Além do Tempo

16 Reencontro - Capítulo 16


Notas iniciais
Olá pessoal Não sei dizer porque esse capítulo demorou tanto de sair, apenas que a falta de tempo é grande, mesmo eu usando quase todo o meu tempo livre pra isso, mas o que importa é que o capítulo ta aqui e olha... Eu super recomendo!!! Agradecimento especial a Vivi que betou esse capítulo em tempo record. Obrigado a todos que comentam a fic vocês são demais. Chega de papo e vamos lá

Além do Tempo — Capítulo 16



Mu estava observando algumas flores de lavanda, flores essas que deram origem aos seus cabelos, lavanda era sua flor favorita e o perfume que mais apreciava, que Afrodite das rosas ignorasse esse fato para sempre.

Mu sentiu que Aldebaran se aproximava, então levantou a espera do "gigante", apelido que ele e seus amigos deram ao rapaz.

O Touro estava andando distraído, pensando em tudo que aconteceu, nas memórias passadas que voltaram a sua mente, e quando viu Mu a sua frente estancou ficando envergonhado. — Mu, er digo, Senhor Mu... Eu...

— Aldebaran, por que não gosta de mim? — O pequeno elfo perguntou à queima roupa.

— Eu o quê? De onde tirou tamanha sandice? — Perguntou o Touro confuso.

— Simples, da forma distante que me trata, por que me salvou daquela forma se nem consegue me olhar nos olhos? — Mu voltou a perguntar.

Completamente desarmado Aldebaran suspirou e segurou a delicada mão de Mu. — Senhor Mu.

— Se continuar me chamado de “Senhor Mu" eu nem sei o que sou capaz de fazer com você Aldebaran. — Cortou Mu ralhando com ex-guardião.

Surpreso com a atitude decidida do outro e um tanto sem graça Aldebaran começou a falar. — Pequeno, eu me lembrei... lembrei de minhas vidas passadas, lembrei da minha vida como guardião nos terrenos de Delmare.

Mu o olhou surpreso, não se lembrava de ter visto Aldebaran em Delmare em outra vida.

— Eu, Milo, Aioria e o cabeça dura do Máscara vivemos juntos em muitas vidas, somos amigos de longa data, me lembro como se fosse hoje o dia da morte de Milo e Aioria.

Mu estava cada vez mais surpreso com o que ouvia.

— Houveram boatos de que eles haviam sido castigados pelos deuses por terem ousado a amar um elfo, digo dormir com um elfo. — Aldebaran começou a revelar a Mu seu passado. — Os elfos para nós sempre foram considerados criaturas mágicas especiais e sagradas, criaturas fora do nosso alcance. Isto sempre foi nos dito durante os anos de treinamento, então, quando Milo e Aioria apareceram mortos e os tempos sombrios começaram a tomar conta de Delmare, todos nós pensamos que era um castigo dos deuses pela blasfêmia deles em ousarem se deitar com os elfos na noite do solstício.

— Aldebaran que bobagem, nós...

Foi a vez de Aldebaran cortar Mu. — Me deixe terminar, Pequeno.

Mu se calou e continuou a ouvir o relato do seu salvador.

— Eu achava que estávamos todos amaldiçoados, o frio ficou intenso, naquele lugar belo pouca vida se via, tudo estava frio e congelando Delmare não era mais como antes, e sabíamos que o gelo de Delmare é importante para o equilíbrio do nosso mundo, mas ele estava passando dos limites. Um dia eu estava andando pelos limites de Delmare quando vi a coisa mais divina de toda minha existência.

— O que você viu Aldebaran? — Quis saber Mu curioso.

— Eu vi você, Pequeno.

— Você viu a mim? — Mu perguntou curioso não se lembrava de já ter visto Aldebaran em sua vida. — Como?

— O lago que ficou congelado possuía uma pedra de gelo, que parecia um enorme cristal lapidado pelos deuses de tão belo, e todos os dias eu o via caminhando pelo lago para ir rezar aos pés do enorme cristal de gelo.

Mu sorriu perante a ingenuidade do outro e na falta de conhecimento sobre o mundo elfo.

— Eu o observava todos os dias pela manhã, pela tarde você nunca falhava, algumas vezes ia acompanhado do elfo do Aioria.

— Shaka. — Corrigiu Mu, o seu primo não era uma propriedade do mortal para ser chamado daquela forma.

— Sim, Shaka, algumas vezes você ia rezar na companhia dele, foi então que eu decidi colocar flores aos pés daquele cristal santo. Eu as colhia para você longe dali, onde ainda existia vida. — Revelou Aldebaran.

— Aldebaran! Eu me lembro das lindas flores que me alegravam sempre que eu as via, quando elas pararam de vir eu senti uma tristeza muito grande que me doía aqui.. — Revelou Mu apontando para o coração, o Touro o olhou emocionado.

— Eu sempre o amei, Pequeno, mas nunca me senti digno de você. — Declarou Aldebaran triste.

— Em três dias será comemorado o equinócio da primavera e a data mais importante de Ville Rosálie, é como no solstício de inverno que comemorávamos em Delmare, se tivermos sorte e formos abençoados o Divino se fará presente para nos abençoar. — Mu começou a explicar com os olhos brilhantes. — Vai ser minha primeira vez neste tipo de comemoração.

O elfo não entrou em detalhes sobre o que aconteceria naquela noite, sobre sua iniciação sexual, mas ainda assim prosseguiu. — Mas se o Divino nos abençoar... — “nada vai poder destruir esse amor”— pensou Mu sem falar aquelas palavras em voz alta.

Mu falou eufórico sem, obviamente, explicar que tipo de comemoração era aquela e o que aconteceria na tal noite do equinócio da primavera. Mas Aldebaran como um Ex-guardião sabia dos rituais élficos.

O Touro não sabia o que pensar, quando Milo e Aioria foram mortos na outra vida houve uma forte comoção entre os guardiões e um boato de que mortais não podiam participar dos festejos élficos sob a pena de morte. Aldebaran acreditou nisso durante quase toda sua vida passada. — Pequeno... Mu não sei se sou digno de comparecer aos festejos élficos.

— Você é mais do que digno, Aldebaran, você é o meu herói, meu salvador. — Disse Mu firme.

O elfo de cabelos de lavanda novamente pegou o Touro desprevenido lhe roubou um beijou na boca.

Novamente Mu saiu sorrindo como uma criança que faz uma traquinagem, enquanto Aldebaran ficou parado com os dedos entre os lábios.

*-*-*-*-*

— Shaka, Shaka, pelos Deuses eu me lembrei de tudo, como se tudo que vivemos na outra vida tivesse acontecido ontem, por Athena, como eu te amo! — Aioria dizia enquanto beijava e abraçava Shaka.

O elfo por sua vez estava completamente emocionado, segurou o rosto de Aioria e olhando em seus olhos declarou. — Eu te amo, Aioria, amo como nunca pensei que seria capaz de amar um dia e nesses cento e cinquenta anos que se passou minha maior dor foi saber que eu nunca havia dito isso pra você.

— Desculpe ter feito você sofrer.

— Não foi culpa sua, não tem que se desculpar. — Shaka respondeu encarando Aioria completamente apaixonado.

— Eu quero te dar uma prova do meu amor, Shaka. — Aioria declarou segurando o rosto do elfo e olhando em seus olhos.

— Prova maior do que enfrentar um leão para me salvar? Você me deu essa prova naquele dia, meu amor. — Respondeu Shaka sorrindo.

— Ali foi instinto, eu sabia que precisava te salvar, não sei explicar o que senti, não pensei. — Confessou Aioria.

— Você sentiu aqui. — Shaka falou tocando o coração de Aioria. — Sua alma me reconheceu e você me salvou pela segunda vez, ou melhor pela terceira vez. — Tornou Shaka fazendo Aioria o olhar intrigado.

— Pela terceira vez? Quando foram as duas outras vezes? — O Leão questionou.

Shaka sorriu gracioso antes de responder. — A primeira vez foi quando você me salvou dos orcs, lembra?

Como se aquele fato tivesse de fato acontecido apenas alguns dias atrás Aioria sorriu e confirmou com a cabeça. — E quando foi a segunda?

Shaka o encarou com seus brilhantes olhos azuis e respondeu. — Quando você me amou, você me salvou de uma existência fria e vaga, me deu amor, emoção, paixão coisas que eu nunca pensei que sentiria, muito obrigada por isso Aioria.

Sem dizer mais nenhuma palavra Shaka e Aioria se amaram felizes e emocionados pelo reencontro de almas.

*-*-*-*-*


Quando Milo chegou até eles, Camus soube pelo seu olhar que seu Milo estava de volta.

O ex-guardião olhou nos olhos do elfo com a saudade latente em seu peito, depois encarou o menino que sorria e esticava os pequenos braços para que o pai mortal o pegasse no colo.

Milo assim o fez, apertou o menino nos braços com lágrimas nos olhos e observando o ruivo, sorriu. — Nosso filho!

Camus estava imóvel, dos olhos caíam lágrimas que o elfo não saberia dizer se eram de felicidade, saudade, medo... um misto de emoções explodiam em seu peito quando confirmou. — Nosso filho.

Os dois se abraçam com Hyoga entre eles, Milo não pôde se conter e tomou os lábios do seu elfo, num beijo repleto de saudade!

— Você voltou, Milo, voltou pra mim, pra nós. — Camus falou com a cabeça encostada na testa de Milo.

— Incrível, Camus, incrível parece que tudo que vivemos foi ontem, consigo me lembrar de todos os detalhes. Por Athena, consigo me lembrar de fatos de vidas anteriores àquela última. — Milo dizia ainda tentando assimilar tantas coisas. — Caramba, Camus, acho que sou mais velho que você!

O elfo riu, aliás, o sorriso não queria deixar seus lábios naquele momento.

Hyoga, que olhava de um para o outro, resolveu descer do colo de Milo e voltar a brincar na beira do lago.

— Pai, olha o que eu sei fazer. — Hyoga falou para Milo mostrando algumas folhas congeladas.

Camus o olhou com ternura e Milo não conseguiu resistir a emoção de ouvir o pequeno o chamando de pai. — Hyoga, em todas as minhas vidas eu sempre quis ter um filho, mas nunca havia sido agraciado com esta benção, mas todas as vezes que eu pensava num filho ele era exatamente como você. — Milo voltou a abraçar o filho emocionado.

Hyoga ficou olhando para o rosto de Milo e falou. — Pai. — Depois virou-se para Camus e falou. — Papai.

Camus concordou com a cabeça, o menino estava dizendo que assim os chamariam daquele momento em diante.

Tanto Milo, quanto Camus ansiavam pelo momento em que estariam a sós, havia muito a ser dito, mas não podia ser na frente do filho.

O menino elfo voltou ao chão e foi correr pela margem do lago onde os cisnes dançavam.

Camus e Milo olhavam o filho atentos, Milo esticou os dedos e alcançou a mão de Camus que entrelaçou os dedos nos do amado.

— Camus, por que me rejeitou? Digo, por que fugiu de mim nesta vida? — Milo perguntou sem tirar os olhos do filho que brincava com os pássaros.

Camus apertou a mão de Milo como se esse gesto pudesse apagar a saudade que sentia.

— Eu o vi morrer, Milo, você perdeu sua vida mortal diante dos meus olhos, eu nunca... — A voz de Camus falhou pela emoção. — ... Eu nunca consegui esquecer aquele momento, a dor que senti. Você perdeu sua vida por minha causa, Milo, não tenho o direito de colocar você em risco novamente. — Camus fez menção de se levantar, mas Milo o segurou pelas mãos.

— Camus, minha vida nada vale sem você nela. Você não teve culpa de nada, foi um acidente você não tinha como saber que a criança estava ali.

Os dois conversavam sem tirar os olhos de Hyoga por um só momento.

— Pobre Simonne, ela era um pouco mais velha do que Hyoga. Tanto sofrimento por minha causa, Milo, se eu não tivesse desobedecido meu pai e insistido para continuar com você nada disse teria acontecido. — Lamentou o elfo.

— Camus, foi uma fatalidade, nosso amor é puro e verdadeiro, sobreviveu à morte, seu pai não tinha como nos manter separados, nós fomos abençoados com um filho, Camus, como isso pode ser errado? — Questionou Milo.

Camus olhou Milo nos olhos e desviou o olhar para Hyoga, que ainda brincava próximo ao lago.

— Camus, não me faça ficar longe de você, do nosso filho... eu os amo demais, não aumente nosso sofrimento, por favor. — Milo pediu sentando sobre seus joelhos olhando para Camus. O elfo acariciou o rosto do amado e com os olhos fixos em sua boca não resistiu ao impulso de beijá-lo.

Quanta saudade existia naquele beijo, o gosto, o toque, o reconhecimento.

Quando findaram o contato, ficaram com a testa colada sentindo a respiração um do outro.

— Papai. — Hyoga chamou próximo aos dois que se separaram sem graça diante do filho.

Camus olhou para o menino, que esticou os braços pedindo colo, o elfo prontamente o atendeu o colocou o filho sentado em seu colo.
Apesar de toda a energia que uma criança élfica tinha, se comparado a uma criança mortal, Hyoga estava muito cansado, não havia dormido desde que passou a noite com seu pai Milo na estalagem.

— Por Athena, ele deve estar exausto, aguentou firme todos os percalços que tivemos. — Comentou Milo, olhando encantado para o filho.

— Sim, Hyoga passou por muita coisa nesta curta vida que ele tem, coisas que nenhuma criança élfica ou mortal deveria passar. — Comentou Camus, beijando a cabeça do filho que se aninhava em seu colo.

Milo ficou olhando para eles pensativo, depois sem graça perguntou: — Camus, como..? Digo, como é possível que você sendo homem como eu possa ter tido um filho?

— Não sou um homem como você, Milo. — O elfo comentou fazendo o outro erguer a sobrancelha questionador.

— Uou, pelo que eu me lembro você é homem sim. — Insistiu Milo.

Camus sorriu antes de prosseguir. — Milo, não sou um homem, sou um elfo! Obviamente dois homens mortais jamais seriam capazes de procriar, mas essa regra não se aplica a dois elfos machos, ou como em nosso caso que é raro, mas para um elfo macho e um homem mortal procriar é possível sim, principalmente na noite do solstício, quando abençoados pelo Divino.

Milo ficou pensativo analisando aquela informação antes de prosseguir nos questionamentos. — Tá, mas como ele...? Digo... As mulheres... Er... Com as mulheres a criança sai por onde entrou, sabe? Entende...?

Camus ouviu o questionamento de Milo e demorou alguns segundos para assimilar o que o outro estava perguntando. — Pelo Divino, Milo! Não! — Camus não poderia estar mais vermelho.

— O quê? — Milo reagiu sem entender.

Camus soltou o ar dos pulmões para não ser exaltar e para não ficar vermelho olhou novamente para Milo e começou a explicar para tentar esclarecer as dúvidas dele. — Meu amor, Hyoga não foi concebido pela semente que jorra de você ou de mim quando nós nos amamos, — Milo voltou a franzir a testa em estranheza. — Nosso filho foi concebido través de nossa energia, da energia que nós desprendíamos no momento em que nos amávamos durante o solstício.

— Energia? Não entendo. — Milo respondeu sincero.

Camus aconchegou Hyoga já adormecido em seus braços e então começou a alimentá-lo com sua energia como fazia antes de se separarem.

Milo olhou a bela cena emocionado sentiu novamente a sensação de paz, de volta ao lar, a mesma sensação que sentiu quando viu aquela luz mais cedo.

— Lembra que se sentiu exausto quando estava a caminho de Ville Rosálie? Shaka me contou. — Camus acrescentou ao perceber a expressão de surpresa do ex-guardião.

Milo então confirmou com a cabeça.

— Hyoga estava, sem saber que te prejudicaria, absorvendo sua energia, como ele sabia que você era o pai dele, o pobre achou que tudo bem se alimentar da sua energia. — Camus esclareceu.

— Por Athena! — Soltou Milo sem deixar transparecer o choque que teve com aquela informação, alimentar seu filho que não passava de uma criança, poderia custar sua vida?

Camus ficou estudando a expressão do outro então falou triste. — Está vendo, Milo, não podemos ficar juntos, meu pai me disse certa vez que nosso amor só nos traria dor e sofrimento.

— Camus como pode falar isso? Como pode dizer uma coisa dessas quando está com o fruto do nosso amor nos seus braços? — Milo questionou emocionado olhando para o Hyoga que jazia adormecido no colo do pai elfo. — Hyoga é o nosso milagre, é a prova de que nosso amor foi abençoado, Camus, por favor, não nos prive desse amor.

Lágrimas emocionadas brilhavam nos olhos de Camus, Milo segurou seu rosto olhando em seus olhos. — Todo sofrimento já ficou pra trás, agora é a hora de lutarmos por nossa felicidade Camus.

Camus concordou, ambos sorriram e selaram aquele momento com um beijo apaixonado, só se separaram quando ouviram o resmungar de Hyoga que dormia nos braços de Camus.

Milo sorriu para Camus antes de dizer: — A gente precisa conversar, quero saber tudo o que houve com você, eu preciso compartilhar as coisas que vivi nesta nova vida, há muito a ser dito.

Camus concordou assentiu e repetiu as últimas palavras de Milo. — Há muito a ser dito.

Milo esticou a mão ajudando o elfo a levantar com o filho adormecido nos braços, os dois caminharam pelos jardins reais, indo em direção aos aposentos de Camus.

— Senhor Camus. — O elfo ouviu a voz de Isaak, que o chamando próximo ao corredor florido.

Camus e Milo pararam ao ouvir o rapaz. — Sim, Isaak o que deseja?

— Permita que eu cuide do Hyoga, que eu zele por ele. — O elfo mais novo pediu.

Camus e Milo trocaram olhares confusos.

— Senhor Camus, eu observo e cuido do Hyoga desde seu nascimento, à distância quando vocês ainda estavam nos limites de Delmare, e depois quando vagaram pelas florestas, e depois mais próximo quanto ele esteve longe do senhor. Meu dever é proteger o Hyoga com a minha vida se for necessário, fiz esse juramento ao seu pai, nosso Rei Crystal, e faço novamente aqui perante vocês. — Disse Isaak se curvando em reverência ao nobre a sua frente e seu escolhido.

Camus tinha o filho abraçado junto ao corpo, hesitou por um momento, mas sabia que Isaak era fiel e sabia que jamais poderia pagar o carinho e a proteção que o rapaz dispensou ao seu filho. — Isaak, este é o meu bem mais precioso, se meu pai confiou a você proteger Hyoga é porque ele tinha certeza de sua lealdade e capacidade.

— Venha. — Camus foi até o quarto acoplado ao seu que seria dispensado ao filho, Camus não pretendia ficar longe do menino, mas tendo Isaak o ajudando na proteção ao filho, poderia ao menos tentar deixar o filho em um quarto seu.

Colocou Hyoga na cama dando um beijo de boa noite na testa do garoto e Milo repetiu seu gesto, antes de passar pela porta os dois olharam o filho mais uma vez, Camus teve que resistir a vontade de pegar o filho e leva-lo junto a si. Olhou para Isaak novamente o rapaz que lhe correspondeu o olhar pedindo confiança, Camus concordou e saiu com Milo deixando a criança élfica aos cuidados de Isaak.

Milo seguiu com Camus para seu quarto, que o fez entrar.

Havia tanto para conversarem. Havia tanto para ser dito, havia urgência, a necessidade dos amantes, havia a saudade...

Os dois então se abraçaram simultaneamente.

E ficaram ali naquele abraço sentindo o coração pulsante um do outro.

— Ah, Camus... eu sabia, eu sabia que você era especial assim que olhei para você no meio daquela multidão, pra mim foi como se o tempo tivesse parado, se todos em volta tivessem sumido, só existia eu e você. — Disse Milo relembrando o encontro dele nos jogos de Gonda.

— Eu senti o mesmo, apesar de ter que disfarçar para que o tirano não percebesse nada. — Respondeu Camus acariciando o rosto de Milo.

— Aquele maldito! Camus, quando penso no que você deve ter passado nas mãos do desgraçado. — Milo falou nervoso, tanto pelo ciúme de imaginar Radamanthys abusando do seu amor, quanto pela impotência em não ter estado lá para Camus naqueles momentos.

— Ele não me tocou. — Começou Camus hesitante, — Ao menos não chegou às vias de fato. — Camus continuou tentando tranquilizar Milo, que olhou incrédulo para ele. — Eu disse a ele que no momento em que ele me... Que ele me tocasse eu perderia os meus poderes, Radamanthys jamais se arriscaria a ficar sem os meus poderes. — Revelou o elfo.

Milo sorriu pela astúcia de Camus. — Pelos Deuses! Você foi genial!

Camus sorriu de volta, era fácil sorrir agora com Milo e Hyoga ao seu lado, isso sem contar com os primos e amigos a salvo.

— Milo, estou tão feliz que chego a ficar com medo. — Disse Camus inseguro, havia sofrido tanto nos últimos anos que chegou realmente a acreditar que era de fato um amaldiçoado e que a felicidade não era para ele.

— Meu amor, o tempo do medo ficou pra trás, eu sei que tempos sombrios e difíceis nos esperam pela frente, mas juntos seremos sempre mais fortes, juntos lutaremos para deixar este mundo melhor para o nosso filho e não importa quantas vidas eu tenha, eu vou te amar em todas elas! — Milo voltou a beijar Camus.

— Milo... — Camus tentou dizer, mas o ex-guardião o impediu.

— Amanhã, Camus, amanhã voltaremos a falar sobre nossos problemas, hoje, agora, neste momento... eu quero matar a saudade de uma vida inteira em que estive longe de você.

Camus sorriu ao ouvir as palavras de Milo e os dois voltaram a se beijar, o loiro apertou o elfo nos braços.

— Eu preciso de você, Camus. — Milo sussurrou para o outro com a voz rouca coberto de desejo.

Camus virou de costas e colocou seus longos cabelos rubros para frente sinalizando a Milo que precisava de ajuda para se despir

Um tanto nervoso de excitação, Milo começou a desabotoar a túnica azul de Camus a fazendo deslizar pelo corpo alvo do elfo revelando a Milo as formas perfeitas do ruivo.

Camus era magro por essência, e estava mais magro por causa dos sofrimentos que passou, sobretudo nos últimos anos preso a Radamanthys, sendo subjugado pelo medalhão do poder. Mas ainda assim, o elfo tinha os músculos nos locais certos, não havia nada fora do lugar naquele corpo.

Sua pele sempre macia e alva contrastando com os seus cabelos de fogo, Milo não pôde deixar de reparar na bunda do seu ruivo.

"Com certeza Camus é, na realidade, uma pintura dos Deuses que veio à terra para minha perdição" — Pensou Milo enquanto a túnica do elfo finalmente foi ao chão.

Com os olhos vidrados no elfo, Milo admirava sua perfeição. — Meu amor, finalmente vou tê-lo em meus braços

Camus sorriu e ajudou Milo a se despir, Milo tinha a pele bronzeada pelo sol, coisa incomum entre os elfos.

O príncipe elfo então espalmou as mãos no peito firme descendo pela barriga definida, "perfeito!" — Pensou.

— Veja, Camus, olha como fico ao menor toque de seus dedos. — Milo sussurrou mostrando ao ruivo sua ereção, o ruivo por sua vez não estava em situação diferente.

Camus sorriu maliciosamente e não se acanhou em segurar aquele membro rijo que tanto desejava.

— Hnng. — O gemido de Milo se fez ouvir.

Os dois se encararam desejosos e se beijaram apaixonados.

Milo levantou Camus, o fazendo cruzar as pernas em volta do seu corpo seguiu com ele até o leito, com cuidado colocou o elfo no colchão macio e perfumado, recheado de pétalas de rosas, os enamorados trocaram olhares e beijos apaixonados.

O loiro começou a beijar cada centímetro do corpo do elfo, se deliciando com a maciez daquela tez acetinada, chegando ao membro rijo, o encarou com volúpia antes de tomá-lo na boca, fazendo Camus se contorcer de prazer.

— Hng. — Gemeu o elfo deliciado.

Milo se dedicou à felação observando as reações de Camus, que se contorcia de prazer, o loiro então acariciou o rosto do elfo que segurou sua mão e o olhou com desejo, Camus então lambeu os dedos de Milo no mesmo ritmo que o loiro o chupava.

Entendendo a mensagem, Milo olhou para o botão rosado que tanto desejava e acariciou lentamente, contornando com os dedos.

Camus gemeu mais uma vez sem pudor algum, Milo tinha o dom de fazer o sempre tão sério Camus perder totalmente sua razão.

Milo introduziu um dedo em Camus, que por sua vez só sentia prazer, o ex-guardião tentava ser o mais carinhoso possível, como se Camus fosse feito de porcelana e pudesse quebrar a qualquer momento.

Mas Camus, tomado de desejo, saudade e paixão tinha outros planos.

Virou de posição ficando por cima de Milo. — Eu esperei muito tempo pra ter você de volta, Milo, meu corpo está queimando de paixão e desejo, eu quero você!

Milo sorriu e puxou o ruivo para um beijo apaixonado, Camus estava quente como na noite do solstício, quente como o próprio estava.

O loiro olhou com os olhos nublados quando viu Camus se posicionando sobre seu falo enrijecido.

— Camus! — Tentou dizer, mas não conseguiu, pois foi tomado de prazer ao sentir o corpo macio de Camus envolvendo seu membro.

Ambos gemeram, tomados pela paixão beijaram-se mais uma vez antes de Milo segurar Camus pela cintura e começar o movimento de vai e vem, inicialmente lento, mas em pouco tempo já estava estocando com força.

Camus se movimentava também, tomado de desejo, amor e felicidade.

Logo Milo mudou a posição ficando de lado, segurou uma das pernas de Camus e continuou a estocar aumentando o ritmo cada vez mais.

— Ah... Camus... como eu te amo! — Milo declarou pouco antes de explodir, ainda dentro de Camus, no orgasmo mais forte que já teve em sua vida.

— Milo! Eu o amo... — Camus devolveu a declaração se derramando em sua barriga.

Os dois selaram aquele momento com outro beijo apaixonado.

— Como é possível que eu me sinta tão feliz? — Milo sorriu para Camus que completou. — Ao seu lado, me sinto indecentemente feliz...

— Houve vezes em que eu pensei que não tivesse direito à felicidade, ainda me pego tocando em você para saber se não estou sonhando. — Confessou Camus.

— Meu amor, eu juro que assim que estivermos em paz eu usarei cada minuto dos meus dias para te fazer feliz e compensar tudo que você passou. — Prometeu Milo apaixonado antes de começar a beijar Camus novamente.

E naquela noite se amaram mais algumas vezes tentando matar a saudade que insistia em ficar em seus peitos.

...

Milo finalmente havia adormecido, afinal estava cansado da viagem, apesar de que, na opinião de Camus, o loiro estava esbanjando disposição, mas após se amarem algumas vezes Milo se rendeu ao cansaço e ao sono.

Camus observava seu amor adormecido, estudando cada centímetro de seu rosto, "Eu o amo, Milo" — Pensou o elfo.

Camus observava Milo dormir, mas seu coração estava inquieto, sentia faltava alguma coisa, ou alguém ali.

O elfo se levantou, vestiu sua túnica e foi em direção ao quarto de Hyoga.

Camus abriu a porta sem bater, pois sentiu que o jovem guerreiro elfo estava acordado. Encontrou Isaak recostado em uma confortável cadeira e Hyoga dormindo na cama.

— Desculpe Isaak, não é falta de confiança em seus cuidados, sabe que confiaria minha vida a você, mas ainda sinto muita falta do meu filho, quero ele comigo o máximo de tempo que eu tiver.

— Eu, senhor Camus. — O jovem que havia se levantado assim que o príncipe entrou falou fazendo uma reverência.

— Chame-me apenas de Camus, Isaak, tenho você em alta conta, você é o anjo protetor do meu filho. — Camus pediu sincero.

Isaak sorriu e Camus foi até o leito e pegou o filho adormecido nos braços e o levou para o seu quarto, onde Milo dormia.

Quando o elfo se aproximou do leito com Hyoga nos braços, Milo despertou e olhou interrogativo para Camus. — Eu não consigo ficar em paz sem que ele esteja junto a mim, Milo.

O ex-guardião sorriu e deu espaço para que Camus acomodasse seu filho. — Uma família, Camus, somos uma família!

Camus sorriu e se deitou deixando Hyoga no meio deles, ali estavam os dois amores de Camus, e ele faria qualquer coisa para proteger e defender a vida dos dois, mesmo que isso significasse lutar contra Hilda, Surtr ou seu pai.

— Camus, me explique novamente como foi o nascimento de Hyoga? — Perguntou Milo fazendo Camus sorrir.

*-*-*-*-*

Com os corpos molhados de suor ainda sentindo o corpo letárgico pelo prazer alcançado há pouco deitados na cama de pétalas de rosas Albáfica acariciava o rosto sério de Minos. — O que veio fazer aqui?

— Saudade não é motivo suficiente? — Minos respondeu irônico.

— Sabe que não, você raramente deixa as terras escuras, você é um elfo das trevas, saudade jamais faria você vir até aqui de surpresa. — O Rei Albáfica respondeu também sério.

— Pois saiba que saudade é um ótimo motivo para eu vir te ver, ver meu filho. — Tornou Minos desafiador.

— Afrodite é um ser de luz, sabe disso. — Albáfica falou sério.

— Sei sim, o Divino poderia nos abençoar com outro filho, o que acha? — Perguntou Minos sorrindo. — O equinócio da primavera da primavera está chegando.

Albáfica carinhosamente beijou Minos que correspondeu ao beijo com entusiasmo. Quando seus lábios se soltaram o Rei de Ville Rosálie voltou a perguntar. — O que te trouxe aqui, Minos.

— Hilda. — O amante do soberano de Ville Rosálie respondeu.

— Não vamos conseguir evitar essa guerra, não é? — Perguntou Albáfica triste.

— Não, meu querido, e vocês precisam agir. — Alertou o Rei do Escuro.

Albáfica se levantou desconfiado e perguntou. — O que sabe sobre os planos de Hilda?

Um pouco desconfortável Minos começou a relatar o que Albáfica de fato precisava saber. — Há algum tempo ela me procurou dizendo que precisava fazer um exército de orcs para ajudá-la na defesa de Asgardil, ela me disse que não queria humanos para esse trabalho, pois os achava mais desprezível que os orcs. — Revelou Minos a Albáfica que se enfurecia a cada palavra dita. — Talvez ela tenha decidido isso depois do que ocorreu em Delmare. — Acrescentou.

— Não! Com certeza não foi por isso! Hilda foi tocada pela ganância, ela quer ser superior a todos os elfos, quer governar tudo! — Albáfica rebateu enérgico enquanto se vestia, — Ela está atrás do medalhão de Eilift lif Minos.

Minos tinha a tez branca por natureza, mas Albáfica percebeu que ele ficou pálido.

— Seu descaso pela vida humana pode ajudar a Hilda a destruir todos nós. — Sentenciou o Rei de Ville Rosálie.

Notas finais
Não sei vocês, mas eu to garrando um ódio dessa Hilda. Grrr Mas vamos combinar que para o Rei Minos ter saído das terras escuras e ido parar lá em Ville Rosalie é porque a coisa tá feia, né? Link para o grupo das fics >>>> https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/?ref=bookmarks