Além do Fim

8 (Re) Construção Ancestral do Futuro


Notas iniciais
Pensaram que eu tinha desistido, né? Claro que não! Temos alguns capítulos ainda pela frente. O capítulo anterior nos deixou no momento em que os vingadores descobriram que as violentas tempestades eram causadas pelo amor entre Thor e Sif. Pra deixar tudo ainda mais tenso, a Capitã Marvel chegou exigindo a presença do Deus do Trovão. Existirá felicidade para nosso casal? Boa leitura.

Não demorou até todos estarem reunidos na sala principal. Carol não relutou e tomar a palavra:

— Os efeitos de reunir as Jóias do Infinito e utilizá-las três vezes seguidas foram maiores do que imaginamos. O universo não passa por uma onda tão forte de energia que altera a ordem da vida sem sequelas. Por toda parte, mudanças pequenas, mas significativas precisaram da minha atenção. Apesar de sua multiplicidade, uma tem me deixado bastante preocupada. – e projetou uma imagem em três dimensões no centro da sala.

Os amigos observaram a imagem sem compreender qual o problema ali. Um cinturão de asteroides com uma massa se consolidando no seu interior como tantos outros apontavam para a possível formação de um novo planetóide. O único diferencial é que não era esférico como a maioria dos mundos conhecidos.

— Um novo mundo em formação. – Banner comentou.

— Numa rápida formação, Banner. Essa sequencia de imagens mostram a evolução nos últimos três anos.

Na última imagem, o cinturão de asteroides já tinha sido completamente sugado pela massa central e se forjado à ela.

— Esse é um novo tipo de imã que irá atrair o Universo todo até ele? – Stark comentou.

— Não! Esse mundo só estava pegando de volta seus próprios pedaços... – Sif disse se aproximando e tentando tocar a imagem projetada com os olhos cheios de lágrimas.

Thor se aproximou dela e colocou a mão em seu ombro:

— Asgard está se reconstruindo! – Seus olhos encontraram os de Sif com o sorriso estampando a felicidade que compartilhavam.

A sala borbulhou em comentários alegres que foram entrecortados por Carol:

— Não é tão simples assim. O fluxo de energia lá é enorme e não parece sob controle. Asgard sempre teve o papel importante para a manutenção da ordem de expansão do Universo todo. Isso com certeza atrairá a atenção de seres ambiciosos. O processo precisa ser acompanhado de perto e a energia canalizada para as fontes ancestrais para se reestabelecer a antiga ordem.

— Você quer garantir que a reconstrução de Asgard siga os velhos parâmetros. Precisa de um arquiteto/engenheiro/operário. Ou seja, um deus com um martelo! – Nat concluiu.

— É isso aí! Eu mesma faria, mas o resto do Universo também precisa da minha atenção. Então decidi passar essa bola para o dono da casa. – Carol se justificou.

— Obrigada por confiar em mim. Dedicarei todo meu empenho para que Asgard volte a ser como antes. E assim meu povo terá seu mundo de volta. Partirei o quanto antes.

— O que me trouxe até aqui não foi simplesmente o fato de você ser o deus asgardiano com o martelo, Thor. Antes de ir até a Asgard em formação, preciso que descubramos o que causou a desordem climática nessa região nos últimos dias. Por trás dela existe um grande fluxo de energia convergente que será fundamental para controlar e ordenar o que está acontecendo em Asgard. Você terá que levar isso com você!

Os amigos começaram a rir enquanto Thor, Carol e Sif não entendiam nada.

— Minha cara Carol Danvers, ou Capitã Marvel, como preferir. Aqui na Terra somos um tanto quanto atrasados tecnologicamente, mas nunca despreze a capacidade da mente humana. Sua Terra Natal reserva surpresas! Nós fizemos o trabalho duro por você. Já descobrimos a origem dessa energia convergente. E tenho certeza que o Senhor Bíceps aqui não a deixaria para trás por nada. – Stark disse se aproximando de Sif e colocando as mãos nos ombros dela. – Leve Sif com você e sejam felizes!

Sif ficou atônita com as palavras de Stark:

— Eu? As tempestades foram minha culpa?

Thor imediatamente a puxou pela cintura, numa reação defensiva para protegê-la do que interpretou ser uma acusação e Stark.

— Claro que não foi culpa sua! Sif estava comigo o tempo todo. Que tipo de acusação é essa, Stark?

Nat se aproximou com calma e pegou na mão de Sif a quem ela já considerava uma amiga:

— Stark não soube colocar a complexidade da situação. Não é culpa sua. Não é culpa de ninguém. Mas você e Thor são a origem da energia convergente que causou as tempestades. Analisamos todos os dados e você liberam essa energia quando estão se amando. O que sentem um pelo outro parece ser realmente muito forte.

O casal sentiu o rosto queimando. Thor puxou Sif para ainda mais perto de si. Foi ela quem primeiro criou coragem para falar:

— Eu sinto muito. Se eu soubesse, não teria deixado acontecer.

— Temos certeza disso, Sif. Mas separar vocês dois não é algo que nos deixaria felizes. – Banner fez questão de demonstrar que aprovavam a união do casal.

— Sexo causando problemas na Terra não é exatamente uma novidade. – Carol comentou.

— Nós já vivemos muito problemas econômicos, políticos, sociais que começaram por causa de sexo. É uma longa lista histórica. Fiquem em paz. – Steve Rogers colocou de forma séria e reflexiva.

— Qual é, gente? Sexo não é problema, é a solução! – Nat disse com uma piscadinha para o casal. — Especialmente nesse caso. Asgard precisa do amor de vocês.

Os preparativos para a partida não demoraram muito. O casal nem tinha muito o que levar. O mais importante era deixar alguém responsável pela Nova Asgard, a comunidade de asgardianos sobreviventes fundada na Terra. Função que Thor delegou à Valquíria com a certeza de que ela seria uma excelente líder durante sua ausência.

Os amigos prepararam um singela festa de despedida demonstrando o carinho que tinham por Thor e Sif que ficaram emocionados. Stark e Peper aproveitaram a oportunidade para contar que esperavam um bebê. O clima de fé no futuro não podia ser melhor.

A viagem até Asgard foi mais demorada do que o casal estava habituado. Sem a Bifrost, usaram um misto de viagem convencional com a Capitã Marvel e outros vórtices dimensionais que encurtaram a distância entre determinados pontos.

Ao chegarem em sua terra natal, encontraram uma massa de elementos numa luta brutal pela formação final. Violentas tempestades rasgavam os céus. Lava, gelo, tremores de terra montavam o cenário estarrecedor diante dos olhos deles. Nada da brilhante e imponente Asgard do passado. Nenhuma das belezas naturais ou daquelas que a engenhosidade e dedicação de seu povo construíram ao longo de milênios. A força da energia em ebulição no local era claramente perceptível. Carol tinha razão, esse lugar precisava de proteção.

— Ao vivo não é tão animador, não é? Mas acredito que com vocês aqui, protegendo e conduzindo o processo de formação, em poucos anos teremos Asgard de volta. Pelo menos, o mundo natural e sobrenatural que existiu. Então poderão trazer seu povo e começar a reconstrução do resto que será mais lenta.

— Por mais que o cenário seja desfavorável, Asgard foi nosso lar e não desistiremos de protegê-la e lutar para trazê-la de volta. – Sif disse determinada. – Frigga me ensinou muito sobre como tudo se formou e me deixou esse amuleto. – disse mostrando uma discreta pedra encravada na sua espada. – Grande parte do conhecimento de nosso povo está aqui. Tenho dedicado muito tempo à estudá-lo e isso será ainda mais útil agora.

— Vamos fazer isso juntos! O poder de Thor será colocado à serviço da reconstrução de nosso mundo. Se nossos ancestrais nos julgaram dignos de sobreviver e recebermos essa missão, vamos honrá-los com nosso empenho e não desistiremos até toda Asgard estar novamente em pé.

— Tenho certeza disso. Por isso fui até vocês. Mesmo assim, a tarefa exigirá um esforço de Titãs. Reconheço a dificuldade que terão pela frente e a necessidade de acelerar ao máximo o processo para garantir a segurança do próprio universo. Quando seu mundo estiver reconstruído, os vórtices de energia que estão presentes aqui estarão protegidos por seu povo. É por isso que vou confiar isso à vocês. – disse apresentando uma pequena esfera que não tinha mais que meio centímetro de diâmetro – Aqui dentro recolhi uma forma de poeira cósmica muito especial. Ela se desprendeu das Jóias do Infinito quando foram associadas e utilizadas. A esfera que a contém é feita do mesmo matérias que Mjornir, StormBreaker e o cabelo de Sif. Assim, poderão acessar e controlar essa força quando se unirem como fizeram durante a batalha contra Thanos. Só tomem cuidado para não darem um passo maior que suas pernas. O processo de formação deve acontecer por etapas para que nada saia errado. Concentrem-se e não pulem etapas. Eu devia ter trazido o primeiro capítulo do livro do Gênesis da Bíblia pra vocês.

O casal se entreolhou rindo.

— Não conhecemos esse livro, mas temos nossos próprios mitos criacionistas onde o processo de formação também é descrito por etapas. Acho que serão úteis. – Sif assinalou.

— E buscaremos ainda mais informações nas fontes deixadas com Sif. Nossa intervenção será pontual. É preciso deixar que forças acima de nós façam sua parte. Seremos apenas condutores quando necessário. – Thor relembrou.

— Não está mais aqui quem falou. Vocês dois me convenceram que estão mais que bem preparados para a tarefa que têm à frente. Boa sorte!

E Carol partiu.

Sozinhos, o casal trocou um olhar travesso.

— Como eu te deixo me meter nessas confusões? – Sif disse de forma provocante enquanto já se colocava entre os braços dele.

— Acho que temos que lembrar sua parcela de culpa aqui. Nenhuma outra mulher conseguiu provocar uma fúria de energia convergente em mim como você.

Ela respondeu buscando os lábios dele. Se entregaram àquele beijo carregado do amor que compartilhavam, mas também buscando no outro a força para enfrentar a árdua tarefa que tinham pela frente. Quando se separaram, Thor a envolveu pela cintura se colocando atrás dela e mostrando aquele horizonte inóspito:

— Meu pai Odin sempre me disse que construir um lar era tão difícil quando sentar-se no trono de Asgard. Se pudermos vencer isso e fazer desse caos um lar para onde todos os asgardianos possam voltar, também construiremos algo entre nós que força alguma do Universo poderá destruir. E é isso que eu mais quero. Obrigada por estar aqui.

Ela se envolveu nos braços dele:

— Com você, estou disposta a enfrentar tudo. Sempre estive. Nunca hesitei sacrificar a mim mesma se fosse para ver um sorriso no seu rosto. Poder viver isso ao seu lado é uma honra e também a minha maior alegria, Thor.

Os dois dedicaram as próximas horas a observar toda a massa em formação, seus fluxos de energia, tempestades, tremores, reunindo o máximo de informações possíveis. Em seguida, procuraram um abrigo e sentaram-se relembrando as antigas histórias, etapa por etapa. Depois cruzaram esses antigos mitos com a realidade que observaram. Não havia tanto assim o que fazer. Sabiam exatamente onde atuar e estavam dispostos a começar logo.

Dias e meses se seguiram de muito trabalho e dedicação fortalecendo a união dos dois. Estudaram tudo que lhes foi deixado, se uniram canalizando a energia nos momentos mais críticos, se separaram quando perceberam que esforços em frentes diferenciadas os chamavam. Ao contrário do que acontecia na Terra, aqui quando faziam amor as tempestades que acalmavam permitindo a energia ancestral fluir de forma mais suave, delineando os contornos naturais de seu novo/antigo lar. Houve longos momentos nos quais sequer precisaram dizer qualquer coisa. Já se conheciam pelo olhar e pelo desenho da postura. Aprenderam a estender a mão quantas vezes fosse necessário, a puxar para o abraço sem qualquer necessidade e a se entregarem ao amor que sentiam sempre!

Aos poucos Asgard foi ressurgindo com uma nova silhueta, mas com a antiga força.

Numa tarde, mais de um ano depois, eles estavam sentados numa pedra observando a cachoeira que colocava limite ao seu mundo. As água e total confluência com a energia cósmica. Era ali naquele local que reconstruiriam a Bifrost um dia.

— O próximo passo é trazer os asgardianos de volta. Finalizamos a tarefa para qual viemos aqui. – Sif disse olhando para o infinito.

— Estou ansioso para repovoar nosso mundo. Mas tenho que confessar que dividir você com todos eles não será fácil. Estou mal acostumado.

Ela revirou os olhos:

— Por favor. Você deveria ficar feliz que terei outras pessoas para quem delegar minha “lista interminável de tarefas diárias”.

— Vai usar minhas palavras contra mim agora, minha senhora?

— Sempre que necessário. – ela respondeu com um sorriso nos olhos.

Thor alcançou o rosto de Sif com um toque suave de sua mão:

— Eu preciso te fazer uma pergunta. Você confia em mim, Sif?

— Com minha vida! Por que essa pergunta agora?

— Por que eu quero te dar um presente. É algo sem volta. Você precisa aceitá-lo antes de vê-lo. Para isso, terá que confiar em mim.

— Você sabe que não preciso de nada. Já tenho tudo que sempre quis.

— Então não se confiaria a mim para receber o presente que tenho me esforçado tanto para conseguir pra você?

— Não é isso... então, é por isso que tem estudado mais os antigos mitos? Por favor, não sacrifique seu descanso por mim.

Ele a puxou para ainda mais perto e tomou seu rosto entre as mãos:

— Por favor, minha amada Sif, me deixe te agraciar com um presente assim como você me agracia com esse oceano de amor que vejo em seus olhos.

Ela sorriu tímida e assentiu com a cabeça. Thor se levantou após dar um breve beijo nela e a puxou consigo. Atravessaram seu mundo até a floresta onde cresciam as frutas da longevidade. Embaixo da árvore mais frondosa, ele a despiu com cuidado. Então tomou sua mão entre as suas e voltou a lhe garantir:

— Está tudo bem. Confie em mim.

Levou uma mão até suas costas onde iniciou com seu polegar o trajeto por toda a coluna vertebral dela deixando um rastro oleoso. Antes que atingisse o final, o corpo de Sif cedeu ao sono profundo, precisando ser amparado por ele. Cuidadosamente a deitou sobre a relva e se pôs de joelhos ao seu lado. Retirou do cinturão pequenos frascos com poções cuidadosamente preparadas que derramou sobre o peito direito dela. Canalizando a energia do lugar também utilizou a poeira cósmida das Jóias do Infinito para conseguir concluir seu intento.

Longos minutos foram se passando e seu êxito foi se configurando. Terminou exausto e satisfeito com o resultado.

Sif despertou tão logo ele a chamou. Foi o olhar de Thor que a guiou para seu presente. Olhou para si mesma e viu seu dorso completamente reconstruído, seus dois seios em simetria sem cicatriz alguma, tal como fora antes da luta com Thanos. Seus olhos se encheram de lágrimas.

— Está feliz, Sif?

— Muito. Obrigada...

— Eu sei que você não precisava disso para ser a mulher mais linda que já conheci. Mas queria te devolver o que aquele monstro tirou. Também achei que seria útil caso você queria ter um filho um dia e que talvez isso aumente a minha chance de ter a honra de ser o pai.

Ela fechou os olhos e respirou sorrindo. Era como uma sonho, mas tudo tão fora da normalidade...

— De todos os seres do universo, você é o mais adorável e sem jeito para dizer algo assim.

— Em que parte eu errei?

— Em não ter me tomado nos seus braços para me provar que posso me sentir queimando ao toque dos seus lábios como antes.

Thor não esperou mais nada. Puxou Sif para seus braços reivindicando seus lábios e todo o seu amor.

Notas finais
Bem, agora que tudo parece no lugar, vou trabalhar um pouco mais desse casal no próximo capítulo. Estão gostando? Algo que precise ser melhorado? Por favor, deixe-me saber como você está avaliando essa história. Grata pela leitura.