Always, sister
11 The Cat
Notas iniciais
"A lua alta, o tom prateado banhava a tudo e todos, o céu estava escuro como se uma estranha força impedisse que a luz viesse até Storybrooke.Como diriam os antigos...As trevas não se vão...Apenas se escondem.
— Meu pai ensinou-me uma coisa... – Zelena prendeu a respiração, apesar de tudo, ela não queria aquilo, não queria morrer.
— A única coisa útil que ele me ensinou...Um truque de mágica, chamado 'Siga à dama'.
— Belle possuí uma falsa. – Ela engoliu em seco, ele seria mesmo capaz...Ah Zelena não seja idiota...Claro que ele seria capaz.
— Essa, contudo, é bem real. – Ele ergueu a adaga, apenas para focar os mesmos nos azuis celestes da bruxa, ela podia ver o brilho animalesco dali, um estranho prazer em causar o medo e a discórdia.E em um passe de mágica ele estava dentro da cela, um desespero tomou-a der repente, não, não tinha de ser daquela forma.
— Espere.Espere! – Praticamente suplicou.
— Estou impotente agora.Regina pegou meu pingente... – Zelena tentou inutilmente convencê-lo...Isso não mudava o que eu havia feito.
— Minha magia se foi...Não posso mais machucar ninguém...Não posso... – A medida que ele ia se aproximando seu coração se disparava e suas costas se comprimiram contra a parede.
— Por quê? – A respiração estava ofegante, não sabia direito o que fazer e com isso seus olhos se marejaram.
— Por que prometi ao meu filho que sua morte seria vingada... – Ela abaixou a cabeça sentido o peso daquelas palavras.
— E Runplestiltiskin, nunca quebra um acordo. – A ruiva gostaria de ter gritado, mas sentiu apenas dor, uma dor intensa no quadril, a adaga de Rumple espalhara seu veneno tenebroso em si, e o resto era apenas o silencio, ela se desfaleceu em cacos."
Regina abriu os olhos de súbito, estes ardiam, um nó se formou no em sua garganta, não aquilo não, não poderia ser.O coração da morena disparou, gritos amedrontados vinham do corredor, e ela não hesitou em correr em direção a estes.
— Zelena...Sis, por favor...ACORDA!! – Ela se ergueu na cama em uma posição completamente ereta, não acreditando em sua própria realidade, estava mesmo ali, no quarto que Regina designara como seu, sua irmã mais nova possuía as expressões quase desesperadas e lhe encarava um tanto quanto assustada.
— Ele...Te-ntou me matar... – Murmurou Zelena, percebendo o quanto de suor cobria seu corpo, o relógio de cabeceira marcava 2:37, ela olhou de sua irmã preocupada para o relógio, do relógio para a mais nova, e finalmente parando os olhos em suas mãos, um pouco envergonhada.
— Desculpe...Eu...Te acordei e... – A bruxa não teve chance de terminar, Regina lhe abraçou com a maior força que possuía, não se preocupando se poderia quebrar uma das costelas de sua irmã.A ex-prefeita gostava do perfume da mesma, uma mistura de menta e maçã, isso com certeza era de família.
— Você me assustou. – Ela disse, a voz embargada, aparentemente Regina se importava mais do que gostaria de demonstrar, na verdade naquele mísero momento ela imaginou como seria sua vida sem Zelena...E foi insuportável.
— Eu...Ouvi seus gritos e pensei que... – A morena se separou um pouco e balançou a cabeça negativamente.Os pensamentos sussurrando coisas nada agradáveis, brigando internamente.
— Hey, sis...Tudo bem, foi só um pesadelo, estou aqui. – Engraçado como Zelena acabara de passar por um pesadelo especialmente traumático, mas ao invés de ser consolada estava fazendo tal coisa com sua irmã.
— Você prometeu que iria estar comigo...Sempre.Foi verdade? – Regina já não mais se reconhecia, onde estava a poderosíssima rainha má, de opinião e atitudes próprias, talvez escondida atrás de um mar de sentimentos confusos.
— Claro que foi verdade. – A ruiva sorriu retirando uma mecha de cabelo escuro dos olhos da mais nova, prendendo atrás da orelha.
— Estou aqui...Com você....Não estou? – A mais nova consentiu engolindo em seco, abaixando os olhos.Ambas sabiam que aquela noite seria mais uma daquelas em que teriam de dividir a cama, no entanto já não mais se importavam, estava quase ficando comum.
As horas passaram lentamente, talvez o tempo passe um pouco mais devagar quando realmente se necessita, Regina e Zelena precisavam recuperar o que haviam perdido a alguns bons anos...A relação fraternal que nunca tiveram a chance de ter, uma necessidade especial, algo que aos poucos fora conquistada, não completamente, porém seria questão de tempo...Apenas tempo.
— Tão previsível.... – Zelena fez uma careta, franzindo o nariz levemente, era quase involuntário, interessante como uma perfeita linha se formava descendo pelo canto interno de seu olho até metade da cartilagem.Regina ergueu os olhos, sua testa franziu-se levemente, também era interessante que uma veia ficasse evidente ali, partindo-se em duas na altura das sobrancelhas.
— O que é previsível? – A ruiva lhe olhou ironicamente um tanto irritada por sua irmã não estar prestando atenção em si.
— Essas músicas... – Abaixando um pouco o volume do rádio a mulher se virou para a ilha da cozinha.
— Esperar pela noite perfeita...O momento certo...Quanta bobagem.
— As teorias do romance são mais complexas do que possamos compreender, sis. – Regina sorriu vendo-a revirar os olhos, ela fez alguns círculos na alça da caneca de chocolate quente que segurava, e realmente estava delicioso, aparentemente Zelena cozinhava melhor que a prefeita.Bom...Ao menos era o que ela achava.
— Eu sinceramente acho que vocês da Floresta Encantada adoram uma boa história com príncipes e princesas. – E isso não é totalmente ruim, pensou a bruxa mais velha.
— Percebe o nome do reino...Charming, fadas, unicórnios e pessoas eternamente felizes.... – Bom ao menos até que uma certa rainha jogou uma maldição retirando toda a felicidade eterna.
— Essa é a mamãe? – Questionou olhando por cima do ombro da morena, observando a figura da rainha de copas no livro de Henry.
— Sim...
— Gostei do vestido. – Regina ergueu os olhos brevemente com uma interrogação cortando seu rosto.
— Mãe, poderia me ajudar com essa coisa? – Henry entrou pelo arco da cozinha, vestido perfeitamente com um terno cinza, uma gravata pendurada em volta do pescoço.
— Olhe só para você, todo arrumado... – Ela sorriu, fechando o livro.
— Qual a ocasião? – A ruiva completou observando o sobrinho.
— Vou me casar. – Ele quase sentiu medo ao ver as expressões sérias das duas bruxas.
— Trabalho.Com o vovô.Na loja. – Zelena demoraria alguns anos para entender a árvore genealógica em que se localizava, e também demoraria algum tempo para achar alguém naquela cidade que não fosse parente de Henry.
— Ele disse que se aprenderei o negócio da família, terei que representar os negócios da família...Estaria tudo bem se não tivesse dito para usar gravata. – Ela não controlou o pequeno sorriso que brotou em seus lábios, se erguendo da cadeira, posicionando-se frente ao garoto, logo segurando as duas metades do tecido.
— Eu acho que você está muito bonito. – Pela sobrancelha erguida de seu filho ela tinha plena certeza de que ele não concordava.
— E então aconteceu alguma coisa? – Ele se sentou a mesa, olhando da bruxa mais velha para sua mãe.
— Bom...Sua tia está apaixonada por Jefferson. – Henry sorriu da cara indignada da mulher ruiva.
— O livro mãe...Vocês estavam...Folheando...Acredito que esse não seja o estilo de literatura que ambas gostem. – Regina procurou os olhos azuis de sua irmã, que apenas assentiu com a cabeça, Henry era o fundador da Operação Mongoosto, merecia saber que...Nem tudo estava as mil maravilhas.
— Estou seguindo em frente. – Doía, mas Regina apenas suspirou.
— Preciso deixa-lo ir... – E novamente aquela sensação de peso lhe tomou e mesmo a mão de Zelena pousada em seus ombros não surtiu tanto efeito quanto deveria.
— Sinto muito, mãe. – O garoto sempre fora sincero.
— Mas da próxima vez que a felicidade bater à porta.... – Ela apertou a mão da bruxa fechando os olhos por um milésimo de segundo.
— Estarei pronta.... – Concluiu.
— Não deixarei que este livro me detenha novamente. – A morena não sabia se realmente teria as ações certas, mas dar esperanças a Henry lhe fazia bem.
— A partir de agora... – Acariciou os cabelos claros do garoto. – Operação Mongoosto será o meu foco principal.Encontraremos o autor. – E sorriu.
— Que bom, tenho algumas ideias.... – Quando você não tem?Pensou a mais velha.
— De onde procurar pistas próximas na loja.
— Vai trabalhar. – Ordenou com a voz em tom de brincadeira, Henry apenas sorriu quando sua mãe lhe beijou a bochecha, ele deu a volta na ilha, induzindo que a ruiva deveria fazer o mesmo.Um pouco estranha ela beijou a bochecha do garoto que acenou para as duas, saindo pelo arco.
— Acho que...Vou...Voltar a cripta. – Zelena franziu a testa, mas já presumia tal coisa, seu chocolate quente não curaria o coração pesado de sua irmã mais nova, apesar de não dizer em voz alta ela podia perceber nos olhos da mulher que ela queria apenas resolver sua vida conturbada.
— Ah... – Como se lembrasse de algo, Regina retirou algo do bolso do casaco, estendendo para a ruiva.
— O que é isso?
— Um celular...Se precisar falar comigo, ou se eu precisar falar com você... – A bruxa segurou o aparelho como se fosse um monstro, ou algum tipo de banalidade.
— Há quatro números registrados...O meu, o da polícia, o do hospital e... – O sorrisinho de canto estava novamente ali, a mais velha revirou os olhos.
— Cresce Regina. – A morena deu de ombros, se retirando da cozinha.
A batida na porta fez com que Zelena saísse do pequeno mundo que estava envolvida, um desenho muito peculiar chamado "Dungeons & Dragons", primeiramente ela pensou em não atender, talvez a tal pessoa fosse embora, e ela não precisasse deixar de assistir a enorme aventura daquelas crianças com o tal duende de cabelo branco e roupas vermelhas, mas então se deu conta que poderia ser Henry, talvez tivesse esquecido algo.Então se levantou caminhando em direção a porta.E tamanha foi sua surpresa ao notar que não era seu sobrinho, Jefferson, ou Regina...Era Mary Margaret.
— Ah...Oi Zelena. – A mulher ruiva franziu o cenho, sem saber direito o que dizer, observando a professora que trazia o carrinho de Neal, aparentemente a criança não estava ali e na outra mão...Um gato preto.
— Ãnh...Regina...Ela foi ao cemitério. — Mary parecia um pouco decepcionada, lentamente torceu os lábios.O silêncio foi um tanto constrangedor, o pedido de desculpas pairava sobre a cabeça da bruxa, ela devia desculpas a Mary, e por que não naquele momento?
— Mas...Entre...Acho que temos alguns assuntos para colocarmos em dia. — Por um momento ela hesitou, mas parecia compartilhar dos mesmos pensamentos que Zelena, então aceitou.
A ruiva guiou-a até a cozinha, tomando a precaução de não passar pela sala e ter um novo constrangimento sendo pega vendo desenhos.
— O que...Você faz com esse gato? — Questionou sentando-se em uma das cadeiras da ilha, o gato ronronou se aconchegando aos braços da morena.
— Encontrei no caminho, aparentemente foi abandonado, estava pensando em levá-lo para o abrigo de animais. — É, ela realmente é doce...Como as pessoas diziam.
— Tudo bem... — Ela procurava as palavras certas, no entanto essas malditas sempre lhe faltavam quando mais precisava.
— Escute...Eu sei que você, David, Emma e metade desta cidade tem suas razões para não confiarem e nem gostarem de mim. — Zelena afastou a franja dos olhos.
— Mas...Acredite, eu realmente quero ajudar. — Mary franziu o cenho.
— Eu sei, eu sei, ninguém muda da noite para o dia, principalmente alguém como eu...Mas eu gostei de você Mary, nem tudo foi uma farsa. — E ela foi sincera, na verdade a ruiva havia gostado de várias pessoas, era um pouco frustrante que não pudesse ter a amizade das mesmas.
— Você tentou...
— Sinto muito. — Não permitiu que a professora concluísse, sabia o que tinha feito, e internamente ainda havia aquela vozinha irritante lhe dizendo que possuía razão, mas graças a tudo, ela não mais a ouvia.
— Sei que não resolve as coisas, mas sinto muito Mary.Não vou dizer que me arrependo de tudo que fiz...Pois muitas dessas coisas trouxeram consequências boas..No entanto eu sinceramente gostaria que você me perdoasse...Concordo que não vamos virar melhores amigas num piscar de olhos, mas estou tentando. — E as duas se encararam por um breve momento, o clima tenso pareceu ir se dissolvendo, no fundo dos olhos azuis, Mary Margaret pôde enxergar a sinceridade, ela fazia muito isso, involuntariamente sorriu.
— Se você realmente deseja mudar Zelena, então tem o meu apoio. — Nunca é tarde demais para se redimir, pensou a mulher aceitando a mão estendida da morena.O momento foi amigável, ao menos nem tudo estava perdido.
E os pensamentos de ambas foram espantados quando o gato pulou do colo de Mary, subindo na bancada.
— Hey... — Zelena não soube de onde tirou a incrível ideia de pegar o gato, ou melhor gata, porém foi o que fez.O pêlo preto era macio e ela não era nem um pouco arisca como a maioria dos animais da espécie, pelo contrário, ronronou novamente esfregando o pescoço contra a mão da mulher.
— Parece que gostou de você. — Constatou a morena com um sorriso.
— É parece...
— Por que não fica com ela? — Zelena ergueu os olhos um tanto confusa, ela nunca tivera um animal de estimação, e não sabia se Regina gostava de gatos, além de que ter algo ou alguém para cuidar era uma responsabilidade grande.
— Regina adora animais, vai gostar com certeza.
— Não sei, Mary... — E olhos verdes lhe encararam encarecidamente, ronronando baixinho, quase pedindo por mais carinho.
— Eu não sei cuidar nem de plantas. — A outra mulher riu.
— É bem simples, gatos são independentes, se contentam com ração, leite e areia. — "Fique comigo, eu vou ser boazinha, por favor"...Ela quase podia ouvir a gata dizer tais palavras, o que era ridículo.
— Bom eu tenho que ir...Se Regina aparecer peça para ela me ligar...David está com Neal...E bom... — O lado mãe protetora estava um pouco abalado por conta de Emma e os acontecimentos na delegacia, ela se levantou e a ruiva de súbito a acompanhou.
— Espere e sua gata?
— Sua gata. — Corrigiu Mary, coçando uma última vez as orelhas do animal.
— Acho melhor dar um nome pra ela, fica mais fácil domesticar. — Zelena iria contestar, porém acatou aquilo como uma espécie de prêmio.
— Obrigada...Por tudo. — A morena sorriu e por mais incrível que pareça, ofereceu um abraço rápido a bruxa e ao bichano.
— Não agradeça, foi você quem fez o próprio destino. — As duas sorriram.
— Eu levo você à porta.
— E agora?O que eu faço com você? — A ruiva encarou a gatinha nos olhos, percebendo um certo brilho brincalhão e encantador.
— Você parece com aquele unicórnio do desenho...Qual era mesmo o nome...Uni. — A gata ronronou enrolando-se em suas pernas.
— Acho que isso foi um "Gostei do nome". — Zelena torceu os lábios.
— O que Mary disse?Leite, areia... — Franziu a testa levemente, Uni parou de se esfregar entre os tornozelos da ruiva, andando em direção à cozinha lentamente, induzindo que deveria ser seguida.
— Folgada... — Murmurou decidida a seguir a gata.
— Hey... – E novamente ela agarrou o corpo pequeno de cima da ilha.
— Acho que vamos ter de sair, ao menos até arranjar um local pra você. – Uni olhou para ela, como se pudesse entender seus pensamentos...Granny’s.
Regina suspirou um tanto frustrada, passando mais uma das páginas, o que ela poderia fazer além de folhear aquele maldito livro por tempo indeterminado, porém seus pensamentos só iam em direção a Robin, Roland, Zelena, Henry...Eles poderiam ser uma família perfeita...Bom não perfeita ou completa, mas feliz, a ex-prefeita balançou a cabeça negativamente por um breve momento, não era hora de se iludir novamente.
— Por que estou sentindo um dejà-vú? – Contendo um suspiro, ela pode sentir quando o loiro adentrou sua cripta, antes mesmo que ele descesse as escadas.
— Regina... – Não se dignando a erguer os olhos, ela fingiu estar muito interessada nas palavras daquele livro.
— Vivi minha vida inteira seguindo um código... – Ah que ótimo, mais um discurso elaborado pelo herói dos pobres.
— Roubar dos ricos, para dar aos pobres... – Já vi esse filme milhares de vezes, pensou.
— Ser sincero, correto e bom. – Nem tudo sai como planejado, não é mesmo.
— E tenho tentado viver sobre esse código a minha vida toda. – Regina compreendia, não concordava, mas compreendia, estava tentando ser boa, seguir um código, e para isso teria de se afastar daquele homem.
— Então por que está aqui? – No íntimo de sua mente, ela sabia, porém esperava realmente que ele dissesse um “Só queria deixar claro” e fosse embora, seria mais fácil...Infelizmente o destino detesta coisas fáceis.
— Por que hoje não é um daqueles dias. – Ela foi fraca, sabia que havia sido, mas não teve forças para negar ao beijo de Robin, a saudade, e principalmente o amor amoleceram as barreiras que ela mesma havia criado, e a morena se deixou levar, se concentrando apenas naquele cheiro de floresta e no eterno gosto de menta.Ela gostava das sensações que ele lhe causava, gostava de não ser tão mais baixa que o loiro, eles se encaixavam perfeitamente, e consequentemente ela sabia que haviam sido feitos um para o outro.
Robin sempre fora o homem exemplar, o fora da lei que recebia cumprimentos da população, e não ligava se a mulher que amava fosse quem fosse, era simples ele a amava, amava sua cicatriz cortando o lábio, sua voz, sua implicância constante, ela conseguiu seu coração nos mais pequenos detalhes e nada importava.Nada mais fazia sentido quando ela abraçou seu quadril com os braços delicados.Ele a queria e naquele moemento.Nas consequências, eles pensariam outra hora.
Zelena gostaria de camuflar o fato de que estava sozinha naquela maldita lanchonete, ok...Não completamente sozinha...Sua irmã precisava de espaço, Henry estava trabalhando e caramba, o que ela estava fazendo da própria vida?Ela gostaria de ajudar as pessoas de alguma forma, o que era um pensamento completo e totalmente engraçado, afinal ela era a bruxa má, não tinha de ajudar ninguém, porém tal coisa ficava martelando sua cabeça, e não iria embora de forma alguma.
Uni estava sentada a seus pés, muito entretida com o pote de leite para dar atenção a qualquer outra coisa, internamente a ruiva se questionava se aquela gata não tinha alguns traços humanos, afinal nem mesmo Pongo se importou com sua presença.
— Mais um ponto interessante...Você gosta de animais. – Ela sabia de quem era a voz, mas recusava-se a erguer os olhos da gata.
— Mary Margaret ainda me paga...Ou melhor...Nossos ressentimentos se foram depois disso. – O desvio no sorriso lhe pareceu engraçado naquele momento.
— Então porque não está comemorando. – Zelena franziu a testa.
— Desculpe...Mas sua expressão me parece...Tediosa. – A ruiva deu de ombros.
— Talvez eu esteja mesmo com tédio. – Murmurou dando mais uma olhada na gata, apenas certificando-se de que ela não havia feito bagunça.
— Quer saber...Chega. – Ele é louco, seus pensamentos novamente gritaram quando aparentemente sem motivos o moreno se levantou, a olhando impaciente induzindo que deveria fazer o mesmo.
— Ãnh... – Seus pensamentos travaram por um momento.
— Temos que conversar e agora. – E ele agarrou sua mão, puxando-a sem medo de ser transformado em um macaco voador...A ruiva até pensou em fazer algo do tipo, mas apenas pegou Uni nos braços, permitindo-se ser puxada pela porta traseira.
— Você e Regina tem que parar com essa mania de me arrastar para os lugares. – A mulher revirou os olhos, colocando Uni no chão e cruzando os braços sem encarar o chapeleiro.
— Zelena... – O moreno mudou o peso do corpo de um pé para o outro, tentando encontrar seus olhos azuis, falhando na ação.
— Olha pra mim...Por favor. – Pediu, mais do que suavemente, como se acariciasse as palavras.A ruiva levantou os olhos com lentidão, por que ele tinha de ser tão diabolicamente bonito?
— E-eu... – Por que ele estava gaguejando?Droga, Jefferson.
— Só não entendo o que está acontecendo. – Ah se fosse apenas você, pensou a mulher mordendo os lábios por dentro da boca.
— É loucura. – Disse, se dando conta logo depois do trocadilho que havia feito, ela não controlou o pequeno sorriso de canto.
— Concordo...Sim...É loucura... – O moreno também sorriu. — Mas, não tem que ser. – Zelena franziu a testa.
— O que quer dizer? – Jefferson ergueu a mão segurando seu queixo, conectando completamente seus olhos, ele poderia mergulhar naquele azul celeste, tão inocente e tão belo, ele adorava aquele brilho.
— Você está esperando pela melhor desculpa? – Ela abriu e fechou a boca, talvez, talvez ela realmente estivesse esperando a melhor desculpa, para se privar da própria felicidade, parece insano?Zelena poderia explicar...Seria mais fácil se privar de uma felicidade que poderia acontecer a se decepcionar novamente, ela já havia levado muitos socos da vida para sofrer por amor...
— Não é o melhor. – Disse sem a convicção que aparentemente gostaria.
— Talvez não.Mas... – O chapeleiro gostaria de compreender o porquê ou como se encantara por aquela mulher tão rapidamente, no entanto aquilo já não mais importava.
— En...
— Chega. – E ele a puxou de encontro a seu corpo e antes que Zelena pudesse ter qualquer ação o moreno tomou seus lábios para si.
O mundo parou por um momento, a ruiva não sabia direito o que fazer, sentia o corpo trêmulo, teria caído se ele não a segurasse com seus braços fortes, e demorou alguns segundos até se tocar que deveria retribuir ao beijo do chapeleiro.
Os lábios de Jefferson eram macios, constatou roçando delicadamente suas bocas, tendo certeza de que jamais se cansaria daquilo.
As mãos do homem lentamente apertaram sua cintura, aprofundando o beijo, tocando sua língua a dela, e ele se deliciou com seu gosto, uma mistura de hortelã e maçã, algo que ele ainda não havia experimentado, podia sentir seu coração disparado, aquela mulher o tirava de sua sanidade já não tão conservada.
Ele estava quente, ou era quente.Ela subiu as mãos até os ombros do chapeleiro, logo entrelaçando os braços em torno de seu pescoço, aprofundando um pouco mais o beijo.A forma como seus lábios se encaixaram era incrível.
Jefferson não queria soltá-la , queria permanecer explorando bem devagar cada pedacinho da boca delicada e macia da bruxa, seus sentimentos borbulhavam, ele não saberia mais distinguir o certo do errado, queria apenas ela, apenas Zelena.Sua respiração falhou, ele estava ficando sem ar, então lentamente se afastou com um encoste de lábios suave.
A ruiva obrigou seus olhos a se abrirem, observando as esmeraldas a sua frente, as expressões de Jefferson eram extremamente fofas, como uma criança que acaba de ganhar doce ou um brinquedo novo.
— Louco! – Exclamou e ele não controlou a risada.
— Se é loucura gostar de você então me revelo um completo insano. – Para ela ter relacionamentos saudáveis nunca fora fácil, mas ali entre as mãos fortes e quentes de Jefferson, que tocavam seu quadril, ela sentia que poderia ter esperança, nada poderia interferir em sua felicidade...A não ser ela mesma.
— O que esse lindo sorriso largo significa? – Questionou aproximando novamente seu rosto do dela, roçando a ponta do nariz na pequena cartilagem que sempre se franzia quando a mesma ficava irritada.
— Que...Meus pensamentos estão soltos.
— E isso é bom? – Ela riu apertando as mãos em seus ombros.
— É maravilhoso. – Murmurou não contendo o pequeno tom de euforia em sua voz.Aquele sorriso o encantou desde o primeiro momento, mas agora ele compreendia que não poderia viver sem observar um sorriso como aquele...Todos os dias.
— Estou...Maluco...Por você. – O novo trocadilho fez com que uma risadinha escapasse da mulher, ela se sentia uma adolescente e incrivelmente gostava disso.Teria muito o que contar a sua irmã, já previa vários questionamentos e piadinhas por parte da mais nova.
— Regina vai surtar... – Jefferson consentiu com um bico afirmativo.
— Mas vai ficar feliz...Disso tenho quase absoluta certeza. – Ele era encantador, ela não podia negar, e desta vez a ruiva o puxou pelo lenço, tocando seus lábios novamente, gostando dos arrepios que aquela ação causava e o enorme contraste que seus corpos possuíam.
E Zelena possuía razão...Regina iria surtar, não só ouvindo a narrativa de sua irmã...Ela se esquecera de um enorme e estrondoso sentimento, um sentimento causado pelo receio de perder, para outro, o afeto da pessoa amada; zelos; a manifestação desse sentimento: despeito invejoso...O grande e fofo, ciúmes.
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