Além das Quadras

27 Arco II – 27. Ainda minha paz


Notas iniciais
Olá amores e amoras! Como prometido, mais um capítulo lindinho para vocês. Confesso que esse é um tanto cheio de emoções, então segurem o core, vão precisar haha No mais é isso, não vou me extender muito aqui. Espero que gostem! Boa leitura Ghost Kisses ~Marceline

Capítulo 27: Ainda minha paz

Erick estava bastante contente com o avanço que estava tendo com Henry.

Agora eles conversavam mais mesmo que não se aprofundassem muito em assuntos relacionados as suas vidas. Falavam mais dos seus gostos atuais, de como andavam os irmãos e as mães e também comentavam sobre algumas coisas em comum, como por exemplo algumas séries a que ambos assistiam.

Ele sentia a conexão com o outro voltando lentamente. Sentia que estava fazendo o certo em se aproximar e ser mente aberta com a situação. Queria muito contar aos poucos, também, sobre as coisas que lhe aconteceram, mas ele precisava de uma oportunidade. Não queria ver a cara de pena de Henry direcionada para si.

Mas uma coisa – ou melhor, pessoa – estava atrapalhando com vontade a relação entre eles. Christian não podia ver os dois juntos que já se metia no meio e fazia alguma coisa pra irritar Erick. Nas primeiras vezes, ele até batia o pé, ficava e fazia de tudo para irritar o outro. Porém, a situação ficou tão desgastante que Erick simplesmente saía quando via Christian se aproximando.

O que lhe consolava era que Henry ficava bastante puto toda vez que isso rolava e Erick não duvidava que eles sempre brigavam feio por conta disso.

Na quadra não era muito diferente. Sempre se bicavam e se provocavam. Mas o ápice de tudo foi quando Erick subiu no pódio de primeiro lugar com seu time. Aquilo parecia ter sido um insulto para Christian.

Naquele dia, Erick ficou no dilema de jogar na cara que tinha ganhado o Campeonato Mineiro sub-20 ou ficar de boas e se compadecer pela derrota do time inimigo.

— Parabéns pela vitória – Henry conseguiu dizer brevemente, enquanto Christian estava distraído com a família.

— Obrigado – respondeu Erick sorrindo. – Parabéns pelo segundo lugar, vocês jogaram muito bem essa final.

Henry concordou com a cabeça.

— Por dois míseros pontos – riu.

— Por dois míseros pontos – concordou Erick. – Foi suado, não vou mentir.

— Concordo.

Então Erick avistou Christian de longe vindo na direção deles.

— Olha, seu amigo tá vindo – comentou rapidamente, sem tirar os olhos do garoto alto que vinha até eles – É melhor eu ir.

— Você sabe que não precisa disso. Chris só é um pouco cabeça dura demais e um tanto possessivo.

— Nossa, se não tivesse falado, realmente não ia notar. – brincou.

— Idiota – Henry disse com um sorriso e dando um soquinho no braço do outro.

— Henry, vamos embora. – a voz de Christian soou perto. Erick não se conteve em revirar os olhos.

— Estou tendo uma conversa aqui, não tá vendo? – respondeu Henry de forma meio rude. Erick também não evitou o sorrisinho ao ver aquilo.

— Eu já falei que não quero você conversando com esse cara. – Christian havia se inclinado para falar no ouvido de Henry, mas era claro que falou alto o suficiente para Erick ouvir.

— E eu já falei que eu falo com quem eu quiser, Chris.

Erick soltou uma risada em deboche.

— Tá rindo do que, otário? – Christian foi pra cima de Erick, peitando o garoto.

— Do quão patético você é – Erick soltou seu melhor sorriso de deboche, encarando Christian com firmeza.

— Eu ainda vou acabar com você… – disse Christian com os dentes trincados.

— Eu ainda vou acabar com você – repetiu Erick imitando o outro de forma debochada.

— Olha, se vocês quiserem se matar o problema é de vocês! To cansado dessa porra, que inferno! – exclamou Henry. Pelo visto já tinha estourado a paciência do garoto.

Henry saiu de perto dos dois batendo os pés. Christian e Erick ficaram sozinhos, mas não demorou muito para Christian soltar mais uma ameaça e seguir Henry.

Soltando um suspiro, Erick ficou feliz de ter se livrado daquele babaca, mesmo sabendo que isso iria se repetir até os fins dos tempos. Não ia fazer o mínimo de esforço para gostar dele. Primeiro que ele estava com Henry. Isso já lhe parecia suficiente para detestá-lo e ter ranço. Segundo que o modo possessivo dele o incomodava muito.

Marge já até tinha falado que também não aprovava o relacionamento deles seja lá qual fosse, pois Henry batia o pé dizendo que eles não tinham nada sério. Se aquilo incomodava até mesmo a garota, então não tinha motivos para gostar de Christian.

— Nós conseguimos. – a voz de Gabriel lhe tirou de seus devaneios. Ele parecia bastante feliz com a vitória, ao seu modo é claro.

— Sim! Arrasamos! – comemorou Erick, dando um abraço rápido em Gabriel, que não o afastou.

— Agora temos que nos preparar para a SuperLiga B que começa em setembro.

Erick ficou estagnado por alguns segundos, olhando para o capitão sem entender muito bem.

— Nós vamos pra SuperLiga? – ele estava em choque.

— A B, sim. – respondeu Gabriel com um sorrisinho. – Quero dizer, não todos os integrantes do time, mas sim. Eu, você e mais uns dois meninos fomos escalados pra jogar pelo time profissional adulto do Argos.

Aquilo foi a melhor notícia que Erick tinha recebido. Foi até melhor do que o anúncio de que ganharam a competição. Sua raiva e frustração em relação a Christian e Henry tinha passado completamente depois daquilo.

— Então, o que me diz?

— Bora treinar.

Gabriel mostrou um raro sorriso com dentes para Erick.

— É assim que se fala.

[...]

Henry estava extremamente puto com Christian.

Mesmo sabendo que muito dificilmente iria conseguir fazer com que os dois pelo menos se respeitassem, aquela situação estava ficando insuportável. Precisava ter uma conversa muito séria com ele a respeito de Erick. Iria falar tudo que estava entalado.

Foram para o vestiário em silêncio, já que Henry não queria dirigir a palavra a Chris naquele momento e o outro acabou desistindo depois de um tempo.

— Vocês foram muito bem, meninos – o técnico começou a dizer. – Foi por pouco que não conseguimos a vitória, mas…

Então ele começou a falar várias coisas motivacionais para o time, que parecia bastante frustrado com a derrota. Henry olhava para o técnico fixamente, mas sua cabeça estava muito longe dali. Só saiu de seus devaneios quando seu nome foi chamado.

— Henrique, Christian, Leonardo e Jonas. Meus parabéns, o técnico do time profissional adulto quer vocês no time do Arsenal para a próxima SuperLiga B. Vocês vão treinar com eles a partir de agora. Saibam que tenho muito orgulho de ter atletas que estão indo longe.

Aquilo foi o suficiente para Henry parar de pensar a respeito de Erick e Chris. Caralho, estava indo para o time profissional do Arsenal! Era o seu maior desejo desde que entrara para o time e agora finalmente tinha sido reconhecido e iria jogar com o time adulto.

— Meu Deus, a gente vai pra SuperLiga, Cap! – Leo apareceu todo animado, pegando Henry no colo e o abraçando apertado. – Eu to desacreditado até agora.

— Eu também, vei – comentou Henry com um sorriso no rosto. – Nunca imaginei que chegaria até aqui.

— Ah amor, você vai longe. Confia em mim – disse Chris com um sorriso no rosto. Ele pediu licença para Leo e arrastou Henry para um canto do vestiário. – Olha, eu sei que fui um babaca, mas é que aquele cara me dá nos nervos.

Henry suspirou. Queria adiar aquela conversa mais um pouco, ainda mais que teve uma das melhores notícias do ano. Mas era melhor resolver isso logo do que protelar. A relação deles já não estava tão estável.

— Eu sei, mas você tem que entender meus motivos. – argumentou Henry. – Você querendo ou não, Erick é importante pra mim. Mesmo com as coisas que nós passamos. Mesmo com os machucados que ele me causou. Eu sinto que estamos progredindo e quero que você entenda que minha amizade com ele também é importante.

Chris ficou alguns segundos encarando Henry impassível. Aquilo estava deixando-o nervoso, pois foi a primeira vez que se abria daquela forma sobre Erick para Chris. Não sabia qual seria a reação do outro, mas não podia mais esconder tal coisa do garoto.

— Eu só peço que você entenda e aceite que agora nós somos amigos.

Com um suspiro meio contrariado, Chris assentiu.

— Tudo bem. Eu prometo que vou tentar ser mais compreensivo. Mas não me peça para ser amigo dele e também não venha chorar no meio ombro quando quebrar a cara com aquele babaca.

Henry suspirou, mas estava cansado de discutir.

— Tudo bem, como você quiser.

Ficaram alguns segundos em silêncio. O vestiário já estava vazio, então o silêncio ali era quase palpável.

— Eu te avisei que vou viajar justo no dia do seu aniversário, né? – perguntou Chris. Henry já até estava esquecendo que já era naquela quarta-feira.

— Sim, espero que sua avó melhore – disse Henry tentando controlar a expressão de pena.

A avó de Chris estava muito doente, praticamente a beira da morte. Já ficara um tempão com o outro chorando em seu colo por causa disso. Estava sendo complicado para ele lidar com aquilo, ainda mais que era tão ligado com ela.

— To aceitando o fato de que provavelmente ela não vai melhorar. Então tento pensar que ela vai parar de sofrer e ir pra um lugar melhor. – Chris deu de ombros, mas Henry viu que ainda era difícil. Para tentar confortá-lo, Henry lhe deu um abraço apertado e um beijo no rosto. – Obrigado.

Ficaram naquela posição por uns segundos, até Chris o afastar de seu corpo.

— Como não vou poder passar o aniversário contigo, pensei em a gente sair na terça de noite, quando tivermos mais de boas com as coisas da faculdade.

— Sim, por mim tudo bem.

Chris abriu um sorriso e deu um selinho em Henry.

— Você é o melhor. Vamos numa hamburgueria nova que abriu perto da sua casa.

Henry apenas assentiu, acariciando de leve a mão de Chris que estava sobre a sua. Ficaram em silêncio mais uma vez, porém o clima que se instalara ali foi um tanto desconfortável.

— Henry – chamou Chris baixinho. – Já tem um tempo que quero te dizer isso. Mas eu acho que…

— Ou, vocês dois! Vamos sair pra comemorar! – a voz de Leo soou pelo vestiário inteiro. – Anda logo senão vão perder comida de graça.

— Estamos indo – gritou Henry de volta e se virou para Chris – Depois você continua. Ou é algo muito importante?

Chris parecia frustrado, mas apenas balançou a cabeça.

— Não é nada demais, vamos.

Henry não sentia que era nada demais, mas também tinha medo do que poderia vir depois daquelas palavras.

[...]

A terça-feira chegou rápido e com ela a noite que iria sair com Chris.

Estava terminando de se arrumar quando sua mãe entrou em seu quarto um tanto quanto eufórica.

— Nem acredito que meu menino vai fazer 19 aninhos amanhã! E eu tava pensando em fazer alguma coisinha aqui em casa no sábado. Nada muito grande, mas quero chamar sua prima e seus avós.

Henry tentou conter a cara de desgosto. Não curtia muito festas em que ele era o centro das atenções.

— Tem certeza, mãe? Não precisa se preocupar com isso.

— Claro que tenho, a gente nunca deixa um aniversário passar em branco. Então vamos fazer alguma coisa sim. Sem contar que ano que vem quero fazer algo bem maior pra você. Vinte anos. Meu Deus, estou ficando velha.

Henry soltou uma risada e deu um beijo na bochecha da mãe.

— Então tudo bem. Pode fazer alguma coisa, mas eu faço a lista de convidados.

— Tudo bem! – Cassie bateu palminhas animadas. – Divirta-se no seu encontro, querido.

— Obrigado, mãe.

Conseguiu jogar uma partida de League of Legends enquanto esperava dar a hora de buscar Chris. A partida acabou no exato momento em que Chris mandou uma mensagem avisando que terminara de se arrumar.

Pegando suas coisas e as chaves do carro de Cassandra, Henry desceu até a garagem e foi até onde tinham combinado de se encontrar. Como o garoto morava um tanto quanto longe, eles combinaram de se encontrar no centro para ficar melhor de Henry buscá-lo.

Como estava distraído com a música que tocava no rádio, nem reparou no tempo que levou até chegar ao ponto de encontro. Chris rapidamente entrou no carro, dando um beijo na boca de Henry e sorrindo animado.

— Feliz aniversário adiantado, amor – Chris disse lhe entregando uma caixinha pra Henry. – Abre, abre.

— Não precisava, Chris. – Henry sorriu e abriu o pequeno embrulho. Dentro de uma caixinha, havia uma caneca completamente preta com os olhos e o sorriso de Cheshire do filme live-action de Alice. – Muito obrigado. É linda.

— Quando você colocar algo quente, me avise se realmente gostou.

Então Henry entendeu melhor do que o presente se tratava. Agora estava ansioso para saber como era o resto da caneca. Henry guardou o presente com cuidado de volta na caixa, deu um selinho em Chris de agradecimento e a colocou no porta luvas para não estragar.

Foram o caminho todo até a hamburgueria conversando. Chris contava sobre o estado da avó e mesmo que o clima tivesse levemente pesado por conta disso, Henry não o interrompeu em nenhum momento. Sabia que o outro precisava desabafar.

Chegaram à hamburgueria rapidamente. Era um local muito bonito e tinha uma temática anos 60 com discos de vinil pendurados nas paredes, placas de carros antigos e estofado vermelho brilhante, bem parecido com lanchonetes de filmes e séries americanas.

— Nossa, muito bonito – comentou Henry, analisando o local. Não saia com tanta frequência, então realmente não sabia da existência do estabelecimento.

— Não é? Eu apaixonei com isso aqui quando soube.

Rapidamente pegaram uma mesa e se sentaram para olhar o cardápio. Henry fez uma leve careta ao ver os preços dos hambúrgueres, que tinham nomes de carros antigos, mas não comentou a respeito. Logo uma atendente vestida com a temática da hamburgueria apareceu sorridente.

Fizeram seus pedidos e, enquanto esperavam, ficaram conversando. Depois que pararam de falar sobre as desgraças da vida, a conversa se tornou leve e começou a fluir bem. Parecia que tinham se conhecido recentemente e essa nostalgia bateu em Henry bem em cheio. Nem parecia que estavam juntos fazia tanto tempo. Henry mesmo nunca se imaginou com alguém por tanto tempo.

Mesmo que seus sentimentos a respeito de Chris ainda fossem bastante confusos, principalmente quando Erick habitava bastante sua mente e sua vida, sentia que devia bastante para o outro. Ele o ajudara tanto que Henry não conseguia palavras para agradecer tudo o que Chris fizera por ele. A única coisa que o incomodava mesmo era aquele ciúmes exacerbado totalmente direcionado e focado para Erick.

Tentaram não tocar no assunto “Erick” durante todo tempo que passaram lá. As coisas estavam indo bem demais e Henry não queria estragar. Estava feliz e queria aproveitar ao máximo o tempo que passavam sem entrar em conflito ou discordância.

Seus lanches demoraram um pouco para chegar, mas o clima estava tão bom que eles nem repararam no tempo. Comeram enquanto ainda conversavam, fizeram algumas brincadeirinhas e trocaram carícias discretas durante toda a noite.

Henry sentia-se bem ao lado de Chris e estava feliz pela noite que tiveram.

Eles perceberam que já era tarde quando o local estava para fechar. Algumas pessoas ainda estavam ali, então eles não fizeram o mínimo de esforço para se apressarem. Só levantaram para pagar quando a garçonete disse gentilmente que estavam fechando o estabelecimento.

Uma fila com umas 10 pessoas se formou no caixa e, para a sorte deles, estavam entre as primeiras. Henry sentiu a mão grande e quente de Chris pegar na sua em um ato que o surpreendeu bastante. Chris sempre evitou muitas demonstrações de afeto em público, principalmente por medo de ser pego pelos pais ou por conhecidos deles. Henry entendia e respeitava, então estava feliz que o outro estava finalmente se livrando das amarras.

— Muito obrigado – sussurrou Henry e deu um beijinho na mão de Chris, que apenas assentiu com um sorriso e acariciou a mão de Henry com o polegar.

Pagaram e saíram do estabelecimento.

— Você tem certeza que não quer que eu te leve? – perguntou Henry, tentando uma última vez convencer o outro a deixá-lo lhe dar carona.

— Tenho. Meus pais me deram dinheiro para o Uber, está tudo bem.

Assentindo, Henry passou o braço pela cintura de Chris, esperando o Uber. Porém, não demorou muito para que os dois fossem afastados e jogados no chão com violência.

— Ei! – ouviu a voz de Chris. – O que estão fazendo?

Henry se viu no meio de uma rodinha de uns sete homens. Quatro estavam concentrados em bater em Chris, enquanto os outros três vinham para cima dele.

— Estamos dando uma lição nas bichinhas. – disse um dele e socou o rosto de Chris.

Então o maior pesadelo de Henry começou. Os três caras lhe atacaram. Dois deles o pegaram do chão e o seguraram enquanto o terceiro lhe socou o sua bochecha. Seu rosto virou para o lado e Henry cuspiu sangue, podendo ver que os outros quatro caras faziam o mesmo com Chris, que tentava se desvencilhar, mas, mesmo sendo grande e forte, não era páreo para quatro caras lhe desferindo socos e chutes.

Henry também tentou se soltar e revidar, mas, além de ser apenas um contra três, era pequeno demais. Cada contato doía como o inferno. Cada palavra era como uma facada no coração. Ele só conseguia ouvir os xingamentos. Ouvir o quanto eram impuros e que iriam arder no inferno por “serem gays”, que eram uma escória para a humanidade e nunca deveriam ter nascido.

Ele já não sabia o que doía mais. Se eram os socos, as palavras ou ver Chris jogado no chão sendo chutado na barriga e na cabeça.

— Ainda por cima é preto. – um dos caras falou para Chris e cuspiu nele.

Aquilo fez com que uma raiva insana subisse pelo estômago de Henry. Foi isso que lhe deu forças para lutar contra aquilo, mas parecia que só tinha piorado sua situação.

Foi empurrado com força no chão e, quando caiu, ele soube o que, por fim, doeu mais. Doeu mais do que qualquer soco, chute ou xingamento. Doeu mais do que qualquer coisa que já experimentara na vida. Nunca imaginou que Erick viraria as costas para ele daquela forma. Mas ele virou.

Não soube como ou quando o garoto chegara, mas Henry nunca se confundia quando se tratava de Erick. Ele fez contato visual com Henry e virou o rosto, seguindo seu caminho apressado. Não tinha como dizer que ele não viu, pois os olhos de Henry não se enganavam.

Ele simplesmente desistiu. Parou de lutar e deixou que os caras lhe desferissem chutes enquanto estava jogado no chão. Nem ao menos tentou se proteger. Achava que as coisas estavam indo bem com Erick. Se estavam, porque o outro o abandonara daquela forma? Por que virara as costas quando Henry mais precisava?

Esperava isso de qualquer pessoa, mas não de Erick. Principalmente de Erick.

Não soube o momento em que a violência parou, assim como não percebeu quando o carro de polícia chegou e também quando Chris foi basicamente se arrastando para o seu lado.

O estado de Chris era deplorável. Seu lábio estava inchado, seu nariz parecia quebrado e sangue escorria pelo seu rosto, manchando suas roupas. Não sabia como estava seu estado, mas não achava estar muito melhor que aquilo.

Os policiais logo saíram do carro e o socorreram. Por um milagre, não tinham quebrado nada e estavam conseguindo andar. Com cuidado, os dois foram colocados dentro da viatura e seguiram para a delegacia para prestar queixa. O silêncio no carro era ensurdecedor. Henry não conseguia tirar da cabeça a cena de Erick virando as costas.

Quando chegaram à delegacia Chris finalmente se pronunciou.

— Henry, eu não posso denunciar.

— O que? Por que não? – Henry estava surpreso e levemente indignado. – O que eles fizeram é crime, Chris. Homofobia e racismo são crimes!

— Eu sei – ele passou as mãos no rosto involuntariamente, mas logo as afastou fazendo uma careta. – Mas meus pais não podem descobrir… Se eles souberem o real motivo…

— Você vai deixar aqueles caras impunes por medo dos seus pais descobrirem quem você realmente é – disse Henry com um tanto de frieza na voz. A verdade é que ele estava tão quebrado por dentro quanto por fora.

— Você não entende… Não podemos mentir pros policiais. Eu sou menor de idade. Vão ter que chamar meus pais e… Eu não sei, Henry. Eu só não posso fazer isso. Sinto muito.

Henry não tinha forças para discutir, então deixou que Chris decidisse as coisas. Teve que falar em nome do outro, já que era o maior de idade da situação. As palavras amargavam sua boca enquanto falava com o delegado e pedia para serem liberados e que não iam denunciar os agressores.

— Você tem certeza?

— Nós não vimos a cara deles direito. – o que era mentira. Henry podia descrever perfeitamente seus agressores. – Não sei se chegariam a algum lugar.

— Muito bem. Não posso obrigá-los a dar queixa, mas seu amigo terá que ficar aqui. Só podemos liberá-lo na presença dos pais.

— Mas…

— São as regras.

Chris pegou o braço de Henry e o afastou do delegado.

— Tá tudo bem, você vai pra casa e eu espero meus pais. – disse ele rapidamente.

— Mas o que você vai dizer pra eles? – perguntou Henry.

— Eu digo que me bateram por racismo… Eles não vão desconfiar, não é a primeira vez que isso acontece.

Henry foi pego de surpresa e imediatamente se sentiu mal. Nunca tinha conversado a respeito disso, mas aparentemente havia coisas sobre Chris que ele não sabia.

— Você tem certeza? Não quer que eu fique com você?

— É melhor você ir embora. Não podem desconfiar de nada e eu vou ficar bem. – Chris forçou um sorriso, mas logo parou. Ele deveria estar sentindo muita dor.

Henry não queria abandoná-lo. Não queria virar as costas pra Chris. Mas também tinha que respeitar a decisão dele e o espaço. Não podia forçá-lo a querer sua presença. Não podia forçá-lo a se assumir para os seus pais, ainda mais nessa situação complicada em que a família se encontrava.

Com um olhar que era pra ser reconfortante, Henry assentiu e pegou o celular. Iria ligar para Marge ir buscá-lo.

— Fique bem e me avise quando chegar em casa.

— Vou te manter informado.

Com receio de demonstrar algum afeto pelo outro, Henry simplesmente saiu da delegacia. Marge foi rápida em chegar ao local. Quando ele entrou no carro, ela não perguntou o que aconteceu, ele apenas deu as instruções para que ela voltasse na hamburgueria para que ele pudesse pegar o carro de sua mãe.

Quando saiu do carro de Marge, uma dor no peito lhe atingiu ao reviver a cena que acabara de passar. Tentou tirar aquilo da cabeça e foi rapidamente para o carro. Seguiu o veículo de Marge até o apartamento dela. Ela havia falado que o pai estava viajando, então ele poderia ficar lá sem se preocupar.

Entraram no apartamento e foi recebido por três bolas peludas em suas pernas. Cumprimentou os gatos da amiga rapidamente, ficando um pouco mais leve por conta da presença felina. Pegando a Cherry no colo, ele acompanhou Marge até o quarto desabou na cama da amiga. Ficaram em silêncio, mas era algo tão sufocante que a garota desistiu primeiro de prosseguir com ele.

— Okay, sua cara está horrível e eu estou imensamente preocupada. Vamos tratar isso enquanto você me conta o que aconteceu.

Ele apenas assentiu. Ela saiu do quarto e voltou depois de uns minutos com um copo de água e um kit de primeiros socorros. Antes de tudo, se olhou no espelho para ver como estava. Para sua surpresa, não estava pior que Chris, mas também não estava tão melhor assim.

Seu lábio inferior tinha um corte e sangrava. Sua bochecha estava completamente ralada e com sangue já seco por toda parte. Havia alguns cortes mais superficiais em sua testa e supercílio, mas o que mais lhe incomodou foi seus olhos que tinham perdido completamente a felicidade daquele dia.

Henry começou a contar enquanto Marge limpava seus ferimentos. A narração do ocorrido estava fluindo até chegar na parte que mais lhe machucara. Ele parou uns segundos, se recompondo e engolindo em seco.

— Eu vi Erick quando me jogaram no chão de novo. E ele simplesmente me encarou e virou as costas. Ele não fez nada, Marge. Nada para ajudar! Me deixou lá com aqueles monstros.

Algumas lágrimas escorreram de seu rosto e ele tratou de limpá-las logo. Já nem estava ligando para a dor que sentia em seu rosto e corpo. Ele só queria se desligar do mundo e nunca mais voltar.

Marge torceu a boca, meio sem reação.

— Isso é bem complicado, mas ele pode ter um motivo.

— Motivo? Marjorie, eu estava sendo espancado e ele não fez nada! Não acredito que você tá defendendo ele.

— Ei, calma lá! Eu não to defendendo ninguém, só to sendo racional. – ela disse com firmeza e Henry ficou calado para escutá-la – Olha, eu sei que a amizade de vocês mudou pra caralho, mas você não pode deixar que as coisas continuem assim, Henry. Vocês precisam conversar. Não surte antes de ele dar uma explicação.

Henry ficou calado ouvindo, sem conseguir encarar a garota a sua frente.

— Não sei se eu consigo perdoá-lo dessa vez… – comentou Henry. Marge suspirou e lhe deu um abraço.

— Você vai. Sabe por quê? Porque você não vive sem o Erick e ele não vive sem você. Vocês são partes de um todo e tenho certeza que nada vai conseguir separá-los pra valer.

O silêncio caiu sobre eles depois das palavras de Marge. Henry não queria pensar naquilo no momento. Ela continuou tratando seus ferimentos, passando remédio e lhe dando um comprimido para dor.

— Avisa sua mãe que você vai dormir aqui.

Ele apenas assentiu, pegou suas roupas que deixava na casa dela e foi para o banheiro. Lá ele fez sua higiene e, quando foi tirar a roupa para trocar, notou os hematomas que estavam espalhados pelo seu corpo. Aquilo demoraria a sair. Ficou um tempo analisando os machucados e só trocou de roupa quando olhar para aquilo e lembrar do que aconteceu se tornou insuportável. Tentando distrair a mente ligou para a mãe, contando o que tinha acontecido, mas falando que agora estava bem e que iria dormir na casa de Marge.

— Pelo amor de Deus, volta cedo amanhã e toma cuidado. Estou muito preocupada com você – odiava ouvir a voz de preocupação de sua mãe.

— Tá tudo bem agora. Vou voltar com cuidado, pode deixar. Não se preocupe, eu vou ficar bem. Te amo demais, boa noite.

Despediu-se da sua mãe e voltou para o quarto de Marge, onde a cama debaixo da dela já tinha sido arrumada para ele. Henry deitou-se, sentindo agora cada parte de seu corpo que foi agredida doendo.

— Quer conversar mais? Podemos ver alguma coisa também. – sugeriu Marge em sua cama.

— Eu só quero dormir… – respondeu Henry cobrindo os olhos, ficando na completa escuridão. – Muito obrigado, Marge. Você é incrível. Te amo.

Ela soltou uma risadinha e ele sentiu seus cabelos sendo acariciados brevemente.

— Também te amo, coisinha.

Silêncio.

— Vai ficar tudo bem, okay? Boa noite.

Lágrimas saíram de seus olhos, de maneira silenciosa, sem soluços ou tentativas de respirar. Ele queria acreditar nas palavras da amiga, mas tinha perdido qualquer esperança naquilo.

[...]

Depois daquele infeliz acidente, Henry não estava nem um pouco animado com seu aniversário.

Cassandra e Fábio o levaram em seu restaurante favorito no dia seguinte ao ocorrido, mas nem aquilo lhe deu ânimo para comemorar. Ele foi mesmo assim, ficou grato pelos pais se esforçarem, mas não estava nem um pouco feliz.

Acabou que, percebendo o estado de Henry, Cassandra cancelou a festa que queria dar para ele no sábado. Ele insistiu um pouco, dizendo que não precisava cancelar a festa, que não tinha problema em fazê-la, mas Cassandra foi sensata e disse que se aquilo não o deixaria feliz, então não precisava forçar nada.

Foi uma semana complicada. Uma semana que ele teve crise atrás de crise, pesadelo atrás de pesadelo. Sempre soube que estava suscetível àquele tipo de agressão por ser quem ele era. Mas passar pela experiência é completamente diferente do que apenas imaginá-la.

Sem contar que era um saco as pessoas perguntarem o que tinha acontecido. Ele só inventava alguma desculpa e a pessoa entendia que ele não queria falar mais a fundo. Só havia contado o que acontecera de verdade para Bruno e Leo.

Quando sábado chegou, Henry ficou aliviado que não precisaria encarar a faculdade e os treinos. Iria ficar tranquilo o dia inteiro trancado no quarto jogando ou assistindo série.

Mas seus planos foram completamente destruídos quando a campainha tocou. Henry tinha acabado de lavar a louça e Cassandra foi com tanta vontade para abrir a porta que nem deu tempo de ele se esconder em seu quarto.

Só que ele não esperava quem estava plantado na porta de sua casa.

— MEU DEUS, MULHER, QUE SAUDADES! – sua mãe gritou abraçando Adriana com tanta vontade que Henry achou que ela ia quebrar a amiga.

— Escandalosa como sempre. Parece que nada mudou. – comentou Adriana com um sorriso no rosto e retribuindo o abraço com carinho. – Também senti sua falta!

Atrás daquela demonstração toda de amor, carinho e afeto, Erick estava plantado na porta da casa de Henry, completamente desconfortável e sem saber o que fazer.

— Venha, querido! Entre! Sinta-se em casa, os dois – Cassandra abraçou Erick, que retribuiu e forçou um sorriso.

— Mãe, quem é? – Jules apareceu no corredor, com Rach logo atrás.

— Meu Deus, não acredito que finalmente estou conhecendo essas coisinhas fofas! – Adriana exclamou abaixando na altura dos gêmeos.

Henry ignorou o que veio a seguir. Ficou apenas observando Erick deslocado, olhando para os gêmeos como se eles fossem contagiosos. Em algum momento, seus olhos encontraram os de Henry, que não conseguiu expressar nada, muito menos identificar a expressão do outro.

— Henry, leva os gêmeos pra brincar com você e o Erick lá no quarto.

Tinha deixado de lado a parte de Erick na história. Na verdade, ele nunca contou para a mãe como estava a relação dele com o outro, então provavelmente para ela Erick faria bem para ele.

— Venha. – disse simplesmente e sumiu pelo corredor, indo para seu quarto acompanhado dos gêmeos.

Os dois estavam animados que iriam brincar de alguma coisa com Henry e Erick, principalmente Jules. Porém, Henry não sabia o que fazer. Pensou sinceramente em tirar os dois do quarto e gritar com Erick até sua voz falhar, mas era claro que não faria isso.

— Vamos brincar de casinha? Você gosta de brincar de casinha, Erick? – perguntou Jules com os olhinhos brilhando.

Erick olhou rapidamente para Henry antes de voltar seu olhar para Jules.

— Que tal a gente jogar video game? – sugeriu Henry antes que Erick respondesse. Não estava com saco para brincar de casinha, principalmente se Jules casasse os dois. – Faz muito tempo que a gente não joga.

— Sim, eu quero jogo de luta. – opinou Rach.

— Ta bom, ta bom. Mas eu começo! – Jules foi correndo até a cômoda de Henry, onde ficava o vídeo game e pegou as duas manetes, entregando a outro para Erick.

— Obrigado.

Então ficaram jogando a tarde inteira. Sempre que um perdia, passava a manete para o próximo. Os gêmeos estavam se divertindo ao passo que Henry praticamente esmurrava a manete quando ia contra Erick. Passaram a tarde inteira trocando olhares, todos nada amistosos da parte de Henry, que queria que os gêmeos fossem fazer outra coisa para que pudesse conversar com Erick.

Não pronunciaram uma palavra durante esse tempo todo. Cassandra levou lanche para eles e acabou que Júlio que ficou conversando com Erick enquanto eles comiam.

Mais para o final da tarde, Cassandra chamou os gêmeos para ficar com elas lá na sala, o que deixou Henry um tanto quanto aflito. Eles saíram pela porta um pouco contrariados, mas finalmente deixaram os dois sozinhos.

Aquele silêncio desconfortável e ensurdecedor se instalou entre eles. Henry não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer e muito menos se tinha forças para não surtar. Estava sentado na cama, com seu celular na mão, conferindo-o toda hora, mas obviamente não tinha nada ali que conseguisse distraí-lo. Já Erick estava sentado em sua cadeira de rodinhas com Cheshire no colo. Não soube quanto tempo passaram em silêncio, mas que o quebrou foi Erick.

— Henry, eu… – ele começou, engoliu em seco e ficou calado, como se tivesse se arrependido de começar a falar.

— Você o que, Erick? – murmurou Henry. – Sente muito por ter me abandonado? Por ter me deixado lá pra apanhar para aqueles monstros?

— Você não entende, eu não… – Erick se interrompeu, claramente controlando as lágrimas. Mas Henry não conseguiu sentir pena naquele momento. Ele só queria falar. Queria despejar suas frustrações e raiva em Erick.

— Continua! Porque eu quero realmente entender o que aconteceu.

Henry ficou esperando uma resposta. Estava se controlando para não gritar ou falar algo, mas o nó na garganta era grande. Queria gritar e quebrar alguma coisa para ver se a raiva passava. Erick, por sua vez, olhava para o chão, o rosto vermelho e as lágrimas escorrendo pela sua pele.

— Como você pode deixar uma coisa daquelas acontecer comigo? – ele explodiu, mas ainda controlando a voz. Lágrimas também desciam pelos seus olhos. – Eu sei que nossa amizade foi basicamente destruída em algum momento, mas o que você fez foi desumano, Erick!

As lágrimas de ambos se intensificaram. Henry só percebeu depois que os dois estavam em pé e um tanto próximos um do outro.

— Eu não consegui, tá bom? – despejou Erick, controlando os soluços. – Eu ainda não sou forte o suficiente pra passar por aquilo de novo.

— E por isso você me deixou lá para morrer? – Henry estava indignado. – Aqueles caras não hesitariam nem um pouco em matar eu e Chris naquele lugar.

— Eu sei, mas Henry, eu… – a respiração dele estava ofegante. Erick levou as mãos até os cabelos e os puxou com raiva. – Por favor, tente entender…

— Eu quero muito entender! O que eu mais quero entender é tudo o que aconteceu com você. Pra você ter mudado tanto e pra basicamente me deletar da sua vida. Mas você não conversa comigo, você não… – Henry se interrompeu quando viu Erick tirando a camisa e virando as costas para ele.

Henry não soube reagir àquilo. Ficou olhando fixamente para as costas brancas cobertas de cicatrizes. Não sabia o que sentir diante daquilo. Ainda sem tirar os olhos daquela brutalidade, Henry cobriu a distância entre eles e levantou a mão para tocar nas cicatrizes. Mas antes que suas peles pudessem entrar em contato, Erick virou, revelando algumas no abdômen e nos braços, mas que Henry não pode analisar tanto por conta da camisa que o outro vestira rapidamente.

— Por isso eu não consegui fazer alguma coisa – Erick chorava, mas não era algo descontrolado ou sufocante. Era algo amargo. – Eu passei os últimos anos apanhando do meu pai quase todos os dias. Vi e ouvi minha mãe e minha irmã sendo espancadas e fazia de tudo para apanhar no lugar delas.

Henry ficou estagnado, horrorizado com o que estava sendo revelado.

— Naquela época eu tinha me acostumado e eu sei que deveria ter feito o mesmo quando o vi naquela situação. Mas eu travei. Meu cérebro me impediu de fazer alguma coisa direta. Eu não sei se aguentaria apanhar novamente depois de tantos anos sendo torturado pelo meu próprio pai. Eu peço mil desculpas por isso. Eu fui um tremendo babaca, mas esse trauma que eu tive me impede de muita coisa ainda. Eu só consegui ligar para a polícia depois que saí de lá. Eu realmente queria poder ajudar mais, mas meu sentido de autopreservação me impediu completamente.

As lágrimas de Erick ficavam cada vez mais intensas. Ele desabou na cadeira novamente, como se dizer tudo aquilo o tivesse levado à fadiga. Ele enfiou o rosto nas mãos.

Henry continuava parado em seu lugar, olhando para Erick. Todo e qualquer sentimento de raiva, mágoa, rancor, tristeza e coisas do gênero que sempre direcionava a Erick sumiram.

— Isso tudo por causa das fotos? – perguntou baixo, lembrando-se do que Emerson tinha lhe contado.

Erick assentiu com pesar.

— Tudo virou um inferno depois daquelas fotos. Meu pai voltou a beber e com isso começou a ser muito violento. Nathy conseguiu fugir, ela se mudou pra BH, mas não tinha como eu e minha mãe nos mudarmos. Sem contar que minha mãe não sabia o que ele fazia com a gente quando ela não estava. Eu juro, Henry, foram os piores anos da minha vida. Eu queria te contar mais, mas…

Foi a vez de Erick ser interrompido, mas por um abraço por parte de Henry. Ele chorava, imaginando por todo sofrimento que o amigo tinha passado por todos aqueles anos. Ele só queria fazer com que a dor de Erick diminuísse. O outro retribuiu o abraço meio desajeitado por conta da posição.

— Me desculpa – sussurrou Henry no pescoço de Erick. – Se eu soubesse, não teria te tratado tão mal.

Erick afagou as costas de Henry.

— Eu que peço desculpas por tudo o que causei. Mas depois de tudo o que aconteceu, é muito difícil pra mim falar sobre isso…

— Você não precisa me contar tudo agora. – disse Henry com firmeza, decidido a dar o tempo necessário para Erick. – Você pode me contar quando quiser. Eu só peço que me conte em algum momento. Eu sei que não posso exigir nada de você, mas você me machucou muito e eu passei muito tempo querendo entender.

— Eu quero e vou te contar tudo. Eu prometo, mas eu ainda não estou preparado pra dar esse passo tão grande.

Henry assentiu e o apertou em seus braços. Aquilo foi o suficiente para que Erick relaxasse entre seus braços.

— E você ainda é minha paz. – murmurou Erick.

Henry então se afastou e olhou para ele, um sorriso levemente triste estava em seu rosto. Foi então que Henry lembrou-se do dia no qual revelou a Erick que ele ainda era sua âncora.

Ele saiu de onde estava e foi até seu armário. Vasculhou rapidamente e achou o que queria, voltando para perto de Erick, que tinha se sentado no chão ao lado de Cheshire.

— Eu queria ter ficado com ela, mas depois do que aconteceu, preferi tirar. – ele disse mostrando a pulseira com o símbolo da paz.

Erick se surpreendeu com aquilo. Analisou a pulseira e voltou seus olhos para Henry.

— Me desculpe por isso… Eu não quis dizer aquelas coisas de verdade. – pediu com o semblante triste. Então ele pegou sua carteira e tirou de lá a pulseira com a âncora. – Ando com ela sempre. Tinha a esperança de que algum dia pudéssemos repetir aquela troca.

— Acho que é a hora perfeita pra isso. – disse Henry lhe entregando a pulseira de paz.

Erick fez o mesmo. Eles analisaram as pulseiras por uns segundos antes de se encararem novamente. Aquilo tinha tantos significados que era difícil listar todos eles.

Henry foi o primeiro a estender o braço esquerdo, fazendo com que Erick amarrasse a pulseira em seu pulso. Depois foi a vez de Henry fazer o mesmo com Erick. Após colocadas, eles as juntaram, as peles dos braços se encostando.

— Elas combinam tão bem. – comentou Erick.

— Sim, combinam. – sorriu Henry.

Então, pela primeira vez em muito tempo, um silêncio agradável recaiu sobre eles.

Notas finais
Então? O que acharam? É super importante vocês me falarem o que estão achando. Eu sei que demoro eras pra responder os comentários, mas estou trabalhando nisso e espero que entendam meu lado também. Então peço um feedback a vocês ♥ O próximo capítulo já está sendo escrito, então é provável que seja postado daqui a 15 dias u.u Espero mesmo que tenham gostado! Muito obrigada por lerem e por não terem desistido de mim ainda para aqueles que ainda acompanham a história ♥ Ghost Kisses ~Marceline