Além Do Bem E Do Mal
17 Capítulo 17 - CAMINHOS TORTOS
Notas iniciais
Vou postar esse capítulo mesmo estando super atrasada com as respostas dos reviews.
Espero que curtam esse capítulo. Resolvi deixá-lo um pouco mais leve que os costumeiros períodos de depressão da Bella nas outras fics minhas. kkkkk
Beijão enorme pra vcs e obrigada pelo carinho de sempre e pela paciência.
CAPÍTULO 17 – CAMINHOS TORTOS
...”E a gente vai por aí,
se completando assim meio torto mesmo.
E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas,
que se não fossem tão tortas,
não teriam se cruzado.”
(Tati Bernardi)
Do exato momento em que seus olhos fitaram os de Edward pela primeira vez naquela manhã no presídio até o giro da maçaneta em seu apartamento de Washington, após deixar Forks para trás, Bella não sabia precisar o tempo que havia passado. Às vezes parecia o mero segundo de um piscar de olhos, mas então os calos em sua alma faziam parecer que uma eternidade tinha transcorrido.
De que adiantava traçar uma linha temporal correta em sua vida se a história vivida estava toda errada?
O melhor era passar uma borracha naquela loucura toda e se convencer que tudo tinha sido apenas um sonho... Ou um pesadelo.
Bella engoliu três comprimidos para dormir e se jogou na cama. Precisava da inconsciência para continuar vivendo tanto quanto precisava de oxigênio.
Queria tirar Edward de seus pensamentos. Na verdade queria esquecer tudo o que tinha experimentado ao lado dele. Todas as lembranças que revivia a machucavam como se um punhal tivesse sendo cravado em seu peito. Os momentos maravilhosos ao lado de Edward e as revelações surreais que envolviam a morte de seus pais tinham agora, igualmente, o poder de tortura-la até a morte. Já não existia mais a diferença de que fora bom e o que fora ruim. Tudo a fazia sofrer.
Bella sabia que suas forças estavam se esgotando. Fechou os olhos sem saber se queria o sono ou a morte.
No quinto dia depois de sua chegada Bella já conseguia sentar-se no sofá e tomar uma xícara de chá e comer algumas torradas. Alimentava-se apenas para que os remédios para dormir não lhe fizessem tanto mal, pois fome era algo que não tinha. Esperava desesperadamente até que o efeito dos comprimidos a levasse para a dormência do sono novamente.
Assim a primeira semana passou... E a segunda também.
Bella acordou com Will sacudindo-a com cara de desesperado.
– Pelo amor de Deus, Bella, você precisa de um médico!
A água fria a despertou de vez. Foi então que percebeu que estava sentada debaixo do chuveiro ligado, ainda vestida em sua ensebada camisola, sob o olhar carrancudo e preocupado de seu amigo que a tinha colocado alí.
– Como entrou aqui? – A pergunta era idiota, pensou Bella. Ele era do FBI e entrava onde queria.
– A síndica me deu sua chave.
– Por quê?
– Ela acha que você é uma terrorista.
– Como?
“Será mesma que estou acordada?”
– Eu só te deixei ficar trancada aqui por duas semanas porque seu lixo me permitia ver que estava viva.
– Will, você fez o quê??? Fuçou no meu lixo??
– Eu me apresentei como agente do FBI, falei que seus dejetos ameaçavam a segurança nacional e levava seu lixo comigo todos os dias. Era a única forma de saber se estava comendo, se suas funções fisiológicas estavam funcionando...
Bella levou as mãos no rosto.
– Eu não acredito que fez isso!! Agora vou ser expulsa do prédio!
– Eu os proibi de incomodar você. Mas também queria o quê? Que eu deixasse você se definhar sem fazer nada? Eu te respeitei por duas semanas. Deixei que gestasse sua dor da forma que quis, mas agora chega, Bella! Vai ou não vai me dizer o que está acontecendo?
– Eu e o Edward rompemos.
– Ah tá, vou acreditar que é só isso. Ah, Bella, pra cima de mim??? Algo muito sério aconteceu para você ficar assim. O que foi?
– Eu quero morrer... – Bella confessou, colocando para fora a única frase que lhe fazia sentido no momento.
– Isso eu sei. Posso te garantir que está bem perto de conseguir. Dê uma olhada no espelho e vai ver do que eu estou falando. Agora me conte algo que eu não sei.
– Você tinha razão... Eu estava louca quando achei que ficar com ele poderia dar certo.
– Bella no início eu imaginei que era apenas uma atração sexual por esse garoto. Não posso negar que ele é boa pinta. Mas eu sei agora que alguma coisa muito estranha aconteceu entre você e Edward Cullen. E eu rasgo meus diplomas e certificados de Agente do FBI se este sofrimento for só por amor.
Bella enterrou o rosto nos joelhos flexionados e começou a chorar.
– Eu só quero esquecer o que passou, meu amigo! Me ajude!! Use alguma das técnicas que você conhece para extirpar essas lembranças da minha cabeça, por favor!
Will se aproximou do box e apertou as mãos de Bella.
– Eu estou aqui para te ajudar, minha querida, mas não posso fazer nada se não me contar o que houve.
– Você não ia querer saber... Fique certo disso...
– Está bem, Bella. Não vou ficar te pressionando. Tome um bom banho, escove os dentes, lave seu cabelo e me encontre na cozinha. Vou preparar algo para você comer. Tem duas opções: ou faça isso sozinha ou eu chamo o King Kong lá embaixo para me ajudar a te lavar. Você é quem sabe.
Bella nem cogitou não obedecer. A imagem do motorista de Will, que honrava plenamente o apelido que tinha, passando sabonete em seu corpo era constrangedora, para não dizer aterrorizante.
– Suma daqui que eu vou tomar banho sozinha, Will.
– Menina inteligente... – O amigo brincou, fazendo cara de vencedor.
Bella ligou o piloto automático e fez tudo o que Will mandou. Quando finalmente viu sua imagem refletida no espelho, se assustou. Se ainda tinha uma aparência tão ruim, imaginou como estava antes.
O cheiro de café que vinha da cozinha despertou nela uma leve lembrança do que era se sentir viva.
Depois de devorar os dois sanduiches que Will tinha preparado, inclusive o que era dele, Bella sentiu que a razão aos poucos reconquistava o lugar de direito em seu cérebro. Tinha plena consciência que não podia continuar naquela apatia.
– Bella, amanhã eu volto para a gente conversar. Aproveite o dia para arrumar seu apartamento e fazer umas compras. Isso aqui está uma sujeira e a geladeira está completamente vazia.
– Obrigada, amigo! Eu estou melhor agora, vou fazer isso mesmo. Perdoe-me meu silêncio, mas ele é necessário.
– Eu não me dei por vencido, sua boba. Apenas estou fazendo uma retirada estratégica. Não vai se livrar de mim tão fácil assim.
– Eu imaginei...
– Hã... Bella, sua vizinha gorda do 507 me contou que a síndica tem um pedaço de papel higiênico seu, usado, guardado em um vidro. Ele está vendendo no eBay como relíquia terrorista.
Will saiu rindo, deixando Bella em choque.
– What???????
Pensando bem, melhor deixar pra lá. Aquele era o menor de seus problemas.
“Se a idiota quer vender minha merda na internet, ela que tenha um bom lucro!”
Em semanas, era a primeira vez que passava tanto tempo lúcida. Podia sentir a dor em seu peito se intensificando, abandonando seus pesadelos e se tornando real.
No fim do dia tudo estava perfeitamente limpo. O serviço tinha sido um sândalo para seu sofrimento. Pouco tempo tinha lhe sobrado para pensar em Edward e nas revelações dos Cullen.
Bella tomou outro banho e saiu para fazer compras. A vida tinha de voltar ao normal, mesmo tendo precisado se tornar um robô sem sentimentos para suportá-la.
Alguns dias depois, convencido que não ia tirar nenhuma informação de Bella, Will desistiu de entender o que tinha acontecido. Sua visita foi apenas para avisar que tinha lhe arrumado um emprego no antigo abrigo em que Bella vivera.
A mãe de Will tinha dirigido aquele abrigo até o último dia de sua vida, quando seu coração bateu pela última vez, vítima da Doença de Chagas.
Fora nesse tempo que a amizade entre ele e Bella nasceu. Enquanto a mãe cuidava com carinho da administração do lugar, eles corriam pelos corredores e jardins, rindo, brincando e fazendo planos para o futuro.
Will, que era seis anos mais velho que Bella, dizia que ia ser policial e que a tiraria dali, levando-a para morar com ele e a esposa linda com quem se casaria.
O casamento e a esposa linda não aconteceram, mas fora ele quem incentivou Bella a entrar no FBI, tornando-se seu chefe e protetor lá dentro.
– Bella, eles estão precisando de uma psicóloga para selecionar os pais que desejam adotar. Tem tudo a ver com suas habilidades.
– tem certeza disso, Will? Eu não consegui nem escolher um homem de verdade para amar. Fui me apaixonar logo por um... – Bella parou abruptamente, quase falando mais do que devia.
– Como assim? Edward era gay? Foi por isso que se separaram? – Ele perguntou incrédulo.
Bella se deu conta da asneira que tinha dito. Queria poder dizer ao amigo que no quesito virilidade, Edward era o homem mais espetacular com quem já tinha transado. Ele mal sabia que ela se referira ao fato de ter se apaixonado por um vampiro... Will surtaria se soubesse os riscos aos quais tinha se exposto, pensou Bella.
– Ele não é gay, isso eu posso afirmar. Apenas não me expressei direito. Quis dizer que não escolhi o homem certo, só isso.
– Deixa pra lá. Já desisti de entender essa história. O dia que confiar em mim plenamente se sentirá à vontade para me deixar ajudá-la.
– Eu te amo como se fosse meu irmão, Will. Sabe disso. Não é questão de confiança. Apenas não quero te envolver nos meus problemas.
Bella se lembrou de já ter ouvido aquelas palavras da boca de Edward. Como desejava que ele não tivesse cedido a seus pedidos de explicações! Teria sido tudo tão mais fácil se ainda desconhecesse a verdadeira história do seu passado.
O trabalho no abrigo fazia os dias correrem rápido, mas as noites se arrastavam numa tortura sem fim.
Foi numa dessas noites, mais precisamente no dia de Halloween, que um leve toque em sua porta a tirou de uma de suas crises de choro. Assim que Bella atendeu, um garotinho vestido de vampiro, com dentadura e capinha, olhou no fundo de seus olhos e disse:
– Doces ou travessuras!!
Bella caiu num choro convulsivo diante do olhar assustado do menino que não sabia o que fazer.
– Tudo bem, não precisa chorar. Não vou fazer travessuras! Toma meus doces! Eu não sou um vampiro de verdade, não precisa ter medo!
Quanto mais ele falava, mais Bella se descontrolava, chorando alucinadamente no batente da porta.
Depois daquele dia as crianças do prédio começaram a correr dela. Quando entrava no elevador eles saíam apavorados.
“Pronto, agora além de terrorista sou também uma louca perigosa.”
Um mês e meio se passou sem que tivesse notícias de Edward. O buraco em seu peito ainda lhe sufocava, mas eram as dores de estômago que mais a incomodava no momento.
Bella sabia que tinha exagerado nos soníferos e agora tinha de aguentar os efeitos colaterais de sua irresponsabilidade. Tinha detonado com seu estômago com tantos remédios.
Era uma sexta-feira e chovia. Bella tirou os sapatos que estavam encharcados para não molhar o piso da sala e quase teve um enfarto quando acendeu a luz e deu de cara com Alice Cullen sentada no sofá, imóvel como só os vampiros conseguiam.
Diante da sua mudez ocasional ela se levantou.
– Desculpe a invasão, Bella, mas precisamos ter uma conversa muito séria.
Bella mexeu várias vezes o maxilar, tentando pronunciar uma palavra que fosse, mas não conseguia.
– Sente-se que sua pressão está caindo. – A ex-cunhada sugeriu.
O melhor era obedecer. Bella sabia que estava à beira de um desmaio.
– O... O que... O que quer conversar comigo? – Conseguiu falar.
– Precisa voltar comigo para Forks. Carlisle quer você sob os cuidados dele o mais rápido possível.
– Hã? Do que está falando? Por quê? Não há mais nada entre mim e Edward. Acabou tudo entre a gente! – Não estava entendendo aonde Alice queria chegar. Nada fazia sentido.
Os Cullen tinham deixado bem claro o que pensavam dos Swan... E não era coisa boa. Por que diabos então ela estava sendo convidada a retornar para a cidade deles?
– Existe algo que ligará vocês... Ou melhor, que nos unirá para sempre, Bella. E ele está crescendo perigosamente dentro da sua barriga...
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