Além Da Segunda Vida
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Agora, Diego, diga-me o que você conheçe neste lugar?
– Bem, o pouco que conheço já me assusta...
Após longas horas proseando, Diego foi me mostrando os mais estranhos lugares daquele estranho lugar, era incrivel, eram todos vampiros aparentemente mortos. Havia uma espécia de biblioteca, onde contava toda a história dos vampiros e daquele lugar, mas o livro que escolhi pouco me enteressou, eu só tinha olhos para Diego. E droga, por que ele não saia de meus pensamentos?
Era estranho, Diego não tirava os olhos de mim, era como se me escondesse algo, como se estivesse louco para contar algo de extrema importância e não pudesse. Eu já estava começando a sentir calafrios, aquilo já estava começando a me incomodar e eu estava a ponto de quase perguntar o que estava acontecendo, quando Diego anunciou o fim de nosso passeio.
– Então Bree, esse casebre agora é seu, veja que há seu sobrenome nessa singela caixa de correio. É por aqui que você fica, aqui estão as chaves e a minha casa é bem de frente para a sua, qualquer coisa me ligue, meu numero está na porta da sua geladeira.
– Casebre? Correio? Geladeira? Telefone? Diego, o que está acontecendo?
– Bree, se acalme, está tudo certo meu anjo. Amanhã te explico tudo por completo, agora entre, garanto que irá se sentir segura lá dentro.
– Você não pode entrar comigo?
– Infelizmente não, Bree. A Primeira entrada na sua nova casa te revelará muitas coisas sobre as suas duas vidas, é um momento totalmente particular e de curta duração. Não é nada demais.
– Confio em você Diego, boa noite.
Eu virei as costas, mas antes que pudesse mover um musculo em direção a entrada de minha nova residência, Diego me segurou pela cintura, me virou, me jogou de lado como nos filmes antigos e me beijou. Foi realmente um beijo. Um beijo terno, cheio de sentimento, eu podia SENTIR aquilo. Era tanto carinho e ternura que me arrepiava. Pela primeira vez na vida pude sentir algo tão solene quanto aquilo.
A unica coisa que fiz após aquilo tudo foi sorrir, o modo que Diego me olhava era diferente, os olhos vermelhos brilhavam e aposto que os meus também.
– Tão linda, ainda tão linda... — ele disse afagando meu rosto
– Diego, eu...
– Shhh, agora vai. Boa noite, Bree.
– Boa noite, Diego.
E assim nos despedimos. Eu mal imaginava o que me esperava dentro daquele casebre. Muitas coisas já estavam passando pela minha cabeça, mas o sabor de Diego em meus lábios cortava todo pensamento.
– Eu só não posso me apaixonar completamente.– disse sussurrando a mim mesma.
Assim que entrei no casebre, estava tudo perfeitamente normal, até que do nada uma névoa estranha começou a aparecer. A Névoa começou a ficar azul, em seguida rosa e acabou ficando multicolorida. Tudo começou a girar e girar, eu já estava entrando em desespero, quando derrepente, fui teletransportada até a minha antiga casa em Seattle. Tudo que fiz foi observar pela janela.
Havia uma garota descutindo violentamente um homem, ela aparentava estar bêbada ou drogada e então eu deduzi que era eu, na noite em que fui transformada.
– Choraria se tivesse lágrimas.
– Pois é, triste cena, não acha?!
E uma pessoa estranha surgiu por trás de mim, estava completamente assustada, o que me fez virar em posição de caça, eu precisava me defender.
– Calma Bree, não te farei mal algum, nem se pudesse.
– Quem é você?
– Guarde as presas e eu te conto.
– Só guardo as "presas" quando se identificar, estranho.
– Meu nome é Kaull, mas para você é Anjo Negro Supremo.
– Nem um pouco humilde, não é?! Meu nome você já sabe.
– Então Bree, como essa é a sua primeira noite no seu novo "lar", estou aqui como uma espécie de guia turistico, para te mostrar fatos importantes da sua primeira e segunda vida.
– Achei que essas coisas aconteciam como um Deja Vu, antes de morrer.
– Convenhamos, o senso comum não é tão confiável.
– Já era bem provável não ser. — eu ri em tom sarcástico.
– Pois então, Bree, reconhece este lugar?
– Claro que reconheço, é o meu antigo "lar" da primeira vida.- ao pronunciar lar, fiz aspas com os dedos.
– Pois então, você saiu rumo a sua "nova vida", sem mesmo saber o que realmente lhe aguardava e eu vou mostrar a você o que aconteceu com o seu pai, quando ele se deu conta de que você havia realmente ido embora.
– Ele deve ter bebido para comemorar.
– Preste atenção, Bree, por favor.
Enquanto eu olhava para aquela janela, o tempo passava rápido, as semanas passaram com um soprar de um vento e o dia em que o meu "pai" se deu conta que eu sumi, chegou. Mal eu sabia, mas aquele que tanto brigava comigo me procurou por todos os cantos de Seattle e -graças a Deus- não me achou. Assim que ele realmente se deu conta do erro que havia cometido durante todos esses anos, ele se enforcou com uma corda amarrada ao pescoço.
Ver aquela cena me deixou fraca, se meu coração pulsasse, teria sentido uma enorme dor. O pior era a vontade de chorar, sem ter lágrimas. Sabe, por mais que eu o odiasse profundamente, ele não merecia ter desperdiçado a sua vida por uma mera fedelha, como ele mesmo dizia. Aquilo estava me corroendo e a sensação piorava ainda mais, com a falta de sentimentos para demonstrar. Tudo que pude fazer foi permanecer com os olhos arregalados, paralizada.
– Vamos Kaull, me tire daqui.
– Está vendo Bree, e você achava que ele não teria ligado.
– Mas eu não me importo Kaull, ele passou a vida toda me depresiando, passou a vida toda me humilhando e me maltratando. Isso para ele é pouco.
– Mas mesmo assim Bree, ele te amava.
– Pouco me importa, Kaull. Pensasse nesse "amor" antes de me deixar tomar o caminho das drogas, do alcool, de pouco se importar comigo.
Havia angústia no meu olhar, uma confusão de dor, angústia, piedade, raiva. Por que aquele que tanto me maltratava se matou? Eu sentia que havia algo errado, aquele não era o real motivo, eu podia presentir aquilo. Não era possível que alguém tão desprovido de amor próprio ou ao próximo pudesse ter cometido suicidio. E por mais que a dor e a angústia tivessem me abatido, o suicidio para aquele traste foi pouco.
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