Além da Morte
22 Capitulo 6
Notas iniciais
POV Bella.
– A salvando? – Ironizei. Andei lentamente em sua direção e vi que ficou em posição defensiva.
– Você precisava de mim, me disse isso! – Neguei.
– Você falou que poderia ajudar, mas não pedi que viesse! – Rosnei. Senti todos de minha família atrás de mim, minha esposa me olhava sem entender meu ódio crescente e minha filha ficou assustada quando minhas presas saíram à mostra.
– Bella, está assustando a sua filha! – Bonnie tentou me distrair, mas eu não estava mais no controle de mim. Meu desejo era ter sua cabeça a prêmio.
Antes que fugisse, fui mais rápida que ela e a prendi contra parede pressionando seu pescoço fortemente, a fazendo ficar quase sem ar.
– Como tem a audácia de vim aqui depois de tudo? – Meus olhos ficaram negros e o poder estava tomando conta.
– Você sabe... Sabe o que... Tem que ser... Feito. – Falava com dificuldade, o ar estava lhe faltando. – Vai me matar? – Perguntou roucamente.
– Arrancar sua cabeça, sendo mais específica! – Apertei ainda mais seu pescoço.
– Sabe as consequências... – Fechou os olhos.
Não liguei para suas palavras, sentia minha mão afundando mais e mais em sua garganta. Damon e Stefan correram em minha direção, mas minha força era maior que de qualquer um ali presente.
– Bella, não! A solte! – Mas não maior que o poder que Alice exerce sobre mim. Ouvi sua voz e, automaticamente, atendi a seu apelo. A olhei sem entender, mas vi como estava abraçada a nossa filha e ambas com olhos vermelhos. Lágrimas rolavam pela face de minha pequena e o medo a dominava. – Você a está assustando! – Falou segurando o choro. – Bonnie me deu o maior presente que poderia querer e você quer matá-la? – Me fitou incrédula.
– Te sentenciar a morte é presente? Perdoe-me, mas isso me parece mais uma maldição! – Voltei-me para Bonnie, que agora se recuperava do meu ataque e a fitei no fundo dos olhos.
– Me dar à honra de carregar um pedaço seu e meu dentro de mim! Fazer-me mãe de uma forma ainda mais completa! Nessie é meu maior sonho, mas estar grávida era algo irreal... Veja só! – Sua alegria era tamanha e que não tive como não fitá-la. – Amor, nós já conversamos sobre isso... Por favor, não a machuque... – Pediu carinhosamente.
Me rendi ao seus apelos e andei com cuidado em sua direção, olhando, dessa vez, para minha filha que me fitava assustada.
– Me desculpa. – Pedi diretamente a Nessie. Abaixou a cabeça e soluçou agarrada a mãe. – Não queria te assustar... Filha? – Quando cheguei perto o suficiente para tocá-la, Nessie se jogou em meus braços e apertou-me forte. Sorri aliviada e retribui esse abraço.
– Não machuca a titia Bonnie, por favor. – Assenti. Não disse nada, apenas fiquei abraçando minha pequena. Senti aos poucos minhas presas voltarem ao normal e o controle voltar a mim.
– Bonnie, está bem? – Minha mãe se aproximou da melhor amiga e a ajudou se erguer. Pude perceber que estava preocupada com ela.
– Sim, obrigada. – Agradeceu sorrindo. Os olhos de ambas brilharam quando se encontraram, a saudade era algo que exalava delas. Senti-me meio culpada por afastá-las, mas nada que me fizesse esquecer o que ela fez a minha esposa.
– O que Bonnie quis dizer sobre consequências? – Alice quis saber. Vi que Bonnie a olhou e a culpa começou a dominá-la.
– É... Que consequências? – Perguntei cinicamente. Sentei-me ao lado de minha esposa, com Nessie em meus braços, e a puxei para meu peito, ficando abraçada a minha família.
– Bonnie, o que está acontecendo? – Elena a olhou sem entender.
– Existe uma profecia. – Abaixou a cabeça e se soltou de minha mãe. Sentou-se na cadeira e todos fizeram um circulo em volta a ela.
– Que profecia? – Damon quis saber, já temendo.
– O mal tem que ser derrotado, mas para isso acontecer, duas crianças nasceram. – Fitou minha esposa. – Uma governará os três mundos... – Depois me olhou com dor.
– E a outra? – Edward quis saber.
– A outra morrerá. – Fechei meus olhos com força.
– Quem seriam essas crianças? – Minha esposa perguntou aflita.
– Seus filhos! – A senti ficar rígida, sua respiração travou e sua temperatura diminuiu.
– Amor, respira. – Pedi colocando Nessie no chão e acariciando seu rosto.
– Como calma? Nessie e nosso pequeno... Um dos dois morrerá! – Neguei.
– Não era de Nessie que estava falando... – Me fitou confusa, mas acaricie sua barriga e senti nosso pequeno chutar levemente. – São dois. – Ficou ainda mais em choque.
– Bonnie, me diz que isso é loucura, por favor! – Minha mãe pediu desesperada.
– Infelizmente não. – Suspirou. – Tive essa visão poucos meses atrás, antes de lançar o feitiço em Bella. – Abaixou a cabeça. – Eu tinha que fazer algo, caso contrário todos nós morreríamos nas mãos dos Volturi. – Ergueu a cabeça e me fitou. – Bella... – Se ergueu e andou até mim. Me levantei de imediato e a olhei com fúria. – Você é ainda mais importe que essas crianças. O futuro depende de você, exclusivamente de você. – Fiquei confusa.
– Como? – Indaguei.
– Você precisa treiná-las. – Neguei.
– NÃO VOU ESCOLHER UM FILHO PARA MORRER! – Gritei com ódio, iria avançar, mas Nessie segurou em minhas pernas antes que eu saísse do lugar.
– Mamãe, tia Bonnie não quis machucar ninguém, ela só queria ajudar! – Intercedeu pela tia.
– Filha. – Respirei fundo e me agachei em sua frente.
– Não, mãe! – Chorou. – Eu não quero mais brigas! – Acariciei sua face. – Você e a mamãe só discutem, eu quero minha família de volta! – A abracei. – Agora tenho dois irmãozinhos, eu não vou deixar ninguém machucá-los, eu prometo! – Sorri contra seu pescoço.
– E eu prometo que não vou deixar ninguém encostar em vocês. – Beijei sua testa.
[...]
Bonnie havia entrado novamente em minha vida depois de meses, eu a amava como uma mãe, a tinha como melhor amiga, ela era minha madrinha... Vê-la ali, me encarando de longe e querendo vir conversar comigo, mas temendo minha fúria, era algo que estava me deixando angustiada, não sabendo o que sentir, o que fazer!
– Por que não vai falar com ela? – Minha esposa perguntou ao notar o que tanto olhava.
– Prefiro estar com vocês. – Sorri acariciando sua face e beijando a testa de minha pequena, que dormia profundamente nos braços da mãe.
– Você sabe que não poderá a ignorar a vida inteira. – Beijei seus lábios para que não falasse mais nada, apenas deixasse-me sentir seu gosto. – Sinto sua falta. – Confessou quando nos separei, percebi que tentou aprofundar nosso beijo.
– Não sinto falta de vê-la quase morta por minha causa. – A lembrei o motivo de estarmos sem dormir juntas.
Sim, eu evitava dormir no mesmo quarto que ela já se faziam três semanas. Alice estava sofrendo, eu sentia seu tesão em cada olhar que me dava, mas eu tentava ao máximo me controlar, pensava sempre no que fizera a ela, isso era o que me mantinha firme.
– Bella... – A calei com um dedo negando.
– Não vamos discutir, por favor. – Pedi acariciando sua barriga, e sorrindo ao ouvir os pensamentos de meu pequeno.
– O que ele está falando? – Perguntou sorrindo ao senti-lo se mexer.
Concentrei-me nele e consegui, pela primeira vez, conectar sua mente a minha sem ter que me encostar de fato. Era estranho, mas mágico.
Mamãe... Sua voz estava fraca, isso me preocupou.
Você está bem, pequeno? Perguntei mentalmente.
Não sei, aqui dentro está muito apertado. Eu não consigo respirar direito. Fiquei nervosa com sua resposta.
Seu irmão, consegue senti-lo? Você consegue Vê-lo?
Sim, mas ele ta quietinho, não fala comigo! Parecia triste.
Você não pode sair ainda, é novo, precisa de mais tempo! Falei ansiosa.
Mas mamãe... Ficou mudo.
– Carlisle! – Gritei meu sogro quando o perdi.
– Sim? – Correu em minha direção.
– Eles não estão bem. Estão sem ar! – Alice ficou em choque e logo tentou se levantar. A segurei para não fazer movimentos bruscos, mas não adiantou.
– Eu não posso perdê-los! Não! – Vi o desespero lhe tomar, nada conseguiria pará-la.
– Edward, me ajude! – Pedi a quem estava mais próximo.
Mamãe, preciso de ar! Tá apertado! Voltou a falar em minha mente. Me controlei ao máximo, mas quando minha esposa se ergueu por completo e sangue escorreu por suas pernas, minhas forças foram embora e o desespero me tomou.
– PREPAREM A SALA DE CIRURGIA! – Carlisle gritou. Edward, Emmett e Stefan correram para adiantar e eu peguei minha esposa no colo.
– AHH. – Alice gritou em desespero.
– Carlisle, eles não têm quatro meses! – Me olhou concordando.
– Não sei se Alice aguentará um parto normal ou se todos sobreviveram. Estão prematuros, muito prematuros.
A colocou na maca quando chegamos e logo arrumou tudo para uma cesariana de emergência.
– Amor... – Alice tentava falar em meio aos gritos. Apertei sua mão com força, mostrando que estava com ela. – Se algo me acontecer... –A calei.
– Nada vai te acontecer, você jurou! – A olhei nos olhos.
– Se... – Me olhou firme, com lágrimas nos olhos. – Cuide deles... – Gritou de dor. O agudo que deu provocou o choro de nossa filha que estava na sala, sendo presa por Rosalie e minha mãe. – Diga que os amo... – Sorriu chorando de dor. – Que dei minha vida... – Senti que estava perdendo as forças. O desespero estava me tomando.
Mamãe... Desculpa... Ar!
De um lado minha esposa morrendo por conta dos meus filhos, do outro meus filhos morrendo por conta da minha esposa.
– Você precisa respirar, eles precisam de seu oxigênio enquanto estiverem lá dentro... Alice! – Estava perdendo a consciência.
– Vamos cortá-la. – Carlisle tentou aplicar morfina, mas o grito de Alice provou que não pegou.
Sua dor doía minha alma. Eu sentia meu peito rasgar com seu sofrimento. Seu corpo estava completamente molhado de suor. A cama já estava ensopada pelo seu sangue e o quarto ecoava seus gritos de dor.
– Você não pode me deixar! – Olhou para mim, meio desnorteada e fez uma careta. Mas sorriu quando ouvimos o primeiro grito que não foi o dela. Um havia nascido.
– É um menino, Bella! – Edward sorriu para nós e o enrolou numa manta azul. Andou em nossa direção e me entregou o bebê.
Quando o peguei meu mundo parou. Era como se naquele instante toda a briga para fazer minha esposa abortar se transformassem em culpa. Meu pai estava certo, eu só daria o verdadeiro valor quando os pegasse no colo, sentisse seu calor e seu cheiro.
Vi minha esposa ficar pálida, mas a dor não estava mais a incomodando, ela implorava para ver nosso pequeno. Dei um beijo em sua testa e me agachei o colocando em seu peito, dando a ela a oportunidade de senti-lo.
Um segundo grito, mais forte e mais agudo, preencheu o local. Olhei para o Emmett, que a pegava com cuidado, e sorriu de lado.
– É outro meninão! – Sorri ao recebê-lo. Beijei seu testa com delicadeza e vi que se agitou em meu colo.
Mamãe! Sorri, então era esse o meninão que falava comigo, o meu caçula!
– Você é forte. – Notei ao reparar que, mesmo com apenas 4 meses, eles aparentavam oito.
– Dean! – Alice sussurrou ao pé do ouvido do nosso pequeno em seus braços. Sorri e me abaixei com o outro, para que visse.
– Dean é um lindo nome. – Beijei seus lábios.
– E esse é o Nathan. – Concordei.
– Esse era o que se comunicava conosco. – Sorriu emocionada.
Assim que o coloquei em seu colo, percebi que minha esposa ficou ainda mais pálida. Olhei para Carlisle e notei que estava preocupado.
– O que houve? – Quis saber.
– Ela está sangrando muito. Bella tire os bebes daqui!
– Não vou sair de seu lado. – Olhei para Jasper, que prendia a respiração, e logo peguei Nathan de seus braços. – Leve meus filhos daqui, Jasper. – Implorei. Assentiu e andou em nossa direção.
O coloquei em seus braços, mas quando fui pegar Dean, o mesmo chorou. Um choro tão forte que me surpreendeu.
– AHHH! – Alice gritou no exato momento em que ele começou a chorar. Ele sentia que a mãe estava morrendo. Ele sentia a dor que ela sentia.
– O leve daqui! – Gritei. Saiu rapidamente do quarto e o levou para sala, para ser cuidado por minha mãe.
– Precisamos fechá-la! – Tentava trabalhar, mas vi que o sangue era muito. Minha esposa estava quase morta.
– Precisamos transformá-la, é a única maneira salvar sua vida. – Edward sugeriu já se posicionando.
– Não! – Gritei desesperada. Me olhou sem entender. – Ela precisa do calor, precisa do sangue correndo nas veias para produzir o leite que nossos filhos precisam. – Carlisle concordou.
– Mas se não a transformarmos, morrerá! – Indagou.
– Darei meu sangue. – Rasquei meu pulso com força, não sentindo dor, apenas vendo o sofrimento de minha amada.
Derramei o máximo que cosegui em seus lábios, não deixando uma única gota escorrer por sua face.
– Não está funcionando! – Edward se desesperou quando ouviu o coração da minha esposa desacelerar.
Vi meu ferimento se regenerar e olhei para sua face. Sorri.
– Sim, está funcionando! – Olhei atentamente as feridas que ela continha pelo corpo se cicatrizar lentamente.
– Ela está certa! – Carlisle sorriu aliviado. Me olhou com alegria e logo em seguida voltou a fechar o corte da barriga de minha esposa.
– Seu veneno a deixará humana? – Edward não entendeu.
– Não, mas poderá sobreviver comendo comida humana ou bebendo sangue. Sou uma híbrida, esqueceu? – Assentiu. – O sistema que ela produziu enquanto grávida será mantido. Ela terá uma parte humana igualmente a minha. – Sorriu.
– E quanto tempo demorará? – Quis saber. Acariciei o rosto de minha esposa e peguei um pano molhado. Limpei seu rosto e braços, tirando o sangue que havia ali.
– Não sei. Talvez horas, mas podendo chegar a dias. – Suspirei. – Três dias foi o tempo que demorei para voltar da morte.
– E o que acontece depois? – Carlisle quis saber.
– Sangue, daremos sangue para virar imortal. – Beijei seus lábios levemente. – Eu não vou te perder... Não vou!
– Bella. – Elena entrou no quarto e suspirou de alivio ao ver que o coração de minha esposa ainda batia, lentamente, mas batia. – Têm duas pessoas nervosas querendo você. – Sorri e retribuiu meu sorriso. – Eles são lindos.
– Já estou indo. – Entrou no quarto e pegou o pano de minhas mãos.
– Eu cuido dela. Vá cuidar de seus filhos. – Assenti. Olhei mais uma vez para minha esposa e sai lentamente do quarto.
Meu coração estava mais leve, minha alma mais livre e meu ar circulava livremente em meus pulmões. Só de saber que tudo estava quase no seu devido lugar me dava um alivio enorme.
Entrei na sala e vi Kathy e Rose com um bebê cada. Nessie olhava os dois irmãos apaixonada e meus pais babavam nos netos. Um choro foi ouvido e logo o outro seguiu o exemplo do irmão. Rose e Kathy ficaram sem saber o que fazer. Nessie também estava desesperada.
Mamãe! Sorri ao ouvir a voz de meu pequeno Nathan. Andei lentamente em direção a eles e os tomei de minha mãe e cunhada. Assim que se aconchegaram em meu colo o choro cessou. Ambos abriram os olhinhos para me fitarem.
Dean, meu do meio, era tão branco quanto à mãe. Puxara os olhos verdes e cabelo castanho de mim, mas Nathan era a cópia masculina de Alice. Olhos azuis e cabelos negros. Beijei a testa dos dois e senti seus perfumes. Distintos, mas ao mesmo tempo iguais.
– Tudo dará certo. – Sussurrei. – Nada machucará vocês... Nada. – Assegurei.
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