Além do amor
6 Festa
Notas iniciais
Clara — chamou o rapaz parado atrás de Clara e Marina ficando a frente de Chica, Ricardo e Helena.
Clara e Marina se viraram no mesmo instante e viram espantadas aquele rapaz sorrindo segurando orquídeas lilás.
Elas não tinham nenhuma reação, única reação foi trocar um simples olhar como se buscassem alguma explicação (principalmente Marina). Chica aproveitou o momento para sair de fininho sem ser notada por ninguém. Miguel sabia que causaria um desconforto no casal, mas permanecia com a sua ironia e o tal jogo de sedução. Marina e Clara preferiram não responder nada e deixar o enfermeiro falar sozinho...
– Trouxe essa flores pra você... Achei a sua cara... — disse o rapaz sem esboçar uma reação de preocupação ou incomodo por notar que a sua presença não era nem um pouco desejada alí.
Clara ficou sem reação, então Marina tratou de pegar as flores.
– Não! Essas flores são da Clara — provocou o enfermeiro causando surpresa e raiva em Marina. Clara sentiu a sua esposa dá um passo a frente e teve medo da reação da mulher. — Calma! — pediu Clara em voz baixa. — Teria calma se alguém me explicasse como esse homem entrou na nossa casa sem ser convidado. — disse Marina encarando a sua esposa
– Opa! Muita calma, minha querida. Quem disse que não fui convidado? — continuou a provocação
– Você? Convidado? Como assim? — a fotógrafa se sentia confusa ao escutar o rapaz falar aquilo. Marina olhou pra Clara procurando explicações. — Foi você? Você convidou ele? — perguntou Marina sem saber mais controlar a raiva que sentia dentro de si.
– Eu? Ta ficando doida, amor? Como posso ter convidado alguém para uma festa que eu não sabia que teria? — respondeu Clara com firmeza e acabando com qualquer plano de Miguel.
– Quem te convidou? Quem? — nessa hora Marina se aproximou do rapaz, encarando ele olho no olho. Clara então preferiu tirar Marina de perto daquele homem.
– Por que você fez isso? — questionou Marina ao perceber que foi arrancada para longe.
– Você quer ajudar esse homem a acabar com o nosso momento? Porque é isso que ele veio fazer aqui... — respondeu Clara segurando Marina pelos dois braços com muita firmeza como se quisesse a chamar para a realidade.
– Estou cansada, Clara. Cansada desse homem ficar te rondando...
– Calma! por favor — pedia Clara acariciando o rosto da sua esposa tentando acalma-la.
– Sabe do que estou mais cansada? — não! — respondeu Clara rapidamente a pergunta da esposa
– Da sua falta de atitude com esse cara? Não estou entendendo a sua... Esse cara faz o que quiser comigo na sua frente e eu lembro de ter visto uma única vez você tomar uma atitude... To cansada disso... CANSADA — disse Marina perto do seu rosto ao mesmo tempo que tirava as mãos de sua esposa do rosto saindo indo em direção a porta da cozinha que dava acesso ao corredor que ia para a sala onde os convidados estavam. A morena vendo sua esposa sair do recinto deu alguns passos a frente com a intenção de alcançá-la pegou no braço da fotógrafa levemente que no mesmo instante respondeu com rejeição ao toque e saiu do recinto ignorando sua esposa.
Clara não sabia o que fazer, queria entender como aquele rapaz apareceu naquela festa e quem teria convidado. A morena ficou observando Marina de longe enquanto segurava uma taça na mão seguindo todos os movimentos da esposa pela sala enorme. Clara tentava se aproximar mas logo recuava por medo de qualquer reação negativa por parte de sua esposa até que viu o momento certo para se aproximar... Marina estava com Chica, Ricardo, Gisele, Helena, Virgílio, Luiza e o seu novo namorado. Clara se aproximou chegando levemente por trás da esposa depositando sua mão suavemente em sua cintura ao mesmo tempo que tentava se mostrar interessada no assunto que estava tendo antes de sua chegada. A fotógrafa não queria causar nenhum clima entre as pessoas e muito menos queria que todos os convidados notassem que ela e Clara não estavam tão bem naquele momento. Marina retribuiu o abraço que a sua esposa estava lhe dando por trás através de um leve carinho em seus mão que abraçavam sua cintura. Ivan se juntou a todos naquela conversa até que Miguel e o rapaz careca apareceram, o enfermeiro começou a entrar no assunto e ao mesmo tempo Marina tentou se soltar dos braços de Clara que prendia ela com força sem deixar ter nenhuma reação. Miguel dava a entender que estava ali pq seu amigo estava interessado com Luiza que também estava na conversa, mas Clara e Marina sabiam o que levava Miguel aquela conversa.
No meios daquela conversa que Clara não fazia nenhuma questão de prestar atenção abaixou para falar com Ivan de pertinho deixando Marina se afastar daquela rodinha, Clara só observava Marina se afastando... Todos estavam distraídos no momento, mas Clara falou rapidamente com Ivan e tratou de ir atrás da sua esposa quando sentiu uma mão mais grossa a segurar. Olhou para trás e avistou o rosto daquele tal enfermeiro.
Marina foi em direção a Flavinha e Vanessa que estava do outro lado da sala enorme.
– O que houve? Que carinha é essa? Ta parecendo que está passando mal... — questionou Vanessa
– Não aguento mais isso — respondeu Marina pegando a taça de vinho que estava na mão de Vanessa
– Que? Ta de brincadeira né?! Você organizou essa festa toda pra cansar dela no meio? Depois diz que não é volúvel... — respondeu Vanessa
– Não é nada disso, Van! Não aguento mais aquele enfermeiro idiota dando em cima da Clara...
– O que ele fez dessa vez?
– Fica rondando a Clara o tempo inteiro... Agora achou de conversar com a família dela e o pior eles dão papinho
– Acho que você ainda não viu nada, Marina! Parece que o garotão focou na princesa agora. — respondeu Vanessa fazendo um sinal para Marina se virar e olhar para onde estava sinalizando
Marina se virou e viu o rapaz agarrando o braço de Clara com força estabelecendo uma conversa a centímetros do rosto. A fotógrafa estava confusa, não sabia se esperava uma reação de Clara ou se voava no pescoço do enfermeiro, então preferiu observar de longe e se fosse necessário iria para cima.
Clara tentava se soltar do rapaz, mas o enfermeiro parecia irredutível.
– Me solta! Me solta! — pedia Clara ainda em tom baixa mas com uma raiva extremamente aparecendo em suas palavras
– Precisamos conversar. — completou o rapaz ignorando seu pedido
– Me solta! — pediu mais uma vez Clara.
– Só se você me acompanhar e ter uma ultima conversa comigo! Ultima, Clara! Juro que não te perturbo nunca mais.
– Não vou a lugar algum com você. Já te pedi mil vezes para sumir da minha vida... Me deixa em paz...
– Não posso... Não posso! Eu preciso conversar... Por favor — pedia o rapaz se aproximando do rosto da morena.
Miguel olhou para os lados e viu todos distraídos conversando e outros dançando aproveitando que estava perto da porta que dava para o lado de fora da casa e arrancou Clara dali levando para fora da casa.
– Você está maluco? — Clara tentou voltar para dentro da casa mas foi impedida pelos braços fortes do rapaz
– QUEM VOCÊ PENSA QUE É? — falava Clara no mesmo momento de dava inúmeros socos no enfermeiro.
– FICA QUIETA, CLARA! — respondeu com gritos aos gritos da morena. — Eu te amo! Tudo que eu faço e fiz por você até hoje foi por amor... Me dediquei totalmente a você. E eu sei que você também me ama, sei e sinto que você sente a mesma vontade que eu de te beijar... Clara, eu penso em você todas os segundos do meu dia... Eu tenho fantasias com você o tempo inteiro... — falava o rapaz abraçando a morena a força, Clara continuava com os socos. — Cala essa boca!! CHEGA! CHEGA! — gritou Clara ao ouvir aquela revelação toda
– CHEGA! EU JÁ ATUREI MUITA COISA VINDA DE VOCÊ! AGORA CHEGA... QUEM VAI ME OUVIR AQUI É VOCÊ... — disse Clara aos gritos bufando por tantos socos que havia dado no rapaz segundos antes. Miguel ficou surpreso com tanta firmeza nas palavras que Clara dizia
– Eu já tinha te falado que não queria nada com você no hospital e mesmo assim você veio até aqui hoje... Acho que você não entendeu ou se fez de idiota esse tempo inteiro. EU NÃO SINTO NADA POR VOCÊ — Clara se afastava do rapaz e pronunciava todas as palavras num tom firme e grosseiro
– Senti sim — respondeu rapidamente o rapaz tentando aumentar seu tom de voz para intimidar Clara
–CALA A BOCA! JÁ FALEI QUE AGORA QUEM VAI ME ESCUTAR AQUI É VOCÊ. — gritou Clara se aproximando do rapaz com um dos seus dedos apontados pra ele. — VOCÊ VAI SUMIR DA MINHA VIDA! VOCÊ VAI DESAPARECER! EU NÃO QUERO A SUA PRESENÇA AQUI, NÃO QUERO A SUA PRESENÇA EM NENHUM MOMENTO DA MINHA VIDA. — a morena dizia tudo com o seu dedo apontado para o rapaz
– Duvido — murmurou o rapaz
– VOCÊ NÃO PRECISA DUVIDAR DE NADA... NUNCA PEDI A SUA OPINIÃO... EU AMO A MARINA.
– VOCÊ PENSA QUE AMA, MAS NO FUNDO ISSO NÃO PASSA DE UMA AVENTURA. NO DIA QUE VOCÊ SE ENTREGAR PRA MIM VAI DESCOBRIR QUE TUDO O QUE VIVEU COM ESSA VADIA FOI TUDO UMA DIVERSAOZINHA BARATA. — Clara não agüentou ouvir aquelas palavras e soltou um tapa na cara do rapaz. — CALA ESSA SUA BOCA! EU TENHO NOJO DE VOCÊ... NOJO! LAVE ESSA SUA BOCA ANTES DE PRONUNCIAR O NOME DA MINHA MULHER... — disse Clara vermelha. Miguel colocou uma de suas mãos no rosto tentando amenizar a dor que sentia dentro e fora de seu corpo.
– VOCÊ AINDA VAI SE ARREPENDER E VAI DESCOBRIR QUE SOU EU QUEM VOCÊ SEMPRE AMOU
– CHEGA! CHEGA DESSA PAPO SEM SENTIDO E FUNDAMENTO. EU QUERO VOCÊ FORA DA MINHA CASA... QUERO VOCÊ FORA. NINGUÉM TE CHAMOU AQUI... RUA!!!!! — Clara apontava para o portão enorme que dava para a rua.
– Sua mãe. — continuou o rapaz sem se importar que tinha acabado de ser expulso dali. — Agora você vai querer falar da minha mãe? Cala a boca e vai embora da minha casa agora. — disse Clara sem paciência
– Sua mãe me convidou, Clara. Sua mãe sabe mais dos seus desejos que você mesma. — aquelas palavras pareciam machucar a morena mais que qualquer tiro que poderia tomar. — Minha mãe? Não pode ser — questionou Clara e ao mesmo tempo pensando em voz alta.
– Sua mãe sabe o que é melhor pra você! Ela sabe que eu sou a pessoa certa pra você... Ela — Clara não deixou o enfermeiro acabar sua frase — SOME! RUA! SAI DA MINHA CASA AGORA — disse Clara aos gritos saindo em direção a porta que dava acesso a sala onde todos convidados estavam e onde Marina estava a espera de sua esposa. Clara abriu a porta e deu de cara com Marina, Miguel veio logo atrás notando que a morena havia parado no meio do caminho e automaticamente pensou que a fotógrafa estivesse do outro lado até que teve a idéia de passar a língua e seus dentes inúmeras vezes nos lábios até ficarem bem vermelhos. Miguel conseguiu alcançar Clara e surgir atrás da morena limpando seu lábio e ajeitando sua roupa num gesto de mandar uma menagem e impressão para Marina que estaria a sua frente. A fotógrafa olhava para a sua esposa procurando uma explicação para aquela cena. Clara encarava sua mulher sem imaginar o que Miguel tivesse planejado nas suas costas. Miguel deu um sorriso para a fotógrafa e disse em voz baixa nos ouvidos de Clara sendo suficiente para Marina escutar. — Acho que a sua mulher nos pegou no flagra...
Marina tirou suas próprias conclusões e preferiu julgar Clara sem ao menos escutar uma única palavra.
– Nunca pensei que seria capaz de me trair dentro da nossa própria casa. — finalizou Marina com os olhos cheios de lágrimas.
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