Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Demorei um século, mas estou de volta com mais um capítulo. Tive um forte bloqueio criativo para a história e acabei tendo problemas para terminar o capítulo. Estou um pouco insegura, mas, mesmo assim, espero de verdade que gostem dele. Muito obrigada pelo comentário no capítulo passado da AndreaNeves, que me ajudou bastante a escrever. Boa leitura!

Durante alguns minutos, tudo o que Daryl consegue fazer é observar sua imagem refletida no espelho do banheiro, relembrando os acontecimentos de instantes atrás, quando esteve prestes a cometer uma de suas maiores loucuras.

Por um lado, ele se sentia atordoado, afetado por todo aquele clima que o envolveu no momento em que seus olhos recaíram sobre os lábios de Beth e quase o fez beijar sua ex-aluna. Por outro lado, ele se sentia frustrado pela interrupção de Jimmy, questionando-se se não havia pior hora para ele ligar.

No fim, por mais que doesse seu orgulho, ele sabia que deveria ser grato ao rapaz.

Tirando os momentos em que era provocado por seu irmão e primos, Daryl nunca foi o tipo de homem que se deixava pelo calor do momento e suas emoções. No entanto, se Jimmy não tivesse ligado, ele realmente teria beijado Beth, sem se importar com que estivesse vendo e nem com as consequências de suas ações.

Respirando fundo para tentar controlar seu coração acelerado, ele lava seu rosto mais uma vez e se olha no espelho. Sentia-se como um adolescente novamente, experimentando as emoções do primeiro amor. Era intenso, sufocante e alucinante ao ponto de fazê-lo agir como um idiota.

Um suspiro escapa dos lábios do professor ao constatar que ele não poderia ficar para sempre no banheiro, assim como planejava. Como um homem adulto e maduro, ele precisava sair e encarar Beth de frente. Esclarecer a situação constrangedora que se colocaram logo após notarem a loucura que estavam prestes a fazer, se Jimmy não tivesse ligado.

Daryl lava o rosto mais uma vez e respira fundo. Ele sai do banheiro e retorna para a mesa onde se encontrava Beth, que encarava o celular com desânimo. Ao notar a presença do professor, é inevitável que as bochechas alvas se tornem extremamente vermelhas, relembrando de instantes antes.

Beth também estava afetada. Depois de tomar ciência de seus sentimentos, ela se tornou muito mais consciente da beleza e sensualidade de Daryl. Detalhes como voz, cheiro e aparência eram o bastante para despertar o desejo incontrolável de Beth em experimentar os braços musculosos ao redor de sua cintura e a textura dos lábios finos do homem, que estranhamente a atraiam.

Desconfortável e sem saber o que dizer para a garota, Daryl volta a se sentar à mesa e passa a encarar o livro de Beth. Parecia estranho retornar o assunto sobre o texto e fingir que nada aconteceu. Ao mesmo tempo, se sentia envergonhado demais para conversar sobre o quase beijo.

— Vocês desejam pedir mais alguma coisa? — questiona Hannah, surpreendendo o casal que estava completamente alheio ao que acontecia ao seu redor. — Desculpa. Eu não quis assustar vocês.

— Eu estou satisfeito. Obrigado — agradece Daryl, sorrindo desconcertado.

— Eu também estou cheia. Obrigada, Hannah — responde Beth, tentando se recompor. — Aliás, pode me trazer a conta, por favor?

— A minha também — pede o professor, aproveitando a deixa.

— Claro. Um instante. Eu já volto com as contas de vocês — informa Hannah, retirando-se para buscar a conta do casal.

— Você está de carro? — indaga Daryl e Beth nega.

— Não. Eu vim de táxi — responde a jovem, dando de ombros. — Para falar a verdade, eu sou uma péssima motorista e por isso raramente dirijo. A minha carteira de motorista é quase como um enfeite.

Mesmo sabendo que essa poderia ser apenas uma desculpa que ele usava para ficar mais um tempo perto de Beth, Daryl percebe que levar a garota em casa também pode ser a oportunidade perfeita para eles conversarem em particular e esclarecer os acontecimentos incomuns da noite.

— Nesse caso, posso te levar em casa. Eu... — Daryl hesita — eu gostaria de conversar com você em particular. Acredito que a ida até sua casa seja mais confortável.

Beth assente e sente seu coração se agitar. Não sabia o que o professor gostaria de conversar com ela, mas em meio a tantas fortes emoções que estava sofrendo naquela noite, sentia-se ansiosa com as possibilidades que sua mente criava sobre o assunto que seria tratado nessa conversa particular.

Após pagarem a conta, onde Daryl insistiu em pagar a de Beth também e a garota se viu incapaz de ir contra os argumentos do homem, eles deixam a confeitaria com os corações ansiosos.

A rua movimentada da sexta-feira à noite obriga o casal a andar mais próximo em direção ao carro de Daryl e isso parece servir como uma tortura para seus corpos que se tornavam cada vez mais sensíveis ao calor e o aroma do perfume do outro.

Quando finalmente encontram o carro, um suspiro involuntário de alívio escapa dos lábios de Beth. No entanto, assim que nota que está sozinha no carro com Daryl, seguindo para sua casa, um novo nervosismo toma conta de seu corpo e ela não tem certeza de como reagir, além de encarar as próprias mãos.

— O que Jimmy McCune queria? — questiona Daryl, quebrando o silêncio. Ao notar que poderia soar invasivo demais com a pergunta, ele suspira, frustrado. — Desculpa. Eu estou me intrometendo em algo que não é da minha conta. Sinto muito. Você não precisa me responder, se não quiser.

Beth desperta de sua surpresa pela pergunta repentina de Daryl e nega, sorrindo compreensiva.

— Eu não me incomodo em falar. Jimmy apenas ligou para perguntar se eu queria jantar com ele amanhã à noite.

Daryl aperta mais o volante e permanece com o rosto voltado para a pista. Sentia o gosto amargo da frustração e do ciúme mexendo com o seu interior. Ele sabia que era ridículo fica chateado com a situação, porque ele mesmo não podia exigir nada de Beth e nem a impedir de sair com o rapaz que tinha a idade dela. Mesmo assim, lá estava Daryl, mordendo o lábio inferior para controlar suas reações.

— Mas eu recusei — revela Beth, surpreendendo o professor.

— Por quê?

A pergunta sai de modo automático e a cantora o encara em dúvida. Daryl nota seu novo deslize e tosse, tentando se recompor.

— Eu não vejo o Jimmy dessa forma. Ele é apenas um bom amigo. Não quero levantar falsas esperanças, então achei melhor recusar, mesmo que ele dissesse que era apenas um jantar de amigos — explica a loira, dando de ombros.

— Entendo — murmura Daryl, absorvendo as palavras da ex-aluna.

Ele sabia que Beth não correspondia aos sentimentos de Jimmy. Percebeu isso desde a primeira vez que viu a interação dos jovens. Mesmo assim, o lado irracional do homem o fazia ter aquele receio dos sentimentos de Beth mudarem e ela acabar se apaixonando pelo rapaz, que fazia questão de deixar claro o que sentia pela loira.

O silêncio se instaura mais uma vez entre eles.

Beth queria colocar Daryl contra a parede e exigir que ele começasse a conversa em particular que ele prometeu, já que não conseguia suportar mais a curiosidade que sentia. No entanto, ainda havia uma parte dentro de si, que fazia hesitar, temendo que a conversa não fosse como ela queria.

Daryl também se sentia inquieto. Não sabia muito bem como começar a conversa. Não sabia como abordar sobre os sentimentos de Beth, sem acabar falando demais e colocando a garota em uma situação desconfortável.

Do seu ponto de vista, Beth provavelmente o via como um homem muito mais velho e seu professor. Temia que ela entendesse que estava se aproveitando da vulnerabilidade que ela demonstrou quando contou sobre seu passado. Daryl também não tem certeza dos sentimentos de Beth e termia que ela se sentisse pressionada por culpa dele.

— Professor... — Beth hesita. Ao ter a atenção do homem, ela suspira. — Não... tinha algo para conversar comigo?

— Sim — murmura Daryl, sentindo a tensão em seu corpo.

Ele suspira e nota que eles estavam perto de um parque. Sabia que estava frio, mas o nervosismo o fazia suar. Sentia que precisava de um pouco de ar fresco para esfriar a cabeça e quem saber criar coragem para iniciar a conversa que ele nem mesmo sabia como abordar.

— Podemos passar no parque antes de irmos para sua casa? — questiona Daryl. — Eu... acho que preferiria conversar em um lugar mais calmo.

— Tudo bem — concorda Beth, curiosa.

Ele adentra o carro e se dirige para o estacionamento, onde ainda havia alguns carros estacionados. O casal desce do veículo e passa a andar pelo parque, apreciando a beleza e a calmaria do lugar, que mesmo com a presença de algumas pessoas, parecia o lugar perfeito para uma conversa privada.

Assim que chegam em um local que acreditam ser mais confortável, eles se sentam em um banco e passam a encarar o bonito céu noturno, que era marcado pela linda Lua Cheia.

Daryl observa Beth por alguns instantes sob a luz do luar, completamente encantado pela visão que tinha pelo canto do olho. E tudo o que ele conseguia pensar é que olhar para Beth era como estar diante de um quadro pintado por Hammershoi[1]. Ela é tão linda que Daryl não conseguia comparar com nenhuma outra pintura.

— Eu nunca vim a esse parque. É tão lindo — comenta Beth, encarando as árvores secas pelo frio, mas que davam um ar poético a noite junto a Lua Cheia.

— Sim — concorda Daryl, encarando a garota.

Ela desvia o olhar do céu noturno e cora ao ver que era observada com tanta intensidade. Mesmo assim, Beth continua a corresponder ao olhar de Daryl, envolvida por aquele clima inexplicável que os envolvia.

— Sabe, eu sei que disse que precisava conversar em particular com você, mas estranhamente não sei como começar. Pela primeira vez em minha vida, sinto como se as palavras tivessem me traído — comenta Daryl, dando uma pequena risada nervosa. — Acredito que a insanidade realmente chegou para mim com a idade.

Beth observa o nervosismo de Daryl por alguns instantes e acaba rindo ao achar a cena adorável. O som de sua risada traz um pouco de acalento ao coração angustiado do professor, que se preocupava em como continuar com aquela conversa tão importante e constrangedora.

A garota suspira e encara a bonita Lua, tentando encontrar as palavras certas que seriam capazes de expressar claramente seus sentimentos.

Estava com medo, ansiosa e se sentia encorajada a seguir em frente, independente de qualquer que fosse a resposta de Daryl. Havia demorado um tempo considerável para admitir o que seu coração sentia toda vez que seus olhos se encontravam com os do belo homem e sentia preparada para expor.

— Eu sempre o admirei e o via como um professor respeitável e fascinante. E então tive a sorte de conseguir ter uma matéria com você logo após o meu retorno a faculdade. Você recitou The Lake Of Isle Of Innisfree em nossa primeira aula e me encantei. Você tinha uma aura brilhante de confiança e convicção, algo que eu nunca teria. Achei a sua voz intensa e profunda assim como o rio Innisfree na minha imaginação — declara Beth, aproximando-se de Daryl.

Ela observa o homem, analisando suas reações. Beth sente o nervosismo por se declarar, mas algo nos olhos do professor desperta a coragem que ela precisava para continuar a falar.

— Dizem que esse Innisfree foi o lugar ideal tão aguardado por William Butler Yeats. E agora que penso nessas palavras, percebi de repente que você é o meu Innisfree, professor. Um lugar tão especial que eu tanto esperei. Uma ilha no meio de um lago que eu quero alcançar. Às vezes você parece o som das ondas, silenciosamente lavando e curando todas as cicatrizes do meu coração. E é por isso que eu te amo. Com todos esses sentimentos magnificentes, eu realmente te amo. Não como professor, mas como um homem que foi capaz de me fazer acreditar que eu também posso e tenho o direito de me apaixonar novamente.

Daryl jamais imaginou que um dia sentiria tanta felicidade como naquele momento. Seu coração apaixonado se sentia completo, extasiado. Cada célula de seu corpo turbilhonava, emocionado com a força presente na expressão determinada de Beth.

Ele queria tatuar a imagem de Beth com os lindos olhos verdes brilhantes o encarando com tanto carinho e mantê-la para sempre em um local onde ele pudesse venerá-la. Queria saber mais sobre ela, entender seus pensamentos, descobrir sobre suas manias triviais que deveriam passar despercebidas pelas outras pessoas, mas que seriam detalhes importantes para ele.

Daryl leva a mão trêmula até o rosto delicado de Beth e passa a dedilhar cada pequeno detalhe. Seus olhos estavam hipnotizados pelos da garota, que mesmo envergonhada, não desviava o olhar. Suas respirações estavam ofegantes, ansiando por um contato maior.

Seus rostos se aproximam. Há um nervosismo quase palpável e uma forte expectativa para o que iria acontecer. Desejavam aquele momento há muito tempo. Ansiavam pelo toque duas bocas e o prazer de saborear os sentimentos que os enlouqueciam desde que se conheceram.

E então Daryl toma coragem e finalmente reduz o espaço entre eles. Mas ao contrário do desespero dentro de si, seus lábios se tocam de forma doce e delicada. Eles apenas apreciavam timidamente o primeiro contato.

Um suspiro apaixonado escapa dos lábios de Beth e nesse momento, o beijo se torna mais intenso e íntimo. As mãos delicadas da garota vão até a nuca de Daryl, emaranhando seus dedos entre os fios longos e macios.

A Lua Cheia que testemunhava o beijo tão deseja pelo casal apaixonado junto ao vento gélido da noite, transformava a experiência em algo muito especial e memorável do que qualquer expectativa que eles tivessem criado ao imaginar como seria seu primeiro beijo.

E quando eles se afastam, palavras não são o suficiente para expressar a alegria e a emoção que compartilhavam. Seus olhos brilhavam apaixonados, atônitos de felicidade.

— Certa vez, disse a mim mesmo que jamais entregaria meu coração se fosse para alguém que me fizesse acreditar que o amor poderia ir muito mais além que frases encantadoras e momentos doces — revela Daryl, acariciando o rosto corado de Beth. — O amor pode ser um pouco estranho e surgir de formas únicas. Tive medo da intensidade de meus sentimentos, conforme nos aproximávamos. Estou ciente de meus defeitos e que posso não ser suficientemente merecedor de sua afeição, mas eu te amo, Beth Greene.

O sussurro de Daryl em meio a palavras tão bonitas com um cenário tão romântico ao fundo faz o coração de Beth disparar. A voz elegante e encantadora do homem a hipnotiza, fazendo perder qualquer linha de raciocínio.

— Eu a adoro, venero e respeito. Com ardor, eu me vi preso em seus olhos, em sua bondade, benevolência e delicadeza. Amo-te mais a cada dia, Beth. E quanto mais dizia ao meu egoísta que seria um pecado amá-la tanto, mais meu coração se tornava ganancioso por sua atenção e seus toques — sussurra Daryl, ficando a poucos milímetros da boca de Beth.

Seu braço esquerda desliza pelas costas de Beth, abraçando sua cintura com firmeza. A destra faz um caminho perigoso pelos lábios avermelhados da garota e desce até o queixo, obrigando-a a manter os olhos fixos ao dele.

— Ainda assim, por mais ganancioso e insano que eu esteja sendo, você poderia aceitar meu apaixonado coração e se tornar a dona dele? — questiona Daryl, encarando-a com intensidade. — Seja minha namorada, Beth. Permita-me ser aquele que estará ao seu lado não importa quão tortuoso seja o caminho que possa nos reservar. Deixe-me ser o apoio que você precisa para voar ainda mais e me dê sua bênção para amá-la e venerá-la até que meu tolo coração possa parar de bater.

Beth se sentia extasiada. Havia tanto desejo e paixão em seu peito, que até mesmo havia perdido as habilidades de falar. Estava ainda mais apaixonada e envolvida por aquele homem do que jamais imaginou que seria capaz.

E como a única resposta possível, Beth assente emocionada e o beijo com todo o seu fervor. Selando aquele compromisso que tanto desejou e permitindo que Daryl se tornasse oficialmente o dono de seu coração.

Notas finais
[1] Vilhelm Hammershoi, era um pintor dinamarquês. Ele é conhecido por seus retratos e interiores poéticos e moderados.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.