Always and Forever
5 Não corra, Diana.
Notas iniciais
— Diana, acorde, vamos aos Salvatore.
Somente essa frase fez com que eu levantasse de súbito, pulando da cama e procurando a voz de Klaus, esperando ver um sorriso de satisfação pela brincadeira. Quando finalmente encontrei seu rosto, ele exibia uma expressão calma, típica de quem diz uma verdade concreta.
Soprei os cabelos que caiam em minha boca. — É mesmo necessário? — suspirei, sabendo que ele não desistiria. — Por quê? — refiz meus pensamentos.
— Porque Stefan acaba de ligar para Rebekah, para Rebekah me ligar, dizendo que queria que nós comparecêssemos lá. — franzi a testa, aquilo fazia tanto sentido para minha mente recém desperta que levei alguns segundos para jogar os pés para fora da cama e levantar.
— Ótimo, mas desde quando você atende pedidos de presença? — provoquei, ajeitando os lençóis.
— Desde que, provavelmente, eles sabem algo sobre o que Caroline fez depois que nos encontramos, sua reação pós briga, e coisas assim. Fora que comparecer na casa do namorado de Elena Gilbert, cuja cara me lembra Katerina, parece divertido. — respondeu, com calma.
— Tudo bem — resmunguei, empurrando-o para fora do quarto. Claro que não teria dado certo se ele se importasse. —, já estou indo.
Fechei a porta devagar, indo do jeito mais mole possível até o closet e separando uma peça de roupa. Tomei um banho rápido, vesti-me e saí, pegando chocolate na cozinha e achando Klaus já no carro, batucando no volante com os dedos, parecendo impaciente.
— Demorou — comentou, enquanto eu sentava no banco do carona —, espera, isso é chocolate? Sabe que terá que correr 2 km para manter a forma, não é?
— Vá se foder. — retruquei, enfiando uma quantidade generosa do alimento na boca.
Ele ergueu as sobrancelhas, mas não disse nada antes de ligar o carro e ir em direção à estrada.
***
— Isso vai ser irritante. Aquela Elena não gosta de mim. — disse, e ele parou o carro na entrada da mansão Salvatore.
— Querida, todos gostam de você, esse seu cabelo de fogo é de uma simpatia genuína.
Saiu do carro antes que eu pudesse responder alguma coisa, chegando à porta em menos de dois segundos.
— Esperar os menos favorecidos é educado, sabia? — o sarcasmo pingava da minha frase, proferida quando finalmente alcancei Niklaus, que apertava a campainha sem parar.
— Tenho mais de mil anos, meus valores de educação valem mais do que os seus.
A porta foi aberta, e um vampiro de cabelos loiros escuros bagunçados, olhos verdes, e porte atlético, apareceu, suspirou quando nos viu.
— Vocês vieram — comentou o óbvio, dando espaço para passarmos —, entrem — pareceu um pouco relutante, mas deu de ombros e fechou a porta após entramos.
A sala limpa, vazia e arrumada era muito melhor do que a visão da festa anterior. Bem decorada e elegante, seria normal se um ser moreno não estivesse jogado na poltrona, engolindo desinteressado um copo de whisky.
— Que bela visita — suspirou, e foi a primeira vez que o vi um pouco mais sério. — O que fazem aqui?
— É o que pergunto, seu irmão nos chamou. — respondi antes de Klaus, que me olhou surpreso.
— Chamei-os para perguntar o que está acontecendo! — o loiro, que devia ser Stefan, comentou. — Você aparece aqui do nada, deixa uma Caroline aos prantos para cuidarmos, some, e traz uma garota contigo. Precisamos saber se pretende um genocídio ou coisa parecida.
— Já disse que vim para dar meus parabéns, — Klaus pareceu irritado — e se eu quisesse um genocídio, acho que não contaria para vocês. — sua expressão ganhou um ar preocupado, e eu sabia exatamente no que ele estava pensando. — Você disse que Caroline estava chorando?
— Depois que você saiu, Caroline procurou Elena, desesperada. Disse que você estava tentando manipulá-la, e caiu no choro quando disse que queria comprá-la com jóias. Mas não a tirou do dedo. — Stefan esclareceu, e quando Klaus ia dizer alguma coisa Elena desceu as escadas correndo, parando ao lado do namorado.
— O que eles estão fazendo aqui, Stefan? — ela sussurrou, abismada. Por um momento esqueci que aquela era a garota que me ignorou, e senti um pouco de pena de sua ignorância. Por um momento.
— Vieram para esclarecer as coisas, Elena. — ele parecia tenso, e desconfiei que não queria que ela descobrisse.
— Pois que esclareçam, então. — ela cruzou os braços, e Damon riu, recebendo um olhar irritado em troca.
— É o seguinte: Klaus veio aqui para falar com Caroline, e me trouxe junto. Que eu saiba a cidade não é sua, então não fique tão aborrecida por não termos agendado viagem, e com algo que não é da sua conta. — disse-lhe com firmeza.
— Como assim não é da minha conta? — ela aumentou a voz. — É da minha amiga que estamos falando, e esse monstro quer tê-la! Eu não vou permitir que uma garotinha como você chegue e me diga se eu devo ficar aborrecida ou não. — ela cuspiu as palavras, e aquilo me irritou.
— Não fale do que não sabe, se Caroline não quer contato com Klaus, tenho certeza que ela não precisa de uma porta voz chula como você. E a garotinha quer muito pular no seu pescoço!
Tudo bem, eu não pularia no pescoço dela de jeito nenhum, mas me aproximei o bastante para a fazer recuar, suspirando e se desculpando em seguida.
— Tenho certeza que não é necessária toda essa turbulência, Klaus vai nos dizer o que precisamos saber. — Stefan tinha abraçado Elena protetoramente, mas sua voz era calma.
— Como Diana disse, vim falar com Caroline, há coisas que precisam ser esclarecidas, e eu não pretendo causar mal algum. — Klaus cruzou os braços nas costas e sorriu. — Se vocês se comportarem.
— Sem joguinhos, Klaus. — Damon levantou-se e deu a volta, para ficar lado a lado a quem se dirigia. — Você quer a Barbie, você pega, não precisa agir como bom samaritano.
— Tem coisa que precisamos fazer direito, Damon. — Klaus endireitou-se.
— Agora que está tudo bem, podemos ir embora, não é? — olhei para o híbrido, esperançosa. Ficar no mesmo ambiente que o moreno não estava me fazendo bem, com certeza não.
— Não corra Diana. — Damon saboreou meu nome, aproximando-se de mim com a mão estendida. — Vamos dar uma volta na propriedade, não sou tão ruim quanto pensa. — sorriu amigavelmente, e eu me perguntei quão boa era sua habilidade de mentir.
— Não acho uma boa ideia. — respondi, mantendo a voz o mais neutra que consegui.
— Não vejo problema, Klaus com certeza sabe que não corre nenhum perigo comigo. — ele sustentou o sorriso.
Quando olhei para Klaus, eu tive certeza que ele queria que eu fosse. Estava desesperado por mais informações sobre Caroline, como tinham sido seus meses sem sua presença, mais de sua reação. Ele precisava saber, e como sabia que não conseguiria nada na presença de Elena, ele estava recorrendo a sua única opção: deixar-me dar uma voltinha com Damon, que certamente não se importaria em revelar até que roupas Caroline vinha usando.
— Vamos então. — segui-o porta afora, lançando um último olhar fulminante para Klaus antes de fechar a porta.
***
— Você sempre morou em Nova Orleans? — ele não parecia interessado.
— Sim, não saia muito. — respondi o mínimo possível.
Andávamos por uma clareira na floresta, me lembrava que a casa ficava para a esquerda, mais nada. Estava perdida, confiando apenas em um vampiro louco que Klaus acredita que possui informações, que eu já consegui, meu pescoço que se ferre, claro.
— Klaus parece verdadeiramente empenhado em conquistar Caroline. — ele comentou, enquanto passávamos por uma grande árvore, voltando para o caminho da casa. — O que não entendi até agora é o que você está fazendo aqui.
— Você fica disposto a fazer qualquer coisa quando passa a vida toda com sua tia maluca e seu tio culto. Na verdade, conhecer novos ares não é tão ruim quanto imaginei. — omiti um pouco os fatos. Eu estava ali de cupido, como uma consultora e uma psicóloga estúpida, provavelmente salvando pescoços inocentes de um original magoado por um fora.
— Parece idiota te manter presa. — provocou, com certeza ciente das dificuldades que existem em ser protegida do homem mais odiado da terra.
— Não parece idiota, para mim, velar por minha segurança. — respondi, em tom brusco. E ele riu, o desgraçado riu de mim.
— Você se parece com ele. — olhou-me, e deu um sorrido malicioso. — Nem tanto assim.
Desviei o olhar e obriguei meu corpo a não corar, se ele pensa que sou uma das vadias de esquina que ele arranja, está enganado. Não o conheço, e não quero conhecer.
— Dizem que pareço com Elijah, na personalidade, quer dizer. — coloquei a conversa a meu favor, ficando um pouco aliviada quando ele caiu na isca. Estávamos quase chegando à mansão agora.
— Não — ele balançou a cabeça, calculista. — Você lembra Klaus na ferocidade forçada, Rebekah na histeria feminista e Elijah na tentativa de ser boa. Na verdade você parece uma espécie de experimento Mikaelson.
E sumiu porta adentro, sem mais uma única palavra.
— Eu não sou um experimento. — gritei, enquanto barulhos de passos chegavam a meus ouvidos, ouvi sua risada de escárnio antes de Klaus aparecer na porta, fechando-a em seguida.
— Vamos — chamou, indo em direção ao carro, comigo o seguindo. — Como foi? — perguntou, quando já ligava a BMW e saia em disparada com o carro.
— Você sabe que foi uma merda, ele é desagradável. — fiz uma careta. — Onde estava com a cabeça para me deixar com ele assim?
— Eu sabia que estaria segura. Damon não te machucaria, — olhou para mim, como a se desculpar — não comigo por perto. — acrescentou, franzindo a testa.
Resmunguei, afundando no banco, subitamente com dor de cabeça.
— Mas soube de algo útil? — ele instigou, tentando quebrar meu silêncio.
— Caroline passou os meses... Meio diferente, terminou com Tyler, — vi seu semblante enrijecer com a menção ao nome do lobisomem — e vem mantendo-se mais solitária. A festa foi uma surpresa para ela, e quando te viu parece que não resistiu às emoções.
“Damon disse que ela tem passado muito tempo pintando, o que achei bem estranho, e com a mãe. Depois que você foi embora, ela chegou à mansão chorando e dizendo que não merecia aquilo. Damon também disse que nunca viu a “Barbie” assim, mas não parece se importar muito.”
Concluí com desgosto, a vampira estava com problemas, claro que sim. A vida dela estava uma merda das grandes. Terminou o namoro, recebe a visita de um psicopata com um rubi... essas coisas afetam a gente.
— Bem, parece que ela está em uma espécie de negação. — foi a única coisa que Klaus disse, antes de estacionar o carro em frente a nossa casa e sumir para dentro.
Não procurei falar com ele, sabia que precisava de tempo, e eu também. Agir como um tipo de cupido é nauseante, exaustivo. Você acaba sentindo as mesmas dores que o casal em questão, e ter um vampiro absurdamente irritante no meu pé com certeza não facilita as coisas.
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