Always The Tone Of Surprise
7 Capítulo 7
Notas iniciais
"Quando Hermione voltou para a cama, Harry baixou a voz:
— Você só concordou para tentar sair da lista negra da Hermione.
— Vale tudo no amor e na guerra — respondeu Rony, animado —, e isto é um pouco dos dois."
— Harry Potter e as relíquias da morte.
Cap 20 – Xenofílio Lovegood.
— Ela é especial pra você, não é? — Harry perguntou enquanto ele e Rony estavam sentados na entrada da barraca.
— Sim. Acho que depois da Horcrux deu pra perceber, né?
— Bem, se formos considerar desde quando dá pra perceber, eu diria que desde o baile de inverno.
— Que baile de inverno?
— O baile de inverno do quarto ano.
— Não, claro que não!
— Claro que sim, Rony!
— Claro que não!
— Então desde quando ela é especial pra você? — Harry disse sufocando um riso. Era bom ter Rony de volta, só ele podia deixar o ambiente leve o suficiente para fazê-lo rir de algo.
— Ah, acho que desde o ano passado. Quando Gina me disse que ela tinha ficado com o idiota do Krum eu me senti muito incomodado, mas aí veio o lance com a Lilá e eu pensei que era só um ciúme de amigo mesmo. Mas enquanto eu estava com a Lilá ela veio com aquela historinha estúpida de que estava com Comarc porque só namorava com bons jogadores de Quadribol.
— E aí você ficou com ciúme de novo?
— É, mais ou menos isso. Fiquei pensando que mesmo estando com Lilá eu ainda me sentia esquisito quando pensava em Hermione com outro, e também sabia que se fosse Lilá me dizendo que estava com Comarc eu não me sentiria incomodado. E quando a Lilá achou que eu e ela estávamos sozinhos andando pelo castelo, quando na verdade estávamos com você... Eu me vi desejando realmente estar sozinho com ela pelos corredores do castelo. Assim como você e a Ginny.
— Ah... — Harry ficara um pouco atordoado com a menção do nome da ex-namorada.
— Mas agora ela me odeia! Agora preciso de mais do que doze maneiras infalíveis para encantá-la.
— Ela não odeia você, só está bastante chateada. Ela sentiu muito a sua falta.
— Eu sei, eu fui idiota! Mas também senti a falta dela, falta de vocês dois.
— O importante é que está aqui de volta!
— É, eu acho que sim! Mas você ainda fala comigo, ela nem olha na minha cara. Só fica com aqueles livros.
— Nem no meio de uma guerra ela os larga, né?
— É. Mas eu sempre soube que se quisesse ficar com ela, ela amaria mais os livros do que a mim. — os dois riram mais uma vez.
— Bem, eu vou entrar ok? Você faz a primeira vigia?
— Sim, sem problemas. Era o mínimo que eu poderia fazer depois de terem me aceitado de volta!
— Valeu, cara! — Harry disse e saiu.
Adentrou a barraca e encontrou uma Hermione enrolada em camadas e camadas de cobertores ainda entretida com seu exemplar dos Contos de Beedle, o Bardo.
— Lendo? — Harry perguntou.
— Uhum.
— Já jantou?
— Uhum?
— A comida estava boa?
— Uhum.
— Descobriu o que esse símbolo significa e desistiu de ir até a casa dos Lovegood?
— Uhum.
— Então o que significa? — ele perguntou sentando-se na cama em que ela estava deitada, ele sabia que ela não tinha escutado uma palavra sequer que dissera.
— Significa o quê? — perguntou finalmente tirando os olhos do livro e encarando Harry.
— O símbolo! Você disse que descobriu o que significava.
— Eu não disse isso!
— Se tirasse a atenção desse livro saberia o que afirmou pra mim.
— Ok, desculpe! — ela disse fechando o livro — O que quer?
— Perguntei se já jantou?
— Já sim. E você?
— Vou comer agora.
— Ok.
— Ainda está com raiva dele?
— Tô sempre com raiva dele.
— Mas nem sempre do jeito que está agora!
— E motivos não me faltam pra isso, não concorda?
— Concordo, mas... Eu não estou agindo assim com ele.
— E daí?
— E daí que eu acho que você não devia ser tão dura com ele.
— Não devia? Acaso foi reclamar com ele também por ter sido duro comigo?
— Ele não foi duro com você.
— Não foi? Harry, eu chamei por ele! Gritei! Corri durante a noite naquela maldita floresta com aquela maldita chuva! E ele não se deu o trabalho de virar pra trás! Me tratou como se eu fosse um nada!
Naquele momento Harry sentiu pena da amiga ao encará-la nos olhos. Como ela e Rony poderiam ser tão cegos? Os dois tinham medo da mesma coisa: que significassem nada um para o outro. O que era uma completa ironia, pois os dois se amavam muito além de amizade e ele sabia disso.
A Riddle-Hermione dissera para Rony que ele significava nada para ela, e agora a Hermione verdadeira dizia que para Rony, ela não significava nada.
— Eu sei, mas... Tente perdoá-lo.
— Perdoar aquele covarde?
— Covarde? Acho que ele se provou muito corajoso quando deixou o orgulho de lado e voltou. Ele está arrependido, Hermione.
— E daí?
— É impossível falar com você sobre isso, né?
— Minha opinião sobre ele não vai mudar. Ponto final.
— Tudo bem, só não vá se arrepender quando for tarde demais.
— O que quer dizer isso, Harry Potter?
— Nada, nada. Mas Mione, vou aproveitar o momento antes que fique sem falar comigo também pra te agradecer.
— Agradecer pelo o quê?
— Por tudo. Você é demais, sério. Sem você nós já estaríamos mortos!
— Que bobagem, Harry.
— Não, não é. Eu sempre disse que não tinha família, que o mais próximo que tive de família foi o Sirius... Mas, eu tenho você. Você é como uma irmã pra mim! Obrigado por todos os sacrifícios que tem feito pra me ajudar.
— Você também é como um irmão pra mim. — ela lhe ofereceu um leve sorriso e ele lhe abraçou.
— Você é demais! E sabe que o Rony também é, por favor, tente ser menos orgulhosa.
Hermione apertou o abraço entorno do pescoço do amigo e segurou-se para não chorar. Sabia que Rony estava tentando agradá-la a todo custo, mas não daria o braço a torcer tão facilmente. Não para ele.
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