Notas iniciais
Olá pessoal! Quem é vivo sempre aparece, não é? kdsfnjkewsnfjesfn

— Demorei? — Emma se joga no banco ao lado de Killian, que tomava um guaraná e comia um algodão doce. — Você está mesmo comendo algodão doce e tomando guaraná? — Fez uma expressão de nojo.

— Sim, eu estou realmente comendo algodão doce e tomando guaraná. — Deu um gole na bebida e pegou mais um pedaço do doce. — E não, você não demorou. — Sorriu. — Quer? — Levantou os dois, oferecendo-os na direção da loira.

— Não. — Balançou a cabeça de forma negativa diversas vezes, ainda fazendo expressão de nojo. — Prefiro as combinações, digamos que, mais normais...

— Mas a minha combinação é normal... — Defende-se. — Veja as crianças... — Aponta com a cabeça, algumas crianças que faziam exatamente o que ele estava fazendo no momento. Emma observa ao seu redor e ao ver as crianças que ele mostrava, franze o cenho.

— Tá... — Balança a cabeça algumas vezes, ainda com expressão de nojo. — Eu prefiro as outras combinações mais normais. Tipo cachorro quente, batata frita, hambúrguer e guaraná... — Disse, contando nos dedos cada item. — Aliás, estou morrendo de fome... — Passou a mão pela barriga. — Será que podemos? — Apontou para uma barraquinha de batata fritas e churros.

— Só se for agora... — Levantou-se num pulo, fazendo Emma sorrir e seguiram em direção às barraquinhas de lanches.

•§•

— Então, Sargento... — Swan arqueia a sobrancelha e sorri tímida, ao ouvir como foi chamada. — Como foi o seu dia? Muito corrido? — Killian indaga logo após, mordendo com vontade o seu hambúrguer. Estavam sentados em uma das mesas ao ar livre, de uma lanchonete próxima ao parque que marcaram o encontro.

— Bem... — Olhou para o céu estrelado de Chicago, relembrando o seu dia. — Não dormi bem. — Começou, contando nos dedos. — Cheguei muito cedo ao Departamento. Passei a manhã toda lendo todas as anotações importantes que os detetives fizeram de alguns casos. Não fiz um lanchinho. Não tomei café. Almocei rápido demais, e mais tarde, quando finalmente me livrei dos papéis e consegui um tempinho para descansar os olhos, acontece aquele ataque no parque. — Finaliza o relato. — E aí, o que você acha que foi? Muito agitado, ou muito tranquilo? — Sorriu.

— É... Digamos que foi meio a meio... — Ele faz o gesto com a mão e os dois sorriram. — E o seu machucado... — Tocou no braço da loira, próximo à parte enfaixada por debaixo da jaqueta. — Incomodando muito?

— Até agora não... — Retirou a jaqueta e tocou levemente no local. — Vamos ver mais tarde, na hora de dormir...

Lembrando-se de seu hambúrguer, que já está não final, em uma mordida só, Killian acaba com o fast food.

— E Regina? — Indaga após tomar um generoso gole em seu guaraná. — Como ela está? Soube de seu acidente.

— Digamos que ela tenha sido o motivo da minha noite mal dormida. — Disse na inocência, mas logo percebeu como a frase soara estranha. — As dores, eu quero dizer... — Tentou concertar.

— Eu não tinha levado para outro lado... — Killian rebate sorrindo.

— Uh... Ok! — Balança a cabeça negativamente e sorrir de si. — Mas ela está bem. Apenas dores... — Respondeu à pergunta finalmente. — Mas e o seu dia? Muito corrido? — Foi a sua vez de perguntar. — Deve ter sido, né? Dia calmo e bombeiros não combinam na mesma frase. — Diz bem-humorada, fazendo o outro rir também.

— Na verdade, hoje eu estou de folga. — Coça sua barba bem-feita e abre um sorriso ao ver a expressão confusa no rosto da outra. — Então, tirando o que aconteceu no Orlando...

— Mas você estava no parque... — Diz confusa.

— É que a emergência foi grande. — Rebate ainda risonho, porém Emma continua de cenho franzido, sem entender. — Foi preciso a minha presença por lá. A minha e de mais alguns que estão de folga hoje... — Explicou. Emma abriu a boca e balançou a cabeça positivamente, indicando que havia entendido. — Deixei um aviso do tipo, para quando fosse preciso. — Acrescentou.

— Entendi... — Balançou a cabeça de modo afirmativo, indicando o que dissera. — Mas estamos no meio da semana e você está de folga? — Franziu o cenho e logo sorriu ao ver o sorriso do outro.

— Nós trabalhamos um dia/noite, 24 horas e folgamos 48 horas. — Explica para a loira, que o ouvia bem atenta. — É assim que funcionamos aqui em Chicago. — Ela balança a cabeça, indicando que entendera. — Às vezes, fazemos 50 horas por semana. Mas com a folga, não se torna tão cansativo... — Toma um gole do guaraná já quente, para molhar um pouco sua garganta. — Às vezes, trabalhamos um dia inteiro em um incêndio, mas falando por mim e alguns que eu conheço, trabalhamos com o coração, Emma... — Swan abriu um sorriso ao ouvir a afirmação do amigo. Não era muito diferente dela. — Amamos o que fazemos e é recompensador salvar vidas... — Conclui com os olhos brilhando.

•§•

— Obrigado por aceitar o convite... — Disse sem jeito, passando a mão pelos cabelos, assanhando os fios. Estavam parados em frente à casa de Regina. Tinham chegado até lá andando, pois, o parque no qual se encontraram, não era tão longe a ponto de ter que pegar um táxi. Killian havia a acompanhado até ali e depois seguiria seu caminho, andando também.

— Não foi um favor. — Rebateu rapidamente, arqueando a sobrancelha. O homem sorriu e concordou, enfiando as mãos no bolso da calça jeans. Emma reconhecia que era um ato de nervosismo.

— Foi uma noite muito agradável e eu gostaria de repeti-la mais vezes, se possível.

— Uh... Ok! Vamos repetir. — Sorri para ele, que logo retribui. — Bem... — Pigarreia. — Agora eu vou entrar... — Apontou para trás. — Talvez Regina possa estar precisando, ou algo do tipo e... Amanhã eu...

— Ah, ok! — Interrompe-a e sorri sem jeito. — Bem, eu também estou indo... — Apontou para o seu caminho, atrás de Emma. — Foi bom te ver hoje, Swan... — Sem saber o que fazer, aproxima-se sem jeito e toca em seu braço. — Boa noite, então... — Beija sua bochecha, ficando todo vermelho e segue seu caminho.

— Boa noite... — Swan responde, vendo-o se virar para trás, acenar e seguir seu caminho.

Repassou os últimos minutos na presença de Killian e sorriu. Adorou o tempo que passou com o homem, mas precisava tomar mais cuidado. Não estava afim de um relacionamento agora e não podia dar esperanças de que queria um. Não queria machuca-lo. Ele não merecia isso. Era um bom rapaz.

•§•

Ao entrar em casa, Emma encontra tudo no escuro. Regina já havia ido dormir e ela iria fazer o mesmo, assim que tomasse um banho.

Após passar pela sala e seguir para a cozinha, certificando-se que os dois cômodos não precisam de uma ordem, toma uma água e sobe direto para o banheiro do corredor.

•§•

Já pronta para dormir, Emma decidi ir dá uma olhada em Regina, antes de ir deitar e descansar, para se certificar de que tudo está bem com a amiga, e ao chegar na porta de seu quarto, abrindo-a devagar, escuta a voz de Bob Marley cantando Is this love, preenchendo o ambiente quieto.

Ao constatar que a morena dormia, pegou o seu celular, depositado ao lado do travesseiro e pausou a música. Observou-a por alguns minutos e após cobri-la melhor, saiu do quarto, logo seguindo para o seu.

Ao escutar a porta sendo fechada, Regina, que fingia estar dormindo, abre os olhos e se vira, olhando para a porta, agora fechada, que Emma passara minutos atrás. Observa a hora, 10 para as 12, em seu relógio digital, posto na mesa de cabeceira, e após um suspiro, volta para a posição anterior, tentando dormir.

•§•

Ao som de Words don't come easy, Emma dirigia devagar pelas ruas de Chicago, em mais uma de suas rondas, enquanto momentos ao lado de sua parceira, invadiam a sua mente em forma de saudade.

Ainda se sentia mal por tudo que dissera para a morena, na viagem à Detroit e triste pelo que a amiga pretendia fazer ao estuprador. Claro que entendia o lado dela, a raiva que sentia, a vontade de fazer justiça com as próprias mãos, mas jamais aprovaria sua atitude de tê-lo levado para longe, para praticar a maldade.

Mas nada dessas coisas a impediam de sentir falta de Regina, sentada bem ali, ao seu lado, escutando músicas como sempre gostaram, cantando animada, empolgada, às vezes até romântica, dançando, falando besteiras, ou mesmo tentando algo com suas cantadas, muitas vezes, tentadoras, ou então, tentando lhe roubar beijos enquanto dirigia, passando seus dedos em lugares inadequados para o momento, ou os beijos e cheiros dados em seu pescoço.

— Emma, aumenta esse som, que essa é minha música. — Swan podia ouvir sua voz em sua cabeça, como se ela estivesse ali, bem ao seu lado, fazendo o pedido.

— Talvez eu devesse me inscrever para “The X Factor”, o que você acha? — Disse bem-humorada, após ser elogiada pela loira, por ter cantado Celine bem, levando em consideração que as músicas dela não são fáceis de cantar.

— Você já está exagerando. Foi só um elogio. — Balançou a cabeça negativamente, rindo do revirar de olhos da amiga.

Swan é despertada de suas lembranças, pelo toque do seu celular, indicando uma ligação. Sem pressa alguma, liga o alerta do carro e para no acostamento. Em seguida, pega seu celular jogado no banco do passageiro, que mostrava uma foto de Graham na tela.

— Boas notícias... — O homem diz antes que ela pudesse dizer algo. Ele estava bem animado. — Encontramos um suspeito do acidente, não tão acidente assim, da Regina...

— Ótimo! Estarei aí em menos de vinte minutos. — E sem esperar por uma resposta, encerra a ligação, jogando o aparelho em cima do banco novamente e saindo do acostamento em disparada.

Estava louca para saber quem havia jogado o carro em cima de Regina, propositalmente.

•§•

— Então, Regina... Você está confortável em estar aqui comigo? — A psicóloga pergunta, observando Mills bem atentamente, por cima de suas lentes grossas de grau, sustentadas por hastes pretas e batendo com a caneta em sua bochecha. Após o seu afastamento do Departamento, foi lhe indicado que fosse até um profissional para conversar sobre o ocorrido. Sua volta dependia exclusivamente dos resultados finais de sua consulta com a psicóloga a sua frente.

— Na verdade, não, mas eu sei que tenho que estar... — Cruza os braços e encosta-se à poltrona, desviando sua visão para o chão. — Eu preciso disso. — Acrescenta com pesar.

— Ótimo! — Fez algumas anotações, atraindo a atenção da paciente e deixando-a curiosa. — Isso já é um começo. — Levanta o seu olhar novamente e sorri para a morena, que sorri de volta, um pouco sem jeito.

•§•

Após fazer um rápido lanche, numa barraquinha de cachorro quente, logo que saiu do consultório, Regina segue para o seu carro, mas antes que possa chegar até ele, seu telefone toca, fazendo-a parar.

Ao identificar o nome de Luz em sua tela, abre um verdadeiro sorriso, diferente das outras vezes em que recebera a ligação da mulher em momentos inapropriados. Fazia tempo que não via a mulher.

— Ei, quanto tempo... — Diz verdadeiramente animada em falar com a mulher.

— Sim, eu estava de férias... Voltei ontem e já estou louca para te ver...

— É só você marcar o dia, a hora e o lugar. — Volta a andar, continuando o seu caminho até o carro.

— Mas você vai mesmo? — Questionou em um tom sério.

— É claro que eu vou. — Parou os passos, surpresa com a pergunta. — Alguma vez eu já dei bolo em você? — Colocou a mão engessada na cintura como se a outra pudesse vê-la.

— Não... — Apressou-se em responder. — É só que... — Respirou fundo. — As últimas duas vezes que eu te liguei, precisando falar com você, fiquei esperando um retorno e até hoje espero....

Ah! — Murmura sem graça, lembrando-se das vezes que a mulher ligou e ela ficou de retornar, mas nunca o fez. Estava vermelha de vergonha agora e agradecia pela outra não estar presente. — Luz... Eu sinto muito... — Não sabia o que dizer para se explicar com a mulher. Não queria ter que dize que tinha se esquecido. — Eu...

— Tudo bem! Esqueça... — Mills suspirou aliviada por ter se livrado de uma explicação embaraçosa. — Você está de férias? — Questionou, mudando de assunto, estranhando o fato dela, com sua resposta sobre marcarem uma saída, demonstrar que estava livre a qualquer momento.

— É um pouco complicado... — Disse simplesmente, fazendo a outra entender que ela não queria falar sobre o assunto.

— Ok! Que tal se nós nos encontrássemos hoje, no mesmo lugar que nos conhecemos?

— É só me dizer a hora... — Rebateu com um sorriso, voltando a andar para o seu carro.

•§•

Ao ver seu celular tocando, Emma para o carro no acostamento, baixa o volume do som e o atende.

— Swan, mudança de planos. — Humbert diz, sem dar tempo de ela falar. Ele parecia bem agitado.

— O que aconteceu? — Remexe-se no assento e se olha no espelho, passando as mãos por seus fios bagunçados. Estava cheia de frizz e com aparência de seco. Precisava cuidar mais de seu cabelo.

— Quem estava matando pessoas e arrancando os corações, voltou a atacar.

— Onde? — Para imediatamente o que estava fazendo dando mais atenção ao que ouvia.

— Perto do Planetário. Estamos indo para lá.

— Ok. Chego em alguns minutos. — E sem esperar respostas, encerra a ligação e arranca com o carro.

•§•

Ao chegar ao local do crime, Emma trata logo de afastar os curiosos, temendo que alguém arruíne o trabalho dos detetives e da perícia.

Pega um rolo de fita isolante no carro e isola o máximo que pode da área onde o corpo se encontra. Quando está terminando, Graham e sua equipe chegam ao local.

— Você já conversou com alguém para colher informações? — Indaga Humbert, assim que se aproxima da loira.

— Acabei de chegar. — Corta a fita e entrega-a para o homem. — Vou dar uma olhada no corpo. — Retira do bolso de trás de sua calça, um par de luvas que estavam ali desde quando descera do carro e as coloca. — Chame o Eric e o Mike para me ajudarem. Em poucos meses farão as provas para se tornarem detetives, então seria bom já começarem a treinar. — O homem assente e se afasta, indo em direção aos curiosos, mas chamando a atenção dos dois oficiais, para que fossem até o corpo.

Emma se aproxima do homem de aparentes 40 anos de idade, com traços de um inglês e começa a procurar por qualquer outra perfuração em seu corpo, além do enorme buraco que há em seu peito esquerdo, mas sem tocá-lo. Mas nada encontra.

Ao conseguir pegar sua carteira, que estava embaixo dele, mas não em seu bolso, abre para ver os documentos e se depara com uma folha de caderno, bem dobrada, no bolso das moedas.

Ao ler o que havia escrito, seu coração bate acelerado.

— Encontrou alguma coisa, Emma? — Mike aproximou-se da loira, ao perceber que ela estava com um papel em mãos e parecia nervosa.

— Seu momento também vai chegar. — Leu em voz alta para o outro.

Notas finais
Mais informações sobre o Corpo de Bombeiro de Chicago: http://vemprachicago.com/2016/04/24/chicago-fire-dept-corpo-de-bombeiros/ Peguei as informações de lá. Espero que tenham curtido mais um capítulo de Always. Reclamações? Sugestões? Elogios? Deixem-me saber o que estão pensando :)