Notas iniciais
Vamos agora nos lembrar da primeira prisão, a casa do julgamento! Como será um julgamento no mundo infernal de Hades? Coisa boa é q naum pode ser. Afinal de contas, acho q o juiz daí naum é nenhum São Pedro ou Arcanjo Auriel da vida, né?

A Justiça do Submundo:


Escadas e mais escadas... Parecia que aquela ladeira não teria fim. A Primeira Prisão finalmente chega a seu campo de visão, uma mansão grega clássica, com inscrições no alto: \"A Mansão do Julgamento\".

- O que será que se julga num lugar desses? – pergunta Seiya.

- Ssshhhh...

Olham para o lado, detrás do pilar surge um Espectro, baixo, com uma foice na mão, inseguro e emburrado, mandando-os se calarem.

- Não façam nenhum barulho. O silêncio aqui é lei, então, é melhor não darem nem mais um pio se não quiserem se encrencar com o senhor Lune.

- HÃ...?

- O que está fazendo, já não disse pra ficar quieto?

- QUE?

- Cale-se...

- Aaa... Aaa... ATCHOOOOU!

- Seiya...?

- Arg... Acho que me resfriei com todo aquele banho de rio.

Seiya provoca o espectro ao último, até que ele perde completamente a paciência, e sua feição insegura se torna bravia, enquanto entra no salão principal, aos berros.

- JÁ CHEGA! ESTE LUGAR É UM JURI, VOCÊ NÃO PODE FICAR GRITANDO COMO BEM ENTENDE, ENTÃO...

- Markino...

- Aaaaahhh... Vossa excelência... Eu...

- Você por acaso não sabe que aqui deve reinar o silêncio? Não vou tolerar esse tipo de comportamento.

- S... Sim, senhor, me perdoe, eu prometo que não se repetirá e...

- Retire-se. E saiba que, da próxima vez, será punido com a morte.

- S... Sim, excelência...

Ele se retira, com olhar amedrontado, enquanto os dois Cavaleiros estão ainda surpresos com o modo calmo e indiferente do homem que acabara de entrar, sob uma toga escura de tecido nobre, com um enorme livro nos braços. Era alto, com os cabelos longos e lisos, prateados, e olhos lilases.

Abriu o livro sobre a mesa, se apresentando como o Espectro comandante da Primeira Prisão, Lune, da estrela terrestre Sábia, encarregado de julgar os pecados dos mortos que ali chegavam para, de acordo com eles, enviá-los à prisão mais apropriada. Estava ali como substituto dos três juízes do Submundo, que tinham nele total confiança.

- E vocês, digam seus nomes, e os pecados que cometeram. E saibam que de nada adiantará mentir por aqui, pois não há como me enganar.

- Eu sou Seiya.

- E eu sou Shun.

Como sempre Seiya torna com a maior das confianças:

- Ei... Não cometemos erro nenhum que deva ser julgado no inferno.

- Não há porque ter medo... Além disso, não adianta mentirem, tenho tudo anotado em meus registros.

Transcorre os dedos pelos nomes de seu infindável livro, mas nenhum parecido se encontra na lista dos mortos. Aquilo parece estranho, sem, porém, abalar o Juiz, que manda que repitam os nomes, recebendo mais uma das alfinetadas do garoto.

- Você não ouviu? Então tire a cera do ouvido e preste atenção.

Ele respira fundo, enquanto Lune o olha com desprezo e Shun torna-se apreensivo diante da atitude um tanto quanto rude do amigo.

- EU SOU UM CAVALEIRO DE ATENA, SEIYA DE PÉGASO! E ESTE AQUI TAMBÉM, E SE CHAMA SHUN DE ANDRÔMEDA! ESTAMOS AQUI PARA AJUDAR ATENA E ACABAR COM AS AMBIÇÕES DE HADES! ENTENDEU?

Shun, poucos passos atrás, tampa os ouvidos com aquela gritaria toda, mas ao terminar, o garoto que parecia o mais impertinente que o Espectro já vira se abaixa sem ar. Os gritos que se ouvem agora não são mais do Cavaleiro.

- EXCELÊNCIA! É UMA EMERGÊNCIA... OS CAVALEIROS DE ATENA INVADIRAM NOSSO TERRITÓRIO, ESTÃO NO MUNDO DOS MORTOS! AAAAAHG!

Um chicote envolve Markino, que entrara às pressas na sala. Parece brilhar num tom roxo, cortando sua Surplice. Ele pede perdão, tenta explicar que achava ser muito importante, implora por sua vida, mas ter erguido novamente a voz naquele local não tinha perdão para Lune. Seu corpo é cortado em pedaços e se desintegra diante dos olhos embasbacados dos dois rapazes ali presentes.

Pergunta novamente os pecados dos dois à sua frente. Mesmo estando vivos, como eram Cavaleiros de Atena e, portanto, inimigos de Hades, seriam julgados pelos pecados cometidos até então, e mandados para uma das prisões. Seiya volta a afirmar que não cometera pecado algum que devesse ser julgado ali, mas a expressão de Lune se torna irônica. Teria ele certeza de sua inocência? Seria ele realmente tão puro a ponto de não possuir pecados? Era o que sua técnica lhe mostraria, a \"Reencarnação\" mostrava à própria vítima todos os pecados cometidos em vida.

Seiya matara insetos, plantas, peixes, tirara sarro das meninas, fê-las chorar... Mas que raio de pecados eram esses que qualquer ser humano, principalmente meninos, cometem? Mas o principal erro cometido por ele, de acordo com Lune, foi a violência, as mortes de inúmeros inimigos em suas batalhas como Cavaleiro. Aquele que peca por derramar o sangue de outros é mandado para a Sexta Prisão, o Lago de Sangue Fervente.

- Lá, você sentirá sua carne queimar e derreter por toda a eternidade, até que restem apenas os ossos. – sentenciava Lune.

Mais uma vez as correntes salvam o garoto da morte certa, atravessando o espaço interdimensional aberto por Lune e trazendo Seiya de volta, preso pela canela. Ele cai desmaiado, e o Juiz encara Shun seriamente.

Mas o olhar do garoto parece nebuloso, o verde de sua íris se torna de uma profundidade nobre e tenebrosa que fazem o espectro tremer.

- Im... Impossível? Esse olhar, essa nobreza... Você é...

A aura se vai, e o garoto volta a ser o Cavaleiro de antes, agora completamente confuso com o comportamento de Lune. Mas em sua mente o juiz afasta os pensamentos: \"Não, ele não estaria aqui, isso é impossível\". Ataca com o chicote, a corrente vai de encontro e ambos se entrelaçam. Shun ainda está inconformado com o que Lune chama de julgamento.

- Me responda, Lune: Como pode julgar as pessoas desse jeito? É certo que todos cometemos erros, mas todo ser vivo é obrigado a matar animais e plantas para sobreviver. Então... Quer dizer que o simples fato de estarmos vivos já nos torna seres malignos?

- Hum... Eu não sei de nada disso, só avalio os pecados e encaminho os mortos. Mas parece que você, assim como Pégaso, também matou inúmeros oponentes em combates...

- Mas... Era pela justiça. Eles iriam destruir a Terra e fazer as outras pessoas sofrerem.

- E você se vê no direito de julga-los como se fosse Deus, e utiliza isso como desculpa para matar? Então você é o pior deles. Sinta na pele o peso de seus pecados!

O \"Chicote de Fogo\" avança contra o Cavaleiro e nem a defesa circular é suficiente para pará-lo. Envolve o garoto, brilhando púrpura como fizera com Markino, e seria mais apertado quanto maiores fossem os pecados do rapaz.

Sua armadura começa a se partir, lágrimas escorrem de seus olhos, e seu corpo perde a resistência, entregando-se à morte com um grande remorso em seu coração. \"Está certo\" – pensava – \"eu nunca quis ferir ninguém realmente, e mesmo assim... Mesmo assim matei muitos adversários, que assim como eu lutavam por algo em que acreditavam. Se eu não precisar mais ferir ninguém... Então eu aceitarei meu castigo\".

Seu corpo se desfaz, pedaços partidos da armadura se espalham pela sala. Ao centro, sobre o chão molhado de sangue, resta apenas a cabeça, ainda com o elmo. Lune a fita pensativo: \"Apesar de tudo, seus corações eram puros. Mas eram inimigos de sua majestade, não havia outro meio\".

Uma poderosa e assustadora energia emana da cabeça à sua frente, um cosmo maior que de qualquer humano, e nobre como nunca visto. Um rosto monstruoso se mostra em energia detrás do Cavaleiro, e uma voz bravia ecoa pela sala, deixando o juiz apavorado como parecia impossível de ocorrer.

- LUNE! O que você fez? Você destruiu meu corpo!

- O que? Majestade... É mesmo o senhor?

- Eu o quero de volta! Traga meu corpo de volta, AGORA!

Toda sua pose se desfaz num segundo. Os olhos arregalados, a expressão do mais puro descontrole, corre para fora da mansão com a cabeça em suas mãos, rasgando desesperadamente a luxuosa toga e expondo sua Surplice, censurando a si mesmo e deixando escapar suas palavras de insegurança.

- O que eu fiz? O que eu faço agora? Para onde foi? Onde foi parar o corpo? Eu preciso encontra-lo!

Uma mão o segura repentinamente pelo ombro, fazendo-o virar-se.

- O que está acontecendo, Lune? – pergunta-lhe Radamanthys, que acabara de chegar ao Submundo.

- O corpo, eu o fiz em pedaços e tenho que encontra-lo. Veja, a cabeça...

- Do que você está falando?

Ele olha para as próprias mão, mas segurava apenas o próprio capacete.

Notas finais
Pois é... O julgamento ali é coisa feia. Mas no fim das contas o Lune perdeu as estribeiras e surtou de vez XD Tadinho... Será q ele pirou na batatinha de tantos anos de trabalho naquele lugarzinho horroroso e escuro? Ou será q alguém tramou contra ele... xD