Além do Caos
2 Capítulo 2 - Pulo.
— Dia (1)
Encontrava-me totalmente perdido, pois ao abrir os olhos deparei-me aos pés da Torre Eiffel. Estava de cueca e ao meu lado, com as mãos sobre seus seios, estava Layla.
Nunca me senti tão confuso em toda a minha vida. Era toda aquela confusão, gritos, neblina, flashes de pessoas que tiravam fotos e vozes falando uma língua que não entendia.
Naquela hora eu havia somente uma certeza que era que tinha sair de lá. Peguei Layla no colo do jeito mais improvisado possível e sai correndo para dentro da cidade, buscando algum lugar para me esconder.
Tive sorte de conseguir despistar o grupo de pessoas que nos seguiam com as câmeras em mãos me escondendo em um beco com pouca luminosidade. Havíamos somente uma pequena chama, provavelmente improvisada por moradores de rua.
Finalmente paramos, coloquei Layla ao chão com maior proximidade do fogo possível. Ela tremia e me olhava assustada e confusa, mas isso não a impediu de perguntar aquilo que eu tanto temia:
—O que esta acontecendo?
Estranhamente, eu sabia exatamente o que responder:
—Layla, o real motivo para eu ter ido a sua casa, foi para perguntar se você estava bem. Após aquele acidente tenho me sentido... Estranho. Sinto como se tivesse algo dentro de mim e acho que a situação que estamos agora também é fruto daquele acidente.
Pude perceber que uma lagrima escorreu pelos seus olhos. Para conforta-la, levei minha mão até o seu rosto. Esforcei-me para transmitir carinho, mas falhei. Layla afastou minha mão de seu rosto com um tapa e gritou:
—Você me usou! E-eu... Eu acreditei que aquilo era real! Acreditei que você sentia algo por mim... Tanto quanto eu sinto por você...
Só agora percebi a atrocidade que havia cometido com ela, feri os sentimentos seus sentimentos e não poderia me perdoar por aquilo. Entretanto, esforcei-me para tentar arrumar a situação dizendo:
—Layla, naquele momento, eu realmente quis me entregar a você, de corpo e de alma! Vo-você é...
Minha fala foi interrompida por Layla que, ainda com um tom de voz elevado, disse:
—Pare, Alby!
Ignorei o pedido e prossegui na minha fala:
—Fui um tolo todo esse tempo por não perceber o quão especial você é pra mim, Layla.
Pela primeira vez ela me olhou diretamente. Seus olhos brilhavam devido à lagrimas que escorriam por todo seu rosto. Senti que precisava fazer algo ou aquele silêncio iria predominar até o fim dos tempos.
Avancei sobre ela e nossos lábios se tocaram. Fiz aquilo primeiramente por obrigação e culpa, mas no momento do beijo minha perspectiva mudou e senti pela primeira vez algo nascer por ela. Uma chama em meio a toda aquela neve.
Abri os olhos antes que ela e percebi novamente uma mudança de cenário. Da paisagem fria e tensa de Paris estávamos agora na aconchegante e quente cama no quarto de Layla.
Creio que ela percebeu que algo tinha acontecido, pois instantaneamente abriu os olhos e sorriu. Seu sorriso me trouxe conforto em meio a todo aquele caos, senti-me... Feliz.
Seguidamente, fui surpreendido por um abraço. Cogitei que poderíamos deixar, talvez, tudo de lado e começar de novo, mas estava errado. Em questão de segundos ela me soltou e desviou o olhar.
Pensei em conforta-la, mas havíamos problemas maiores agora. Enquanto Layla se levantava para recolher nossas roupas que estavam ao chão, eu disse:
—Layla, eu não sei como, mas sinto que o isso que aconteceu agora foi culpa minha. Desde o acidente eu tenho sentido algo como... Como se as barreiras de espaço e tempo não existissem mais para mim... E-eu...
Layla me interrompeu e disse:
—Alby, vá embora. Nos vemos na escola.
Levantei-me, vesti-me e sem dizer nada, saí. Ela não precisava dizer mais nada, havia obtido minha resposta, ela sentia-se da mesma forma que eu.
Após me despedir da mãe de Layla, peguei minha bicicleta e comecei a ir na direção de minha casa. Entretanto, não conseguia parar de pensar... Teria eu... Poderes? Ou melhor, teriam todos os quatorze alunos, dois professores e o guia que estavam na excursão poderes?
Subitamente, parei minha bicicleta. Não iria conseguir minhas respostas por pensamento lógico, então decidi tentar refazer aquilo que havia feito na casa de Layla. Escondi minha bicicleta dentro de arbustos e me coloquei atrás de uma arvore para evitar ser visto.
Coloquei-me a pensar em como poderia então repetir o feito. Ambas as vezes que eu... Eu... Pulei! Sim, pulei soa como um ótimo nome! Prosseguindo, ambas as vezes que eu pulei, eu estava em uma situação... Hm... Amorosa... Mas seria um absurdo pensar que eu tenho de estar beijando uma menina toda vez que queira pular. Me concentrei então em pensar algo a mais que aconteceu ambas as vezes, cogitei ser uma questão de adrenalina, mas não poderia ser só isso. Caso contrário, simplesmente andar de bicicleta poderia me feito pular.
Lembrei então que ambas as vezes que eu pulei eu havia fechado os olhos. Seria então uma combinação disso com adrenalina? Sai de trás da arvore e peguei minha bicicleta novamente. Estava decidido em fazer isso funcionar.
Pedalei o mais rápido que podia para gerar o máximo de adrenalina possível, mas percebi que não seria o bastante. Então fui para o meio da rua e ainda pedalando, fechei meus olhos. O risco de um carro poder chegar a qualquer momento deveria ser suficiente. Me esforcei mais ainda, pedalando, pedalando, pedalando.
Forcei ainda mais meus olhos e gritei. Nesse momento que eu percebi uma mudança no vento e abri meus olhos. Abri-os bem na hora para pode-los fechar novamente, pois acertei uma parede com toda a velocidade, destruindo minha bicicleta e meu nariz.
Meu rosto encheu-se de sangue e antes que minha visão fosse comprometida olhei em volta tentando reconhecer onde estava. Infelizmente, não era minha casa, mas sim a casa de Layla. Havia voltado para o ponto de partida. Apesar dela estar chateada não iria me negar ajuda para parar o sangramento, não é?
Encaminhei-me até a entrada e toquei a campainha. Novamente, em menos de cinco segundos Layla abriu a porta e disse:
—HÁ! Te assustei não foi?
Antes que eu pudesse responder qualquer coisa ela percebeu meu estado e me trouxe para dentro e ordenou que um dos servos me trouxesse agua. Ela não parecia chateada, sua expressão estava serena, como se tivesse esquecido de tudo que havia acontecido. Então, antes que ela conseguisse me perguntar qualquer coisa, disse:
—Layla... Vo-você não esta mais chateada comigo?
Ela me olhou com um sorriso e disse:
—Porque estaria, bobinho? Estou feliz por ter vindo... Queria falar com você...
Nesse momento olhei de relance para o relógio e percebi que eu tinha feito algo além de pular no espaço. Havia pulado no tempo!
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