Além Do Bem E Do Mal

13 Capítulo 13 - DILEMA


Notas iniciais
Oi gente!!
Estou adiantando a postagem porque vou viajar amanhã e só volto na quarta.
Talvez atrase um pouco o próximo capítulo, mas não se preocupem, vou tentar não demorar muito.
Obrigada pelos reviews!!
Beijão tamanho do mundo pra vcs!!!

CAPÍTULO 13 – DILEMA

“Se não consegues entender que o céu deve estar dentro de ti,

é inútil buscá-lo acima das nuvens e ao lado das estrelas.

Por mais que tenhas errado e erres,

para ti haverá sempre esperança,

enquanto te envergonhares de teus erros.”

(Charles Chaplin)

Enquanto os beijos de Edward desciam por seu corpo rumo ao seu ventre, Bella ia se sentindo redimida. O prazer que ele lhe dava era a absolvição que tanto almejava. Ao sentir o membro dele lentamente invadir seu sexo, Bella se livrou enfim de toda a culpa que a oprimia.

Seu coração batia acelerado, como se alimentasse dois corpos. Bella podia sentir seu sangue invadindo as veias áridas de Edward, tornando-o mais humano, afastando-o de seu lado monstro e pecaminoso. Enquanto faziam amor ele era apenas um garoto tímido, se aventurando nas peripécias do sexo.

Bella queria que aquele momento durasse para sempre. Não suportava a realidade que os espreitava fora dali. A realidade que a obrigava a ser racional e fazer escolhas.

Na campina deles não havia morte, nem dor, nem pecado...

- Amor, por mim eu continuava te amando pro horas seguidas, – Edward sussurrou no ouvido de Bella, poucos segundos depois de terem mais um orgasmo juntos – mas acho que devemos dar um tempo, você está exausta.

- Não quero parar. – Ela reclamou entre gemidos, desconsiderando o cansaço que já quase paralisava seus músculos.

- Já está escurecendo, Bella, e a temperatura baixou mais ainda. Você vai acabar pegando uma pneumonia, ficando nua nesse frio por muito tempo.

- Estou com calor.

Edward riu.

- Depois de se mexer desta forma deliciosa, isso não me surpreende.

- Se quiser eu faço de novo. – Bella falou bem baixinho. Ela bem que tentou manter firmeza na voz, mas quase não conseguia mais falar.

- A gente continua lá no apartamento. Agora se vista, Bella, antes que eu cometa a loucura de começar tudo de novo.

- Promete?

- Essa é uma promessa muito fácil de cumprir. É claro que prometo.

- Para quem era inexperiente até hoje de manhã, você está me saindo um amante perfeito.

- Mas eu ainda tenho muito que aprender. Espero que não tenha se cansado de ser minha professora.

- Claro que não! Tem uma lição que ainda não te passei. – Bella brincou. — Eu ainda preciso retribuir seu presente de hoje cedo. Também sei usar minha boca muito bem. – Falou com a voz carregada de desejo e malícia.

Edward disparou um olhar desconfiado para Bella e depois foi deixando um sorriso safado se apoderar de sua face.

- Está falando sério?

Bella mordeu os lábios e balançou a cabeça vagarosamente, confirmando as suspeitas de Edward.

- Você realmente sabe deixar um homem louco, doutora. Não estudou para fazer o contrário?

- A psicologia não é minha maior habilidade...

- Percebi isso da melhor maneira possível. Vamos embora logo ou eu vou acabar explodindo.

Bella olhou para o pênis dele e compreendeu sobre o que ele estava falando. Nunca em sua vida tinha visto um membro tão duro quanto estava o dele.

- Acho melhor irmos embora mesmo. Deu até medo. – Ela falou rindo, levantando-se em seguida.

Edward se vestiu em segundos, deixando Bella ver apenas um vulto de seus movimentos. Depois ficou observando-a colocar suas roupas, devorando-a com os olhos.

- Pronto, podemos ir! – Bella falou meio encabulada, consciente do olhar tarado de seu namorado.

Assim que se aproximaram da cidade o celular de Edward tocou.

Bella bem que tentou ouvir o que ele falava, mas as palavras eram pronunciadas tão rapidamente que ela não conseguia entender nada, mas o semblante de contrariedade dele estava visível.

Quando Edward desligou, Bella quis saber o motivo de sua cara de bravo.

- Algum problema, amor?

- Não vou poder ficar com você no apartamento. Tenho de ir lá em casa resolver mais um problema.

- Posso saber qual?

- Não se preocupe com isso, Bella. Assim que der, volto para ficar com você.

- Nem sei por que insisto em perguntar... Você nunca responde mesmo! – Bella falou, frustrada.

- Não tem por que se chatear com as neuroses da minha família, Bella. Estou apenas de poupando de contrariedades desnecessárias.

- Edward, não é só com sexo que se mantém um relacionamento. Um casal precisa de cumplicidade e de confiança mútua. Eu até entendo que você desconheça isso, visto que eu sou sua primeira namorada, mas já deu pra ver que você aprende rápido, então ache uma mente qualquer para te ensinar isso antes que seja tarde demais...

Bella sabia que estava sendo grosseira, mas sua paciência com os mistérios de Edward tinha se esgotado.

- Não se esqueça que quem forçou o sexo foi você, Bella. Não vou negar que está sendo maravilhoso, mas também não acho que mereço ser acusado de estar nessa relação apenas para minha satisfação física. O amor que eu sinto por você é maior que tudo isso. Se não te envolvo nos meus problemas é apenas para te proteger. Não vejo mal algum nisso.

Meu Deus, olha só o que eu fiz!”

- Desculpe-me, Edward! – Bella se sentiu péssima por tê-lo magoado. – Estou de TPM. Eu deveria me isolar nesses dias. Não é nada com você... Eu é que estou num mau humor dos infernos.

Edward apenas riu. Depois tocou carinhosamente no rosto de Bella, aceitando suas desculpas.

- Eu só conhecia um lado ruim desse período. Esse outro é novidade para mim. Mas tudo bem, você fica engraçadinha assim. E nós vampiros que pensávamos que não tínhamos medo de nada... – Ele brincou.

Bella fez uma careta pra ele, provocando uma gargalhada de Edward.

- Qual é o outro lado ruim?

- Pensei que fosse óbvio. – Edward deu uma risadinha sem graça.

- Hum!... Não tinha pensado nisso. – Bella se lembrou que mulheres sangravam.

O assunto terminou por aí. Era um pouco constrangedor para se prolongar.

Edward a levou até a porta do apartamento e se despediram com um beijo ardente.

- É melhor eu ir logo... – Ele sussurrou.

- Volta logo. Tenho de cumprir minha promessa. — Bella provocou, colocando a ponta do dedo dele em sua boca, chupando-a sensualmente.

Edward soltou um gemido gutural e a puxou para mais perto de si, beijando-a com sofreguidão.

- Não brinque assim comigo, Bella... Não pode se esquecer o que eu sou.

- Você é o homem da minha vida, Edward Cullen. Isso é tudo o que eu preciso me lembrar.

Bella já estava entrando no banho quando seu celular tocou. Era Preston.

Indecisa se atendia ou não, acabou decidindo não adiar aquela conversa. Era melhor não desafiar seu ex-chefe, fazendo-o procurá-la pessoalmente.

- Oi, Preston.

- Oi, Bella.

- Algum problema?

- Estou ligando para te pedir desculpas. Você estava certa, o garoto realmente não estava envolvido no assassinato. O advogado dele apresentou documentos comprovando que ele tinha ido lá por motivos profissionais. O pai dele, Carlisle Cullen, tinha negócios com o Sr. Gordon.

- Nã... Não precisava. – Foi tudo o que Bella conseguiu dizer, surpresa com a habilidade dos Cullen.

- Já prendemos o verdadeiro suspeito. É só uma questão de tempo até que ele confesse e nos dê a localização dos corpos. Você sabe que temos um “jeitinho” bem legal de fazermos ele abrir a boca logo.

- O quê?? – Bella percebeu que algo estava errado.

- Isso mesmo que ouviu, o caso está praticamente solucionado. – Preston repetiu, animado.

- Quem vocês prenderam? Como chegaram nessa pessoa? Como sabem que ele é o assassino? – Se os vampiros assassinos tinham sido mortos pelos Cullen, seja quem fosse que Preston tinha prendido, era inocente.

- Calma, Bella! Sei que está feliz por termos resolvido o caso, mas uma pergunta de cada vez. – Preston riu, ignorando completamente os reais sentimentos de Bella.

- Preston, e se tiverem cometendo uma injustiça? E se ele não for o culpado?

- Temos fortes indícios de que é ele, Bella. Encontraram roupas com o sangue dos Gordon na casa dele e também objetos pessoas da família. Não tem mais como ele negar.

- Quem é ele?

- Chama-se Joaquim Fernandez. É um imigrante ilegal. Tem trinta anos e já era procurado por outros crimes. Uma denúncia anônima nos levou até ele.

- Preston, não podem acusá-lo de algo que ele não fez. – Desabafou, sem se dar conta que estava cometendo um ato falho.

- Como assim, Bella? Por que acha que não foi ele? Você nem viu as provas, nem participou das investigações. Que conversa é essa?

Bella se deu conta do quanto estava perigosamente perto de dizer que sabia que não tinha sido o tal Joaquim.

- É... É... Que... Que... Eu tenho medo que vocês estejam errados novamente.

- Dessa vez não estamos, Bella. Esse cara vai apodrecer na cadeia se depender de mim.

Bella sentia seu estômago se contorcer dentro da barriga. Um inocente estava pagando por um crime que não tinha cometido e ela não podia fazer nada. Na verdade podia, mas simplesmente não tinha coragem para fazê-lo.

Que tipo de monstro eu me tornei?”

- Bella? – Preston chamou sua atenção, depois do longo momento de silêncio.

- Es...Estou aqui, Preston.

- Só liguei mesmo porque te devia desculpas. Seu garoto é do bem. Seja feliz com ele. Te dou notícias quando encerrarmos as investigações.

- Tudo bem...

- Você não me parece muito bem.

- Estou bem sim, Preston.

- Você quem sabe. Então tchau!

- Tchau!

Bella desligou o telefone e caiu no choro.

Não conseguia suportar o fato de estar sendo cúmplice de uma injustiça. Precisava fazer alguma coisa. Edward tinha de saber disso o mais rápido possível. Com certeza ele faria algo a respeito, pensou Bella.

Para seu total desespero o telefone de Edward só dava na caixa postal. Bella já tinha tentado umas vinte vezes.

Duas horas depois de ter falado com Preston, Bella ainda não tinha tido notícias de Edward. Sua ansiedade já a havia feito vomitar duas vezes. Era como se um rolo compressor tivesse passado em cima de seu corpo. Tudo doía... Mas o que mais a incomodava era o peso de sua consciência.

Bella respirou fundo e tomou uma decisão. Apesar de já ser noite, iria atrás de Edward. E só tinha um lugar onde poderia achá-lo...

Descobrir onde a estranha família Cullen morava não foi difícil.

Com o coração batendo na boca e as mãos geladas, Bella se espantou com a beleza da casa iluminada que surgiu em meio à vegetação densa e escura do bosque.

Pediu ao taxista que a esperasse e desceu. Suas pernas tremiam tanto que não sabia como ainda tinham forças para mantê-la em pé.

Um rapaz tamanho de um armário abriu a porta antes mesmo que ela batesse.

- Bella? – Ele parecia espantado com sua presença ali.

Ela bem que tentou falar alguma coisa, mas sua voz simplesmente não saiu.

- O que faz aqui? – O grandalhão perguntou.

Bella foi sentindo sua vista escurecer e a palidez tomar conta de seu rosto. Estava preste a desmaiar.

- Emmett, não percebeu que ela não está se sentindo bem, meu filho? Entre, querida, sente-se no sofá enquanto busco um copo de água para você.

Uma mão fria e delicada a guiou até um confortável sofá, na sala lindamente decorada.

Bella praticamente se esparramou na poltrona, respirando fundo para recuperar suas forças.

- Eu sou Esme, mãe de Edward. É um prazer conhecê-la, Bella. Sinta-se à vontade em nossa casa.

Tudo o que Bella não esperava encontrar era uma recepção como aquela. Apesar de seus sentidos estarem completamente afetados pelo pânico que a dominava, conseguia sentir a verdade na voz doce e no sorriso maternal daquela linda e jovem vampira que a acolhia.

- Eu es... estou bem. Obrigada, senhora.

- Pode me chamar de Esme, querida.

O rapaz voltou com um copo de cristal em uma bandeja, cheio de água, e ofereceu a ela.

- Desculpe-me não ter percebido que precisava de ajuda. Meu nome é Emmett Cullen. Sou o irmão mais velho de Edward. – Ele se apresentou, mostrando no rosto um sorriso tão acolhedor quanto o da mulher.

Bella bebeu a água e começou a sentir-se melhor.

- Preciso falar com Edward, ele está?

- Ele foi caçar com Jasper e Alice, mas não deve demorar. – Bella reparou que Esme parecia desconfortável quando citou o verbo “caçar”.

- Então vou embora. Por favor, peça que ele me ligue com urgência. É muito importante.

- Falo sim, querida, mas está com algum problema? Podemos ajudá-la?

- Não, mas obrigada assim mesmo.

A loira estonteante que entrou na sala naquele momento era ainda mais linda que Esme.

- Comida delivery? – Perguntou, demonstrando um senso de humor inconveniente.

A mãe a repreendeu firmemente, fazendo-a rolar os olhos.

- Bella, esta é Rose, minha filha mal educada. – Esme brincou, tentando apaziguar o clima tenso que pairou no ar.

- Oi! – Bella disse sem graça.

Algo mais parecido com um rosnado do que com um cumprimento saiu da boca de sua cunhada, deixando Bella sem graça.

- Que Edward esteja pensando com a cabeça de baixo eu até posso entender, mas e vocês? Esqueceram-se o que aconteceu da última vez que esta família se socializou com humanos?

Nenhum deles disse nada, mas suas fisionomias eram de quem sabia que ela tinha razão, apesar de considerarem-na inoportuna e indelicada.

Diferente de Esme e Emmett, que, ou disfarçaram bem, ou realmente estavam sendo sinceros com suas gentilezas, Rose visivelmente a odiava, percebeu Bella.

Despediu-se apressadamente e voltou para a cidade sem saber o que pensar.

Vivendo em uma montanha russa... Era assim que ela se sentia.

Quanto mais tentava entender no que estava se metendo, mais se confundia. Seus únicos momentos de lucidez eram nos braços de Edward, quando o desejo e a paixão entorpeciam sua mente, fazendo-a acreditar que poderiam ser felizes juntos apesar das diferenças que os separavam. Mas como ela mesma tinha dito a Edward, um relacionamento não podia viver apenas de sexo...

Até aquele momento ninguém tinha sido prejudicado por suas escolhas, mas agora um homem seria condenado por culpa dela, por culpa de seu silêncio, da sua omissão.

Bella entendeu que estava transpondo um caminho sem volta. Do outro lado estava sua felicidade, mas também sua condenação.