Always On My Mind
2 Cachinhos de ébano
Notas iniciais
Eu e Frankie estávamos em um bar esperando por Jane, ele estava com uma cerveja em mãos e me olhava diferente, quase que encantado.
—Algo errado? –Perguntei a ele, ele fez que não com a cabeça –Então por que você está me olhando assim?
—Assim como? -Ele perguntou.
—Diferente.
—Talvez eu esteja tomando coragem para dizer algo.
Olhei para ele surpresa:
—O que?
—Maura, eu acho que estou apaixonado por você.
Meus olhos se arregalaram, eu queria dizer algo, mas tudo estava preso em minha garganta eu não conseguia pensar em nada.
—Olha eu sei que você... –Antes que ele pudesse terminar seja lá o que ele fosse falar, eu me aproximei e o beijei, se eu não podia falar nada, quem sabe eu demonstrando não ajudaria? Quando lembramos que precisávamos nos afastar, eu disse a ele:
—Eu estou apaixonada por você há muito tempo Frankie.
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Estava preparando o café da manhã, quando um furacão desce as escadas e eu calmamente digo:
—Sem correria perto das escadas.
Ela me olha sorrindo docemente e completa:
—E em nenhum outro lugar da casa.
—Exatamente. E por que a senhorita não obedece? –Eu a questiono.
—Tia Jane, diz que suas regras são chatas.
Eu a olho severamente, no mesmo instante em que Jane abre a porta, já se defendendo:
—Você não sabe guardar segredos em nanica.
—Não sou nanica, tenho quatro anos. –Ela responde fazendo bico, Jane se aproxima e bagunça seu cabelo, ela a coloca sentada em um dos bancos da bancada e também serve o cereal.
Enquanto observo minha filha comer o cereal, o celular de Jane toca e como sempre instantes depois o meu também:
—Isles... Estou a caminho.
Quando encerro a chamada, Laura me encara e diz emburrada:
—Hoje é sábado mamãe.
—Eu sei querida, mas tenho que ir.
Ela cruza os braços e faz bico me lembrando da minha promessa de alguns dias atrás:
—Cinema hoje, você prometeu!
Ela desceu do banco e correu para a escada. Respirei fundo e a segui, encontrei ela sentada na cama com uma carranca:
—Você pode ir ao cinema com nonna.
—Mas eu quero ir com você.
—Vamos fazer assim, você fica com nonna e eu prometo que amanhã podemos ir ao cinema
—Promete de dedinho? –Ela perguntou desconfiada me oferecendo o mindinho.
—Prometo.
Desci as escadas e Ângela já estava em minha sala:
—Bom dia Ângela!
—Bom dia Maura!
—Bom dia nonna!!! –Laura correu para abraça-la.
—Bom dia bambina! –Ângela disse erguendo minha pequena em seus braços.
—Ângela, sem doce antes do almoço, somente a tarde, mas não perto do entardecer.
—Okay Maura, não é a primeira vez que eu cuido dela.
Sorrio para a mulher mais velha e a agradeço:
—Obrigada.
E nesse momento Jane grita:
—Maura quando chegarmos lá seu defunto já vai ter sido enterrado, anda logo.
—Estou indo Jane, estou indo.
Durante o caminho, percebo que Jane quer falar alguma coisa, quando finalmente me canso do fato que ela não vai dizer por livre e espontânea vontade eu pergunto:
—Quer me contar alguma coisa Jane?
—Ah... Chegamos. –Ela diz ao estacionar, okay. O que Jane Rizolli está aprontando?
O restante do meu sábado passei no trabalho, cheguei em casa por volta das oito e Laura foi me encontrar eufórica:
—Oi mamãe. Como foi o seu dia? Assisti Animal Planet com nonna. Sabia que o nariz de cada cachorro é único, assim como nossa impressão digital? Podemos ter um cachorro?
Acho que alguém comeu muito açúcar.
—Oi honey. –Digo a abraçando. –Tive bastante trabalho e você comeu muito açúcar?
Ela riu e Ângela apareceu:
—Ah Maura que bom que você apareceu. Não aguentava mais assistir Animal Planet então fomos fazer cookies, mas alguém comeu o chocolate quase todo.
Eu ri enquanto observava Laura eufórica:
—Jane não vai gostar de ter ficado sem chocolate.
—Desculpe. –Ângela se pronuncia.
—Tudo bem Ângela não foi culpa sua. -Disse enquanto observava Laura ir brincar na sala.
Mais tarde no mesmo dia, depois de tomar banho, estava escovando o cabelo da minha pequena, enquanto ela dizia mil coisas por minuto.
—Então mamãe podemos ter um cachorro?
Oh não, isso de novo não.
—Já conversamos sobre isso Laura, quando você for mais velha.
Ela suspirou. Enquanto eu ainda escovava seu cabelo, ela refletiu:
—Tia Jane, diz que meu cabelo é uma juba igual ao dela.
Um pequeno sorriso se formou em meu rosto, de fato ela herdou o cabelo Rizolli: negro, encaracolado e rebelde. Coloquei ela no meu colo e cochichei como que em segredo:
—O seu é mais bonito.
Ela riu:
—Tia Jane também diz isso.
Nós duas rimos.
—Eu te amo estribo!
Ela protesta:
—Não sou tão pequena quanto um estribo.
—Para mim é. -E faço cocegas nela, ela diz rindo:
—Também te amo mamma.
Quando finalmente o efeito do açúcar passa, ela dorme. A observo dormir tranquilamente em sua cama, ela dorme de forma tão pacifica, nem parece a Laura agitada do dia a dia, coloco um beijo em sua testa e a observo. Ela me lembra tanto ele. 
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