Além da psicologia

22 Sim, eu tenho TDAH


Notas iniciais
olá, terrestres! Caramba, faz tempo que eu não posto! Primeiro porque o site entrou em manutenção e segundo porque meu TDAH decidiu que eu estava em uma ótima semana e queria estragá-la (aceitem essa realidade). Maaaaaaas, na medida do possível estou lidando com isso. Ah, e para os que estão acompanhando minha história paralela da notas iniciais sobre eu e o Fofis, ótimas notícias! Gente, peraí, desde sábado ainda não me recuperei do choque. Minha colega frequenta a mesma igreja que a dele aí ela falou com ele a meu mando. Ele disse que eu era uma fofete linda; que eu era muito nervosa, mas ficava fofa quando ficava com raiva. Ah, e só pra completar minha morte, ele disse que no dia que eu entreguei o desenho pra ele, ele teve vontade de morder minha bochecha de tão fofa que eu tava. Pensem numa garota morta de felicidade! Agora metade da turma sabe desse acontecimento e passaram o dia apertando minha bochecha. Será que eu sou tão fofa assim? Vou trocar minha foto de perfil no Nyah! Pra ver a opinião de vocês huahuahuahuahua

Existe algo chamado amor. Tem alguém que está sentindo isso agora. Eu sou o alguém que sente esse algo.

– Karine

– Para Bia, que ama o Fofis

–--

— Você está com alguém no quarto, Karine?

Era mesmo minha mãe no portão de casa. Havia me arrumado e descido correndo. Filipe ainda estava no quarto.

— S-sim, mãe. O Filipe chegou não faz muito tempo.

Respondi e minha mãe sorriu.

— Que bom! Vou fazer um lanche pra vocês.

— Obrigada.

Por fim, acabamos lanchando juntos e assistindo televisão. Eu estava feliz. E isso era assustador. Não gostava muito de ficar feliz, pois a felicidade sempre precede um acontecimento desastroso. Eu achava que felicidade era um mau agouro. Eu não era normal.

---

A primeira meia hora do meu dia foi normal. Acordei, tomei banho e me arrumei. Mas quando fui me sentar à mesa, tive aquela sensação que sempre me deixava chateada. Aquela confusão mental, aquele sentimento de irrealidade que dura milionésimos de segundos, mas é capaz de me deixar atordoada pelos próximos minutos.

Eu teria um dia em que meu TDAH estaria atacado. De novo.

Que droga!

Dei poucas mordidas no pão, pois estava desconfortável. Me mexia demasiadamente na cadeira. Mil pensamentos me encheram a cabeça e me distraí até com o meu copo de leite. Tanto que o derramei na mesa. Uma frustração intensa me atingiu. Meu coração apertou. Teria um dia difícil.

— Bom dia, Karine! — Minha mãe chegou na cozinha e viu meu desastre. — Ah, filha, deixa que eu limpo.

— Mãe. — Tomei o guardanapo de suas mãos. — Você não precisa tomar minhas dores sempre que eu fizer besteiras. Tenho que aprender a lidar com meus problemas.

Minha mãe me observou por uns segundos e depois sorriu.

— Sei que você fará o que é certo — ela disse.

Tomei minha Ritalina (conhecido também como Tarja Preta) e limpei a mesa.

Fui à escola.

Pra provar ainda mais que meu dia estava um c*, desci na parada errada, porque eu estava piscando demais, prendendo a respiração... Quando eu vi o ponto em que devia descer, minha cabeça embaralhou, meu corpo estremeceu, parei de respirar, mexi as mãos, bati os pés e acabei não descendo.

Eu não estava bem.

E como se não bastasse isso, encontrei Gabriel no caminho.

— Eu ia perguntar por que você está balançando a cabeça como uma louca e andando descompassadamente — ele começou. — Mas está bem visível que você amanheceu atacada de problemas psicológicos.

Depois disso o covarde correu como se eu fosse bater nele. E na verdade eu ia, mas minha mente novamente me confundiu. Parecia que eu estava deitada na minha cama e dormindo, mas logo retomei à sanidade e tropecei na calçada.

Merda! Será que não consegueria chegar na escola mesmo?

— Aconteceu alguma coisa? — Filipe perguntou quando cheguei ao portão da escola. — Está levemente atrasada.

Levemente atrasada? De onde ele havia tirado isso?

— Digamos que não acordei muito bem — confessei. — Estou tendo muita confusão mental e sensação de irrealidade.

Filipe me abraçou.

— Qualquer coisa, é só me avisar.

— Eu vou ficar bem. — Sorri.

Eu não estava com um humor muito negativo e a Ritalina estava começando a fazer efeito. Aguentaria esse dia de aula.

Entrei na sala e sentei na frente de Roberto.

— Você não me mandou o e-mail — ele disse.

Caramba, havia esquecido!

— Bom dia pra você também — desconversei.

— Eu enviei. Por que você não?

Filipe se virou para mim nesse momento.

— Algum problema? — ele perguntou.

— Não — neguei.

— E com você, Extrato de Tomate?

Roberto estremeceu e balançou a cabeça. Filipe era mesmo o terror dos outros garotos. O que era estranho, já que ele também era o maior nerd da sala.

Fiquei um pouco mais tranquila quando me senti menos disperça depois do intervalo.

Quando cheguei em casa, abri meu e-mail e vi a mensagem de Roberto. Dizia o seguinte:

"Olá! Desculpe, mas não me senti seguro para mandar meu livro para você (não ainda). Então envio um conto. Peço desculpas se ele ofender você, mas tive inspiração na sua vida. Fui informado de suas limitações psicológicas então escrevi sobre TDAH. É isso 😊"

Abri o arquivo que estava em anexo e li.

Notas finais
Próximo capítulo já está pronto.