Always Guided By The Faith
4 Apenas uma noite – Parte I
Notas iniciais
Estava com medo, era fato. Os grandes orbes carmesins do sacerdote berravam pavor, mas era necessário prosseguir com a peregrinação. Sabia que se quisesse evoluir profissionalmente no Clero de Prontera, teria que passar por esse processo com seu amigo, já que ambos trabalhavam para tal.
Com suas bagagens prontas, decidiram partir. A viagem seria longa, então pegaram toda e qualquer poção que fosse necessária, pois sabiam o quão complexo seria o caminho. Provavelmente esse seria o teste final dos amigos, até que conseguissem cargos maiores no Clero.
- Alexius, eu vou até a Catedral pegar mais algumas coisas, e obviamente me despedir de Samantha. – Dizia o sacerdote, em tom brando.
- Você ainda gosta dela, não é? – Dizia o templário, enquanto ajeitava-se com seus consumíveis e equipamentos, após sair do prédio da Corporação Kafra.
- Sim, gosto sim. Passaram-se sete anos, mas é como se houvesse passado uma noite para nós, e eu sei que você sente a mesma coisa, ou acha que não percebo a forma como olha Marieé? – Sorriu levemente, provocando o amigo. Adorava fazer isso, pois sabia que o Templário sempre ficava quieto quando o outro estava certo, e dessa vez não foi diferente, o maior calou-se. – Vou indo. Nos encontramos daqui a pouco, aqui na Oeste de Prontera, ok?
O Templário concordou sem hesitar. Enquanto o jovem Sacerdote fora despedir-se de sua amada, decidiu ir até a cavalaria de Prontera alugar um PecoPeco. Os PecoPecos eram aves grandes, comparadas à cavalos. Quando adestradas, eram utilizadas como montaria para os espadachins que cresceram profissionalmente em Prontera. Eram baratas, de fácil adestramento e de uma resistência enorme, além de uma grande velocidade. As viagens tiveram seu tempo diminuído depois da vinda do adestramento de tais animais.
Aos poucos a tarde foi passando, e o Templário já estava no lugar marcado, com sua montaria. Ao longe e no meio da multidão, o Sacerdote foi aparecendo. Alguns fiéis se ajoelhavam ao seu redor, impedindo a passagem, pedindo uma prece, uma benção, uma cura. Bondoso como sempre, o jovem atendia a todos, mas sempre com uma boa vontade, seguida de um enorme sorriso.
- Você não perde essa mania, não é? – Disse o maior, ajeitando a cela de sua montaria.
- Obviamente que não. Sou um servo de Odin. Esqueceu, bobinho? – Dizia o Sacerdote, enquanto realizava preces para seu parceiro de aventura. – Podemos ir?
- Vamos sim. – Subiu em seu PecoPeco e puxou o sacerdote, deixando-o na garupa de sua cela, levando o menor junto consigo.
Aos poucos a noite foi chegando e ainda não haviam chegado ao Monte Mjölnir. Os jovens conversavam sobre diversos assuntos, desde o acontecido há sete anos, até as inúmeras dúvidas provindas de seu sono. Conforme a noite vinha, o frio vinha junto, seguido de uma névoa espessa e de uma escuridão descomunal. O menor era medroso, e não escondia isso. Apertou-se mais contra o corpo do amigo e acidentalmente acabou tocando em sua intimidade. Ao perceber, assustou-se e tentou se afastar um pouco, mas por impulso se desequilibrou e caiu da montaria do amigo.
- Klaus! – Exclamava o maior, puxando as rédeas da montaria, parando a enorme ave. – Está tudo bem?!
O sacerdote levantou e apenas acenou positivamente com a cabeça. Estava com uma vergonha descomunal. Era amigo do Templário desde sempre, mas nunca ficaram tão “próximos”, dessa forma. Estava encabulado e com medo da reação do outro, pois não sabia se ele havia sentido suas mãos em sua intimidade.
- Alexius, podemos parar e acampar aqui? Estou com frio, estou cansado e estou com medo. Por favor, vamos parar aqui. Amanhã podemos continuar a viagem, ok?
O maior não poderia negar um pedido do amigo, o qual estava quase chorando enquanto falava. Sabia que o cansaço era provindo do tempo que ficaram dormindo, pois também estava cansado, mas não demonstrava. Era forte e deveria mostrar essa força para continuarem prosseguindo.
- Certo, vamos ficar aqui. – Desceu de sua montaria e amarrou a cela em uma árvore, para certificar-se de que a ave não fugiria enquanto os dois dormiam. Pegou os panos e os cabos de aço que estavam presos à ave e começou a montar a cabana a qual iriam dormir.
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