Alzheimer.

3 Se beber, não dirija.


Notas iniciais
Boa leitura! ♥

— Mas eu to com fooome, Hailey! — Kirara reclamou no meio do campus da faculdade, enquanto já faziam bons minutos que a ruiva a fazia andar e que repetia essa mesma frase.

Era plena sexta feira, quase uma semana tinha passado desde à visita ao Hanamura. Kirara e Haruhi haviam achado o tema de seu Teste de Conclusão de Curso e Hailey… Uma nova obsessão, talvez.

Todos os dias da semana, sem exceção, a La Freour fizera a Imayoshi andar consigo por todo o campus do local, buscando o esverdeado. Kirara insistia que ele podia não ser do mesmo horário ou que talvez pudesse fazer o curso na faculdade da cidade vizinha. Depois de tanta insistência, Hailey estava quase perdendo as esperanças.

— Tudo bem, vamos no restaurante. — a ruiva se deu por vencida finalmente. Kirara sempre estava com fome então costumava ignorar esses comentários dela, mas dessa vez também se encontrava um tanto cansada de dar tantas voltas em tantos jardins, então apenas cedeu.

Ao chegarem na praça de alimentação encontraram Haruhi facilmente numa das filas, e não hesitaram em cortá-la. Poucos minutos se passaram até que as três estivessem sentadas numa das mesas pequenas num dos cantos do local. O silêncio entre elas não era incômodo, era até mesmo confortável, mas a Yoshida quis quebrâ-lo.

— Me parece desanimada, Hailey. — comentou enquanto mordia uma barra de chocolate ao leite. Kirara estava ocupada demais com seus dois hamburgueres e seus dois copos de refrigerante.

— Só um pouco cansada. — a La Freour respondeu com um suspiro, comendo uma das batatas de seu pagode de salgadinhos. Haruhi deu de ombros e continuou comendo.

Não ouviram nada até que alguns minutos passaram. Hailey e Haruhi já terminavam de comer quando alguém tocou levemente o braço da La Freour que se virou para olhar.

— Yuuki. — a ruiva murmurou para si mesmo enquanto cumprimentava a baixinha com um aceno de cabeça.

A menina de cabelos castanhos escuros lisos e longos sorriu para Hailey, a fitando de forma curiosa com suas iris avermelhadas e ajeitando a franja lateral que às vezes lhe incomodava a visão por insistir em cair em seus olhos. Chegava apenas aos um e cinquenta e cinco de altura, tinha um corpo pequeno e magro, não era incomum que brincassem que parecia uma criança. Bom, para o engano de muitos, Yuuki Akahana tinha vinte e um anos…

— Hailey! Tem festa hoje. — Yuuki disse e Haruhi rolou os olhos. Não poderia ir, estava presa em um trabalho em grupo insuportável. Como havia faltado no dia de escolha de grupos por ter que ficar cuidando de seus irmãos, acabou não ficando no mesmo de Kirara.

— Oh, claro que tem. — Hailey riu baixo e já tirou do bolso da jaqueta de couro a chave do Lexus, com um sorriso de canto direcionado a Kirara que estava entretida com a comidla. — Diga-me onde é que te direi que vou. — brincou.

— Vai ter comida? — a Imayoshi perguntou com um sorriso empolgado e Yuuki riu, assentindo.

— Claro que vai.

— Vamos, Hailoca! — Kirara falou piscando um dos olhos para a francesa e arrancando uma risada das outras três que se juntaram com a sua.

— Vai ter bebida? — óbvio que fora Hailey que perguntara, irônica, porque era claro que teria.

— Resposta desnecessária. — Yuuki falou rindo divertida, enquanto Kirara e Hailey já se levantavam e Haruhi bufava.

— Vão e se divirtam. Estou presa num trabalho em grupo. — a acastanhada falou com o celular em mãos, checando algumas mensagens. Yuuki soltou um barulho chateado com a língua pela Yoshida não poder ir, Kirara deu uma batidinha camarada no ombro dela que lhe olhou fulminante e Hailey riu, acenando.

— Boa sorte e até domingo, Haruhi.

~x~

Bêbada.

Essa era a situação de Hailey Faith La Freour. Alegre do tipo que se pedissem para fazer o quatro com as pernas fazia com certeza!

E caia de cara no chão.

Kirara por sua vez havia se mantido relativamente sóbria para rir da loucura de Hailey. Yuuki não estava muito ruim, mas também não estava muito bem. As bochechas coradas sinalizavam que já tinha passado da conta, mas não nível Hailey — que já estava com todo o rosto avermelhado. Em resumo o trio estava suficientemente feliz para “aprontar“.

Yuuki gostava de festas e bebia socialmente, o que fez que conhecesse Hailey e Kirara, já que algum pessoal do curso de Arquitetura e Urbanismo — o qual fazia — sempre proporcionava uma festa vez ou outra. Kirara também estava com o rosto todo corado, mas esse era pelas risadas que dava de Hailey tropeçando no ar.

A Akahana olhou o relógio e viu que já passavam das três da manhã quando seu celular tocou de forma escandalosa. Praguejou, havia perdido a noção do tempo e a garota a qual dividia o apartamento deveria estar preocupada, afinal, Amai Shirubako é um amor.

— O-oi! Está tudo bem, Amai, daqui a pouco chego ai. Obrigada por se preocupar. — Yuuki falou com a voz molenga, fazendo que Hailey e Kirara a olhassem desconfiadas com a súbita ligação. — Tenho que ir embora. — Yuuki explicou rapidamente e as outras duas fizeram uma expressão chateada.

— Aanh, t-tudo bem, te deixo em casa. — Hailey falou já levando uma das mãos ao bolso lateral da jaqueta de couro, encontrando a chave do carro.

— Você não vai dirigir desse jeito! — Kirara respondeu de imediato, mas o sorriso de canto sarcástico da mais alta lhe fez bufar. — Você vai?

— Precisamos voltar pra casa de algum jeito... — a La Freour respondeu de forma óbvia, e Yuuki apertou os lábios. Era verdade. — Ninguém toca no meu carro. — não tinha motivo para falar isso, mas Hailey quis deixar claro. Kirara riu.

— Ninguém quer tocar no seu carro, Felipe Massa. — Kirara respondeu num tom extremamente irônico. Hailey revirou os olhos.

— Não é melhor chamarmos um táxi…? — Yuuki perguntou preocupada. Já havia andado com Hailey sóbria na ida, e se ela sóbria já corria daquele jeito, nem queria imaginar ela bêbada.

— E deixar meu carro aqui? Nem morta. Eu nem vou lembrar o endereço pra vir buscar amanhã! — a La Freour retrucou rindo alto e Kirara crispou os lábios numa expressão que sinalizava seu pensamento: “novidade”. — Vamos, Yuuki! Eu juro que vou devagar!

A francesa gargalhou com uma expressão sarcástica, de uma forma que deixava claro que não ia cumprir o que falava. A Akahana arregalou os olhos, mas antes que falasse outra coisa a ruiva saiu puxando-a. O caminho até o carro fora com a Hailey tentando se equilibrar entre as duas japonesas, Kirara observava a amiga balançando a cabeça negativamente.

O trio entrou no carro, Yuuki fora sozinha no banco de trás. Seu medo era nítido e a sádica francesa ria disso, arrancando com o Lexus furiosamente. Yuuki agarrou-se ao cinto de segurança traseiro e colocou-o rapidamente, apertando o banco de couro e observando as casas na janela que mal passavam de borrões de cor. Kirara riu alto da ação da acastanhada, Hailey nem prestava atenção, seus olhos estavam focados na rua.

Não tão focados assim, uma vez que o álcool tinha efeito extremo na ruiva. Pensava que via tudo perfeitamente, mas na verdade a imagem desfocada do asfalto, do cruzamento, dos poucos carros que o atravessavam e do sinal antes verde e agora vermelho… Não conseguiu frear a tempo. A batida foi inevitável.

Fora na lateral do motorista, uma batida não muito forte que fez o Lexus de Hailey deslizar e rodar algumas vezes, até bater a traseira num poste. O outro automóvel teve a frente amassada. Yuuki se segurava com tanta força no banco que apenas sentiu o impacto, mas não se machucou, enquanto Kirara teve o corpo empurrado para frente e bateu a cabeça, sentindo uma forte dor de cabeça. Hailey soltou um grito agudo ao sentir sua perna presa entre dois ferros, tentou se mover, mas isso apenas piorou a dor e a fez gritar de novo. Mal conseguia acreditar que havia mesmo batido o carro, parecia que toda a embriaguez que sentia há minutos atrás tinha passado e dado lugar apenas a dor insuportável que sentia na perna esquerda.

— Vocês estão bem?! — fora a voz de Yuuki, que no mesmo momento se soltou do cinto de segurança e tentou abrir a porta, o que conseguiu com um pouco de dificuldade. Só recebeu gemidos como resposta. Kirara levava uma das mãos até a testa, se sentindo zonza.

Yuuki desceu tentando não se desesperar, sabendo que se o fizesse apenas pioraria a situação. Buscou o celular no bolso, mas assim que levantou os olhos viu que um homem forte e alto, de pele escura e cabelos curtos e azulados se aproximava com um uniforme também azul escuro. Quase derrubou o aparelho eletrônico, vendo que agora sim era hora de se desesperar. Era um policial! Por Deus… Não diga que haviam batido no carro dele?!

— Você quem estava dirigindo? — a voz do homem se manifestou, um tanto alta, nitidamente revoltada e um olhar fulminante era dirigido para a pequena garota que se encolheu em si mesma, não só por causa do frio, mas também por causa do medo. No mesmo segundo balançou a cabeça negativamente.

— N-não! Era a Hailey… Ela está lá dentro. — apontou para o carro e olhou por alguns segundos para ele. Arregalou os olhos ao ver a situação das duas amigas e uma de suas mãos foi parar à frente da boca, um tanto atônita. O homem assim que olhou para o carro e viu a ruiva no banco do motorista soube qual era a situação.

— Dirigindo bêbada. E batendo no carro de um policial. — averiguou com uma das sobrancelhas arqueadas e crispando os lábios. Se não estivesse em horário de trabalho provavelmente sairia xingando mil nomes, mas na verdade aquele carro nem era seu mesmo…

Foi até sua viatura e chamou uma ambulância e reforços que chegariam em pouco tempo. Depois disso andou até o carro de Hailey bufando e pensando em quantos pontos teria que dar na carteira da bêbada. Não podia reclamar muito, não era como se não dirigisse meio alto às vezes, mas bater numa viatura de policia… Aquela mulher deveria estar muito louca.

Quando se aproximou do carro a porta do passageiro se abriu, revelando uma baixinha descabelada. Primeiramente o olhar do policial foi ao busto, mas ao ver que aquilo era reto como uma tábua e ela virava-se de costas, seus olhos azuis acabaram recaindo na abertura que havia na blusa ao meio de suas costas. A noite estava quente e então as roupas da morena eram soltas, usava um short preto um tanto curto e apertado e uma blusa de cetim branca com mangas. As costas abertas deixavam à mostra a tatuagem de filtro dos sonhos que descia da nuca até entre suas clavículas.

O oficial desceu os olhos, mas ao fazê-lo a garota virou-se para si e deixou que visse a tatuagem de corvo negro que repousava na sua coxa. Talvez tenha demorado o olhar por ali um pouco, já que o que ela não tinha em peitos, suas pernas compensavam e a tatuagem só fez isso ser reforçado.

— Você está bem, Kira?! — Yuuki perguntou rapidamente enquanto o homem se aproximava das duas e finalmente prestava atenção na conversa.

— Estou, só bati a cabeça de leve… A Hailey não consegue sair, a perna dela está presa. — apesar de seu tom ser indiferente, sua testa franzida deixava óbvia a sua preocupação. Mataria Hailey quando ela estivesse sóbria e sobretudo, sem gritar a cada vez que movesse a perna, mas agora não era hora ainda.

— Já chamei a ambulância e reforços. Policial Aomine Daiki, precisarei de você na delegacia para colher depoimentos. — se intrometeu no meio das duas baixinhas, apontando para Kirara ao falar isso. Ela arqueou uma das sobrancelhas para ele, arregalando levemente os olhos e o fitando um tanto indignada.

— E-eeu?! Por que eu?! — também apontou para si própria, confusa com as palavras do mais alto, olhando para cima para conseguir fitá-lo. Jurou ter visto um sorriso sacana na cara dele, mas talvez tenha sido só impressão. Só que não.

— Porque eu quero. — foi a resposta que Kirara obteve. Estava pronta para retrucar quando a sirene alta ecoou se aproximando, e as luzes coloridas do giroflex anunciaram a entrada da ambulância na rua. — Vamos, ou terei que te algemar?

~x~

Não fora muito complicado para os profissionais tirarem Hailey daquela situação, apenas levou algum tempo. Enquanto Yuuki ligava para Milenny, pedindo a ela para ir ao hospital e Kirara brigava com um policial e quase ia presa, os bombeiros soltavam a ruiva das ferragens do carro e a levavam para o pronto socorro mais próximo.

A Akahana fora como acompanhante e Kirara realmente foi levada até a delegacia por Aomine, esperneando e xingando-o. Se o homem não fosse tão gato, levaria um chute no meio das pernas. Milenny não demorou a chegar e Yuuki lhe explicou o que havia acontecido. Claro que por dentro queria voar até o quarto e dar aquela bronca na ruiva, mas estava mais preocupada a perna dela no momento.

— Teve alguma notícia depois que ela entrou no quarto? — Milenny perguntou apreensiva, olhando para o corredor ao qual dissera que a haviam levado.

— Não, nenhuma até agora… — a Akahana murmurou, avistando a médica que havia estado consigo e com Hailey na ambulância, ao lado de um homem que para si, pequena como era, podia ser descrito como um armário. Alto, forte, de cabelos verdes e óculos. A médica apontou para si.

— Vocês estão com a paciente… — o médico ia olhar o nome da mesma, mas antes que o fizesse, a médica de cabelos loiros roubou a ficha de sua mão. O homem a fulminou com os olhos verdes.

— Precisamos que alguém assine aqui e se responsabilize por ela. — ia entregar a prancheta para Yuuki, mas Milenny foi mais rápida e tomou a frente.

— Sou a irmã mais velha dela, eu assino. — a La Freour falou, enquanto pegava a caneta e agia.

— Ela está sedada para tratamento. Sofreu um corte profundo na panturrilha esquerda e vai precisar de alguns pontos… — a mulher explicou, temtando fazer parecer uma coisa simples e não desesperar ninguém.

— Precisamos saber se ela bebeu, por conta das medicações. — fora o médico de cabelos verdes que perguntou, olhando de forma intimidadora para as duas. Yuuki engoliu em seco e Milenny rolou os olhos, já sabendo qual resposta esperar.

— Olha, doutor… — a acastanhada procurava uma forma delicada de dizer aquilo, mas não conseguia achar. Crispou os lábios. — Ela bebeu muito… Muito mesmo… Tipo, pra caraaamb-! — o homem a interrompeu, fechando os olhos com forma numa clara ação de reprovação.

— Já entendi. Obrigada pelas informações, avisaremos qualquer coisa. — e saiu.

Pacientes bêbados. O que diabos tinham na cabeça? Tinha vontade de chacoalha-los até que criassem algum juízo. Se era pra aprontar, aprontassem direito ao menos. Bufou, pensando que era sexta e que seria sua última paciente da semana. Abriu a porta da sala de emergências e a figura adormecida que viu quase lhe fez cair para trás. Como assim?! Aquela mulher…?

Hailey La Freour? Ainda por cima… Bêbada? Ela, mais do que as outras pessoas, deveria saber os efeitos que as bebidas causavam a longo prazo e que eram extremamente prejudiciais a saú…

— Shiiiiin-chan! Acorda! Sei que ela é gata, mas admira depois que terminar o trabalho, se não o sedativo passa e você tá com essa cara de idiota! — a supervisora bronqueou e o rapaz a olhou com indignado.

— Não era por isso que....! — o olhar da loura o fez desistir de retrucar e budar, visando preocupar-se com o tratamento da paciente e fingir que ela era uma desconhecida.



~x~

— Finalmente acordou! Você tem olhos bonitos. — a mulher de uniforme branco falou sorrindo enquanto Hailey abria as iris, grogue demais para entender o que ela dizia, olhando o teto branco e fechando os olhos de novo pelo forte incomôdo que sentiu, culpa da claridade excessiva da sala.

Que dor de cabeça dos infer-...

— Koiichirou, vá avisar as acompanhantes… — o esverdeado falou, ainda fora do campo de visão de Hailey. A médica riu e deu de ombros.

— Desculpa pra ficar sozinho com a paciente gata, tô sabendo. Eu volto logo viu, sem abusos!

No mesmo segundo que escutou isso, Hailey tentou sentar na cama, mas não fora possível. Sentiu uma dor agonizante na perna esquerda e gemeu alto, fechando os olhos antes de ver o doutor que cuidara de si. Puxou o ar com força para os pulmões, como se aquilo fosse aliviar alguma coisa.

— Os analgésicos não funcionam quando você faz movimentos bruscos, La Freour. — o médico resmungou entre dentes, ajeitando o óculos negro com o dedo anelar e a olhando. — Deveria saber disso.

A ruiva estava pronta para perguntar o que havia acontecido, só lembrando-se de nuances de luz, barulhos e pessoas, coisas que não faziam sentido por não se encaixarem. Mas antes de abrir a boca, abriu os olhos e viu Midorima Shintarou em sua frente. Seus olhos saltaram e a boca ficou entraberta, as bochechas avermelharam.

“Você só pode estar de sacanagem…”

— Você estava dirigindo bêbada e bateu carro. Foi isso que aconteceu. — explicou brevemente, com seu costumeiro tom ríspido, ao mesmo tempo que a ruiva ficara paralisada.

A La Freour só não sabia se estava paralisada por ter sido atendida logo por ele, ou… Porque Milenny entrava no quarto com uma expressão de mãe que vai matar o filho porque ele aprontou. Nada amigável como de costume.

— Hailey… —

Vish. Fudeu.

Notas finais
Pras meninas que já acompanhavam, elas vão notar que eu dividi os capítulos um e dois em dois ?) UAHUAHAUH porque eles eram giganteeescos! Vou maneirar nos tamanhos pra não tomar muito tempo de vocês e conseguir escrever mais rapidinho! Espero que tenham gostado e deixem suas opiniões, beijinhos ♥