Always at your side
32 O inimaginável
Notas iniciais
P.O.V. Beckett
Respiro fundo, tirando um tempo para me recompor do que acabou de acontecer, antes de me dirigir à sala do capitão. Em outros tempos, eu estaria fazendo de tudo para afastar o Castle. Mas três anos se passaram, as coisas mudaram, eu mudei, e posso dizer que aprendi com os meus erros. Nosso “reencontro” não precisa ser visto como uma ameaça, ou significar problemas. Seguimos com as nossas vidas e somos bons conhecidos. Ainda me importo muito com ele e não posso negar que essa é – apesar de não como eu esperava – uma boa oportunidade para matar a saudade de nossas conversas amigáveis. Por outro lado, é claro, eu estaria mentindo se dissesse que encarar os seus olhos mais uma vez em tanto tempo, especialmente quando na última vez em que isso aconteceu eles transmitiam tanto carinho para mim, não me afetou diretamente. Era de se esperar que isso acontecesse, mas foi uma surpresa maior do que eu poderia prever. O arrepio, o coração acelerado, a perca da noção do tempo e espaço, tudo isso causado por ele em uma troca de olhares. Por um momento foi como se nunca tivéssemos nos separado, mas no outro, lá estava a grande barreira de tempo e mudanças entre nós dois. Não consigo analisar muito bem tudo o que acabou de acontecer, ou captar sinais no modo como agimos um com o outro. Ambos tínhamos nossos pensamentos mergulhados na tensão do presente e misturados com as lembranças do passado. Mas tenho certeza de uma coisa, e é do sentimento de que nada será o mesmo a partir de agora. Pode parecer loucura, mas sinto que o destino não nos “reuniu” somente para separar mais uma vez. Mesmo que tenhamos um passado complicado, mesmo que não sejamos um casal, mesmo que não tenha dado certo, minha definição e conclusão para tê-lo de volta em minha vida agora, é porque realmente, de algum modo, e em algum lugar, sendo irônico ou não, alguém acredita que devemos ficar próximos. Como eu disse, parece loucura. E não sei ao certo como encarar isso. Devo agir normalmente? Ser mais cautelosa, distante? Mas como, se, tenho certeza de que tudo o que ele tem para falar comigo diz respeito exatamente a nós, ao passado? Estou preparada para fazer uma viagem de volta a tudo o que aconteceu naqueles dias?
Balanço a cabeça, tentando espantar todas essas perguntas, e pensamentos. Tento visualizar um lado bom (realmente bom) nisso tudo, e consigo: o fato de eu tê-lo reencontrado desse jeito, curiosamente como testemunha de um caso que, querendo ou não, tem grande peso sobre mim. É como se eu me sentisse até mesmo mais confortável com isso. Confortável por ter sido ele, e não outra pessoa qualquer. Sei muito bem como as coisas tendem a acontecer das maneiras mais inimagináveis, sendo elas boas ou não. E dessa vez, sinto-me obrigada a agradecer pelo inimaginável.
Guardo o papel que a Lanie me entregou no bolso de trás da calça, fazendo uma nota mental para lê-lo assim que tiver a chance. Uma vez em frente à sala do capitão, bato na porta duas vezes antes de abri-la, colocando metade do corpo para dentro. Surpreendo-me ao ver que o Ryan e o Esposito também estão presentes, o que me leva a pensar que estou prestes a ouvir algo importante.
—Capitão Watson? – o olhar dele captura o meu assim que termino de falar. – O senhor queria falar comigo?
—Bem, felizmente para você, eu ainda quero. Pensei que não iria aparecer. – ele soa bastante sério, fazendo-me franzir a testa, visto que ele é sempre tão agradável comigo. – Entre.
—Me desculpe. – digo, enquanto vou em direção a eles, sentando-me no pequeno sofá ao canto. – O interrogatório com o Sr. Castle durou mais do que o previsto.
—Ele disse alguma coisa que pode nos ajudar com o caso? – coloca os cotovelos sobre a mesa, juntando as próprias mãos.
—Eu acho que as palavras dele vão fazer mais sentido à medida que formos encontrando as evidências. – deixo meu olhar percorrer as três expressões faciais tensas à minha volta. – Então, o que está acontecendo? Por que estamos todos aqui?
Ele limpa a garganta.
—Ryan. – diz, se dirigindo a ele, como se lhe passasse a palavra.
—Bem – Ryan começa. –, enquanto vocês interrogavam o Castle, eu comecei a dar andamento à investigação, checando as câmeras do quarteirão onde a vítima foi encontrada, e alguns próximos a ele. Em determinado momento, um homem apareceu, usando uma máscara. – Espo e eu trocamos um olhar. Lembro-me do que o Castle disse. – Ele foi o único a aparecer nas filmagens, então me pareceu um potencial suspeito.
—Ele tirou a máscara em algum momento? – pergunto, e vejo-o assentir. – Você conseguiu identificá-lo? Sabe onde ele está agora?
—Sim, e... mais ou menos. – respira fundo. – O nome dele é Malcolm Collins, 40 anos, também de Manhattan. Aparentemente costumava participar de pequenos furtos, vendas de drogas... Mas apesar das tentativas da polícia, nunca foi pego. E então, ele simplesmente saiu do mundo do crime.
—Mas acreditamos que isso é só uma fachada. – Esposito dá continuidade. – Lanie me chamou ao necrotério para dizer que havia achado uma marca no braço da Sra. DiLaurentis, deixada por uma agulha. Pelo que parece, injetaram nela alguma substância tóxica que a matou instantaneamente.
—Isso explicaria o que o Castle nos disse sobre num momento ela estar viva, e no outro não. – digo, franzindo ainda mais a testa, tentando não expressar o choque que isso me causou. – Que substância é essa?
—Não sabemos, mas Lanie está trabalhando nisso, a partir de uma amostra de sangue. Talvez nos dê por onde começar.
—Isso está ficando cada vez mais estranho. — digo. — O que mais vocês descobriram?
Ryan é quem responde.
—Esposito passou pela minha mesa para me falar sobre a tal substância no exato momento em que eu estava revirando a conta bancária do nosso suspeito. Houve uma grande retirada de dinheiro vinte minutos depois da hora da morte nos dada pela Lanie.
—Por que ele faria isso?
—Collins saiu do país. — o capitão diz. Direciono meu olhar para ele, que mantém os olhos fixos nos meus, que claramente indicam o quanto estou surpresa. — Essa também foi a minha reação quando descobri. Os rapazes vieram compartilhar as informações comigo, e eu rapidamente entrei em contato com o meu pessoal no aeroporto. Eles nos enviaram as gravações das câmeras nas últimas horas. — faz uma pausa. — Ele não está mais em solo inglês.
—Como assim? – pergunto um pouco mais alto. — Por que ninguém o barrou?
—De acordo com o histórico do cara, ele está há um bom tempo sem violar a lei, então não seria suspeito. — Espo diz. – Tecnicamente, ele não tem do que temer.
—Exato. – Ryan olha para ele. – E o fato é que não temos nenhuma prova de que ele é mesmo quem procuramos. Nenhuma das câmeras o mostra saindo daquele beco e não temos nada que o coloque lá, caso contrário o voo que ele pegou já teria sido interrompido. – e então seu olhar para em mim, buscando uma opinião.
—Mas, assim como eu, vocês acreditam que ele pode, sim, ser o assassino? – pergunto, e vejo ambos assentirem. – Ok, então, com certeza o que as câmeras conseguiram captar são o suficiente para que a gente possa interrogá-lo. E a menos que ele tenha feito alguma mágica, não pode ter chegado a NY ainda. – faço uma pequena pausa. – Podemos alertar a segurança do JFK.
—Já fiz isso. — Watson chama a minha atenção, mas sua voz não demonstra muita confiança. — Temos olhos atentos lá, esperando por qualquer sinal. Mas eu não duvido nada que, se ele for culpado, irá desaparecer antes mesmo que a gente perceba assim que estiver em sua zona de conforto.
—Mas se ele não sabe que o identificamos, não teria motivos para desaparecer, o que significa que temos uma vantagem.
—Verdade. – faz uma pausa. – Em contrapartida, não sabemos exatamente com quem estamos lidando ou do que são capazes. Se ele descobrir que estamos o procurando...
—Nunca iremos achá-lo. – respiro fundo. – Para onde acham que ele está indo, exatamente? De volta para Manhattan?
—Certamente.
—Então, se eu não estou enganada com as minhas próprias conclusões, ele foi contratado para fazer isso e agora está voltando para casa?
—Ou para encontrar quem quer que seja que tenha o enviado. – Ryan completa.
—Vocês podem estar certos. – Watson volta a dizer. – Mas a única coisa que eu realmente sei, é que Manhattan parece ser uma constante nesse caso. A família da nossa vítima é de lá, o assassino, e até mesmo a testemunha. — olho para ele sem entender aonde quer chegar com isso. Os rapazes carregam a mesma expressão interrogatória que eu.
—E? — Espo é quem questiona.
—E, que isso me dá a impressão de que vocês vão ter mais sucesso continuando essa investigação dentro da NYPD. – deixa o olhar percorrer por nós três. – Eu fiz uma ligação para o capitão da 12th Precinct. O nome dele é Roy Montgomery e, aliás, já podem ir se acostumando. Está na hora de vocês irem para lá.
Fico em silêncio, apenas absorvendo o que acabei de ouvir. Pela expressão surpresa de todos, diria que ninguém sabia ou esperava essa notícia.
—Isso é sério? — Ryan diz. — Quero dizer, eu estava ansioso para ser transferido, mas confesso que isso foi bem inesperado.
—Sim, totalmente sério.
—Quando iremos? – escuto Esposito perguntar com empolgação implícita na voz.
Watson dá um pequeno sorriso e, prestes a respondê-lo, eu me adianto:
—Mas e a cena do crime? Não podemos apenas abandoná-la, sequer tivemos a chance de dar uma olhada no local.
—Exatamente o que eu iria dizer agora. – ele faz um movimento com a cabeça em minha direção. – É claro que a presença de vocês em NY é necessária, mas não dá para negar que parte do caso está aqui, talvez a mais importante.
—Então, como iremos fazer?
—A cena do crime está cercada, e por isso não acho que vocês precisem ir até lá amanhã. Ou melhor, hoje, exatamente por já estar tão tarde e, bem, é domingo. Precisam dormir, descansar... pensem nisso como uma pausa. — fica em silêncio por uns instantes. — Depois de amanhã vocês vão até lá. Mas qualquer evidência encontrada, isto é, se existir alguma, será analisada em Manhattan.
—Não seja pessimista, nós meio que dependemos dessa pista para prosseguir o caso no momento. – digo, soltando a respiração em seguida.
—Que tal um "eu tenho certeza de que vocês vão encontrar algo"? — dou um pequeno sorriso com o modo como ele falou. – E conto com você para dar a notícia à Lanie.
—Pode deixar.
—Ótimo. Tendo tudo decidido, vocês partem na terça, okay? Chega de enrolação!
Os rapazes começam a comentar coisas, animados, enquanto eu me prendo às diversas perguntas que sondam a minha mente, para as quais tenho respostas nada agradáveis. Algo nesse caso não me cheira bem. E o que diabos o John e o Michael estão fazendo em Manhattan quando deveriam estar fora de lá, de NY? Será que decidiram voltar, ou... nunca saíram?
—E você, Detetive Beckett? – a voz do Waston me tira de meus devaneios, fazendo-me encará-lo. – Não parece muito feliz com a notícia. Não quer mais retornar para a sua amada Manhattan?
Respiro fundo, esboçando um sorriso sincero ao perceber que ele claramente se lembra de todos os momentos "livres" que todos nós passamos juntos, e em que eu sempre falava sobre o meu antigo trabalho, aventuras e o quanto amo aquela cidade. O clima de amizade aqui foi o que sempre gostei mais, e com certeza vou sentir falta. Mas não é hora de pensar em despedidas ainda.
—Claro que eu quero. — respondo, fingindo indignação, como se não acreditasse que ele realmente teve que perguntar isso para mim. — Só é muita informação para absorver de uma só vez. — completo, mesmo que "muita informação" não faça tanto sentido para ele.
—Caso mude de ideia, pode ficar com a gente. — brinca. — Toda equipe precisa de uma Beckett.
—Ei! — Ryan e Espo dizem quase ao mesmo tempo, mas apenas um deles continua. — Ela é da nossa equipe. E não vai nos deixar.
—Não vou mesmo. — digo, rindo junto com eles.
—Falando sério, é bom ver essa lealdade entre vocês. Tenho certeza de que vão continuar fazendo um ótimo trabalho por lá.
—Será que estou sentindo cheiro de despedida? Já? – Esposito pergunta. – Ainda estamos aqui.
—Não, não, isso vem depois. Acho que no mínimo precisamos ter um brinde, não? — faz uma pausa, para continuar num tom autoritário proposital. — Agora, vão para casa. Precisamos todos dormir. Vejo vocês na segunda.
—Sim, senhor. — todos nós respondemos juntos, o que resulta em mais uma risada coletiva.
Os meninos se levantam primeiro que eu, dando tchau e já saindo da sala. Preparo-me para fazer o mesmo, e perto da porta, digo:
—Até mais, Watson.
—Acho que você pode me chamar apenas de Colin agora. — ele diz num tom de voz ameno. — Afinal, seremos apenas amigos em menos de dois dias.
—Tudo bem... Colin. — sorrio. — Vai ter que aprender a me chamar de Kate também.
—Entendido. Até mais... Kate. – retribui o sorriso.
Dou poucos passos para fora da sala, até ficar de cara com dois bobões me encarando com expressões no mínimo maliciosas.
—O que foi? – pergunto, já sabendo que não irei ouvir boa coisa.
—Ele gosta de você. — Ryan diz.
—Ele quem? — levanto uma sobrancelha.
—O Capitão Watson. — Espo responde. — Ou melhor, o Colin... — completa, com uma imitação nada fiel da minha voz.
—Ah, calem a boca vocês dois! — reviro os olhos, passando entre eles para ir em direção ao elevador. Assim que entramos, volto a falar. — Era só o que me faltava...
—Só você que não percebe.
—Falou o expert em perceber sinais. — aproveito para alfinetá-lo ao me lembrar da Lanie, o que consequentemente me lembra do papel que ela me entregou.
—O que quer dizer com isso?
—Nada. — respondo, já levando a mão ao bolso de trás da calça. — E o Wats... Col... que seja, é apenas um amigo.
Para o meu alívio, as portas se abrem, encerrando o assunto. Assim que pisamos fora da delegacia, sinto o vento frio ultrapassar minha blusa como se eu não estivesse sequer a usando. Estremeço, fechando o zíper da jaqueta rapidamente. Como nossos prédios se localizam em lados opostos, viro-me para eles com a intenção de me despedir.
—Antes de dizer tchau, uma recomendação de uma amiga: nada de ultrapassarem os limites amanhã, escutaram? Estou falando sério. — lanço um olhar "de mãe" para os dois. — Sei muito bem que vão querer continuar o que iniciaram no começo da noite.
—E você está totalmente certa. — Espo sorri. — Eu não prometo nada.
—Ryan... — digo, buscando apoio do mais responsável da situação.
—Tomo conta dele. — faz uma pausa. — E Kate, tem certeza de que está bem? Você estava bem estranha mais cedo.
—Estou bem, sim. — tento passar certeza para os dois pelo olhar. — Até mais.
—Até. — eles respondem.
Dou as costas, e começo a andar em direção ao carro. Assim que me sento no banco, tiro um tempo para me aquecer, antes de desdobrar o pequeno papel em minhas mãos e ler o que está escrito numa caligrafia que tenho certeza não ser a da Lanie:
"Monmouth Coffee Company -
27, Monmouth Street."
Acho estranho, por ser o nome e endereço da cafeteria onde estive com a Lanie hoje mesmo, próxima à cena do crime. Um lugar bem conhecido por mim, já que adotei o costume de ir até lá quase sempre. Não entendo o que isso pode significar, até ver num canto, como se fosse uma observação, a frase:
"Ela costuma frequentar esse local. Pode ser um tiro no escuro, mas talvez você a encontre. Boa sorte, Laura, e tenha cuidado.”
Sinto um arrepio percorrer todo o meu corpo, enquanto minha mente me dá a explicação mais aceitável para o que acabei de ler. Fica claro para mim que esse papel foi achado junto ao corpo da Laura. E fica claro para mim que ela estava aqui à procura de alguém. Seria muito louco considerar a possibilidade de esse alguém ser eu? Talvez não tão louco, se a Lanie chegou à mesma conclusão, e por isso pareceu tão séria ao dizer que precisava conversar comigo. Não, penso, não pode ser isso. Quantas mulheres ela poderia querer encontrar em Londres e que costumam ir à mesma cafeteria? Muitas, certo? Com certeza sim. Ela não teria motivos para colocar alguém seguindo os meus passos.
Respiro fundo, soltando o papel em um lugar qualquer. Coloco as mãos em volta do volante, fechando os olhos com força, na tentativa de não mergulhar em hipóteses, e mais hipóteses. A imagem do seu corpo sem vida à minha frente, se misturando ao momento em que ela se despediu de mim, aparece tão viva quanto uma memória que eu poderia ter do que aconteceu há um mês. Algo em suas palavras, seus olhos, e no modo que ela agiu naquele dia, sempre me indicou que algo estava muito errado. E por mais que eu queira descobrir o motivo por trás de tudo, por trás daquele pedido de desculpas, começo a torcer para que eu, ou a morte dela, não tenha nada a ver com isso. Há muito tempo aprendi a ignorar essa parte da minha vida, e com toda certeza não quero relembrá-la agora. Com alguma sorte, esse caso não vai ter nada a ver com o que aconteceu naqueles dias.
Passo as mãos pelo rosto, na tentativa de espantar todos esses pensamentos. Dou a partida no carro, rezando para que quando eu chegar em casa, a Lanie esteja dormindo. Sei muito bem quais serão suas perguntas para mim, e não quero respondê-las agora, porque vou ter que acabar contando a verdade. E assim acontece. Entro no apartamento agradecendo pelo silêncio absoluto. Com toda certeza ela não está acordada. Caminho até o meu quarto fazendo o mínimo de barulho possível, e me preparo para tomar um bom banho quente e relaxante. Hoje foi um dia literalmente cheio de surpresas. E algo me diz que não será o último. Longos minutos depois, já estou pronta para dormir. Mesmo morrendo de sono, pego o meu celular com a intenção de ajustar o despertador para pelo menos antes das duas da tarde. Sei que se eu não fizer isso, irei ficar na cama durante o dia todo. No processo, percebo que há uma mensagem, enviada para mim há pouco mais de uma hora. Não reconheço o número, mas tudo se torna compreensível assim que encontro as duas iniciais no final: RC. Ele quer que eu compareça ao evento amanhã, e me mandou o endereço e o horário, oferecendo-se para me levar para tomar aquele café logo depois. É como se soubesse que estarei livre. Com certo receio, mas não querendo pensar demais, acabo respondendo, confirmando a minha presença. E antes de adormecer, minha mente me leva de volta ao que eu li naquele papel. Mais uma vez fui surpreendida pelo inimaginável. Só que dessa vez, não sei se devo agradecer.
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