Always At Your Side
3 Reencontro
Notas iniciais
– Você pretende falar com ela? – disse Matt
A voz de Matt ecoou muito distante. Damon ainda estava com sua atenção completamente presa naqueles cabelos castanhos que deslumbravam ainda mais sua dona. Ele não sabia exatamente o que estava acontecendo dentro dele, mas, seja o que fosse, era como se um pouco mais de vida estivesse imperando dentro do seu ser. Como se apenas em vê-la não sentia mis o vazio que sentia durante esses três anos.
Depois de uma sacudida de cabeça e um retornar brusca a realidade, Damon virou-se na direção de Stefan e Matt aturdido. Cruzou os braços com um ligeiro ar de pesar.
– Não vale a pena – respondeu a pergunta de Matt.
As palavras soaram meio cortantes, mas Stefan tinha a absoluta certeza de que seu amigo estava fazendo um tremendo esforço para agir daquela maneira. Os olhos dele brilhavam e o simples fato dele ter cruzado os braços, só mostrava ainda mais o quanto estava sentindo-se nervoso.
– Como não vale a pena? — indagou Stefan, calmamente. Sua voz estava passiva. Talvez fosse por isso que Damon ainda não tivesse explodido.
– Stefan, os meus assuntos com a Gilbert acabaram assim que saímos da escola.
– Está certo disso? – Matt enrugou a testa. — Que eu me lembre, você tinha algo a dizer a ela na noite de formatura.
Damon sabia perfeitamente disso. Ou melhor, lembrava perfeitamente do assunto que fora interrompido por Stefan extremamente bêbado nos braços de Katherine. Tudo bem que ele estava um pouco mais "alto" naquela mesma noite, mas a lembrança dele dançando com Elena, fora algo inapagável.
– Acho que você deveria conversar com ela, sabe. – Matt observou Elena, muito distante de onde eles estavam. Ela havia virado na mesma esquina em que Tyler havia sumido há alguns minutos atrás. — Sei lá... Vocês sumiram um da vida do outro muito rápido. Eu sei que vocês não tiveram nenhum tipo de relacionamento, mas você fez parte da vida dela. Assim como ela da sua.
– Nós mais brigávamos do que conversávamos. — Damon retrucou, estreitando o olhar. — E isso não é um tipo de lembrança para se recordar.
– Você acredita mesmo que ela se esqueceu do pentelho chamado Damon Salvatore, que muitas vezes só faltava correr nu na frente dela para chamar a atenção?
O moreno dera um suspiro rasgante. A fome que sentia parecia ter se dissipado. Havia um pouco de emoção em rever Elena, nem que fosse de longe. Mas ele achava que não seria a mesma emoção vê-la de tão perto e ainda manter um diálogo adulto. Balançando a cabeça, como se não estivesse acreditando no que havia acabado de pensar, Damon ajeitou as vestes e encarou Stefan e Matt novamente.
– Como estou? — perguntou Damon, meio sem jeito.
Matt sorriu com a pergunta. Diante dele, estava o velho Damon preocupado com o que Elena Gilbert poderia pensar dele. No fundo, sentia saudades daquele Damon que parecia ter acordado de um sono profundo.
– Você pergunta isso logo para mim? – Matt sorriu, lhe dando palmadinhas amigáveis nos ombros. – Pergunte ao Stefan... Já que ele demora mais do que mulher para se arrumar...
- Epa. Olha lá. Eu sou apenas vaidoso – disse Stefan – Não posso andar desleixado que nem você. Se não as mina não piram — disse e riram.
- Ande rápido, antes que a perca de vista. – disse Matt
Damon despediu-se de Stefan e Matt e atravessou a rua às pressas. Naquele momento, ele apertava as vistas para não perder Elena que ainda caminhava apressada pela calçada. Ele já estava perdendo as esperanças, quando resolveu bancar o louco e começar a correr. Quando finalmente a morena havia parado de andar, devido à outra travessia com sinal vermelho, e ele estava apenas uns 10 cm longe, Damon se descontrola e acaba tropeçando-nos próprios pés, caindo em cima de Elena.
Elena olha atordoada para Damon. Logo ela reconhece aquele par de olhos azuis. Eles estavam muito próximos. Elena estava em choque. Um balanço estranho dentro de seu peito. Seu coração parecia ter gelado e sua respiração havia se tornado descompassado. Ter Damon Salvatore em seu campo de visão, três anos depois que se formaram, era realmente uma grande surpresa. Ainda mais em cima dela. Elena saiu de seu transe e falou.
– Er... Você está bem?
- Acho que estou
Eles haviam caído em cima de uma lixeira por sorte apenas Damon se sujou. Ela se levantou e ficou com a mão estendida. Ainda tentando entender o que havia acontecido, Damon segurou a mão da garota e se levantou com um pouco de dificuldade. O lixo que havia caído sobre ele, havia sujado completamente sua roupa. Atenciosa, Elena fizera questão de tirar uma casca de banana de sua cabeça.
Era realmente incrível como sempre tinha que pagar mico na frente de Elena Gilbert
– Acha que está? — Elena o olhava meio aturdido. Ainda não estava aceitando a ideia de que estava ao lado de Damon Salvatore completamente coberto de lixo e que quase a beijou.
– Sim, eu estou — Damon tentou sorrir, mas estava embaraçado demais. Sentia-se um babaca.
Depois de tentar inutilmente tirar a sujeira das vestes, Damon erguera o olhar e encarou Elena. Ela não havia mudado tanta coisa, pensou ele sentindo um estranho calafrio tomar conta de sua espinha. Elena continuava com os mesmo cabelos e o mesmo brilho nos chamativos olhos castanhos que mais pareciam chocolates derretidos. A única diferença é que era parecia bastante cansada e, aqueles olhos, estavam emanando uma melancolia fora do normal.
– Quanto tempo, Elena.
Elena tomou toda a coragem do mundo para encará-lo. A única coisa que se passava pela sua mente ao vê-lo, era da vaga lembrança do baile de formatura. No fundo, sentia saudades daquele tempo. Sentira falta de Damon, mas não aprendera a lidar com tal sentimento que, muitas vezes, impregnava em seu peito fazendo-a se sentir extremamente mal.
– É verdade — respondeu ela, ajeitando a bolsa no ombro. — Nunca mais o vi em New York... Mudou-se?
– Ah! Não! — Damon tentou sorrir, mas parecia que estava diante de uma estranha, pois estava bastante difícil se expressar de alguma maneira. — Estive viajando com Stefan.
Era de se imaginar. Se Damon não estivesse em NY, com quem ele poderia estar?
Elena balançou a cabeça sentindo-se boba por não ter pensado nesta hipótese. Ambos eram bastante unidos e isso sempre incomodou Elena, pois sempre achou que eles excluíam Tyler e Matt que, muitas vezes, passavam a hora do intervalo juntamente com ela e Bonnie.
– Deve ter sido divertido, imagino! — disse Elena, forçando um sorriso.
Aquele clima estava todo estranho. Ambos estavam estranhos. Parecia que uma grande ponte havia se colocado entre os dois com grandes obstáculos impedindo-os de se aproximarem. Damon estava começando a ficar bastante enfezado e, com paciência controlava a imensa vontade de dar às costas e apagar mais um episódio que obteve com Elena de sua memória.
– Bastante. Voltamos hoje. -. Ou puxava algum assunto, ou correria o risco de não vê-la mais. — O que faz perdida por NY em plena segunda-feira? Ainda mais neste calor infernal.
Elena sorrira, mas dessa vez não fora nada forçado.
– Entrevista de emprego!
– Sério? Deu-se bem?
– Começo amanhã!
Ele dera um passo à frente, mas logo se afastou. Damon teve que conter a imensa vontade de abraçá-la. Nunca havia feito isso, e culpou-se por ter quase agido daquela maneira.
– Parabéns, Elena! — disse Damon, lhe dando todo o apoio possível.
– Obrigada, Damon! Posso dizer que estou bastante feliz. — disse Elena, empolgada. — Você deveria estar aqui por perto, né!
– Sim, estava na outra Avenida com Stefan, Matt e Tyler saiu a poucos minutos.
– E por que saiu correndo feito um louco?
Damon a encarou desafiando-a a ler seu olhar para decifrar a resposta. Não foi tão difícil, já que a morena conhecia perfeitamente a natureza proveniente do moreno. Logo Elena sacou.
– Hum...não poderia vir andando?
– Você iria gostar que eu berrasse seu nome?
– Definitivamente não! Mas seria isso que você normalmente faria.
– É... Normalmente...
Fora a primeira vez, depois da queda, que Elena voltou sua atenção para Damon. Ele ainda tinha as mesmas feições. O olhar, que sempre mostrava certas doses de malícia, ironia e sarcasmo, parecia mais sensato. Sua postura, não havia como explicar, mas era definitivamente de um homem maduro.
– Damon, eu preciso ir andando...
– Ah! Tudo bem! — Damon balançara a cabeça. – Stefan, Matt e eu estávamos comentando de encontrarmos todo mundo e colocar a conversa em dia. Tyler ficou bastante empolgado, sabe?
– Damon, que conversas colocaríamos em dia? — Elena parecia tristonha. Nunca havia dividido nada com Damon e seu grupo, exceto Matt e Tyler. Era estranho ser tratada como parte da vida dele. Do círculo dele.
– Eu só pensei que... — Damon encolhera os ombros. -... Tudo bem banquei o idiota novamente.
– Claro que não.
– E como não?
– Oras, você me fez um convite.
– Mas você não quer ir por que é chata.
– Não quero ir por que sou chata, mas sim por que só teria que colocar a conversa em dia com Tyler e não com você.
– Então vai lá, então. Vai conversar com seu amiguinho.
Ambos se fuzilaram com o olhar, como a muito tempo não faziam. Quando se deram conta da cena, resolveram cair na gargalhada simultaneamente sem grandes explicações.
– O que foi isso? — perguntou Elena, quase sem ar.
– Uma briga — afirmou Damon, controlando-se.
– A quanto tempo não brigamos?
Damon levou o dedo indicador em direção ao queixo.
–Três anos!
– É... Bastante tempo...
– Acho que só assim para quebrar o clima de acanhamento entre nós dois.
– Sabe que é verdade? Parecíamos dois mongóis conversando. Uma coisa bem Bonnie e Jeremy em começo de namoro.
– Mas você nunca quis namorar comigo.
– Você nunca pediu.
– Quer namorar comigo, Gilbert?
Elena balançou a cabeça, abafando o riso. Ela mal o encontro e já vai pedindo em namoro.
– Fora de cogitação, Salvatore. Acabamos de nos encontrar e você já que se amarrar?
– Poxa. E eu pensei que ao andar que nem homenzinho perto de você faria toda a diferença.
– Deixar a barba por fazer faz toda a diferença?
Damon gargalhou.
– Faço mais sucesso do que com cara de bundinha de neném.
Ambos gargalharam mais uma vez e nem notaram que atrapalhavam a passagem. Muitas pessoas ainda se apinhavam para encontrar um bom lugar para almoçar e eles pareciam nem se importar com tudo aquilo.
– Bom... Acho que já te ocupei demais. — disse Damon, depois de ter sido praticamente empurrado por quem passava.
– Imagina. Na próxima eu mando você ir embora de uma vez. — afirmou Elena, sorrindo.
– Mas antes de eu ir, Tyler me disse que você se mudou.
– Ah! Sim! Mudei-me para um pouco mais longe dessa bagunça.
– Claro, a certinha Gilbert. — afirmou Damon, retribuindo o sorriso. – Certo. Deixa-me ir andando, pois Stefan e Matt ainda me esperam.
– Mande lembranças para as pestes.
– Stefan vai amar o peste e odiar as lembranças.
– Acredito nesta tese também.
Damon levou sua face na direção da de Elena e lhe dera um beijo amigável na face. Fora um gesto bastante inesperado e ela sentiu que havia acordado, pela segunda vez, depois de um grande choque.
– Foi bom te rever, Elena. Espero que...
–... Você não suma? — interrompeu-o Elena, prontamente.
– Exatamente — Damon vasculhou os bolsos com certa pressa. — E para isso, você me dará seu telefone.
– Para você me infernizar todos os dias?
– Não! — Damon negou juntamente com a cabeça. — Só de madrugada.
Elena cairá na risada mais uma vez.
- Anota aí – ela disse e rapidamente ambos trocaram telefones.
– Nos vemos, então, Elena!
– Eu espero que sim! — disse ela balançando a cabeça.
Elena ficou parada no mesmo lugar vendo Damon se afastar, sentindo um súbito aperto dentro do peito. Ela notou que havia diferenças demais entre eles. Sempre houve diferenças, mas elas pareciam mais intensas agora.
Sentindo um estranho pesar, a morena girou nos calcanhares e voltou diretamente para sua casa.
Continua...
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