Além das estrelas: Memórias de um Jedi
5 Capítulo 4 - Escrito nas estrelas
Notas iniciais
Capítulo 4 – Escrito nas estrelas
Uma respiração pesada soava pela sala escura, enquanto uma misteriosa figura encapuzada se elevava sentada em sua majestosa poltrona acima de seu aprendiz, ajoelhado a sua frente. O clima estava tenso e o mestre Sith sentia a luz espreitar seu discípulo a dias.
— Mestre, os droídes ainda estão desaparecidos — começou Sasuke Uchiha alheio aos pensamentos do velho sith.
— E o principezinho? — perguntou o outro, analisando qualquer mera agitação na força ao redor de Sasuke, que aparentemente, não se abalou.
— Ainda está em seus aposentos reais, Madara-sama — sua voz era tão séria como de costume.
— Por que ele ainda estava vivo, Sasuke?
Um silêncio pesado caiu no ambiente e o único som que ainda podia ser ouvido era a pesada respiração do moreno através da máscara.
— Você sente a força nele, não sente? — indagou o Uchiha mais velho, pegando o outro de surpresa. Realmente, Sasuke já não conseguia esconder nada do outro. — Sabe que, segundo minhas fontes, seu filho está morto, não sabe?
— Sim, senhor — aquelas palavras soavam como um eco em sua cabeça, mas ainda assim, Sasuke afastou aqueles sentimentos. — Assim que ele não me servir para mais nada, irei, eu mesmo acabar com o príncipe — garantiu, vendo o mestre assentir e, sem muita demora, deixou a sala logo após se curvar solene para o outro, que ainda permanecia inquieto perante o futuro incerto que se desdobrava a sua frente.
Suspirou, voltando seus olhos para o canto mais escuro da sala. Por não confiar plenamente nas pessoas, Madara sempre tinha um plano B e aquela vez não seria diferente.
— Você já sabe o que fazer — declarou ao encarrar os olhos desdenhosos de outra figura encapuzada, que finalmente deixara as sobras.
— Sim, meu mestre — sorriu enquanto Madara apenas assentiu, satisfeito.
Ninguém ficaria em seu caminho, nem mesmo o garoto da profecia.
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Dias atuais em algum lugar da galáxia
— Ainda falta muito? — perguntou, caminhando ao lado da misteriosa mulher que conhecera no bar. Fazia mais de meia hora que seguiam silenciosas pelo arrido deserto de seu planeta natal com os droídes logo atrás, que pareciam discutir entre si.
— Não — Himawari respondeu sorrindo e Sarada se calou mais uma vez.
Não entendia muito bem, mas o sorriso da outra a fazia se lembrar de Hinata, fora que a semelhança que via entre as duas era impressionante. Algo fora do normal, tanto que chegava a se sentir incomodada com aquilo. Era como se estivesse olhando para a falecida madrinha.
Suspirou. Ainda não conseguira absorver completamente o fato de que as pessoas que a criaram estavam mortas. Aquilo era doloroso demais para se aceitar. Mas ela iria, mesmo que aos poucos.
— Chegamos, Sarada-chan — a outra cantarolou parando no meio do nada, ato que deixou a outra confusa, mas sua confusão logo foi substituída por admiração quando viu onde, de fato, a outra havia parado.
Logo diante delas, uma nave grande parecia se camuflar com maestria em meio as dunas de areia e aquilo a encantou num primeiro momento. No entanto, logo que observou a nave de perto, perguntou-se como aquela velharia ainda podia voar e se era segura o suficiente para viajar de um planeta para outro.
Estava pronta para expressar seus pensamentos em voz alta quando um homem saltou a nave, segurando a outra mulher pelos ombros:
— Hima, por que demorou tanto?! Já estava preparado para ir atrás de você?
Sarada perdeu o folego por um momento. Aquele homem parecia uma versão mais jovem de seu mestre.
O que diabos estava acontecendo ali?!
— Eu...
— Quem é essa? — ele perguntou, interrompendo a moça, que o encarava, enquanto toda a atenção do loiro estava na morena atônita.
— Uma amiga... — Himawari começou chamando a atenção do rapaz mais uma vez. — E ela precisa de uma ajudinha.
— Uma ajudinha? Como assim? — as perguntas continuaram, enquanto Sarada permanecia absorta em pensamentos que a leva de volta a seus padrinhos.
Observa-los era como encarar um retrato vivo de Naruto e Hinata.
Respirou fundo, enquanto Himawari narrava toda a história para o loiro, que parecia cada vez mais irritado.
— ... ela me livrou do caçador de recompensas e ai... Bem, eu prometi leva-la até a sede da aliança rebelde... — finalizou.
— Você o que?!
— Você ouviu, nii-san. Eu dei minha palavra....
O rosto do rapaz estava tão vermelho de raiva, que Sarada achou que ele poderia explodir a qualquer momento, mas decidiu guardar essa observação para si, enquanto ele parecia pensar sobre os fatos.
— Eu dei minha palavra, nii-san — Himawari repetiu com os olhos lacrimejantes.
Ela estava jogando baixo.
— Certo. Certo — ele respondeu após massagear as têmporas.
— Eba!
O sorriso de Himawari não cabia em seu rosto e Sarada não pode deixar de sorrir junto.
— Mas não pense que essa viagem será de primeira classe, princesa — ele declarou se voltando de uma vez para Sarada, que corou de constrangimento e raiva ao mesmo tempo.
— Não me importo, contrabandista. Só desejo chegar até meu destino — rebateu.
— Boruto — o loiro rosnou, apertando o punho. — Meu nome é Boruto.
— Hm — resmungou em resposta, voltando-se para os droídes.
Não conseguiu encarar os olhos azuis do rapaz. Ela ainda não podia.
Era doloroso demais e sentir toda aquela hostilidade dele parecia-lhe uma válvula de escape. Ela não podia se deixar apegar a eles apenas por ver os fantasmas de Naruto e Hinata a sua frente.
Ela precisava seguir. Seguir rumo a sua vingança contra o império.
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Dias atuais em algum lugar da galáxia
Uma mão macia passeava por seus cabelos enquanto ela tentava focalizar o rosto que se erguia a sua frente. Seus olhos ainda estavam meio embasados pelo sono, mas sem se deixar abater, a rosada conseguiu encarar os olhos vermelhos da mulher, trazendo consigo uma jorrada de lembranças de um passado distante a sua mente.
Sabia que conhecia aquela voz, mas não pensou que a pessoa que encontraria ali seria a antiga padawan de seu marido e a única mulher que pensou ser capaz de amar Sasuke da mesma forma que ela própria.
— Karin?! — sua voz saiu fraca e a outra apenas sorriu em concordância.
— Sim, Sakura. Sou eu...
— O que faz aqui? Sasuke te mandou me salvar? — indagou, sentando-se na cama para fugir da mão da outra, que ainda alisava seus cabelos longos entre os dedos magros.
— Ele sempre adorou seus cabelos — murmurou sorrindo. — Você perguntou se o Sasuke me mandou te salvar? — riu-se, mas não um riso amigável ou alegre, mas sim um sorriso de puro deboche, o que fez o coração de Sakura falhar um batida. — Você está exatamente onde ele queria. E isso, durante anos. Eu estou aqui por mim mesma.
— Por quê? — balbuciou a Haruno, sentindo como se nada naquela conversa fizesse sentido.
Pois para ela, Sasuke era apenas Sasuke, o homem que amava e Karin só podia estar louca ou enganada.
— Seu querido Sasuke-kun se transformou no maior mostro de toda galáxia. Estou cansada de vê-lo destruir vidas...
— Você não está fazendo sentido — murmurou Sakura sentindo seus olhos lacrimejarem.
Ao ouvir a voz tremula da outra, Karin apenas riu e caminhou em direção a porta de metal. Não podia perder tempo com choramingo, precisava seguir com seus planos.
— Você logo verá as coisas com seus próprios olhos, minha doce Sakura — declarou ao puxar a pesada fechadura da porta. — Vim aqui para te salvar e pode contar os dias, porque você logo sairá dessa masmorra — finalizou, passando pela porta de vez, deixando a outra com sentimentos e duvidas para lidar no silêncio da noite que se arrastava até ela.
Soluços ecoavam pelo quarto vazio e Sakura soube que Karin poderia sim salva-la do cativeiro, mas nunca salvaria seu coração, que acabara de morrer com o peso das palavras ditas pela ruiva. Pois com essas palavras, lembrança de um Sasuke possessivo e cruel lhe voltaram a mente.
Tocou o pescoço com os dedos trêmulos, sua pele estava lisa, mas era como se naquele momento, os dedos invisíveis do moreno a apertassem ali mais uma vez.
Ele tentara matá-la, mas não podia odiá-lo. Ainda não.
Não sem antes saber tudo o que realmente estava acontecendo.
Estava decidida e soube naquele momento, que tudo aquilo estava escrito nas estrelas. Afinal, nada na vida acontece por acaso.
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