Além Do Sistema.
10 9 - O Estranho Lugar
Notas iniciais

Abriu os olhos, não visualizou o que esperava. Não se encontrava num carro, ou numa sala fria e branca de algum terminal de verificação ou mesmo a central; entretanto no lugar disso se viu numa rua. Em cada lado desta havia casas, todas com suas luzes apagadas, deixando apenas que as iluminações fornecidas pelos postes cuidassem da escuridão da noite.
Receosa a loira se levantou, olhou tudo ao seu redor, sem compreender o que estaria acontecendo. A única lembrança que tinha era de um agente Elite adentrar seu apartamento, acompanhado por um agente e Sting... Então ela os seguiu, mas suas lembranças não iam além disso. Para exatamente nesse ponto.
Como ela foi parar nesse lugar? E que lugar era exatamente aquele?
Seguiu para uma das casas, a mais próxima, e parou diante a porta desta; não fazia ideia o que esperar ao bater na porta. Olhou mais uma vez todo aquele lugar. Embora tudo estivesse entregue a um silêncio sepulcral havia uma beleza em tudo. As casas eram de estilo enxaimel, os tijolos vermelhos e as madeiras bem cuidadas, davam ares de um bairro nobre, entretanto nada convencional ao modo de vida que o sistema adotara, qual eliminara aqueles tipos de construção – pois casas ocupavam mais espaços que prédios.
Aquele lugar parecia pouco se importar com isso, existia no seu total esplendor. Voltou-se para porta.
Desejava que nada de ruim viesse acontecer diante de sua atitude, ainda que receosa ela bateu à porta. O sou ecoou pela residência, mostrando que essa poderia estar tão fazia quando a rua no qual ela acordara.
O que tudo aquilo queria dizer?
Havia algo realmente errado em tudo aquilo. Pensou onde poderia estar, a resposta que brotou em sua mente lhe deixou desconfortada. Ela poderia estar naquele exato momento sentada numa cadeira de estofado branco com uma sonda de ligação do não sistema inserida na sua mãe direita; o que certamente explicaria aquele cenária inusitado.
O que, porém, não lhe acalmava. Afinal porque teriam a mandado para aquele lugar? Qual, apesar de conhecer diversos lugares do além do sistema, aquele não parecia em nada dos que conhecera. Estaria numa nova área?
Voltou bater à porta, que novamente ecoou na residência. Espiou na janelinha que havia diante de si, ficando na ponta do pé. Ela não conseguia enxergar nada, além da escuridão do outro lado. Olhou para a casa do outro lado da rua, lá poderia ter alguém, ou mesmo nas casas vizinhas.
Saiu da frente da porta desta e seguiu para a do lado, fez o mesmo, bateu à porta três vezes – ninguém lhe atendeu. Repetiu o processo em mais três portas, até voltar para a rua e mirar num giro de 360 graus, o ambiente isolado e fantasmagórico em que se encontrava. Não havia sinal de qualquer outra pessoa ou algum ser vivo, além dela.
Isso não parecia o além do sistema. Até nos lugares mais remotos havia algum sinal de vida, nesse cenário sombrio não demonstrava tal coisa.
E o piorava tudo aquilo, era nem saber como havia parado naquele lugar e por qual razão estava ali. Olhou para sua mão direita, uma mancha avermelhada na pele lhe alertou para algo. Lembrou-se de mais um fato, o chip.
O objeto que havia desaparecido sem razão alguma na palma de sua mão deixando em seu lugar aquela marca; o que estaria acontecendo com ela poderia ser fruto desse sumiço estranho? O que era até loucura só em pensar em algo assim.
Deixou de lado esse fato e levou sua mão esquerda até a direita e pressionou no local que fica o chip do sistema, tentaria acionar alguém. Precisava tentar alguma coisa.
Assim que apertou o chip sentiu um formigamento que iniciava na sua palma da mão e se estendia pelo braço, tomando em segundos todo o corpo. Visualizou aterrorizada em seguida que a mancha avermelhada tomara o mesmo percurso do formigamento e estava dominando totalmente seu corpo. Desesperada ela começou a passar a mão pelo corpo, o que parecia somente piorar a situação. O formigamento aumentou e se tornou uma dor que parecia perfurar sua pele de fora para dentro; sou um grito quando essa dor atingiu vorazmente sua cabeça.
Sentiu suas pernas fraquejarem e não aguentando o peso de seu corpo e a dor que multiplicava a cada segundo, foi ao chão. Sentiu o impacto como um segundo plano, sem grande importância ou efeito diante a situação em que seu corpo se encontrava.
Fechou os olhos suplicando para que aquilo parasse, mas somente aumentava horrivelmente sem piedade. Por fim, em meio a nevoa que sua mente se encontrava devido a dor, essa revolveu se desligar; Lucy afundou-se num negror abençoado...
Quando voltou a abrir os olhos a dor não existia mais, levou a mão a frente de seus olhos, preocupada, ali não existia mais a mancha, nem mesmo aquela pequena que originara toda a outra. Um sobro morno toque-lhe a pele e então devagar, ela se sentou. Estava ainda na rua, entretanto tudo havia mudado.
As casas não eram mais novas, seus aspectos eram de casas abandonadas, muitas possuíam grade nas janelas e uma ou outra com madeiras pregadas. Haviam ainda aquelas que tinham parte de sua construção destruída. O diferencial mais gritante, entretanto, eram as fracas luzes que bruxuleavam nos vidros das janelas, como pequenas chamas e a falta de energia nos postes, quais, notou logo, haviam inúmeros cabos faltantes e outros caídos.
Levantou-se completamente confusa, muito mais que antes. O cenário grandioso apresentado anteriormente havia desaparecido por completo e substituído por aquele similar a uma velha imagem que vira sobre a guerra antiga.
Estava receosa em realizar as mesmas coisas que anteriormente, mas também com medo de simplesmente ficar ali a espera de algo acontecer ou se resolver. Buscou a casa em melhor condição e mais iluminada para realizar o que tinha em mente.
Assim que visualizou, mas a frente, uma casa em tal condição ela respirou fundo para então seguir naquela direção.
Andou cautelosamente para aquela direção, sentia-se observada, olhava de esgueira as janelas das casas, viu em dois vultos. Certamente agora ela não estava mais sozinha.
Colocou-se diante a porta escolhida e sentiu seu corpo tremer com a terrível possibilidade daqueles que viviam naquelas estranhas casas não serem exatamente amigáveis, recuou tenebrosa. Então ouviu um barulho alto vindo de suas costas, virou-se bruscamente.
Não acreditou em quem viu sair correndo de uma das casas do outro lado da rua, sentiu seu coração palpitar loucamente diante a felicidade que sentia; embora fosse completamente estranho rever aquela que corria em sua direção e aqueles que estavam no batente da casa a olhando atentamente.
Aquilo queria dizer só uma coisa; pensou enquanto Azuka abraçou a sua cintura. Haviam lhe mandado para a Região Afastada.
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