Além do Tempo

18 Capítulo 18 - Nova Benção


Notas iniciais
Olá pessoal! Pois é pensaram que eu tinha desistido dessa fic né? JAMAIS!! Eu tive sim vários contratempos que me impediram de atualizar antes, mas aqui está! Peço desculpas se o capítulo não está maior como deveria, mas vou mencionar só alguns dos contratempos que tive. Meu notebook estava sem o word, (coisa de licença que eu não entendo bem, pois comprei tudo original), daí falei com um amigo para consertar o note pra mim, ok. Ficamos neste negócio pega hoje, pega amanhã e dias, semanas e meses se passaram, mas como eu usava o PC do trabalho, não tinha urgência. Eis que então chega a Pandemia do covid19, minha cidade não estava em quarentena e meu notebook está lá no trabalho. Daí sai do trabalho no domingo pela manhã, (trabalho a noite), na segunda feira meu chefe me liga dizendo que eu estava de férias, fecharam o hotel por tempo indeterminado e enfim nem vou pensar no que vai acontecer se até o fim de abril se isso tudo não melhorar. Daí eu tive que terminar essa fic pelo celular mesmo, inclusive estou escrevendo Na Real também pelo celular. Mas consegui, tá aqui firme e forte! Quero agradecer a amiga Amelinda que me ajudou, betou este capítulo pra mim em tempo recorde, mandei pra ela na madrugada e ela já me enviou betado hoje! Valeu Amiga! Quero dedicar este capítulo a todos que estão de quarentena, vamos fazer nossa parte pra que tudo isso acabe logo. E aos profissionais de serviços essências que estão tornando as coisas menos piores para nós neste momento. Obrigada a todos e vamos ao capítulo!

Além do Tempo — Capítulo 18

Saga olhava pela janela do seu escritório particular no castelo de Gale, há muito não recebia notícias dos seus enviados às terras de Gonda.

Seu primo Milo e Aioria, irmão caçula do seu amante Aioros, além dos dois aliados fiéis Aldebaran e Máscara da Morte, muito tempo havia se passado sem que nenhuma mensagem viesse da parte deles. O Rei Saga temia pelo pior, apesar de que em seu coração havia uma certeza de que eles ainda estavam vivos.

No peito, o medalhão herdado de seu pai ornava com sua vestimenta real, uma túnica preta, com algumas esmeraldas gravadas na gola.

Saga olhava distraidamente pela janela quando algo chamou sua atenção: um homem vinha a toda velocidade em seu cavalo. Ao estreitar os olhos, o Rei Saga reconheceu-o, era o mensageiro que havia enviado em busca de notícias sobre Milo e os outros.

....

— Vamos, beba mais um pouco de água, meu rapaz, eu sei que está cansado, contudo, o Rei Saga vai querer conversar com você o quanto antes, tenho certeza. – O general Aioros orientava o jovem Jabu.

— Eu preciso falar com o Rei imediatamente, as coisas estão fora de controle, há algo de muito grave acontecendo, por todos os deuses! Só Athena há de ter misericórdia de nós. – O jovem soltou, ainda muito ofegante.

Neste momento, Saga, o Rei de Gale, saiu do castelo e foi encontrar com o grupo que ainda estava no pátio do castelo, Jabu exausto ao chão sendo amparado por Aioros e Shura .

— Estou aqui, fale, rapaz o que está havendo, quais são as notícia de Gonda? – Perguntou o Rei, tenso.

— Senhor meu rei, Gonda está praticamente destruída, quando cheguei às mediações da cidade, só vi cinzas e morte; homens, mulheres, crianças, todos mortos. A cidade toda foi praticamente dizimada. – Relatou Jabu, para surpresa e espanto dos ouvintes.

— Como assim, rapaz, explique isso direito! Viu meu irmão, ou Milo? Vamos, responda! – Ordenava Aioros, agora chacoalhando o jovem pelos ombros.

— Orcs, a cidade foi toda tomada por Orcs! Vi centenas deles tomando a cidade assim que cheguei, as pessoas estavam fugindo desesperadas, mas muitos não conseguiram sair, pois os sanguinários Orcs os caçavam e devoravam, foi horrível, horrível! – Despejou o jovem, que tremia ao lembrar das cenas de pânico que viveu naqueles dias.

— Orcs? Orcs em Gonda? Há séculos não ouvimos falar desses monstros próximo a nós! Sempre achei que isso fosse uma lenda, tem certeza? – Perguntou o Rei, sem alterar a voz, mas com o coração e a mente em combustão.

— Sim senhor! Tenho certeza, eu jamais esquecerei as cenas que presenciei naquele lugar. — O rapaz falou em desespero, precisava que acreditassem nele.

— E quanto ao meu irmão e os outros, algum sinal deles? – Voltou a questionar Aioros.

— Não, não os vi em parte alguma, mas se eles não fugiram antes dos ataques, com certeza estão mortos. – Respondeu o jovem em tom sombrio.

— Orcs em Gonda! Não consigo atinar a razão disso! Os deuses estariam irritados com os desmandos do tirano Radamanthys? – Foi Shura quem perguntou.

O jovem mensageiro abaixou os olhos como se lembrasse de alguma informação, gesto que não passou despercebido por Saga, que o encarou esperando que ele falasse.

— Um guerreiro que lutou nos jogos de Gonda... eu o encontrei enquanto fugia da cidade, ele me disse que Gonda estava amaldiçoada, pois o elfo do Senhor Radamanthys havia sido levado. – Continuou Jabu puxando da memória, apesar do cansaço.

Todos trocaram olhares interrogativos. “Radamanthys tinha um elfo? ”

— Shura, faça o rapaz descansar, com certeza tanto sol não fez bem à sua mente. Orcs e Elfos? Era só o que me faltava! — Ordenou o rei, confuso, sem acreditar ou desacreditar no que acabara de ouvir. Seus olhos encontraram os de seu General e amante Aioros, que estavam tão confusos quanto os seus.

*-*-*-*-*

— Senhora Hilda, não temos como entrar, algo além do nosso conhecimento nos impede. – Surt avisou a Soberana de Asgardil.

Estavam parados em frente ao castelo de Gonda. Os inimigos já haviam destruído toda a cidade em torno do castelo, seus Orcs dizimaram toda a população que ali estava.

Alguns soldados conseguiram voltar ao castelo e lá se trancaram junto ao Rei. Hilda sabia que o fato de não conseguirem avançar era justamente por causa do medalhão que ela tanto procurava.

Havia magia no ar, magia antiga, ela podia sentir isso.

— Maldito rei covarde! Venha morrer com o seu povo! – Bradou a rainha de Asgardil. – Maldito seja!

— O que faremos, Senhora? – Voltou a perguntar Surtr.

— Por ora aguardaremos, esse maldito não vai poder ficar aí para sempre, ao contrário de nós ele é apenas um mortal. — Esclareceu Hilda. — Avisem aos soldados que fiquem em guarda por todas as saídas possíveis deste maldito lugar, uma hora terão que sair para comer.

Indo em direção à tenda, que já estava montada, concluiu: — Agora aguardemos, o tempo é nosso aliado, não deles.

...

Dentro do castelo soldados seguravam suas lanças com os olhos arregalados, alguns ainda em choque pela carnificina que presenciaram horas antes. Todos ali tinham a certeza de que morreriam, e de uma forma sofrida e dolorosa, devorados vivos por Orcs.

Alguns tinham vontade de acabarem suas vidas antes que os portões viessem abaixo, só não o faziam ainda por estarem paralisados pelo medo.

Radamanthys se encontrava sentado em seu trono, seu corpo anestesiado com todas as sensações que vivera nos últimos dias.

A glória em ser um soberano amado e temido por seu povo.

O poder de controlar uma criatura mágica e absurdamente linda como Camus.

A excitação em planejar sua noite de amor com o elfo.

A frustração em ter seu elfo roubado.

O ódio por ter sido enganado dentro do seu castelo.

O desespero de perder seu elfo e com ele seus poderes.

O espanto em ver seu reino ser invadido.

O medo em ver seu povo dizimado em questão de horas.

O gosto amargo da derrota.

O medo da morte.

Era muita coisa para um pobre mortal sentir em tão pouco tempo.

Radamanthys estava com os pensamentos fervilhando. “Eles vieram vingar o Camus, sabem de tudo que eu fiz com ele”. Olhando para o seu mago teve uma ideia.

— Precisamos falar com eles; Ichi, vá até o líder deles, diga que tanto o elfo Camus como seu filho estão livres e não há mais motivos para ataques.

O feiticeiro não gostou do pedido, temia ser devorado antes que conseguisse dizer uma só palavra, mas, vendo que não tinha alternativas, assentiu. – Com prazer, meu rei.

Radamanthys não tinha ideia de que o objeto em seu pescoço é que estava mantendo todo o exército inimigo do lado de fora do castelo.

As portas do castelo se abriram, chamando a atenção de todos que aguardavam do lado de fora. Ichi, acompanhando de dois guardas, saiu e demandou ao Orc mais próximo. – Tenho uma mensagem para o seu líder, me leve até ele.

O Orc levantou o braço para desferir um golpe com sua espada quando outro o impediu. — Devemos levá-lo até a senhora Hilda, ela decide o que fazer com ele.

*-*-*-*

Shaka estava caminhando próximo ao lago, observava as flores, a relva, os pássaros e a vida em movimento na natureza; sentou em uma pedra pensativo, olhava os cisnes fazendo sua dança harmônica, olhou para suas mãos e seus braços. Um leve brilho emanava de seu corpo.

— Pelo Divino! — Soltou preocupado.

Foi quando escutou passos próximos. Sentindo a presença do Rei Albáfica, se levantou e fez uma reverência. – Senhor Albáfica.

— Shaka, meu querido, senti uma nuvem de preocupação em seu coração, lugar que só deveria estar cheio de alegrias neste momento mágico. – Rei Albáfica falou se aproximando do jovem.

— Senhor, olhe! – Disse Shaka, mostrando seu corpo. — Como eu posso ficar feliz? Estamos em iminência de uma guerra, Hilda está descontrolada, com o coração tomado pela ganância e o ódio!

— Mas temos a esperança e a justiça ao nosso lado, Shaka, não percebe que o Divino nos abençoou com outra vida? Além do amado Hyoga, teremos a dádiva de termos uma outra vida élfica!– Tornou o Rei. — Esse é o jeito que o Divino escolheu para nos dizer que tudo vai dar certo.

— Cento e cinquenta anos eu esperei para ter meu amor de volta, e, agora que ele voltou, nós vamos ter uma guerra contra a Hilda, aquela que tirou a vida dele no passado, eu não o deixarei ir para batalha sozinho! – Decretou Shaka.

— Mas Shaka, você carrega a luz da vida em você, um novo elfo virá ao mundo, sabe que não deve se colocar em risco! Todo o sofrimento de Camus não te ensinou nada? – Questionou Albáfica, tentando colocar um pouco de juízo na cabeça do outro.

Shaka olhou triste para o soberano de Ville Rosálie antes de confessar. – Eu não sei o que fazer.

Albáfica acariciou o rosto do jovem elfo paternalmente antes de dizer: – Vamos aguardar até o Equinócio da Primavera, enquanto isso, descanse. Sabe que a gestação de um elfo macho ocorre pelo acúmulo de energia, está proibido de treinar até que seu filho venha ao mundo.

— Prometo evitar qualquer desgaste desnecessário. — Declarou o primo de Camus, resignado.

O Rei Albáfica assentiu e sentou em silêncio para observar os cisnes. Shaka sentou ao seu lado e passou a meditar sobre o que faria e em como dividiria essa nova realidade com Aioria.

*-*-*-*-*

As espadas chocaram-se com força no ar fazendo ecoar o barulho dos metais em choque.

— Isso, Camus, muito bom, desvie dos golpes assim. – Milo dizia enquanto treinava Camus com o manuseio da espada. – Seu reflexo é impressionante!

Focado em aprender os golpes e em desviar dos ataques, Camus nada respondeu, continuava seu treinamento observando os gestos de Milo, enquanto Mu treinava com Aldebaran e Dohko próximo dali.

— Aldebaran, você está pegando muito leve e sei que o nosso rapaz aqui é capaz de nos surpreender numa batalha. – Mestre Dohko observou.

— Mas Mestre, ele é tão frágil e... – Aldebaran não terminou de falar pois foi ao chão quando Mu lhe deu uma rasteira com o bastão.

— Quem é frágil aqui, grandalhão? – O elfo de cabelos lilases perguntou, vitorioso.

Dohko apenas sorriu orgulhoso.

— Uau! Parabéns, Camus! – Cumprimentou Aioria, ao ver o elfo dos cabelos vermelhos desarmando seu amigo.

— Pelos Deuses, você está muito bem. – Elogiou Milo, indo pegar sua espada que havia voado para longe.

O elfo sorriu feliz por ter impressionado Milo.

— Camus, muito bem, você tem que saber se defender em uma luta de espadas, mas quero que treine sua mira para o arco e flecha; com o seu poder, você tem a possibilidade de atirar flechas e lanças sem fim. – Aconselhou o Mestre Dohko, percebendo a aptidão do elfo.

Camus assentiu, concordando com o Mestre quando olhou em volta sentindo falta de seu primo e amigo. — Onde está Shaka? – Perguntou.

— Não veio treinar novamente. – Respondeu Mu estranhando a atitude do primo e trocou olhares com Camus, que fez uma nota mental que procuraria pelo primo ainda naquele dia.

— Vamos, Camus, me mostre o que consegue fazer com suas flechas de gelo. – Pediu Milo, levando o elfo até o campo do treinamento dos arqueiros.

E assim Milo começou o treinamento de Camus com as flechas.

Inicialmente começaram com um alvo fixo.

— Vamos, Camus, distância de três metros, tente acertar no alvo. — Pediu Milo, e assim Camus o fez sem dificuldade.

— Uau, muito bem, meu amor, mas não vou facilitar para você, não. – Disse Milo levando o alvo fixo para mais longe.

Cinco metros de distância.

Dez metros de distância.

E Camus acertou todos as flechas no alvo sem dificuldade.

— Uau, bem que o Mestre Dohko falou, sua mira é ótima, mas vou dificultar mais um pouco. – Disse Milo fazendo vários círculos menores em volta do alvo. – Agora quero que acerte o centro de todos esses círculos.

Camus assentiu e disparou as flechas, ato que de certa forma surpreendeu Milo, uma vez que o elfo disparava as flechas de gelo que acabara de criar. Novamente Camus acertou todas.

Boquiaberto, Milo aplaudiu. — Ok! Você está num nível absurdamente evoluído, vamos treinar com alvos móveis agora.

Camus ficou apreensivo: sendo ele um elfo, jamais permitiria que Milo usasse seres vivos como alvo, mas Milo como guardião sabia disso.

Ficou aguardando o retorno de Milo, que saiu para preparar seu treinamento com os alvos moveis.

Apesar de toda a tensão existente por causa de uma guerra que se aproximava, a atmosfera de Ville Rosálie lhe transmitia paz. Lembrou-se de tudo que passara nas mãos de Radamanthys, tanta coisa que teria sido evitada se tivesse ido direto para as terras de seu tio.

Lembrou de Delmare com tristeza, sentia tanta falta de seu pai e de seu irmão Degel.

Lembrou de sua vida de antes como um nobre sem preocupações e de como sua vida havia mudado desde que conheceu e se apaixonou por Milo.

Antes um nobre ingênuo e alienado sobre as maldades humanas e agora um elfo experiente, dono de si, pai e guerreiro prestes a entrar em uma guerra para defender todos que amava, Delmare, Milo e seu filho.

— Papai!

Camus foi tirado de seus devaneios ao ouvir a voz do filho, virou em direção a voz e logo viu o menino que vinha correndo em sua direção.

Camus sorriu e pegou o filho no colo recebendo um abraço apertado.

— O que faz aqui, Hyoga? Era para você estar brincando em outro lugar.

— Eu estou com muitas saudades ainda, não quero ficar longe, tenho medo do senhor ir embora novamente e me deixar sozinho. – Disse o menino, ainda agarrado ao pai elfo.

O coração de Camus doeu ao ouvir as palavras de seu filho, a culpa por não o ter protegido ainda martelava em seu coração.

— Eu jamais vou deixar você, meu amor, não o deixei no passado por minha vontade, juro por minha vida que vou protegê-lo para sempre. – Disse Camus, apertando o pequeno em seus braços.

Milo, que voltava com a engenhoca que havia feito para atirar vários discos ao mesmo tempo, viu as duas pessoas que mais amava no mundo e sorriu.

— Hyoga! O que faz aqui?

— Pai! – O pequeno desceu do colo de Camus e correu em direção ao seu pai mortal, que o pegou nos braços e o girou, fazendo o menino sorrir.

Camus, que os observava, também sorriu vendo a interação dos dois em tão pouco tempo: era como se Milo sempre tivesse estado ali com eles, como se Hyoga sempre tivesse tido a presença do pai mortal.

— Pai, o que vocês estão fazendo? – Perguntou o menino, curioso ao ver a engenhoca de Milo.

— Estamos treinando, meu filho, seus pais são guerreiros, e como tal devemos sempre nos manter em forma. – Explicou Milo.

— Eu quero ser guerreiro também, pai, posso? – Perguntou o menino, com os olhos brilhantes.

Milo olhou para Camus ao responder. – Filho, seus dois pais são guerreiros, acho que quando você crescer vai ser o melhor guerreiro do mundo dos elfos. – Concluiu Milo com certa tristeza, pois sabia que sua condição mortal o impediria de ver seu filho adulto.

Camus, sentindo a ponta de tristeza no olhar de Milo, se aproximou tocando do ombro do amado e o olhou, pegou em sua mão e sorriu. O amante lhe garantiu: – Está tudo bem, Camus.

— Eu posso começar a treinar para ser guerreiro agora? – Pediu o menino, pulando aos pés dos pais.

— Não. – Disse Camus.

— Sim. – Disse Milo.

Os pais se olharam interrogativos.

— Milo, ele é apenas uma criança. – Lembrou Camus.

— Mas tem idade para começar a treinar, o treinamento leva à perfeição. – Tornou Milo.

— Sim, mas ele tem cinco anos mortais, não quero que ele conheça as mazelas do mundo mortal nesta idade. – Continuou Camus, mostrando seu ponto de vista.

— E você quer que ele aprenda quando tiver sua idade? — Rebateu Milo.

— Ele é muito novo e já viu tantas coisas ruins, eu quero poupá-lo. – Tornou o pai elfo.

— Ele tem que aprender desde cedo a se defender e a defender seu povo, obviamente não vou enviá-lo para a guerra, mas não vejo mal em começar a ensinar as artes da luta para ele, posso treiná-lo como se deve, ele será um ótimo Guardião. – Devolveu Milo.

— Ele não é um Guardião, é um elfo, um príncipe! Ele tem que aprender a ser um elfo, ele já passou tempo demais com mortais e tempo de menos com os de sua espécie. – Disse Camus sem alterar a voz, mas sem a consciência de que suas palavras feriam Milo como a mais afiada das espadas.

— Ele é um mestiço, Camus, não se esqueça disso! E um dos pais dele é um Guardião e se orgulha muito disso! – Milo lembrou sério e visivelmente magoado.

Camus se deu conta que de alguma forma havia ferido os sentimentos do amante, mesmo que sem intenção. – Milo, me perdoe. – Pediu o elfo, segurando-lhe a mão. – Eu passei tanto tempo longe dele, eu tenho tanto medo que alguma coisa aconteça com ele, me perdoa?

— Camus, eu tenho pouco tempo com ele, não vou vê-lo crescer, eu só queria... – Milo não conseguiu dizer o que queria de fato, pois foi interrompido pelo filho que assistia ao embate dos pais com seus olhos curiosos.

— Pai, por que o senhor não vai me ver crescer? Você vai embora?

Milo e Camus novamente trocaram olhares sem saber o que dizer. Milo parecia mais aflito em revelar a verdade ao filho, mas Camus, com sua habitual máscara fleumática, pegou o filho no colo e perguntou. – Hyoga, você lembra quando eu falei que não devia se alimentar da energia do seu pai Milo?

O menino assentiu com seus grandes olhos azuis, similares aos do pai mortal, fixos em Camus.

— Você lembra do que te falei sobre os mortais? – Continuou Camus, e o menino, já com os olhos cheios de lágrimas, reclamou, sentido:

— Eu não quero que o pai Milo pereça, não quero! – Neste momento, Milo o abraçou e Hyoga foi para o seu colo o abraçando com força.

Camus evitou ao máximo, mas as lágrimas logo rolaram pelo seu rosto. Milo, por sua vez, estava também emocionado abraçado ao filho, mas respirou fundo, e, fazendo o menino olhar em seus olhos, disse:

— Meu filho, não importa a quantidade de tempo que passamos juntos e sim a qualidade dele. Eu e seu pai Camus nos conhecemos há mais de cento e cinquenta anos, nos apaixonamos desde a primeira vez que nos vimos, esse amor foi tão forte e tão lindo que dele veio você. – Camus sorriu para Milo, pois entendeu a linha de raciocínio de Milo e então concluiu a fala do amado: – Quando seu pai Milo partiu naquela época, nós tínhamos passado apenas algumas semanas juntos, mas essas semanas foram as mais especiais da minha vida, tão especial que me fez esperar por ele todo este tempo, até que nós pudéssemos nos encontrar novamente agora. Passamos por muitos dissabores, muitas lutas, para estarmos aqui juntos novamente, por mais que tivéssemos passado pouco tempo juntos. – Milo secou as lágrimas do filho, que então apenas soluçava escutando a história dos pais, e continuou. – Mas aquele pouco tempo foi o suficiente para que nós soubéssemos e sentíssemos o que é o amor verdadeiro, e mesmo que eu parta dessa vida, eu voltarei em outra e outra, até que vocês enjoem de mim.

— Eu não vou enjoar de você, pai! – Disse Hyoga abraçando Milo novamente, mas agora com menos lágrimas nos olhos.

— Muito menos eu. – Disse Camus, abraçando o menino por trás.

E assim a família ficou ali abraçada, vivendo o tempo que tinham e a certeza de que fariam isso da melhor forma possível.

.....

Camus voltava dos campos de treinamento com Milo e Hyoga quando sentiu a energia de Shaka em aflição.

— Milo, volte com Hyoga, Shaka está próximo ao lago e eu sinto que ele precisa de mim. — Pediu Camus.

Milo olhou em volta, procurando algum vestígio do elfo de cabelos dourados. — Como?

— Por favor, Milo. — O elfo pediu novamente; o guardião assentiu e pegou o filho no colo.

— Nos vemos em breve. — Milo falou, roubando um beijo do elfo antes de se afastar com o filho. – Vamos, Hyoga, vamos ficar limpos e perfumados para quando seu papai chegar.

O menino riu e concordou.

Camus seguiu pelo lago, em busca do primo e amigo.

Shaka estava sentado na posição de lótus meditando. Camus se aproximou e pôde perceber o brilho que emanava do corpo do primo.

— Shaka! — Sussurrou.

Ao ouvir a voz do primo, Shaka saiu do transe e a forte luz em volta do seu corpo diminuiu, ficando apenas com a pele luminosa.

— Shaka, você vai ter um filho! — Disse Camus, ainda surpreso.

— Sim, Camus, vou ter um filho e não sei o que fazer.

— Meu primo, que dádiva! Eu estou muito feliz por você! — Disse realmente feliz, mas seu sorriso parou ao perceber a expressão triste do primo. — O que está havendo, Shaka, por que não está feliz?

— Camus, você consegue lembrar de algo da sua gestação? Sabe que nós, ao contrário das fêmeas que carregam os filhos no ventre, temos que carregar a energia em nosso ventre e em nosso corpo. Não há barrigas enormes, nem entranhas, mas há energia.

— Sim, eu sei e devo a vida do meu filho a você e ao Mu, que me fortificaram com a energia de vocês enquanto eu estive preso no gelo.

— Não há o que agradecer, Camus, mas veja meu dilema, estamos em iminência de uma guerra, acho que a maior em milênios, e o meu amor, aquele que eu esperei por cento e cinquenta anos, está enfim aqui comigo e eu não poderei protegê-lo durante as batalhas.

Camus sentou ao lado do primo.

— Entendo o seu dilema, mas sei que não fosse meu filho, eu não teria suportado tantos sofrimentos. Se o divino te abençoou com a dádiva da uma vida é porque seu amor foi abençoado. — Disse Camus, pegando nas mãos do primo.

Shaka encarou o primo, que deu um meio sorriso em incentivo.

— Quando foi? Quando se deu a benção? — Perguntou Camus.

Shaka suspirou antes de responder. — Na tarde que precedeu o banquete do rei.

— Uou, sim, senti sua energia exalando pelos campos. — Comentou Camus sorrindo.

Shaka sorriu também.

— Proteja-o, Camus, proteja o meu Aioria por mim. — Pediu Shaka, com o coração apertado.

— Sim, com todas as minhas forças, tenha certeza disso. — Respondeu Camus, segurando a mão do primo.

Shaka suspirou triste. Voltou a observar os pássaros no lago e Camus permaneceu calado ao seu lado.

*-*-*-*

— Senhor Albáfica, tem certeza de que a Senhora Hilda não nos atacará durante o equinócio da primavera? — Argol perguntou, enquanto caminhava ao lado do Rei pelos terrenos de Ville Rosálie.

— Apesar de minha prima estar tomando atitudes cada vez mais animalescas, não podemos esquecer de que ela também é uma elfa, brindar essas datas com a bênção do Divino está em nossa essência. — Respondeu o soberano.

— Sim, mas ainda assim vou pedir para que os guardiões façam a vigília. — Avisou Argol, preocupado com a segurança.

— Tudo bem, converse com o mestre Dohko, mas deixe nossos novos amigos guardiões do passado fora dessa vigília, sinto que eles devem participar nos nossos festejos. — Recomendou o Rei Albáfica sorrindo. — Nosso querido Mu vai debutar nos festejos deste ano, quero que tudo seja perfeito para ele.

Argol assentiu e se retirou.

— Hilda, Hilda, por favor, caia em si o quanto antes, minha querida, não vejo com bons olhos o seu fim quando tudo isso acabar. — Pediu o Rei aos ventos.

*-*-*-*

Hilda estava na tenda que fora montada para ela e seu esposo Siegfried, próximo ao castelo, estavam em campanha estudando estratégias para invadir o castelo.

— Maldição! Como pode um reles mortal contar com poder suficiente que nos impede de entrar? — Esbravejava a soberana de Asgasdil.

— Magia! E não é qualquer uma, é magia élfica! Tenho certeza disso. — Surtr informou.

O elfo em nada lembrava o belo rapaz que fora a Delmare com o intuito de conquistar o coração do jovem príncipe Camus de Delmare.

Hoje Surtr estava com o rosto envelhecido pelo sofrimento e remorso, mas seu coração permanecia frio e cheio de rancor.

— Eles não poderão ficar lá para sempre, tomamos todas as entradas do castelo, em breve ficarão sem mantimentos. – Assegurou Siegfried, que se aperfeiçoara em estratégias de combate.

— Sim, mas quanto tempo durará isso? — Questionou Hilda, impaciente.

— Minha querida, nós temos o tempo a nosso favor, não eles. — Sorriu Siegfried. — Paciência é uma virtude.

Neste momento a conversa foi interrompida por um Orc que pediu licença. — Senhora.

Hilda não escondeu sua cara de nojo quando olhou para a criatura parada à porta da tenda, se tinha desprezo pelos mortais humanos o que não dizer do seu sentimento em relação aos Orcs.

— O que pode ser tão importante a ponto de você achar que pode vir me perturbar em meus aposentos? — Perguntou a nobre, arrogante.

— Perdão, senhora, mas o Rei Radamanthys deseja enviar um mensageiro. — Informou o Orc.

— Homessa, traga-o até mim imediatamente! — Bradou a rainha.

Não tardou, uma figura curiosa foi conduzida para dentro da tenda.

Fazendo uma reverência, o mago e conselheiro de Radamanthys ficou aguardando a ordem para falar.

— O que quer, inseto? Me dê um motivo para não o jogar para que seja devorado pelos Orcs agora mesmo. — Inquiriu Hilda, ameaçadora.

— Senhora, o Rei Radamanthys pede clemência, o elfo Camus está livre.

Ao ouvir o nome de Camus, Surtr olhou desconfiado para Hilda, e foi ao encontro do Mago; apertou seu pescoço.

— Camus? O elfo do gelo está livre? — Indagou Surtr, sem crer que era do "seu" Camus que o Mago falava.

— Sim, o elfo dos cabelos rubros está livre, ele e seu pequeno filho estão livres, não há mais motivos para castigar nosso povo.

Com os olhos faiscando de ódio, Surtr encarou Hilda e Siegfried. — Camus tem um filho!

Notas finais
Como Amelinda falou "Radamanthys peidão" kkkkkkkkkkkk Pois é quando você reclamar da quarentena lembre do Radamanthys e seus soldados presos em casa com milhares de orcs esperando lá fora pra jantar eles! kkkkkkk Gente agora fudeu tudo, Hilda e Surtr descobriram que o Camus tem um filho o que será que eles vão fazer com tal informação? E o Hyoguinha vai aprender a lutar! Com o Milo guerreiro guardião só o Camus achou que ia criar o Hyoga como almofadinha kkkkkk ledo engano. Obrigada pelo carinho, comentários são sempre bem vindos!!! Aproveita a quarentena e comenta!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.