Além De Um Sonho.
19 Capítulo 19 – SOS
Assim que chegamos, eu disse:
– Mãe, assim que o filme terminar e tals, eu te ligo, ta bom? – prometi.
– Está bem. Cuidado hein? Estão com o documento? – perguntou ela, como sempre muito protetora.
– Sim. Amo você! – Dei um beijo e um abraço nela e saímos do carro.
Subimos os degraus do hall de entrada do shopping, e acenamos para minha mãe. Entramos no shopping e fomos direto ao cinema, para garantir nossos ingressos. Por ser domingo a noite, não tinha muita gente. Uma fila pequena com umas sete pessoas, algumas delas acompanhadas. Compramos os ingressos, mas o filme era apenas às oito horas, e ainda eram sete horas, então resolvemos dar uma volta pelo shopping. Fomos até livraria Cultura. Não sei por que, mas nós duas sempre que íamos ao shopping, entravamos lá. Enfim. Peguei um CD Up All Night da prateleira de CDs e coloquei na máquina para ouvir. Apesar de já ter ouvido uma porção de vezes em casa, não importava, pois eu amava. A Mel fez o mesmo. Nós começamos a dançar e cantar alto ao som de What Makes You Beautiful. Requebrávamos, balançávamos os braços, e cantávamos em uníssono.
“Baby you light up my world like nobody else
The way that you flip your hair gets me overwhelmed
But when you smile at the ground it ain't hard to tell
You don't know oh oh
You don't know you're beautiful”
Estávamos tão entretidas, que nem reparamos que havia dois meninos atrás de nós. Eles vieram de trás, e fizeram uma volta indo parar no corredor de CDs de frente pro nosso. A prateleira era baixa então conseguimos vê-los. E meu Deus, eram muito lindos. Eles nos olhavam às vezes, e fingiam estar procurando um Cd para disfarçar voltando o olhar para as prateleiras. Assim que percebi que estava pagando mico, olhei para Mel e paramos de dançar e cantar logo em seguida. Olhamos para baixo, e sorrimos de lado. Eles foram para outro corredor, mas não deixavam de nos olhar. Pelo visto eram amigos, um deles olhava para mim, e outro para Mel. O que olhava para mim era clarinho e tinha olhos castanhos claros, cabelos negros e um belo sorriso. Estava usando um boné, uma bermuda, uma camiseta da banda Linkin Park e um tênis estilo skatista. Já o que olhava para Mel, era um pouco moreno, com um topete castanho claro, olhos verdes escuros, usava uma bermuda também, só que com uma regata branca e uma blusa xadrez azul e verde por cima e um tênis da Nike.
– Vamos embora daqui, agora. – Dizia com urgência rindo.
– Só se for agora! – respondeu Mel, saindo primeiro na frente.
Saímos da Livraria rápido, e fomos para o banheiro feminino.
– O que foi aquilo? Não... O que eram aqueles meninos? Meu Deus, muito lindos! – Eu dizia alto, fascinada.
– Mano... – A Mel nem conseguia falar direito, estava ofegante. Respirava fundo. Realmente, o percurso da livraria até o banheiro foi um pouco longo. Corremos para chegar aqui.
Ficamos nos olhando por uns cinco minutos sem dizer nada. Então resolvi usar o banheiro e retocar a maquiagem. Decidimos ir à praça de alimentação. Assim que abrimos a porta do banheiro, demos de cara com os meninos. Quase dei um selinho no moreno do sorriso encantador.
– Ai meu Deus! – Eu soltei! – Vocês por acaso estão nos seguindo? – Perguntei sem olhar diretamente para os olhos dele.
– Não... Estávamos no banheiro – Ele disse e apontou para o banheiro masculino que ficava de frente para o nosso.
– Ah ta. Claro. E acabou o papel e vocês vieram ver se tinha no banheiro feminino?! – Perguntei irônica.
– Não, nós... – Ele tentava se explicar.
– Ah, tudo bem vai. Vamos Melanie! – Disse rápido, interrompendo-o e puxei Melanie pela mão, tirando-a do transe e saindo. Ela estava com uma cara de boba, hipnotizada. Fui indo em direção ao Mc, mas Melanie continuava a olhar para trás.
– Por que você saiu assim? Eles são tão bonitos. Você mesmo disse. – Questionou-me Mel.
– Porque sim! Idaí?! – Retruquei.
Pedimos nossos lanches e fomos procurar uma mesa. Comi rápido, pois estava com fome. Mel ainda estava na metade.
Não sei o que estava dando em mim. Com aqueles garotos lindos, atrás de nós. Acho que tudo era medo. Vergonha. Timidez. Tudo ao mesmo tempo. Não sabia como agir, o que falar, e, portanto fugia.
Olhei para as batatas fritas da Mel, e ainda tinham varias. Então roubei uma. Ela brigou comigo, e começamos a brincar e rir. De repente, o que acontece? Os dois lindos meninos sentam-se na mesa ao lado da nossa. Com lanche nas mãos e tudo! Mel ficou envergonhada, e os observou de lado.
– Ah, mas não é possível! O que é que vocês querem de nós? – Perguntei ignorante. Eles se olharam e fizeram uma cara maliciosa. Eu os fitei, indignada. – Digam-me. Qual o nome de vocês? – Perguntei rabugenta.
– O meu é Rafael. Mas você pode me chamar de Rafa. – Respondeu o de boné, com o sorriso encantador, e, pervertido no rosto.
– O meu é Victor. – Respondeu o moreno, de topete. Sorrindo de canto e olhando para Mel.
– Ok. Então, vocês dois, RAFAEL e VICTOR. Podem parar de nos perseguir? Grata! – Respondi e puxei Mel pelo braço. Ela já tinha terminado o lanche e restavam apenas algumas batatas, e o refrigerante ela levou na mão. Olhei o relógio e eram cinco para as oito, e então fomos logo assistir ao filme.
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