Notas iniciais
Não tenho o que dizer... mas não sou boa em histórias românticas, dei o meu melhor... ^^

Uma garota de aproximadamente 14 anos estava sentada na escada da porta de sua casa esperando que seu irmão ou que sua madrasta aparecesse para poder entrar em casa e descansar o dia estressante que passou na escola.

Tentando se livrar do tédio começou a jogar no seu celular e encostou-se na porta já imaginando que eles iriam demorar. Seu nome era Kagamine Rin, tinha belos olhos azuis, pele clara e cabelos loiros e curtos. Na escola sempre fora uma garota quieta e reservada, e por isso sempre afastava quem tentava se aproximar dela.

Mas esse era seu jeito e não estava disposta a mudar. Porém ela sempre falava com seu irmão, eles já foram grandes amigos... Mas após a morte de seu pai Rin também o afastou.

A garota estava decidida, sabia que possuía uma mente turbulenta demais para compartilhá-la com alguém. E já estava na hora de livrar-se disso. Deu pause em seu jogo e marcou lembrete em seu celular para o dia de amanhã às 18h30min. Depois de hesitar por um tempo apertou ok e voltou a jogar. Ela havia pensado muito sobre o que iria fazer nesse dia e não iria mais voltar atrás.

Após meia hora esperando avistou seu irmão Len no fim da rua indo tranquilamente na direção da casa com fones de ouvido tão altos que Rin se perguntou se ele podia estar surdo.

Ele só percebeu a presença dela quando estava se aproximando da porta. Fez cara de confuso e tirou seus fones para encará-la. Ela ficou indiferente e apoiou o queixo nas mãos.

‘’- Olá.’’ Ela disse.

‘’- Oi ‘’ Depois de uma pausa de silêncio ele continuou ‘’- Esta sem a chave de novo?’’

‘’- Sim’’

Ele passou ao lado dela e abriu a porta. Pode não parecer, mas essa foi à conversa mais longa que tiveram durante a semana. Afinal nenhum deles sabia o que dizer para o outro. Ficaram chocados com a morte de seu pai há uma semana atrás e eram péssimos em consolar alguém.

Rin foi direto para seu quarto trancou a porta e jogou a mochila e o celular na cama. Estava com dor de cabeça por causa da prova de matemática que fez no último horário da escola. Foi direto para o banheiro e tomou um banho demorado e quente para tentar se aquecer do frio. Em seguida botou se pijama, desligou a luz e deitou-se.

Quando olhou para o relógio de seu criado-mudo eram apenas 19h. Pegou seu celular novamente e foi ver seus arquivos de imagens, talvez fosse a última vez as veria...

Ficou lembrando-se dos tempos em que ela e seu irmão gêmeo eram felizes, cheios de vida, e talvez até hiperativos. Ela daria tudo para voltar naquele tempo, e avisar para sua mãe que ela teria câncer e que se começasse logo o tratamento talvez estivesse viva até hoje. Ela também queria voltar a uma semana atrás e avisar para seu pai não sair à noite, pois será assaltado e morto...

Mas essas são apenas lembranças de um passado que logo ficaria para trás.

Rin sentiu lágrimas escorrendo por seu rosto e tentou engolir o choro para que ninguém ouvisse. Ela odiaria que alguém escutasse seu momento patético de lamentação. Ficou o resto da noite encarando o teto pensando que sua dor seria aliviada no dia de amanhã quando estivesse saindo de sua escola às 18h30min.

Acordou com o despertador e o desligou sem abrir os olhos. E seus devaneios da noite passada ainda a atormentavam.

Ela grunhiu de desgosto por ter tido tão pouco tempo de sono. Sentou-se na cama e quando levantou parecia que a cama a chamava para voltar, mas ela foi forte e continuou a andar em direção ao banheiro. Lavou seu rosto na pia e se encarou no espelho, a imagem que via não era muito reconfortante. Estava com olheiras e pálida como se estivesse morta.

Eu estou morta por dentro... Só não espera transparecer isso por fora.

Pensou e foi logo tomar banho e se arrumar para mais uma rotina chata e entediante no colégio, porém o fim do dia de hoje irá tomar um rumo diferente.

Ao passar pela sala pegou apenas uma torrada e disse bom dia para seu irmão antes de sair. Eles eram da mesma escola, mas ela sempre chegava e saia da escola mais cedo enquanto ele sempre estava atrasado e ficava conversando com seus amigos depois da aula. Por isso apenas se encontravam nos recreios já que ao chegar em casa Rin se trancava em seu quarto.

Nenhum dos dois desejava que fosse assim, mas não conseguiam evitar. Parece que o destino queria que os dois nunca mais se falassem como antigamente.

No caminho para a escola Rin percebeu que Len não havia respondido o ‘’bom dia’’ dela. Apesar de ser apenas um detalhe, ela percebeu que ele tem estado estranho há muito tempo, antes da morte de seu pai. E não conseguia saber o motivo. Ele parecia estar com raiva dela, ela só não sabia o porquê.

Gotas de chuva começaram a aparecer cada vez mais fortes, e sem perceber Rin já estava ensopada ainda na metade do caminho para ir à escola. Começou a correr, mas não avistava nenhum prédio ou lugar em que pudesse se proteger da chuva, e sua vista que estava embaçada pelas gotas de chuva que caiam em seus olhos também não facilitava.

Então sentiu uma mão tocar-lhe o ombro e um guarda-chuva ser colocado acima de sua cabeça. Virou-se e viu Len sorrindo para ela, um sorriso meigo e gentil. Há muito tempo que ela não o via sorrir, até pensou estar alucinada.

Apesar de ter vindo protegido com seu guarda-chuva seu cabelo e sua face estavam levemente molhados pela intensidade da chuva. Rin ficou encarando ele sem entender o sorriso bobo que estava em seu rosto, por um tempo ela se perdeu em seus olhos que agora não estavam vazios como antes, na verdade o azul de sua íris estava vívido e intenso. Ela não sabia o que dizer, começou a sentir algo que nunca havia sentido antes.

Ele... Está tão lindo...

Pensou sem saber exatamente o porquê deste pensamento. Então sentiu um calafrio em todo seu corpo quando Len se aproximou de seu ouvido e disse:

‘’- Não quer sair dessa chuva?’’

Por que parecia que tinha algo a mais nessa frase? Estava confusa e seu coração começava a disparar mais rapidamente, ela não entendia o motivo de estar assim. Dividindo o mesmo guarda-chuva eles estavam tão perto um do outro que a fez corar e aumentar seu nervosismo. Len apenas sorria, pegou a mão de Rin e a guiou para um tipo de comércio onde pararam de baixo de uma joalheria. Ele olhou para ela e disse:

‘’- Lembra-se de quando éramos pequenos, e nossa mãe ainda não havia se casado com meu pai e nossa vó vivia dizendo que isso era um desgosto pra ela? Ter filhos sem casar?’’

Ela assentiu se perguntando qual o motivo dele estar falando disso agora.

‘’- Então nossa mãe nos trazia aqui para admirar os anéis de noivado e dizia que um dia iríamos segurá-los no dia de seu casamento?’’

Rin assentiu novamente lembrando-se de como era divertido quando saia com sua mãe e Len, naquela época em que não havia preocupações.

‘’- Eu me lembro do último dia que ela nos trouxe aqui. Ela disse que sentia saudades de todos os momentos românticos que já viveu. Daquela época, em que passava anos gostando de alguém, que também gostava dela, mas que por timidez, não tinha coragem de se declarar. Daquela época, em que um beijo no rosto, era motivo para mudar de cor, e um selinho, era um beijo cinematográfico. Daquela época, em que só saber que poderia ver seu amor, a fazia levantar da cama, e enfrentar mais um dia escolar. Daquela época, em que uma ‘’ficada’’, não era apenas isso. Era mais, era frio na barriga, misturada com uma ansiedade, que nos fazia querer gritar sem voz, chorar sem lágrimas. Tudo isso, por saber que iríamos beijá-la. Beijar aquela pessoa, que há tempos havíamos desejado... ’’ Ele olhou para ela e segurou suas mãos acariciando-as e depois se aproximou olhando em seus olhos. Tão perto que podia sentir sua respiração. ‘’- Após a morte dela eu senti que você se afastou de mim, mas não fui atrás porque pensei que você precisava de espaço para lamentar de seu jeito. Mas então parecia que nenhum tempo seria o suficiente... Ontem eu escutei do meu quarto alguém chorando no cômodo ao lado e percebi que era você, fiquei triste e pensei que talvez eu tivesse te deixado muito sozinha. ’’

Rin ficou pasma, sem reação.

‘’- E-eu não gosto de remoer o passado... Len não consigo... ’’ Ela começou a chorar e Len alimpou suas lágrimas com seu dedo.

‘’- Você não esta sozinha, eu sempre vou estar ao seu lado mesmo que você não deseje isso. Rin, as palavras de nossa mãe fizeram-me lembrar de algo muito importante, que eu nunca havia lhe dito antes por vergonha. Eu tinha vergonha do que eu estava sentindo, vergonha de mim mesmo. Mas agora eu só tenho você e preciso que saiba antes de te perder também... Eu te amo.’’

‘’- Len eu também amo você, não é algo para se envergonhar amar sua irmã. ’’ Ela respondeu com sua voz baixa, quase imperceptível. Nunca disse que amava ninguém em voz alta, nem para sua mãe e pai, aquilo soava estranho para ela. Mas por algum motivo conseguiu dizer para seu irmão sem hesitar.

Len sorriu então sussurrou no ouvido de Rin:

‘’- Mas eu te amo muito mais do que como irmã... ’’

Rin ficou paralisada até que seu irmão a beijou, e ela correspondeu a seu beijo inconscientemente. Então percebeu que ela também o queria. Quando sentiu os lábios de Len encostar-se aos seus, abriu a boca e deu passagem a língua dele. Foi um beijo suave, sem pressa e com movimentos intensos. Quando se separaram, Len abraçou Rin e ela deitou a cabeça em seu ombro. Ela não precisava mais se preocupar as 18h30, não estava sozinha, tinha esperança. E amava muito seu irmão para deixá-lo. Não precisava mais de suicídio...

Ela estava alegre, pois havia alguém que se preocupava com ela, mesmo quando ela mesma se deixava de lado.


Notas finais
Ficou aceitável?

ps: No final há um frase de Grayce Kelly Seth Bioen, (nas últimas palavras da mãe).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!