Além da Eternidade - 1° temporada
77 Cinco anos se passaram..
Notas iniciais
Cinco anos se passaram.
Mais um tempo se passou, ao todo eram seis anos desde que tudo havia mudado. Roberta finalmente havia se formado em administração e logo que sua faculdade acabou, ela foi para o exterior procurar novidades que pudessem dar um ar diferente em sua carreira de DJ. Lá ela encontrou com seu amigo DJ (Leonardo) e fez mais um bom número de amigos. Aquela velha ideia de abrirem um negócio em conjunto no Brasil, voltou com força total. Como Roberta havia se formado em administração e o DJ já tinha experiência nesse ramo, eles resolveram arriscar em algo concreto. Durante alguns meses eles conversaram muito e analisaram algumas ideias e propostas até que finalmente decidiram por tudo em pratica. Durante esses anos, Roberta havia feito alguns estágios em sua nova área e acabou se fixando em uma empresa bastante famosa, onde fez uma carreira curta porem brilhante. Sendo assim, ela conseguiu juntar uma boa quantia no banco, sem contar com o que ela tirava tocando em festas particulares e em boates.
Depois de muita conversa, Roberta e o DJ voltaram ao Brasil para dar início a nova fase em suas vidas. Durante algumas semanas eles olharam algumas boates que haviam sido fechadas e que estavam a venda, até que depois de muito analisarem e conversarem, eles acharam o lugar perfeito. Era em São Paulo mesmo, próximo da praia e de onde Roberta morava. Durante umas três semanas o local ficou em reforma, eles deixaram o ambiente com a cara deles, e enquanto a reforma acontecia, eles iam tratando de outros assuntos relacionados à nova boate.
Na sexta-feira Roberta conseguiu ter um tempo livre e resolveu ir até o prédio onde morava Christian, May e Angel. Com o passar do tempo eles foram perdendo contato aos poucos. No começo eles falavam por telefone e internet todos os dias, depois foi sendo algumas vezes por semana, depois algumas vezes por mês, até que perderam contato de vez. Obviamente não porque eles quisessem, mas a correria do dia-a-dia de cada um não fazia os horários baterem e acabou acontecendo.
Durante esses anos, Roberta havia ficado com outras mulheres e com outros homens, alguns poucos relacionamentos deram certo, mas a falta de tempo por causa do trabalho acabou fazendo nenhum dar certo no final. Houve apenas uma garota que teve paciência e soube entender Beta, mas quando soube que ela voltaria ao Brasil, não pensou duas vezes e acabou tudo. Essa garota tinha negócio próprio aonde morava e não teria como vir com Beta, então ambas decidiram terminar.
Roberta estava muito ansiosa para reencontrar o pessoal. Ela não sabia se eles ainda moravam ali e nem o que aconteceu nesses anos todos. Assim que entrou no prédio, ela olhou em volta, não havia mudado muita coisa, apenas alguns quadros novos, a nova cor do carpete e alguns vasos de flores mudados de lugares. Ao começar a subir as escadas, ela levou sua mão até o corrimão e foi dando passos lentos. A cada passo ela lembrava de coisas que haviam acontecido ali há algum tempo atrás. Seu sorriso saía normalmente a cada lembrança boa, ela ria até mesmo das lembranças não tão boas vividas ali. A cada metro vencido, seu coração acelerava mais; ela estava há alguns passos do seu passado.
Ao chegar ao andar, ela andou até a porta do apartamento de Chris e bateu na porta. Não havia ninguém lá, talvez ele estivesse trabalhando, ou quem sabe, nem morasse mais ali. Minutos depois e ela estava em frente a porta do apartamento das meninas, seu coração acelerou mais ainda, ela começou a sentir seu corpo tremendo e suas mãos geladas. Sem perder mais tempo e nem dar-se chance de desistir e ir embora, ela bateu na porta. Segundos depois e ela ouviu um barulho, em seguida viu a maçaneta da porta se mexer, não demorou muito e alguém apareceu.
xXx: Eu não acredito no que eu to vendo! – A pessoa a olhou dos pés à cabeça. Roberta sorriu um pouco sem jeito.
Roberta: Ainda lembra de mim?
xXx: Apesar de você ter mudado, ter virado esse mulherão, jamais esqueceria esse sorriso bobo. – Ambas riram e se abraçaram.
Roberta: Que saudade, May!
Mayane: Saudade é pouco! – Se afastaram. – Deixa eu te ver mais um pouco. – Novamente May a olhou dos pés à cabeça. – Como você está mudada!
Realmente, Roberta havia ganhado mais corpo e bastante maturidade. Quem não a conhecia tinha ela como uma mulher séria, reservada e bastante profissional. Mas pra quem a conhecia, era a mesma pirralha brincalhona de antes.
Não demorou muito e May a convidou para entrar. Assim que Roberta se sentou, May chamou Angel e minutos depois chegaram Chris e Diego. Todos estavam felizes por revê-la e ela mais ainda. Durante algumas poucas horas eles conversaram, cada um contou sobre sua vida durante esses seis anos e ficaram abismados em como Beta havia dado a volta por cima e refeito sua vida. Em um momento Chris perguntou se ela havia casado e ela disse que ainda tinha alergia de casamento, soou como brincadeira, mas todos entenderam que ela estava sozinha. Mais uns minutos e ela disse que precisava ir embora, ficando de voltar um outro dia. Antes disso, eles trocaram telefone.
Enquanto ela entrava em seu carro, Thay desembarcava do seu. No começo ela achou aquela mulher parecida com Roberta, mas logo pensou ser impossível. Thay pegou sua bolsa e entrou no prédio para visitar seus amigos, como fazia há seis anos. Enquanto ela andava em direção ao elevador, ela sentiu o perfume de Roberta, mas mais uma vez achou loucura aquele pensamento bobo. Ao chegar ao apartamento das meninas, encontrou o pessoal todo reunido. Uns faziam o jantar enquanto outros conversavam sentados no sofá.
Thayane: Boa noite, gente. – Todos a olharam sérios e logo a cumprimentaram. — Acreditariam se eu dissesse que vi uma mulher tão parecida com a Roberta? – Sorriu.
Angel: Vocês não se encontraram lá embaixo?
Thayane: Quem?
Christian: Você e a Roberta! – Assim que ouviu esse nome, o coração de Thay acelerou.
Thayane: Como assim?
Mayane: A Beta ta aqui na cidade.
Diego: Ela chegou há alguns dias e veio nos visitar hoje.
Thayane: Então foi ela que eu vi.
Não demorou muito e Thay puxou Angel para um canto e perguntou tudo o que Roberta havia falado. Angel contou toda a conversa e logo elas foram jantar.
Roberta não havia falado sobre seu novo negócio, seria surpresa, então o pessoal achava que ela estava a passeio ali. Thay ficou um pouco decepcionada ao perceber que Beta não havia perguntado sobre ela, mas não comentou nada. Para Thay, Roberta havia refeito sua vida e virado a página, sendo assim, ela não significava mais nada para Beta.
O pessoal disse o dia que Beta voltaria, mas Thay não apareceu por lá nesse dia. Ela não sabia como reagir ao ver Roberta e preferiu não arriscar. Na visita de Beta, ela marcou com o pessoal de irem a uma nova boate que estava abrindo ali perto. Em nenhum momento ela disse que era a dona dessa nova casa, queria deixar para dizer no dia apenas. Por vezes sua língua coçou para perguntar sobre Thay, mas ela preferiu não tocar no assunto. Não por enquanto.
Seu amigo DJ também tinha uns amigos por ali e resolveu ir visitá-los. Alguns não moravam mais ali e poucos continuavam naquele bairro. Enquanto almoçava em um restaurante, um homem chegou em sua mesa.
xXx: Leonardo? – Ele olhou para o homem de terno e gravata.
DJ: Vitor?
Vitor: Eu mesmo. Quanto tempo meu bom! – Eles apertaram as mãos e deram um abraço, seguido daquele velho tapa nas costas.
DJ: Que bom te ver, cara. O que faz por aqui?
Vitor: Meu escritório é nesse prédio em frente, me mudei pra cá porque estamos construindo uns condomínios novos pra esses lados. Mas e você? Decidiu voltar ao Brasil?
DJ: Decidi, cara. To abrindo uma boate nova aqui no bairro.
Vitor: Ta brincando? Que bom! Quando será a inauguração?
DJ: Daqui uma semana, mais ou menos. É uma boate em parceria com uma velha amiga. Ainda estamos dando os toques finais.
Vitor: Se você quiser divulgação da boate eu posso te indicar uma excelente profissional.
DJ: Quem?
Vitor: Minha noiva! – Eles sorriam.
DJ: O cara já pensa em família! Já tem filhos?
Vitor: Não, ainda não. Mas logo teremos.
DJ: Quero conhecer ela!
Vitor: Com certeza!
DJ: Ela trabalha com publicidade mesmo?
Vitor: Trabalha. Uma das melhores aqui da região.
DJ: Faz assim, manda ela passar nesse endereço amanhã de manhã. – Entregou o cartão da boate. – E diz pra ela falar com essa minha amiga que também é dona e se ela aprovar, por mim já ta mais do que aprovado!
Vitor: Valeu cara! Deixa eu ir lá que meu horário de almoço ta acabando. Foi bom te rever.
DJ: Digo o mesmo. Quero você e sua noiva na inauguração da minha boate, hein!
Vitor: Vou estar lá certo! Se cuida cara! – Retirou-se. Assim que chegou em casa, DJ ligou para Roberta avisando dessa visita.
Em uma das visitas de Beta ao apartamento de seus amigos, Thay a viu entrando no prédio, por alguns segundos brigou com sua vontade de entrar também, mas o medo e o nervosismo falaram mais alto. Sendo assim, ela ficou em um barzinho que havia ali em frente, apenas observando enquanto Beta entrava e saía, e antes de ir embora, Thay deixou uma rosa em seu carro junto com um bilhete.
Bilhete: ‘Busque no fundo de sua alma e você saberá quem eu sou. ’
Ao entrar em seu carro, Beta viu aquela rosa e a pegou. Ela olhou em volta, mas não havia ninguém, logo começou a ler o tal bilhete. A primeira pessoa que veio a sua cabeça foi Thay e nesse momento, seu coração disparou, mas aquela letra não era a dela e sua decepção veio à tona. Sem querer perder mais tempo com aquilo, ela largou a flor e o pedaço de papel em cima do banco ao lado e deu a partida em seu carro.
Ao chegar ao seu novo apartamento, ela largou a flor e o bilhete na cômoda ao lado da cama e foi tomar um banho. Assim que saiu do banho, ela foi para a cozinha preparar algo para comer e sem muita demora, jantou e se jogou na cama para assistir um pouco de televisão. Passava um filme meia boca e como não havia nada de mais interessante para se fazer, ela o assistiu assim mesmo. Ao dar propaganda, ela se espreguiçou e a olhar para o lado viu aquela flor junto daquele bilhete. Mais uma vez ela o leu e novamente pensou que poderia ser Thay, mas logo decidiu que aquilo era loucura e balançou sua cabeça em sinal negativo, desaprovando seu pensamento.
Assim que o filme começou, ela largou o bilhete e voltou sua atenção a televisão, depois de mais duas partes e ela desligou a televisão, virando-se para o lado e pegando no sono minutos depois.
Na manhã seguinte ela acordou as sete, tomou seu banho e tomou um belo café da manhã, sua fome era grande, ela mesma estranhou. Em seguida, ela escovou seus dentes, olhou mais uma vez seu visual e ao olhar para o relógio viu que, mais uma vez, estava atrasada, sendo assim, pegou sua bolsa às pressas e foi para o seu trabalho. Pra ajudar, o trânsito estava horrível.
Na casa de Thay.
Thay e Vitor, como de costume, acordaram cedo e sentaram-se para tomar café juntos.
Vitor: Vai ir à boate hoje, meu amor?
Thayane: Vou assim que tomar o café.
Vitor: Acha que vai gostar desse tipo de divulgação?
Thayane: Creio que sim. Boate é algo fácil de divulgar com sucesso, as pessoas procuram coisas novas todos os dias, acho que terei um bom resultado.
Vitor: Eu não tenho dúvidas! – Thay sorriu.
Thayane: Obrigada. Agora eu vou indo porque não quero me atrasar. – Ela levantou-se e aproximou-se de Vitor, dando-lhe um selinho rápido em seus lábios. – Bom trabalho.
Vitor: Obrigado. Boa sorte! – Ela retirou-se.
Alguns minutos e Thay já estava em frente a nova boate. Ela olhou em volta e gostou do que viu. Em passos lentos e ela entrou na casa, procurando encontrar alguém. Não demorou muito e ela ouviu uma voz.
xXx: Bom dia! Posso ajudar? – Ela virou-se para a pessoa.
Thayane: Bom dia. Meu nome é Thayne, eu tenho hora marcada com uma das donas da boate.
xXx: Ah sim. Meu nome é Vanessa, eu vou trabalhar aqui no bar. Você deve ser quem vai divulgar a boate, não é? – Thay sorriu.
Thayane: É, se a dona gostar da minha proposta serei eu sim. – Vanessa sorriu.
Vanessa: Venha comigo, vou te levar ao escritório. – Thay a seguiu. Elas subiram uma escada e logo estavam na sala. – Pode aguardar aqui, ela ainda não chegou, mas já deve estar chegando. Sinta-se a vontade.
Thayane: Obrigada. – Sentou-se.
Vanessa: Qualquer coisa estou lá embaixo. Boa sorte.
Thayane: Obrigada! – Vanessa retirou-se.
Thay olhou em volta e novamente gostou do que viu, logo lembrou que ainda não sabia o nome da tal dona.
Thayane: Droga! Que cabeça a minha!
Enquanto a dona não chegava, Thay aproveitou para rever sua proposta e ver o que poderia acrescentar que fosse a seu favor.
No andar debaixo da boate.
Roberta: Bom dia pessoal! – Dava passos grandes por já estar bastante atrasada. Os funcionários que estavam ali a cumprimentaram.
Vanessa: Bom dia dona Roberta. A moça que veio falar com você já chegou.
Roberta: É? E onde ela está?
Vanessa: Esta no escritório a sua espera.
Roberta: Ótimo. Faz tempo que ela chegou?
Vanessa: Faz alguns minutos já.
Roberta: Vou lá falar com ela então.
Vanessa: Quer alguma coisa?
Roberta: Sim. Leve um café pra nós, por favor.
Vanessa: Pode deixar. – Beta subiu as escadas.
Assim que Beta entrou na sala, viu a tal moça de costas e logo desviou seu olhar.
Roberta: Bom dia! Desculpe a demora, mas o trânsito esta horrível hoje! – Ela largou sua bolsa em cima da mesa e ainda sem olhar para a mulher que ali estava, ela se sentou.
Ao ouvir aquele ‘bom dia’, Thay reconheceu na hora aquela voz e seu coração disparou. Não! Não podia ser ela! Seria impossível ser ela ou seria destino? Sua dúvida acabou ao sentir o perfume de Beta. O olhar das duas se cruzaram, imediatamente Beta desfez o sorriso que havia em seus lábios. Por um momento o tempo parou para elas, elas não sentiam nada, nem seus corações baterem. Ambas olharam uma a outra dos pés a cabeça, elas estavam mudadas, mas mais lindas do que nunca.
Toda a história delas passava por suas cabeças, tudo veio à tona, TUDO! Inclusive aquele sentimento adormecido pelo tempo. Suas mãos gelaram, faltou a respiração para ambas e o nervosismo tomou conta da sala.
Roberta: Thay? – Falou ela quase sem voz.
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