?

—Estava tentando iniciar minha nova história, aquela que te falei…

— A do cara que se envolve em um triângulo amoroso e descobre que uma das mulheres foi amante do pai dele e causadora da separação dos pais?

— Isso!

— E como está indo?

Virou a tela do notebook pra ela, que o olhou de cenho franzido.

— Sem grandes progressos…- Disse virando o notebook para si- O que você acha, eu começo a história abordando ele quando criança e a separação dos pais ou já início na fase adulta dele, e vou voltando no tempo , contando gradualmente os acontecidos?

—Bom...- Iniciou ela, encolhida no canto esquerdo da cama- Eu acho que hoje foi um dia muito desgastante… Eu estou cansada pra poder opinar em algo e você também… Descanse, e depois pensamos nisso com calma.

Sakura beijou-lhe na testa, e enfiou-se por baixo do edredom branco, encolhendo-se e fechando os olhos ,cansados.

Suspirou rendido. Realmente, aquela não era uma boa hora pra tentar desenvolver algo.

Viu Saladah adentrar no quarto e pular para a janela, deitando-se no parapeito.

Fechou o notebook e colocou-o em cima do criado-mudo ao lado da cama, assim como os óculos.

Deitou-se, virado para Sakura. Cobriu-se e observou como ela parecia tranquila em seu sono. E adormeceu, pensando em como precisava dela ao seu lado, sempre.

—----x-----

Passara quase uma semana que estava ali, num local quase inabitado. Onde se ouvia o vento, quase como se fosse uma antiga canção de ninar, no pé do ouvido.

Algumas expectativas foram caindo no decorrer dos dias.

A primeira era que, um local sem tribulações não faria com que ele sentasse de frente ao notebook e desenvolvesse toda sua história, como num passe de mágica. Poderia surtir o efeito contrário, e trazer uma sensação mais clara de que você não tem uma boa ideia em mente.

Ele se encontrava no meio termo. Tinha as ideias, mas algo o impedia de prosseguir e conseguir escrevê-las.

E então vinha Sakura, que julgava ser o que mais seria fácil de conseguir ajustar em sua vida. Mas eles pareciam um casal que vivia de encontros e desencontros, mesmo morando sobre o mesmo teto, assim como fora nos últimos cinco anos. Sabia que colocava muitas expectativas nela, como se tudo dependesse da iniciativa da companheira.

Tinha que haver um entendimento e compreensão por parte de ambos. Mas quando ela parecia estar mais aberta e receptiva, ele tentava dar um passo maior , mas acabava se desligando dela novamente.

Não sabia ao certo quando e como chegaram nesse ponto, certamente iniciou-se com falecimento do irmão. E então, fora crescendo e crescendo, até que eles estavam ali, no mesmo lugar, mas ao mesmo tempo não.

Desligou o carro em frente a um pequeno mercado. Ele e Sakura fariam algumas compras, para passar a próxima semana.

Percebeu, ao longo do caminho até ali, que konoha era movimentada no centro. Tinha um bom comércio local e gente com disposição.

Era uma cidade que trabalhava bem com agropecuária, focando principalmente na produção de hortaliças. E isso abastecia não somente o povo dali, mas cidades vizinhas e até centros urbanos grandes, como Osaka.

Volta e meia caminhões, carregados da produção local, cruzavam as ruas e as principais avenidas para dentro e fora da pequena cidade.

Adentrou no mercado, com Sakura em seu enlace.

— Eu acho incrível como um local como esse pode produzir tanta coisa em abundância... – Disse ela, enquanto cruzavam o corredor de limpeza para a casa. — O que acha desse?- Disse ela, apontando para uma cera impermeabilizante.

—Acho ótimo, o chão lá está precisando de algo muito além disso, mas como não tem, vai esse mesmo!- Disse e pegou um pote de cera, jogando no carrinho.

Depois de pegarem algumas outras coisas essenciais , adentraram no corredor de massas e molhos, e viu Sakura observando pacotes de macarrão. Combinaram de fazer um jantar especial naquela noite.

Sentiu uma aproximação, e quando virou para o lado, uma loira o encarava, e as vezes fingia ver alguma coisa na prateleira de azeitonas, mas volta e meia lançava olhares insinuantes para si.

Ela usava um vestido que deixava grande parte das pernas compridas à mostra, e no colo, um decote avantajado. Os Cabelos loiros estavam preso num rabo de cavalo alto e no rosto, um sorriso sugestivo.

Engoliu a seco e olhou para Sakura, que agora o encarava, séria.

Ele ficou surpreso, e percebeu a loira seguir o olhar pra frente, onde Sakura estava.

A rosada revezou o olhar entre ele e a moça, e então virou-se , seguindo reto e atravessando os caixas do mercado, rumando para fora do estabelecimento.

A loira o olhou, de cenho franzido, e ele , seguiu para onde a companheira estava, segundos antes, pegando um macarrão qualquer e seguindo para o caixa, sem olhar para trás.

Passou as coisas com pressa. Pagando as compras com um cartão de débito.

Cruzou alguns carros no estacionamento pequeno, e ao chegar no seu, abriu o porta-malas, jogando a compras ali.

Abriu a porta e sentou. Sakura estava ao seu lado, de cara fechada e olhando através da janela.

—Pegou o telefone dela, quando eu sai?- Disse ela, num tom estranhamente calmo.

—Você sabe que não...Assim como sabe que é só você que importa pra mim…

— Antes eu sabia, hoje em dia não mais...Você é um homem , homem tem vontades e desejos, e eu não sei quando você vai virar as costas e dizer que não precisa mais de mim ao seu lado – ela olhou para ele, seria- E não encare essas coisas que digo como algo ruim...

— Sakura!- Disse, olhando-a- Você sabe que eu preciso de você, mais do que qualquer coisa no mundo...Quem eu seria sem você aqui?

— Não depende só de mim para você ser alguma coisa, você sabe né?

—Não…Mas com você eu sou melhor…

— Não parece!- Ela disse, e recostou a cabeça no banco, fechando os olhos.

Suspirou frustrado, e ligou o carro, saindo dali.

Cruzou avenidas naquele silêncio sepulcral. E adentrou na reserva florestal, onde ficava algumas casas, inclusive a que estava morando.

Ao estacionar o carro, Sakura saiu, e dirigiu-se para os fundos da casa.

Pegou as compras e abriu a porta, cruzou a sala e colocou as coisas na mesa da cozinha.

Saladah pulou ali ,e esfregou-se em seu braço. Fez um carinho na cabeça dela e, através da porta de vidro da cozinha, observou Sakura, estática, em frente ao lago.

— Ela é complicada…-Disse ao vento, e ouviu um miado dengoso.

Pegou Saladah no colo e subiu as escadas. Ia dormir um pouco, sentia-se desanimado, mais do que de costume. Não forçaria nenhuma conversa com ela agora, assim como não estava com cabeça pra tentar escrever.

Deitou-se, sentindo a cabeça começando a latejar. E adormeceu.

—--xx---

Quando acordou e olhou no relógio, já eram quase oito horas da noite. Espreguiçou-se e levantou. Sentia uma dor de cabeça aguda. Foi ao banheiro e pegou um comprimido, para amenizar o incômodo, e engoliu a seco.

Tomou um banho rápido e colocou uma calça de moletom e uma camiseta básica.

Desceu as escadas e viu Saladah brincando com uma bola de crochê, comprava aquelas coisas só porque ela gostava de puxar e se divertir.

Procurou Sakura com o olhos, mas só havia silêncio.

—Sakura? -Disse alto. E colocou-se a andar pela casa, a procura dela.

Começou a sentir um pouco de medo, junto com uma sensação estranha de abandono.

Subiu as escadas e procurou nos quartos. Desceu para o sótão, mas não havia nada ali, a não ser bagunça.

Saiu da casa, o céu já estava bem escuro, e um vento forte sacudia as árvores ali em volta.

Deu passos à frente, dirigindo-se para o cais que havia no rio. Parou na beirada da plataforma. Observou a água mansa, a quase dois metros abaixo de si, que balançava em pequenas ondas, acompanhando o ritmo do vento ali fora.

Viu seu reflexo cansado e distorcido. E uma leve sombra negra fez presente , ao lado de seu corpo, crescendo e tão deturpada quanto seu próprio reflexo. Sentiu algo em seu ombro, e no susto, virou-se para trás, dando de cara com Sakura, a alguns metros de si.

— O que faz aí parado? -Perguntou ela.

O coração batia rápido contra o peito, e as mãos suavam.

—Você me assustou!- Disse, passando as mãos na calça de moletom- Eu estava procurando você… Onde estava?

—Dando uma volta por ai… Tem trilhas nesse meio de mato, são bem interessantes! Descansou?

—Sim, mais do que o suficiente…

Começaram a andar de volta para a casa. E quando adentraram, ouviram a campainha tocar. Eles se entreolharam. Sakura sentou-se no sofá, e ele seguiu para a entrada da casa.

Semi abriu a porta, dando de cara com um casal, um loiro de olhos azuis brilhantes e uma morena, de face calma. A mulher segurava uma bandeja coberta com um papel toalha.

—Boa noite!- Disse o loiro, com um sorriso largo- Desculpe o incomodo a essa hora, é que ouvimos dizer que a casa ia ficar ocupada por um tempo nesse outono… E bom, eu e minha mulher sempre visitamos os hóspedes para lhes desejar boas vindas…

—Ah, obrigado pela gentileza...- Disse, ao mesmo tempo que a mulher estendia a bandeja para si, ele segurou.

—Esperamos que esteja se divertindo ! — Disse a desconhecida, com um pequeno sorriso nos lábios.

—Estamos!- Disse e olhou para trás, vendo Sakura sorrir do sofá, com Saladah brincando perto dela com a bolinha já semi destruída.

Viu o loiro e a morena seguir seu olhar, sorrindo e semicerrando os olhos para onde encontrava-se sua companheira e a gata.

—Bom, não queremos incomodar, mas qualquer coisa que precisar...- Disse a morena, com um estranho olhar- Nossa casa fica a uns dez minutos, seguindo a trilha à esquerda- Ela apontou um caminho dentre as árvores.

—Agradecemos a hospitalidade de vocês, assim como isso...- Disse ,erguendo a bandeja.

—São cookies- Disse o loiro- Minha mulher é confeiteira, e posso garantir… São os melhores do universo- O loiro piscou para si, enquanto a morena deu um sorriso sem graça.

Deu um meio sorriso envergonhado. Era um casal simpático.

Estendeu a mão para o loiro, que a tocou num cumprimento. Virou-se para a mulher dele, que o olhava interrogativa, mas ainda sim, tocou brevemente em sua mão.

Viu eles descerem as escadas, e seguirem o caminho que levava para dentro da floresta. Viu a morena olhar para si, uma última vez, brevemente.

E fechou a porta.

Sakura o encarava, com uma sobrancelha erguida e um meio sorriso.

—Que casal mais feliz…- Disse ela, tranquilamente.

—Realmente...

— Sentiu inveja?

Olhou para ela, tentando desvendar o que passava na mente de sua companheira, para dizer tais palavras.

—Porque pergunta isso?

— Não sei… Talvez pela situação que nos encontramos … Sinto ,as vezes, que você quer procurar outras coisas na vida , mas algo o impede...

— Sakura… -Disse, colocando a bandeja em cima de um aparador de vidro, perto da porta ,e caminhou para o sofá, sentando-se perto da rosada e da gata. — Nós já falamos disso…

—Eu sei, mas não custa frisar.

— Você quer me deixar?- Disse, sentindo uma pontada incomoda no peito.

— Querer... não quero, mas ,às vezes, penso ser necessário…

—Não há nada em mim que preencha você?- Questionou, sôfrego.

— Há , claro que há… Mas você me vê como um todo seu, sendo que não é só isso. Não ponha tantas expectativas em mim, porque depende mais de você…

Sentia um nervosismo crescer , fazendo suas mãos suarem. Enxugou-as na calça cinza de moletom, enquanto sua ansiedade disparava...

—Porque você sempre vem com isso? !!-Disse , levantando-se sobressaltado.

—Como assim? Se acalme!

—Não!- Andava de um lado para o outro, impaciente- Eu tento Sakura.. Eu tento arduamente...Mas parece que nada é suficiente pra você!

—Não se trata de mim, você sabe!

— Claro que sim! — Exclamou, um pouco alto demais, e fechou os olhos , tentando recompor alguma paz dentro de si- Você fica sempre me rondando, avaliando-me e em vez de ajudar com a nossa situação, fica se afastando ,ou então me dando um gostinho de tudo que há de bom em você , para depois tirar, e isolar-se no seu mundo…

—Não é bem assim… Tem coisas em você que me afastam, mesmo sem eu querer…

—Olha aí você de novo… Jogando a culpa em mim novamente!- Disse alto, e num ato de raiva, bateu a mão contra um vaso em cima de uma mesinha, que caiu ao chão, partindo-se em vários pedaços. — Eu to cansado disso! Cansado dessa pressão na minha mente, de você fingindo ajudar, mas, na verdade, se alimentando de todas as minhas forças…

—Não projete em mim, Sasuke!- Disse ela, levantando-se nervosa e parando de frente a ele.-Resolva-se internamente, e talvez possamos ser como antes!

Dito isso, ela virou-se , seguindo escadas acima, esbaforida.

E ele ficou ali, estagnado no lugar, tentando limpar a mente, para que o coração acalmasse. Isso, ao mesmo tempo que as palavras dela chocavam-se contra todo o sentimento dele, alastrando seu âmago com chamas negras.

Passou as mãos no rosto. Sabia que não estava bem. Acreditava que a depressão estava se arrastando sobre sua vida, novamente.

Suspirou pesadamente.

Subiu as escadas e adentrou em seu quarto. Sakura não estava ali, e na verdade, nem queria saber onde estava.

Sentou-se na cama, pegando o notebook e os óculos. Abriu o word, olhando a página em branco. Sentia o peito queimar.

Era desesperador, ele , como escritor, que amava transpor suas ideias para um papel ou documento, sentir-se daquele jeito … Sem rumo, sem vontade, sem vida….

A mente contorceu em imagens, que pareciam querer passar algum significado, mas que piscavam distorcidas.

Preciso...

—SAKURA!- Gritou o nome, que ecoou pelo quarto. Colocou o notebook na cama e ergueu-se, desesperado — Onde você está?!

Antes que fosse a procura da companheira , ela apareceu , cruzando a porta semiaberta. Em sua total sobriedade.

— Qual o problema? -perguntou ela, estoica.

— Fique aqui comigo, eu… Eu preciso que fique aqui comigo…

— Precisa…

— Me desculpe pelo que eu disse, por tudo…

Ela o olhava inexpressiva, como fazia quando estava prestes a sumir de vez da vida dele, para depois voltar, um pouco mais fria e distante.

—Fique…

Segurou na mão dela , e a conduzindo para a cama.

Deitaram-se , um de frente para o outro. E sempre que faziam isso, sentia uma pontada de esperança , mesmo que uma pequena fagulha, de que tudo ficaria bem .

Fechou os olhos, sentindo-os pesados.

—-----xx-------

Quando acordou, pouco depois da hora do almoço, sentiu a cabeça latejar, parecia estar com enxaqueca .

Ergueu o tronco, vendo os raios solares cruzarem a janela aberta de seu quarto, iluminando todo o cômodo. Olhou para o lado esquerdo da cama, Sakura não estava lá.

Ergueu-se desesperado, cogitando se ela tinha ido embora.

Desceu as escadas até o andar de baixo, e ao virar-se para a cozinha, encontrou-a sentada no chão, escorada na porta de correr de vidro e encarando a vista dos fundos da casa.

—Estou aqui...- Respondeu ela, calmamente.

Suspirou aliviado, aproximando-se dela. Agachou e beijou a testa da companheira.

—Achei que tinha me deixado de novo…

O olhar que ela lhe deu era uma incógnita. Mas o sorriso, foi caloroso.

—Seu celular está tocando..- Ela disse.

Olhou para trás, ouvindo o som que vinha da sala.

Caminhou e pegou o aparelho ,que tocava baixo, no sofá. Viu o nome conhecido no visor. Atendeu.

—Suigetsu?

—Sasuke!- Exclamou o amigo, parecendo preocupado- Que bom que atendeu, te liguei duas vezes essa semana….

— Não devo ter ouvido tocar..

—Antissocial como sempre!- Exclamou Suigetsu, e começou uma conversa mais animado- Como você está? E aí, como está indo?

—Bem, tudo bem…

—Conseguiu desenvolver algo?

— Não, ainda não, mas vou conseguir...

—Não se pressione tanto!- Disse o amigo, cauteloso- Mas olha, tenho uma coisa pra te falar...

— O que?

— Sabe a sua ex namorada de faculdade? Eu a encontrei essa semana…

—Suigetsu!- Exclamou baixo, olhando para Sakura, que parecia entretida com Saladah.- Eu não quero saber da Lyen…

— Sasuke! É só uma ex, não um monstro, se acalme!- Exclamou o amigo irritado- Olha , eu e ela conversamos, e descobri que ela está aí em konoha, passando um tempo na casa dos pais, você acredita na coincidência ?

Olhou novamente para a rosada, temendo que ela pudesse ouvir qualquer coisa que Suigetsu estava falando.

—Sinceramente, eu...- Começou a falar, mas foi cortado pelo amigo.

— Eu disse pra ela que você estava em konoha também, e passei o seu endereço, ela deve ir fazer uma visita.

— Suigetsu, você quer acabar com...- Começou a falar, e , novamente, foi cortado.

—Sasuke ! É só uma visita de uma velha amiga! Nada que acabe com a paz do seu novo lar, eu ein?!! Olha só, vou indo ! Se cuida e cuide bem da Sa , Até!

E só ouviu o tu tu tu do fim da ligação.

Encheu o pulmão de ar e soltou, num suspiro cansado.

—Está tudo bem?

Ouviu a voz de Sakura perguntar.

— Está, era só Suigetsu amolando como sempre… Vai querer comer alguma coisa?

—Estou bem, obrigada!

Ele fez um macarrão rápido e comeu. Foi para o quarto, enquanto Sakura entretia-se com o jardim e as plantações nos fundos da casa. Observou, pela sacada do quarto ,ela movimentar-se dentre as rosas azuis ,tocando as pétalas e, as vezes, abaixando para inalar o perfume.

Seguiu para a cama. Pegou o livro de David Lodge, A arte da ficção , e abriu na página trinta e cinco, continuando uma leitura de alguns dias atrás.

Leu até metade do livro, sentindo as vistas já cansadas. Colocou o exemplar no criado mudo.

Pegou o notebook, mas não ligou nem nada. Só ficou ali encarando a tela escura, perguntando-se porque ainda tentava aquilo.

Não aceitava a ideia de que talvez não conseguisse escrever novamente. Só de pensar, um arrepio cruzava a espinha. Vinha lutando contra o desânimo por um bom tempo, o que , sem querer , afligia não só sua vida como escritor, mas também como se relacionava com as outras pessoas e com a vida.

Passou a mão nos cabelos compridos, agarrando os fios atrás da cabeça, com força.

A pior coisa, para alguém como ele, é não se encontrar mais naquilo que ama fazer....

Era deprimente e desgastante.

Colocou o notebook de lado, pela milésima vez naquela semana, e encolheu-se na cama.

Assustou-se, quando Saladah pulou no colchão, e começou a miar perto dele.

—O que foi?- Disse, enquanto acariciava o queixo da gata, que ronronava. — Está entediada? Deve ser difícil ser um gato, não é mesmo? Cheia de lugar pra ir, não precisa trabalhar, nem socializar-se…

Saladah deitou-se, enquanto esticava o pescoço para receber mais da carícia.

A gata e ele assustaram-se, quando Sakura entrou de repente no quarto.

—Sasuke! -Exclamou ela , alterada- Tem uma mulher tocando a campainha!

Ele levantou-se, enquanto a gata desceu e saiu correndo porta a fora.

Pensou em Lyen, automaticamente.

—Pode ser qualquer pessoa… Porque está nervosa?

— Você sabe … Sabe que é ela, a sua ex- namorada, sua grande paixão!

—Meu deus Sakura! Você sabe que é você que …

—SASUKE! -Gritou ela, impaciente- Você sabe que não dá mais…Não somos os mesmos de antes…- Ela o olhou mais calma e com uma voz suave disse: — Não podemos deixar aquilo que mais amamos se tornar nossa ruína, você entende? Você sabe disso ...Sabe que é hora de fazer algo diferente, de viver sua vida de outra forma…Procurar evoluir seu espírito.. coisa que eu nunca seria capaz de fazer por você...

Sentiu um fogo alastra-se em seu peito, ela estava querendo partir de novo, mas parecia tão tão mais real do que das outras vezes…

Ajoelhou-se , diante dela.

—Sakura !- Disse, num fio de voz e suando frio- Eu preciso de você…Eu sei que não tem sido bom pra nós dois, mas, você sabe… Sabe que eu não serei nada se for embora de vez…

Ela lhe olhou compadecida , agachando em sua frente , e repetiu:

—Não deixe aquilo que você mais ama ser sua ruína…

E antes que pudesse falar algo, ela rumou para a porta, sumindo de sua vista.

—SAKURA!- Gritou, arranhando a garganta, com toda a pouca força que tinha ,enquanto escorava-se no chão, em sua derrota. -Volta!!!

Encarou , estático, o tapete do quarto. Enquanto a mente dava voltas e sentia um embrulho no estômago.

—Sasuke?!!!- Ouviu uma voz conhecida, ali no quarto. E quando deu por si, sentiu-se ser levantado e encostado sobre uma parede do quarto- Pelo amor de Deus!!!

Lyen…

Observou o rosto da mulher a sua frente, e diversos sentimentos ressurgiram. Mas ,principalmente, veio à tona na memória, a última noite que passara ao lado dela, há mais de cinco anos…

—Eu lembro bem...- Disse, olhando-a, enquanto ela, parecia assustada- Aquele hotel de Sagami, você falava em como estava ansiosa pra estudar em Harvard, o seu rosto… Transparecia tudo aquilo que sentia, isso enquanto seus pais tomavam um chá no saguão no térreo do hotel…

—Sasuke…- Ela disse, parecendo triste- O que aconteceu com você? E... não me chame de Lyen, sabe que eu gosto que me chame de Sakura, certo?

Sakura

Sakura Lyen Haruno...

O nome ecoava em sua mente. O nome e o rosto… O rosto que via agora, e que guardou por anos na memória ...

Assim como as lembranças das férias de verão que ele teve na faculdade. De como a conheceu, como eles saíram e se divertiram.

Como ela o fez se sentir bem e disposto.

Mas semanas depois àquilo, ela teve que ir embora, estudar na América do norte. E mantiveram contato, até ele perder o irmão e se afastar de tudo e todos.

E sempre guardou o sorriso dela, assim como a última noite que tiveram no hotel , antes de ela viajar.

—Me disseram que você não estava muito bem...- Disse ela, tocando em seu rosto- O que está acontecendo?

Fechou os olhos, apreciando a carícia. E no mesmo momento, lembrou-se que a sua Sakura, a que costumava extrair o melhor dele havia partido…

—Ela foi embora… De vez…- Disse, com o olhar perdido em algum ponto atrás dela, enquanto sentia uma queimação estranha no peito.- Eu , eu preciso…- Levantou-se e ao olhar através da janela, pode ver Sakura andando lentamente pelo cais do rio — Eu preciso dela...

—Dela quem ?- Disse a rosada, segurando seu rosto , fazendo-o olhá-la.

—Eu perdi a mim mesmo, Lyen- Disse, segurando as lágrimas nos olhos- Me diz como um cara como eu, que sempre gostou de escrever, que teve um livro de sucesso, que ganhou prêmios, pôde chegar nesse ponto...

Sentiu uma pontada no peito. A respiração acelerou, enquanto ele sentia o corpo reagir de forma estranha.

—Sasuke!- Disse Sakura, com o rosto pálido- Não diga essas coisas… Você é bom no que faz, e mesmo que deixasse de escrever, faria outras coisas tão bem quanto… Não se deixe abalar por uma fase ruim…Uma hora sua inspiração vai voltar… — Viu ela pegar o celular da bolsa, aflita. — Vou ligar para a emergência...

Saiu da frente dela e colocou-se a andar, cruzou a porta do quarto, e ouviu Lyen atrás de si:

—Sasuke!- Ela gritou-lhe e logo depois ouviu ela falando no telefone com alguém — Por favor, eu gostaria de uma ambulância para o bairro Takeda, casa de número 333 perto…

Desceu rápido as escadas, não ouvindo mais a voz de Lyen. Cruzou a porta da cozinha rapidamente. Viu Sakura na beira do cais, mirando o lago. Ela virou-se, seus olhares chocando-se amargamente. E logo depois, ela sumiu de sua vista, tão rápido quanto um bater de asas de um beija -flor.

Correu, o máximo que sua força o permitia. Cruzou o cais rapidamente, e ao chegar quase no final, tropeçou, caindo e batendo a cabeça nas tábuas de madeira.

Sentiu-se fraco e os olhos estavam turvos. Tocou a mão na testa e ao olhar , viu sangue escorrendo em sua palma.

Um zumbido forte no ouvido adentrava em sua mente, atormentando-o. Olhou para trás e viu Lyen na porta da cozinha, os cabelos rosa claro compridos, balançando ao vento. Ela começou a correr em sua direção, desesperada.

Tentou erguer-se, cambaleante, e ao perceber que ia cair, apoiou a mão mais a frente, mas tudo que encontrou foi o mais puro vazio contra sua palma, e sentiu o corpo inclinar, despencando no nada, até chocar-se contra água fria do rio .

O corpo imergiu, enquanto as vistas eram tomadas de manchas negras, causadas pelo corte na testa, que poluiu toda a água ao seu redor.

Estava cansado.

Mais do que costumava estar naqueles últimos anos…

Não acreditava que aquilo estava acontecendo. Tudo parecia se resumir a nada, enquanto sentia sua tristeza tão palpável.

Virou o rosto para o lado, e surpreendeu-se ao ver Sakura ali. Os dedos dela encostaram-se nos seus, enquanto o encarava inconsolável. E como mil borboletas levantando voo, viu partes dela sumir gradativamente, olhou para a mão dela perto da sua, e segundos depois, desapareceu como se nunca estivesse ali.

Fechou os olhos, sentindo o corpo envolto a água fria e acolhedora...

Era triste, mas no final das contas, ele se deixou sucumbir… E aquilo que ele mais amou, foi a sua ruína.

Notas finais
Se chegou até o final, obrigada!

Boom... Foi beeeeem difícil escrever essa one, confesso que não ficou bem do jeito que eu queria e imaginei. Espero do fundo do core que tenha conseguido passar a essência pra vocês.

E ai? Qual é a Sakura da vida de vocês? Conseguem lidar bem com ela?

Essa, descrita, foi uma das minhas Sakuras, e que representa bem minha relação de "escritora"...

E o qual o final do Sasuke?
Em relação a ele deixei ambíguo o final. Ai é a critério do que vocês querem pra ele. Ele morre, a Sakura(Lyen) salva ele... Qual foi o que você imaginou?

Confesso que tinha escrito outro final pra ele, eu o matava explicitamente. Mas assim, não é pq eu amo drama e matar personagens que tenho que fazer isso sempre né ahsuahus

Além do mais , pode haver a superação como caminho também, não é mesmo? É isso que sempre devemos buscar... Afinal , não podemos deixar aquilo que amamos virar nossa ruína!

Bjs e até a próxima!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!