Além do Crepúsculo - VERSÃO ANTIGA

2 Capitulo 1 – Mudanças Parte I


Notas iniciais
Graças aos comentários que eu recebi resolvi postar esse capítulo hoje e não domingo como tinha planejado, eu ia postar o POV do Edward nesse cap. mas ia ficar muito grande e eu quero ainda ajeitar algo que estiver errado, então não postarei nesse cap. mas ele está vindo logo (terça ou quarta) e seus comentários só vão ajudar a eu acelerar isso. Quem sabe eu não poste domingo mesmo? Preciso saber se vocês estão interessadas!



Tradução:

Aspas duplas: “Bella” – pensamento

Aspas duplas em negrito: “Bella”— palavra grifada em aspas

Aspas simples: ‘Bella’ – conversa ao telefone

Aspas simples com itálico: ‘Bella’— uma visão

‘Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações.’

Vinícius de Moraes

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POV Bella

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Maria Valentina Ferreira dos Santos, para com isso já!’ disse tentando fazer minha amiga parar de pirar, como parecia tão típico quando o assunto era seu namorado.

‘Argh! Não me chame assim, sabe que eu detesto!’ Tina respondeu irritada.

‘Pelo menos você parou de divagar absurdos’ sorri com seu tom irritado do outro lado da linha.

‘Não tem nada de absurdo aqui, Bella’ disse com convicção.

‘Ah, não?!’ indaguei incrédula ‘Você está pirando com essa briga por nada!’

‘Nada! E se o Miguel não voltar a falar comigo e se ele se interessar por outra garota?’ seu tom era alarmado agora, quase desesperado.

‘Relaxa! Você é linda, interessante, inteligente e engraçada. Só um idiota terminaria com você. Além do mais ele sabe que está errado, vai te pedir desculpas’ era totalmente inacreditável para mim como Tina simplesmente não se dava conta disso sozinha, mas não me importava de ter que falar isso pra ela.

‘Você está dizendo isso só porque é minha amiga, mas eu sei que não sou tudo isso’ revirei os olhos, mesmo que ela não pudesse ver. Ela realmente não conseguia enxergar as coisas claramente, era incrível!

‘Tina, acorda garota, todos os caras da escola dariam a mão pra sair com você. Você é a garota mais linda do segundo ano e a terceira mais bonita da escola inteira. E isso minha querida é um fato, então pare de drama’ eu estava falando sério, não era só pra animá-la Tina realmente era linda, sem sombra de dúvidas e todo mundo sabia disso. ‘Além do mais o Miguel é doido por você’

‘Eu não ligo pra o que todo mundo pensa’ eu fiz um barulhinho de incredulidade do outro lado da linha que ela entendeu bem ‘Tá, tudo bem! Eu ligo e adoro, satisfeita!’ ela disse um pouco irritada.

Mais de dois anos de amizade eram tempo mais que suficiente para eu afirmar que conhecia muito bem minha amiga e sabia que apesar dela não gostar de admitir Tina adorava a atenção que recebia de todos, principalmente dos garotos, mas ela nunca tinha — como eu sempre brincava “usado seus poderes para o mal” — e esse era apenas um dos motivos, pelos quais eu gostava tanto de Tina. Porque, apesar de toda admiração e atenção que atraia ela nunca se vangloriava disso como muitas garotas com a aparência e o carisma dela fariam.

‘Bella! Escutou o que eu disse’ chamou me tirando dos meus pensamentos. Pelo tom percebi que não era a primeira vez.

‘Não, desculpa, pode repetir?!’ pedi meio sem graça. Eu tinha essa horrível mania de as vezes, leia-se: quase sempre, se desligar completamente da realidade e me perder em pensamentos sobre tudo o que existia sob o sol e que nesse momento era Tina.

‘Divagando absurdos?’ seu tom foi sarcástico e risonho.

Touché!

Felizmente Tina já estava mais que acostumada com minhas divagações por isso não se incomodava ou irritava quando eu perdia alguma parte de nossas conversas, embora não pudesse se conter de sempre me provocar quando isso acontecia.

‘Que coisa feia, usando minhas palavras contra mim.’ meu tom era falsamente repreensivo.

Ela riu.

‘Tive uma boa professora’ Tina agora tinha um tom presunçoso na voz.

‘Tá, tá!’ disse tentando encerrar o assunto ‘Mas o que você me perguntou, que eu não ouvi?!’

‘Ah...’ sua voz caiu imediatamente em um tom de desanimo ‘Eu disse que já faz três dias que ele não fala comigo’ eu quase me arrependeu de voltar ao assunto, mas precisava fazer ela entender que suas preocupações eram totalmente ridículas.

‘Dá um tempo pra ele Tina, ele precisar pensar, precisa perceber que foi ele quem errou, engolir seu grande orgulho e pedir desculpas a você, simples assim’

‘Simples assim? Mas e se ele não pedir?’ ela perguntou cheia de dúvidas.

‘Ele vai, confie em mim.’ disse com convicção. ‘Afinal de contas Miguel é meu primo e eu o conheço há muito mais tempo que você então acho que eu posso falar com

Ela deu um grande suspiro antes de falar.

‘Tudo bem, eu vou esperar... Bom, vou tentar, pelo menos’ ela soltou um risinho fraco.

‘Vai dar tudo certo, eu sei’

Tão orgulhoso como meu primo poderia ser ele nunca tinha demonstrado gostar tanto de uma garota e eu sabia que para não perde-la ele ia ter que reconhecer que estava errado. Eu só esperava que minha amiga fosse forte o suficiente para não ceder, quando ela estava claramente certa.

‘Certo’ Tina disse um pouquinho mais animada ‘Eu vou ter que desligar meu pai tá chamando, amanhã a gente se vê’

‘Até amanhã, então’ me despedi.

‘E Bella’ chamou antes que eu desligasse.

‘Sim?’

‘Obrigada, amiga’ sorri ao ouvir seu tom agradecido.

‘Estamos aqui pra isso!’ disse num tom de brincadeira, pra ela não perceber o quanto eu tinha ficado emocionada com o que ela disse.

É, eu sou uma boba, chorona. Uma verdadeira manteiga derretida, fato.

‘Boa noite!’ ela disse por fim.

‘Boa noite, tchau!’

Desliguei o telefone e girei sobre o meu corpo ficando deitada de barriga pra cima. Era tão bom ter uma amiga, eu achava que para a maioria das pessoas isso devia ser uma conquista banal, mas pra mim era algo... especial. Quer dizer, eu era como qualquer pessoa normal que tinha um monte de conhecidos e colegas, pessoas com quem gostava de passar o tempo. Eu até tinha alguns, poucos amigos – note o gênero. Eu sempre tinha sido a garota dos amigos e de nenhuma amiga. Embora não fosse de se estranhar, afinal convivendo durante toda a minha vida, apenas entre garotos – primeiro meu irmão, depois meus onze primos e todos os amigos deles – eu realmente não podia esperar por algo diferente. Por isso era difícil para mim, arranjar companhia feminina com menos de 30 anos de idade.

E a escola tão pouco se mostrou um lugar fácil de conseguir alguma companhia feminina amiga, aliás, qualquer espécie de companhia. Eu não podia dizer que tinha realmente amigos lá, o que tinha na melhor das hipóteses era um monte de colegas convenientes com quem podia pegar a matéria de uma aula que eu tivesse faltado ou fazer trabalhos em grupos, mas para mim amizade de verdade era algo bem diferente do que essa superficial troca de amabilidades e favores, talvez por isso eu não fosse lá muito solicitada para qualquer coisa que fosse.

Eu era apenas uma aluna mediana que não se destacava em absolutamente nada e que parecia não se encaixar muito bem em qualquer lugar. Isso não quer dizer que eu fosse alguma espécie de eremita solitária que vivesse na floresta ou algum tipo de antissocial, pelo contrário eu sempre falava com todos, algo que era... agradável. Conversava com todos e não era de me meter em fofocas, era neutra, nem mais, nem menos. Nem um pouco extraordinária. Normal. Uma garota comum, num ambiente cheio de pessoas superficiais. Algo que eu também fingia ser, na tentativa de me encaixar de algum modo, que piada! Porque no fim das contas isso só me fazia se sentir incrivelmente solitária.

Sabia que minha família me amava, mas todos sempre estavam tão ocupados com suas próprias vidas e responsabilidades. Quanto aos meus primos e meu irmão, bom, eles tinham seus próprios amigos, para terem que ficar o tempo todo prestando atenção em mim. E eu sinceramente não os culpava. Na verdade não era a companhia deles, dos meus avós, dos meus tios ou pais, que eu realmente queria. Eu só queria de verdade era ter alguém da minha idade e de preferencia do seu sexo, com quem conversar, alguém que me visse como era e gostasse do que via. Alguém com quem pudesse compartilhar meus segredos e falar besteiras, sem me importar em ser julgada ou ridicularizada, sem ficar me preocupando em ser legal e agradar, porque essa pessoa gostaria de mim mesmo assim, eu queria alguém com quem sempre pudesse contar e que também pudesse comigo.

Mas depois de um tempo desisti de pensar nisso, e me conformei com sua vidinha simples e apagada. Desisti de ter uma amiga de verdade.

Até o dia que conheci Tina e logo depois Lígia. Tina e a irmã vieram de São Paulo para morar com o pai divorciado e desde o primeiro dia quando ela sentou do ao meu lado nos tornamos amigas. Eu tinha gostado dela desde o primeiro momento. E depois de Tina ter se tornando uma das garotas mais disputada por grande parte dos garotos da escola e consequentemente se tornando uma das garotas mais populares do seu ano, ela nunca abandonou nossa amizade, pelo contrário nossa amizade pareceu crescer ainda mais. Tina havia me dito uma vez que popularidade trazia um monte de amigos, na maioria falsos, então ela simplesmente não poderia abandonar a primeira amizade que tinha feito, porque essa ela tinha certeza que era sincera.

Ainda me espantava como ela tinha permanecido minha amiga apesar de tudo. Porque Tina era linda, não só bonitinha como muitas garotas, mas realmente linda, ela até tinha feito alguns comercias e trabalhos como modelo fotográfica em umas campanhas pequenas, o que com certeza só aumentou sua popularidade, não que Tina realmente ligasse para isso. Afinal, minha amiga queria mesmo era juntar dinheiro para pagar a faculdade de medicina dela... Isso mesmo, além de linda ela era muito inteligente. Nada mais, nada menos do que a primeira aluna da sala. Ela era do tipo crânio mesmo. No entanto ninguém a chamava de CDF, apesar dela ser. Porque aparentemente inteligente acima da média e popularidade não se misturavam muito bem e as pessoas tendiam a esquecer que Tina tinha realmente um grande cérebro para compor seu lindo rosto.

Depois veio a Lígia irmã gêmea não idêntica e totalmente diferente de Tina. Lígia foi um caso a parte, Bella não tinha se aproximado dela, aliás, ela tinha que admitir que ficou um pouco intimidada com a outra menina, embora sempre a admirasse de longe. Lígia era agressiva e sabia se impor o que fazia com que muitos garotos tivessem medo de se aproximar dela e muitas garotas nem chegassem perto, assim como eu. Apesar disso a gêmea de Tina era quase tão popular quanto a irmã, afinal ela era a estrela do vôlei e estava cotada para entrar na seleção brasileira juvenil de vôlei. Tínhamos nos tornado amigas graças a intervenção de Tina e logo eu descobriu que apesar de durona ela tinha um coração de ouro.

Éramos sem dúvida o trio, mas desencontrado e diferente de toda escola. Tina a linda, popular e aluna número um. Lígia a estrela do vôlei, quase tão popular e a rebelde sem causa. E eu a garota comum, praticamente invisível, aluna mediana e meio certinha.

E de garota semitransparente eu me tornei, a garota quase popular. Todos, para além do seu pequeno círculo de colegas habituais, passaram a saber, meu nome e falar comigo. Não que eu tivesse me tornado amiga delas pela popularidade, eu sinceramente não se importava, na verdade essa atenção que acabou recebendo por tabela, a tinha pego totalmente de surpresa.

E foi então que eu tinha entendido o que Tina havia dito sobre falsos amigos. Era uma coisa boa que eu nunca tinha buscado sua amizade pensando em ser notada porque se eu realmente tivesse me aproximado delas com esse objetivo, com certeza teria sofrido uma grande decepção. Afinal as pessoas me tratavam bem, tentavam se aproximar de mim ou falar comigo, não porque queriam se aproximar de Annabella Leoni O'Connell ou serem minhas amigas.

Aliás, podem culpar meu pai pelo sobrenome incomum e claro pelo nome que foi uma homenagem à minha mãe Ana Francisca, como se já não tivesse Ana’s suficientes em minha família, mas hoje em dia eu tinha que agradecer, afinal eu agora sempre poderia fingir que era realmente a Bella do meu Edmund e de qualquer forma eu sempre preferi apenas Bella, pois nunca gostou muito da junção com o ‘Anna’. Mas eu estou totalmente me desviado do tópico, que era...

Ah, sim. Sobre meus novos, convenientes e falsos amigos que tinham aparecido depois de eu ter me tornando amiga das duas novas garotas da escola, apenas para saberem tudo sobre elas ou apenas se aproximarem delas através de mim.

Eu tinha me tornado uma ponte, uma escada, um meio para um fim especifico, se aproximar das duas garotas novas que rapidamente estavam se tornando muito populares. E isso resumia toda a ópera. E eu detestava isso quase tanto quanto a minha antiga vida solitária. Quase. Porque agora pelo menos eu tinha as duas do meu lado o que tornava tudo, mais tolerável. Eu pensava que talvez esse era seu preço por conseguir amigas tão incríveis. E sinceramente, era um preço que eu estava disposta a pagar.

E era exatamente por esse motivo que eu me divertia um pouco agora depois de recapitular, minha conversa com Tina. Todo aquele drama pela primeira briga dos dois, por um motivo totalmente bobo, diga- se de passagem. Era realmente engraçado o quanto Tina se sentia insegura em relação a isso, quer dizer ela era o tipo de garota que qualquer cara com o mínimo de bom senso ia querer conservar. Todos os garotos da sua longa lista de namorados, bem que tinham tentado, o fato era que Tina tinha terminado com todos eles em um momento ou outro nunca se angustiando demais com suas brigas ou posteriores rompimentos.

Por isso era difícil para uma simples mortal como eu entender de onde havia surgido toda essa insegurança. É claro que o meu primo era diferente da maioria dos caras que ela tinha namorado, ele estava pouco se lixando com popularidade e beleza, mas ainda assim ela não devia se sentir tão insegura.

Embora agora que pensava nisso, talvez Tina gostasse de Miguel bem mais do que eu tinha percebido. Talvez Miguel fosse O cara, eu só podia sentar e esperar para descobrir o fim dessa história, mas seja qual fosse eu desejava que terminasse com um final feliz para ambos.

Me estiquei na cama, sorrindo e meu braço acabou esbarrando acidentalmente em algo duro e retangular. Logo me lembrei o que era, meu livro preferido: Crepúsculo. Que eu tinha parado de ler para atender a ligação de três horas que tive com minha amiga.

Me virei de novo na cama e segurei o livro, já com alguns amassados, dobrado em algumas pontas e todo riscado sob os trechos e as minhas frases favoritas. Mesmo já sendo provavelmente a centésima vez que lia aquele livro não me cansava, era um circulo vicioso que eu alimentava: ficava seis meses sem ler o livro e depois começava a ler a saga inteira de novo, parava por mais seis meses e depois começava tudo de novo e de novo.

Eu adorava histórias sobre vampiros desde nova e amava romances, por isso foi impossível não se apaixonar por Crepúsculo.

Era minha história favorita.

O conto de uma simples humana que se apaixona por um vampiro.

Embora fosse mais que isso, mais do que essa premissa central, que me cativava e atraía tanto. Eu achava que tinha mais a ver com os personagens do que com a história em si. E por mais estranho que fosse algo que nunca ia admitir para ninguém, eu sentia uma estranha conexão com esses personagens, apenas havia algo sobre eles, principalmente sobre o garoto de cabelos castanhos avermelhados que me atraia como um imã e ao mesmo tempo me encantava como nada mais. Embora eu detestasse os nomes, eles simplesmente não se encaixavam.

Mas sinceramente como não se apaixonar por eles. Anne a pequena fada otimista e efusiva sempre junto de Ronald o ex-soldado confederado que podia controlar as emoções, o compassivo doutor Carleill sempre ao lado da doce e maternal Sophie, o brincalhão Kenneth com a vaidosa e aparentemente superficial Caroline Howell. E aquele por quem eu mais era encantada Edmund Connors.

Eu era total e completamente apaixonada por ele e isso era um fato incontestável por mais louca que essa afirmação fosse. Afinal, não é absolutamente normal uma garota ser apaixonada por um personagem de livro.

Mas quem disse que eu era totalmente normal?

Quer dizer Tina tinha uma longa lista de ex-namorados e agora mesmo estava namorando. Até mesmo Lígia a “senhorita osso duro de roer” tinha arranjado um namorado, muito do corajoso, na minha opinião só por tê-la chamado para sair. Sem contar todas as outras garotas da minha classe. E eu com 16 anos de idade ainda não tinha dado sequer meu primeiro beijo. Se isso não é estranho, então eu não sabia mais o que era. Não só estranho mais em minha opinião um pouco constrangedor também.

Em parte isso era culpa minha, tinha que admitir, já que eu ainda era uma tola romântica que acredita no amor verdadeiro e que só queria dar meu primeiro beijo quando estivesse realmente apaixonada.

É claro que minha relutância em trocar saliva com um membro do sexo oposto não se resumia apenas a minha paixão secreta e totalmente platônica por Edmund Connors, ou com certeza já teria procurado ajuda profissional especializada.

Em todo o caso, havia vários motivos por trás desse meu “estado” de celibato auto imposto, por assim dizer. Primeiro e mais importante eu queria estar apaixonada, veja bem nem precisava amar o cara em questão, só estar apaixonada, atraída o mínimo que fosse e que o garoto também estivesse realmente interessado em mim e não em se dar bem com uma garota ou em me usar para se aproximar das minhas amigas. E sim, isso já tinha acontecido.

Esse era exatamente o segundo motivo. Depois que eu tinha me tornado melhor amiga das duas, vários garotos começaram a se mostrar “interessados” em mim, eu até tinha saído com um deles para saber se havia alguma faísca, mas só encontrei decepção porque logo descobri que a única coisa que o garoto parecia querer de mim era uma maneira de se aproximar de uma de minhas amigas, depois disso foi fácil perceber que a maioria dos garotos que demonstravam interesse em mim queriam mesmo apenas me usar para chegarem nas minhas amigas, quando percebi isso nunca mais tentei sair com ninguém da escola.

O terceiro motivo era que todos os caras que não eram da escola e não queriam subir na escala social escolar ou sair com as minhas amigas e que pareciam levemente interessados em mim, tinham dois defeitos básicos: ou eram toupeiras completas como foi o caso de um garoto que teve a coragem de me mandar uma cartinha romântica com tantos erros de português que eu sinceramente pensei que talvez fosse algum código super secreto – e eu era muito lenta para descobrir –; havia também os esquisitos, como uma vez que um garoto que todo mundo tinha certeza que era gay e com quem ela se tornou muito próxima quando conheci tentou me agarrar e acabou levando uma bela joelhada nas joias da família, como esses havia outras bizarrices do gênero que apareceram na minha vida.

Ah, mas havia um quarto motivo que eu estava esquecendo. Os garotos que não eram nem interesseiros, nem toupeiras ou esquisitões, eram meus primos e os amigos deles (onde relutantemente eu podia admitir que havia algumas opções legitimas nesses dois grupos, apesar que a ideia de escolher qualquer um nesses dois grupos era absolutamente estranho para mim) ou seja estavam total e completamente fora dos limites para mim.

Então não era, como se eu não quisesse, eu queria e muito! Eu apenas não tinha sorte com os homens. Era isso. E depois que Edmund Connors apareceu em minha vida, nenhum cara pareceu bom o suficiente mais.

Era por esse motivo que eu tinha me tornado uma mentirosa profissional a respeito de sua inexistente vida amorosa. Eu mentia como se não houvesse amanhã sobre um admirador secreto que me mandava uma rosa uma vez na semana para a escola, na verdade era eu que enviava para mim mesma essas rosas. É eu tinha me tornado esse nível de patética. Apesar de sempre tentar me convencer que isso era “marketing pessoal”, mas no fundo sabia que era só uma desculpa para não parecer tão abandonada pelo sexo oposto como realmente me sentia.

Por isso absolutamente ninguém sabia que eu fazia isso, até porque seria incrivelmente humilhante e embaraçoso. O mais difícil era mentir para suas melhores amigas, algo que me dava um grande sentimento de culpa, mas eu simplesmente não queria falar sobre isso com elas. Não tinha a ver com confiança, porque eu sabia que elas não zombariam de mim por isso, talvez tivesse a ver com um pouco de orgulho, mas principalmente porque eu sabia que se elas descobrissem não me deixariam em paz e tentariam coloca-la em tantos encontros as cegas quanto possível até me arranjar um namorado. E eu sabia muito bem que essa história não ia dar certo, por isso preferia ficar calada.

Decidi deixar esses pensamentos deprimentes de lado e voltei a ler sobre Edmund Connors minha impossível paixão platônica.

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Acordei com minha mãe chamando para o jantar, a última coisa que me lembrava era estar lendo o segundo capítulo de Crepúsculo e provavelmente em algum ponto eu tinha adormecido.

Rapidamente me levantei quando minha mãe disse que tinha uma surpresa num tom animado. Ana Francisca Leoni O’Connell – mais conhecida como Fanny apelido que meu pai deu a ela e que ela não gostava, mas que tinha se tornado estranhamente popular entre todos – psicóloga e conselheira de relacionamentos, não era muito conhecida pela sua animação, na maior parte do tempo, minha mãe era uma pessoa séria, durona, metódica e decididamente paranoica, mas tinha seus momentos de mãe carinhosa, brincalhona e super protetora. Então eu sabia que seja o que fosse que a tinha colocado nesse estado animado devia ser muito bom.

Sai do quarto e assim que cheguei na sala percebi que não tinha me enganado, porque logo atrás dela estava a surpresa de quase 1,80 de altura parado bem no meio da sala, falando com William, meu irmão.

— Papai! – sai correndo para abraçá-lo.

Ele se virou para mim e me girou no ar como sempre fazia quando voltava de viagem desde que eu era pequena.

— Saudades. Você demorou muito mais tempo dessa vez.

— Também senti saudades, Sweetie. Eu tinha alguns assuntos para resolver que acabaram estendendo a minha viagem mais do que o esperado.– meu pai disse naquele sotaque britânico forte que ele tinha e ela adorava.

Henry O’Connell, copiloto da American Airlines – o que por sinal nunca tinha garantido viagens internacionais grátis para mim, por falar nisso – inglês, descendente de escoceses e irlandeses, aliás, era do último que vinha o seu sobrenome. Meu pai não fazia muito o estilo inglês frio e indiferente, pelo contrario... Ele era fã do Queen, AC/DC e Rollings Stones. Sim, meu pai era um garotão de (quase) 50 anos, divertido, brincalhão e charmoso – um quase completo oposto da minha mãe. Ainda era um verdadeiro mistério para mim como eles ficaram juntos, sendo tão diferentes, mas eu tinha uma forte sensação que o sotaque inglês de seu pai tinha um importante papel nessa união.

Eles se conheceram quando minha mãe estava na Inglaterra fazendo seu doutorado em psicologia e meu pai ainda tentava tirar o seu breve de piloto. Acabaram se apaixonando e pouco tempo depois eu nasci, meu irmão veio alguns anos depois.

— E então filha, o que você prefere? – ouvi meu pai me acordar.

— Entre o que? – perguntei confusa.

— No mundo da lua de novo, cabecinha de vento?! – disse rindo.

— Pai, você sabe que eu detesto quando me chama disso! – respondi meio irritada.

— Tudo bem – ele respondeu rindo de novo da minha cara de brava, que ele sempre dizia que era uma graça.

— E então o que você disse? – perguntei cruzando os braços.

— Eu perguntei se você prefere comer ou saber das novidades?

— Que novidades?

— Então prefere ouvir antes de comer? – disse ele sem se comprometer.

Oh, dúvida cruel, matar minha curiosidade ou minha fome? O forte ronco na minha barriga decidiu por mim.

— Fanny melhor você esquentar o jantar – ele disse para minha mãe enquanto ele e meu irmão riam de mim.

Homens, eles as vezes são impossíveis! Pensei enquanto fazia uma careta envergonhada.

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Notas finais
N/A: Vocês devem estar um pouco confusas sobre os nomes, esclarecendo eu só mudei eles como a autora colocou nos livros, mas os nomes deles serão mantidos na fic, coloquei assim porque seria muito estranho se eles tivessem exatamente o mesmo nome que no livro ou vice-versa a Bella sacaria logo quem eles eram, por isso eu mudei o nome nos livros da saga para manter o original na fic, se vocês repararem eu coloquei os primeiros nomes que a tia Steph escolheu para o Jasper e a Rosalie. Espero que vocês tenham gostado e que comentem!!!