Always by your side
28 Right here waiting for you
Notas iniciais
Aproveitando a pausa de dez minutos, Graham, Regina, Mike e Eric, juntaram-se na sala de descanso do Departamento, para conversarem um pouco enquanto tomavam um cafezinho. Ruby e Robin tinham saído com Emma.
— Eu já transei com uma enfermeira. — Regina solta assim que o assunto “transas loucas” foi sugerido por Mike e aceito por todos.
— Eu também já! — Graham rebate, pouco impressionado. Vindo de Regina, esperava algo bem chocante e grandioso.
— Mas foi em um quarto com pacientes dormindo enquanto tomavam soro na veia, ou em um lugar reservado? — Questiona, arqueando a sobrancelha, apoiando os braços na cadeira e cruzando as pernas, com ar de superioridade, pois, sabia bem que ele não tinha lhe superado.
— Você já fez isso? — O homem pergunta em tom incrédulo.
— Duas vezes! — Mills responde dando de ombros, como se aquilo não tivesse sido nada demais. No fundo, ria da cara de besta do chefe.
— OK! Você venceu! — Levanta as mãos para cima, rendido. Regina sorriu para ele, piscando um olho. — Minha vez! — Levantou uma das mãos como se estivesse em uma sala de aula e pedisse permissão para falar. Ao ver os outros assentindo, pigarreou, preparando-se para contar. — Uma mulher me pediu para eu me vestir de mulher, para poder transar com ela. — Contou de uma vez, já esperando as brincadeiras e piadas que fariam.
— O que? — Mike ri, botando um pouco do seu café para fora. — Igual em “Todo mundo em pânico”, que o cara pede para a namorada dele se vestir exatamente como os colegas de jogo se vestem? — Graham assente, fazendo uma careta.
— Deve ter ficado sexy! — Regina murmura, passando a mão pela coxa do homem e dando um apertão.
— Eu não me vesti. — Apressa-se em dizer. — O marido dela chegou e eu tive que pular pela janela. — Conta com um falso tom de lamento, escutando várias falsas lamentações também.
— Uma vez eu fiquei com uma mulher e ela não parecia se importar muito com os pelos pubianos, sabe? — Eric conta, fazendo uma careta. — Tinha muito cabelo. — Diz com voz de nojo. — Na hora do oral fiquei na dúvida se fazia uma trança ou colocava a boca. — Fez uma rápida expressão pensativa e todos gargalharam, inclusive ele, que quase engasgou com o café.
— Você é um escroto, Eric. — A Sargento salienta, balançando a cabeça de forma negativa, mas ainda rindo.
— É... Mas você está rindo. — O rapaz contesta.
— Por causa da forma como você falou e da sua cara também. — Defende-se rapidamente. — Mas fique sabendo que não é só homem que pode ter muitos pelos e ser considerado normal, ok?
— Ei, eu sei! — Levanta as mãos para o alto. — É só que... — Fecha os olhos e balança a cabeça de um lado para o outro, como se quisesse esquecer ou espantar algo. — Não é muito legal.
— Você se depila todo? — Mike questiona ao amigo, entrando na conversa.
— Eu aparo, sabe? Não é totalmente sem pelos.
— Então não abra a boca para reclamar da mulher que tinha muitos pelos. — Diz, surpreendendo todos. — Sabemos o quanto é incomodo, mas se você pode, ela também pode. — Bate na mesa com o indicador, como se estivesse dando uma sentença. — O tamanho? Vai do gosto de cada um. — Dá de ombros. — Ela não vai depilar do tamanho que você gostar, mas sim, do tamanho que ela gostar.
— É isso aí! — Regina bate palmas para o homem e o Capitão a acompanha. — Se acha tão ruim fazer oral em uma mulher cheia de cabelos, já pensou no quanto elas também devem achar ruim fazer oral em um homem todo cabeludo? — Regina faz cara de nojo. — Argh! — E finge vomitar.
— Elas não dizem nada... — O detetive dá de ombros.
— E você diz? — O homem nega rapidamente. — Pois é! — Fala, arqueando a sobrancelha, encarando o homem, que se encolheu um pouco.
— OK! Vocês venceram. — Rende-se, vendo o sorrisinho vitorioso de Regina. — Mas sabe... — Fecha os olhos e passa a mão no rosto. — É questão de higiene poxa!
— Mike! — Todos o repreende em conjunto.
— Deixe de ser hipócrita, viu? — Graham fala, todo zombeteiro, levantando um dedo em direção ao detetive. — Deixe de ser hipócrita. — Reforça. — Ok! Vamos voltar para as histórias. — Pede, voltando a se encostar na cadeira. — Tenho uma história bem interessante. — Esfrega uma mão na outra e começa a sorrir. — Eu conheci uma garota em um final de semana de férias em Nova Iorque. Fomos transar em uma cabana dos pais dela, no meio do mato. No meio da transa, na melhor parte, ela parou tudo e me pediu para urinar nela.
— Isso foi bem estranho. — Mike murmura. Sua expressão confusa, com o olhar direcionado para cima, entregava que ele estava tentando imaginar a cena.
— Ela gozou logo depois. — Humbert continua, chocando ainda mais os colegas.
— Você atendeu o pedido dela? — Eric pergunta, surpreso.
— Você achou mesmo que eu iria deixar de satisfazer alguém, só por que acho estranho a forma como ela sente prazer? — Questiona retoricamente. — Talvez, meu querido, você precise aprender que o sexo a dois, as duas partes precisam sentir prazer. — A seriedade nas palavras e no tom, deixava claro que ele não estava brincando. — Não podemos ser egoístas e pensarmos apenas no nosso prazer.
— Uau! — Regina bate palmas e até se levanta. — Eu te criei direitinho, discípulo de Regina Mills. — Dá uma tapinha no ombro do homem e volta a se sentar. — Bem, eu já transei com uma que me pedia mais para bater na cara dela e chama-la dos piores nomes que eu conhecesse, do que fodê-la. — Conta sorrindo e balançando a cabeça negativamente com as imagens do momento vindo em sua mente.
— Eu não tenho experiências legais assim! — Mike diz, parecendo uma criança quando não consegue o que quer, fazendo até bico e cruzando os braços. Só faltou bater o pé.
— Eu adoro essas mulheres com gostos estranhos. — Regina solta em tom pensativo. — São as melhores na cama. — Acrescenta, vendo o Capitão concordar com o que diz.
— Só perdem para as grávidas. — Graham ressalta.
— Talvez. ― Mills pondera. — Ah! Eu amo o mundo da boceta. — Solta, fazendo os outros três rirem.
— Estamos juntos! — O Capitão murmura e então brindam com o café.
A conversa animada e descontraída é interrompida pelo toque de alarme do celular de Humbert, informando que a pausa acabara.
— Hora de voltar ao trabalho, pessoal! — Avisa, pegando as xícaras vazias e se levantando.
•§•
— Você não seria capaz de fazer isso. — Monique murmura de olhos arregalados, tendo uma arma apontada para a testa. Estava encurralada na parede.
— Tente. — Jhuan murmura, destravando a arma e encostando o cano, vendo a mulher tremer na base.
Regina estava bastante concentrada assistindo mais um capítulo gravado na noite anterior, de uma de suas amadas novelas, quando seu telefone celular toca. No visor, o nome de Cora Mills cheios de emojis, todos colocados por Emma, piscava.
— Oi mãe! — Atende rapidamente, dando pausa na gravação da novela. — Bom dia! — Cruza as pernas em cima da mesa e se joga no encosto da cadeira.
— Bom dia, como está o seu braço, querida?
— Melhor impossível! — Responde-lhe, levantando o braço, outrora machucado, para o ar, movendo-o de um lado para o outro, constatando o que dizia.
— Ótimo! E como está o trabalho? Tudo tranquilo?
Regina estranha a pergunta.
— Está tudo bem também. — Responde tentando não demonstrar que estranhara a pergunta de Cora. — Há dois novos oficiais conosco, lembra? — Decide mudar de assunto.
— Sim, eu lembro. — Responde animada e Regina respira aliviada por ter conseguido desviar do assunto. — Eles são legais?
— São sim. Eles até se adaptaram rápido ao nosso estilo de trabalho.
— Hm... Mas filha... — Seu tom indicava que mudaria de assunto. Mills resmunga mentalmente. — E aqueles dias que você veio passar aqui conosco, sem a Emma, não te trouxe problemas? — Questiona como se estivesse sondando a filha. Cora sabia que Regina não estava de férias como tinha dito. Não sabia em qual mês era o descanso da filha, mas sabia que ela só o tirava junto com Emma. Queria saber o real motivo pelo qual ela ficou afastada do trabalho além do acidente.
— Eu estava de férias, mãe. Eu te disse. — Respondeu sem pestanejar, com o coração acelerado, lembrando-se do que sofria todos os dias para esquecer e imaginando o problema que seria se a mãe e o pai soubessem do que fizera.
— Ah sim! É verdade. — Finge acreditar e por hora, decide desistir de tentar fazer a mulher lhe falar a verdade. — Eu tinha esquecido. — Força uma risada. — Bem, mês que vem, eu e seu pai estaremos ai, ok?
— OK, mãe. Vocês passarão...
— Regina, eu... — Emma entra em sua sala de repente, interrompendo a conversa de mãe e filha, e interrompendo-se ao ver a morena ao telefone. Aproximando-se um pouco, faz uma mímica com as mãos, dizendo o que queria e sai da sala novamente. A Sargento avisou que a esperaria no carro.
— Mãe, eu vou ter que desligar agora. — Avisa, desligando a TV e levantando-se.
— Tá bom, filha. Tenha um bom dia e mande um abraço para Emma. Estou com saudade dela.
— Pode deixar que eu darei o recado. — Pega seu casaco, o distintivo e a arma, seguindo para a porta. — Eu te amo, mãe. Mande um beijo para o papai. — E então encerra a ligação, guarda o celular no bolso e fecha a sala.
•§•
Com o carro encostado na calçada de uma praça, as duas mulheres, encostadas na lataria do veículo, escutavam Richard Marx vindo do som do carro, que estava com a porta aberta, enquanto observavam as crianças brincarem com os cachorros, com os pais, ou outras crianças.
De repente, como se todas as coisas ruins que aconteceram entre as duas, não tivessem acontecido, elas não tivessem brigado e nem se afastado e por um momento, agido como duas estranhas e tudo ainda estava como antigamente, Regina pega na mão da amiga, olha bem no fundo dos seus olhos verdes, que ela tanto ama e canta a próxima parte da música:
Wherever you go — Aonde quer que você vá
Whatever you do — O que quer que você faça
I will be right here waiting for you — Eu vou estar bem aqui esperando por você
Whatever it takes — Seja lá o que for necessário
Or how my heart breaks — Ou como meu coração fique partido
I will be right here waiting for you — Eu vou estar bem aqui esperando por você
Sem a sua permissão, o coração da loira bate acelerado com a declaração, mesmo sabendo que Regina, provavelmente, estava brincando, como nos velhos tempos em que nunca perdia uma oportunidade de jogar seu charme para cima dela, mesmo que quisesse, de fato, ficar com ela, e que a morena estava, provavelmente também, querendo trazer a normalidade de volta entre as duas. Mills sempre soube como mexer com ela.
Ignorando as batidas loucas do seu coração, Swan sorri brevemente, torcendo para que a amiga não percebesse que ficou afetada, e revira os olhos, exatamente como fazia, quando Regina dava em cima dela.
A música continua, mas Mills para de acompanhar o cantor e as duas passam a ficar se encarando em silêncio, como se estivessem presas em uma bolha.
― Estou feliz que estamos voltando ao normal. — Emma comenta, quebrando a troca de olhares e Regina sorri, aproximando-se mais, mas logo tendo seus movimentos interrompidos com o seu celular tocando.
— É o Graham. — Avisa, afastando-se um pouco e atendendo a ligação.
— Como sempre... — Sussurra, balançando a cabeça negativamente, mas sorrindo. As coisas pareciam mesmo, estarem voltando ao normal.
Emma torna a olhar para as crianças brincando, mas logo muda seu foco para os casais sentados na grama, conversando, sorrindo, beijando-se, abraçando-se, amando-se. Inevitavelmente, sua mente lhe faz se imaginar com Mills, fazendo o mesmo que aqueles casais, e ela não consegue evitar a tristeza se apoderar do seu ser. Ela não estava apaixonada por sua amiga, Regina Mills, estava? Ela não queria estar, mas tinha que admitir, ela estava, e muito. Seu coração, que antes batia acelerado com o momento, diminui as frequências e agora ela podia sentir as pontadas de tristeza, cada vez que visualizava Regina e ela, sentadas ali, trocando carinhos e declarações.
Como ela queria que tudo fosse simples e fácil para elas. Como ela queria simplesmente poder fazer o mesmo que via os casais mais na frente, felizes, fazerem.
Mas, infelizmente, querer não é poder e a Sargento sabia muito bem disso.
Suspirando pesadamente, ela observa Regina conversando ao telefone com Humbert, e então se lembrou do que vira alguns dias atrás.
Quando viu a amiga abraçada à Graham, quis chorar desesperadamente, sentindo ciúmes. Sabia que não havia nada e nem poderia haver, qualquer coisa mais íntima entre eles, mas não conseguiu evitar o sentimento.
Emma Swan estava começando a aceitar que havia se apaixonado sim, mas, infelizmente, pela pessoa errada.
De repente, seus devaneios são interrompidos, pelas passadas apressadas da amiga, dona de seus pensamentos, parando perto de si.
— Emma, precisamos voltar. — Avisou com a voz séria, sem perceber o olhar perdido que ela carregava. Sem pensar duas vezes, Emma entrou no carro e sentou no banco do carona. Pela forma que a outra falara, ela sabia que algo bom não tinha acontecido.
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