Além do Fim

6 Tempestade de raios e trovões.


Notas iniciais
Foi difícil trazê-los a esse momento. São dois teimosos e orgulhosos demais para admitirem seus sentimentos. Boa leitura

A comemoração se espalhou pelos quatro cantos do planeta. Em toda parte, pessoas se uniam e festejavam o direito à vida e à existência que recuperaram das mãos de um tirano chamado Thanos.

Não foi diferente com aquela equipe especial formada para vingar a Terra de todos que a ameaçassem. Reunidos na base, permitiram-se celebrar a vitória com música, dança, além das melhores comidas e bebidas que tinham a oferecer. Uma alegria gostosa pairava no ar entrelaçando aquelas vida com a paz que tanto desejaram.

Durante toda a noite, Thor e Sif se mantiveram ao alcance do olhar um do outro. Não foi algo planejado, mas uma necessidade a qual ela já estava habituada. Ele não se questionou sobre isso, apenas se permitiu fazer o que sentia vontade: observá-la quando não estava ao seu lado.

Essa necessidade, nova para ele, se fez tão forte que até bebeu muito menos do que seria normal para uma vitória da proporção que experimentaram hoje. Ele finalmente sentia ter honrado seu pai Odin e toda Asgard, mas sua autoconfiança não estava consolidada o bastante quando o assunto era Sif. Tudo entre eles parecia tão perfeito quanto uma joia do infinito e era precioso demais para ser ofuscado por uma ação precipitada da parte dele. A noite era de festa. Então, que festejassem. O amanhã traria o momento certo para algo mais se o universo assim tivesse planejado.

— E aí, Senhor das Trancinhas, pretende terminar a noite com sua amiga asgardiana ali? – Stark disse se aproximando de Thor

— Por Odin, Stark, se não fosse tempo de festejar a paz, juro que te faria engolir cada palavra que sai da sua boca!

— Calma aí, Thor. Não quis ofender. Só estou feliz por todos nós e sonhando com um futuro mais feliz pra você também.

— Essa sua forma de expressar felicidade é um tanto quanto estranha pra mim. E não, Sif não é uma mulher que se sujeite ao deleite de um homem para apenas um momento de comemoração. Ela é uma guerreira digna e admirável...

— Tá, tá, longe de mim querer colocar sua amiga como algum tipo de brinquedo sexual, eu só estou perguntando porque nenhum de vocês dois bebeu além da conta e não param de olhar um para o outro então achei que tinha algum outro tipo de interesse entre vocês.

Thor tomou um gole da cerveja em sua mão e sorriu tentando demonstrar descaso com as observações de Stark:

— Tony, eu não estou olhando para ela a noite toda. E ela não está olhando pra mim. – e olhou para Sif aproveitando o gancho que a conversa lhe dava para justificar sua ação mesmo na presença do amigo. Ela estava olhando para ele também, mas baixou os olhos assim que seus olhares se cruzaram.

— Bem, com essa olhada dela foi a terceira vez em 60 segundos. Isso aqui na Terra é hastear uma bandeira escrita “tenho interesse em você”. – Stark insistiu já prevendo uma retaliação por parte do asgardiano que não o fez, apenas sorriu com desdém. Então, Tony insistiu – Thor, eu notei o quanto a presença dela faz bem à você. Se não a vê como alguém para um envolvimento casual e passageiro, abra espaço para mais que isso.

Thor tomou o resto todo da cerveja e bateu o copo na mesa. Depois olhou para Stark e disse:

— Meu amigo, eu sou muito bom com mulheres. Elas me procuram como abelhas procuram o mel. Já vivi noites maravilhosas com mulheres tão incríveis que você sequer seria capaz de imaginar! – logo em seguida, meio sem jeito, acrescentou – Mas eu não sou muito bom em relacionamentos mais duráveis.

— Entendo. Acho que nenhum de nós é até acontecer com a mulher certa. Veja o meu caso. Se há alguns anos atrás qualquer pessoa do futuro me procurasse e dissesse que eu construiria um relacionamento e uma família com qualquer mulher, eu riria na cara dessa pessoa. Se me dissessem que essa mulher seria a Peper, riria mais ainda. No entanto, aqui estamos nós: juntos, felizes e... – acrescentou baixo – grávidos!

— Você vai ser pai! – Thor disse totalmente tomado pela surpresa e já abraçando o amigo.

— Shiu! Fale baixo. Ela acha que ainda não é o momento de contarmos pra todo mundo e vou me arrepender se ela descobrir que te contei.

— Parabéns, Tony. Sinto-me honrado por ser o primeiro a saber.

— Obrigada, Thor. Por favor, pense no que te falei. Ter muitas mulheres nunca será tão bom quanto ter apenas uma, aquela que amamos.

— Obrigada, meu amigo. Vou considerar suas sábias palavras.

Enquanto isso, do outro lado do salão, Natasha cercava Sif:

— Pensei que os asgardianos eram um pouco mais ousados com bebidas alcoólicas. – disse se aproximando de Sif – Mas observei que você bebe pouco. Deveria provar isso aqui. – e ofereceu o líquido num copo – É uma mistura de tequila, limão, açúcar e gelo. Não é forte. Acho que você vai gostar.

Sif tomou o copo das mãos dela ainda um tanto quanto desconfiada:

— Eu agradeço a hospitalidade com a qual me receberam e também por sua bebida. – e provou um gole – Hum, isso é bom. – completou com um sorriso empático para a ruiva. – E sim, em Asgard, éramos muito mais ousados com as bebidas. Mas hoje ainda estou um pouco... em alertar, eu acho. Foi um dia difícil.

— A propósito, sua atuação lá fora foi incrível. Você sempre faz isso?

Sif sorriu meio sem jeito:

— Com o martelo do Thor? Oh não!

— Não! Falo sobre arriscar sua vida por ele.

Aquele maldito sorriso que sempre se formava no seu rosto quando o assunto era Thor estava lá de novo sem que Sif pudesse controlá-lo, perturbando seu raciocínio:

— Ah sim!... Quer dizer... Sou uma guerreira e minha função é lutar e defender os inocentes...

— Hum, entendi. O loirinho neanderthal não pára de te olhar. E, sabe, aqui na Terra, nós mulheres já superamos aquela fase de esperar que eles venham até nós. Não seria errado ir lá e convidá-lo para provar essa caipirinha de tequila.

Sif apertou os dedos ao redor do copo, olhou para Thor e viu Stark se afastando. Depois olhou para Nat e respirou fundo:

— É melhor não. – e desviou o olhar para o copo. – Já bebemos juntos outras vezes... e ele pode até dispensar isso... já aconteceu.

Nat levou a mão até o braço de leve e deu um leve aperto solidário:

— Eu entendo. Sei que estou indo além de onde eu deveria com esses conselhos, mas é que ele não para de olhar pra você. Muita coisa mudou Sif. Thor mudou também. Pense nisso. – e se afastou.

Sif se sentou na banqueta do bar absorvendo as palavras de Natasha. Um tremor percorreu todo o seu corpo ao lembrar de estar tão conectada à ele durante a batalha naquela tarde. O sabor dos lábios de Thor ainda estavam nos seus. Ela olhou para o copo e sentiu um sorriso se formando no seu rosto enquanto no seu interior se formava a decisão de ir até ele tentar mais uma vez. Ficou em pé e olhou para ele disposta a não desviar mais o olhar se ele a pegasse o observando enquanto caminhava em sua direção.

Já tinha vencido metade da distância que os separava quando viu quatro mulheres de Midgard o cercando e já claramente se insinuando para ele. Frustrada, parou e aspirou o ar tentando aceitar sua triste sina. Isso provavelmente nunca mudaria. A noite acabou para ela. Deixou o copo sobre a primeira mesa que encontrou e se dirigiu aos seus aposentos.

Thor gastou poucos segundos se esquivando gentilmente das mulheres que o cercavam. Em outros tempos, ele desfrutaria da presença dela. Agora, só o incomodavam. Mas pareceu durar uma eternidade principalmente porque, após dispensá-las, seu olhar não encontrou mais Sif no salão. Preocupado saiu à sua procura. Atravessando o espaço sem sucesso em localizá-la, encontrou Banner:

— Bruce, por favor, você viu Sif?

— Sim. Ela passou por aqui há pouco. Disse que estava cansada e ia repousar.

Um sombra de desencanto encobriu seu olhar:

— É, foi um dia difícil e a batalha deve ter exigido muito dela... Eu também já estou indo...

— Mas ainda é tão cedo. – Banner questionou.

— Teremos outras oportunidades para festejarmos, meu amigo. Eu já vou. – disse fazendo uma reverência que Banner retribuiu.

Mas o resto da madrugada não foi capaz de trazer ao casal paz interior para conciliar o sono. Sif não saia dos pensamentos de Thor e Thor insistia me se arraigar nos pensamentos de Sif. Breves cochilos e sonhos com o beijo do final da batalha foi tudo que conseguiram antes de despertarem aflitos com os sentimentos em ebulição do seu interior.

Cansado de lutar contra a cama e o travesseiro, perto do amanhecer, Thor decidiu deixar seus aposentos e caminhar lá fora. O ar fresco da manhã talvez acalmasse esse desejo de ir até ela e propor-lhe coisas que poderiam ter um desfecho tão decepcionante como foi com Jane Foster. Ou ainda pior.

Fora da base o clima estava agradável. A escuridão se dissipava rapidamente aguardando apenas que os primeiros raios de sol despontassem no horizonte para desaparecer por completo. Ele usava trajes informais asgardianos, um presente da comunidade de sobreviventes instalada em Midgard. Avançou na direção oeste com a intenção de alcançar os jardins e o pomar que ficavam lá. Talvez se sentar embaixo do pergolato de flores trouxesse alguma clareza a seus pensamentos. Foi lá que ele e Sif conversaram antes de sua partida pelo universo quântico. Desde então aquele lugar se tornou especial para ele, um refúgio.

Assim que avistou o local ao longe, seu coração pulou uma batida. Não era preciso se aproximar ou sequer que sua visão fosse capaz de distinguir com nitidez quem estava sentada ali. Ele já tinha certeza. Era ela. Sif. Estava vestindo um traje simples asgardiano. Nada de armadura da guerreira ou das vestes pomposas da realeza. Mas a simplicidade daquela roupa parecia exaltar ainda mais sua beleza e singularidade.

Se aproximou devagar temendo que o silêncio denunciasse as fortes batidas do coração no seu peito. Ela estava de costas, sentada no banco, pernas unidas e reclinadas para a lateral, postura reta, sua mão esquerda segurava firmemente na lateral do pergolato. Seu olhar se dirigia ao oeste, para os últimos resquícios de escuridão no céu que mostravam a última estrela da noite ainda brilhando.

Quando a distância entre eles diminuiu o suficiente para captar os detalhes, ele descobriu que não precisava ver seu rosto para saber que os olhos dela estariam vidrados por lágrimas. A tensão delineada nos músculos de suas costas e na força com a qual seus dedos se agarravam ao pergolato denunciavam isso.

Não querendo assustá-la, mudou a direção para alcançá-la pela lateral, assim ela perceberia sua aproximação. A medida que a distância encurtava, pode vê-la limpando o rosto antes de repousar as mãos sobre o colo aguardando por ele:

— O céu sempre te encantou... – ele disse com a voz suave.

Ela virou o rosto na direção dele e tentou sorrir:

— Há tanta beleza nas estrelas...

— E abaixo delas também. Principalmente aqui entre as flores desse jardim.

Sif revirou os olhos e sorriu:

— Por favor, Thor, é um pouco cedo para isso.

Ele riu com ela e continuou:

— Você deixou a festa tão cedo ontem... Algum inconveniente?

Ela estremeceu. Ele sentiu sua falta na festa.

— De forma alguma. Seus amigos foram muito gentis. Você sempre gostou tanto de Midgard. Fico muito feliz que tenha esse lugar para construir seu novo lar. – e voltou a olhar para o céu e para a estrela já quase desaparecendo – Agora eu preciso encontrar um lugar para mim.

Instintivamente, ele se sentou ao lado dela e cobriu suas mãos com a sua:

— Logo todos serão seus amigos também, Sif. Gostaram muito de você. E eu estou tão feliz que esteja aqui. Sim, sempre gostei de Midgard e vivia fugindo pra cá. Mas hoje, também queria muito poder voltar pra casa... Acho que só damos valor ao que temos depois que perdemos... ou quase perdemos.

Os olhos de Sif estavam na mão dele sobre a sua. Seu coração batia tão rápido e o sangue pulsava tão forte em suas veias que ela não tinha certeza se estava entendendo o que ele queria dizer. E Thor continuou:

— Eu também ainda não sei onde é o meu lugar, Sif. Compartilho sua dor. Mas, se você concordar, posso te mostrar um lugar que sempre me ajudar a me sentir melhor...

Ela assentiu. Ele se levantou convidando-a a fazer o mesmo e dirigiu-se à mata mais distante que rodeava a base com a mão ainda entrelaçada à dela. Caminharam por cerca de uma hora numa trilha estreita e pouco usada pelos habitantes do lugar. Alguns trechos eram íngremes e pouco convidativos aos exploradores.

— Você deveria ter dito que eu precisava estar vestindo minha armadura.

— Engraçadinha. Na adolescência você era bem mais aventureira.

E assim continuaram, relembrando coisas, trocando comentários e desafios, sendo como só os dois eram um com o outro. O clima tenso entre eles foi desaparecendo e a familiaridade que tinham retornou tornando cada momento divertido.

Ela estava no alto da encosta quando o barulho se fez perceptível. Ele um pouco mais abaixo.

— Thor, esse barulho é ...? – e a palavra fugiu pela emoção que tomou conta dela.

— É. Mas ainda temos uma boa descida pela frente, Milady.

Sif saltou já caindo na frente dele e tomando a dianteira na descida.

Alguns minutos mais e muitos metros abaixo alcançaram a clareira. Três lindas cachoeiras formavam um imenso véu d’agua que caía formando um grande lago que, depois se transformava num rio.

Ela olhou extasiada com a beleza do lugar. Sua respiração estava ofegante pelo encantamento mais do que pelo esforço da caminhada.

— É lindo! Parece Amsvartnir...

— Sim, eu sabia que você ia gostar. Algumas lendas dizem que as grandes belezas naturais se reproduzem em todos os mundo para que toda a existência desfrute delas.

— Muito obrigada por me trazer até aqui, Thor.

— Minha recompensa é seu sorriso nesse momento.

Ela baixou os olhos constrangida, depois resolveu quebrar o clima estranho que se formava:

— Podemos explorar mais?

— Claro!

Vasculharam toda a beleza do local: flores, folhagens, o frescor do vapor d’água que os alcançava. Exaustos se sentaram nas pedras para descansar e tiraram os sapatos para relaxar os pés na água.

De repente, Sif abraçou os joelhos e olhou para Thor:

— Olhe só para nós dois aqui como dois adolescentes asgardianos sem nenhuma preocupação...

Ele riu, baixou os olhos e depois voltou a olhar para ela. Cuidadosamente, aproximou a mão para retirar uma pequena folha seca que havia se colado a testa úmida dela.

— Estamos tão distantes do nosso mundo no tempo e no espaço e, mesmo assim, eu me sinto em casa quando estou com você, Sif.

Ela olhou fundo nos olhos dele. Depois olhou para frente, fixando-se na superfície da água e disse:

— Eu acho que, mesmo com um braço não totalmente recuperado, ainda posso te vencer no mergulho.

Ele riu um pouco decepcionado, entretanto algo lhe dizia que ela merecia o tempo e espaço que reivindicava. Mesmo assim, o desafio era tentador demais para ele:

— Não, não venceria. Eu sempre ganhei.

— Claro que não! Sempre fui eu a vencer. E posso te vencer novamente.

Então, ela ficou em pé e baixou a calça que usava. A bata longa ainda permitia que boa parte de seu corpo continuasse coberta. Virando-se de costas pra ele, ela retirou o restante da roupa e saltou para a água.

Enquanto observava aquilo, Thor foi tomado por uma estranha paralisia física e sua mente acelerava em sequencias de pensamentos frenéticos entre lembranças e considerações.

“Sif não é alguém para suas aventuras e brincadeiras, Thor.” Frigga o alertou na adolescência. Droga, Sif podia ser capaz de se despir de forma menos sensual. Ela também podia irradiar um pouco menos de beleza quando estava nua daquela forma. Seu corpo reagia como um adolescente de novo, mas já era adulto e maduro agora para saber que era brincadeira ou aventura o que procurava.

— Você não vem?

A voz dela reforçou sua certeza. Ele se livrou de suas próprias roupas mais rápido do que viajou pelo universo quântico e saltou na água. Se aproximando dela, disse:

— Eu já fui tolo um vez e recusei quando me convidou para beber com você. Não estou disposto a repetir o erro.

Ela sorriu maliciosamente:

— Você tem noção do quanto isso é perigoso para nós dois?

— Eu prefiro encarar como uma oportunidade.

Por um segundo, os dois ficaram em silêncio, presos no olhar um do outro, seus corpos separados por não mais que três palmos de distância e seus cérebros pouco aptos a pensar. Seus corpos clamavam para se entregarem, para se tocarem, mas como vencer a barreira e a distância que durante séculos os dois se empenharam tanto em construir e reforçar?

Quebrando as amarras do que já viveram, Sif avançou e, sem timidez colocou a mão na parte de trás da cabeça dele puxando-o para um beijo que dizia mais do que qualquer palavra seria capaz. O braço direito de Thor a envolveu com delicadeza retribuindo e concordando com a decisão dela.

Quando o beijo cessou, eles ainda não estavam pressionados juntos, mas nem mesmo a água fria amenizava o calor que queimava seus corpos. Sem romper o contato, ele movimentou as pernas na água, empurrando-os de volta à margem. Ela se deixou guiar sem resistência.

Chegando nas pedras, seus corpos inevitavelmente colidiram um com o outro desencadeando uma nova sequência de beijos que não se contentaram com suas bocas, deslizando pelos pescoços, clavícula enquanto as mãos acariciavam seus quadris. Apesar do desejo latente, não havia pressa entre eles, ao contrário, a necessidade de conhecer de forma atenciosa cada centímetro do outro imperava.

O joelho dele, devagar, procurou espaço entre as pernas dela e ela, instintivamente se impulsionou contra ele, buscando alívio para o desejo contido há séculos. As mãos dele se apoiaram no quadril dela e a impulsionou parcialmente para fora da água, descobrindo seu dorso. Os olhos de Sif se fixaram em cada reação que ele teria diante da amputação que ela sofrera. E só havia admiração em Thor. Ela podia sentir o rastro quente do olhar dele percorrendo sua pele e suas formas e também o quão duro o desejo dele se fazia sentir pressionando a lateral da sua coxa:

— Você é linda, doce e feroz Sif – sussurrou antes de depositar um beijo molhado sobre a cicatriz dela. E voltou a abaixá-la para que seu rosto ficasse quase colado ao dela: – Existe um lugar atrás da segunda cachoeira que nos garantirá discrição. Podemos ir para lá?

O sim que ela disse em resposta soou quase como um gemido. No instante seguinte nadavam juntos para a parte mais próxima do local que desejavam alcançar. Ele a impulsionou para fora da água e se juntou à ela rapidamente. Abraçando-a pela cintura, caminharam até uma caverna atrás da cachoeira.

Retomando os beijos, ela se sentou puxando-o consigo. Os dois se permitiram conhecer o corpo um do outro. Ele alcançou seu mamilo e alternou lambidas e pequenas mordidas. Ela percorreu o corpo dele com seus dedos e beijos até tocar seu pênis e não escondeu os gemidos que antecipavam o que viria ao sentir seu contorno e cumprimento.

Nenhum dos dois era inexperiente, pelo contrário, mesmo assim sentiam-se descobrindo uma nova forma de fazer amor, totalmente inédita e perfeita para eles. Seus olhos continuaram se encontrando antes de iniciar cada novo ciclos de carícias em busca da permissão que não seria verbalizada. Os dedos ásperos dele na parte interna de sua coxa eram tão ridiculamente excitante que Sif temia não ser capaz de esperar mais. Ele a testou ainda mais, seus lábios deslizaram para o ápice entre suas coxas e, de forma delicada, como quem sabia que ousar mais seria desencadear o clímax dela, provou sua umidade enquanto cravava os dedos na pele de seu quadril, desesperado com o sabor do néctar dos deuses que sentia nela.

Desesperada, ela o puxou de volta para cima e seus olhos se reencontraram. A mão dele afastou uma mecha de seu cabelo que cobria parte de seu rosto e ele disse:

— Você está pronta?

Com a respiração ofegante, ela respondeu:

— Sim... Muito... Agora me deixe cuidar de você.

Mas a mão dele deslizou para trás de sua orelha, tomando seu rosto e disse:

— Não é preciso. Estou pronto e desesperado por você.

Com um sorriso, ela confirmou que também deseja que se unissem o quanto antes. Recostando numa rocha, Sif se acomodou para abrir espaço para ele que rastejou sobre ela, equilibrando as mãos nas rochas laterais sem se permitir deixar seus lábios se separarem. Ele mergulhou dentro dela com um impulso suave, gemendo de forma primitiva, mas agradecida enquanto ela sussurrou seu nome.

— Thor... – e cravou as unhas nas suas costas, puxando-o para mais perto, querendo senti-lo ainda mais profundo dentro de si como se nada fosse capaz de afastá-los novamente.

O som da voz dela com aquela tonalidade teve um efeito ainda mais inebriante sobre ele que, sem hesitação, começou a se mover com mais seriedade. A paixão entre eles foi explodindo em ondas num ritmo cada vez mais robusto e frenético. A cada impulso, novas sensações eletrizantes percorriam o corpo dos dois e assim foram arrastados em convergência numa verdadeira tempestade de prazer. Raios, trovões, vendaval de sentimentos e sensações pareciam tomar conta de todo o redor e do interior dos dois. Estavam fundidos numa só carne, envolta nos cabelos dela.

Sif não podia esperar mais. Havia desejado aquilo por séculos e agora ele estava aqui, dentro dela, em completa sintonia com seus sentimentos. Ela se agarrou à sua carne ansiando por deixar marcas que, mais tarde, provassem que foi real o que viveram. Thor não diminuiu, puxando-a para ele enquanto seu corpo se lançava mais e mais sobre ela. Por um segundo, ele pensou que não resistiria ao sentir as ondulações do orgasmo dela comprimindo seu pênis. Reunindo toda força de espírito que ainda lhe restava, se retirou do corpo mais acolhedor que já encontrou apenas um segundo antes de se derramar em êxtase.

Exausto, ele se jogou ao lado dela, que o puxou para seus braços. Seus olhares se conectaram e os dois riram enquanto tentavam buscar um ritmo mais suave para suas respirações. Ele levou os dedos até o rosto dela e começou uma suave trilha por cada detalhe. Percebendo que algo o inquietava, Sif perguntou:

— O que está te incomodando?

— Você disse que precisa encontrar o seu lugar... Você terá o meu martelo, o meu poder e o meu amor. Por favor, me deixe ir com você, doce Sif.

Ela cobriu com sua mão a dele que estava em seu rosto e respondeu:

— Meu lugar é com você.

Notas finais
Bem, eu precisei escrever isso agora no início da madrugada porque minha vida tomou um outro rumo de repente e não queria deixá-los sem esse momento. Espero que não tenha sido decepcionante. Por favor, compartilhem comigo suas impressões. Sugestões e críticas são bem vindas. Grata pela leitura.