Notas iniciais
Olá, eu havia esrito esse capítulo antes, mas não pude postar.

Em uma das tentativas frustadas dos meus pais de me fazerem socializar, teve uma que eu jamais irei esquecer. Eles me deixaram naquela área onde os pais deixam as crianças enquanto passeiam sozinhos pelo shopping. Isso é ridículo! Se não queriam que a criança ficasse enchendo saco, então por que levaram? Pra enfiarem a criatura em uma sala de tortura?

Fiquei naquele cercadinho junto com umas crianças fedorentas. Nossa cuidadora (era pra ser nossa cuidadora) saiu de repente e nos deixou à própria sorte. Encolhi-me atrás de uma almofada e rezei para que ninguém me visse. Mas eu nunca tenho essa sorte; sempre alguém me vê. E eu sempre estou em situações desagradáveis.

– Óiaaa! Tem uma garota escodida aqui! — Alarmou um gurizinho de três anos.

Todos me rodearam, mas um garoto aparentando ter a mesma idade que eu, cinco anos, apareceu para meu terror.

– Ei, sai daí. — Ele me cutucou.

Meu corpo começou a tremer. De repente pensei que estava sonhando. Balancei a cabeça umas vezes e senti uma almofada atingir meu rosto. Comecei a chorar. Sei o que você está pensando, que eu era uma criança chorona e tal, era só uma almofada! Mas eu já queria chorar há muito tempo, não pela almofada, e sim pela situação.

– Ei, ela tá chorando. Bebê!!

E aquelas crianças irritantes começaram um coro: "Chorona, lálálálálá, bebezinha...!" Continuei a chorar, mais intensamente. Até que fialmente meus pais chegaram.

– Filha, o que houve? — Minha mãe me abraçou.

– Quero ir embora! — Disse entre soluços.

– Essa menina é uma tola! — Meu pai disse.

Uma raiva intesa subiu em mim. Por que meu pai sempre dizia isso quando eu chorava? Segurei a mão de minha mãe.

– Ah, ela não estava conseguindo se socializar com as outras crianças, coitadinha! — Veio aquela cuidadora de merda, falsa.

– É, ela é assim mesmo.

Depois de minha mãe dizer isso fomos embora. Virei o olhar para aquele garoto idiota e lhe lancei meu olhar de ódio. Fiz o mesmo para aquela cuidadora e ela paralisou.

Eu me vingaria.

Quando tinha dez anos, as coisas só pioravam. Conhecer novas pessoas? Jamais, era pedir pra morrer, sem exagero! Os trabalhos em equipe eram uma tortura e minha mãe já estava desconfiando de mim já que eu ficava doente justamente no dia de uma apresentação de trabalho. Estraho não? Meu pai queria me bater até eu "parar de frescura", mas minha mãe o convenceu que eu nessecitava de uma psicóloga. Se imaginam que eu fiquei bem com isso, estão enganados.

Minha psicóloga é muito agradável até hoje, mas na primeira consulta eu estava estremamente nervosa.

– Olá. — Ela sorriu.

Não respondi. Ele me pediu para fazer alguns desenhos e me fez umas perguntas estranhas. E assim se passou uma hora.

– Você estava desconfortável, não é? Ficou inquieta o tempo todo — a psicóloga disse.

Apenas assenti.

– Bem, você vai escrever em um pequeno caderno toda a sua semana, o que aconteceu, suas felicidades e tristezas e me trazer na próxima consulta, tudo bem?

Assenti novamente.

Saí do consultório um pouco melhor. Fiz como Liliane, minha psicóloga, pediu. Anotava todo o dia no fim do dia o que havia acontecido de uma forma resumida.

A segunda consulta foi mais legal. Conversamos mais e eu contei muito sobre mim para ela. Ainda não tinha me sentido a vontade antes assim com um adulto.

– Quando você vai apresentar um trabalho em grupo, como se sente?

– Nossa, desesperada.

Ela me explicou que é normal senti um friozinho na barriga quando vamos falar para muitas pessoas, mas ficar pensando nisso o tempo todo era um problema. Contei a ela que quando a professora anunciava que teríamos um seminário no próximo mês, eu já me desesperava e não dormia direito o restante do mês. Então ela inumerou tudo que eu sentia: Tremor, nervosismo sem motivo, suor frio excessivo, náuseas, dor de estômago, fome excessiva ou perda de fome excessiva. Agonia ao ficar perto de pessoas conhecias ou estranhas, medo excessivo de ser ridicularizada, traumas...

Também enumerei para ela o que eu sentia: às vezes eu prendia a respiração quando passava pelas pessoas porque só o cheiro delas já me irritava, contei também que uma vez meu pai pediu para eu ler uma manual para ele e estávamos sozinhos e, mesmo assim, minha voz travou e ele gritou comigo, insistiu pra eu ler; sentia lágrimas queimarem meus olhos e minha voz insistia não sair. Disse a ela também que não gostava de almoçar perto de muita gente, mesmo que fosse familiares.

Percebi que minha psicóloga ficou mais preocupada ainda depois do meu relato, e olha que eu escondi muita coisa dela.

Por fim, ela disse que eu tenho Tas — Transtorno de Ansiedade Social. Ela me exlicou o que era isso e também a minha mãe. Só que quando meu pai soube disse que era tudo "frescurite" então ele fez algo que me deixou... Nem sei dizer como me senti. Ele me levou pra frente de casa apenas de camisola e me mandou bater palma, cantar, fazer qualquer coisa pra chamar atenção. Assim, com um monte de gente me olhando, eu ia parar com a minha fobia social. falando assim parece até um episódio de uma série maluca, mas como eu queria que não tivesse sido realidade... Minha mãe tentou impedi-lo, mas fui ridicularizada assim mesmo. Mas não do modo como ele pretendia. Ele puxou meu cabelo e me levou pro meio da rua e me mandou dançar. Só de pensar nisso minhas mãos tremem. Mas eu não dancei. Comecei a chorar, com soluços horríveis. Meu pai foi até mim e me chamou de idiota. Meu corpo ficou lá paralisado no meio da rua enquanto uma multidão nos rodeava. Minha visão ficou embaçada e, sabe, tive a sensação de que era um sonho. Era estranho, parecia que as vozes estavam sumindo, eu via tudo, mas parecia que estava tudo dentro de um sonho; foi indescritível. Então tirei uma coisa do bolsinho da minha camisola (sim, ele me obrigou a ir de camisola), uma pequena faca. Quando minha mãe viu, fez uma expressão do tipo: "ela vai se matar!". E disse a mim mesma: não sou idiota.

Mas no fundo eu me tornei idiota. Na verdade eu queria avançar em cima de meu pai que estava acabando comigo, mas aí eu cortei meu pulso esquerdo. Foi uma dor horrível e eu agonizei no chão antes de desmaiar.

Quando estava sentindo dor fiquei imaginando o que levou meu pai a fazer aquilo.

Notas finais
Espero cometários.