Além da Morte
7 Capitulo 7
Notas iniciais
POV. Bella.
Eu não sabia ao certo o que havia acontecido comigo. Não sentia mais aquela dor em meu peito, mas um em minha cabeça surgiu. Eu sentia a necessidade de abrir os olhos para descobrir o que de fato aconteceu. Abri lentamente meus olhos e vi que estava deitada em alguma coisa macia. Olhei ao meu redor e vi apenas paredes brancas e uma janela fechada por onde escorria gotas d’agua pelo lado de fora. Eu estava em um hospital? De novo?
– Você está bem? – Uma voz angelical perguntou alarmante ao meu lado. Olhei em volta até encontrar o dono dessa voz, ou melhor, a dona. Minha cabeça doeu levemente por esse novo movimento, mas assim que encontrei seus olhos esqueci-me de toda dor, só havia ela ali. Somente ela.
– Alice... – minha voz era fraca, mas minha alegria por vê-la ali era demasiadamente grande.
– Meu amor, você me deu um susto. – segurou em minha mão e a apertou. – Não faça mais isso comigo, por favor. – pediu e eu não conseguia tirar meu sorriso do rosto.
– Me perdoe por ser uma humana fraca e doente. – tossi e senti um gosto de ferrugem em minha boca. – Eu estou piorando, não é? – Ela me olhava triste e nada me respondeu. Suspirei e, pela primeira vez, desgrudei nosso olhar para virar meu rosto. Olhei para o meu lado esquerdo e vi vários olhas brancas encharcadas de sangue. – Isso tudo é meu? – olhei para ela novamente. Assentiu sem olhar em meus olhos. – Alice, o que está fazendo aqui? – acaricie seu rosto.
– Não podia sair do seu lado, eu não suportaria. – soluçou.
– Mas isso não lhe incomoda? O cheiro... – Perguntei e foi só ali que percebi seus olhos negros. – Alice, saia daqui, por favor. – implorei e vi Carlisle entrando. – Carlisle, a tire daqui, por favor. Os olhos dela... – Eu estava desesperada e preocupada com a minha amada.
– Ela não quer sair, Bella. – lamentou. – Já tentamos.
– Eu não vou sair do seu lado. – beijou minha mão. Suspirei derrotada e ela sorriu minimamente.
– Como está se sentindo, Bella? – Carlisle começou a me examinar.
– Um pouco tonta, mais que o normal. – ele sorriu. – Meus enjoos voltaram e minha dor de cabeça também. – reclamei.
– E seu peito, alguma dor? – questionou.
– Só de ver Alice, sofrendo ao meu lado, eu me esqueço da dor. – olhei preocupada para ela que ignorou meu olhar.
– Ela tossiu quando acordou e dessa vez não saiu muito sangue. – comentou.
– Ótimo! Isso é um bom sinal. – analisou meus olhos e minha garganta. – Sua inflamação melhorou, sua garganta está doendo? – neguei. – Isso é bom. Pelo visto não vamos precisar leva-la ao hospital. – Então eu ainda estava na mansão...
– Sua casa é cheia de mistérios, Dr. Cullen. – brinquei e ele riu.
– Descanse Bella, avisaremos seu pai que está aqui. – assenti e voltei a olhar para Alice.
– Você precisa caçar. – acariciei seu rosto, bem próximo aos seus olhos.
– Só quando você sair dessa cama. – Insistiu. Minha vampirinha teimosa...
– Vai morrer de sede. – ri. – Vá enquanto eu tiro um cochilo, assim não sentirei tanta a sua falta. – ela sorriu e beijou meus lábios levemente. – Eu ainda não escovei os dentes. — sorriu por cima dos meus lábios.
– Eu volto rápido. Eu prometo. – beijou meus lábios novamente e saiu.
– Você se preocupa mais com Alice do que com sua própria saúde. – Carlisle reparou.
– Eu me preocupo mais com minha vida do que com meu corpo. – Sorriu paternalmente e.
– O amor de vocês é lindo. – Concordei suspirando tristemente.
– Ela merecia alguém melhor, Carlisle, ela merecia alguém pela eternidade. – Senti sua mão acariciando meu rosto e logo em seguida seus lábios em minha testa.
– Não fale isso. A vida é injusta, mas Deus nunca nos deixa na mão, okay? – Sorri tristonha.
– Queria dar um futuro a sua filha, Carlisle. Mesmo que eu não seja rica como vocês, eu queria poder dizer sim ao seu pedido, mesmo com apenas um ano de namoro. Queria poder construir uma família com ela, igual você. – Sorriu. – Queria dar amor e carinho.
– Você tem tempo de fazer muita coisa, não vamos desistir de você, nossa pequena. – Sorri agradecida e logo se retirou para que eu descansasse. Repouso absoluto, era isso que eu tinha que fazer.
Relaxei um pouco na cama e a escuridão me tomou novamente.
[...]
Senti mãos geladas e ásperas acariciando meu cabelo. Abri meus olhos e encarei Emmett sorrindo tristemente para mim.
– O que devo a honra de ter você aqui ao meu lado? – me deu um beijo na testa e se sentou ao na cama.
– Por que nunca nos contou sobre isso? – colocou a mão em meu coração. – Não sabe o susto que nos deu. – Suspirou.
– Não queria pena nos olhos de sua família, principalmente nos seus, Emm. – sorri para ele. – Você era meu irmão de travessura, o irmão que nunca tive. – Fechei os olhos. – E por medo. Medo da rejeição, medo de perder quem eu mais amei em minha vida!
– Se me considerava tanto deveria confiar isso a mim. – lamentou. – E seu medo era insano, nunca deixaríamos você. – afirmou convicto.
– Você está se ouvindo? – perguntei. – Olha o seu tom de voz, olhe no espelho os seus olhos! – exclamei. – Não é esse Emm que eu gostaria ao meu lado. – assentiu concordando. – E eu sei, agora sei. – lamentei.
– Me desculpe. – pediu.
– Só se você voltar a sorrir e tirar sarro da minha cara e não ter pena dela. – rimos. – Eu também devo desculpas.
– Realmente você está mais branca que um vampiro, Bells. – Sorriu de lado.
– Obrigada, é assim que eu gosto. – me abraçou apertado.
– Não desista facilmente, por favor. – pediu. – Você é minha irmãzinha, todos gostam de você, até Rose. – comentou.
– Aquela loira é uma excelente amiga, mas difícil... – Rimos.
– Eu ainda sou. – Comentou entrando no quarto. Sorri para ela.
– Que bons ventos trazem essa loira gostosa. – pisquei para ela que riu. Não era de brincar muito com Rose, eu era travada pelo medo e de fazer eles se apegarem muito a mim. Agora não vejo um por que para isso. Aproximou-se e sentou na cama, ao meu lado.
– Você gosta de brincar e assustar as pessoas, não é? – questionou. – Dá próxima vez eu te mato. – ficou séria e eu ri.
– Também te amo, loira. – rimos e me abraçou. – Não se preocupe, mesmo estando do outro lado eu vou continua gostando de você. – apertou-me mais ainda a ela.
– Pode explicar por que está abraçada a minha namorada, Rosalie? – Alice perguntou meio enciumada. Rose se separou de mim e riu dela.
– Calma, eu gosto de morenos e não morenas. – Emm a abraçou. – Vou sair e deixar vocês a sós. – assentimos e eles se retiraram.
– Você está bem melhor. – comentei sorrindo ao ver seus olhos. – Esse dourado me fascina, sabia? – Ela veio até mim e beijou meus lábios.
– Só meus olhos? – deitou ao meu lado e ri.
– Você por inteira faz isso. – a abracei e a trouxe para meu peito.
– É tão bom poder te abraçar. – sussurrou.
– Sentir seu cheiro é o melhor remédio. – inspirei fundo e apreciei o seu maravilhoso perfume.
– Conversei com Carlisle, ele disse que você está progredindo. – falava animada.
– Eu tenho momentos bons e ruins, meu amor. – beijei sua cabeça. – Infelizmente isso vai passar e eu vou voltar a ter desmaios, tossir sangue e muitas outras coisas. – comentei.
– Vamos te curar, eu sei que ele consegue. – se apertou em mim. – Eu não suporto a ideia de vê-la morta, não mesmo. – soluçou em meu peito.
– Meu amor, esse é o ciclo natural da vida. Nascemos, crescemos e morremos. – expliquei a ela.
– Mas ao meu lado você não precisaria disso. – me agarrou com possessão. – Sou muito egoísta quando se trata de você. – ri dela.
– Nem comente sobre mim então, ok? – riu e levantou seu rosto.
– O que seria de mim sem ter esses olhos castanhos me olhando? Só você consegue fazer-me sentir humana novamente. – confessou.
– Só você me faz sentir viva. – beijei seus lábios e aprofundei o máximo que ela e eu aguentávamos.
– Você me completa. – colocou sua cabeça em meu peito. – Ouvir seu coração batendo é a melhor coisa do mundo. – passou a mão em meu colo e sem querer esbarrou em meu peito.
– Ahn... – Gemi com esse contado. Uma dor diferente nasceu em meu peito. Uma dor sem cabimento. Uma dor que antes era completamente ignorada por mim. O medo da Morte.
– Me desculpa. – pediu tirando rapidamente sua mão. – Durma Bella, você precisa descansar.
Assenti e fechei meus olhos. E ali, com ela em meus braços, eu tive um sonho incrível. Sonhei que passava a eternidade com ela.
[...]
– Filha. – Ouvi a voz de Charlie ao longe. Sentia que Alice ainda estava em meu peito, mas sua respiração estava controlada, lenta, até parecia que dormia. Senti carinhos de suas mãos ásperas em minha cabeça e logo abri meus olhos.
– Pai. – Falei rouca pelo sono.
– Minha princesa. – Sorri triste. – Como está? – perguntou aflito e encarou Alice. – Ela não sai do seu lado desde que desmaiou. – Sorri e apertei ainda mais minha pequena. Alias, ela fingia muito bem. Beijei sua testa e comentei.
– Ela é meu maior motivo de querer viver agora, pai. – Sorriu de lado. – Eu queria tanto... – Me calei e senti seus olhos castanhos em mim.
– Passar anos ao seu lado? – Perguntou triste e logo acariciou sua cabeça, minha Alice sorria minimamente.
– Queria dar uma família, dar meu sobrenome, dar tudo que fosse possível dar. – Respirei fundo para não chorar. – Mas...
– A esperanças ainda, meu amor. Quem sabe uma cirurgia e... – Se calou com meu olhar.
– O senhor sabe que poderíamos ter feito ela a muito tempo. A gora não dá mais. – ele fechou os olhos. – Eu fui tola. Mas eu não a tinha comigo e constantemente via o sofrimento em seus olhos, Para que viver sendo que sou a causa da sua maior dor? – Não falou nada.
– Bella... – Depois de alguns segundos voltou a falar. – Você é meu maior motivo de viver, você é minha fonte de amor. Com você eu pude sentir amor verdadeiro. Um amor paternal que eu não sabia que tinha. – Sorri. – Eu não quero te perder, não! – Apertou minha mão.
– Me desculpa. – lamentei e soltei sua mão da minha. – Eu não queria sua dor apenas alivia-la. – suspiramos juntos. – Sabe que não passo de muitos dias. –senti Alice ficar rígida ao meu lado.
– Prefiro não saber. – beijou minha testa novamente. – Eu tenho que voltar ao serviço, você vai ficar aqui, sob os cuidados do Dr. Cullen. – Assenti e logo o vi sair da sala, mas não sem antes vê-lo enxugar, discretamente, uma lágrima em seus olhos.
– Eu faço todos sofrerem. – lamentei.
– Você faz apenas com que todos amem você. – Alice sussurrou em meu ouvido. – Não vou desisti de você sem lutar, meu amor. Tudo que tiver que fazer iremos tentar. Não posso te perder. – Olhou em meus olhos e acariciou meu rosto.
– Eu te amo. – Dissemos juntas antes de sentir seus lábios se encaixar aos meus.
[...]
Algumas semanas se passaram e algumas coisas aconteceram: Charlie voltou com minhas coisas e oficialmente estou morando na mansão. Eu finalmente fui liberada daquela cama e pude andar novamente, claro, com alguém ao meu lado. E Edward enfim arrumou uma namorada, uma tal de Kate, ela era linda, devo confessar.
– Meu amor, está com dor? – Alice perguntou ao meu lado na cama. E esse era a melhor coisa, eu dormia e acordava com Alice em meus braços.
– Estou. – resolvi brincar.
– Onde? – perguntou preocupada e se sentando na cama.
– Aqui — apontei para meus lábios e ela suspirou aliviada. Abaixou-se e me beijou apaixonadamente.
– Idiota. – bateu em meu braço.
– Te amo mais. – sorri debochada e levantei da cama. Uma dor pequena surgiu em meu peito, mas logo sessou.
– Está bem? – levantou e ficou parada atrás de mim.
– Estou. – respirei fundo e coloquei uma roupa. Tenho certeza que Alice se controlava muito a noite, eu dormia somente de calcinha e sutiã. Às vezes eu a sinto tocando meu corpo e sussurrar coisas que me excitava. – Vamos descer? Estou com fome. – assentiu e descemos de mãos dadas.
– Bom dia. – Alice cumprimentou todos.
– Oi. – Falei simplesmente e sentei-me à mesa atacando um pedaço de bolo.
– Bom dia. – responderam juntos. Cada qual com o seu companheiro.
– Então Alice, como está sendo ver o corpo praticamente nu da Bella e não fazer nada? – Emm implicou e eu sorri maliciosa.
– Emmett! – repreendeu o irmão.
– A deixe em paz, Emm. – pedi calmamente. Hoje eu estava me sentido estranhamente bem, isso não era um bom sinal...
– Qual foi Bellinha, também se controla para não gemer quando ela passa a mão em você? – fechou os olhos e começou a rir. Peguei a primeira coisa que vi e ataque nele. – Hey. – reclamou ao sentir o objeto bater contra ele.
– Fica quieto, ok? – todos riam e Alice se sentou em meu colo.
– Obrigada, amor. – beijou meus lábios.
– Não por isso. – cheirei seu pescoço. – Com licença. – a retirei do meu colo e fui até meu telefone.
– Vai ligar para Charlie? – Perguntou.
– Não, para meu amigo. – me olhou sem entender. Digitei o numero que há meses eu não ligava e sorri ao ouvir sua voz.
– Alo? – perguntou sonolento.
– Jake? – sorri de lado e Alice fechou a cara. A abracei e beijei seus lábios.
– Bells? É você mesma? – perguntou surpreso e eu afirmei. – É bom poder falar com você novamente. – suspirou triste. – Sinto sua falta, minha irmã. – sorri emocionada.
– Também sinto a sua, cachorro. – rimos. – Eu quero te ver.
– Hoje? – perguntou.
– Agora. – Alice negou com a cabeça. – Eu não posso sair da casa dos Cullen, passe aqui só para eu te abraçar. – pedi e ele concordou na hora. – Te espero aqui, tchau. — desliguei.
– Você é louca ou o que? – Alice perguntou. – Sabe que ele é um lobo e... – a calei com um beijo.
– Jake é meu melhor amigo, meu irmão. Estou a quase 4 meses sem vê-lo, deixe-me apenas abraça-lo? – fiz carinho nela e relaxou.
– Ok, mas vou ficar ao seu lado. – assenti.
– Eu prometi a ele que o convidaria para minha formatura, mas parece que não será possível. – Ironizei.
– Podemos fazer a festa aqui em casa, amor. – Alice sugeriu. – O que acha? – Amor, eu nem sei se passarei de hoje... Mordi minha língua para não falar aquilo.
– Não meu amor, não se preocupe com isso, okay? – Emburrou e assentiu. Eu precisava muito conversar com meu irmão. Precisava mesmo...
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