Além das Quadras

23 Arco II – 23. Não acabamos


Notas iniciais
Olaar pessoas! Mais um capítulo lindinho pra vocês! Espero que gostem bastante, pois a partir de agora as coisas vão começar a andar UHSUAHSUASH Boa leitura pra vocês Ghost Kisses ~Marceline

Capítulo 23: Não acabamos

Erick estava apreensivo com aquele jogo. Não sabia qual seria a reação de Henry quando finalmente o visse ali de novo. Segundo Marge, ele não sabia de nada e não fazia ideia, então Erick não sabia mesmo como seria a reação do outro.

Seus olhos foram atraídos para a direção de Henry no segundo que ele entrou na quadra, que não olhou na direção de Erick nenhuma vez. Parecia que uma força, como um imã, atraía Erick para Henry. Ele sempre sentia isso quando estava na presença do outro. Era algo completamente surreal e parecia bastante louco, mas era apenas a verdade.

Ele notou como o cabelo castanho de Henry tinha crescido mais um pouco desde a última vez que tinham se visto. Viu o brilho nos olhos do outro enquanto conversava com um cara alto de cabelo loiro, que sorria na direção de Henry. Aquela cena fez o coração de Erick acelerar e uma pontada de raiva lhe tocou o âmago, mas tentou controlar essa parte de si. Percebeu também que a tatuagem que cobria o braço dele estava quase completamente preenchida, dando vida ao desenho que antes estava só no contorno.

Quando Erick viu a tatuagem em Henry no dia da sua chegada à Saquarema, não se surpreendeu com o desenho. Quase sorriu, pois aquilo significava que Henry não tinha mudado tanto. Que alguma parte do Henry que Erick conhecia ainda habitava aquele pequeno corpo.

Porém, o que foi uma surpresa para Erick foi o modo como Henry o encarou quando finalmente se viram. Primeiro ele viu a surpresa no olhar do outro, provando que Marge estava certa sobre ele não fazer ideia de sua volta. Mas ai a expressão de Henry foi tomada por irritação e depois por raiva quando o time de Erick fez o primeiro ponto.

Erick não conseguia esboçar qualquer reação. Lembrava-se de ter sido completamente babaca com Henry durante os Jogos da Amizade. Lembrava-se das palavras grosseiras e sem fundo de verdade que dirigira ao outro. Talvez fosse por causa daquilo que Henry estivesse com raiva. Erick sabia que, principalmente por causa da sua ansiedade, Henry vivia entre o passado e o futuro constantemente, então aquela situação deveria ter feito o outro lembrar-se de quando foram rivais pela primeira vez na vida.

Erick estava detestando aquele olhar irritado direcionado para ele, porém, depois de tudo o que tinha acontecido, ele não se impressionava de ser olhado daquela forma. Mesmo que Erick tivesse feito com que parecessem estranhos durante o período em Saquarema, ele não queria que as coisas fossem daquela forma, apesar de tudo.

O medo de seu pai ainda lhe consumia os ossos.

Ele tentou focar sua atenção no jogo, levantando a bola para Gabriel, que fez o ponto. Já estavam na metade do segundo set, tendo ganhado o primeiro com uma diferença de dois pontos apenas. Tinha sido um set apertado, mas graças a Gabriel, que parecia particularmente animado e empenhado em ganhar, eles tinham levado a melhor.

Durante esse tempo, reparara que Henry tinha melhorado muito. Conseguira pegar várias bolas que Erick julgava serem impossíveis de serem recuperadas. Ele estava impressionado e a vontade de jogar com o outro novamente foi grande. Porém a expressão de desafio, como a de quem luta em um campo de batalha, não saía da cara de Henry. Erick ficou ligeiramente preocupado, mas com um sermão de Gabriel, voltou a sua atenção completa para o jogo.

A bola sacada veio tão forte que o líbero teve dificuldade de recepcioná-la, fazendo com que Erick se locomovesse mais para perto da rede. Ele tinha a opção de levantá-la para outro jogador, mas preferiu passá-la de segunda para pegar o outro time de surpresa, já que a quadra do outro lado estava com algumas falhas na defesa.

Logo Erick entendeu o motivo daquilo. Não eram falhas. Era apenas uma abertura maior para que Henry pudesse atuar, pois ele se jogou no chão com um peixinho, conseguindo pegar a bola que Erick tinha apenas tocado para cair do outro lado e fazer o ponto. Henry salvara uma bola que era muito difícil de salvar.

Seu olhar encontrou o de Erick, como se o desafiasse a tentar aquilo novamente. Como se dissesse “eu não sou o bosta que você acha que eu sou”. Erick não sabia se ficava feliz ou irritado. Ninguém nunca tinha pegado uma bola passada de segunda por ele.

Aquilo foi o suficiente para Erick perceber que estava travando uma batalha real com Henry.

[…]

Henry nunca tinha feito a linha competitivo. Gostava de ganhar como qualquer outra pessoa, mas entendia a importância da derrota e sempre estava disposto a melhorar na próxima partida. Porém, naquele jogo, contra Erick, um demoniozinho em seu ombro sussurrava em seu ouvido para que ele destruísse o outro time. E ele se viu querendo aquilo com tanta vontade que estava disposto a fazer qualquer coisa para ganhar.

Conseguiram ganhar o segundo set com três pontos de diferença. Henry sentia que o outro time não ia desistir tão cedo e ele também faria de tudo para que o seu time não desistisse.

— Tá tudo bem, Cap? – perguntou Leo quando fizeram um intervalo de 5 minutos entre um set e outro.

— Tudo ótimo. – respondeu simplesmente.

— Então é assim que você fica quando tá jogando? Bom saber – Leo sorriu para ele, lhe dando um tapinha no ombro.

Henry limitou-se a assentir com a cabeça. Logo estavam de volta à quadra.

Os outros dois sets passaram tão rápido que Henry piscou e já estavam no tie-break. Tinham perdido o terceiro set por 25x20, mas ganharam o quarto por 25x21. Agora era finalmente a decisão. Onde apenas um dos dois ganharia.

Seu time estava determinado a ganhar mesmo depois da derrota de dois sets. Ele gritava vários incentivos durante a partida, tentando sempre colocar o time para cima. Mas seu incentivo não foi o suficiente. O time de Erick acabou jogando melhor e levando a partida por 17x15.

Henry viu quando Gabriel (ele lembrava-se muito bem do capitão da seleção) abraçou Erick com força quando fizeram o último ponto do jogo. Viu a sombra do sorriso que cruzou o rosto do outro, Henry não sabendo se era pela vitória ou pelo abraço recebido por Gabriel. Henry tentou controlar o ciúme que subiu, vindo do estômago até a boca, querendo sair em forma de xingamentos e palavrões.

Virou a cara, não querendo mais encarar aquela cena ridícula. Ainda era ridículo o modo como seu coração acelerava na presença de Erick. Henry só queria superar essa paixão que tinha por ele, mas, depois de tanto tempo, já duvidava que aquilo fosse apenas paixão de adolescente.

Com o jogo encerrado, Henry pareceu voltar à realidade, vendo e ouvindo a torcida que provavelmente não tinha parado um segundo durante a partida. Estava tão focado no jogo que não tinha reparado que o ginásio estava bem cheio para um jogo amistoso. O técnico os mandou fazerem uma fila para poder cumprimentar o outro time e assim fizeram, Henry tomando o último lugar da fila ao ver que Erick também estava no final da fila do time dele.

Eles foram cumprimentando os atletas do outro time sobre a rede e Henry viu que rolou uma leve encarada quando Leo cumprimentou Gabriel, como se eles já tivessem se visto antes em alguma situação tensa. Henry perguntaria a Leo depois. Cumprimentou os adversários sem muita paciência, o coração acelerando a cada vez que chegava mais e mais perto de Erick.

Quando finalmente estavam cara a cara, Henry agarrou a mão de Erick num aperto forte, olhando o outro fixamente nos olhos.

— Eu quero conversar com você. – disse Henry firme, não largando a mão de Erick.

— Nós não…

— Nós temos sim o que conversar – cortou Henry, a irritação ainda lhe dominando.

Erick arregalou levemente os olhos, porém assentiu devagar, Henry reparando que sua respiração tinha ficado mais pesada. Henry caminhou na frente, indo para um canto da quadra e certificando-se sempre que Erick estava atrás de si. O meio da quadra estava uma confusão, com o time de Erick comemorando e alguns pais abraçando seus filhos com orgulho.

Quando chegaram a um canto em que não tinha quase ninguém, apesar de ainda estarem perto da quadra, Henry virou-se para Erick, não contendo o olhar de raiva.

— Quando você ia me contar? – perguntou ele cruzando os braços sobre o peito.

— Contar o que? – falou Erick, mas Henry sabia que ele estava fingindo. O modo como seu lábio inferior tremia levemente quando estava fingindo não tinha mudado desde que eram crianças.

— Não se faça de sonso. – criticou Henry.

Erick o encarou, só para encontrar Henry o encarando de volta. Ficaram alguns segundos nessa troca intensa de olhares, até que Erick puxou o ar com um pouco mais de força, soltando-o com lentidão antes de dizer:

— Eu já sabia que a gente ia se encontrar uma hora ou outra.

— E você não pensou em, sei lá, ir atrás de mim para contar a novidade? – rebateu Henry. – Eu esperava que a gente estivesse caminhando para ficarmos bem, depois do que aconteceu em Saquarema e Miami.

Erick engoliu em seco, desviando o olhar rapidamente de Henry, como se seus tênis fossem mais interessantes.

Aquela expressão quebrou toda a pose de autoridade de Henry, fazendo seu coração amolecer e sua própria expressão se suavizar.

— Eu só queria saber o que aconteceu com você. – começou Henry. – Queria que pudéssemos ser amigos novamente. Como nos velhos tempos.

Erick ficou em silêncio, ainda olhando para baixo mesmo depois de suas palavras.

— Eu percebi naquele jogo, com aquela crise – continuou Henry. Erick levantou um pouco o rosto, mas não o olhou nos olhos – Você ainda é minha âncora, Erick.

Henry viu Erick erguer os olhos suavemente para ele. Não havia surpresa em sua expressão, mas havia um rubor em suas bochechas que Henry não deixou de notar. Erick ficava tão fofo quando estava corado que Henry sentiu vontade de arrastar sua cara no asfalto.

Erick abriu a boca para responder, mas ouviu alguém lhe chamando, num ponto acima deles, na arquibancada.

— Erick! – Cassandra exclamou animada – Meu Deus, menino! Como você cresceu!

Erick subiu o olhar, ao passo que Henry virou-se e olhou para cima, vendo os pais e os gêmeos na arquibancada perto deles. Erick abriu um sorriso no rosto para eles. Ele não sabia que sentia saudades dos pais de Henry até vê-los. Eram praticamente sua segunda família.

— Oi, tia Cassie – cumprimentou ele. – Tio Fábio.

— Esperem aí – ela disse animada e sumiu da grade de proteção.

Segundos depois eles apareceram onde os dois estavam. Cassandra entregando um garotinho de cabelos negros para Henry segurar e indo dar um abraço apertado em Erick. Fábio estava mais atrás, segurando uma garotinha de cabelos também negros. Ele apenas acenou para Erick, visto que a garotinha estava dormindo.

— Meu Deus, querido – ela exclamou se afastando dele, ainda segurando seus ombros. – Não sabia que tinham voltado para BH! Sua mãe também veio? E Anderson e Nathália?

Erick conteve o medo que subiu quando Cassandra falou o nome de seu pai. Forçou um sorriso e tentou responder na maior naturalidade.

— Meus pais ainda estão no Rio – começou – Talvez voltem no mês que vem ou no próximo. Estou morando com Nathália, que veio antes.

— Eu nem sabia que ela estava aqui também! – exclamou ela. Então ela voltou-se para Henry. – Você não me contou que ele tinha voltado!

Henry virou o olhar para Erick, como se o fuzilasse e disse as seguintes palavras com um pouco de amargura:

— Pois é, ele também não me disse.

— Queria fazer surpresa – disse Erick desviando o olhar de Henry. De fato não era uma mentira total.

— Você tem que ir lá em casa! Podemos ir agora mesmo, aposto que vocês têm muito o que conversar.

Pelo o que Erick tinha percebido, Cassandra não sabia do que tinha acontecido entre ele e Henry. Muito menos entre seus pais. Ficou com um aperto no coração, pois sabia que mais cedo ou mais tarde sua mãe voltaria e contaria o que tinha acontecido para ela. Bastava saber se Henry contaria a parte deles.

— Você não tem ideia, mãe. – disse Henry no mesmo tom que disse a frase anterior.

— Eu agradeço muito, tia. Sério. Eu estava morrendo de saudades, mas eu e Nathy temos um compromisso agora.

— Vocês querem ajuda com alguma coisa? – então Cassandra tirou um bloquinho da bolsa, anotou alguma coisa e entregou a Erick. – Podem me ligar a qualquer momento, não se sinta acanhado.

Erick ficou olhando os números ali durante uns segundos. Aquilo mexia consigo levemente. Cassandra era uma pessoa maravilhosa e saber que podia contar com ela era muito bom. Ele levantou o olhar, abrindo um sorriso sincero para Cassandra.

— Obrigado, tia. Vou ligar sim.

— Eu quase já ia esquecendo! – ela disse e puxou Erick pelo punho até Fábio. – Essa daqui é a Raquel. Você foi embora alguns dias antes de eles nascerem.

Então ela avançou para perto de Henry e o garotinho, que conversava com Henry animadamente sobre o jogo.

— Esse é o Júlio. – disse ela com um sorriso no rosto – Júlio, dê oi para o Erick.

O garotinho tinha os olhos azuis de Cassandra e os cabelos negros de Fábio. Não era muito parecido com Henry, mas não dava para negar que eram irmãos se vissem os pais. Erick abriu um sorriso e deu oi para ele.

— Você é o novo namorado do Henry? – perguntou, agarrando o pescoço do irmão com possessividade.

— Júlio! – exclamou Cassandra. – Eu disse para dizer oi.

— Ah – disse o garotinho – Oi.

Não precisou de mais para que Erick ficasse completamente vermelho de vergonha. Subiu seus olhos para Henry, vendo que o outro também tinha um rubor nas bochechas e tentava esconder isso nos cabelos de Júlio, sem sucesso.

— Ele é seu novo namorado, Henry? – perguntou Júlio depois de uns segundos.

— Não, Jules. Ele não é meu namorado.

— Ele pode ser meu namorado então?

— Jules, sem namoro – reclamou Henry colocando-o no chão. – Podemos ir?

— Tem certeza que não pode vir com a gente? – perguntou Cassandra para Erick uma última vez.

— Tenho sim, tia. Muito obrigado pelo convite.

— Mas você não vai escapar, você vai ter que ir lá em casa almoçar ou lanchar.

Erick assentiu com um sorriso, ainda meio encantado com Júlio, que tinha pegado na mão de Henry e pulava de um lado para o outro.

— Vamos que a princesa aqui tá pesada. – disse Fábio depois desse tempo todo. – E meus parabéns pelo jogo, Erick.

— Ah é! Parabéns pela vitória, querido. – disse Cassandra abraçando Erick pela última vez, fazendo Henry revirar os olhos. – Não vai escapar, hein?

— Não vou, tia. – respondeu Erick sorrindo.

Então ela pegou Júlio pela mão e saíram caminhando na frente, deixando Henry para trás. Ele se virou para Erick, o rubor em suas bochechas já tinha sumido.

— Você não vai escapar. Nossa conversa ainda não terminou – disse Henry com firmeza e virou-se para seguir os pais.

Erick ficou ali, tentando absorver o que tinha acabado de acontecer.

[…]

Erick não viu o tempo passar. Quando percebeu, já era dia 27 de abril. O dia que ele finalmente faria 18 anos.

Todos falavam que fazer 18 anos não mudava muita coisa, apenas que poderia beber legalmente e que podia ser preso. Mas, para Erick, fazer 18 anos significava que ele teria liberdade para encher a cara sempre que quisesse, sem ter que depender de carteira de identidade falsa ou de seus amigos maiores de idade para comprar suas bebidas.

Então a primeira coisa que fez quando acordou naquela quinta-feira foi ir a algum supermercado comprar um fardo de cerveja e algumas coisas para fazer seu bolo favorito. Como era dia de semana e Nathy estaria trabalhando, ele iria comemorar sozinho.

Passara seus últimos aniversários sozinhos, mais um não faria diferença.

Quando foi passar a cerveja no caixa, a moça olhou para ele desconfiada, pedindo sua identidade. Erick a pegou com todo o prazer do mundo e praticamente esfregou na cara da mulher, tendo uma satisfação ao ver a cara de desgosto dela por ele ser realmente maior de idade. Sua cara de bebê provavelmente faria com que aquilo se repetisse mais vezes.

Foi para casa e, ao chegar, colocou um rap qualquer no Spotify de seu celular e foi fazer o que pretendia. Tomava sua cerveja enquanto misturava os ingredientes para o bolo, cantarolando vez ou outra algum trecho da música.

Com o bolo no forno, Erick foi fazer o almoço, já que estava praticamente na hora e ele não tinha comido nada até então. Nem tinha reparado que tomara praticamente todas as garrafas do fardo que tinha comprado, conseguindo guardar uma para tomar no almoço. Era gratificante aquilo. Estava levemente tonto, mas ainda com suas faculdades em funcionamento. Então apenas aproveitou o estado semibêbado, rindo e cantando sozinho no meio da sala.

Depois do almoço, Amanda ligou para lhe desejar feliz aniversário. Ficaram conversando por um tempão, atualizando suas vidas, já que Amanda não estava com muito tempo para conversar sempre com ele por WhatsApp. Ele contou tudo o que tinha acontecido com Henry para a melhor amiga e ela só conseguiu dizer que Erick tinha que tomar vergonha na cara e falar com Henry.

— Não é tão fácil quanto parece, Mandy – ele disse suspirando.

— Eu sei que não é, meu amor – ela retrucou – Mas, se você não tentar, como vão resolver essa situação?

— Eu preciso de mais tempo…

Amanda suspirou do outro lado da linha, Erick vendo perfeitamente seus olhos revirando mesmo que não estivesse olhando para a amiga. Então mudaram de assunto e ficaram conversando até ela ter que desligar, pois ia trabalhar.

Alguns minutos depois, quem ligou para ele foi Danilo. Também não estavam se falando muito desde o jogo em Miami, Danilo estava ocupado demais com os problemas que seus pais lhe arrumavam sempre para poder dar atenção a Erick. Ele contou que tinha ficado muito mal por eles não o terem deixado passar o carnaval com Karine em Cabo Frio.

— Depois que eles descobriram aquela merda de convocação, minha vida virou um inferno – comentara Dan, parecendo realmente cansado.

— Eu já pedi desculpas, Dan – disse Erick baixinho, ainda se sentindo culpado.

— Não foi culpa sua, Erick. Relaxa. – disse com sinceridade – Mas e aí? Como vão as coisas?

Erick repetiu a mesma história que tinha contado para Amanda. Com os mesmo detalhes e os mesmos comentários a respeito do que tinha acontecido. Amanda toda vez o interrompia para falar alguma coisa ou soltar uma exclamação, mas Danilo permaneceu o tempo inteiro calado e teve até um momento que Erick teve que perguntar se o outro ainda estava lá, de tão calado que ele estava.

— Você já pensou em escrever o que aconteceu? – perguntou Danilo. – Você se expressa bem falando, mas às vezes escrever pode ser mais fácil.

Erick ficou alguns segundos pensando. Ele gostava de escrever. Foi uma das suas válvulas de escape quando seu pai o forçava a fazer coisas contra a sua vontade. Mas ele nunca pensou em mostrar nada que escrevia para alguém, muito menos para Henry.

— Pode ser uma boa – afirmou, considerando mesmo a ideia.

Conversaram mais um pouco, dessa vez não voltando aos assuntos deprês de ambas as vidas. Tiveram que desligar depois de um tempo, o que foi tempo suficiente para Erick ouvir a tranca da porta se abrindo. Ele continuou com o celular na mão, mexendo no Instagram e caminhou para a sala.

— Nathy, eu fiz bolo e tem resto do almo…

— FELIZ ANIVERSÁRIO! – Nathália gritou, mas Erick não sentiu seu corpo sendo esmagado por um abraço forte.

Curioso, ele levantou o rosto, olhando para a irmã, que tinha um filhotinho de pug, cachorro preferido de Erick, nas mãos. Ele tinha um lacinho grudado na pelagem bege. Erick parou, olhando de uma Nathália extremamente sorridente para o pug, meio em choque. Ele chegou perto devagar.

— É meu? – perguntou baixinho, deixando as lágrimas de emoção escorrerem pelo seu rosto.

— É sim, pirralho. – disse Nathy colocando o cachorrinho nos braços de Erick.

Meio sem saber o que fazer, Erick apertou o pug delicadamente contra o peito, deixando as lágrimas saírem livremente. Erick sempre amara animais e, desde que seu cachorrinho tinha morrido, muito tempo atrás, seu pai não deixou que tivesse outro. Então ter um bichinho novamente era simplesmente emocionante.

— Oi, amigão – disse ele erguendo o cachorrinho na altura dos olhos. Ele deu uma lambida na bochecha de Erick, fazendo-o abrir um sorriso. – Obrigado, Nathy. Você é a melhor.

— Você merece, amore – ela disse lhe dando um abraço, o cachorrinho entre eles.

— Você não o comprou né? – perguntou Erick, um tanto apreensivo.

— Não, Erick – Nathália revirou os olhos – Uma amiga minha do trabalho estava doando. A pug dela teve filhotes e ela ficou com pena de vender. Então eu pedi um para te dar de presente.

Erick assentiu aliviado, abraçando Nathália mais uma vez. Depois a largou, sentando-se no chão e colocando o novo membro da família no chão. O pug correu ao redor de Erick, totalmente desajeitado, fazendo-o rir e passar a mão em seu pelo macio.

— E aí? Qual vai ser o nome dele?

Erick olhava para o cachorro enquanto pensava. Franziu a testa levemente e depois suavizou a expressão, tendo o nome perfeito para o canino.

— Pudim.

— Pudim? – perguntou Nathália. – Mas que coisa de gordo, Erick.

— Eu tenho o espírito gordo, me respeita. – ele rebateu pegando Pudim no colo. – Além do mais, eu amo pudim.

— Eu sei que ama.

Então seu celular vibrou, dizendo que tinha recebido uma mensagem no WhatsApp. Abriu o aplicativo e viu que era uma mensagem de áudio de Marge. Ele clicou para reproduzir, não se importando se Nathy ouviria ou não.

Migu, estou te intimando a ir numa boate comigo hoje para comemorar seu aniversário. Não aceito não como resposta. Vamos beber horrores. Passamos ai pra te pegar as 22h.

Erick ficou olhando o celular. Sabia que não adiantava dizer não para Marge. Mas no fundo, ele estava querendo aproveitar. Ir numa boate com sua amiga poderia ser muito bom. Então ele olhou para Nathy, como se pedisse permissão.

— É seu aniversário, você tem que aproveitar – ela deu de ombros. – Mas vamos jantar fora antes disso.

Erick concordou com a cabeça, animado.

Finalmente teria um aniversário decente.

[…]

Era aniversário de Erick e Henry estava em um conflito entre lhe dar parabéns ou não.

Okay, ele não tinha o número celular do outro, já que aparentemente ele tinha trocado desde a última vez que Erick ligara. Teria que mandar uma solicitação de amizade no Facebook, já que o perfil de Erick era trancado. Henry já tinha revirado o Instagram e o Twitter de ponta a cabeça, mas não tinha achado o outro nas redes sociais.

Sua mãe também tinha vacilado. Deveria ter pegado o número novo de Erick.

Henry passou o dia inteiro pensando nisso. As aulas na faculdade não lhe prendiam a atenção em nenhum segundo. Ele ficava mandando mensagens para Marge, dizendo que Erick tinha voltado, que precisava dela para achá-lo ou qualquer coisa parecida. Mas Marge não tinha dado nenhum sinal de vida.

“Vc tá bem?” Bruno escreveu a pergunta na ponta do caderno de Henry.

Estavam na aula de História da Educação Física. Um grupo estava apresentando um trabalho sobre as Olímpiadas, mas era óbvio que Henry não estava muito interessado quanto àquilo. Sua mente estava em Erick.

Desde que se reencontraram, Henry não tinha tentado nenhum contato com Erick. Não tinha falado para Chris também que o outro tinha voltado e Marge não tinha falado com ele desde aquele jogo em que tinha encontrado com Erick. Ela não tinha aparecido e desde então não falava com Henry. Ele sabia que ela dava umas morridas assim, do nada, mas nunca fora por tanto tempo. Ele estava ficando preocupado.

“To preocupado com a Marge” Henry respondeu a pergunta de Bruno.

Tinham virado amigos. Não só amigos como também desculpas para que suas melhores amigas se vissem. Henry descobrira que Danielle, a estagiária em fisioterapia que trabalhava no Arsenal de quem Marge estava a fim, era melhor amiga de Bruno. Isso fez com que eles se aproximassem, Henry adorando Dani cada vez mais e querendo matar Marge por ainda gostar de Rayssa e deixar uma garota tão maneira passar.

“Ela vai ficar bem”, respondeu ele.

Bruno era o tipo de pessoa que você realmente não podia julgar pela aparência. Ele tinha uma cara séria e que o deixava com uma expressão um tanto metida a superior, mas o garoto era completamente oposto a isso. E com o tempo, em que foram se conhecendo mais e fazendo trabalhos juntos, Henry percebeu que Bruno era um garoto totalmente divertido e gente boa com aqueles com que tinha intimidade.

Ele só era tímido demais.

Bruno conseguiu fazer sua mente dispersar durante a tarde. Eles almoçaram juntos e foram para o CEU (Centro Esportivo Universitário) para treinarem, Henry estava treinando vôlei e Bruno treinava basquete. O treino também fez com que ele não pensasse tanto no aniversário de Erick, pois estava com uma determinação grande em derrotar o outro no próximo jogo que teriam, Deus sabe-se lá quando.

Mas quando chegou em casa, foi difícil não tirar aquilo da cabeça. Estava sozinho naquele dia. Seus pais tinham ido viajar para comemorar alguns anos de casamento, Henry nunca lembrava quantos. E, a pedido de sua avó, Cassandra tinha deixado os gêmeos com ela ao invés de deixá-los com Henry. Então tinha apenas Cheshire para lhe fazer companhia.

Acabou estudando para seu trabalho na semana seguinte durante um tempo. Fez sua janta, comeu e depois passou o resto do tempo tocando violino. Fazia um tempão que não tocava e estava com saudades. Quando era meia noite, ele resolveu ir dormir. Tomou seu remédio, arrumou as coisas e foi para a cama, Cheshire deitando-se sobre suas costas depois de alguns segundos.

Henry adormeceu quase imediatamente, acordando um tempo depois com a campainha tocando incessantemente. Ele acordou, meio grogre e olhou para o celular, vendo que eram quase 4 horas da manhã.

Quem diabos estaria batendo na sua porta às 4 horas da manhã?

Ele levantou-se, colocou apenas um short, já que estava de cueca e abriu a porta, ficando tão surpreso com a cena a sua frente que ele acordou imediatamente.

— Desculpa, Henry, mas eu não sabia mais pra quem pedir ajuda – disse Rayssa segurando uma Marge completamente bêbada, enquanto Cássio segurava Erick pela cintura.

Henry não disse nada, apenas abriu espaço para eles passarem.

— Coloca a Marge no sofá, Ray – ele instruiu. – Cass, pode colocar o Erick no meu quarto, é por ali.

Cass apenas assentiu e carregou Erick para o seu quarto.

— Você… Você não queria falar com Erick? – perguntou Marge com a voz embargada, um sorriso débil no rosto. – Surpresaaaaaa.

— Ela nos chamou pra comemorarmos o aniversário do Erick – disse Ray olhando apreensiva para Marge. – Como eu não ia beber, eles dois tacaram o fodas e encheram a cara.

Henry sentiu um leve ciúme por não ter sido chamado. Marge não fazia muito isso, sempre que saía, o chamava também. Ele não sabia o que achar.

— Eu já sabia – soluçou Marge com uma risada – Eu invadi a casa de Erick. Ele tá aqui desde... Janeiro? Dezembro? Não sei… Raaaaaaaaaaaay, minha cabeça dói. Me dá um beijo, gata.

Henry conteve um pouco a raiva. Então ela sabia que Erick tinha voltado. Sabia e não tinha lhe falado nada. Para piorar, tinha feito aquela pergunta ridícula de como seria sua reação caso ele voltasse. Agora fazia todo sentido.

Cass tinha voltado e Marge não largava Rayssa de jeito nenhum. Então ele teria que cuidar de Erick naquele estado bêbado. Respirou fundo e olhou para Rayssa.

— Você pode cuidar dela né? Sabe onde ficam as coisas.

Rayssa apenas assentiu, pedindo ajuda do namorado. Henry e Cass foram para a cozinha, Henry pegando dois copos e duas jarras tiradas da geladeira, dando um copo e uma jarra pra Cass. Ele pegou os outros dois objetos e foi para o quarto, vendo Erick sentado em sua cama, completamente descabelado acariciando Cheshire desajeitadamente.

— Erick? – perguntou Henry chegando perto e ligando a luz, mas Erick logo reagiu negativamente à claridade, então Henry a desligou rapidamente. – Como você tá se sentindo?

Naquele momento, nada mais importava. Henry só queria que Erick ficasse bem.

— Peludinho… – murmurou Erick de maneira bêbada e fofa, olhando fixamente para Cheshire.

— Erick. – Henry sentou-se ao seu lado, pegando no queixo do outro e levantando seu rosto para que pudesse lhe encarar.

— Henry? – Erick virou-se completamente para Henry, parecia alarmado, agarrando seu rosto como se verificasse que Henry fosse real. – É você mesmo?

Henry ficou assustado com a atitude de Erick, mas não teve o impulso de tirar as mãos do outro de cima de si. Deixou que os dedos gélidos de Erick tocassem sua bochecha, sua testa, seu cabelo, sua boca. Porém, ele ficou completamente alarmado quando lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Erick.

— Me… Me… Me desculpa – ele disse em soluços – Me desculpa, me desculpa, me desculpa.

Então os braços de Erick passaram pelo pescoço de Henry, puxando-o para um abraço sufocante, que Henry permitiu meio em choque. Não sabia o que fazer. Detestava ver Erick chorando. Detestava ver o outro mal daquela forma ou de qualquer outra. Se ainda tinha algum vestígio da barreira que Henry estava tentando colocar entre si e Erick, ela simplesmente ruiu naquele momento.

— Eu fui… Eu fui muito ruim contigo – ele disse em meio ao abraço e ao choro – Eu não queria dizer aquilo tudo.

— Ei, tá tudo bem, tá tudo bem – Henry afastou Erick delicadamente de seu corpo, enxugando as lágrimas do outro com o polegar. – Relaxa, okay?

— Henry, eu te amo, pelo amor de Deus me perdoa – Erick não conseguia parar de chorar. – Isso tudo é culpa minha.

Aquilo deixou Henry em choque. E o que aconteceu a seguir o deixou mais ainda.

Erick avançou meio desesperado, colando seus lábios nos de Henry desajeitadamente. Um calafrio percorreu a espinha de Henry e ele sentiu seus lábios formigarem, assim como seu pescoço, onde as mãos de Erick pousaram quando o puxou para o beijo. Sentiu a reviravolta no estômago como se borboletas se agitassem lá dentro. Sentiu o coração acelerando tanto que parecia que ia sair de seu peito.

Os lábios de Erick estavam quentes. Não eram nem um pouco macios, mas aquilo não importava. O contato entre eles foi o suficiente para que Henry sentisse que estava levitando. Nunca sentira nada parecido com apenas um encostar de lábios.

Por impulso, ele fechou os olhos também, sentindo as lágrimas de Erick contra sua bochecha. Suas mãos tremiam um pouco, mas elas foram para a cintura do outro, puxando Erick para mais perto de seu corpo sem quebrar o contato entre os lábios.

Tudo parecia tão intenso, tão surreal, tão impossível. Parecia que nunca mais sentiria algo como aquilo que estava sentindo agora. Henry sempre amou Erick de todas as formas possíveis. Será que aquele sentimento deixava tudo mais intenso? Mais gostoso? Mais excitante e emocionante?

Henry não sabia, mas queria descobrir.

Ao perceber que Erick não avançaria mais que um desajeitado tocar de lábios, Henry começou a movimentar os seus contra os dele de maneira lenta e ritmada. Henry avançou mais um pouco, usando a língua para aprofundar o beijo. Erick correspondeu, tocando na língua de Henry da mesma forma que o outro tinha feito. Erick estava seguindo os passos de Henry. Havia uma harmonia entre eles. Não. Era muito mais que uma harmonia. Era algo completamente inexplicável.

Erick se desvencilhou do beijo um pouco desnorteado. Henry demorou alguns segundos para abrir os olhos, ainda entorpecido com as sensações que aquele beijo lhe trouxera. Quando os abriu, viu o brilho nos olhos de Erick, aquele brilho apagado finalmente estava de volta.

— Eu sinto muito – murmurou Erick de novo – Eu não quero te perder. Você é o irmão que eu nunca tive.

Aquilo foi como ter recebido um tiro no peito. Ter recebido um balde de água fria quando estava morrendo de hipotermia. Erick conseguia brincar com seus sentimentos mesmo sem nem ao menos tentar. Henry queria imaginar que aquele “eu te amo” e aquele beijo pudessem significar algo além da amizade que eles tinham. Quando mais novos, eles declaravam sem problemas o amor que sentiam um pelo outro. Nunca foi um problema para eles admitir que se amavam como irmãos.

E lá estava Erick, admitindo que ainda o amava como um irmão. Henry estava tentando dar sentido às coisas, já que um beijo era completamente diferente de tudo que já haviam dito ou feito. Estava atribuindo aquilo ao seu estado bêbado, mas mesmo assim queria que Erick estivesse sóbrio. Que desmentisse aquelas palavras. Que falasse que o amava como mais que um irmão.

— Você nunca vai me perder – declarou Henry com dificuldade, tentando conter a dor em sua voz e as lágrimas que queriam sair. – Você sempre será meu irmãozinho.

Erick abriu um sorriso débil e piscou lentamente os olhos, indicativo que estava com sono. Então, engolindo todos os seus sentimentos, Henry foi dando água para Erick em silêncio. Foi até a cozinha pegar alguma coisa doce para ele comer, mas, quando voltou, Erick já estava deitado em sua cama, dormindo pesadamente.

— Erick, não dorme agora – Henry sacudiu o outro com delicadeza. Porém uma parte sua queria lhe dar um tapa.

Erick acordou sonolento e Henry percebeu que teria que dar um banho no outro. Olhou para Erick e analisou as suas roupas, decidindo que não as tiraria para o bem de sua sanidade. Carregou o outro até o banheiro, abrindo o chuveiro e colocando-o lá dentro. Henry teve que segurar Erick pelos ombros para que ele não caísse, fazendo com que ficasse totalmente molhado também.

Ficaram alguns segundos em silêncio. Henry tentando não encarar o modo como sua camisa azul escura ficava grudada em seu corpo por conta da água. Tentava não pensar que Erick era fodidamente lindo em qualquer situação, até com o rosto vermelho por conta do choro.

— Eu tenho medo – murmurou Erick meio grogue, fazendo Henry levantar a cabeça e encarar a figura de Erick de cabeça abaixada, os cachos deformados pela água. – Não… Não queria que você soubesse que voltei… Por medo.

Henry ficou mais atento. Erick embolava um pouco as palavras, mas dava para entender o que ele falava. Ele chegou mais próximo do corpo de Erick, tentando olhar para o seu rosto sem sucesso.

— Medo de quê, Erick? – perguntou suavemente. Talvez pudesse tirar qualquer informação que quisesse de Erick naquele estado. Mas seria muita falta de caráter fazer algo do tipo. Iria se contentar com algumas perguntas inocentes.

— Não quero… Não quero que meu pai te machuque – respondeu Erick.

— Seu pai não vai me machucar, Erick – Henry franziu os olhos.

— Você não sabe do que ele é capaz. Eu não quero que aconteça com você o que aconteceu comigo.

Henry ficou tentado a perguntar o que aconteceu com Erick, mas ouviu o outro soluçando, os olhos voltando a ficar vermelhos, assim como o nariz. Então Henry deixou aquilo de lado e abraçou o melhor amigo apertado, a água fria caindo em seus corpos não era algo ruim.

— Eu vou ficar bem, okay? Ninguém vai me machucar – Henry disse baixinho, apertando Erick.

Erick envolveu seus braços ao redor do corpo de Henry, retribuindo o abraço com uma força desnecessária, como se ele não quisesse nunca mais que Henry o largasse. Eles ficaram ali, Erick parando de chorar aos poucos e ficando um pouquinho mais sóbrio que antes. Em silêncio, Henry tirou o outro do chuveiro, enrolando-o em uma toalha que tinha pegado anteriormente.

Levou Erick cambaleante para o quarto, fazendo-o deitar em sua cama, não se importando que ela fosse molhada pelas roupas que o outro vestia. Pegou alguns edredons e cobriu Erick rapidamente, para que ele não ficasse com frio durante a noite.

Henry ia deixar Erick dormindo em seu quarto para dormir no quarto dos gêmeos, mas, quando estava saindo pela porta, Erick falou:

— Dorme comigo – sua voz era baixa – Por favor.

Henry sentiu seu coração acelerar novamente. Queria aceitar, mas tinha que negar. Estar perto assim de Erick era demais para sua sanidade. Mas também não queria deixar o outro sozinho. Ele parecia triste e desolado, queria fazê-lo se sentir melhor.

Atendendo ao pedido de Erick, Henry caminhou de voltar para a cama. Tinha tirado os shorts e cueca molhados e substituindo-os por peças secas. Esgueirou-se para perto de Erick, ficando por cima das cobertas que cobriam o outro.

— Obrigado – murmurou Erick – Você é mesmo meu melhor amigo.

Henry engoliu um grito. Um grito de raiva, de angústia e de tristeza. Mas não podia gritar assim. Não tinha motivos. Não era culpa de Erick que ele não sentia o mesmo. Era culpa de Henry ter se apaixonado pelo melhor amigo. Erick não tinha nada a ver com a situação.

Então, num momento de insanidade, ele se pegou desejando nunca ter conhecido aquele garoto.

Notas finais
Eu simplesmente amei escrever esse capítulo e fiquei chocada quando consegui escrevê-lo em dois dias UHSUAHSAUH Espero que vocês tenham gostado e por favor, não deixem de comentar! Eu sei que não respondo os comentários com rapidez, mas eu leio todos e amo muito cada um! Só tenho que me disciplinar para respondê-los sempre. Enfim Muito obrigada a todos que leram ♥ Ghost Kisses ~Marceline