Always and Forever
7 Nada mal, Mikaelson.
Notas iniciais
Não me importava com mais nada, a bebida descia a cada um minuto por minha garganta e eu já estava meio zonza. Mas era divertido.
Damon fazia caretas idiotas, apesar de achar que ele não estava bêbado por ser vampiro, parecia achar engraçado brincar com meu estado meio-embriagado.
Stefan observava -meio divertido e meio preocupado- Elena, que estava completamente bêbada, sorrindo para ele de modo pervertido.
— Cara, eu deveria ter praticado mais. — me referi a beber, eu sempre bebia, não me embriagava nunca. Passei a vida após os dezesseis bebendo com Klaus, com Rebekah e até mesmo com Elijah, no começo não gostava, achava horrível, mas depois ficou tão normal...
— Diana, você está bem? — Damon perguntou, sorrindo provocativo.
— Claro, estou ótima. — era parcialmente verdade. Após duas horas bebendo com eles, meu organismo já não estava em seu estado normal. Estava atenta, mas com algumas falhas.
— Parece que você vai desmaiar. — Elena comentou, rindo histericamente. Eu já não a achava ruim após ela despejar tudo sobre sua vida sofrida. Cheguei a compadecer-me, e até querê-la como amiga.
— E você vai vomitar, e ver Elenas por aí. — gargalhei — Não que isso já não aconteça. — apertei os lábios, para tentar esconder um sorriso. Que insistiu em sair.
Meu sorriso aumentou quando vi Klaus passando pela porta de entrada, junto com Caroline. Eles pareciam bem, e Klaus nem parecia um assassino, olha só. Encaminharam-se para a nossa mesa, e Caroline sentou-se entre Elena e uma cadeira vaga, que foi ocupada por Klaus após certa relutância do mesmo.
O silêncio foi sepulcral por alguns segundos, ninguém parecia saber como agir naquela situação. Klaus estava lá, junto de uma das amigas deles. Estranho, difícil de aceitar.
— Então, Caroline — comecei, olhando para ela, tentando ignorar o quanto estava desconsertada. —, você sempre morou aqui? — olhei para Klaus, e vi que ele agradecia minha atitude. Mordi os lábios enquanto ela formulava uma resposta, sob os olhares distraídos de todos.
— Sim — suspirou —, essa é uma das razões para Klaus me perturbar. — ela não pareceu desconfortável com esse fato, e eu tive que sorrir, junto com ele.
— Tenho certeza que iria preferir conhecer o mundo comigo, se desse uma chance, que morar aqui, nesse fim de mundo. — ele retrucou, em tom neutro.
Fiquei aliviada, e culpada, por Elena estar bêbada, se ela escutasse que Klaus insistia em levar sua amiga pelo mundo surtaria. Contudo, agora, ela não demonstrava reação, pelos efeitos do álcool.
— Você quis vir para esse fim de mundo. — ela retrucou, e eu ri. Ri mesmo, o suficiente para atrair olhares das mesas vizinhas e corar violentamente.
— Isso é estritamente verdade, Caroline. — sussurrei, recebendo um olhar irritado de Klaus.
—Eu sei — ela sorriu —, mas me chame de Care.
Sorri também, tomando mais uma dose de bebida.
De repente, tudo começou a rodar. Eu me sentia tonta e o ar faltava em meus pulmões. Precisava de ar, agora. Não devia ter bebido tanto. Tinha certeza que meus olhos estavam desfocados e que repararam que estava alheia a conversa. Damon olhou para mim, fazendo a mesma pergunta de antes:
— Diana, você está bem? — fiz que sim com a cabeça, mas aquilo só piorou a tontura.
— Só preciso de um pouco de ar. — comentei, empurrando a cadeira e me levantando. Ignorei os olhares acusadores de Klaus – por ter bebido tanto- e o modo como tudo girou quando fiz isso.
Segui aparentando confiança até a porta. Na verdade, eu não queria que ninguém me seguisse, por isso obriguei meus passos a parecerem normais. Empurrei a multidão do Grill, hoje o bar estava particularmente lotado, e era bem difícil se locomover por ele. Senti-me claustrofóbica com tanta gente de repente. E um enorme alívio se apoderou em meu ser quando alcancei a porta e o ar puro invadiu minhas narinas.
Caminhei por cerca de trezentos metros, até chegar numa árvore, embaixo dela estava ainda mais escuro do que o normal, sendo muito tarde. Escorreguei até o chão, encostando as costas em seu tronco.
Respirei lentamente por alguns segundos, satisfeita por sentir o equilíbrio voltar pro meu corpo aos poucos e grata pela inspiração regular.
A porta do Grill abriu-se e Damon saiu dela, um arrepio subiu por minha espinha quando analisei seu perfil, e notei que ele vinha em minha direção.
— Você demorou, fui enviado para chegar. — ele pronunciou, sentando-se ao meu lado e me fazendo suspirar. Algo me dizia que ele tinha vindo por livre e espontânea vontade.
— Eu estou bem. — foi tudo que pensei em responder, resmungando.
— Você bebeu demais. — comentou, rindo.
— Estou acostumada, sou uma Mikaelson — ergui o punho no ar, fazendo um gesto amplo, como uma saudação para a família. —, ou quase isso. — acrescentei. Não ligava pro fato de não ter o sangue da família, sempre fui tratada como parte dela e aquilo era o que importava para mim.
— Deve ser interessante ser filha do homem mais odiado do mundo.
— Na verdade — objetei —, Klaus é muito mais que o homem mais odiado do mundo.
— Desculpe, só vi esse lado. — debochou — Talvez ele seja o mais poderoso, também. — completou a frase, vendo minha expressão irritada.
— Talvez. — retribuí o deboche com tanto sarcasmo na voz que ele fez uma careta, para logo depois rir.
— Por que você faz isso? — disparou, após uns minutos de silêncio pesado.
— Isso o quê? — retruquei completamente confusa. Ele sabia que meu raciocínio não estava bom, e ainda assim fazia perguntas sem sentido?
— Esconder-se por trás dessa máscara. — o modo como ele me analisou disse tudo. Damon queria saber tudo sobre mim, ele queria saber minha cor preferida e meu segredo mais profundo. Ele queria obter respostas dos outros para apaziguar as frustrações de não obtê-las dele mesmo. Ele queria saber de tudo, para me ter na palma de sua mão.
— Não sou você. — irritada, era isso que eu estava. Ele tinha alguma coisa que fazia com que eu quisesse socá-lo de dois em dois minutos, e agora não era diferente.
— Não se esconda de mim, Diana. — murmurou em tom sedutor, o olhar faiscando. Novamente um arrepio passou por minha espinha quando ele se aproximou.
Os olhos azuis estavam bem perto dos meus, e ele já se inclinava sobre mim, apoiando os braços na árvore, dos dois lados do meu corpo, me prendendo.
Era praticamente impossível pensar em alguma coisa com ele tão perto. E todo o pouco pensamento que habitava minha mente era: “Beije-o”.
Não precisei cumprir a ordem do meu subconsciente, Damon o fez por mim.
A boca dele tocou a minha de um jeito exigente. Aproximou-se ainda mais de mim, e eu coloquei a mão em sua nuca. Passou a língua pelos meus lábios, e eu a entreabri, embriagada. O beijo foi voraz, selvagem e duradouro, nem um pouco delicado.
À sombra daquela árvore, meu corpo se aquecia a cada novo segundo. A competição pela dominação era frenética, mas ninguém cedia, isso resultava em uma disputa, uma disputa muito prazerosa.
Separei-me dele apenas para buscar ar, abrindo os olhos em seguida. Damon mordiscou meus lábios antes de se afastar, parecendo satisfeito.
— Nada mal, Mikaelson. — sua voz estava rouca. E eu encolhi o máximo possível meu corpo contra o tronco da árvore.
Droga, droga, droga e droga!
Eu acabara de beijar Damon Salvatore, um vampiro fanfarrão, estúpido e incoerente. Acabara de assinar meu contrato com o inferno e romper em chamas. Acabara de fazer a maior besteira da minha vida. Eu não era assim, eu não fazia aquilo, eu odiava aquela futilidade de atender os desejos corporais sem compromisso. Odiava Damon por ter feito com que eu perdesse o controle. E me odiava ainda mais por ser tão estúpida.
Mas confesso que foi a melhor estupidez da minha vida.
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