Always and Forever
15 Do jeito que você é
Notas iniciais
P.O.V. Damon
— Não quero falar sobre isso, Stefan. — rosnei, servindo-me de um copo de uísque e virando-me para encarar meu precioso irmão.
— Qual é, Damon? — resmungou, parecendo muito cansado. — Se você sair matando todos que vê perto dela, vai perdê-la em um piscar de olhos.
— Para a sua informação, ele estava beijando-a a força. — comentei despreocupado, não dando atenção as suas palavras.
— Que seja, esqueça isso. Só queria dizer para você que se você quer tê-la, é melhor não matar mais ninguém. O que está havendo entre você e Diana? — perguntou, pegando um copo também.
Franzi a testa, irritado com sua insistência. Não queria pensar nisso, nem em morte e nem em vida. Nem em Eric e nem em Diana. Eu só queria beber, mas ele não estava facilitando as coisas.
— Não tem nada, pare de paranóia, está bem?
— Para de mentir para si mesmo, Damon. — revirou os olhos — Qualquer um pode ver na maneira que vocês se olham que tem alguma coisa acontecendo.
— Eu não sei, Stefan. — rosnei, apertando os olhos em sua direção. — Você é o irmão sentimentalista, não eu.
— Que seja, tudo esqueça isso. — repetiu e eu bufei. — Mas, Damon, se você a quer, e não tem nada de errado nisso, não pode mudar por ela. Ela vai ter que gostar de você do jeito que é, ou não vai dar certo. — largou o copo em cima da mesinha e foi em direção à porta, sem dúvida indo buscar Elena para um passeio.
Pensar neles dois juntos já não surtia o mesmo efeito em mim como antes, eu sinceramente não me importava. Só queria que Stefan se ocupasse mais com ela e parasse de gastar seu tempo dizendo essas malditas verdades para mim.
Depois de um tempo, não resisti mais e liguei para ela.
P.O.V. Diana
Uma hora e meia se passaram sem que eu nem notasse. O tempo ainda estava quente, mas agora o sol estava se pondo. O espetáculo de cores que compunha o céu não foi capaz de acalmar meu coração acelerado.
Entrei na mansão a contragosto, subindo as escadas o mais devagar possível. Quando cheguei ao quarto, fui em direção ao closet. Peguei um macacão preto e um salto baixo vinho, vestindo-me o mais rápido possível. Depois, não pude mais protelar, desci as escadas e me enfiei dentro do carro. Partindo para o lugar onde não sabia o que poderia acontecer.
Fui à alta velocidade, porque nunca me acostumei a andar nos limites. Como consequência, cheguei muito rápido na pensão. Desci do carro e encaminhei-me até a porta. Estava aberta.
Fui entrando e quando olhei para trás a porta estava fechada, mas eu não havia fechado ela então... Virei-me para frente devagar com a ponta de meus calcanhares, e lá estava ele. Damon Salvatore vestido inteiramente de preto com uma cara que poderia ser interpretada como resignação.
— Oi — disse, suspirando com a proximidade e afastando-me da porta e dele.
Ele indicou que adentrasse mais a sala, indo em direção a uma garrafa de uísque que estava em uma mesa.
— Como você está? — perguntou, entregando-me um copo com o líquido forte.
— Maravilhosamente bem. — ironizei, tomando um gole.
Ele sorriu despreocupadamente, como se não tivesse matado alguém ou não se importasse. Fiquei encarando aquele sorriso, com muita vontade de arrancá-lo com uma faca.
— Por que fez aquilo? —perguntei após uns minutos de silencio, no qual ficamos nos encarando.
— Não sei, só não queria que ele te beijasse. Então, o matei.
Apesar da situação, eu revirei os olhos. Aquilo era tão Damon, achar que se mata alguém só porque não queria que algo acontecesse. Era demasiadamente simples, e por isso irritante.
— Bom motivo. — joguei-me no sofá, cruzando as pernas. Estava decidida a sair dali pelo menos mais aliviada, então encarei os olhos absurdamente azuis dele sem desviar.
— Escute, ele era só um garoto. — comentou aparentemente despreocupado, mas notei um brilho diferente em seu olhar. — Que morreu.
— Que você matou. — corrigi irritada.
— Mas ele morreu, não morreu? — revira os olhos e senta-se ao meu lado no sofá, fixando o olhar adiante.
— É, morreu sim. — não esbocei nenhuma expressão diante daquilo, parecia que eu havia me acostumado com o fato de que Eric estava morto.
Não era culpa minha, e eu mal o conheci. Pode parecer cruel, mas só chorei naquele dia porque foi em minha frente, e tão súbito... O que me abalou mesmo foi eu não ter conseguido fazer nada para salvá-lo. Talvez se eu fosse uma vampira conseguisse ter detido Damon... Mas, quando paro para pensar se realmente quero ser imortal, tudo se confunde.
Estou confusa, é muita coisa para processar e ter um vampiro aparentemente não arrependido ao meu lado só dificulta as coisas.
— Diga alguma coisa. — pedi, virando-me em sua direção.
— O que quer que eu diga? — Damon deu de ombros e virou os olhos para mim.
— Não sei — confessei —, talvez que se arrepende?
Ele riu secamente antes de responder:
— Arrependo-me do que? — provocou — Eu matei um garoto inconsequente que não aguenta bebidas. E, há cima de tudo, matei o homem que beijava você à força. Não me arrependo de nada.
— Você é um idiota. — levantei do sofá de súbito, certa de que aquilo não daria em nada. Damon não estava interessado em “fazer as pazes” e aquela conversa estava me cansando.
Estava quase abrindo a porta quando meu corpo foi virado para trás. Damon apoiou os braços na parede e me deixou encurralada ali. Seu rosto estava tão perto... Os olhos encarando os meus com uma suavidade surpreendente.
— Por que não esquece esse tal de Eric? — cuspiu o nome, os olhos implorando uma resposta positiva. — Escute, ele apenas morreu, eu o matei.
“Matei muita gente, Diana, e não posso mudar isso. A única coisa que posso fazer é te mostrar um mundo que você nunca viu.”
Deu um sorriso lascivo, e a proposta foi boa demais para recusar. Damon era Damon, e eu não poderia mudá-lo. Se eu queria viver as coisas boas, aventuras, não sei, teria que andar em uma corda bamba, em um precipício.
— E o que me garante de que não vai acabar me atirando de uma ponte? — sussurrei em parte temerosa e em outra divertida.
Definitivamente, eu estou confusa.
— Ah — ele estalou a língua e olhou para minha boca. Senti meu corpo se aquecer. — Não faria isso, não com você. — sorriu e me beijou.
Foi longo, feroz e malditamente sedutor. Infelizmente, precisava de ar e afastei-me. Damon beijou meu pescoço, e um arrepio subiu por minha coluna. Puxei-o para um novo beijo. Dessa vez, mais calmo.
— Eu preciso ir. — murmurei, criando forças para me afastar. Aquilo era errado, eu não conseguia ter controle sobre mim mesma enquanto estava com ele. Não era eu, pelo menos não a pequena Diana que cresceu trancada em uma mansão. Era uma Diana ardente, confusa e que procurava em todos os lugares aqueles malditos olhos azuis.
Quando saí, fiquei completamente corada por dois motivos. Primeiro: Stefan estava do lado de fora e deu um sorriso como se soubesse que eu havia aceitado uma proposta. Segundo: Damon apareceu na porta também e ele o irmão trocaram palavras em italiano que não fui capaz de entender. Claro que isso não era nada comparado ao fato de que Damon acompanhou com o olhar meu andar até o carro.
Aos tropeços, consegui entrar no carro e dar a partida. Suspirei assim que compreendi que eu estava completamente ferrada.
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