Always and Forever
23 Capítulo 23
Notas iniciais
– Oi, Britt. – eu disse, assim que a vi em seu armário.
Eu estava com medo do que ela poderia dizer, mas como Santana disse, fingi que nada tivesse acontecido, mas acho que não deu certo, já que Britt não me respondeu.
– Oi meninas. – ouvi Santana dizer assim que se aproximou.
– Oi amor.
Britt novamente ficou calada, pegou um livro, fechou o armário e foi para a sala de aula, sem nem olhar para nós duas.
– Ela lembra. – eu disse.
– Sim, e parece estar com raiva.
Olhei para Britt novamente, que estava virando o corredor, seus passos estavam pesados, do mesmo jeito que ela sempre andava quando brigávamos.
– Ela está me odiando.
– Hey! Rachel, a culpa não é sua. Eu lhe convenci de sairmos do quarto antes dela acordar.
– Mesmo assim... Eu sou a única melhor amiga dela e fiz isso, a deixei naquele quarto, sozinha.
Abaixei minha cabeça, Santana segurou minha mão e eu suspirei.
– Escute, eu disse que iríamos conversar com ela se isso acontecesse, então vamos conversar com ela.
***
Assim que o sinal do almoço soou, fui até o refeitório e vi Britt conversando com algumas garotas, me aproximei, parei atrás de onde ela estava sentada, todas olharam para mim, Britt se virou, olhou para mim em alguns segundos e voltou a olhar para as outras garotas.
– Britt.
Ela não olhou para mim, as garotas riram e eu tinha certeza que era de mim.
– Britt, nós precisamos conversar.
Eu sabia que naquele momento ela revirava os olhos, sussurrou algo no ouvido da garota ao lado, que se levantou e olhou para mim sorrindo.
– Brittany disse que não quer falar com você.
– Que coisa mais infantil, Brittany. Mandar uma garota dizer por você. Seja garota o suficiente para dizer isso para mim.
A garota olhou para Britt, que afirmou com a cabeça, a garota se aproximou de mim e olhou nos meus olhos.
– Escute, Brittany está ocupada, então é melhor você sair daqui, antes que eu lhe jogue meu suco.
– Jogue. – respondi cruzando os braços.
Todos agora olhavam para mim, vi Santana começar a se aproximar, olhei para ela e neguei com a cabeça, então ela parou.
– Você deve estar brincando comigo. – ela resmungou.
– Não. Você disse que jogaria suco em mim se eu não saísse daqui, então fique à vontade. Posso escolher o sabor? Prefiro de uva.
Ela se virou e pegou o copo cheio de suco, esse não era de uva, mas eu não estava ligando muito, descruzei os braços, pronta para receber o banho, quando Britt se levantou e segurou a mão da garota.
– Deixe de ser idiota, Rachel.
– Olha! Ela falou comigo!
– Cale a boca. Sobre o que quer conversar comigo?
– Quer mesmo que eu fale na frente de todos? Porque eu não me importo de...
Britt segurou minha mão e me puxou para fora do refeitório, entramos no banheiro e ela cruzou os braços.
– Comece.
– Britt, eu sei que você está com raiva de mim, mas mandar aquela garota falar por você foi infantil.
– Infantil? Então me reponde. O que é ser, quando você deixa sua melhor amiga em um quarto sozinha e sem roupa, para um idiota ainda bêbado te agarrar e achar que você é um anjo safado?
– Britt...
– Qual é, Rachel! Você e Santana foram duas vadias idiotas por terem me deixado lá.
– Mas Britt... nós tínhamos...
– Foi só sexo! Estávamos bêbadas e vocês queriam, se não, me impediriam de continuar.
– Você mesma disse, estávamos bêbadas. E isso foi errado.
– O que foi errado? Transar com sua melhor amiga? Transar com sua melhor amiga e sua namorada, juntas? Ou transar com duas garotas?
– Eu não sei...
– “Isso é errado.” Falou a garota que tem dois pais, tem uma namorada e ainda transou com ela antes mesmo de namorarem.
– Pare de falar essa palavra.
– Assuma Rachel, você TRANSOU com duas garotas, uma delas era SIM sua melhor amiga e você a deixou naquele quarto, sozinha.
– Esquece isso, Britt.
– Você tem razão. Pela primeira vez nessa sua estúpida vida você tem razão. Eu vou esquecer, e aconselho que você esqueça também, mas não só o que aconteceu, como também a minha existência. Esqueça que um dia fomos amigas, que um dia você me pediu ajuda para qualquer coisa, porque nunca fomos amigas.
– Britt...
– E não me chame mais assim! Só minhas amigas me chamam assim.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas, Britt se virou e respirou fundo.
– Saia daqui, Rachel.
– Britt... não faça isso... somos amigas, melhores amigas e...
– Saia daqui! – ela gritou, se virando para mim.
Olhei para o seu rosto, estava vermelho de raiva, os olhos azuis estavam quase verdes, isso me assustou, porque nunca a tinha visto assim. Corri para fora do banheiro, Santana me viu e correu até mim.
– Rachel, o que aconteceu?
– Santana... a Britt...
– Ela te bateu?
– Ela me odeia...
Santana me abraçou, fomos até meu armário, senti um vazio dentro de mim. Britt sempre me ajudava com tudo, assim como eu a ajudava, mas naquele momento eu não tinha mais minha melhor amiga para abraçar, para dizer em meu ouvido que tudo ficaria bem.
***
Ao entrar no ônibus, vi Britt sentada no final conversando com as mesmas garotas do refeitório, novamente meus olhos se encheram de lágrimas, Santana apareceu atrás de mim, colocou uma mão em minha cintura e me empurrou para um dos assentos na frente. Nos sentamos, fechei meus olhos e deixei as lágrimas caírem.
– Não chore, amor... – Santana sussurrou, me abraçando. – Logo Britt vai esquecer o que disse e vocês voltarão a ser melhores amigas como antes.
– Mas ela disse com tanta firmeza que...
– Não se preocupe, Rachel. Tudo vai ficar bem.
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